NA: Minna-san, este é um post comemorativo, postado talvez pela primeira vez em menos de um mês! *-* Essa semana, mais precisamente quinta-feira, Kali fez dois anos que começou a ser publicada e achei que atualizar a fic era a melhor forma de comemorar e agradecer à todos os leitores que tive e tenho até agora... Ok, um especial também seria muito bom, mas como a temporada está no começo ainda, creio que omakes não são tão bem-vindos assim, certo? hsuahsuashuashs Essa é minha primeira fic que faz aniversário, então eu to muito feliz! ^-^ Apesar disso, devo parabenizar a vocês por toda paciência, carinho, reviews... Enfim, todo o suporte que vocês têm dado para Kali. Sem isso, acho que já teria desistido de continuar a fic há muito tempo... Muito obrigada! ^^

Gostaria de aproveitar a oportunidade agora para dar um agradecimento super especial para Kurara Black, Rizz e patilion, que comentaram no capítulo anterior. E, como Rizz foi a única que não estava logada quando postou sua review, vou responde-la aqui hoje:

Rizz, acho que Noa nem ta nojenta nesses capítulos que passaram, se comparado ao quão nojenta ela vai ficar... lol E dessa vez eu atualizei rápido, viu? Espero que goste do capítulo! Kisus! xD

Kurara-chan, desculpe não ter postado no dia prometido #fmaFeelings hsuahsuahsuahsu Eu já me justifiquei por PM, mas mesmo assim, gomenasai #Reverência

Espero que gostem do capítulo de hoje! Enjoy! o/


Anteriormente, em Kali - Com Outros Olhos... Houve um grande flashback enquanto Ed estava inconsciente do mundo externo, após a explosão que houve quando ele e o pessoal do QG saíram na calada da noite para ir atrás dos bandidos que estavam assassinando vários alquimistas federais. Neste flashback Ed reviu sua chegada à Resembool e seu reencontro com Win e Pinako Rockbel. Ele também reencontrou Noa, que havia seguido-o através do portal. Apesar de Win não ter gostado muito de Noa (porque tinha ciúmes dela, embora Ed não saiba disso), ele é quem fica enciumado quando a loira vai passar o dia na casa do amigo Thomas Hakuro, que Ed tem certeza que está de olho nela. Tal tensão entre os dois acaba gerando desentendimentos e eles brigam, contudo Ed está resolvido a desculpar-se com a protética...


KALI - 2ª TEMPORADA

(COM OUTROS OLHOS)

.

CAPÍTULO 3 – O BAILE

.

.

Não sei dizer se "acordar" é um bom termo para referir-me ao que eu fiz aquela manhã, porque sentia como se não tivesse dormido nada aquela noite, embora em alguma parte da vigília involuntária meu corpo tenha reconhecido o cansaço. Contudo, foi fato que passei boa parte da noite pensando no que eu faria na manhã seguinte. Eu estava inclinado a duas ações principais: 1) Agir naturalmente como se nada tivesse acontecido, desejando que Winry não tivesse guardado na memória nossa discussão da noite anterior, nem minhas palavras; 2) Ir lá no quarto dela e me desculpar, antes que ela tivesse tempo de me esbofetear novamente, ou pior, jogar a chave inglesa dela em mim e antes de gerar qualquer possível clima desagradável durante o café da manhã.

"Provavelmente ela nem lembra mais" pensei com um pouco de esperança. Mas isso não era certo. Não era certo seguir a opção número um só porque era mais fácil... E mesmo que ela não lembrasse que a magoei hoje, amanhã se a gente discutisse novamente essa ferida mal curada abriria novamente e provavelmente seria pior.

Respirei fundo então, levantei-me e, após vestir-me apropriadamente, saí do quarto rumo ao de Winry. Respirei fundo novamente, torcendo para que ela realmente não estivesse muito puta comigo. Bati a porta determinado.

- Bom dia – disse.

- Bom dia – Winry respondeu. Seu tom de voz indicava que ela ainda lembrava, e muito bem, da nossa briga de ontem.

- Winry... Olha... – Tentei dizer algo, antes que ela batesse a porta na minha cara – Eu queria te pedir desculpas por ontem. Eu... Eu não quis te ofender...

- Mas ofendeu – retrucou ela. Pelo visto, Winry não cederia tão fácil dessa vez... – Quem você pensa que sou? Por acaso você me vê por aí dando em cima de um monte de garotos?

- Não... – respondi – Mas... É que...

O que eu deveria dizer?

- É que o quê, Sr. Elric? – ela estava definitivamente furiosa comigo. Emudeci. – Olha Ed, – ela prosseguiu seu discurso, um pouco mais controlada – eu não tenho nada a ver com a sua vida. Foi estúpido de minha parte bancar sua mãe por causa de Noa... Eu não sei por que você estava tão irritado ontem – "Mas eu sei: ciúmes." Meu subconsciente me golpeou. – Talvez tenha feito aquilo por vingança, não sei... Mas, se for isso, prometo que não vou me meter mais. Entendi o recado.

