Mentirinha Boba

Certo, eu admito. Eu tenho um problema. Se eu parasse em uma mentirinha, não seria um problema (não tão grande, pelo menos). Mas eu não paro em uma só. Ah, não, eu simplesmente não paro. E é aí que as encrencas começam. Narrado por Lily Evans.


- Hoje, às dez, espero vocês todos no campo de Quadribol.

Foi o que disse o professor. E então ele nos dará uma detenção. Ai Merlin.

- Será que ele vai querer que a gente lave as cuecas dos jogadores? – perguntei, temerosa, imaginando o estados das ditas cujas, enquanto saiamos da sala.

- Sei lá. – disse Marlene, sem um pingo de preocupação.

- Não, essa de lavar cuecas de jogadores é só boato. Invenção de quem não tem o que fazer. – Potter falou pra mim, ao meu lado. Olhei pra ele, desconfiada. Mas bem, porque ele mentiria? A mentirosa da escola sou eu, afinal.

- Que bom. – suspirei, não escondendo o alivio.

- Ei! – exclamou de repente Marlene, me dando um susto incrível, que me fez pular dois metros e esbarrar em uma armadura barulhenta. – Quem sabe a gente consegue dar um passeio!

Pedindo desculpas à armadura (nunca se sabe o que pode ter vida nessa escola, é melhor se prevenir), olhei pra ela, sem entender.

- Um passeio? Pra que você que dar um passeio?

- Acho que ela quis dizer de vassoura, Lils. – disse Remus, que também estava na detenção. Diferente de mim, ele não parecia ligar a mínima. Acho que já está acostumado; convivendo com os Marotos, não se pode esperar outra coisa.

- Ah! – exclamei. – Você acha que pode dar? – perguntei, com um tom idiota de garotinha sonhadora. Potter, que ainda estava ao meu lado, sorriu pra mim de um jeito que eu nunca tinha visto. Tão... sincero? Não... Meigo? Carinhoso?

- Se vocês precisarem, a gente dá cobertura pra vocês voarem um pouquinho.

- Ei, eu também quero voar! – reclamou Black, num tom de criança birrenta. – Tô brincando, garotas. A gente arranja um jeito. A gente sempre arranja um jeito.

Presunçoso, não? Mas de um jeito cativante. Meio adorável.

Eu sou uma garota muito simples, sabe? Fico feliz com muito pouco. Não na vida, mas as coisinhas simples do dia a dia. Como ver um por do sol. Ou fazer carinho em um gatinho. Coisas assim. Eu sempre fico genuinamente feliz com essas coisinhas. Gestos simples pra mim são os mais valiosos.

E imagino eu que foi por isso que eu me virei de repente e dei um abraço no Black e no Potter, ao mesmo tempo. No meio do corredor. A caminho do almoço.

Porque eles são tão indiferentes, populares e metidos, que um ato desses, cobrir a gente num passeio no meio de uma detenção, fica tão singelo e diferente que não pude deixar de me espantar, e obviamente, ficar extremamente alegre com isso.

Quando os soltei, Black tinha um grande sorriso no rosto, e Potter, tinha um meio sorriso, meio espantado. Marlene falou, atrás de mim:

- Não liguem, a Lily fica feliz pelas coisas mais bobas da vida.

- Eu sou fácil de agradar. – brinquei, ainda sorrindo. E vi os olhos de Potter brilharem por alguns instantes, mas foi tão rápido que não sei se foi efeito da claridade ou alguma coisa assim.

- O mundo precisa de mais meninas assim! – disse Sirius, risonho. – Sem jantares românticos a luz de velas, limousines chiques te pegando em casa, dançar valsas lentas pra você, Lily?

- Basicamente, prefiro um cheeseburguer gorduroso em qualquer canto, andar de moto e dançar musicas alegres e agitadas. – falei, dando de ombros.

- Você é um cara de sorte. – falou Black, dando uma cotovelada em Potter, que sorriu e respondeu:

- Eu disse que ela é diferente.

A conversa estava começando a me constranger. Foi nesse ponto que Remus apareceu (que horror, eu nem tinha visto que ele tinha saído) com Emmeline Vance ao lado, falando:

- Vamos almoçar ou vocês preferem morrer de fome no corredor?

Cumprimentamos Vance e fomos para o Salão Principal, que já estava quase vazio. A mesa da Lufa lufa estava quase vazia, exceto por alguns primeiranistas, então convidei Vance para se sentar com a gente, na mesa da Grifinoria, que também estava quase vazia.

- Então, você e o Rem estão saindo? – perguntou Marlene, prática, servindo-se de suco. Bati a mão na minha testa enquanto Vance engasgava. Graças a Merlin, Remus não ouvira, estando conversando com os amigos, ao nosso lado.

