Capítulo 04 - Dino's heart
O Chefe dos Cavallone achou que não sairia vivo do sermão que ouviu de Romário quando chegou ao Hotel. Seu braço direito enumerou as centenas de coisas que poderiam ter acontecido ao seu Chefe no caminho, lembrando-o que havia vários motivos que o levavam a nunca andar sozinho. O louro concordou e desculpou-se o máximo que pôde antes de seguir para seu quarto.
Ao deixar a casa de Tsuna, o italiano havia ficado tão desnorteado por encontrar Hibari, e juntando esse encontro com seu dom natural para o desastre, Dino apenas viu seu telefone cair dentro de um bueiro depois que tropeçou. Sem ter como avisar Romário sobre o local em que estava - por não ter se quer dinheiro para uma ligação - o louro pegou um táxi e pediu para um de seus subordinados que pagasse a corrida.
Livre dos sermões, o Chefe dos Cavallone jogou-se na cama, esticando os braços e encarando o teto. Havia uma decisão que ele deveria tomar e ela teria de ser feita naquela noite.
Romário surpreendeu-se ao ver que Dino acordara cedo na manhã seguinte. O café foi pedido em seu quarto como de costume, mas o que não era rotineiro foi a maneira com que o louro pediu para que cancelassem qualquer compromisso que tivesse na parte da manhã, e o levassem até o Colégio Namimori. Sem questionar nada, Romário seguiu as ordens, sentindo-se mais aliviado por ser ele mesmo quem dirigia o italiano. Ele não sabia se seu pobre coração aguentaria ver seu Chefe perambulando pelas ruas sem nenhum tipo de escolta.
- Espere no parque atrás do Colégio, eu não vou demorar.
Com um gentil meio sorriso, Dino saiu do carro e fechou a porta, seguindo com passos firmes pela entrada do Colégio.
Romário ajeitou os óculos e suspirou, seguindo devagar com o carro pela rua, esperando que o louro resolvesse o quanto antes a sua situação. Não havia trabalho pela manhã, a tarde ou durante sua estadia em Namimori. O braço direito dos Cavallone já havia limpado a agenda do italiano, utilizando uma desculpa qualquer para trazê-lo para o Japão.
Tudo o que Romário queria era ter seu animado e sorridente Chefe de volta, e sabia que seu sorriso só poderia ser devolvido por uma pessoa.
Era hora de Dino crescer.
O italiano subiu as escadarias do Colégio sentindo seu coração bater mais rápido a cada degrau. Ao encarar a porta do Comitê Disciplinar, o louro precisou de alguns minutos para juntar a coragem necessária para bater na porta e consequentemente abri-la.
A visão de Hibari sentado em sua mesa e concentrado em seu trabalho o deixou um pouco mais aliviado. Se ele tivesse entrado e dado de cara com o moreno, provavelmente a conversa que ele planejava ter não aconteceria. Dino podia visualizar um tonfa voando em sua direção antes mesmo que tivesse a chance de dar bom dia.
- Deixe os papéis em cima do sofá, vou examiná-los depois. – O Guardião da Nuvem tinha os olhos em seu trabalho, negligenciando totalmente a figura parada a sua porta.
Cerrando os olhos e respirando fundo, o Chefe dos Cavallone deu alguns passos à frente depois de ouvir a voz de Hibari, abrindo finalmente a boca. A reação do moreno foi automática, e quando os olhos negros o encararam, Dino engoliu seco e recomeçou a andar, parando em um local estratégico. O Guardião da Nuvem ouviria o que ele tinha a dizer, e o italiano ainda teria tempo de tirar o chicote do bolso para defender-se do ataque que certamente viria.
Com o chicote em um bolso do casaco e pouquíssima coragem e esperança no outro, Dino estava decidido a seguir o conselho que Tsuna havia lhe dado na noite anterior. Ele não se tornara Chefe sem ter de vencer algumas lutas.
- Saia. – Hibari mal moveu os lábios. - Eu não tenho nada para falar com você.
- Eu sei – O italiano deu alguns passos à frente, parando no meio da sala - Mas você vai ouvir o que tenho a dizer, nem que isso signifique que você me morda até a morte depois.
Não houve comentário algum após o louro ter dito tais palavras. Tudo o que o Guardião da Nuvem fez foi pousar a caneta na mesa e manter o olhar firme, esperando o que viria em seguida.
