Capítulo 3
As enfermeiras e médicos que passavam no corredor sorriam com a cena. O tão sisudo e sempre centrado Dr. Cullen derretido abaixado no meio do corredor com as duas filhas.
– Que as minhas duas princesas estão aqui a fazer? – Questionou dando as mãos às duas e indo de encontro a Alice e Esme e as duas crianças que as acompanhavam.
– Viemos ver a Bella. – Caroline explicou. – Papai, tens de tratar bem dela.
– Sim papai. Tratar muito bem da Bella. Ela é minha amiguinha. – Sophia também interveio na conversa.
– Não estou a entender. Explica-te Alice, por favor. – Pediu á irmã.
– A Bella é irmã mais velha do John e da Louise, e tutora legal dos dois. Ontem veio parar ao hospital e eles estão todos preocupados. – Alice resumiu sem entrar em detalhes, sobre a real situação da morena.
– Não deu entrada nenhuma Bella amorzinhos. – Edward explicou às filhas.
– Isabella Swan. – John disse tímido.
– Já sei quem é. Ela está bem, queridos. Já esteve a falar comigo e estava preocupada com a Lu e o John dela.
– Mesmo? – Os dois perguntaram com os olhinhos a brilhar.
– Sim. Ela disse que são os tesouros dela e que sente muitas saudades deles, mas eu não a posso deixar ir já embora. – Desculpou-se aos dois anjinhos.
– Porquê? – Louise questionou com um leve biquinho. – Ela não está boazinha?
– Preciso de ter certeza que ela está mesmo bem, pequenina. Para depois ela puder cuidar bem de ti e do teu mano. Pode ser?
– Sim. – Os dois assentiram rapidamente.
– Querem ver a vossa mana?
– Podemos? – Louise perguntou com toda a sua inocência.
– Claro que podes anjinho. Eu levo-vos até lá.
(…)
Na parte da manhã – primeira conversa Edward/Bella
Edward atrasou a sua saída do hospital, para puder ver se Isabella acalmava da parte da manhã e para a tirar da sedagem. Eram cerca de nove horas quando foi até ao quarto para a ver e deparou-se com um belo par de olhos castanhos chocolate a olhar tudo em volta com bastante atenção.
– Bom dia Isabella. – Cumprimentou dos pés da cama da moça.
– Bom dia Dr. – Respondeu ainda meia confusa. – O que se passou?
– Sabe onde está senhorita? –Questionou no seu modo medico para despistar qualquer tipo de anomalia psíquica por causa do trauma ou confusão que ainda sentisse.
– No hospital.
– Sabe porque veio aqui parar?
– Eu... – Bella respirou fundo e forçou-se a lembrar daquilo que se tinha passado para ela estar naquele estado.
– Tem tempo, vá com calma. – Edward olhava com atenção a moça que parecia cada vez mais nervosa, com certeza lembrando-se daquilo porque tinha passado.
– Eu fui quase violada pelo meu namorado, o Jasper, que estava lá em casa salvou-me e depois só me lembro de levar uma facada e de ele dizer que iria chamar a ambulância. – A morena explicou tudo de uma vez.
– A senhorita chegou ao hospital desacordada, com perdas de sangue e muito nervosa. Tivemos de a sedar para a acalmar. Foi feito uma pequena cirurgia para estancar e fechar o corte e os machucados que tem no corpo, que suponho que sejam do aperto do agressor, foram tratados para que não ficassem tão visíveis.
– Quando vou puder ir embora? – Ela não via a hora de sair daquele lugar e ir cuidar dos irmãos que deveriam estar aterrorizados.
– Amanhã, se tudo correr bem. Precisa ficar em observação para se ter certeza que não apanhou nenhuma infeção.
– Eu preciso de ir hoje Doutor. Os meus irmãos não podem ficar sozinhos. – Bella estava cada vez mais agoniada com a situação.
– Não podem ficar com os seus pais? – Questionou olhando bem a ficha da moça, que tinha apenas vinte e três anos, era ainda muito jovem.
– Os meus pais faleceram á dois anos num acidente de automóvel. Eu sou a tutora legal dos dois. Eles não podem ficar sozinhos.
– Calma. O senhor que a acompanhou ao hospital, disse que tomava conta deles. Ele disse que passava aqui hoje, com certeza que a pode ajudar.