- Na verdade, não foi vingança – respondi. Claro que não foi. O que passava pela cabeça de Win para achar que faria mal a ela de propósito? – Eu fiquei meio chateado porque você não quis sair comigo, Noa e Al, mas foi pra casa dos Hakuro assim que demos as costas...

"O nome disso é 'ciúmes' não 'chateação', Ed" pensei comigo mesmo. A razão estava me dando uma surra naquele dia...

- Al foi com vocês? – Winry perguntou-me visivelmente surpresa.

- Claro que foi. Por quê? – perguntei intrigado. Porque Winry ficaria tão estupefata com isso?

- Por nada – respondeu ela, tentando passar-me a ideia de que o assunto não lhe interessava – Eu não ia a casa do Thomas ontem – disse, mudando o foco do assunto – Só fui lá porque, pouco depois que vocês saíram, eu me arrependi de não ter ido, mas como não sabia para onde vocês foram, não pude ir atrás. Fiquei entediada aqui então resolvi ir lá no Thom. Como a Sra. Hakuro me adora, uma passadinha acabou virando o dia todo...

Escutei atentamente a narrativa. Pelo menos ela não se recusou a ir conosco porque queria uma oportunidade para ver o Hakuro... Talvez então ela não esteja interessada nele como namorado, afinal...

- Me desculpe por te ofender – disse novamente – Eu realmente-

- Tá tudo bem. – ela interrompeu-me – Acho que foi tudo um mal entendido...

- Eu só 'tava chateado e por isso quis te xingar de qualquer coisa... Me desculpe mesmo.

- Relaxe, eu já desculpei, Ed...

Sorrimos e, de alguma forma, estava tudo bem entre nós novamente, como se nunca tivéssemos discutido outrora. Seguimos para a cozinha com humor revigorado àquela manhã.

- Winry, parece que você pegou no sono hoje – disse vovó. Já estávamos à mesa àquela altura do dia. – Noa-san disse que você estava dormindo quando ela foi deitar-se, mas mesmo assim foi ela quem acordou primeiro...

- É, dormi sim – respondeu Winry com um estranho sorriso de felicidade no rosto.

- Thomas ligou hoje, Win – disse Al – Eu disse à ele que iria ao baile com Sarah-san se ela o quisesse.

- Nem precisa dizer o que ela respondeu – disse Win com um sorriso maior ainda que o anterior – Lógico que Sarah iria com você!

- Que história é essa de baile e Sarah? – perguntei intrigado. Parecia que muitas coisas aconteceram ontem nessa casa e não chegaram ao meu conhecimento – Al, tem algo que você queira me contar?

Al riu sem graça. Quase pude vê-lo corando.

- Desculpe, nii-san – disse Al – Esqueci de contar. Winry me pediu que-

- É que Sarah tá a fim dele, Ed – Winry interrompeu. Arregalei os olhos de surpresa, isso era novidade para mim – Então, eu pedi que Al fosse com ela ao baile e lhe desse uma chance, quem sabe.

- Cupido! – disse para Win, ao mesmo tempo em que Al protestava:

- Ei! Você não falou nada disso de chance antes!

- Qual é Al! Sarah até que é gatinha! – retruquei. Meu otouto, porém pareceu ficar ainda mais sem graça com o comentário e eu ri bastante da expressão de desespero misturado com vergonha que ele fez naquela hora.

- Então isso não tem nada a ver com agradar Thomas-san? – disse Noa. Olhei dela para Win, estudando a reação dela – Ouvi dizer que vai ao baile com ele...

Imaginei que Winry ficaria puta da vida com Noa e mandaria parar de inventar lorotas, mas ao contrário disso, ela apenas perguntou, surpresa com a abordagem:

- Quem te disse?

- Ouvi Al falando ao telefone, mas foi sem querer – disse Noa em tom defensivo.

- Então quer dizer que é verdade? – eu precisava confirmar isso. Porque se fosse verdade, era provável que eu estivesse enganado e a Winry estivesse mesmo apaixonada pelo Hakuro. Todos sabem que esses bailes são na verdade encontros. Ninguém leva ninguém ao baile como amigo. E certamente essa não era a intenção de Hakuro quando a chamou para ir com ele...

- É, mas-

- Não precisa se explicar, Winry-chan – disse Noa, interrompendo Winry – Você é livre para sair com o Thomas-san ou com quem quiser. Ninguém manda no coração... – o que Noa sabia que eu não sabia? Foi o que eu me perguntei naquele momento, mas sua voz cortou a linha que meus pensamentos estavam seguindo – E está perfeito assim! Porque podemos ir os seis ao baile: Al e Sarah; Você e o Thomas; Ed e eu. Sem contar que eu sempre quis ir a um baile...

Os olhos de Noa brilhavam enquanto pensava na festa.

- Tem que saber se o Ed quer ir ao baile – disse Al – Ed não curte muito essas festas...