O Chefe dos Cavallone sentia todo o corpo vibrar com a tensão. Em vinte e cinco anos aquela era a primeira vez que ele se declarava para alguém. Até aquele momento nenhuma pessoa o conquistara como o moreno o conquistou. Nenhuma pessoa valeu cada pensamento, cada sorriso e cada hematoma. Nenhuma pessoa o fez abrir mão de tanta coisa, esperando praticamente nada em retorno. Estar ali em pé, pronto - ou quase isso - para abrir seu coração era aterrador, não somente por ser a primeira vez, mas porque Dino sabia que estava lutando uma batalha perdida. Não importava o quão belos e sinceros fossem seus sentimentos, pois o italiano sabia que do momento em que eles saíssem por seus lábios na forma de palavras, a fraca e delicada relação que ambos tinham acabaria. Reborn provavelmente teria de encontrar outra pessoa para treinar o Guardião da Nuvem, e o louro precisaria aprender a viver como viveu antes de conhecer Hibari.
O único empecilho dessa última suposição era que Dino mal lembrava de sua vida até dois anos atrás.
- Primeiro, eu gostaria de me desculpar por meu comportamento há duas semanas atrás. Não existem palavras que eu poderia utilizar para dizer o quanto me arrependo do que fiz. Foi infantil, impensado e não voltará a acontecer - As palavras começavam a fluir devagar pelos lábios do Chefe dos Cavallone. Havia tantas coisas que precisavam ser ditas, porém, ele precisava primeiramente tentar desfazer o mal-entendido entre eles - Segundo, eu preciso explicar os motivos que me levaram a fazer tal coisa, mesmo sabendo que nada do que eu disser mudará o que aconteceu ou justificará minha terrível atitude. - Dino apertava a base do chicote com força, escondido dentro do bolso do casaco. Seu coração batia incrivelmente rápido. - E-Eu estou apaixonado por você, Kyouya... Há algum tempo. E-E eu sei que isso vai soar estranho, como também sei que você deve estar me achando irritante e desprezível, mas não posso controlar o que sinto. Eu venho te amado por anos, e aquele dia no elevador eu simplesmente não consegui me controlar. Senti que aquela poderia ser a última vez que estávamos nos vendo e meu corpo simplesmente se moveu. Não consegui pensar, não consegui ver. Tudo o que eu queria era poder senti-lo nem que fosse por uma única vez.
As palavras já não pareciam estrangeiras nos lábios do louro. Seu coração tornava-se cada vez mais leve, como se o peso de dois anos estivesse desaparecendo aos poucos, deixando apenas aquele aconchegante e gostoso sentimento que lembrava em muito o que ele sentira quando percebeu seus sentimentos por Hibari.
- Não vou me desculpar por todas as coisas que estou dizendo, e tenho consciência de que estou sendo egoísta ao entrar aqui e expor tudo isso para você. Não é sua culpa, Kyouya, de maneira alguma. Eu nunca recebi nenhum tipo de incentivo de sua parte, tudo isso foi criado e nutrido aqui, então a culpa é minha - O Chefe dos Cavallone colocou uma das mãos em cima de seu peito e sorriu - Honestamente, não tenho mais nada a dizer a não ser agradecer por ter me ouvido.
Dino tentou manter o sorriso o máximo que pôde, entretanto, quanto mais olhava na direção do Guardião da Nuvem, mais seu corpo implorava para que ele fosse embora enquanto ainda estava inteiro.
Hibari não se mexeu ou mudou de fisionomia durante todo o discurso do italiano. Seus olhos apenas se abaixaram após alguns minutos, e permaneceram baixos quando ele pronunciou as seguintes palavras:
- O que você espera que eu diga?
O Chefe dos Cavallone arregalou os olhos e engoliu seco. A primeira parte de sua missão tinha terminado. Ele disse tudo o que estava guardado em seu peito, mas esperava que naquela altura um dos tonfas de Hibari já o tivesse atingido, impossibilitando qualquer tipo de continuação do assunto. Como Dino continuava de pé e intocado, isso significava que a segunda parte teria de ser concluída. E essa parte ele sabia que iria doer, deixar hematomas, mas não necessariamente em nenhuma parte visível.
