Observações:Essa fanfiction foi inicialmente traduzida por Nate e Mariana. Atualmente está sendo traduzida por Irene, Laisa, Laysa, Larissa e Letícia com colaboração de Illem e Jéssica.
Disclaimer: Twilight e seus personagens pertencem a Stephenie Meyer. Wide Awake, cookies e únicornios pertecem a AngstGoddess003.
Capítulo 4. Peanut Butter Panaceas – Panacéia*de Manteiga de Amendoim
EPOV
Quando o sol finalmente nasceu, mais uma vez fiquei limitado ao confinamento de meu quarto. Emmett estava com sua putinha Rosalie, o dia todo em casa, e eu queria evitar qualquer contato com ela. Esperava um pouco que Jasper viesse com ela e me fizesse companhia, mas ele ainda ajudava a mãe. Então, eu estava só novamente, desenhando na minha cama com os fones nos ouvidos no último volume.
Quando chegou à tarde, me lembrei de minhas observações sobre a internet. Uma coisa tão dramática quanto a que aconteceu com a Bella com certeza estaria nos noticiários locais, onde quer que ela morasse. Olhei para a porta com incerteza, sabendo que um encontro com a Rose com certeza daria em briga. Ela me odiava. Primeiro, eu odiava seu namorado e não fazia questão de esconder. Segundo, ela achava que eu corrompia seu irmãozinho gêmeo. Mentalmente, eu bufava pra isso. Se ela soubesse de quantos problemas eu livrei a cara dele...
Com um suspiro resignado, levantei de minha cama e abri a porta lentamente, como se uma merda de uma bomba fosse explodir lá fora. Espiando, ao longo do corredor, notei que estava vazio, com todas as portas fechadas, então eu fui andando bem devagar para o escritório de Carlisle, onde estava o computador. Assim que entrei, fechei a porta, trancando-a, e soltando o ar que nem percebi que prendia.
Liguei a máquina cara, quase desabando na cadeira e esfregando o rosto pra me manter alerto. Fiz minha pesquisa sem muitos resultados no começo, antes de perceber que Bella era curto por outra razão. Então finalmente pesquisei seu sobrenome, com sucesso. Um jornal local de Phoenix, Arizona, tinha um artigo sobre o incidente. Antes de clicar nele, me permiti um momento de culpa por estar procurando coisas sobre Bella pelas costas dela. Mas, de qualquer forma era necessário. Foda-se...
Esperei carregar a página e comecei a ler:
Invasão Domiciliar em Quieto Subúrbio de Phoenix Deixa Um Morto e um Ferido:
Phillip Dwyer, 30 anos, foi preso na 3ª feira com a acusação de assassinato de uma professora de 34 anos, Renée Swan. Precedendo a queixa de assassinato, Dwyer também é acusado de seqüestro, assalto e arrombamento com arma de fogo e intenção de matar, arrombando e invadindo. Mais acusações estão pendentes.
As autoridades foram chamadas até a Avenida Maple 250 depois de um chamado anônimo semana passada. Os oficias chegaram e encontraram o corpo da Swan dentro da casa. A causa da morte foi uma faca enfiada na garganta. Após mais inspeções feitas na casa, autoridades encontraram a filha da Swan, de 16 anos, trancada em um banheiro, amarrada e amordaçada. Ela tinha inúmeros ossos quebrados e lacerações, e estava sob custodia protetora, no Centro Médico de Phoenix, tratando-se de desnutrição e desidratação. Ela disse estar em condições deploráveis. Seu nome está sendo protegido por pedidos de parentes.
Dwyer confessou no Domingo que invadiu a casa da ex-namorada há cinco semanas, mantendo Swan e sua filha prisioneiras por quase um mês. Os reais motivos que levam ao incidente permanecem desconhecidos, mas Dwyer admite que não machucou suas vítimas intencionalmente e mostra arrependimento por suas ações. O advogado de Dwyer, alega que seu cliente tem problemas psiquiátricos e que precisa de avaliação antes do julgamento.