- Tudo bem, eu vou – respondi – Acho que tenho alguma roupa na mala que sirva.

- Nada disso, eu to pura – disse Noa – Vamos fazer compras!

- Tudo bem – concordamos.

Apesar da concordância inicial, Al e eu acabamos desistindo. Essa coisa de gostar de comprar roupas e sapatos sempre foi mais feminina mesmo. Mulher adora compras. Até mesmo Winry, que não é igual às demais garotas, gosta de consumir em lojas. Obviamente que ela prefere comprar chaves inglesas, fios e outros acessórios para automails do que joias, mas ainda assim são compras. E compras caras. Mas Al e eu não ligávamos muito para essas coisas. Eu mesmo não tinha interesse algum em festas como bailes, já houve várias no exército que eu perdi simplesmente porque não estava a fim de ir, mas eu queria ir nessa. Eu não podia deixar aquele cara ir ao baile com a Win, sem ficar de olho nos dois. Se aquele idiota tentasse algo com ela teríamos problemas, ah, se teríamos!

Enquanto as mulheres estavam fazendo compras, Al, Hakuro e eu fomos atrás de um carro para nos levar ao baile. Após um pouco de conversa, o Sr. Charlie nos emprestou o dele com enes recomendações. Deixamos Hakuro na porta da casa dele e estacionei o carro em frente a nossa casa. Al ainda brigava comigo por não ter contado à ele que sabia dirigir.

-Você vai ter que me ensinar, nii-san! – exigiu ele.

- Tudo bem, eu te ensino qualquer dia desses – respondi sorrindo – Não é tão complicado assim, na verdade...

Mais tarde, Al e eu nos arrumamos para o baile e depois descemos para a sala e lá ficamos esperando as meninas, pelo que me pareceu ser horas. Pensando bem, provavelmente foram horas mesmo. O que foi uma tremenda sacanagem, visto que estávamos todos de terno e engravatados, como manda o figurino nessas festas formais. Hakuro apareceu durante nossa primeira hora de espera e ficou esperando também. Não estava nada mal. Esperava que a Win não reparasse muito...

Havia um silêncio desconfortável na sala, embora Al tentasse puxar algum assunto vez ou outra. Para sorte nossa, aquela tortura não chegou a um nível insuportável, porque as garotas desceram em direção à sala, todas de vestido e salto fino.

Hakuro não tirava os olhos de Win, parecia embasbacado, aquele idiota. E Winry estava completamente corada com tanta observação. Estava usando um vestido azul e os cabelos estavam cacheados, não me pergunte como. Eu sabia que mulheres alisavam o cabelo, mas não sabia que podia cachear... Por um momento ela olhou para o lado onde eu estava, mas parecia estar admirando a interação entre Al e Sarah. Seus cabelos agora cacheados caindo por cima dos ombros e seu olhar de contentamento fazia com que ela se parecesse com um anjo. Seria um anjo cupido?

Oh, céus... Quando foi que a Winry ficou tão... Tão linda?

Não.

Quando foi que eu comecei a reparar nisso?

- Ed-kun? – Noa chamou-me, mas eu não escutei da primeira vez – Ed-kun?

- Hm? – desviei os olhos de Win e olhei para a morena à minha frente.

- Como estou? – perguntou ela, fazendo uma pose. Estava com os cabelos jogados para trás mais ou menos soltos e usava um longo vermelho, uva, vinho ou algo assim... Eu não sei por que diabos as mulheres criam tantas subdivisões para cores...

- Está linda, Noa – respondi. E não era mentira. Noa, de fato, não precisava de muito esforço para ficar bonita, mas quando ela se arrumava assim chamava a atenção...

Seguimos rumo ao carro e eu sentei-me no banco do motorista. Noa sentou-se ao meu lado, na frente, enquanto Winry, Hakuro, Sarah e Al sentaram-se no banco de trás, não necessariamente nessa ordem.

- Ed, desde quando você sabe dirigir? - Winry perguntou-me surpresa. Algo no meu peito inflou com isso. Eu havia impressionado ela.

- Aprendi do outro lado – respondi o mais modestamente que meu orgulho permitiu. – Lá não tem alquimia pra quebrar nosso galho – girei a chave na ignição e comecei a dirigir rumo ao local da festa.

- Você é muito inteligente Ed – disse Noa, pondo a mão sobre meu ombro – Fico imaginando o que mais você sabe fazer...

Corei com o duplo sentido contido naquele comentário, apenas rindo sem graça. Não era todo dia que uma garota flerta abertamente com você...

- Você vai dançar comigo, ne? – perguntou ela.

- Eu não sei dançar, Noa – respondi sinceramente.

- Té parece! – disse Noa – Todo mundo sabe dançar, é muito fácil, eu posso te ensinar... E você poderia me ensinar a dirigir também?

- Sério?

- Claro! E me ensinar alquimia também – completou a morena.

