XVIII.
Sam praticamente não tinha conseguido dormir e fitava sua própria imagem no espelho do teto do quarto, deitado entre lençóis brilhantes, com Santana à sua esquerda e Brittany à direita, adormecidas. Sentia-se ainda delirante, ao lembrar da madrugada que passara com elas, das quatro mãos deslizando por seu corpo ao mesmo tempo, de lábios carnudos e famintos nos seus, enquanto outros sugavam todas as forças de seu corpo atlético.
Sempre desejara a morena a seu lado e, ao conhecer a loira, ficara encantado com sua ingenuidade e simplicidade, com o jeito como ela sorria simpática para todo e qualquer cliente do restaurante em que trabalhava como garçonete, não tratando-o melhor nem pior por ele ser um cliente diário e deixar gorjetas generosas. Não pensara ter chance de levar nenhuma das duas para a cama e teria sugerido uma camisa de força a qualquer pessoa que afirmasse que ele teria as duas, principalmente ao mesmo tempo.
Brittany acordou, mas, ainda com preguiça, apenas se aconchegou nos braços dele, fechando os olhos, mais uma vez. Santana, percebendo o movimento, abriu os seus, sorrindo maliciosamente para o loiro, e beijando seu pescoço, enquanto tocava o bumbum da outra menina. Não demorou muito para que os três repetissem a brincadeira de horas antes, dando prazer uns aos outros, antes de Sam pagar a conta, que incluía uma garrafa de Moët & Chandon Rose Imperial e patê de foies grãs servido com geleia de amora, escolhidos por Santana.
"É uma surpresa até, que em algum lugar dessa cidade se achem itens tão sofisticados." Ela afirmou, quando ele soltou um alto assobio ao receber a conta. "Você não esperava desfrutar de algo tão bom e pagar barato, né?"
"Eu só me assustei, ok? Não to me recusando a pagar."
"É bom se acostumar, se quiser ter outras noites como essa, comigo e a Brit. Não sou mulher de tomar cerveja e comer qualquer porcaria!"
"Eu não gostei muito daquela coisa salgada com doce, não." Brittany afirmou, simplória. "Prefiro os hambúrgueres lá do restaurante, com cheddar e bacon."
"Eu também prefiro os sanduíches do Annette's, linda." Ele afirmou, se aproximando dela e abraçando-a pela cintura.
"Isso me lembra que, infelizmente, eu tenho hora." Ela falou, se afastando, depois de dar um beijo rápido nele, que pegou as chaves do carro, para levar a loira para seu local de trabalho e buscar Quinn, no mesmo local, a fim de deixá-la, junto com Santana, na fazenda dos Lopez.
XIX.
Como os outros três, Quinn e Puck não tinham dormido muito, mas, mesmo assim, quando ela despertou, estava cheia de energia e de vontade de gastá-la. Não teve paciência para ficar peitada esperando que seu acompanhante acordasse espontaneamente e puxou o lençol dele, começando a beijar sua barriga. Ainda havia tempo para um pouco mais de ação, já que ela tinha marcado de encontrar Santana apenas na hora do almoço, em uma lanchonete, para voltarem juntas para casa, dizendo que estavam com Rachel ou Tina.
Os beijos no abdômen de Noah logo despertaram o garoto, que gemeu em aprovação, encorajando a loira a fazer carícias mais ousadas, arranhando suas coxas e tocando seu membro de leve. Quando a resposta física veio e ela o sentiu endurecer sob seus dedos, a boca foi ao encontro das mãos e a língua experimento-o de cima a baixo, como a um pirulito daqueles que não cabem na boca.
Quinn começou a torturar o rapaz com suas mãos, lábios e língua. Quando mais ele pedia intensidade e rapidez, mas suaves e lentos eram seus toques. Quando ela colocou todo o pênis dele na boca, indo fundo e tirando como se fizesse parte de um pornô em câmera lenta, ele perdeu as estribeiras e a puxou para cima, beijando-a, enquanto a empurrava contra a cama e ficava em cima dela, prendendo suas pernas com as dele e as mãos dela com um de seus braços, elevando-a acima da cabeça da menina.
