Capitulo 4- Isso não vai acontecer de novo!

A noite foi substituida pelo dia, Angel acordou e seguia sua rotina diaria, acordar seus irmão, preparar o café, e ir para a escola. Ela se encontrava em sua sala, estava de bom humor naquele dia, afinal foi a primeira vez que ganhou dinheiro sem ter que fazer "nada".

- Bom Dia Angel! – disse Alice chegando toda espalhafatosa

- Bom Dia... – ela deu um beijo na bochecha da outra

- Parece que tem alguém aqui de bom humor...- Pierre apareceu atrás de Alice

Claro que ficava um clima tenso entre Angel e Pierre, mas nossa morena com sua personalidade tratava de deixar bem claro que mesmo depois daquela conversa ela queria manter a amizade "normal" como se nada tivesse acontecido, algo que alegrou o jovem.

Na terceira aula, Inglês, o celular de Angel começou a tocar, o que chamou a atenção da professora.

- Desligue o Celular , por favor! – a professora pediu já brava

- Professora posso atender? – ele pediu meigamente – meu pai foi para o Hospital hoje de manhã! – ela mente

- Tudo bem, lá fora!

Angel saiu da sala, claro que a atenção da sala estava voltada para ela. Angel foi até o final do corredor, para ter mais privacidade e atendeu o telefonema...

- Alô?

-Kate? –a voz era de um homem – Sou eu Camus...

- Sim, oi?

- Você está livre agora?

-Não vai dar, eu estou na escola!- ela explicou falando baixinho, olhava para todos os lados para ter certeza de que não era observada – Pode ser mais tarde?

-Escola?- ele fez uma pausa consideravel-.Pode ser as cinco? Me encontre na praça da Sé!

-Por mim tudo bem!Tchau

Ela desligou o telefone, e retornou para a sala, todos perguntaram como estava o pai dela , ela inventou que ele foi fazer um exame e que precisava de acompanhante e como ela não podia faltar na escola, ela exigiu que o pai ligasse para ela quando "saisse do exame". O intervalo passou normalmente, o tempo vooa quanto estamos distraidos, o que era algo bom para Angel.

Na ultima aula do dia, era de Português, a jovem adorava português, por causa da professora que era extrovertida e Idiota, no bom sentido é claro...

A professora Simone quando adentrou na sala, apenas olhou ao redor, viu a sala bagunçando e tentou comprimentar a sala:

- Oi...

A sala percebeu a presença da professora e os alunos foram se acalmando, cada um em seu respectivo lugar. A professora era jovem, 42 anos, cabelos castanho com luzes loiras, magra e tinha uma personalidade única...

- Você querem saber?- Simone falou alto, andando em círculos – Vamos começar de novo... – ela andou até a porta e sai da sala se passou mais ou menos um minuto e ela abre a porta com tudo a empurrando com a mão e diz alto, muito alto - BOM DIA 2ºA!!!

- BOM DIA!- a sala respondeu em unisonoro, contudo a professora não se contentou de fazer aquela pequena palhaçada, foi até a mesa de Angel, que a mesma estava sentada divagando, ela pensava no senhor "Camus".

Distraida, Angel apoiava a cabeça na parede e olhava para o nada, Simone atenta parou do lado dela, é claro que a sala a seguiu com os olhos. A professora era danada...ficou esperando que fosse notada, algo que foi dificil até dizer:

- Tem alguém aqui apaixonada...- Angel vira o rosto para o lado e ve a professora – É você sim, dona Angel!

- Estou não professora, a senhora esta imaginando coisas...

A sala fez aquele "Hum" que todos um dia ja passaram, bem malicioso, Angel corou, aquela problabilidade não entrava na cabeça dela, "ela" apaixonada? Depois do pequeno momento constrangedor a aula passa agitada, a professora dançando no meio da sala, carteira voando, guerra de material, e ela lá... conversando com seus amigos.

- Gente, eu quero um trabalho sobre Machado de Assis!- Anunciou Simone

-Ahh!! – a classe reclamou

- Formem duplas!

A sala toda se deslocou a procura de um parceiro, Angel não se preocupou com aquele detalhe, apenas ficou em seu lugar, não gostava daquele aglomerado de pessoas falando. Pierre se perguntava se devia ou não perguntar se a amada queria fazer trabalho com ele, sabe a nossa querida professora é tem observadora e falou:

- Pierre, por que você e a Angel, não fazem juntos?

Ele corou, mesmo sendo um garoto ainda tinha seus pontos fracos, a garota de programa aceitou.O sinal tocou, anunciando o final do confinamento dentro daquela escola, todos deliram, a euforia de sair daquele prédio era tanta que as vezes chegavam a pisotear outros alunos.