Pelo retrovisor eu pude observar que Thomas estava dando em cima de Win. Ele olhava para ela como se ela fosse uma sobremesa apetitosa. Era irritante.

- Ed?- Noa pôs o braço em volta do meu pescoço – Não se distraia, você vai perder o controle do veículo – ela sussurrou em meu ouvido.

- Você é quem está me distraindo – comente fingindo-me de zangado. Noa deu um sorrisinho malicioso.

Mais alguns minutos, chegamos ao centro de Resembool e ao local destinado à festa. Todos os ocupantes desceram do carro para que eu fosse estacionar.

- Não quer que eu fique com você? – perguntou Noa.

- Não precisa, só vou estacionar; já nos vemos. – respondi e Noa saiu do carro, seguindo os demais para dentro do salão de festas.

Estacionei o carro e, após trancá-lo, guardei as chaves no bolso e dirigi-me ao local onde meus amigos estavam.

- Você é tão jovem... Mas dizem que é muito bom – disse uma ruiva que estava parada no caminho que eu estava por passar, dando ênfase na palavra "bom" o que gerou ambiguidade em sua frase – Se não for, não tem problema, posso te dar umas aulas de graça de anatomia...

Acelerei o passo, ligeiramente corado e sem graça demais para dar uma resposta adequada. Aquela não era a primeira mulher que me cantava. Tampouco Noa era, na verdade, mas eu definitivamente não estava acostumado com esse tipo de assédio. Na verdade eu nunca tive muito tempo para pensar em garotas, devido a todos os problemas que Al e eu enfrentamos para recuperar nossos corpos, então acho que não tenho muito jeito com elas. Pelo menos não quando envolve algo além de alquimia ou trabalho.

- O que aquela vaca te disse? – Noa perguntou-me assim que eu sentei à mesa junto ao grupo.

- Quem? – desconversei.

- Aquela vadia que te despiu com o olhar – retrucou Noa. Arregalei os olhos surpreso por ela ter observado a cena toda.

- Fala sério, nem foi tudo isso... – disse, tentando amenizar o evento anterior.

- Fala sério você, ela estava te cantando, não foi?

- E daí?

- E daí que você tá comigo – respondeu Noa.

- E por acaso você me viu ir atrás dela? – perguntei um tanto irritado – Eu vim pra cá, não foi?

- Mas bem que você gostou...

- Para com isso, Noa, tô pedindo. Você sabe muito bem onde isso vai dar...

-Posso conversar um instante com você? A sós...

Suspirei pesadamente e revirei os olhos. Eu estava tentando evitar esse tipo de coisa. Não queria discutir com Noa sobre nós dois, até porque, até onde me lembrava, não havia "nós". Nunca houve.

E Noa, muitas vezes, tinha um comportamento possessivo que fazia as pessoas pensarem que já houve ou havia algo entre nós...

- Noa, eu não quero ser ofensivo com você, mas eu não gosto quando você faz essas coisas...

- Que tipo de coisas? – perguntou ela, com uma expressão ingênua no rosto.

- Dá esses chiliques, fica fazendo essas cobranças, tudo isso que você faz quando acha que outra mulher está de olho em mim...

- Faço isso porque me importo com você – respondeu Noa.

- Eu entendo isso, mas Noa, você não é minha namorada.

- Mas-

- Não – eu interrompi – É sério, Noa, você não é minha namorada!

Ela encarou-me com olhos tristes.

- Então o que acha que eu devia fazer? – ela perguntou-me - Voltar pro outro mundo, largar você e fingir que nunca te conheci? Fingir que você não tem importância alguma pra mim?

Eu não sabia o que dizer para Noa, não queria magoá-la, apesar de tudo... Ela era minha amiga.

- Desculpe – disse por fim – Não queria te magoar, é só que...

- Eu sei. Às vezes eu te sufoco, não é?

- Uhum – confirmei.

- Ok, eu vou tentar controlar meu gênio – disse Noa – Que tal agora você me dar aquela dança?

- Tudo bem.

Fomos andando até o centro do salão e começamos a dançar, balançando para lá e para cá, sem sair do lugar. Noa encostou-se em meu peito e fechou os olhos. Não era justo magoá-la, ela gostava tanto de mim. Por outro lado, eu...

Olhei para frente e vi outra dupla dançando: Winry e Thomas. Eles estavam muito próximos e em dado momento eu tive a impressão de que a Win tava chorando, mas acho que foi só impressão, porque logo eu pude ver que eles estavam se beijando.

Porque eu estava tão incomodado com isso? Não era da minha conta. Winry gostava do Hakuro, eu precisava me conformar. Noa olhou disfarçadamente para o lado e viu a cena que eu via. Com um sorriso no rosto ela disse:

- Eles formam realmente um belo casal... – e olhou para mim em seguida – Como nós dois...