Parei de ler e desliguei o computador, desapontado por não conseguir tantas informações como queria, mas aliviado por saber que o maluco estava preso. Decidindo que minhas curiosidades só podiam ser saciadas pela própria Bella, voltei pro meu quarto. Pude ouvir os barulhos mais repulsivos vindo do quarto de Emmett, e me encolhi com o fato de estar tão próximo de suas... intimidades, mas sorri que aqueles dois estivessem ocupados demais para me perceber.
Voltei para meu quarto e suspirei alegremente. Esse quarto era meu santuário. Mesmo que não pudesse me dar o sono que eu desesperadamente desejava, me provia muita privacidade. Eu era uma pessoa bem fechada. Nem Jasper eu deixava entrar em meu quarto ás vezes. Acho que Bella não era totalmente agradecida pela situação de sexta quando ela me pediu permissão pra ficar em meu quarto. Mas como ela poderia? Ela não me conhece.
Fui até meu balcão com a intenção de pegar um cigarro, mas de repente me veio uma onda de tontura. Eu parei meio bambo no meio do quarto, e instintivamente soube que minha privação de sono tinha chegado ao limite. A experiência me ensinou que se eu não tentasse dormir logo, eu sucumbiria aos piores sintomas. Já que não tinha nenhum desejo especial de me alucinar essa tarde, eu me encostei na mesa-de-cabeceira e ajustei o alarme para tocar daqui duas horas.
Nem me lembro de ter me deitado na cama, mas devo ter, por que duas horas depois, o ruído de meu alarme me tirou dos sonhos que estava tendo. Me sentei na cama, ofegando e suando, e cheirando como Emmett em seus dias de treino. Levantei minha mão que tremia para cessar o barulho do relógio. Levou um bom tempo pra me recuperar, mas não movi um músculo, fiquei lá que nem um merda, tremendo com lágrimas rolando dos meus olhos como a porra de um bebê. Eu tinha nojo de mim mesmo.
...
Carlisle voltou naquela tarde para uma casa impecavelmente limpa. Dei um breve cumprimento a ele quando ia para a cozinha para fazer um sanduíche, que eu comi sozinho no meu quarto. Decidi ir hoje à meia-noite. Teria que escapulir pelo balcão a fim de evitar que Papai C. percebesse, mas eu já era craque nessa área. Quase considerei levar meu caderno de rascunho para Bella, mas pensei que estaria muito escuro para tal atividade.
Então exatamente a meia-noite, fui até o balcão e saí. Balançando minhas pernas com uma graça que achava que não teria no estado em que eu estava, escalei a pilastra que levava até o sul do jardim. Com um baque surdo, pousei na grama macia no fundo do quintal.Suave pra caralho.Eu sorri maliciosamente e fui até o gazebo.
Como na noite passada, Bella já estava sentada no banco esperando por mim, seus longos cabelos castanhos livres de seu capuz. Ela se virou quando me ouviu aproximar e me mandou um pequeno sorriso, o qual eu retornei.
"Que delinqüente juvenil, você é." Ela riu baixo quando me sentei do meu lado do banco. Levou um tempo pra eu perceber ao que ela estava se referindo.
"Oh," Eu disse levemente surpreso por ela estar me observando. "Então você viu?" Eu perguntei com um sorriso torto. Ela assentiu no escuro e eu só dei de ombros.
Ela revirou os olhos para minha escapulida perfeita e escorregou um saco de plástico pela mesa. Mais cookies. Eu sorri e me estendi para pegar um. Não estava hesitante como da última vez, confiando mais nos dotes culinários da Bella.
Mordi o cookie e imediatamente reconheci a manteiga de amendoim. Mas não era qualquer manteiga de amendoim... Era uma deliciosa manteiga de amendoim, boa pra caralho. Meus olhos se reviraram.
"Mmmm..." Eu murmurei, "Qual o nome desse cookie?" Perguntei enquanto consumia com vontade aquele cookie.
"Peanut Butter Panacea." Respondeu num tom presunçoso, tirando um cookie do saco e mordendo também.
Dei uma risadinha para o nome estranho. "Panacéa*..." Eu disse lentamente, olhando para o cookie na minha mão. "A Cura de Tudo. Parece apropriado." Disse com um sorriso e terminei meu cookie.