Angel ainda na sala pegou sua mochila preta, sai da sala se despedindo de seus colegas, Pierre corre para alcança-la e a segura pelo braço, fazendo-a parar, ela o olhou esperando alguma atitude do outro, que não tardou a chegar.

- Vamos fazer o trabalho na minha casa?

- Claro! – ela sorri como de costume- Pode ser as Duas?

Estava combinado. A rapariga volta para casa junto com os irmãos, Eduardo implicava com Marina, a mais nova, Karla estava quieta, até demais, Angel desconfiou, decidiu esperar que a irmã estivesse pronta para se abrir com ela, geralmente isso acontecia quando estavam apenas Karla e Angel sozinhas na casa...

Logo chegaram em casa, as crianças saíram correndo largando suas mochilas pela sala e foram assistir TV. A mais velha vai reto para a cozinha, anda até a geladeira, de onde dali tira várias panelas, põe os recipientes de nox no fogão já ligado e arruma a mesa. O celular da morena vibra dentro do bolso de sua calça, ela o pega, era uma mensagem de texto, um número desconhecido e abriu a mensagem.

"Mudanças de plano, me encontre no Centro de Santo André, no Mc Donalds...

As cinco...

Ass. Camus"

Arqueando a sobrancelha, guardou o celular no lugar onde estava, voltou sua atenção para o fogão, sorri ao ver o macarrão saindo fumaça e exalando um delicioso odor de molho, desligou o fogo, pôs o almoço à mesa e chamou seus irmãos.

Após o almoço, com a louça lavada pediu que Eduardo o mais velho entre os três mais novos cuidasse de suas irmãs, ela iria sair, para ver Camus.

~*.*~

Na empresa "Fanchinne", pessoas se locomoviam rapidamente, iam e voltavam em seguida, documentos eram levados a sala do presidente, que eram devidamente avaliados e assinados.

Na sala do presidente, Camus estava sentado por trás de uma mesa, em sua poltrona de couro, ele analisava os documentos, sério, impassível, porém bem sucedido.

A secretária Marin, avisou que Milo Scorpios, seu sócio o aguardava fora da sala, o ruivo mandou que o amigo entrasse. A porta foi aberta, dali vem um jovem uns vinte e nove anos, bem cuidado, que entrou em delongas e quaisquer formalidades desnecessárias logo dizendo:

- Esse mês estamos a mil...- disse o senhor com seu sorriso que faria até uma jovem de dezesseis anos derreter-se

- Creio que sim.- deus os ombros, e voltou a analisar os papéis – Milo, a proposta do Golk é bem tentadora...- o outro andou até o lado do sócio e leu a proposta – O que acha?

- Tentadora, mas teremos que ver o Departamento Financeiro e providenciar algumas mudanças aqui na empresa...- ele parou de falar, olhou para o amigo, notou algo diferente – Camus, finalmente saiu da seca...- O ruivo com gelou no momento, quando se preparou pata desmentir o amigo o outro continuou- Nem adianta falar "Milo seu tolo, de onde tirou isso", eis a prova: uma marca de chupão! – Milo apontava para o pescoço do outro...

- Não diga asneiras...Hump! – ele calou-se por um breve momento – Agora só entre amigos, deixamos de ser sócios nesse momento... é o seguinte, vai se F****, e pare de inventar coisas seu grego de uma... figa!

O Grego sorri, ele simplesmente adorava provocar o outro, que era comportado, raramente demonstrava seus sentimentos, decido o ruivo levantou-se da poltrona e andou até a cafeteira, pegou dois cafés, e serviu o outro para o amigo, que agradeceu.

- Kamuxo Fantinne... me conta com quem você saiu... se mentir eu vou contratar o detetive e vou expor num mural aqui na empresa!

- Com uma prostituta... - resmungou

Camus ficou irado ao ver Milo contorcendo-se de tanto rir, mas ao mesmo tempo que sentia sua fúria lhe atingir o corpo ele tinha plena consciência de que ninguém acreditaria no que disse de primeira, ele não era disso.

O sócio era casado com sua esposa, Izabella, estava estabilizado na questão de relacionamentos, já Camus desde que sua esposa falecera, não encontrou mais ninguém preferiu isolar-se do mundo e se dedicar ao trabalho e ao filho.

O Relógio marcava vinte para cinco, o empresário se despede apressadamente do amigo dizendo que tinha "negócios" a fazer com um cliente em sua casa. O outro se fingiu que acreditou e deixou o ruivo partir.