– Eu preciso ir embora. – Bella teimou.
– A senhorita tem de ficar em observação, além disso quando for embora não pode fazer grandes esforços nem movimentos muito bruscos por causa dos pontos. Será aconselhada a ficar de repouso nos primeiros dias.
– Não posso doutor. Os meus irmãos precisam de cuidados e eu tenho que o fazer. – A morena já começava a formar as primeiras lagrimas.
– Não pode pedir a alguém que a ajude? Parentes próximos?
– Não tenho ninguém, doutor. Os meus pais eram filhos únicos e quando morreram não ficou mais ninguém. Sou apenas eu e os meus tesourinhos. Eu preciso mesmo cuidar dos dois, ou desta vez a Assistente Social manda-os para uma casa de acolhimento temporária por negligência e abandono. – As lagrimas escorriam pelo rosto da morena, só em pensar em ficar sem os irmãos.
– Eu vou ajudá-la a arranjar uma solução. A minha mãe com certeza não se importa de ajudar a cuidar dos seus irmãos. Eu vou falar com ela.
– Obrigada doutor mas eu não posso lhe pedir isso nem abusar da confiança da sua mãe.
– Fazemos assim. Eu vou acabar a ronda e ver alguns prontuários. Depois eu volto aqui para voltarmos á conversa, até lá pense bem. – Edward pediu saindo do quarto.
(…)
Edward seguiu com os irmãos de Bella pela mão até ao quarto onde ela se encontrava. Depois da conversa dos dois ele ainda não tinha tido tempo de ir ter com ela, mas ainda bem. Agora ela não tinha desculpa, afinal ela conhecia muito bem a Dona Esme. E com certeza que a mãe não se importaria de ajudar a moça, ela sempre falava muito bem da bela morena que cuidava dos irmãos com um verdadeiro afinco e com muita lealdade.
Louise segurava com força a mão de Edward enquanto John olhava tudo á sua volta de forma nervosa. Os dois estavam ansiosos por ver a irmã e ter certeza que ela estava bem.
– Eu vou entrar para falar com ela e depois vocês entram para a surpreender. Pode ser? – Edward questionou sentando os dois numas cadeiras ao lado do quarto.
– Sim. – Os pequenos assentiram.
Edward entrou no quarto onde Bella assistia um programa de televisão distraída.
– Olá Isabella! – Cumprimentou tirando-a do seu estado de torpor.
– Doutor, não o ouvi entrar. – Bella olhou surpreendida para ele.
– Estava distraída com a televisão. Mas vim até aqui para saber se já pensou naquilo do que falamos á pouco.
– Sim já pensei. E não posso aceitar. Eu vou falar com alguém para que me ajude. Não posso pedir assim a uma pessoa desconhecida, que fique com o encargo de tomar conta dos meus irmãos. – Bella suspirou. Ela sabia que precisava de ajuda mas não deixaria alguém ter o trabalho que lhe competia a ela e nem ficaria descansada em saber que eles estavam longe. Poderia pedir a Jasper ou quem sabe Rosalie que chegava em breve.
– Lamento dizer-lhe. Mas vai ter mesmo de aceitar. – Edward brincou. – Acabei de descobrir que a Dona Esme é alguém que você conhece bem.
– Esme? – Bella repetiu confusa. Só se lembrava da mãe da Alice, a doce senhora.
– Sim, avó da Caroline e da Sophia. – Explicou sorrindo.
– Eu sei. Mas o que ela tem a ver? – A morena já não entendia nada.
– Ela é minha mãe. Eu sou o pai da Sophia e da Caroline. E quando lhe contei ela disponibilizou-se a ficar com os seus irmãos. – A verdade é que ele não tinha falado diretamente mas tinha deixado no ar a Alice que Bella iria precisar de ajuda. Com certeza a mãe não iria negar.
– Doutor, eu não posso pedir isso á Esme. Ela trabalha. Precisa de cuidar dos projetos dela.
– Para começar pode tratar-me por tu e o meu nome é Edward. E depois a minha mãe trabalha principalmente em casa. E quase sempre fica com as minhas filhas e isso nunca foi impeditivo. São só mais duas crianças.
– Não sei dou… Edward. – Corrigiu-se quando viu a careta dele.
– Eu tenho visitas para ti e depois falamos.
