N/A: Vocês ainda lembram deles? Matt, Lizzie, Faith, Harry, Jimmy e Anne? Nem sei quem ainda ler isso aqui, mas tenho vários capítulos feitos dessa história, então, se ainda existir alguém aí fora interessado, me avisem. E eu continuarei postando.

Tradução do nome do capítulo: Sempre melhor quando estamos juntos.


Making Memory of Us

Capítulo Quatro: Always better when we are together.

Ele secretamente adorava esses momentos, quando o sinal da escola anunciava o fim das aulas e um fluxo caótico e enorme de crianças surgia quase do nada e avançava incansável para a saída, para a direção dele, parado com os braços cruzados e um sorriso no rosto, suas costas apoiadas no carro. Acontecia sempre a mesma coisa: Faith surgia, pequena, com seus cachos saindo por todos os lados da cabeça, e ao avistá-lo, corria até despreocupadamente se jogar nos braços do pai, uma gargalhada doce e infantil escapando-lhe pela garganta. Ela não se importava de já estar nos seus sete anos, ficar nos braços dele era o melhor conforto após um longo dia na escola. Tony a erguia, apertava-a e plantava um delicado beijo na sua face, recolocando-a no chão e ajeitando seus cachos. Logo atrás dela, sua filha do meio e seu primogênito sempre caminhavam juntos. O garoto levando a bolsa dela em um ombro, enquanto o outro braço usualmente estava pelos ombros da garota, mantendo-a protetoramente perto. Os dois sempre se aproximavam sorrindo, ou pela cena da irmã caçula, ou engajados em alguma conversa particular.

Naquele dia, ao recolocar Faith no chão e avistá-los andando, Tony sabia que algo havia acontecido entre eles. Lizzie andava com a cabeça baixa, a bolsa nos seus ombros e as mãos apertadas nas alças dela. Matt estava a uma considerável distância, o olhar focado a sua frente e o rosto fechado, tenso. Eles não se falavam, e para quem não os conhecia – ou não conseguia notar a clara semelhança física entre eles – teria certeza que nem sequer eram amigos.

"Oi, pai." – O mais velho cumprimentou-o, sem entusiasmo, e antes de receber uma resposta, entrou no banco de passageiro e fechou a porta.
Lizzie passou direto por ele, abriu a porta de trás e acomodou-se no banco, os braços cruzados e uma certa expressão de impaciência em seu rosto. Tony considerou mandá-la sair e conversar com ela, mas decidiu-se pelo contrário, o portão de saída não sendo o local mais adequado para qualquer conversa que teria com a filha.

Dez minutos depois, ele parou o carro na garagem de casa, e esperou. Matt saiu, apressado, a bolsa jogada no ombro sem preocupação e praticamente marchou para dentro de casa, sem dar uma palavra. Lizzie o seguiu logo depois e ao olhar pelo retrovisor, buscando a sua caçula, encontrou-a com o cenho franzido, a cópia de Michelle.

"Qual o problema deles?" – Ela perguntou, sua cabeça balançando em um sinal de desaprovação.

"Eu esperava que você pudesse me dizer algo, filha."

"Não sei de nada, papai. Sinto muito." – Ela sorriu triste, e se colocou no espaço do meio do carro, inclinando-se em seguida para dar um beijo na bochecha dele.

"Tudo bem, querida. Vou conversar com seus irmãos em um minuto."

"Ok." – A pequena abriu a porta e saiu, fazendo o mesmo caminho que os dois irmãos fizeram minutos atrás.

Após ver a porta de casa batendo, Tony retirou o cinto, abriu o celular e apertou a tecla número um de discagem rápida.

"Dessler."

"Hey, Michelle." – Ele respirou fundo, e ao ouvir a voz dela novamente, agora preocupada, desejou ter se controlado.

"Qual o problema, querido?"

"Você pode me cobrir aí na CTU por mais alguns minutos?"

"Por que? O que aconteceu?"

"Matt e Lizzie. Eles brigaram e não estão se falando. Quero saber o que aconteceu antes de voltar ao trabalho."

Michelle não conseguiu conter o sorriso que apareceu em seus lábios, mesmo com a notícia não sendo das melhores. Ela não cansava de admirar o pai que ele era, e o homem com quem havia se casado.

"Leve o tempo que precisar, meu amor. Não está acontecendo muita coisa por aqui. Se precisarmos de você, eu ligarei."

