Mycroft Holmes se considerava um homem inteligente. "Brilhantemente acima da média", eram as palavras de seus colegas de trabalho. Ele se gabava de conseguir analisar todos os possíveis finais para uma determinada situação, uma vez que lhe fossem providos os dados necessários; e ele era absurdamente bom no que fazia.
Mas ele definitivamente não tinha previsto este final para esta situação em específico.
- Desculpe, o quê? – ele perguntou, sentindo-se como se tivesse sido atingido por um raio.
- Eu passei vinte anos assombrado pela lembrança daquela noite, Mycroft. – Greg respondeu, com a voz terna – E você também não esqueceu, se essa corrente no seu pescoço diz alguma coisa. E agora que essa coincidência absurda fez nós nos encontrarmos... bom, parece bobagem não tentar continuar de onde paramos.
O sorriso de Gregory ainda era tão belo quanto ele lembrava, curvando os lábios cheios de uma maneira juvenil, fazendo-o parecer de novo aquele garoto que Mycroft conhecera, a despeito do cabelo prateado e do rosto maltratado pelos anos. O político não precisou pensar muito; depois de duas décadas miseráveis, vivendo exclusivamente para seu trabalho e para seu irmão, ele sentia que a mão do Destino estava lhe oferecendo uma recompensa, na forma de uma segunda chance. Ele sentiu seus próprios lábios curvarem-se em um sorriso – um de seus raros sorrisos verdadeiros, que iluminou seu rosto, fazendo os olhos azuis faiscarem.
- Eu acho que seria imprudente tentar a boa vontade de qualquer que seja a divindade que arquitetou este encontro. – ele falou, estendendo sua outra mão para Gregory. Os dois ficaram alguns momentos em silêncio, as mãos unidas sobre a mesa, até que o telefone de Gregory tocou.
- Droga, eu tenho que atender. Com licença. – ele lutou com o casaco antes de conseguir achar o telefone e atendeu com um laivo de impaciência mal contida na voz. – Lestrade. – ele ouviu por um instante, e saltou da cadeira, quase derrubando a mesa no processo. Mycroft encarou-o com a sobrancelha erguida, adivinhando quem estava do outro lado da linha. – Você não ouse se mexer, seu cretino! Estou indo para aí agora, e vou chamar reforços no caminho. FIQUE. PARADO! – ele desligou o telefone e vestiu o casaco com pressa – Seu irmão encontrou o culpado; ou ao menos é o que ele afirma. Só que o idiota foi sozinho procurar o cara. Eu tenho que ir antes que ele faça alguma besteira. – Mycroft ergueu-se e acompanhou Greg até a porta do café.
- Por favor, se houver algo que eu possa fazer... talvez trancar Sherlock em uma torre até que algum pobre coitado o liberte, subindo pelos cabelos dele? – o policial riu, balançando a cabeça. Um carro preto estacionou em frente a eles, e Mycroft sinalizou para Greg. – Use o meu carro, você vai chegar mais rápido, e quem sabe salvar o idiota do meu irmão de levar uma bala na cabeça. – ele deu um passo à frente e, hesitando um segundo, depositou um beijo leve nos lábios de Greg, entregando-lhe um cartão. – Me ligue assim que puder. – Greg deu um sorriso bobo e assentiu, entrando no carro. Mycroft bateu a porta e sinalizou para seu motorista, que arrancou em alta velocidade. Ele sacou o celular e ligou para sua assistente. – Anthea? Mande outro carro para a minha atual localização, aumente a vigilância em Sherlock e inclua o Detetive Sargento Lestrade nela. Sim, relatórios diários. Com imagens. – ele falou, com um sorriso pequeno.
O.o.O
Dois dias, algumas contusões e arranhões, toneladas de relatórios e um Sherlock muito irritado depois, Greg estava sentado em sua sala na Scotland Yard, revirando o cartão de Mycroft em suas mãos. Ele não tocara no assunto com Sherlock, e esperava nunca ter que fazê-lo; o garoto já era suficientemente difícil de se trabalhar como era. Mas Mycroft cumprira parte do que ele pedira, e arrumara um pequeno flat para Sherlock, próximo ao de Greg. O policial só esperava que isso não levasse o garoto a voltar a usar drogas; apesar de que ele juá planejava algumas "visitas" em horários aleatórios, só para ter certeza.