~*.*~

Angel decidiu usar uma roupa mais normal, ela iria se encontrar com Camus em um lugar público, era perigoso ser vista por algum conhecido, mas que se a vissem, pelo menos estaria vestindo algo descente, usava uma calça jeans boca de sino, junto com uma blusinha branca, com laços na cintura, uma maquiagem leve, quase inocente para dizer a verdade, colocou um par de brincos de estrelas, estava bonita, chamava atenção de todos, por onde passava sempre tinha um que "quebrava o pescoço".

Chegando a praça, ela sentou-se na beirada da fonte, que jorrava água. Esperou que Camus chegasse, olhou em seu celular que marcava dez para cinco, ficou desanimada por ter chegado cedo demais, não era legal sair de casa as presas e chegar adiantada.

O ruivo vinha do lado oposto da Catedral da Sé, ainda de terno, andou gracioso até a morena. Angel sorri para o outro, fofa seria a palavra para descreve-la no momento, como muitos dizem: "quem vê cara não vê coração" pois quem imaginaria que ela uma jovem de dezesseis anos era o que era...

- Esperou muito?- a voz masculina cortou o silêncio

- Não, chegou na hora marcada!- ela se levantou e foi até ele – Você é alguém importante? – disse enquanto observava as vestes do outro.

- Sou empresário...- Camus dizia – Você está muito diferente desde a ultima vez...

- Você já pensou que estamos num lugar publico? – disse ela o cortando, Angel ficava irritada facilmente quando alguém ficava relembrando o passado, para ela o passado é o que já aconteceu e jamais deve ser "desenterrado"

Camus a convidou para ir a uma lanchonete, ela aceitou, foram, havia uma praça de alimentação não muito longe dali, foi uma caminhada silenciosa, ela não sabia o que dizer, nunca conversou com um cliente apenas fez o serviço, já Camus não falava nada pelo simples motivo de se acostumar a não falar muito, apenas o necessário, um situação cômica para quem visse.

Chegaram a uma lanchonete, sentaram-se no fundo, na ultima mesa, o atendente perguntou:

- O que vão querer?- um moço moreno, de cabelos castanhos indagou

- Um x-salada, por favor!- pediu o ruivo – E você? – Angel se espantou com a pergunta

- Eu não vou querer nada não, obrigada! – ela dizia exasperada, Camus suspirou, no ponto de vista o homem ela era estranha, muito estranha.

- Por favor, dois x-salada!- ele se voltou para o atendente que havia se distraído olhando para a garota.

Depois que o atendente foi embora, ele a olhava fixamente, com seus olhos verdes instigantes a decifrava. Angel estava tensa com aquele olhar felino sobre si, não gostava de ser observada. O pedido chegou fazendo aquele contato visual cessar, o que foi bom para Angel, o atendente sai deixando-os novamente as sós.

- Não precisava pedir um lanche para mim...

- Eu a chamei até aqui, é normal os homens pagarem a conta!- disse para logo depois dar uma mordida no seu lanche – Coma... juro que não vou cobrar por isso

Ela riu, tentou segurar, não conseguiu, desistindo de resistir começou a comer o lanche. Depois de alguns minutos acabaram de lanchar, ela agradeceu, estava feliz e de estomago cheio, Camus com a expressão impassível perguntou à garota:

- Qual é o seu verdadeiro nome?- antes que ela falasse algo ele continuou- Acho que o x-salada vale um nome como pagamento, não vale?

- Tudo bem, é só um nome mesmo... Me chamo Angel!- ele arqueou a sobrancelha – Ta eu sei, é um nome irônico não?- ela riu

- Angel? – ele refletiu, o nome era familiar, Camus teve uma leve impressão de ouvir seu filho comentar de alguém com o mesmo nome – Você estuda? Eu me lembrei que na vez que te liguei você disse que estava na escola!

- Ah, eu estudo sim, quando você me ligou eu estava na aula de Inglês, tive que inventar uma desculpa, mas eu consegui! – disse ela normal – Tudo bem, agora você vai me perguntar quanto anos eu tenho e porque eu me tornei isso, não é? – Camus assentiu com a cabeça – Tenho 16 anos.A nove meses atrás, minha mãe faleceu, deixando meu pai e meus irmãos, meu velho entrou em depressão, nisso ele foi buscar refugio nas drogas, meus irmãos são mais novos do que eu, e como meu pai perdeu o emprego, a única que sobrou fui eu, como não encontrava emprego virei garota de programa, e pra piorar meu pai está devendo uma grana preta para o traficante, e se não pagarmos vai ser "bala" na certa... – triste relatou os fatos desesperadores de sua vida desafortunada

- E seus familiares?