Naquela noite ela me beijou novamente. Naquele momento. Assim, de repente. Por um momento eu pensei: "Que diabos ela tá fazendo?", mas depois me lembrei da cena que vi instantes antes e aí então pensei "Foda-se essa merda!" e sim, eu correspondi ao beijo de Noa. Não dizem que só um novo amor cura um antigo? Esperava que funcionasse comigo...

- Winry! – ouvi Hakuro gritar – Winry, espera! – abri os olhos, separando-me de Noa e vi que Winry estava saindo do salão, seguido de perto pelo Hakuro. Eu estava equivocado, talvez ele tivesse forçado a barra. Fosse o que fosse eu não ia deixar aquele imbecil encostar um dedo nela. Segui rumo a saída do salão, até que senti um puxão em meu braço.

- Eles se entendem – Noa disse – Não é certo se meter em briga de casal...

- Não me pareceu uma briga de casal... Ele provavelmente a agarrou – retruquei nervoso.

- Pode até ter sido, mas ela correspondeu porque quis – disse Noa. Aquilo doeu. – Assim como você. Sério que você vai passar a noite aqui falando de Winry-san quando ela tá lá fora curtindo com Thomas-san?

Naquele momento eu me senti realmente mal. Eu estava dando esperanças para Noa, quando na verdade eu deveria desencorajá-la. Tudo isso porque eu não suportava ver mulher chorando e eu não sabia como dizer que a verdade a ela sem magoá-la. Eu realmente era uma droga com garotas...

- Ed... – ela acariciou meu pescoço e me deu outro beijo. Afastei-me dela bruscamente.

- Preciso beber alguma coisa... – comentei indo em direção ao balcão. Noa me seguiu.

- Você não pode! Está dirigindo, esqueceu? – perguntou ela.

- Não quis dizer bebida alcóolica – respondi – Só estou com sede.

Ela pareceu mais aliviada e deixou-me seguir sozinho rumo ao balcão. Eu não havia bebido nada naquela noite, mas minha cabeça parecia estar girando. Não me meter seria mesmo a melhor solução? A quem eu estava querendo enganar? Acho que o pior de tudo era que eu não sabia até que ponto Winry gostava do Hakuro, nem até que ponto ela gostava de mim. Eu não podia arriscar uma amizade de anos por uma incerteza...

A festa prosseguiu bem animada, mas eu tinha perdido o animo para farra (não que eu o tivesse a princípio, de qualquer forma). Noa me chamou para dançar, eu fui uma ou duas vezes, mas não estava mais com animo. Eu não estava na festa. Minha cabeça estava bem longe, mas eu não sabia dizer onde. Onde estavam aqueles dois? Ainda la fora?

Dando uma escapada rápida percebi que não. Rumei para dentro do salão olhando de volta para o relógio. Uma e quarenta e cinco. Eu estava tentando me manter calmo, mas quando passou das duas da manhã e nenhum sinal daquela loira protética foi detectado, achei que era hora de externar minha preocupação. Provavelmente não soaria protecionista agora.

- Vocês viram a Win por aí? – perguntei a Al, Sarah e Noa – Porque já passam de duas da manhã e logo vamos para casa, acredito. Não é bom que dê o horário de irmos embora sem saber onde ela está. Devíamos pelo menos ter marcado um horário para nos reencontrarmos...

- E onde está o Thomas? – perguntou Sarah – Também não o vejo em nenhum lugar...

- Ah... – comentou Noa, com uma expressão de total entendimento – Vocês não veem o que está acontecendo aqui? Eles devem ter saído para curtir um pouco a companhia um do outro sem uma centena de olhos vigiando-os...

- Winry não é de fazer essas coisas – disse Al.

- Winry-san tem quantos anos? Vinte e dois?

- Dezenove – corrigi.

- Conheço gente mais nova que faz coisas piores...

- ... E que, provavelmente, não se parecem em nada com a Win – retruquei – Não sei se notou, mas Win é uma garota do interior. Sua criação tornou-a bastante recatada.

- Há garotas que se soltam com seus namorados, você não faz ideia, Edo-kun...

O que ela estava tentando fazer? Me deixar encolerizado? Porque estava quase funcionando.

- Você não a conhece, Noa, então guarde suas opiniões pra você mesma.

Sarah olhou para mim surpreso e acho que até Al surpreendeu-se, porque eu nunca falara com Noa daquela forma (grosseira) antes.

- Vamos procura-la, nii-san, no meu relógio são duas e dezessete, vamos tentar acha-la entes das três...

Separamo-nos e marcamos de nos encontrar às três horas da manhã ali naquele mesmo local. Saí a procura de uma loira com cara de anjo, mas não encontrei nada.

- Sozinho, major? – uma jovem perguntou-me.

- Estou com pressa, desculpe – foi o máximo de atenção que lhe dispensei. Continuei minha busca infrutífera atrás de Win e daquele bastardo do Hakuro, mas não obtive sucesso.

Quando nos encontramos novamente as três horas da manhã, notei que não fui o único.

- Procuramos por todo o salão, banheiros e lá fora também... – comentou Al – Será que eles foram embora?

