Pov Elijah
Eu olhava sem emoção para as chamas que morriam na lareira, com um copo de whisky em uma das mãos, enquanto eu segurava um desenho em preto e branco de uma menina entre dezessete ou dezoitos anos. Eu olhei de volta ao desenho. Seus olhos grandes, semelhantes a uma corça, lábios bem desenhados como se pedisse um beijo, cabelos longos e bem dispostos em seu rosto em forma de coração.
Eu a tinha visto essa noite. Era ela e ao mesmo tempo não era. Eu podia sentir meu corpo vibrando por ela, chamando por ela...
Sentir o calor de seu corpo novamente e poder ouvir sua voz quase fez meu coração morto pulsar novamente. Mas eu podia ver em seus olhos que ela não era Tatiana, ela era, contudo ela não tinha nenhuma lembrança disso, o que me leva a crer que ela seja uma doppelganger. Eu só não conseguia imaginar como isso era possível, já que eu já tinha conhecido a recente doppelganger de Tatiana. Elena.
Eu suspirei, antes de jogar o copo de whisky nas chamas e ver como eles lambiam os últimos traços de álcool tentando entender o que se passava.
Os sons de salto alto batendo contra o piso da porta da frente da casa que eu compartilhava com a família, indicava que eu não estaria sozinho em casa por muito mais tempo. Escuto a porta se fechar em um clique suave e o vento traz o cheiro do recém-chegado. Eu não preciso me virar para saber que minha irmã Rebekah acaba de chegar.
– Elijah? O que faz em casa a essa hora da noite? – ela indaga.
– Não deveria ser eu a perguntar isso? – eu pergunto arqueando uma sobrancelha. – Seu encontro com o mais velho dos Salvatore não saiu como planejado?
– Não, ele fez... – ela disse se sentando a minha frente. – então a doppelganger humana chegou...
– Elena? Elena Gilbert?
– Sim, ela, quem mais seria... – Rebekah resmungou, cruzando os braços. – Agora me explica o que está fazendo há essa hora em casa?
Eu olhei de volta as chamas, pensando se deveria ou não jogar o último esboço de desenho de minha amada, mas antes que eu possa sequer piscar o desenho é arrancado de minhas mãos.
– Essa é... – Rebekah engasga, afastando o desenho de meu alcance antes que eu possa pegá-lo de volta.
– Sim, é ela. – eu respondo sem demonstrar nenhuma emoção. – Posso tê-lo de volta? – pergunto entre dentes.
– Você tinha um desenho dela todo esse tempo?
– Rebekah! Devolva-me. – ordenei.
– Por que nunca me mostrou? – ela perguntou com raiva.
– Por que as lembranças dela doí de mais. – eu gritei batendo o punho na mesa de centro, fazendo pequenos pedaços de madeira cair no chão onde antes era uma mesa. – Eu sequer poderia olhá-lo, a dor é demasiada...
– Você acha que é o único que a perdeu? – ela praticamente rosna para mim, antes de dobrar o desenho e colocar o desenho em seu bolso. - Tatiana Petrovas era parte da família. Finn, Kol perderam uma irmã e eu perdi minha melhor amiga. E quanto a Klaus? Você acha que ele também não sofreu com sua morte?
– Ela não está morta. – eu grito com raiva.
– Como? – Ela me pergunta aturdida.
Eu mesmo estaria se não a tivesse visto com meus próprios olhos... Eu mesmo não acreditei em meus olhos e tive que me aproximar para me certificar que não era ilusão.
Mas ela tinha sido real. Eu pude sentir o calor de seu corpo de encontro ao meu, seu perfume... Os mesmos olhos, eu fiquei atordoado e...
– Mentira. – Rebekah grita me tirando de meus pensamentos. – Eu a vi morrer... Eu estava lá quando seu corpo foi cremado e...
– Já chega! – diz minha mãe entrando na sala. Rebekah e eu abaixamos a cabeça em sinal de respeito e vergonha. – Elijah não está mentindo. – suas palavras me fazem olhar para cima no mesmo instante. – Eu queria minha família unida novamente, mesmo que isso signifique trazer Tatiana de volta.
– O que? – Rebekah e eu perguntamos ao mesmo tempo.
– Tatiana não está morta, meus filhos.
– Mas sua vida foi tomada pelos lobisomens...
– Sim, contudo ela não está morta.
– Então ela é uma doppelganger?
– Sim.
– Como? Então há dois doppelganger vivendo em Mystic Falls? Como isso é possível? – eu pergunto confuso.
– Bem... As duas são doppelganger de Tatiana, mas apenas uma tem a sua alma. Creio que como antes, tanto você Elijah como Klaus se sentirão atraídos por ela, visto que ela é companheira de vocês. Imagino que o fato de Klaus ter usado uma delas no ritual de sacrifício descarte uma delas. Klaus jamais sacrificaria sua própria companheira e pelo que vejo você encontrou a outra.
– Sim, eu a vi.
– Você a viu? – Rebekah pergunta olhando para os lados como se a procurasse.
– Ela não está aqui, Rebekah. – eu digo calmamente.
– Por que não? Ela é sua companheira, por que não a trouxe aqui? – ela me pergunta de forma acusatória.
– Talvez seja pelo fato de que ela não tem ideia sobre quem sou e eu simplesmente não poderia trazê-la contra a sua vontade. Eu cheguei a cogitar sobre isso e não me olhe desse jeito, ela vai estar aqui... Eventualmente. – eu digo não sabendo ao certo se para acalmá-la ou me acalmar.
Rebekah sorriu em minha direção, no qual me fez estreitar os olhos em sua direção em desconfiança.
– Eu só quero ver se Klaus terá a mesma paciência que você tem em esperar.
Klaus. Em meu atordoamento eu nem cheguei a cogitar sobre isso.
– Elijah, eu creio que seja melhor você ir encontrar Klaus para terem uma conversa antes que ele veja essa menina.
– Sim, mãe. Eu farei isso.
– Volte quando tiverem conversado, precisamos falar sobre isso. – eu ouço minha mãe dizer, antes de sair.
Notas finais do capítulo
Deixe me saber o que estão pensando. Ah e antes que me perguntem Elena e Bella apesar de serem doppelganger de Tatiana, elas não são exatamente iguais na aparência, quero dizer entre Elena e Bella, ok? Apenas semelhantes uma com a outra, sendo que Isabella é a única idêntica a Tatiana. Deu para entender? Espero que não se apeguem a esse detalhe, ele não é importante de fato na estória. Beijos