Depois de pensar mais um pouco, Greg tomou coragem e discou o número no cartão, sentindo a ansiedade acumular-se em seu ventre enquanto ouvia os toques do telefone.
- Mycroft Holmes. – a voz era polida e distante. Greg engoliu em seco antes de responder.
- Hey, Mycroft... é Greg.
- Gregory! – a voz mudou radicalmente, adquirindo um tom cálido e que sugeria um sorriso. – Mil perdões, não reconheci o seu número. Como vai? Sherlock deu muito trabalho no encerramento da investigação?
- Não mais do que o normal. – Greg sentiu-se aliviado e relaxou contra o encosto da cadeira. – Obrigado por tê-lo convencido a aceitar o flat, aliás. Meu banheiro agradece. – a risada de Mycroft era baixa e musical, e fazia Greg pensar em manhãs preguiçosas na cama, enroscados sob um cobertor.
- Diga a seu banheiro que o prazer foi meu. E falando em prazer... a que devo este? – Greg respirou fundo, recolhendo todo o resto de ousadia que ainda havia em seu corpo.
- Escute... há algumas coisas que eu queria mostrar para você, e eu estava pensando... você gostaria de jantar comigo esta noite? No meu apartamento? – ele cruzou os dedos sobre a mesa, os olhos fechados.
- Mas é claro, Gregory. – Greg socou o ar, sorrindo largamente. – A que horas seria mais apropriado?
- Hum... oito horas. Você tem meu endereço, eu imagino. – Mycroft riu, levemente.
- Tenho, sim. Vejo você às oito.
- Até mais, Mycroft. – Mycroft desligou o telefone e deixou escapar uma risada, enquanto olhava no laptop as imagens da câmera de vigilância na sala de Gregory, que mostravam o policial dançando na cadeira com um sorriso enorme no rosto.
O.o.O
Maldito Sherlock, que fora embora e deixara seu apartamento em absoluto caos! Greg corria, tentando deixar tudo arrumado antes de tomar um banho e começar a fazer o jantar. Ele saíra correndo da Yard, cobrando de uma só vez as horas extras que acumulara na última semana. Gregson fizera cara feia, e só concordara sob a condição de que, se Sherlock aparecesse em qualquer cena do crime, Greg seria chamado de imediato. Ele só esperava que o crime em Londres tirasse uma noite de folga, e ele pudesse ter um jantar tranquilo com Mycroft.
Depois de arrumar o que era possível da bagunça inominável que era seu apartamento (Greg até controlou-se para não pegar tudo e simplesmente enfiar no quarto; ele não sabia como a noite iria terminar...), ele tomou um banho rápido e vestiu-se com esmero. As compras ainda estavam no balcão da cozinha, e já eram sete e meia da noite quando ele finalmente começou a cozinhar o jantar. Sua mãe lhe ensinara a cozinhar desde muito jovem, e Greg tinha orgulho de suas habilidades na cozinha. Uma salada fresca, a receita especial de Steak au poivre de sua avó, acompanhada de sua própria receita de gratin dauphinois...Se a noite não terminasse bem, não seria por causa da comida, certamente. Ele abriu uma cerveja e foi bebendo enquanto preparava o jantar.
Às oito horas em ponto, a campainha de seu apartamento tocou. Baixando a temperatura do forno, ele foi atender a porta... e perdeu a capacidade de falar. Mycroft esperava com um sorriso acanhado e um pacote pequeno nas mãos, vestido de maneira muito diferente daquela manhã. Suas roupas estavam perfeitamente ajustadas e passadas como o habitual, mas o terno risca-de-giz fora trocado por uma calça jeans preta, uma camiseta vermelha dos Sex Pistols e um blazer preto de malha, com as mangas dobradas deixando à mostra os antebraços pálidos. Os cabelos emolduravam suavemente o rosto, libertos dos produtos. Pendendo do pescoço, sobre a camisa, estava a corrente com a chave.