- A pé? – perguntei.

- Não é impossível, você sabe – disse Al – E na volta ninguém precisa se preocupar em chegar suado ou não...

Ainda tinha minhas dúvidas de que Winry fora para casa andando sozinha, mas resolvi ir para casa com o restante do grupo. Caso Winry não estivesse em casa, eu iria voltar ao local da festa com o carro e só sairia de lá quando a encontrasse, nem que eu tivesse que mover todo o exército de Amestris...

Deixei Sarah na casa dela, e Al pediu para dar notícias sobre Thomas. Noa tinha certeza de que se encontrássemos um, encontraríamos ambos, mas eu queria pensar que cada um fora para o seu canto mesmo.

Chegamos em casa tentando não fazer barulho, mas Noa bateu-se em alguma coisa no caminho o que fez com que vovó levantasse.

- Isso é um assalto, por acaso? – Pinako veio para a sala resmungando, já com uma espingarda em punho.

- Calma vovó! Somos só nós! – disse Al rapidamente – Vira essa coisa pra lá!

- Winry tá em casa?- perguntei, tentando em vão disfarçar o tom preocupado que se projetou em minha voz.

- Ela não está com vocês? – perguntou vovó, abaixando a arma e franzindo o cenho de preocupação – Ela não estava no baile com vocês?

- Não vovó... Ela e Thomas foram embora antes de nós (eu acho). Eles sumiram no meio da festa. – respondeu Al.

Um silêncio preocupante tomou conta do ambiente.

- Ela pode ter ido dormir na casa do Thomas-san – disse Noa.

- QUÊ?! – gritei. Ela só poderia estar tentando "quebrar o gelo", porque era absurda aquela ideia.

- Calma, nii-san – disse Al – Eu não acho que a Win faria isso... – nem eu – A Sra. não a viu chegar, vovó?

- Não, mas vamos ver se ela está no quarto – disse vovó, tentando manter a calma.

Subimos rumo ao quarto de Win e vovó abriu a porta com certa urgência e acendeu a luz. Winry olhou-nos com uma cara engraçada, olhos semicerrados e uma expressão de confusão no rosto que indicava que ela estava há muito dormindo. Ou fingindo.

- Apaga essa luz! – sussurrou Winry com a voz um tanto rouca de sono.

- Porque você não avisou pra gente que iria embora, hein? – perguntei estarrecido, mas num tom firme.

- Porque vocês estavam todos se divertindo, eu não queria interromper o momento romântico de vocês...

Senti minhas bochechas esquentarem e pude ver que não era o único. Al também estava corado.

- Isso não justifica – disse vovó – Vocês vieram juntos, tinham que ter voltado juntos. Eu estava já pensando que aconteceu alguma coisa com você, por isso não voltou pra casa...

- Eu não voltei sozinha, o Thomas me trouxe – explicou Winry, o que, por algum motivo, não me deixou mais tranquilo - Desculpe, não queria preocupar nenhum de vocês.

Ficamos olhando para a cara dela, chocados com a simplicidade com a qual ela tratava a situação.

- Por favor, gente – disse – Podem me dar o sermão amanhã? Tô morrendo de sono mesmo...

- Tudo bem, vamos sair do quarto meninos – comandou vovó.

- Boa noite – dissemos.

- Boa noite – respondeu Win, a um passo de cair no mundo dos sonhos outra vez.

Vovó não deu margem às conversas quando saímos; disse que era para irmos dormir que a gente já tinha incomodado demais o sono dela. Sendo assim, obedecemos, até porque estávamos realmente muito cansados; preferimos obedecê-la e ir dormir.

No dia seguinte levantei um pouco mais tarde do que o de costume, mas não tão tarde quanto os demais daquela casa, que pareciam estar dormindo também, com exceção de vovó e de Noa.

- Edo-kun, você acha mesmo que durante esse tempo todo com Thomas em cima dela, ela não ficou com ele antes? – dizia Noa para mim, durante o café da manhã – É claro que sim. Ela ama ele, então é normal. Duvido muito que eles tenham vindo direto pra casa ontem...

- O que você está insinuando? – Perguntei irritado. Tudo bem que ela sentia ciúmes de mim por causa da Winry, mas eu não iria permitir que Noa ofendesse a honra dela na minha frente – A Winry não é dessas não!

- Não to chamando ela de nada – disse Noa, defendendo-se – É normal duas pessoas que se amam entregarem-se um para o outro.

Noa enroscou-se em meu pescoço.

- Você não a conhece – retruquei desenroscando-me do aperto dela – Winry é uma garota briguenta, ousada e cheia de atitude, mas por dentro ela é tímida e bastante frágil. Ela não faria algo assim com um cara que mal conhece...

- Você acha que a conhece?

- Não acho, conheço – disse ofendido – Fui criado com ela, praticamente. Sei muito bem como Winry costuma agir...

- Já tentou transar com ela?

- Não! – respondi sentindo que devia estar da cor de um tomate maduro.