- Lene! Isso é pergunta que se faça! – ralhei. – Desculpe, Vance. Marlene não costuma segurar a língua.

- Imagina. – ela falou, educadamente. – Não tem problema. E não, não estamos saindo.

- Mas você gostaria? – perguntei, devagar.

- Lily! – ralhou Marlene. Dei de ombros, me defendendo:

- Se ela não quiser, não responde, ué!

- Eu... Eu não sei. Quero dizer, não há essa possibilidade, certo? – ela falou, com um que de melancolia quase imperceptível na voz. Decidi que eu deveria fazer alguma coisa, mas não agora, então mudei de assunto e conversamos normalmente até o fim do almoço. Foi tempo o suficiente para Vance perceber que Marlene não é tão horrível como parece ser e pra nós notarmos que Vance é divertida e gentil.

- Bom, temos que estudar Historia agora. – falei, me levantando. Pra você ter uma idéia, não havia mais comida à mesa. Apenas nós seis.

- Certo. É melhor eu ir também. – falou Emmeline, levantando, assim como Marlene. Com o canto dos olhos, vi os Marotos trocarem olhares e darem empurrões em Remus, que fazia gestos contidos mas nervosos e corava.

- Rem, você vem? Por favor? – perguntei. O movimento dos garotos parou imediatamente. Potter e Black pararam de encher Remus, que me encarava levemente curioso, mas também aliviado. E... seria desconfiado? Não, eu não sou tão perigosa.

Por fim ele se levantou, e os outros dois resolveram sair também. Até um pedaço do caminho, Vance nos acompanhou, mas depois virou um corredor diferente.

- Então, Lily? – perguntou Remus, por fim. – O que queria comigo?

Pensei por alguns instantes e decidi qual seria o melhor jeito.

- Lene, posso te encontrar na biblioteca? – perguntei, docemente.

- E o que eu vou ficar fazendo sozinha? – ela perguntou, fazendo bico.

- Vai azarar algum infeliz. – sugeri, dando de ombros.

- Oba! – ela exclamou, batendo palmas. – Black, Potter, querem ir comigo?

- Chame o Pettigrew, coitado. – respondi por eles - Ele já está abandonado.

- Certo. – Marlene deu de ombros e saiu.

- Certo. – eu disse, virando-me para Remus, que sinceramente parecia com um pouco de medo. Não se fazem mais homens como antigamente. – Muito bem, Rem. Hora de abrir o jogo. Você gosta da Vance. Certo ou errado? – perguntei, categórica. Potter e Black ficaram obviamente surpresos – não entendo porque, eles realmente acham que são discretos, com aquelas cotoveladas e piscadinhas? – mas não falaram nada. Remus piscou varias vezes e balbuciou:

- Eu... Lily, o que...

- Certo ou errado? – repeti. Afinal, era que nem tirar um band-aid, certo? Era melhor ser rápido, dói menos.

- É claro que não! De onde você tirou uma coisa dessas? Eu nunca...

Ele dizia nervosamente, e eu pude até ver uma gotinha de suor descendo de seus cabelos. Céus, ele realmente estava apaixonado.

- Péssima idéia. – cortei. – Péssima idéia mentir para mim. Vou perguntar de novo. Você gosta da Vance?

- Eu...

Vamos, Rem, fale...

- Eu...

Ai, Merlin, faça ele falar! Facilite a minha vida!

- Não.

Droga. Ele não confia em mim, é isso? Mas que droga! Suspirei. O que eu podia fazer, se nem era digna de confiança dele? Se ele nem ao menos podia me dizer que gosta de uma garota, sob toda essa pressão, eu podia perder as esperanças de um dia ele me contar seu segredo.

Olhei pra ele, chateada. Me afastei devagar.

- Desculpe, Rem. – pedi. Não por te-lo empurrado na parede, pressionado-o. Não.

- Pelo que? – ele perguntou, rouco. Pobre Vance. Ela teria desmaiado ao ouvir ele falar assim. Convenhamos, é sexy.

- Por eu não ser confiável o bastante. – murmurei. E sai do corredor. Olha só, tinha até me esquecido que Potter e Black estavam ali! Que coisa, não?

Caminhei para a biblioteca para me encontrar com a Marlene, mas a encontrei antes disso. No corredor. Brigando com Malfoy e Snape.

- Snape, Malfoy, Marlene, por favor. – pedi, cansada.

- Oras, oras, é a Evans. Ta meio tristinha, Evans? – zombou Malfoy.

- Ah, Malfoy, cala a boca, vai. Vocês estão em maioria, não acho justo. – falei. Malfoy, Snape, eu e Marlene mantemos uma relação de... Como direi? Cordialidade? Talvez. Desde que fizemos parte do mesmo clube de duelos. Não, nós não nos amamos e saímos juntos todo fim de semana, nem nada. Mas digamos que nos respeitamos. Eles podem até ser filhos-da-puta, mas enfim. A gente aprende a agüentar. Eu não gosto muito de odiar as pessoas, nem que me odeiem.