"Obrigado, Chelle."

"Vá cuidar dos nossos filhos." – Ele se permitiu sorrir, e suspirou mais uma vez, agora desejando que ela estivesse ali ao lado dele.

"Sempre."

"Vejo você mais tarde."

***

"Lizzie?" – Ele bateu de leve na porta do quarto dela, e pela segunda vez, não obteve resposta. – "Lizzie, querida, abra a porta."

"Está aberta." – Ele ouviu uma voz fraca replicar, e girou a maçaneta, entrando no cômodo e fixando seus olhos diretamente nela, sentada no meio da cama com o telefone nas mãos. – "Posso passar a noite na casa de tia Chloe?" – Com uma das mãos, ela chacoalhou o telefone, mostrando-o para o pai. Seus olhos fitavam seu colo.

"É a final do campeonato nacional de beisebol hoje à noite, Lizzie. Você vai perder o jogo em que o Cubs será novamente campeão?"

"Que diferença faz eu estar aqui?" – Sua voz estava embargada, e ele sabia que se pudesse encará-la, encontraria lágrimas querendo escapar dos olhos dela. – "Sim, eu vou perder o maldito jogo."

"Lizzie." – Tony avançou o mais rápido que conseguiu até ela, sentando-se a poucos centímetros da garota. Como reação, ela se afastou. – "O que aconteceu hoje na escola?"

"Não aconteceu nada hoje na escola." – Aquele comportamento, agressivo e superficial, só serviu para preocupá-lo ainda mais. Esticando um braço, Tony alcançou uma mão dela, ainda pequena em seus nove anos, e prendeu-a na sua. Ela tentou se soltar, mas sua força não era o suficiente.

"Lizzie, fale comigo. Eu sou seu pai e nós dois juntos podemos resolver seja lá qual for o problema."

"Esqueça." – Pela segunda vez, ela tentou se afastar, mas sua mão segura nas de Tony a impediu.

"Lizzie, olhe pra mim. Por favor." – Ele quase implorou, e ela imediatamente olhou, uma lágrima descendo pelo seu rosto. – "Foi o seu irmão?" – Ela assentiu, confirmando as suspeitas dele. – "O que ele fez ou falou?"

"Ele..." – Lizzie engoliu em seco, limpando a garganta. – "Ele falou que hoje só os garotos iam assistir ao jogo e que garotas não eram permitidas."

"Isso não é verdade, querida."

"Eu sei, e falei a ele. Mas Matt insistiu que era verdade e que eu não iria assistir o jogo com vocês. Eu disse que você ia confirmar que era mentira e que me deixaria ver o jogo. Ele riu e falou que claro que você ia, mas que só me deixa assistir os jogos porque eu jogo beisebol na escola, mas na verdade, também não gostava de garotas na sala." – Ela chorava de verdade agora, as lágrimas ensopando seu pequeno rosto.

"Seu irmão mentiu para você, Lizzie." – Tony falou sério, e sabia que seu desapontamento com o filho apareceria em sua voz. Em seu rosto. – "Venha cá, minha princesa." – Foi preciso apenas ele esticar os braços para pegá-la que a garota se lançou para ele, seus braços em volta do pescoço dele e sua cabeça no ombro. Tony a ajeitou no seu colo, posicionando-a mais confortavelmente e a abraçou. – "Eu quero você aqui na hora do jogo, Lizzie. E não é porque você joga beisebol, esse é o seu motivo, por você jogar e gostar, para assistir. O meu motivo para querer que você assista é que," – Ele levantou o rosto dela para fitá-la, e sorriu, abaixando seu tom de voz para um que indicava que o que ele falaria, seria um segredo entre eles. – "Eu amo o fato de ter uma filha louca por esportes, Lizzie. E uma que é a melhor no que ela joga. E claro," – Ele se sentiu mais aliviado ao ver um pequeno sorriso se abrindo no rosto dela, o sorriso que Michelle jurava ser igual ao dele. – "Uma das melhores coisas na minha vida são meus filhos, são vocês, Lizzie. E qualquer tempo que eu passo ao lado de vocês, com vocês, fazendo seja lá o que for, é inesquecível. E único. Agora imagine se esse momento é a final do campeonato de beisebol, com o Cubs jogando e você de um lado e seu irmão do outro?" – Ele fez cócegas nela, ganhando uma gargalhada em retorno. – "Sem você o momento não seria completo, Lizzie." – Ela ficou séria, entendendo as palavras dele e antes de responder, deu um demorado beijo na bochecha do pai.

