Academia de vampiros não me pertence e sim a Richele Mead. Eu sou apenas uma fã dentre tantas outras com uma imaginação insana.
Retorno
Enquanto o avião decolava rumo a Montana, mil pensamentos sondavam a minha cabeça. Os mais frequentes eram sobre Lissa. Nada surpreendente. Ficar no escuro quando se tratava da segurança dela, independente de ser sua guardiã ou não sempre me deixavam aflita, não poderia ser diferente agora.
E ainda havia Dimitri...
Nos últimos anos o nome de Dimitri raramente foi pronunciado. No início por causa da dor que ele produzia, a ruptura recente ainda era uma ferida aberta em meu peito. Porém, depois...depois não havia mais motivos pra pronuncia-lo. Com a chegada de Ibrahim muitas coisas se encaixaram e começaram a fazer sentido. O amor incondicional que eu sentia por Dimitri não era tão incondicional quanto o que eu sentia por meu filho, por exemplo.
É verdade que havia murmúrios aqui e ali. Dimitri é famoso entre os guardiões, e aqui na em Moscou não poderia ser diferente. Os guardiões russos comentavam sobre a excelência do guardião Belikov e suas estratégias de segurança excepcionais. Não era atoa que ele é o guardião da rainha.
Apesar de há tempos não buscar notícias dele, elas sempre chegavam a mim. Eu sou uma guardiã afinal de contas. Abe é o meu Moroi. E extraoficial Ibrahim também. Guardião Belikov ou"A máquina", como muitos o chamam pelas costas faz parte da elite guardiã, além de chefe do esquadrão de inteligência na Corte. Todos os guardiões o respeitam, muitos até o temem. Sua mente lógica e sua maestria em combate o colocaram num patamar acima dos padrões normais. Um Deus, um amigo me disse uma vez. Mason. Eu também achei um dia. Hoje não.
Guardião Belikov é sem dúvida a força mais letal que existe na Corte. Alguém para se temer. Mas para o seu azar eu também sou.
Quando eu saí de Montana, seguindo o meu caminho com Abe. Tive que fazer algumas mudanças burocráticas para ser sua guardiã. Primeiramente comunicar minha transferência de Moroi e minha transferência de país. Essa última parte foi mais difícil, pois Abe não possuía um lar fixo como um Moroi comum. Mas quando Abe foi um Moroi normal? No final Abe fixou-se na Rússia onde seus negócios eram mais abrangentes e consequentemente, eu fazia parte das Forças Guardiãs Russas.
Assim como os Morois, os Dampiros possuem uma hierarquia. Mas diferentes da que estamos acostumados a ver na realeza, não existem reis ou rainhas, famílias reais ou nada do gênero. Os Morois estão espalhados pelo mundo, porém muitos deles localizam-se em povoados ou comunidades próprias assim como os dampiros que não são guardiões. O território Moroi foi dividido em Pólos a fim de melhor proteger-se dos Strigois. Os três principais Pólos se encontram nos Estados Unidos, onde reside a realeza Moroi e onde funciona a Academia St. Vladimir; na Inglaterra, o segundo Pólo mais importante que abrangia os Morois mais abastados depois da realeza e Escola St. Bárbara ; e na Rússia, está última possuía o território mais extenso que os outros Pólos e sua Escola principal, a St, Basílico recebia alunos dampiros e Morois de boa parte do continente europeu e asiático.
Cada Pólo possuía um general que comandava e organizava os sistemas de defesa que garantiriam a segurança de seu setor. Quando havia situações de crise, os Morois eram enviados a um local chamado de refúgio. O refúgio consistia em um esconderijo subterrâneo envolvidos em prata e magia dos quatro elementos Moroi a fim de manter a segurança destes quando os guardiões não estivessem por perto. Cada Pólo possuía o seu refúgio assim como os seus próprios sistemas de segurança individuais e pensados para as suas próprias necessidades.
Assim os sistemas de defesa eram independentes e só se uniam quando de fato as situações eram catastróficas. E foi isso o que aconteceu ou deveria ter acontecido. Lembrar daqueles dias traziam uma sombra no olhar a todo guardião russo. E foi a partir daquele dia que as coisas mudaram.
Há cinco anos houve um incidente com Strigois em uma vila de dampiros e Morois chamado Vladzy próximo a Moscou. Os guardiões foram chamados para neutralizar a ameaça. Porém o que encontraram naquela vilazinha chocou a todos, inclusive a mim.
Os Strigois que atacavam não queriam alimento ou reféns, nem mesmo os Morois eram sua prioridade. Eles só matavam. Sem um objetivo, sem uma lógica que compreendêssemos. Ninguém estava a salvo naquela chacina.