- Nada... - As palavras saíram rasgando pela garganta do louro. Ao contrário da sua declaração, nada do que ele dissesse dali em diante o faria sentir-se melhor. Ele conseguiu juntar coragem suficiente para dizer o que sentia. Agora era hora de dizer adeus. - Eu não espero que diga nada. Sei que corresponder aos meus sentimentos é impossível, e saiba que vim aqui sem o menor intuito de receber uma resposta. Eu o machuquei, Kyouya, e o mínimo que poderia fazer era lhe dar uma explicação honesta. Eu realmente sinto muito por aquele dia.
Dino permaneceu em silêncio esperando a mínima chance de alguma resposta ou comentário por parte do moreno. Por longos minutos a quietude e o estranho clima foi tudo o que o louro recebeu em troca. Percebendo que Hibari não tinha inclinação nenhuma em falar, o italiano deu meia volta e caminhou em direção a porta, virando-se já com metade do corpo fora da sala. Havia um meio sorriso em seus lábios, e a última olhada que deu na direção do moreno - mesmo não sendo recíproca - era tudo o que ele precisava para lembrar de todo o tempo que passaram juntos.
Estava feito. Dino agora estava livre.
O barulho da porta sendo fechada fez Hibari piscar, olhando a sala e ficando surpreso por ver-se sozinho. Ele viu quando o italiano saiu, mas estava tão concentrado em seus próprios pensamentos que sentiu que tudo aconteceu em câmera lenta. Da declaração ao pedido de desculpas. Do silêncio a porta sendo fechada.
Levantando-se rápido, o Guardião da Nuvem cruzou a sala do Comitê Disciplinar, abrindo a porta às pressas, certo de que ainda encontraria o louro do lado de fora como de costume.
Porém, dessa vez não havia ninguém. O corredor estava vazio e silencioso. Hibari estava sozinho.
x
Romário estava ao lado de Dino Cavallone há anos.
Sua função como braço direito sempre lhe pareceu natural, assim como todas as atribuições pertinentes ao cargo. Ele era responsável por manter a agenda de seu Chefe atualizada para que suas reuniões e trabalhos estivessem sempre organizados. Era dele também a responsabilidade de manter um certo nível de disposição e motivação por parte do louro - que diga-se de passagem, não era sempre que Romário conseguia. O braço direito sentia-se como um membro da família, e mesmo que em certos momentos se mantivesse calado, não significava que não via o que estava acontecendo. Os sentimentos de Dino, por exemplo, tornaram-se conhecidos por Romário há algum tempo. Sem julgamento, sem um pré-conceito formado ou qualquer tipo de indisposição, tudo o que ele queria era que seu precioso Chefe soubesse lidar com aquela situação, pois eles não estavam falando de uma garotinha. Felizmente ou infelizmente, o alvo dos sentimentos do louro era uma pessoa extremamente difícil e fechada, cujos sentimentos Romário nunca conseguiu desvendar. Todas as vezes em que Hibari esteve em sua presença, o braço direito procurou qualquer vestígio ou sinal de que os sentimentos de Dino pudessem ser correspondido. Se o Guardião da Nuvem sentia o mesmo, então sabia ocultar muito bem.
Ao ver seu Chefe retornando ao carro, Romário ajeitou o óculos e apenas olhou através do espelho retrovisor, buscando algum sinal de que o louro recebera uma resposta positiva. Entretanto, tudo o que encontrou foram olhos sem brilho que emolduravam um rosto inexpressivo.
- Para onde vamos agora, Chefe?
A pergunta fez Dino erguer os olhos e dar um meio sorriso, pois ele tinha em mente duas respostas. Na pratica ele apenas disse para seguirem de volta ao Hotel, enquanto sua mente questionava realmente o caminho que seguiria dali em diante.
E agora, Dino?. O Chefe dos Cavallone recostou-se melhor no banco, deixando seus olhos passearem pela paisagem através da janela. Sua mente recordava-se com precisão a conversa que acabara de ter com Hibari, vivenciando suas palavras, a falta de reação por parte do moreno e a maneira como a situação chegou àquele ponto.
Apesar de tudo, não havia motivos para se arrepender. Sua confissão serviu apenas como explicação para sua terrível atitude de duas semanas atrás. Entretanto, doía pensar que a pouca confiança que o Guardião da Nuvem lhe depositava provavelmente não existia mais.