"Obrigada, pai." – Ele repetiu as cócegas, e ela a risada, sendo liberada do abraço e sentando-se de volta na cama. – "Não vou precisar mais disso."

"Não vai." – Tony sorriu para ela, pegando o telefone que ela o oferecia e levando-o consigo quando saiu do quarto.
"Matt?" – Ele bateu quatro vezes até entrar, mesmo sem permissão, e encontrar o filho de doze anos esparramado na cama, um travesseiro cobrindo sua cabeça. – "Nós precisamos conversar."

"Pode ser depois que você voltar do trabalho?" – O som saiu abafado, mas Tony foi capaz de distinguir as palavras.

"Não. Agora, Matthew."

O pré-adolescente vagarosamente achou uma posição sentada, e colocou o travesseiro no seu colo, apertando-o pela ansiedade que sentia. Sabia que estava em apuros e a voz dura do pai fora a prova final.

"Por que você mentiu para sua irmã daquela forma? Me explique isso." – Tony fechou a porta e encostou-se nela, seu rosto mais sério do que Matt jamais vira. Ele desviou os olhos do pai, focando-o na sua mão em cima do travesseiro.

"Eu não sei."

"Tem que haver um motivo, Matthew. E eu quero esse motivo."

"Porque eu sou um idiota. Esse é o motivo." – Ele baixou o volume da sua voz a medida que disse a frase e Tony involuntariamente deu um passo na direção da cama.

"Esse não é um motivo válido."

"Pai... Eu..." – Em um movimento rápido, ele estava de pé, andando ao lado da sua cama sem saber explicar a sua atitude mais cedo. – "Eu sinceramente não sei o que deu em mim. Estava tendo um péssimo dia. O idiota do Kevin me culpou pela nossa última derrota no campeonato, e falou que ele deveria se tornar o capitão ao invés de mim. Harry me parou antes que eu pudesse fazer uma besteira. E depois, fiz uma prova de ciências terrível, porque estava com a cabeça quente. No intervalo, Lizzie chegou pulando nas minhas costas, e bateu com o pé dela no meu estômago, sem querer, claro." – Ele parou para tomar fôlego. – "E então eu a coloquei no chão, reclamando que ela devia me dar um espaço para respirar, pelo menos no intervalo. Antes que eu pudesse perceber o que estava fazendo, citei o jogo de hoje e em como ela fazia questão de estar presente, só porque ela queria fazer parte de tudo que eu faço. E que eu não gosto dela nos momentos de menino e que nem você gosta." – Ele balançou a cabeça, desapontado com ele mesmo e soltou um sorriso cansado. – "O que são duas enormes mentiras. Eu amo minha irmã, pai. Me sinto um garoto sortudo de ter uma verdadeira amizade com ela, o que não acontece entre muitos irmãos. Não me importo de dividir meus amigos com ela. Nem de ter ela ao meu lado o tempo todo. Mas hoje, eu não queria ninguém. E ela apareceu. Eu precisava gritar com alguém. E ela apareceu." – Ele finalmente levantou seus olhos e encarou o pai, envergonhado. – "Eu sinto muito ter mentido."

"Você não pode mais agir assim, Matt." – Tony suavizou sua expressão e parou em frente a ele. – "Sua irmã não tem culpa dos seus problemas, nem ninguém tem. É errado descontar nas pessoas se temos um péssimo dia."

"Eu sei. Me desculpe."

"Não é a mim que você tem que pedir desculpas, filho. É a sua irmã."

"Eu vou."

"Espere." – Matt parou bem ao lado dele e esperou. – "Deixe esse pensamento machista de lado também, ok? Esportes não são apenas para meninos. Sua irmã é maior prova disso."

"Deixarei. Desculpe por mentir, pai." – Ele repetiu, e Tony puxou o garoto para um abraço apertado e demorado.

"Apenas não repita." – O garoto assentiu, e Tony bagunçou os cabelos pretos dele. – "E Matt, o seu time vai voltar a ganhar. É só uma fase. E você é o melhor capitão para liderar nessa crise que poderiam ter. Se Kevin não confia em você, quem deve sair do time é ele. Eu confio em você."

Matt sorriu, pela primeira vez naquele dia, com as palavras do pai.