Foi ele quem a torturou, então. Beijou sua mandíbula, pescoço, colo, barriga, seios, coxas, sem nenhuma demonstração de presa e, só depois, realmente deu atenção a seus mamilos rijos, lambendo e sugando, enquanto dois de seus dedos tocavam sua intimidade, sem penetrá-la ou dar pressão suficiente a seu clitóris. Ela começou a tentar soltar-se de seu domínio, em vão, e bufou em frustração, depois de um tempo.
"O que você quer, gatinha arisca?" Puck perguntou, rindo.
"Que você me solte." Ela disse com raiva.
"Por que? Tá tão gostoso assim!" Debochou.
"Eu quero usar minhas mãos." Limitou-se a afirmar Quinn.
"Tudo bem, tudo bem. Acho que já dei o troco o suficiente." Afirmou, soltando os braços dela, para que se arrepender um segundo depois quando levou um belo golpe no rosto. "Uau! Mas é mesmo uma fera, hein!" Ele riu, mas segurou os braços dela outra vez contra o colchão, agora ao lado do corpo. "Só que tapa na cara não foi legal, gata. Não é assim que se trata um homem." Falou sério. "Eu não vou revidar, é claro, porque não bato em mulher. Mas eu vou te colocar direitinho no seu lugar!"
Ele segurou os cabelos dela com força, fazendo sua cabeça pender para trás, e beijou o pescoço e os seios dela, mais uma vez provocando-a. Demonstrou a ela que, com os sem as mãos liberadas, ela não podia com ele, se fosse sua vontade subjugá-la. Levou alguns tapas nos braços, nas costas, nos ombros, mas não afrouxou nem um pouco sua pegada ou parou de acariciar o corpo dela. Somente quando jovem parou de lutar ele largou suas madeixas, trocando um beijo furioso com ela.
Os dois transaram na cama, no chão, quando ela fingiu tentar fugir dele e foi derrubada, e no banheiro, quando estavam se preparando para encontrar a amiga na casa de quem ela estava hospedada, o que fez com que chegassem alguns minutos atrasados. A demora só não foi um problema porque Lopez também estava ocupada demais para ser pontual naquela tarde.
XX.
Finn abriu os olhos devagar, ajustando-se à claridade e lamentando não ter fechado as cortinas do quarto em que dormira com Rachel. Um sorriso surgiu em seu rosto, quando ele recordou a noite maravilhosa que eles tinham vivido, entre momentos de sexo intenso e de trocas de carinho doces. Depois de tanto tempo de espera por um momento como aquele ao lado da morena, ele teria continuado trancado na casa com ela por dias e dias, se pudesse, mas a encontrou trocando de roupa, para ir embora.
"Bom dia." Ela desejou, ajoelhando-se na cama e beijando o rosto dele.
"Bom dia." Ele a segurou pela nuca, beijando atrás de sua orelha e sussurrando nela. "Fica mais! Só mais um pouco." Suplicou.
"Eu preciso ir, Finn. Minha mãe já vai me fazer um interrogatório, com certeza, por mais que eu tenha avisado que dormiria fora. Se eu não almoçar em casa, também vou ouvir reclamações."
"Você vai dizer que estava na casa de uma das meninas?"
"Pro meu pai, sim, porque ele preferi fingir que acredita que eu sou virgem. Pra minha mãe, não. Ela saberia ser mentira e nós não mentimos uma para a outra."
"Mas a Shelby não vai gostar de saber que você dormiu comigo, né? Deve ter esperanças de que você volte com o Brody."
"Na verdade, não. Ela me deu força, quando terminei com ele. Ela concordou que ir pra Europa, só por causa dele, não era a coisa certa pra mim."
"E o Leroy? Se eu for lá, te pedir em casamento, ele me coloca pra fora com uma espingarda?" Brincou e ela riu.
"Meus pais sempre gostaram de você, Finn. O Brody só era o preferido porque mostrava muito interesse pelas coisas da fazenda. Ficava horas e horas, conversando com meu pai sobre a produção e as vendas. Acho que ele o via como alguém que poderia dar continuidade aos negócios, já que eu só me interesso pelos animais e sempre deixei claro que ia estudar veterinária."
"Se sua mãe não vai te deserdar por ficar comigo, então, fica mais." Pediu de novo, colocando a mão dentro da blusa dela.