Tal pensamento fez Dino recordar-se da visita que recebera há um ano atrás. Suas sobrancelhas se juntaram ao lembrar do Hibari do futuro e das três palavras que nunca saíram de sua mente. Se os dois realmente mantinham contato, então o que aconteceu naquela tarde acabaria sendo perdoado de alguma forma.
Aquele pensamento fez o coração do italiano sentir-se um pouco mais leve. A possibilidade existia assim como o simples e inegável fato de que ao alterar o presente, você automaticamente está mudando o futuro. Da mesma forma como o Guardião da Nuvem poderia perdoá-lo pelos próximos anos, também poderia ser o caso do Hibari do futuro não saber que aquilo aconteceu. Talvez naquela realidade, Dino nunca perdeu o controle e acabou envergonhando-se e arrependendo-se posteriormente. Talvez ambos tivessem algum tipo de amizade porque o italiano manteve seus sentimentos guardados a sete chaves.
Ou talvez Hibari simplesmente não se importava, e aquele dia não teria nenhum tipo de relevância para a vida do moreno.
O Chefe dos Cavallone não percebeu que Romário estava dando voltas e mais voltas pela cidade. A rota em direção ao Hotel ficou para trás, e Dino não teria notado nada de diferente se a visão de algo em particular o fizesse piscar várias vezes e sentar-se melhor no banco do automóvel. Eles estavam em uma bela rua, onde as calçadas pareciam ainda úmidas por causa do inverno que começava a ir embora. Havia muitas árvores e flores nos canteiros, mas o que chamou a atenção do italiano foi um discreto sobrado. A primeira vista não havia nada de especial no imóvel, mas os olhos cor de mel de Dino ficaram encantados. Em frente ao sobrado, dentro do jardim, havia duas árvores de cerejeira, uma de cada lado do alegre caminho que levava em direção a delicada cerca branca. O Chefe dos Cavallone imaginou o quão bela seria a visão daquelas árvores durante a primavera, conseguindo visualizar-se sentado na janela do segundo andar apenas admirando a visão.
- Pare o carro, Romário.
Romário diminuiu a velocidade, parando um pouco a frente, sem entender o que roubou a atenção de seu Chefe. Antes que pudesse virar-se e perguntar, a porta foi aberta e Dino saiu do carro sem dar nenhum tipo de explicação.
O italiano caminhou com passos largos e apressados em direção a casa, parando exatamente em frente à cerca branca. Seus olhos correram de um lado para o outro e seus lábios formaram um largo sorriso.
- O que houve, Chefe? - Romário permaneceu ao lado, seguindo os olhos do italiano. - Viu algo que gostou?
- Ah sim... - Dino colocou as mãos sobre a cerca branca - Lembra quando comentei a algumas semanas que não pretendia mais permanecer em Hotéis?
- Sim, lembro - O braço direito dos Cavallone olhou para frente e entendeu automaticamente o que estava acontecendo. Aquele assunto surgiu há algum tempo. O louro chegou de repente e disse que cogitava a ideia de adquirir alguma propriedade em Namimori, para sua maior comodidade e a de seus subordinados. Porém, o assunto não voltou a ser comentado e Romário achou que Dino tivesse esquecido ou desistido do plano.
- Eu acho que esse lugar será perfeito - Havia um largo e contente sorriso nos lábios do louro - Acredito que seja hora de mudar algumas coisas.
- Compartilho da mesma opinião - Romário ajeitou os óculos, procurando com os olhos alguma placa que mostrasse que a propriedade estava à venda, pois não parecia que havia alguém morando na casa. - Mas isso significa que você voltará a Namimori, Chefe. Não se importa?
A pergunta atingiu uma ferida que levaria algum tempo para cicatriz. O sorriso tremeu nos lábios do Chefe dos Cavallone, mas não desapareceu por completo.
Ele não correria. Ele não fugiria. Ele não deixaria que sua vida regredisse. Dino sabia que precisaria esperar para se recuperar daquele dia, mas entre todas as realidades que pudessem ser possíveis, o italiano optou por aquela em que Hibari esqueceria o ocorrido. Porque mesmo que decidisse não voltar a Namimori, o italiano sabia que aquela resolução não duraria muito. Ele acabaria retornando e procurando uma forma de ver o moreno à distância, mesmo que o Guardião da Nuvem o considerasse invisível.