Mycroft sentiu todo o sangue abandonar seu rosto e concentrar-se na área da virilha. Gregory estava... delicioso. Ele usava exatamente a mesma roupa de quando eles se conheceram, e parecia ainda mais belo do que antes, se isso era possível. As pernas destacavam-se nos jeans claros, certamente torneadas pelos anos perseguindo na escória de Londres, e a camiseta preta oferecia um belo contrates para o cabelo prateado. Os bíceps destacavam-se maravilhosamente, e Mycroft sentiu um desejo repentino de cravar os dentes naquela extensão de pele dourada. Um longo momento passou-se, até que Mycroft fez o primeiro movimento.
- Eu trouxe a sobremesa. – ele falou, pigarreando em seguida. Sua voz soara fraca e rouca. Para Greg, soara como se ele recém tivesse sido beijado. – Torta alemã de chocolate. – Greg deu um passo para trás e sinalizou para que ele entrasse.
- E o jantar está quase pronto. Você é extremamente pontual. – ele falou, levando Mycroft até a cozinha. – O lugar é pequeno, como você pode ver. Espero que não se importe de comer na cozinha. – o político largou o pacote sobre o balcão da pia e encostou-se, apoiando as mãos na bancada.
- Fico contente de ver que meu irmão não destruiu completamente sua casa. – Greg riu e pegou duas taças sobre a mesa, servindo uma pequena quantidade de vinho em cada uma delas. Ao entregar a taça a Mycroft, este roçou-lhe a mão com a ponta dos dedos, sorrindo de lado. – Obrigado, Gregory.
- Não é nada muito sofisticado. – Greg desculpou-se – O salário da polícia não me permite muitas extravagâncias.
- Tenho certeza que é perfeitamente adequado. – Mycroft respondeu, graciosamente. Ele tomou um gole do vinho e encarou Greg, com a cabeça inclinada – Confesso que estou ardendo de curiosidade quanto às coisas que você declarou ter para me mostrar. É um traço terrível da minha personalidade; não suporto ficar na ignorância de algo. – Greg riu de leve, terminando seu vinho e indo checar o forno.
- Sua curiosidade vai ter que esperar, Mycroft. O jantar está pronto. Mycroft permaneceu em silêncio, observando Gregory tirar as travessas do forno, enchendo a cozinha com o aroma delicioso da carne, buscar a salada na geladeira e arrumar os pratos com habilidade. Quando terminou de servir, Greg puxou uma cadeira e fez sinal para Mycroft, que sorriu.
- Que galante de sua parte, Detetive Sargento. – ele sentou-se com elegância, e Greg permaneceu em pé ao seu lado. Mycroft ergueu o rosto interrogativamente.
- Eu tinha um objetivo oculto - Greg falou, sorrindo de lado. Ele curvou-se e beijou Mycroft, um beijo suave e casto. – Não ia aguentar até o fim do jantar. – o político sentiu as faces queimarem e um sorriso tolo tomar-lhe os lábios.
- Um homem cheio de surpresas, eu vejo. – Mycroft falou, baixando os olhos. Gregory sentou-se diante dele e serviu-lhes mais vinho – Isso parece ótimo, Gregory. Digno dos melhores chefs.
- Uma receita de família. Espero que você goste de pimenta. – o sorriso de Mycroft teria feito o gato de Cheshire ficar constrangido.
- Ah, eu tenho um grande pendor por coisas picantes. A sensação de calor no céu da boca, a ardência na ponta da língua... – ele lambeu os lábios em antecipação, fazendo os jeans de Gregory ainda mais desconfortáveis. – Posso...? – ele gesticulou para o prato, e Greg acordou do transe em que caíra à visão daquela língua rosada.
- Claro, por favor. – Mycroft cortou um pedaço da carne, e os ruídos que ele fez deveriam ser proibidos por lei, pensou Greg. Ele ficou feliz de estarem jantando em seu apartamento, porque certamente aquele gemido seria considerado inapropriado em um restaurante (ou, ao menos, Greg consideraria inapropriado que qualquer outra pessoa que não ele pudesse ouvir aqueles ruídos deliciados).
- C'est délicieux, Gregory. – outro item para a lista de ilegalidades: Mycroft falando francês. Para Greg, aquela era a língua de sua grandmère, uma língua associada a conforto e família. Mas na voz aveludada de Mycroft, ela era como fluido de isqueiro na chama de sua libido.