– Visitas? – Questionou confusa.
– Sim. – Edward abriu a porta aos dois pequenos que aguardavam ansiosos pelo chamado dele. – Podem entrar.
– Bella! – Os dois chamaram entrando no quarto e indo de encontro á cama dela.
– Oh meus amores. – Bella sorriu entre lagrimas. – Quem vos trouxe?
– A Allie e a Esme. – John explicou subindo na cama para puder beijar a irmã.
– Não chego. – Lu queixou-se quando tentou subir na cama, do outro lado e não teve sucesso.
– Eu, ajudou-te pequena. – Edward com cuidado pegou na menina ao colo e sentou-a ao lado da irmã.
– Obrigada. – Agradeceu enchendo o rosto da irmã de beijos.
– Vou até lá fora buscar o resto das pessoas então. Até já.
Enquanto Edward foi ter com a irmã, a mãe e a filhas para as levar até ao quarto de Bella, a morena descansava os irmãos que estava mesmo bem.
– Bella, estás mesmo bem? – John perguntou olhando a irmã.
– Estou, meu amor. É apenas um corte que precisa de descanso. Não posso fazer esforços nos próximos dias. Por isso vou ter de pedir a alguém para ficar convosco.
– Nós portamo-nos bem Bella. Mas não quero ir para aquele sítio feio. – Lu já chorava quando Esme entrou no quarto com as netas.
Lu sabia como era estar numa Casa de Acolhimento Temporário (CAT) uma vez que logo após a morte dos pais, os dois irmãos tinham ido para lá. Mas Bella logo tratou de os retirar alegando que tinha mais que competências de cuidar dos dois. Foram apenas dois dias mas as memórias ficaram vividas na cabeça da menina.
– Que se passa? – Esme perguntou olhando os dois meninos chorosos agarrados á irmã que também deixava as primeiras lagrimas cair.
– Estava a dizer-lhes que nos próximos dias não terei como tomar conta deles. O seu filho disse que teria de estar em repouso absoluto e eles não querem ir, novamente, para o CAT.
– Mas é que nem pensar. Vocês ficam lá em casa. Tu não podes fazer esforços e eles precisam de apoio. Eu vou ter todo o gosto de os receber lá.
– Mas… - Bella ainda tentou contrapor mas foi logo calada por Esme.
– Nem penses Bella. – Esme cortou. – Não vou deixar que fiques sozinha em casa a fazer esforços nem vou deixar as crianças irem para o CAT. Se eu te posso ajudar, eu vou fazê-lo e nem quero ouvir nenhum mas.
– Obrigada. – Bella agradeceu emocionada.
Esme estava a ser um anjo na vida dela. Depois da morte dos pais, não tinha mais ninguém a quem pudesse se socorrer em emergências como esta. Saídas á noite com amigos, jantares, namorar á vontade. Tudo isto tinha acabado quando tomou conta dos irmãos. Não que ela se queixasse. Pelo contrário. Mas era sempre bom saber que havia uma alma caridosa para a ajudar. Sem essa ajuda ela estaria encrencada.
– Bella. – Sophia e Caroline chamaram ao tentar subir na cama dela.
– Olá minhas lindas. – Bella beijou as duas quando Esme as pegou para elas chegarem á cama.
– O papai cuidou bem de ti? – Sophia questionou com as mãozinhas na cintura quando Edward entrou no quarto já sem o jaleco.
– Cuidou minha linda. Só não me deixa sair daqui.
– Papai. – Sophia reclamou.
– Não posso princesa. A Isabella precisa de ficar aqui até amanhã, pelo menos, para termos a certeza que ela está bem. – Edward explicou á filha que o continuava a olhar de forma zangada.
– Mas vais embora, para brincar comigo e com a Carol. – Teimou bicuda.
– Eu peço á Jane para ficar com a Isabella. Pode ser?
Jane é uma enfermeira do hospital em que Edward confia muito. Foram colegas na universidade e ela á uma super amiga, juntamente com o marido Alec. As meninas também a adoravam e por isso a ideia de ser ela a cuidar de Isabella.
– Sim. Eu gosto da Jane. Ela é boazinha Bella. – A pequena sorriu para o pai e saiu em disparada pela porta.
– Sophia. – Chamou quando a viu sair em disparada. – Onde vais?