- Então não sabe como ela reagiria se tentasse – concluiu Noa.

- Ela conheceu esse cara outro dia, Noa – argumentei, tentando não me imaginar no contexto supracitado – Não transaria com ele. Além disso, porque ela faria isso e voltaria pra casa no mesma noite?

- Pra vovó não desconfiar, né Ed! – Ela tentou abraçar-me novamente, mas levantei-me do sofá antes que ela me beijasse.

- Tenho que falar com o Al – disse.

- Pensei que poderíamos aproveitar a manhã – comentou Noa.

- Noa-

Estava prestes a explica-la porque não achava prudente dar uma volta a sós com ela, mas Winry apareceu ao pé da escada e eu interrompi meu discurso. Melhor assim, não era algo que eu queria que Winry escutasse...

– Bom dia! Tudo bem? – cumprimentei-a, tentando disfarçar a surpresa em minha voz.

- Sim, tudo bem sim. E você?

- To bem também – respondi desconfiado. Será que ela ouvira a conversa que estávamos tendo? Ela ia ficar bem puta com Noa se ouvisse... – Estava aí há muito tempo?

- Não, por quê? – perguntou ela igualmente desconfiada – Falavam de mim, por acaso?

Noa e eu rimos completamente sem graça porque apesar de Winry estar brincando, ela chutou certo, estávamos, de fato, falando dela.

- Claro que não, Winry-san – disse Noa sonsamente – Falávamos de ontem a noite, não foi Ed-kun?

- Foi sim – menti. Se Winry não ouvira, era melhor que ela não soubesse mesmo, ela seria capaz de jogar uma chave inglesa em Noa de tão consternada com a insinuação da roman. - Estava indo falar com o Al – comecei minha estratégia de mudar o foco daquela conversa – Não quer saber o que aconteceu entre ele e Sarah ontem?

- Ô se quero! – respondeu Winry, agora sim mostrando a velha animação de sempre. Ela pegou em minha mão e me puxou para a cozinha. Encontramos Al sentado à mesa, tomando alegremente seu café da manhã.

- E aí, Al? – disse Win, somente agora soltando minha mão – Conte tudo, não esconda nada! Você e Sarah ontem, como foi?

- O que?! – Al engasgou com um pedaço de pão, foi pego de surpresa. Estava corado.

- Você e Sarah, Al – repetiu Win.

- Ela quer saber se você ficou com ela – expliquei.

- Só ela, né? – perguntou Al, irônico.

- Tá, eu também quero saber – confessei – Você é meu irmão, não minta pra mim. Ficou com ela ou não ficou?

- Não. – respondeu ele.

- Por quê? – Winry parecia estupefata com o fato.

- Pois é, Al! Porque deixou passar essa? Ela é tão linda... E inteligente também.

Sarah seria mesmo um bom partido para o Al. Ela é bem calma, o que combina com a natureza do meu irmão. Tenho certeza que em outras circunstâncias eles teriam feito um belo casal.

- Por isso mesmo – respondeu meu otouto – Eu não quero brincar com os sentimentos dela. Eu não a amo, sabe?

- Mas você não sente nada, nada por ela? – Winry indagou.

- Acho que já sei o motivo de não querer ela – disse, olhando nos olhos de Al – É ela, não é?

Al abaixou a cabeça e meneou-a em concordância. Ele estava corado novamente.

- Ela? – Winry não deixou passar minha referência – Ela quem?

O olhar que Al lançou em minha direção dizia definitivamente que eu não estava autorizado a dar esse tipo de informação sobre a vida dele. Calei-me então, afinal, era a vida dele.

- Qual é, Al! – Winry mais uma vez percebeu. Ela estava especialmente astuta nesse dia – Desde quando esconde coisas de mim?

Sério que ela tava perguntando isso? Desde sempre Al esconde coisas dela. E eu também. A diferença é que Al sempre foi mais sonso.

- Al não quer que eu conte – comentei, indicando assim que respeitaria a privacidade do meu irmão – Então não vou contar. Mas ele ta a fim de outra garota, por isso não quis ficar com a Sarah. Acho que é o certo a fazer, já que Sarah parece gostar mesmo do Al. Ela acabaria saindo magoada dessa história.

Por isso que eu havia dito que em outras circunstâncias, eles fariam um belo casal.

- É isso mesmo, Al? Você ta apaixonado por alguém?

- Não é bem isso... – disse Al, sem graça, mas em seguida assumiu – To.

- Como ela é? Como você a conheceu?

- Ela é uma garota bem legal – disse Al – Conheci ela no meio das nossas viagens.

- E eu achava que você não sentia nada desse tipo por ela – isso era verdade. Achei que fosse apenas mais uma das muitas garotas solitárias que conhecemos por aí, durante nossas viagens em busca da pedra filosofal e de algo para recuperar nossos corpos – Porque você nunca disse nada a ela antes de partirmos?

