Coisa Estúpida
By Marmaduke Scarlet
Capítulo 4: Verdade ou Conseqüência
"A sorte nunca dá, só empresta" – antigo provérbio chinês.
O terceiro período da tarde de sexta-feira todo o sétimo ano da Grifinória tem vago.
Normalmente, cada um das dez pessoas faz alguma coisa, mas às vezes todo mundo se junta para fazer alguma coisa em conjunto.
Quando isso acontece, normalmente o pessoal das outras casas, que não tem esse período vago, mata a aula e se junta à gente.
Hoje foi um desses raros dias.
No terceiro período, todo mundo foi para os jardins, jogar verdade ou conseqüência.
Perto do lago estavam reunidos, nós, os dez grifinórios, mais Bill Cosby, Kayla Prescott e Carl Bernstein, da Corvinal, além das gêmeas Caroline e Carrie Brady, da Lufa-Lufa. Ah, claro, Bertam Aubrey também estava lá.
O jogo estava indo muito bem, o pessoal estava animado e tal. Nós tínhamos lançado o feitiço da Verdade, assim seria impossível para alguém mentir. Isso se provou uma idéia muito boa, porque nós já tínhamos conseguido descobrir alguns segredos bem interessantes: Nicolle Peterson¹ conseguiu fazer a Kayla Prescott contar que tinha perdido a virgindade com Gideon Prewett, no ano anterior, antes dele sair da escola. Mas o mais impagável foi a Gween perguntando para o Sirius qual era a posição sexual favorita dele. Nunca vi o Sirius tão desconcertado na vida.
É claro que tudo estava muito bom para ser verdade.
Depois de Bertam Aubrey ter respondido se era virgem, a varinha foi girada novamente, e então aconteceu o improvável e agora provado não mais impossível.
A ponta da varinha estava apontada para mim, ao passo que o cabo estava apontado para Bertam Aubrey.
Puta que o pariu.
Aubrey me olhou com um brilho quase sádico nos olhos. Estava louco para se vingar do Padfoot, e principalmente de mim. Nada melhor do que a chance de me fazer uma pergunta que me deixasse bem mal nos olhos da ruiva, ou ainda, perante a turma inteira. Sustentei o olhar, o desafiando a tentar.
- Verdade ou desafio? - perguntou, mal conseguindo disfarçar a satisfação.
Todo mundo prendeu a respiração, ansiosos.
- Desafio.
Um frêmito de excitação percorreu os presentes.
O babaca desistiu de tentar esconder que estava absolutamente deliciado com a situação, e escancarou um sorriso enorme.
- Eu te desafio a...
Eu olhei pra ele, desdenhoso.
- Beijar a Kayla.
O silêncio se abateu pelo grupo. Remus me olhava preocupado, Wormtail tinha os olhos arregalados e a boca aberta, Gween parecia muito revoltada, Lily... Bem, eu não me atrevi a olhar para ela.
Imagine a situação: eu estava lá, tendo que optar entre o sucesso do meu sonhado encontro amanhã e a minha honra.
E agora, cara? Faço o quê?
Se eu me recusar a beijar a Kayla, todo mundo vai me tachar de covarde, o tipo de cara que dobra a esquina assim que vê um desafio vindo em sua direção. Se eu beijasse a Kayla, corria o risco de a Lily ficar furiosa, e acabar indo sozinho ao baile amanhã.
Vamos analisar racionalmente a situação: o que é mais fácil? Restaurar a honra e o orgulho perdidos perante os meus colegas, ou explicar para a Lily que só...
- Qual é, Potter? Vai dar pra trás agora? - Aubrey provocou. - Não sabia que você era de fugir de desafios.
A turma inteira me olhava.
Certo, a Lily vai entender.
- Claro que não.
A Lily tem que entender.
Fiquei de pé, e rapidamente Kayla também se levantou. Ela não parecia nem um pouco envergonhada. De fato, parecia feliz até.
Respirei fundo, enlacei displicentemente a garota pela cintura, e grudei os lábios dela nos meus.