- A McKinnon disse que podia agüentar começar sem você. – disse Snape. Com ele foi mais difícil. Tive que jurar que não contaria a ninguém que ele freqüentava o clube de duelos, e nem defende-lo mais. Era complicado vê-lo ser maltratado sem fazer nada, mas de qualquer forma isso não acontecia mais com tanta freqüência. E não olhe pra mim, eu não fiz nada para que isso parasse.

- Mas anda logo, Lils. Eu já me machuquei. – Marlene falou, mostrando um corte no braço.

- Desculpem, crianças. Não estou com cabeça pra isso hoje.

Marlene imediatamente saiu da posição de luta e se aproximou de mim.

- O que vocês conversaram? Você não está com um aspecto nada bom.

- É, bem. Depois eu conto. Tchau, rapazes. – falei, me virando.

- Tchau. – eles responderam para mim e para Marlene, que me seguiu.

Fomos para o dormitório, sem encontrar nenhum dos Marotos até lá. Marlene disse que tinha procurado Pettigrew, mas só encontrou Malfoy e Snape.

Andei até o baú e peguei minha caixinha de primeiros socorros mista, provavelmente a única de Hogwarts com poção para dor de estomago, band-aids, poção para fechar feridas, aspirina, poção limpa-corte, adesivo de nicotina, entre outros medicamente bruxos e trouxas.

Peguei a poção limpa-corte e molhei um pouco um algodão com o liquido azul-cristal. Fui até Marlene, dizendo:

- Bom, não sei se você notou, mas a Vance gosta do Rem, e o Rem obviamente gosta da Vance. – falei, passando devagar sobre o machucado dela.

- É, tive essa impressão mesmo. – ela concordou, pensativa. – Ai!

- Desculpe. Então, eu queria que eles se resolvessem. Afinal, - continuei, pegando agora uma poção cicatrizante. – a Vance parecesse ser uma boa pessoa, e Remus é um amor. Eles se merecem, dão bem certo juntos.

Pinguei uma gota púrpura no machucado de Marlene. Enquanto víamos a pele se fechar sozinha lentamente, minha amiga segurava o lençol com todas as forças. Aquilo realmente doía. Por fim, a pele ficou lisinha novamente.

- E então? Foi falar com Remus? – perguntou Lene, com a voz rouca.

- Fui. Bem direta e objetiva. Parecia até você, na verdade. Perguntei se ele gostava da Vance. Ele gaguejou, suou, desviou os olhos, desconversou e desmentiu. – falei.

- Ah. Por isso você está assim. – Marlene falou, carinhosamente. – Acha que ele não confia em você?

- Não sei. – falei, sofridamente. – Mas se ele não me diz nem da garota que ele gosta, imagina se um dia ele vai me contar o Grande Segredo?

O Grande Segredo é o real motivo pela qual Remus viaja freqüentemente para visitar a família. No inicio, pensávamos que era um azarado. Depois, desconfiamos que ele tinha alguma maldição na família. Mas quando a mãe dele morreu duas vezes, percebemos que não era só isso. Ele devia ter um segredo muito delicado, muito sério, e nem ao menos tentamos descobrir o que era. Quando ele quisesse, contaria.

Ou seja, agora eu percebo, nunca. Para mim, pelo menos.

- Lily, não se esqueça. O Grande Segredo deve ser realmente delicado. Ele não pode chegar e falar "E aí, belo dia hoje, não? Ah, por falar nisso, eu queria te contar o maior segredo da minha existência".

- Pode ser, mas se ele não pode contar nem ao menos que gosta de uma garota... – falei, inconformada.

- Voce sabe que isso, para um garoto normal, já é delicado. Imagina para um Maroto, sensível e com um grande segredo nas costas! – falou Marlene.

- É verdade. – falei, pensativa. Eu devia ter sido mais delicada, imagino. – Ei. Você acha que o Grande Segredo pode, de alguma forma, afetar o Não-Tão-Segredo de que ele gosta da Vance?

- É uma possibilidade... E pode ser que ele não queira falar exatamente por isso. – falou Marlene, lentamente. – Vai ver o Grande Segredo impeça que o Não-Tão-Segredo aconteça!

- Pobrezinho. – sussurrei. – Queria tanto poder ajuda-lo! Faria qualquer coisa. Mas ele não deixa... Nem ao menos sei o que é...

- Eu sei. Mas lembre-se, é um direito dele ter esse segredo... – falou Marlene. Eu completei:

- E um dever nosso respeitar. É verdade. Meu apoio vai ter que continuar sendo só estar ao lado dele sempre.