- É que... – Al estava um tanto inseguro – Eu tive medo porque não sabia se ela pensava em mim da mesma forma...

- Mas não tem como você saber como ela se sente se você não contar pra ela, né Al? – disse Noa, entrando na conversa pela primeira vez. Ela veio conosco para a cozinha na hora que viemos.

- Eu sei, mas-

- Agora que você não é mais armadura e nem tá esquelético, você até que tá bem apresentável, logo, você tem chances – brinquei para tentar quebrar a tensão de Al.

- Ei! – protestou ele – Não fale de mim desse jeito...

Ri alto. Aquela tentativa de provocação havia funcionado.

- E você, nanico? – perguntou a vovó – Não tem ninguém de quem goste não?

- Eu? – perguntei corando. Aquela indagação me pegou de surpresa também. Fiquei com apreensivo por qualquer indireta que a vovó pudesse dar à Win.

- A senhora sabe que tem, dona Pinako... – disse Noa. Estaria ela se referindo a si mesma? – Winry também gosta de alguém, né? Thomas que o diga...

Lá estava Noa com sua teoria novamente. O pior de tudo é que tudo indicava que ela estava certa. Não sobre Winry dormir com Hakuro, mas provavelmente todo o resto de ela estar apaixonada por ele e vice-versa e eles estarem namorando escondido.

- Al?- chamei – Vamos dar um passeio? Só nós dois, como nos velhos tempos?

- Vamos – respondeu ele.

- Ok, vou me trocar – disse Winry – Tenho que trabalhar nuns automails hoje. Dizendo isso, ela saiu da cozinha rumo ao seu quarto, enquanto Al e eu saíamos porta afora.

Não disse isso para o pessoal que estava alí na cozinha, mas o verdadeiro motivo pelo qual eu havia chamado Al para dar aquele passeio era porque eu queria conversar com ele a sós. Al às vezes era muito sábio. E eu sabia que podia contar com a discrição dele também, embora ainda não estivesse pronto para assumir certas coisas em voz alta...

- Porque me chamou para dar uma volta assim, de repente, nii-san? – Al era extremamente perspicaz, e eu admirava isso nele.

- Você percebeu direitinho – comentei – Queria conversar a sós com você.

- Sobre mim ou sobre você? – perguntou ele.

- Sobre mim.

- A situação é a mesma, nii-san - disse Al – Quando eu era uma armadura, no meio das nossas confusões eu pensava: eu não posso morrer agora, ainda tenho tantos planos pela frente... Eu ainda nem me apaixonei! Aposto que nem eu nem você imaginávamos que era tão complicado assim...

-São situações diferentes, Al – refutei – Há uma garota lá longe que pensa em você o tempo todo. E há uma garota aqui perto que pensa o tempo todo em outro cara...

- Você não tem como saber disso. – retrucou Al. – Sobre nenhuma das duas; nem a de lá e nem a daqui...

- Claro que sei – respondi – Ela o beijou e, inda que ele tivesse começado, ela correspondeu, sinal de que sente algo por ele.

- Ou que se deixou levar pelo momento.

- Estamos falando da mesma pessoa? – perguntei um pouco espantado.

- A Win é uma garota. E como toda garota, ela às vezes age movida pela emoção. – disse Al – Win gosta do Thomas-san, mas não acho que ela goste dele da mesma maneira que ele gosta dela...

- Ela não teria beijado ele se não gostasse dele – retruquei.

- Então devo presumir que você gosta de Noa? – ele me perguntou. A resposta veio em minha mente como um sonoro "não". – Sim, eu vi vocês.

- É diferente – respondi.

- Diferente por quê? Porque você é homem?

- Não! Porque... Porque...

- Nem você sabe o porquê – retrucou Al.

– Mas eu não gosto da Noa – respondi – Não dessa forma, pelo menos, embora ela seja realmente muito atraente...

- Eu sei. A Win provavelmente dever pensar a mesma coisa sobre o Thomas-san – disse Al – E mesmo que isso seja especulação da minha parte, você deveria ao menos se dar o benefício da dúvida.

- A Win não é do tipo namoradeira, sabe? – comentei - Ela ter correspondido às investidas dele sugere que ela sente algo por ele.

- E se sentir? Você vai desistir dela só por causa disso?

- Eu...

- Você a ama, não ama? – perguntou Al, deixando-me completamente corado, constrangido e nervoso.

- QUE RAIO DE PERGUNTA É ESSA?! – perguntei exasperado.

- Calma, nii-san!

De alguma forma, aquela conversa não evoluiu muito mais depois disso. Isso porque Al estava constatando algo óbvio, porém, por mais óbvio que fosse, eu não queria ver... Eu queria continuar pensando que Win era apenas a minha velha amiga de infância e fingindo que o fato dela gostar do Hakuro não me incomodava. Como diz aquela velha máxima: "O maior cego é aquele que não quer enxergar." Eu, definitivamente, não queria enxergar. O problema, porém, era que eu tinha olhos...