Se eu dissesse que esperava o que aconteceu a seguir, estaria mentindo. Tudo que eu tinha em mente quando encostei os meus lábios nos lábios da Kayla era beijá-la de leve, quase um selinho, só para me livrar do desafio com o orgulho intacto.
Mas não era o que ela tinha em mente.
Kayla inclinou a cabeça para o lado, entreabriu um pouco mais os lábios e passou os braços pelo meu pescoço, me puxando mais para perto, e me obrigando a aprofundar o beijo.
Merda.
Então, o sinal anunciando o início do quarto período foi ouvido, e eu agilmente me desvencilhei da garota, saindo logo em seguida, com Remus.
-- tic tac tic tac --
Como convencer uma pessoa que você fez a escolha certa se nem ao menos você tem certeza disso?
Eu me perguntei isso o resto do dia inteiro. Notei os olhares furtivos que a Lily lançava de vez em quando à minha pessoa, como se temesse que a qualquer minuto eu fosse pular e agarrar a garota mais próxima.
Apesar de notá-los, não me atrevi a respondê-los. Seria muito ridículo da minha parte.
Eu me sentia mais miserável na proporção que os ponteiros do relógio avançavam, durante os três períodos de aulas que nós tivemos que assistir.
Mas de alguma forma, quando me sentei à mesa da Grifinória, no jantar, eu me senti estranhamente corajoso. Ou pelo menos corajoso o suficiente para ir me sentar no lugar vago que havia ao lado da ruiva.
- Lily?
Ela se virou, me encarou por alguns segundos e então disse:
- Como é que você espera que eu vá ao Baile com você, se você beija uma garota?
- Eu...
- Pensa, James.
- Eu tenho pensado, Lily. Pensado bastante nisso o dia inteiro.
- O que você acha que eu sou? Uma espécie de garota fácil, que não se importa de ficar com um cara mesmo sabendo que ele está pensando em outra? - ela falou, agressiva. - Hein?
Eu desviei o olhar dos olhos dela para o chão.
Eu mereci isso, acho.
- Quer saber de uma coisa, Lily? Eu pensava em você quando a beijava. - respondi, rápido também. Era melhor falar tudo de uma vez só.
Ela piscou os olhos, atordoada. Eu continuei, não dando tempo para ela responder:
- Quer saber de mais uma coisa? Eu sei que não sou o tipo de par perfeito para um baile, muito menos para um encontro, e que tampouco merecia ir com você depois do que eu fiz hoje. Mas pensa, Lily. Você não teria feito a mesma coisa?
A pergunta ressoou no silêncio que havia entre nós dois.
- Se você ainda quiser sair comigo, eu estarei te esperando amanhã pra jantar, na frente da lareira da nossa sala, tá bem? A decisão é sua.
Ela meramente assentiu, e eu me levantei, dando meu jantar por encerrado.
--tic tac tic tac--
Eu não sei se é só comigo, ou se é com todo mundo, mas eu não gosto de esperar. Ainda mais quando tudo o que você espera é uma notícia ruim. Nesses casos, eu prefiro apressar tudo, e encarar a coisa toda de frente. Talvez seja coragem, talvez seja insensatez, eu não sei.
Mas o fato é que foi simplesmente um saco esperar o sábado inteiro.
É sério. Foi uma das 18 horas mais massacrantes da minha vida.
Sabe quando você está morto de tédio, mas não tem tranqüilidade suficiente para dormir (que é uma ótima maneira de passar o tempo, diga-se de passagem. Ainda mais quando você dorme apenas quatro horas por noite, durante a semana.) nem consegue se concentrar em nada que exija mais que uns 30 por cento da sua atenção?
Pois é.
Passei a manhã dormindo, porque, Merlin abençoado, é sábado e a gente não tem aulas no sábado. Só o que faltava o tio Dumbie resolver colocar aulas no sábado de manhã, na véspera de um baile, também.
Almocei um pacote de cookies de baunilha com gotas de chocolate e uma garrafa de cerveja amanteigada, porque perdi o almoço. Grande novidade. Eu sempre perco o almoço nos fins de semana.