– Vou buscar a Jane, oras. – Respondeu seguindo pelo corredor com o pai atras.
– Mas… – Ele não conseguiu terminar que Jane apareceu á sua frente.
– Sophia! Que estás aqui a fazer? – Questionou beijando a bochecha da menina.
– Quero que vejas a Bella, por favor. Não a deixes sozinha. – Pediu no colo dela, brincando com os cabelos loiros presos no alto da cabeça.
– Bella? – Perguntou olhando Edward.
– Isabella Swan, que entrou ontem á noite com uma faca no abdómen.
– Já sei quem é. Conheças a rapariga, é?
– Ela é irmã dos amiguinhos de escola da Sophia e da Carol. E amiga da minha mãe. Mas eu nem sabia quem era a moça. – Explicou-se.
– E o que queres que eu faça Sophia? – Jane perguntou indo para o quarto da moça, com a menina ao colo.
– Como o papai vai embora, para brincar comigo e com a Carol, podes por favor ficar com a Bella? – Pediu com o seu sorriso mais fofo.
– Posso sim querida. Eu vou fazer-lhe companhia, quando fores embora.
– Obrigada. – Agradeceu feliz.
– Bom dia! – Jane cumprimentou com um sorriso Bella e o restante pessoal do quarto.
– Bom dia, enfermeira. – Bella sorriu para Sophia que trazia a moça pela mão.
– Então, uma certa menina, disse-me que uma paciente precisava de companhia enquanto que o papai dela ia embora.
– Oh Sophia, não era preciso, amorzinho. Mas não era preciso.
– Sim Bella. Não podes ficar sozinha. A Lu vai brincar comigo e o John com a Carol. Tens de ficar com alguém.
Dentro do quarto só se ouviam risadas silenciosas dos adultos do raciocínio da pequena menina.
– Eu fico com ela, Sophia. Podes ir descansa. Eu e a senhorita Isabella vamos ter um dia muito divertido. – Jane piscou a Bella que apenas ria.
– Cuida bem dela, por favor. – Sophia pediu. – Ela tem de cuidar da Lu e do Jonh.
–Não te preocupes querida. Podes ir á vontade. – Jane tranquilizou-a. – Vai brincar com o teu papai e com os amiguinhos.
– Está bem. – A pequena assentiu. – Bella porta-te muito bem para ficares boazinha.
– Está bem amorzinho. Eu vou ficar boazinha para depois irmos ao parque brincar.
Caroline, Sophia, Louise e John despediram-se de Bella com imenso beijos e pedidos para ela ficar logo bem para irem ao parque. Esme e Alice despediram-se com um beijo e a promessa de cuidar bem dos irmãos.
– O Jasper passa aqui na parte da tarde, ele tinha uma reunião. – Alice lembrou-se de dizer antes de sair.
– Obrigada Alice.
– Jane, a Isabella não pode fazer qualquer tipo de esforço. Pode comer o almoço normal e acho que é tudo. – Recomendou Edward antes de sair.
– Sim senhor Doutor Cullen. – Jane brincou. – Vai Edward que eu cuido dela.
– As melhoras Bella. E os teus irmãos estão bem entregues. Eles tem algum tipo de alergia ou assim? – Lembrou de perguntar.
– Não. Podem comer de tudo. Não tem alergias a nada. A Lu tem crises de asma, por vezes, mas a bomba está em casa. – Bella disse. – Mas eu não tenho as chaves comigo. Talvez a Alice. Pede-lhe, que a Lu sabe onde está.
– Não te preocupes. Sabes o nome da bomba?
– Ventilan. – Respondeu Bella pensando bem no nome da bomba que sempre acompanhava a irmã.
– Ok. Eu prescrevo e levanto a receita. Fica comigo caso seja necessário. Podes estar descansa.
– Obrigada uma vez mais Edward.
– Não tens de quê Bella. Descansa um pouco que estão bem entregues os teus tesourinhos.
Depois de todos saírem Bella e Jane aproveitaram para se apresentarem oficialmente e conversaram um pouco. A morena achou a enfermeira muito divertida e passaram umas boas horas juntas. Quando era altura de rondas Bella aproveitava para ver televisão e na hora de almoço as duas comeram no quarto de Bella entre risadas. Sophia tinha conseguido o que queria, que Bella tivesse companhia e que estivesse feliz.