Quando eu e os demais guardiões chegamos a Vladzy, o caos estava tomado. Gritos eram ouvidos em todas as partes, as casas foram incendiadas e uma trilha de corpos foi feita na rua principal da vila. Os Strigois fugiram da quando chegamos. Não fazia sentido sua fuga. Era noite, eles estavam em maior número, e havia muitos Morois ali. Um leigo diria que este ataque foi uma perda de tempo da parte deles. Mas esses monstros poderiam ter muitos defeitos, mas estupidez não era uma delas.
Ao avaliarmos a cena, descobrimos algo que chocou a todos. Os corpos que jaziam no chão. Banhados em sangue ainda fresco não eram de Morois. O ataque dos Strigois não havia sido mal executado. Na verdade foi realizado com maestria. O objetivo deles não era amedrontar os Morois, apesar de terem conseguido esse feito também.
O objetivo era aterrorizar os Dampiros.
E conseguiram.
Quando as notícias daquele genocídio chegaram ao general Kozlovsky , ele não hesitou em pedir reforços ao Pólo I que se encontrava na realeza e era o mais poderoso dos três Pólos. Não se tratava de um ataque padrão de Strigoi, não se tratava apenas de Morois e sua segurança. Os dampiros agora estavam sendo atacados nas mesmas proporções. Dampiros sem treinamentos e sem ninguém que os protegessem. Nem crianças foram poupadas. A situação era terrível.
Porém, a resposta da Corte veio rápida e não foi aquela que esperamos. Não seriam mandados guardiões como reforços. Não haveria interferência por parte deles e nem dos demais Pólos. Segundo a Corte, era a nossa obrigação cuidar dos incidentes que aconteciam em nosso território, e que além do mais não havia nada a ser feito. Nos culpou por nossas defesas serem fracas e por não termos previstos esse ataque. Sentiam pelas perdas, mas que pelo menos os Morois estavam bem. Morois. Era só os que importavam.
E esse foi a Última vez que o Póllo III pediu ajuda a Corte.
A partir daí as coisas mudaram. E a mudança partiu dos próprios guardiões. Desde sempre fomos educados a proteger os Morois porque nossa existência dependia deles já que a procriação da nossa raça só era possível através de um relacionamento entre um Moroi e um Dampiro. Mas de que isso valia? Os dampiros estavam morrendo de qualquer jeito. A raça estava sendo dizimada da mesma maneira. Os fins não estavam justificando os meios. Do que adiantava tudo isso se não podíamos proteger nossa própria família? Qual o sentido disso? E a resposta veio. Não valia. Não se o sistema não fosse mudado. Era a mudança ou o abandono. Não havia meio termo. E foi o que aconteceu.
Nas semanas seguintes houve uma mobilização para a definição do novo plano de ação. Uma mesa redonda foi realizada a fim de que todos os guardiões expusessem suas ideias e sugestões.
-Silêncio! –uma voz se sobressaiu dentre as outras. Era Kozlovsky. –O próximo que falar sem permissão vai direto para Tarasov! E todos se calaram.
- Bom. Guardião Romanoff, sua vez. –Um homem alto de feições pálidas e olhos azuis intensos levantou-se de seu acento.
-General, vamos atrás desses malditos! Nós podemos com eles! –falou o guardião exaltado. Kozlovsky parecia exasperado.
-Com esse pensamento guardião Romanoff você nos levará ao suicídio coletivo e não há uma renovação. Sente-se. –o general parecia cansado. A reunião não estava sendo produtiva como esperávamos. –Alguém tem algo útil para falar? –falou para ninguém em particular.
-Sim Guardiã Hathaway. –Não percebi que tinha levantado a mão. Senti-me desconcertada por uns segundos, mas logo me recompus.
-Hum... Acho que deveríamos incrementar nossos treinamentos não só físicos mas os de estratégia, senhor. –falei ainda acanhada.
-E como faríamos isso Hathaway? –aquilo parecia um teste daqueles aplicados na academia. O general parecia um daqueles investigadores dos seriados policiais que os humanos assistem.
- Treinamento de outras artes marciais como o Muay Thai e também o Sambo já que é uma arte marcial tradicional russa. – falei meio apreensiva. Ele pareceu meditar um pouco, mas logo voltou seu olhar para mim.
- E quanto a estratégia, o que você pensou? –o encarei e tentei notar alguma mostra de sarcasmo, mas o general parecia genuinamente interessado.
-Bem, acredito que teríamos mais vantagens se obtivermos mais informações sobre os Strigois.