- Content que tu avez apprécié. – Oh, céus, Gregory falando em francês naquela voz rouca e grave... o calor da pimenta na sua boca não era nada perto do fogo que se espalhava em outras partes do seu corpo ao ouvir aquilo. – Et j'ai heureux de parler avec quelqu'un en français. – Mycroft limpou os lábios delicadamente e tomou um gole de vinho para acalmar o tremor que ele tinha certeza de que estaria presente em sua voz.
- Sherlock parle aussi français. – Greg riu e acenou negativamente.
- Mais je préfère entendre votre voix. – Ele falou, com um sorriso charmoso. – Je tu préfère.
Mycroft corou, parte por embaraço, parte por prazer. Durante boa parte de sua vida, ele se sentira inadequado. Sherlock era considerado o belo; em comparação com o irmão, ele sempre se sentira o proverbial patinho feio. E ouvir que aquele homem, que para ele era a própria personificação de seu ideal de beleza masculina, preferia a ele, fazia maravilhas por sua autoestima.
Eles passaram o restante do jantar conversando amenidades e trocando histórias divertidas sobre seus trabalhos. Mas a tensão entre eles era palpável; o discurso de Mycroft recheava-se de frases de duplo sentido, e Greg passava a maior parte do tempo encarando os lábios finos do político e inconscientemente lambendo os próprios. Quando terminaram de comer, Greg retirou os pratos e pegou dois garfos e a caixa com a torta, fazendo sinal para que Mycroft o seguisse até a sala.
- Sem frescuras para a sobremesa. – ele falou, sentando-se no pequeno sofá e convidando Mycroft a sentar-se junto dele. – Porque, se depender de mim, não sobra nem uma migalha desta torta. – Mycroft riu e acomodou-se, aceitando o garfo que lhe era oferecido.
- Eu não devia comer nem um pedaço depois da refeição pantagruélica que fiz.
- Deixe de bobagem. Não é como se você precisasse estar de dieta ou algo assim. – Mycroft baixou os olhos, constrangido, e Greg parou em meio ao gesto de abrir a caixa. – Você não precisa de dieta, Mycroft.
- Se eu me descuidar, vou ficar...
- Tão lindo como sempre. – foi a resposta de Gregory, em tom de quem encerrava o assunto. – Agora, coma.
Ele ofereceu a caixa a Mycroft, que salivou ante a visão da torta de chocolate. Certamente, ele poderia indulgenciar-se naquela noite, e depois entrar em uma dieta restrita o resto do mês...
- Nem pense nisso. – Greg falou, lendo seus pensamentos com clareza. – Segure isso; vou pegar as coisas que eu queria lhe mostrar.
O policial ergueu-se do sofá e pegou uma caixa de madeira sobre a estante. Tirou de dentro da caixa uma fita VHS (céus, isso ainda existe?, pensou Mycroft) e colocou-a no aparelho de videocassete. Com a caixa e os controles em mãos, ele sentou-se novamente ao lado do outro.
- Como eu falei pra você no outro dia, depois que nós desmanchamos a Midnight Madness, eu fui cantar nesta outra banda, Dead Man's Chest. A namorada do baterista costumava gravar nossos shows. Esta aqui é a nossa última apresentação. – ele ligou a televisão e encostou-se no sofá. Mycroft avançou algumas polegadas, até que os dois estivessem sentados com as coxas tocando-se. A imagem meio granulada de um palco apareceu na tela.
- Pare de mexer a câmera, Lizzie. – uma voz feminina falou fora de quadro. A câmera estabilizou-se e a imagem entrou em foco. – Bem melhor, não?
- Se você derrubar cerveja na minha câmera, eu te mato! – outra voz falou. As luzes diminuíram e gritos começaram a encher o local. – Pronto, vai começar.
Três formas avançaram do fundo do palco, e Mycroft não pôde evitar um sorriso ao ver um jovem Gregory aparecer com exatamente a mesma roupa, mas com a corrente e o cadeado no pescoço, enlaçando a Fender Precision. Os cabelos de Gregory estavam mais curtos do que quando eles haviam se conhecido – possivelmente ele já entrara na Academia na época do show. Ele chegou perto do microfone com seu sorriso característico, e o clube explodiu em gritos e vivas.