"Obrigado, pai."

"Vá se acertar com sua irmã."

***

Ela sempre achou meio anormal esse seu jeito: observar um pequeno gesto, feito por alguém, e que talvez apenas para ela continha algum significado, e tornar isso um hábito. Todas as noites de jogos do Cubs, fosse na casa deles ou na casa de um dos seus amigos, ela arrumava um jeito de se ocultar e ter a liberdade de ver a interação que ocorria bem em frente aos seus olhos. Há quatro anos, a forma como Jack cuidava de seus netos, fascinava-a.

Naquela noite, e mais especificamente, naquela final, ela deixou Chloe no jardim com Anne e Faith com a desculpa que iria pegar mais refrigerante e pipoca, e ao chegar na cozinha, apoiou seus cotovelos na bancada e fixou seus olhos nos integrantes da sala.

Tony segurava Lizzie sentada em uma de suas pernas e a garota gesticulava e falava incansavelmente. Com o pai, era sempre assim, conversas constantes, até mais do que com a própria mãe. Não que ela se importasse, sabia que a filha a amava na mesma intensidade e viria até ela sempre que precisasse. O relacionamento dela com o pai, diferente do que muitas garotas tinham com a figura masculina da casa, era um dos motivos que invariavelmente faziam os olhos dela brilharem. Ao lado deles, Matt e Harry ocupavam os dois últimos lugares do estofado. Eles também estavam perdidos em algum tipo de conversa, a pipoca e os copos de refrigerantes há tempo esquecidos.

Por fim, seus olhos os encontraram, sentados no chão e com três sorrisos idênticos nos rostos. Quando eles nasceram, todos se impressionaram com a semelhança entre os gêmeos e o avô. Os mesmos olhos azuis, os mesmos sorrisos que pareciam quase sempre tímidos, os mesmos cabelos loiros. E ficou claro para todos que Jack Bauer estava apaixonado pelos netos desde do momento em que os colocou em seus braços.

"Quem vai vencer? Quem vai vencer? Quem vai vencer? Digam para o vovô!" – Ela ouviu Jack dizer, e segurou a risada que gostaria de soltar.

"Cubs! Cubs! Cubs!" – Os dois gritaram em coro, e se levantaram, pulando para cima e para baixo em frente à televisão. Tony e Lizzie, assim como Matt e Harry, pararam seus diálogos e gargalharam, suas atenções todas nas duas crianças.

"Esses são os meus garotos!"

Dois segundos depois, Jack estava soterrado pelos dois, e recebendo cócegas – um ponto fraco revelado por Chloe a eles que a garantiu dois deliciosos beijos no rosto.

"Luke! Oliver!" – O loiro gritou, fingindo estar morrendo sob o ataque das quatro mãozinhas.

Luke e Oliver. Kim havia escolhido um nome – Luke, em homenagem ao pai de Teri – e Eric o outro, em homenagem ao seu pai, falecido quando ele era apenas uma criança. Dois nomes que Michelle havia aprovado desde da primeira vez que escutara.

"Você ama observá-los, huh?" – Ela quase pulou de susto ao escutar a voz de Chloe vindo de algum ponto nas suas costas.

"Você sabe que susto mata, certo?" – Havia uma ponta de irritação no seu tom que fez a analista sorrir ainda mais.

"Estou ciente disso." – Replicou, e apoiou-se no balcão do mesmo jeito que a amiga. – "Olhe para eles." – Ela sorriu, seus olhos brilhando ao ver o seu marido perdido embaixo de duas crianças, e naquele exato momento, de mais duas, já que Matt e Harry decidiram unir forças com os gêmeos. Michelle gargalhou, não podendo mais conter seu entusiasmo, e ao ouvi-la, Tony imediatamente virou seu rosto para encontrá-la. Ele franziu o cenho, perguntando-as em palavras o que ela estava fazendo ali. Ela deu de ombros, e seguiu a filha com os olhos, que também entrou na diversão.

"Jack disse que eu ainda ia pagar por ter revelado esse ponto fraco aos nossos netos."