"Ela vai me deserdar se eu perder o almoço sagrado em família, Finny." Disse, com dificuldade, fechando os olhos ao sentir os lábios dele em seu pescoço. "E a gente tem o dia todo pela frente, lá no festival."
"Lá, eu não vou poder fazer isso." Observou, tocando o seio dela. "Ou isso." Falou, tocando seu sexo, coberto apenas pela calcinha, já que ela ainda não tinha vestido o short jeans.
"Mas vai poder fazer, muitas vezes, isso." Assegurou, beijando-o. "Não é bom?"
"Não é bom. É uma das melhores coisas desse mundo! Mas me deixa com mais vontade ainda de fazer o resto!" Soltou o ar, frustrado.
"Você vai poder fazer o resto mais tarde, seu bobo." Apertou a bochecha dele, como se fosse uma criança.
"Você vem pra cá comigo, de novo?" Ele perguntou, dando um sorriso enorme que iluminava seu rosto e que também o fazia parecer um garotinho.
"Tá viciado, Finn Hudson?" Riu, mas ele respondeu seriamente.
"Você não sabe mesmo o tamanho do que eu sinto por você, não é, princesa?" Questionou, sem esperar resposta, assustando um pouco a menina com sua intensidade, mas também fazendo com que ela tivesse vontade de se entregar e receber tudo que ele tinha para oferecer a ela.
Sem tecer qualquer comentário, ela se deitou enfim na cama, colando o corpo e os lábios nos dele. Descartou a camiseta que tinha vestido e deixou que ele tirasse sua calcinha, devagar, enquanto distribuía beijos por toda a sua perna. Sentiu os lábios dele em sua virilha e depois a língua buscando caminho para dentro dela, mas não deixou que ele se detivesse muito tempo nessa tarefa, querendo sentir o corpo dele sobre o seu.
Em meio a beijos, gemidos, sussurros, toques distribuídos por todos os lugares, seus corpos febris roçando um no outro e a conjunção perfeita de suas carnes, o prazer foi crescendo e o orgasmo os atingiu. Foi a primeira vez em que Rachel percebeu que talvez tivesse sido perigoso, para seu coração e sua saúde mental, permitir-se viver aquela experiência com Finn, mas ela também teve certeza de que era tarde demais para tentar se afastar.
XXI.
Tina, que tinha voltado para casa antes do amanhecer, não querendo levantar suspeitas sobre sua noite com Mike antes de, pelo menos, conversar com Blaine e seus pais a respeito de ter reatado com o ex, a essa altura já estava no rodeio. A garota tinha ido justamente com o mais novo dos Anderson até o local, para ter uma conversa com ele a sós, antes de se reunir com as amigas e o próprio namorado. Ele parecia ser um cara legal e ela esperava que ele não ficasse aborrecido por perder a companhia dela.
"Blaine, eu queria conversar com você sobre ontem." Iniciou o assunto, enquanto caminhavam lado a lado, em direção às barracas de comida.
"Sobre você ter ido embora cedo para transar com seu ex?" Perguntou, sorrindo, e ela agradeceu mentalmente o fato de não estar comendo ou bebendo nada ainda, pois teria provavelmente engasgado.
"Como...?"
"Eu vi o jeito como você e o garoto oriental se olhavam, e imaginei que fosse seu ex, porque sua mãe já tinha me avisado que ele era coreano, como vocês, e que provavelmente viria para o festival." Deu de ombros. "Quando você e ele sumiram juntos, duas vezes, e depois você resolveu ir embora e ele também foi, eu tive certeza. Como foi, se não for indiscreto da minha parte? Vocês voltaram a namorar ou foi só um revival?"
"Eu to tão envergonhada por ter mentido pra você, Blaine. E também subestimado a sua capacidade de perceber as coisas. Me desculpa!"
"Relaxa!" Ele riu.
"Além disso, você era meu par e..."
"Tina, eu vim com você porque nossos pais pediram. Eu não pretendia ficar com você." Ela se assustou com o jeito direto dele de dizer que não tinha interesse nela, o que ficou claro em seu semblante. "Não me leva a mal." Ele disse, entre divertido e envergonhado, pela confusão que estava causando na cabeça dela. "Não é que você não seja uma garota legal..."