Ela deu de ombros modestamente. "É uma receita antiga; a melhor de manteiga de amendoim da minha coleção." Ela respondeu confiante. Ficamos em silêncio por um momento, aproveitando aqueles cookies. Não estava chovendo está noite, o que não era normal para Forks, mas o ar estava meio úmido e já que estávamos no meio de Novembro, ainda era frio pra caralho. Isso era bom de um certo modo. Tirei um momento para aproveitar o cheiro da Bella, que vinha na minha direção com a leve brisa. Ela tinha cheiro de cookies e flores. Bem feminino. Depois de um bom tempo, o som da suave voz da Bella quebrou o silêncio.
"Adormeci hoje." Bella disse num tom triste. Me virei para ela e notei que ela estava com a cabeça baixa, seus cabelos formando um véu que escondia seu rosto de mim. Você também, huh?
"É, na verdade, eu também." Franzi o rosto. "Por quanto tempo?" Perguntei, levando minhas pernas para a frente do banco para que eu pudesse encará-la.
Bella deu de ombros. "Talvez três horas. Eu estava sozinha em casa no sofá assistindo TV quando adormeci. Depois eu acordei... De um sonho..." Ela se interrompeu numa voz baixa, e virou o rosto pra mim. Seus olhos não pareciam tão cansados como na noite passada, embora ainda fossem visíveis os círculos roxos neles, mesmo na escuridão do gazebo. Ela lambeu os lábios e vagou os olhos pelo jardim antes de encontrar meus olhos de novo. Ela se inclinou pra mim um pouco e continuou num sussurro. "Eu estava no meu quarto novamente." Eu franzi a sobrancelha, e me inclinei para ela escutar melhor. Na minha antiga casa." Ela desviou o olhar para o jardim novamente e lambeu os lábios, algo que reconheci como sendo um habito de nervosismo dela. "Ele esperava por mim... No armário de novo... Se escondendo lá quando eu ia pra cama."
Ela pausou então, com uma expressão relutante, então eu assenti, encorajando-a a continuar. Eu estava muito curioso agora. Ela virou o corpo todo pra mim agora, e trouxe os joelhos para o peito, apertando-os com firmeza.
"Ele saiu de lá quando pensou que eu estava dormindo... Mas eu não estava. Vi a porta do armário se abrir... Mas eu estava... congelada, ou algo assim. Eu não pude gritar nem nada. Tudo que pude fazer foi vê-lo fazendo tudo aquilo de novo." Ela olhou pra longe novamente e começou a se balançar pra frente e pra trás. Eu estava completamente hipnotizado e tinha certeza que meus olhos estavam arregalados de ansiedade. "Ele me atacou enquanto eu ainda estava deitada na cama. E quando percebi, estava amarrada no closet, sangrando." Ela sorriu e descansou a bochecha no joelho.
"São as pequenas coisas de que eu me lembro melhor, você sabe?" Sussurrou num tom pensativo. "Como o jeito que o cheiro de sangue me enjoa, mas quando eu tentei vomitar, engasguei por causa do pano na minha boca." Ela tinha um olhar distante agora. Depois de uns segundos, ela pareceu voltar para a realidade, sacudindo a cabeça um pouco, depois encontrou meu olhar de novo. Ela mexeu a cabeça para que também pudesse olhar para o rio. "Então... É sobre isso que são meus sonhos. E foi pior porque eu estava sozinha em casa." Ela suspirou.
Fiquei meio atordoado e em silêncio por um momento, minha cabeça rodando em pensamentos sobre closets, e sangue, e vômito, e agradeci pelo que Bella falou sobre se lembrar das coisas menores. A história da Bella era definitivamente, sem dúvida, completamente fodida. Era bom saber que eu não sou o único. Possivelmente, Bella lidava com isso melhor do que eu, mas ela só faz isso há um ano. Eu tenho feito isso por quase toda minha vida.
"Eu sinto muito." O quieto sussurro de Bella me tirou de meus pensamentos. Me virei então, levemente puto. Ia ralhar com ela por se desculpar quando vi o olhar triste em seu rosto.
"Desculpar o quê desta vez?" Perguntei, me esforçando para sair num tom suave.