Michelle a fitou, um largo sorriso em seu rosto, não pelo significado da frase, mas pelas duas últimas palavras. Nossos netos. Era indescritível ouvi-la dirigir-se a Luke e Oliver daquele jeito. Um jeito que Kim a garantiu que era o que ela desejava. "Papai é o avô e você, Chloe, será a avó deles." Aquele momento, em um dos fins de semanas de encontro e quando Kim estava com quase 9 meses, estava gravado na mente de Michelle. A forma como a futura mãe praticamente sussurrou as palavras, esperando que Chloe entendesse o que ser a avó dos gêmeos significaria para ela. Para elas. E mais ainda, para Jack. E a forma como Chloe se deixou emocionar, seus olhos brilhando tanto quanto qualquer estrela no céu aquela noite.

"Eu aposto que você vai pagar, Chloe." – Michelle finalmente replicou, assustando-se pela segunda vez quando Tony passou seus braços pela cintura dela e a puxou para si.

"Você e sua mania de nos espionar." – Ele falou direto no ouvido dela, e Michelle precisou de todo seu auto-controle para não fechar os olhos e tremer. Ela deu de ombros, pela segunda vez, e ganhou um beijo no pescoço em troca. Sem que percebessem, Chloe se retirou, levando consigo a pipoca e o refrigerante prometido pela amiga minutos atrás. – "Você não quer se juntar a nós? Podemos dar um jeito de deixar a Faith entretida." – Michelle riu suavemente, girando nos braços dele e invadindo os olhos dele com os seus.

"Boa tentativa, Almeida." – Ele franziu o cenho, apertando seus braços ao redor dela e esperando por uma explicação. – "Você não vai me fazer assistir a um jogo do seu amado time. Nem mesmo uma final."

"Então você sabe que é a final?" – Ele provocou, roubando um selinho dela.

"Você sabe que eu sou uma mulher esperta, Almeida."

"Yeah. Minha mulher esperta, Sra. Almeida." – Ela pressionou-se a ele, como se o jeito que ele a chamara, o jeito que ele sabia que ela amava, a fizesse desejá-lo mais perto. Mais intensamente. Ele riu. – "Você gosta, não gosta?" – Seus lábios se aproximaram dos dela, poucos milímetros separando-os.

"Gosto de quê?" - Ela se fez de desentendida, entrando no jogo dele.

"De quando eu chamo você de Almeida." – Sem que ela previsse, ele rapidamente lambeu o lábio inferior dela, afastando-se mais rápido ainda.

"Tony." – Ela o alertou, olhando pela sua visão periférica e garantindo que as crianças continuavam entretidas com Jack. – "E eu não sei do que você está falando."

"Admita, Michelle." – Ela sorriu, quase convencida.

"Não tenho nada para admitir, Tony."

"Me diga o quanto você ama quando eu a chamo de Almeida. Minha Almeida."

"Eu não," – Ele encostou os lábios nos dela, não impedindo-a de falar, mas conseguindo exatamente esse efeito.

"O que você estava dizendo, querida?"

"Eu..." – Ele repetiu o movimento com a língua, calando-a pela segunda vez.

"Desaprendeu a falar, Michelle? Achei que você era minha mulher esperta."

"Eu sou esperta." – Ele riu, e ela fechou os olhos, incapaz de encará-lo por mais um segundo sem ceder a sua vontade de empurrá-lo contra a geladeira. – "E você sabe exatamente do quanto eu gosto quando se referem a mim com seu sobrenome." – Completou, e sabia que suas bochechas estavam ruborizadas.

"Eu sei." – Ele falou suavemente, envolvendo-a em um abraço.

A chamada para o jogo, sempre a mesma música e o motivo pelo qual Luke e Oliver libertaram Jack e voltaram a pular para cima e para baixo, obrigou Tony a soltá-la.

"O jogo vai começar." – Ela riu da importância dada por ele a um jogo – e ela não o julgava por isso, tendo ela mesma seus próprios vícios – e do nervosismo que ele emanava, sua ansiedade pelo jogo decisivo quase tangível.

"Às vezes eu acho que você ama mais o Cubs do que a mim."

"Eu sempre soube que você era esperta, Michelle." – Ela o lançou um olhar falsamente indignado, e ele correu, uma risada escapando-lhe da garganta, saindo do alcance do tapa dela. Balançando a cabeça, também rindo, ela voltou até o jardim. No fim daquela noite, fora lá que todos se reuniram. E ali, ela juntou-se a eles na festa em comemoração a mais um campeonato conquistado pelo Chicago Cubs. Aos seus olhos, e a luz dos fogos de artifício, homens, mulheres e crianças, viveram uma das noites mais felizes de suas vidas.