- E aí, encrenqueiros! – ele atiçou a multidão com as mãos. – Somos a Dead Man's Chest, e essa noite é uma noite especial. Este é meu último show. – vaias e gritos de discordância fizeram Greg rir antes de continuar. – Esses últimos cinco anos foram geniais, mas é hora de seguir em frente. E eu quero abrir o show com uma música especial para mim. Há cinco anos, neste mesmo clube, eu conheci uma pessoa. – mais gritos debochados, e Greg acenou para que fizessem silêncio. – Eu nunca mais vi ele depois daquela noite, e se alguém aí o conhece, mande avisar: Myc Edwin... onde você está? Eu sou apenas um garoto solitário.
Mycroft tirou os olhos da televisão e olhou para Gregory, que observava o vídeo com um olhar nostálgico. Ele sentiu seu coração inchar dentro do peito. Nunca teria imaginado que Greg ficara tão afetado quanto ele após aquela noite. Os acordes iniciais de Lonely Boy atraíram novamente sua atenção. No vídeo, Greg inclinava-se contra o microfone.
- I'm left in misery... The boy I love's gone across the sea. I'm all alone… I ain't got no home. Myc was his name... Talkin' was his game. He didn't care about me... Oh God, baby can't you see? I'm a lonely boy, I'm a lonely boy, I'm a lonely boy, I'm a lonely boy. – a voz de Greg estava carregada de emoção, enquanto ele pulava no palco ao ritmo da música - I need his tender touch... Oh, I need it oh so much! I can't forget… I'm so upset. I wonder where he's gone... I wonder where he went wrong. I wanna get him back to me... But I think he's tired of me! I'm a lonely boy, I'm a lonely boy, I'm a lonely boy, I'm a lonely boy. – ele enxugou o sour do rosto com a mão, enquanto continuava a cantar, os olhos fechados. - Every time I think of him, It brings back memories. I remember how it used to be... Oh baby, can't you see? Oh baby, come back to me! I'm a lonely boy, I'm a lonely boy, I'm a lonely boy, I'm a lonely boy…
Gregory parou o vídeo e virou-se para Mycroft, que ainda observava a tela, mesmerizado. O político piscou lentamente, soltou a caixa da torta sobre a mesa de centro e voltou-se para ele, com um pequeno sorriso.
- Isso... foi extremamente doce. – ele falou, tomando a mão de Greg na sua. – Eu realmente sinto muito por tudo o que aconteceu. – ele ergueu a mão do policial e beijou-a com delicadeza – Gostaria de poder recuperar esses anos, mas nem eu mesmo tenho este poder. – Greg ergueu a sobrancelha diante da afirmação.
- Não podemos recuperar, Myc, – Greg abraçou Mycroft, encostando a testa na dele – mas temos muito tempo a frente, não é? – os dois sorriram e beijaram-se, delicadamente a princípio, mas logo as mãos de Mycroft encontraram a nuca de Greg, que enlaçou-lhe a cintura, puxando-o contra si, e o beijo tornou-se longo, desesperado e quente. Os lábios de Mycroft eram macios e insistentes, pressionando e abrindo caminho entre os de Greg. O policial sentiu o gosto de pimenta, vinho e chocolate, e o sabor profundo da espera, duas décadas de separação, esperança, desejo contido. As mãos de Mycroft cravaram-se em seus ombros, e ele inclinou-se de modo a fazê-lo deitar-se no sofá, pressionando-o com o peso de seu corpo. Mycroft soltou um gemido abafado em meio ao beijo, as mãos descendo e traçando padrões nas costas do outro. Eles separaram-se, ofegantes, e Greg começou a depositar beijos leves e úmidos no pescoço de Mycroft.
- Gregory... – ele sussurrou, rouco. – Você precisa saber que... eu não faço isso há algum tempo. – Greg ergueu o rosto e beijou-lhe o queixo, semierguendo o corpo.
- Tudo bem, Myc... podemos ir devagar. – Mycroft puxou-o pela camisa, beijando-o ferozmente.
- Mas eu não quero ir devagar. Eu não quero ter que esperar mais. – Mycroft segurou o rosto de Greg entre as mãos, acariciando de leve a sombra da barba que já aparecia – Estou cansado de esperar, esmagado pelo peso do arrependimento, Gregory. Quero fazer amor com você esta noite. Quero sentir você dentro de mim.
O.o.O
N/A: As frases em francês foram traduzidas usando o Google Tradutor, então desculpem os falantes da bela língua de Victor Hugo se houverem erros gritantes.