- Tenho certeza de que ele preza isso. – falou Lene, carinhosamente. Então ouvimos um barulho baixinho. Olhamos imediatamente para a porta, de onde tinha vindo o som. Ela estava entreaberta. Olhei para Marlene, assim como ela, em pânico.

Algo me dizia que eu ia precisar de uma mentira muito boa, logo, logo.


N/A: Yey! Demorei? Não sei porque pergunto, eu sei que demorei. x/

Anyway, eu queria dizer que é foi porque eu estava tendo problemas com esse capitulo, e só consegui resolve-los agora. Não foi taaao engraçado, mas não foi chato, né?

Bom, capitulo que vem vamos conhecer gente nova!

E acho que está bem claro que nenhuma das duas sabe sobre o Remus ser um lobisomem, né? Bom.

Enfim, muito obrigada pelas reviews! É muito bom saber que estão gostando da fic! E eu vou começar a postar outra fic L/J logo, pra quem estiver interessado xD

E alias, tenho que lembrar que meu aniversario está chegando, e que sou simplesmente viciada nesse dia. Gravem, porque não tenho orkut, e fico chateadissima quando não lembram. Dia 06 de outubro! Mandem um e-mail, uma MP, um torpedo, uma carta, escrevam uma fic, tanto faz. Mas não esqueçam!

Beijos imensos para essas pessoas (e também suas mães, pais, irmãos, tios, primos, avós, cachorrinhos, periquitos e peixinhos dourados):

DarkyAnge: De fato, ninguém resiste a maltratar o James um pouquinho, não? E o negocio de ela meter o Potter é, principalmente, a mania de mentir dela. Mas eu não tenho um dom, não, é só uns rombos de inspiração xD Beijos!

Lena: Não tem problema se você demora a aparecer, o que importa é que você sempre vem e comenta xD Beijão!

Bruna B. T. Black: Eu demoro, mas eu venho xD Beijos!

Gra Evans: Também adorei a idéia da Lily fazendo discursos feministas no meio da aula xD Mas eu posso ter duas fãs números um xD Alias, quem seria a minha fã numero um? Beijos!

miss Jane Poltergeist: Sim, o Josh é mesmo divertido... E amigos gays são os melhores xD Beijão!

Cecelitxa E. Black: Ué, você deixa reviews porque você é um amor de pessoa que me adora demais da conta! xD E sim, amigos gays são o ouro! E sim também, seria um desperdício dois homens desses sendo gays! Beijos!

Gabriela Black: Com certeza... Sirius gay seria motivo para suicídio para algumas xD Beijos!

celáh: Atualização quentinha pra você ficar feliz xD Demorei séculos, mas veio, afinal xD Beijão!

JhU Radcliffe: Oh! Existem pessoas que te odeiam? Por que? Qual é o problema delas, afinal? Que coisa mais absurda! De qualquer forma, eu sei o quanto dói imaginar o James gay xD E aí, perguntou do Citalomegavirus humano? Beijão!

Lyla Evans Higurashi: Sim, eu amo biologia e serei uma bióloga de sucesso um dia! Aí você vai poder me ver ganhando um premio Nobel xD Eu acho super divertido colocar informações desse tipo (na verdade, não só de bio) no meio da fic... Eu sei (por experiência própria) que ajuda a aprender xD Beijão!

Pikena: As mentirinhas da Lily só vão aumentando, espere e verá xD Beijos!

Lilys Riddle: Sinto muito, seu Remus que causou a explosão do resto xD E como você pode não gostar de bio? É tão super perfeito! xD Beijão!

Luuh Potter: Concordo, o capitulo três foi um dos melhores, mas outros bons ainda virão. Beijos!

Artemis Blackat: Brigada pelos elogios! Muitos beijos!

Lely Potter: Obrigada, adoro quando elogiam as minhas Lily's xD E adorei o bichinho que você pos na review xD Beijos!

Luci E. Potter: A Luci! Sua presença é tão rara que virou celebridade xD Espero que tenha conseguido ir no show que queria... Aqui em Brasilia, ontem, teve umidade 10, logo no dia que eu tenho que almoçar na escola e ter aulas a tarde! Mas a noite caiu uma chuvinha, que aliviou um pouco... Mesmo assim, o clima de Brasília é totalmente estranho! Espero que não demora muito pra comentar outra vez, viu? xD Alias, quero atualizações, mocinha! Beijão!

Mari van Pels: Muito obrigada! Fics boas de fato não são fáceis de encontrar, mas não sei se considero minhas fics realmente boas. Mas muito obrigada mesmo. Beijos!

Nymph Nif: Oi Nif! Ganhei uma fã? Oba! Espero que não me abandone nas crises, como essa (eu demorei bastante pra atualizar) xD Beijão!

Beijos do tamanho de uma bola de basquete!

Flavinha