-E onde obteríamos essas informações? –a conversa agora só era entre eu e o general. Os outros guardiões pareciam estar assistindo uma partida de ping pong.
-Alquimistas. –disse simplesmente.
-Hathaway. Acho que temos muito o que conversar. -percebi a aprovação nos seus olhos.
E assim foi no decorrer dos anos. Depois daquele dia, eu e Kozlovsky voltamos a nos reunir e juntamente com outros guardiões, demos início a um novo método de combate a Strigois tendo como foco principal estratagemas eficazes baseados em informações concisas e aperfeiçoamento em combate com armamento especial. Era indispensável o engajamento de Dampiros, Morois e Humanos, no caso, alquimistas.
Eu participei do primeiro esquadrão de treinamento. De início era tudo experimental, mas não menos rigoroso. O mais complicado e ao mesmo tempo o mais vantajoso, foi o manejo de armas. As formas de matar um Strigoi consistiam em três: decapita-lo, queima-lo ou enfiar uma estaca de prata no seu coração. Decapita-lo é a maneira mais difícil de matar um Strigoi, eu que o diga. Queima-lo nem sempre era uma opção viável já que dampiros não possuíam magia e andar com uma tocha por aí não era uma ideia nada inteligente. Então a maneira mais efetiva era a estaca de prata envolvida pela magia dos quatro elementos Moroi. Água, terra, fogo e ar. No entanto, o uso da estaca necessita de um ataque direto e muito próximo, o que inúmeras vezes acabava na morte de muitos guardiões. Magia Moroi podia ser empregada em objetos de prata. Viktor Dashkov fez isso uma vez no colar que me deu de presente para me tirar do seu caminho quando resolveu sequestrar Lissa. E a própria Lissa enfeitiçou as joias de quando invadimos Tarasov. Eu sabia disso. Mas o que eu não sabia era que a magia poderia ser utilizada em armas além das estacas. Foi uma surpresa quando um dos alquimistas que estavam nos ajudando junto com Sydney soltou essa possibilidade de usarmos magia em armas humanas, como em balas de armas de fogo. Não era impossível. Na verdade era bem simples, o mesmo processo das estacas. Só nunca foi pensado. Parte disso por causa das duas raças que se evitavam mutuamente a fim de que o contato entre ambas interferissem em seus respectivos modos de vida.
E foi um triunfo quando as novas armas funcionaram. Agora poderíamos combater os Strigois sem um contato direto. As balas eram tão eficazes como as estacas, foi o que comprovamos durante o primeiro ataque a Strigois seis meses depois. Tempo que durava o treinamento. Depois daí passamos a treinar novas equipes e aprimorar o treinamento. Hoje o Pólo III possuía um nível se segurança equiparados ao da realeza. Talvez superior já que conseguimos eliminar uma porcentagem altíssima de Strigois do nosso território sem dispormos de escudos protetores e com o mesmo número de guardiões. O coeficiente de guardiões mortos em batalha caiu expressivamente e não havia ataques a vilas dampiras ou Morois. Ao que parece os Strigois passaram a nos temer e recuaram.
Durante esse tempo eu cresci e subi de patente. Passei de uma simples guardiã a Sub-general. O caminho foi longo até esse posto e eu estava satisfeita e orgulhosa de mim mesma. Era bom crescer por próprios méritos sem estar a sombra de alguém. Abe e Ibrahim estavam muito orgulhosos. Eles, Lissa e todos os meus amigos. Há poucos meses, após a aposentadoria de Kozlovsky, fui nomeada General das Forças Armadas Russas. Fiquei em choque. Não esperava que me escolhessem, mas Kozlovsky falou que eu era a mais indicada já que eu tinha sido a idealizadora do projeto que hoje era um sucesso em eficiência e eficácia no controle e combate a Strigois.
E por isso recebi uma nova marca. A marca do líder. Ou com a chamavam. A marca de Eugênia. Tratava-se de duas espadas cruzadas tatuadas entre o final do pescoço e início da coluna, logo abaixo da minha marca da promessa.
Mas com os recentes problemas com Lissa, decidi delegar minhas funções ao meu agora Sub-general Mikhail Tanner até o meu retorno. Ele era um excelente líder e eu confiava na sua capacidade de liderança.
Fui acordada dos meus devaneios quando senti alguém cutucando o meu braço. Era Abe. Ele estava com um adormecido Ibrahim no colo.
-Vamos Rose. É chegada a hora. –falou enquanto me estendia a mão.
-Vamos! –peguei sua mão. Era agora ou nunca.