Ela mordeu o lábio e se virou no banco. "Não queria te incomodar com meus problemas, não devia." Ela respondeu, entendendo mal meu silêncio pensativo.
"Não seja estúpida, Bella." Suspirei e peguei outro cookie do saco na mesa. "Continue me trazendo cookies e pode me incomodar o quanto quiser." Respondi com um sorriso.
Quer dizer, não podia deixá-la se sentir mal por me contar seus sonhos quando estou morrendo de curiosidade sobre eles. Infelizmente ainda podia sentir seu ceticismo, então com outro suspiro pesado, coloquei o cookie de volta no saco e esfreguei minhas mãos juntas.
"Tudo bem," Eu disse de vagar, tomando coragem para passar pelas merdas que iriam tirar o peso da consciência da Bella. "Se sentiria melhor se eu te contasse o sonho do qual acordei hoje?" Adicionei forçando um sorriso.
Ela se virou pra mim com um olhar de pura curiosidade e assentiu.
BPOV
Quer dizer, pareceu bem justo. Como ele disse noite passada, eu mostro o meu, ele me mostra o dele. E eu não me sentiria mais uma aberração. Ele ainda estava com as pernas abertas sobre o banco, passando as mãos pelo cabelo num gesto frustrado, olhando pra qualquer lugar, menos nos meus olhos.
"Eu estava em meu quarto quando comecei a me sentir tonto." Ele começou, e finalmente encontrou meu olhar. "Sabe quando não se dorme por tanto tempo e quando começa a sentir a merda de uma tontura?" Ele perguntou. Eu assenti. Conhecia isso muito bem. Só fica tão ruim assim pra mim em fins de semana, quando não tenho aulas pra dormir.
"Então, eu deitei pra dormir um pouco... Só pra tornar suportável. Sabe?" Ele perguntou nervosamente. Assenti de novo. Tudo era compreensível. Vá para a parte boa. Em vez disso ele pegou um cigarro no bolso da jaqueta e começou a fumá-lo. Pareceu relaxá-lo por um momento, e eu distraidamente percebi a ironia de que ele fumava para aliviar sua tensão sobre sonhos com fumaça. Estava parcialmente errada desta vez.
"Sonhei com minha mãe." Sussurrou, soprando a fumaça. "Era à noite depois do funeral de meu pai, e eu estava sozinho." Ele parou e franziu o rosto, antes de me olhar com uma expressão de constrangimento. "Olha, minha mãe costumava cantar para mim antes de dormir. Era há música... 'All the Pretty Little Horses'." Ele suspirou e sacudiu a cabeça revirando os olhos.
Sabia de que música ele estava falando. Quando eu cantava no coral da escola , cantávamos essa música. Isso antes de eu descobrir que não tinha nenhum talento para cantar. Mas não falei isso pro Edward; só assenti pra que ele continuasse.
"De qualquer forma, ela não apareceu naquela noite." Ele olhou pra mesa e continuou fumando seu cigarro. "Eu não conseguia dormir sem ouvi-la, então eu fui procurar por ela." Continuou com os ombros encolhendo um pouco. "Ela estava na cozinha... Bebendo." Ele olhou pra mim então. "Muito. Completamente fodida de bêbada." Sacudiu a cabeça e deu uma tragada. "Ela estava chorando, e nem ao menos olhou pra mim. Só me disse que eu ia embora. Que não me queria mais lá." Disse essa parte num sussurro tão baixo que quase não ouvi. Depois de um momento, ele terminou o cigarro, jogando-o para fora do gazebo, olhando sua ponta brilhante antes de olhar pra mim de novo. Depois deu de ombros, depreciando a conversa, e pegando outro cookie sem olhar pra mim novamente.
Meu coração se partiu um pouco. Por que a mãe dele seria tão cruel com ele? Sei como perder alguém tão próximo pode afetar sua personalidade, mas isso não era desculpa para despachar seu próprio filho. Queria dizer pra ele que sentia muito, dizer que a mãe dele parecia uma pessoa horrível, mas eram as coisas erradas de se dizer. Então em vez disso, assenti, embora ele não estivesse olhando pra mim para ver, eu peguei um cookie e comecei a comer.