- Acha que está à venda? - Dino procurou pela primeira vez alguma placa pela propriedade.
- Posso ver isso para você, Chefe - O braço direito dos Cavallone sorriu, sentindo-se um pouco mais confiante por ver o louro aparentemente melhor. Não havia nada que a Máfia não resolvesse.
- Tenho tantas coisas para fazer, Romário - O italiano manteve o sorriso, virando o rosto na direção do homem com que ele conversava - Ficarei no Japão mais alguns dias para resolver o problema do imóvel e depois retornamos para Itália. Existe algo que eu preciso concluir, e acredito já ter demorado tempo demais procurando uma solução que não machucasse ninguém.
- As pessoas vão sempre se machucar, de uma forma ou de outra. A culpa não é sua, Chefe.
- Eu sei, mas não gosto de imaginar que alguém tenha se magoado por minha causa - Dino sabia que seu braço direito entendia qual era o assunto e a quem eles se referiam. - Ela é uma grande mulher e qualquer homem seria incrivelmente sortudo por tê-la como esposa, mas jamais poderei ser um deles. - Os olhos cor de mel voltaram a encarar a casa. A mente do italiano começava a pensar nas mudanças que faria, nas cores que usaria para pintar, nos móveis e tudo o que fosse necessário para transformar aquela casa em um lar.
- Você parece animado. Aconteceu algo? - Romário retirou o maço de cigarros do bolso e levou um até seus lábios. A pergunta era extremamente delicada, mas era necessário exprimir um pouco de preocupação.
- Apenas me lembraram que tenho a sorte e vantagem de poder fazer escolhas. Mesmo que eu tenha escolhido essa vida, não significa que as coisas vão acontecer sempre do jeito que espero. Oh, como eu gostaria que isso fosse verdade - O Chefe dos Cavallones espreguiçou-se, sentindo que a noite mal dormida começava a lembrá-lo que seu corpo estava cansado. - Estou apenas comprando tempo, Romário.
O braço direito deu duas tragadas no cigarro, jogando-o fora ao ver Dino caminhando em direção ao carro. Antes de entrar, Romário passou os olhos pelo entorno, perguntando em seguida se seu Chefe estava pronto para retornar ao Hotel. A resposta do louro foi automática. Ele precisava voltar e ficar a sós em seu quarto.
Enquanto seguia pelas ruas de Namimori, algo chamou a atenção do italiano pela segunda vez, fazendo-o colocar a cabeça um pouco para fora da janela e tocando o ombro de Romário.
- Não sabia que estávamos próximos do Templo.
- Hm... É próximo - O braço direito dos Cavallone diminuiu a velocidade, observando a entrada do Templo Namimori e a enorme escadaria - Conhece alguém que more por aqui, Chefe?
- N-Não... - Dino juntou as sobrancelhas. Ele não conhecia ninguém, mas foi impossível não se encantar com a paisagem. O local parecia tão belo e aconchegante, que entrou instantaneamente na lista de lugares que precisavam ser visitados na cidade.
Recostando-se novamente no banco, o italiano continuou a admirar a paisagem, mantendo sua mente livre de pensamentos negativos o máximo possível.
Dessa vez Romário dirigiu direto para o Hotel, e Dino agradeceu e despediu-se de seu braço direito, pedindo que não fosse incomodado por algum tempo. Ao entrar no quarto, o louro retirou o casaco e o deixou no sofá, procurando o aparelho celular em um dos bolsos da calça. Após encontrar um certo número em sua lista de contatos, o italiano levou o aparelho ao ouvido e seguiu em direção a varanda, abrindo a larga porta de vidro.
O sinal de espera tocou quatro vezes e então uma voz atendeu, parecendo surpresa, mas contente pela ligação. Dino respirou fundo e apoiou-se na sacada, sentindo a brisa batendo em seus cabelos. Aparentemente a noite seria fria.
- Sto bene, grazie¹ - Houve uma pausa. O italiano mordeu os lábios. Quando voltou a falar sua voz estava séria e grave. - Catarina, abbiamo bisogno di parlare²...
Continua...
¹ Estou bem
² Catarina, nós precisamos conversar...
p.s: Meu conhecimento em italiano é o básico do básico do básico. Utilizei o delicioso tradutor do google nas partes em italiano. Se estiver errado, avisem-me que eu corrijo x3