"Não precisa se explicar! Você foi empurrado pra mim pelos nossos pais, e não tem problema eu não fazer seu tipo. Eu só não esperava que fosse tão direto, depois de ter topado vir comigo, mas eu mereci, já que fui eu mesma quem foi embora."
"Você aceita guardar um segredo, Tina?" Ele perguntou, parando de caminhar e ficando de frente para ela, que assentiu. "Nenhuma garota faz o meu tipo. Entende?" Ela levou às mãos à boca e arregalou os olhos, surpresa. "É essa a reação que eu causo, por não fazer o tipo estereotipado." Ele suspirou.
"Eu não tenho nada contra, ok? Foi só surpreendente! E por que o segredo, aliás? Estamos no século vinte e um!"
"Ainda não sei disse aos meus pais e certamente ouvir de estranhos não seria a melhor maneira pra eles saberem."
"Seu segredo tá guardado comigo, eu juro. Mas e o resto do pessoal? Se você passar esses dias com a gente, aqui no festival, talvez eles desconfiem." Afirmou, preocupada.
"É por isso que eu vou contar pra minha família hoje à noite. Até porque eu to de olho em alguém que conheci ontem no show." Cutucou a nova amiga, animado, e voltou a caminhar para as barracas, onde compraram um cachorro-quente cada um e refrigerantes.
"Quem é o carinha misterioso? Será que eu conheço?" Ela perguntou, quando eles ocuparam uma mesa juntos, para comer em paz.
"Você vai saber hoje à noite, se meus pais não me matarem e eu voltar pra cá." Riu. "E você, afinal, voltou ou não voltou com o seu ex complicado, hum?" Ela apenas abriu um sorriso largo em resposta, antes de morder seu sanduíche.
XXII.
Nos próximos dias, o grupo de amigos se divertiu bastante junto. Tina e Mike andavam de mãos dadas e trocavam carinhos em público, por serem namorados, e Finn e Rachel agiam do mesmo jeito, apesar de não terem compromisso. Sam andava com Santana o tempo todo, e passeava de braços dados com Brittany e ela, nos momentos em que a garçonete estava de folga. No meio das pessoas, porém, ele só ganhava beijos da loira, enquanto a morena agia como melhor amiga dos dois, para entre quatro paredes dividir um com o outro.
Quinn e Puck se faziam de difíceis no começo de cada dia, porém, cedo ou tarde, estavam aos beijos e, muitas vezes, corriam para baixo de alguma arquibancada ou iam para o apartamento dele, para ficar sozinhos. Blaine, por sua vez, depois de conversar com os pais e, felizmente, receber apoio, apresentara a todos um rapaz chamado Kurt, com quem estava ficando, que era filho de Burt Hummel, político local e um dos patrocinadores do evento.
As tardes e noites dos onze incluíram churrasco a beira da piscina na fazenda dos Cohen-Chang, passeio à cavalo na dos Berry e uma noite de jogos no apartamento de Puck, além de voltas nos brinquedos do parque de diversões armado na cidade para o festival. Eles também observavam, e alguns até participavam, das danças coreografadas que aconteciam nas tendas do evento à noite, bem como dançavam a dois, quando um country mais lento tocava.
O rodeio em si era apenas parte de um evento grande, com várias palcos nos quais se apresentavam cantores da região, muitas barracas de comida, bebida e jogos, algumas arrecadando dinheiro para a igreja da cidade e outras simplesmente fazendo a renda da população aumentar por um período. Nenhum dos onze se interessava em ir até a arena ver os peões montados nos touros, mas eles curtiam ver os moradores e os turistas reunidos, com seus chapéus e botas de couro, as suas roupas cheias de franjas ou em estampa xadrez. Era tudo muito diferente do que eles vivenciavam durante o resto do ano, depois de terem saído de Wyoming e ido viver em lugares bem maiores que Ray.
No final, cada casal, ou mesmo trio, normalmente terminava em um quarto. Contudo muitas vezes nem era preciso que a noite chegasse para alguém dar uma desculpa qualquer e sumir, acompanhado. Eles queriam aproveitar os dias que, quanto mais avançavam, mais felizes se tornavam, e, quanto melhores eram, mais pareciam estar ficando rápido demais para trás.