Nós não falamos nada por horas. Ficamos lá só olhando o invisível e ouvindo o rio. Era um silêncio confortável e pensativo. Não era estranho, pelo menos minha mente estava no sonho de Edward, e na historia que ele me contara noite passada. Tenho certeza que ele fazia o mesmo comigo.
Eventualmente pude ver as nuvens clareando-se de leve, e com uma olhada no relógio, percebi que ficamos no gazebo por umas seis horas.
"Tenho que me arrumar para o colégio." Suspirei quebrando o silêncio. Passar o tempo com Edward, mesmo em silêncio, me deu uma estranha sensação de conforto e segurança.
Ele se virou para mim então, parecendo quase tão arrependido quanto eu e assentiu. Contra a vontade, me levantei e estiquei os braços sobre minha cabeça, enquanto Edward me seguia, guardando o maço de cigarros e o isqueiro no bolso. Com um leve sorriso, peguei os restos dos cookies e voltamos para nossas casas.
...
Me senti vergonhosamente desesperada por deixar Edward até que percebi que íamos à mesma escola, e poderia vê-lo o dia todo. Quase sorri pra mim mesma no espelho enquanto escovava os dentes, antes de mentalmente me bater pela centésima vez em três dias.
Alice estava estranhamente quieta esta manhã, provavelmente ainda desapontada pela ausência de Jasper na festa de sexta à noite. A ida pra escola foi silenciosa até chegarmos e vermos Jasper saindo de um carro prata. Ela tentava parecer desinteressada, falhando miseravelmente, quando percebi que Edward saía do mesmo carro. Ele parecia ainda mais glorioso na luz do dia... Er... O tempo de Forks mexe com sua sanidade. Agora era eu quem tentava parecer desinteressada. Outro tapa mental.
Capuz pra cima, cabeça pra baixo. Mentalmente me lembrei enquanto saía do Porsche. Alice e eu estávamos meio atrás de Edward e Jasper no campus enquanto íamos pra aula. Distante o bastante pra não conseguir ouvir a conversa, mas perto o bastante para notar o cabelo bronze de Edward brilhando na luz do sol. Revirei os meus olhos, pra mim mesma.
Passei as primeiras duas aulas me perguntando se estaria tudo bem falar com Edward no colégio, sem saber se ele ia gostar ou não. Na terceira aula, consegui minha resposta.
Ele andava na minha direção do outro lado do pátio. O colégio todo estava trocando de aula e me evitando do jeito que eu gosto. Edward estava usando a jaqueta de couro, com calças pretas e botas. Ele tinha a bolsa pendurada em um ombro, e era o quadro perfeito do garoto indiferente. Quando ele finalmente encontrou meu olhar, mandei pra ele um sorrisinho e diminui meus passos.
Era uma pergunta.
Tem problema?
Tinha.
Ele olhou pra mim com os olhos estreitos e acelerou o passo, voando por mim e mandando seu delicioso cheiro ao meu redor. Fiquei congelada no meio do pátio por um momento, meio por que seu cheiro bloqueou todos os meus sentidos, e meio por que não tinha certeza do que acabara de acontecer. Franzi o rosto e mandei meu olhar para os pés, como sempre. Continuei andando para a aula, tentando afastar toda a mágoa que sentia, e brigando comigo mesma por esperar qualquer outra reação.
...
Quando entrei na cafeteria, tive que me esforçar para não procurar por Edward Cullen. Ao invés disso, fui direto pra minha mesa, comi meus cookies e li meu livro, como sempre. Nem olhei pra cima quando o sinal tocou anunciando o fim do almoço. Só guardei minhas coisas e saí de lá, me sentindo vitoriosa por não ter procurado por ele. Podia lidar com aquilo.
Ou pelo menos era isso que eu pensava até entrar na minha sala de Biologia, e ver ninguém menos que Edward Cullen sentado na minha mesa. Decidindo que o universo me odiava, fui até a mesa com a cabeça baixa. O que ele está fazendo aqui? Minha mente gritava; consegui manter minha expressão completamente vazia e guardar as emoções. Era algo em que era muito boa.