Passei a tarde tentando ler um livro novo: Cometa - A História de Um Meteoro Descontrolado. Lá pelas três e meia, eu simplesmente desisti, e desci do quarto para jogar snap explosivo com o pessoal, na sala Comunal. Depois de jogar - e perder vergonhosamente - umas cinco partidas, eu subi pro dormitório, pra tomar banho.
Enchi a banheira de água, tirei a roupa e entrei lá dentro.
E fiquei lá pela próxima hora seguinte.
Quase dormindo.
Depois, quando o Sirius já estava perto de quebrar o pulso ou a porta (o que viesse primeiro) de tanto esmurrá-la, eu resolvi sair.
Vesti-me cuidadosamente, com as minhas veste de gala meticulosamente arrumadas pelos elfos, penteei o meu cabelo - cujo corte punk se rendeu depois de algumas lavadas. Ou pelo menos se rendeu o suficiente para um cabelo punk.
Bem, eu sei que está todo mundo morrendo de vontade de saber o segredo do meu sucesso, mas eu não acho necessário continuar narrando o meu ritual pré-encontro importante.
Enfim.
Às nove horas, depois de ter tido uma pequena briga de travesseiros com o Sirius (quem ele pensa que é pra ficar se achando o bom só porque vai ao baile com a Cooper? Que babaca), briga essa que acabou fazendo com que eu tivesse que pentear o cabelo de novo - não sei por que, já que pentear não é um ato muito significativo em relação ao meu cabelo - e tendo que desamassar as vestes, eu desci para o salão Comunal.
O salão estava cheio. Acho que todo mundo resolveu que era um bom lugar para se encontrar com as pessoas. Fiquei batendo papo com o Fabian Prewett e com os outros caras do Quadribol que estavam reunidos em volta da lareira. Aos poucos, o pessoal foi saindo, à medida que os seus pares desciam.
Foi realmente engraçado ver um menino do quinto ano tentando beijar a namorada. O coitado já estava bem alto, se é que você me entende. O que me faz pensar como é que ele conseguiu arranjar o estoque suficiente de cerveja amanteigada para conseguir ficar bêbado assim. Porque cada garrafinha deve ter no máximo uns 10 por cento de álcool. E eu sei por experiência própria que você precisa de muitas garrafinhas para conseguir ficar bêbado. E que eu saiba, a menos que você seja um Maroto e saiba exatamente como enganar o velho Sr. Fadden, não se consegue tantas garrafinhas com tanta facilidade. Garota, você faz bem em não querer beijá-lo. Um cara bêbado com Cerveja Amanteigada é ainda mais deprimente do que um bêbado qualquer.
O último a descer para o salão Principal foi o Sirius, que solidariamente me fizera companhia por mais de quinze minutos a mais do que deveria.
Uns dez minutos depois, eu me vi sozinho no salão Comunal. Parecia que até os alunos mais novos que não tinham permissão para ir para o baile tinham cansado de ficar por ali, vendo os mais velhos em suas vestes de gala, e as meninas em sofisticados vestidos, das mais variadas cores e estilos.
Eu cansei de ficar de pé, e me atirei numa poltrona qualquer na frente da lareira.
Quinze para as dez.
Eu acho que ela não vem mais. Se Lily viesse, já teria aparecido.
Bem, quem esperou tanto tempo pode esperar mais um pouco. Se a Lily não aparecer até a dez, eu desisto e vou para o dormitório, saborear uma noite solitária. Ou então desço para o baile, me afogar em bebida.
Nove e cinqüenta.
É, acho que ela não vem.
E para piorar, não há nenhum barulho nessa sala miserável, só o som da lareira crepitando e da minha própria respiração. Sério, isso está me dando arrepios.
Eram nove e cinqüenta e sete quando eu finalmente ouvi um barulho na escada e me virei. Parada lá estava Lily. Ela parecia nervosa. Apesar disso, parecia hipnotizantemente elegante, com seu vestido de seda azul-clara, como Grainne, a mais bela de todas as feiticeiras, que fugira com Diarmuid, o apaixonado. Eu seria capaz de esperar mais uma hora se fosse para vê-la tão bonita.
Ela se aproximou, torcendo as mãos nervosamente. Eu sorri. Ela estava absolutamente linda.