Me sentei sem olhar para Edward. Era oficial que Biologia era de longe a pior hora no dia todo. Digo isso por que todos lá olhavam pra mim como se eu tivesse uma bomba na minha mochila. Também digo isso por que podia sentir o cheiro do Edward. Era de sabonete, menta, e fumaça de cigarro, e... quente. Definitivamente quente. Dei uma espiada para ele através de meu cabelo, por que eu não podia não olhar para ele.
Ele olhava para a frente da classe, e completamente evitando olhar na minha direção, o que era totalmente o oposto do que o resto da sala, incluindo o Sr. Banner, estava fazendo. Sua clara e óbvia ignorância comigo começava a me irritar profundamente, tanto que nem pude aproveitar o nariz grotesco de Mike.
Graças aos céus, a aula finalmente começou, tirando todos os olhos de mim por um momento, e me deixando livre para franzir o rosto sem ser vista. Claro que Edward não queria ser visto comigo no colégio; eu era a louca do campus, não era? Mas ele tinha que ser tão mau comigo? Passei o resto da hora tentando me concentrar no professor, embora o cheiro de Edward ainda me desconcentra-se.
Quando o sinal finalmente tocou, Edward disparou do lugar pra fora da sala mais rápido do que meu cérebro cansado pôde compreender. Me virei para o lugar vazio ao meu lado antes de juntar minhas coisas e começar a sair da sala. E, por que o universo me odiava, Mike estava parado na porta esperando por mim.
"Hey, Bella!" Ele chamou, se encostando na parede. Me encolhi antes de me virar lentamente pra ele. Ele estava a uns confortáveis 5 metros de mim. Pelo menos, confortáveis para mim. Não para Mike. Ele começou a vir na minha direção, passando pelas pessoas que saíam da sala. Seu grande nariz azul se aproximava cada vez mais. Imediatamente, como nos eventos anteriores, minha respiração começou a se acelerar. A adrenalina começou a correr por minhas veias, me fazendo tremer de leve. Queria sair correndo, gritar, falar para Mike me deixar em paz. Mas meus pés congelaram no lugar e ele veio até minha figura que tremia... E passou um braço pelos meus ombros.
Imediatamente, imagens e flashes começaram a passar por mim. Phill agarrando meus ombros e me jogando contra a parede. Phil sussurrando em meu ouvido. Phil agarrando meus cabelos e puxando meu couro cabeludo. A língua fria e molhada de Phil na minha bochecha...
"Me largue!" Eu berrei, tirando o braço de Mike de meu ombro que tremia. A força do meu empurrão me jogou para trás até os armários na parede com um alto estalo. Descansei minhas costas neles, ofegando e tremendo, com lágrimas rolando por minhas bochechas. Todos no corredor estavam completamente parados, me encarando incrédulos. Minha cabeça pulsava com os sussurros na minha orelha e eu fiquei lá contra o frio metal dos armários, os punhos fechados com tanta força que minhas unhas tinham sangue.
Mike só olhou com diversão para minha reação, e foi o primeiro a quebrar o gelo no corredor com uma risada, acenando para mim com um sorriso antes sair para a próxima aula. Você está falando sério?
Depois de um momento, todos voltaram lentamente à suas atividades, embora agora com mais sussurros e passos do que notara. Abaixei a cabeça e cambaleei até o banheiro mais próximo. Me sentia claustrofóbica, sufocada, no corredor com todas aquelas pessoas olhando pra mim. Arrombei a porta do banheiro e depois a tranquei com desespero atrás de mim. Sentei, abraçando meus joelhos no peito, respirando o cheiro nojento de banheiro. Fiquei daquele jeito pelo resto do dia tentando me recompor, o bastante para enfrentar os olhares que estariam lá fora.
Era bem possível, a esta altura, que eu jamais fosse para o ginásio de novo.
* Panacéia- Remédio com que se pretendia curar todos os males físicos e morais.
NT Lê: Hello dears, estou simplesmente amando a resposta de vocês para a história, mesmo que nem todos mandem um reviews dá para ver pelo o número de Alertas e Favoritos que essa tradução realmente está sendo lida, o que ainda é meio surreal para mim. Muito obrigada por todo carinho. Antes do Ano Novo posto outro cap. Até lá.