E eu estava absolutamente patético. Sério, esse papel de bobo feliz não é pra mim.
- Vamos? - perguntei, me levantando rápido da poltrona, como se de repente a poltrona tivesse sido infestada de toletes³ no perímetro entre a minha bunda e o estofado. Nesse processo, eu consegui tropeçar na ponta do tapete que não sei por que raios estava dobrada, e quase cai por cima da ruiva.
Isso é realmente uma ótima maneira de se começar um encontro, Jamie-boy. Parabéns.
Eu fiz uma careta, e foi a vez da Lily sorrir, mostrando aqueles dentes incrivelmente brancos.
Descemos para o jantar, que seria naquelas antigas salas de chá que nem na ala oeste do castelo, que ninguém usa mais, mas um dia foi usada para se tomar chá, quando aquele ministro da magia que veio antes de Grogan Stump e cujo nome eu nunca lembro baixou um decreto que todos os bruxos deveriam tomar chá às cinco horas, em salas especiais pra isso.
É, no passado Hogwarts tinha bem mais alunos. Dá pra ver isso só pelo tamanho do castelo, e do fato que essas salas são enormes, e que há pelo menos umas cinco delas.
E ninguém as usa mais.
Ou pelo menos até hoje.
Nos cinco salões, haviam pequenas mesas, para seis pessoas, no máximo, e pratos e pratos da excelente comida dos elfos. Você pegava os pratos, se servia e voltava para a mesa. Eu e Lily passamos de mãos dadas(!) pelos salões, a procura de uma mesa livre. No quinto salão, os caras tinham tido a idéia de juntar duas mesas, e estava todo mundo sentado. Tive vontade de dar um beijo no Sirius quando ele apontou os dois lugares que tinham guardado para nós na mesa.
O que demonstra o tamanho do meu nervosismo e potencial desespero.
Logo o clima estranho que tinha se instalado entre Lily e eu (apesar das mãos dadas e tal) desapareceu. Sirius e Fabian Prewett se revezaram na hora de contar piadas e histórias engraçadas. Até eu contribui com algumas histórias, afinal, tinha acumulado muitas durante os meus anos de "marotices". Nossa, pareço um velho falando assim.
Então, Marlene McKinnon, uma baixinha do quarto ano chegou à nossa mesa e falou, toda animada, que já tinham aberto o salão Principal, com aquela vozinha infantil dela.
O pessoal se levantou, e a gente foi para o Salão Principal.
¹Nicolle Peterson é uma personagem de The It Girl, a mais nova fic da Gween Black, que vai ser lançada em outubro, se eu não me engano. Leiam essa fic! Isso é uma ordem! hahsuhausu Brincadeira. Eu já li uns pedaços, e posso dizer que é simplesmente maravilhosa. Ah, e também é uma pequena homenagem interna. O nome Nicolle Peterson, não a fic, quero dizer.
²Gween Cooper é uma personagem de Amores Marotos, que também é da Gween Black.
³O horklump (tolete) teve origem na Escandinávia, mas hoje é encontrado em todo o norte europeu. Lembra um cogumelo carnudo e rosado coberto de pêlos rasos, negros e duros. Procriador prodigioso, ele cobre um jardim de tamanho médio em questão de dias. O tolete lança tentáculos vigorosos na terra em lugar de raízes à procura do seu alimento favorito, as minhocas. Por sua vez, ele é uma iguaria apreciada pelos gnomos, mas não tem nenhum outro uso conhecido. (Animais Fantásticos e Onde Habitam - Newt Scamander pág. 42.)
N/A: Se você achava que o capítulo passado estava ruim, bem, esse conseguiu ficar pior. È por isso que eu só consegui termina-lo agora. :B Toda a saga para conseguir termina-lo está no meu blog: www ponto no-kitten ponto net barra duka. Pegaram? Ah, pra você que não conhece o jogo que eles jogam no início do capítulo, lá está também uma pequena explicação.
Muchas gracias pelas reviews, muchachos. Vocês não sabem como me fazem feliz com elas.
Até o próximo fim de semana, sem falta!
Becitos