- Nem ligam para nós, para eles se morrermos não fará a mínima diferença! E você , quanto anos têm?

- Tenho 31!- o ruivo sentiu-se com um peso na consciência naquele momento, ele vivia no luxo enquanto a garota diante de si se vendia para poder sustentar a família, naquele momento percebeu que não podia levar aquilo adiante- "uma criança" -ele pensou, sim ela em seu ponto de vista ela era uma criança, mesmo que ele não continuar com aquilo ela iria continuar com seu "emprego" pelo menos não sentiria o peso de levar uma culpa tão grande para o resto de sua vida. – Angel, isso não vai acontecer de novo!

- O que não vai acontecer de novo?

- Pode ficar com o dinheiro, não nos veremos mais!

- Senhor Camus, agora você deixou bem claro que não quer meus serviços, mas eu ainda tenho honestidade, pegue seu dinheiro, não gosto de dever para ninguém... – ela dizia brava – o senhor mudou de idéia após ouvir minha história? Não tenha pena de mim, eu não preciso disso!

- Fique com o dinheiro, alias eu não tenho pena de você, têm 16 anos, já sabe muito bem o que faz da vida, e eu não quero carregar peso na consiência de ter dormido com uma criança...

- Se o senhor não aceitar o dinheiro de volta... eu.... eu faço um barraco aqui e agora mesmo!- ela ameaçou

- Pode fazer, quem vai passar vergonha é você...- ele ficou mudou ao sentir a perna da jovem roçar contra a sua, o fazendo-o arrepiar. – o que você pensa que está fazendo?- ele sussurrou

- Bem, além de fazer o baraco, você vai ficar numa situação crítica, se é que me entende! -Ela fazia gestos com mão e no rosto um sorriso perverso

Angel, tirou o tamanco de ponta fina e deslizou seu pé por toda a extenção da perna do outro até parar da virilha do mesmo, precionando, estimulando o orgão daquela região.O ruivo começou a corar.

- Como você pode...- ela era uma ótima atriz fingiu lagrimas e alterou a voz num tom chorozo, falava alto, e todos da lanchonete ficaram curiosos e olhavam – Estou gravida, vai me abandonar agora?- ela "chorava"

- Quer parar com isso!- o empresario pediu, repelindo o pé da moça com um safanão – Vamos embora!

Ele a puxou pelo braço e sairam do local, voltaram para onde se encontraram, ele estava irritado, mas no fundo ele tinha gostado de sair do "padrão" da sociedade. Ela estava se despedindo quando a chuva começou a cair, estava chovendo forte, o empresário ofereceu carona, ela aceitou, correram até o carro de Camus e entraram no mesmo, ambos ensopados. A chuva fez com que a blusinha branca ficasse transparente Angel colocavaas mãos nos ombros, para esconder seus seios que estavam praticamente a mostras, o ruivo percebe, e observa a feição da menina, envergonhada e trêmula de friu.

- Tome! – ele deu o seu palitó ela o vestiu rapidamente

- Obrigada! Você é muito gentil – e Camus dá um pequeno sorriso – Nossa!

Ela indicou onde morava , depois de dez minutos já estavam na casa da moça, Camus fez questão de parar na porta, para evitar que ela se molhasse mais. Eles ficaram se olhando, Angel inicio o dialogo fianal:

- Bem, parece que acabou, então... é um Adeus né?- ele fez um sim com a cabeça, quando ela fez menção de abrir a porta ele a toca o ombro

- Nem um beijinho de despedida?- ele sorri novamente

- Safado! – ela girou seu corpo para o lado do motorista e o beijou, era um beijo diferente ambos sabiam, não era um beijo obrigatório, Camus deu opções ela quem optou por aquela.

Se separaram do beijo, ela olhou nos olhos igualmente verdes ao seus e solta uma gargalhada.

- Sabe, a ultima vez você deixou rastros por onde passou, tive um interrogatório do meu sócio, não foi legal...- ela segura o riso e vai tirando o palitó do outro e o entrega para o dono – Você merece um castigo também....

- oi? – ela o olhou com aquela típica cara de "x" quando não sabemos de algo – Hei, e tenho irmãos e pai ...- ela tentava afastar o homem que segurou seus pulsos a imobilizando e aproximou seu rosto do pescoço da "indefesa" e deu uma séries de beijos e sugou aquela pele macia , sentindo a textura e o perfume natural da mesma, a soltou e voltou a sua posição normal, o local ficou avermelhado e tornando-se um ponto roxo

Ela saiu do carro com a seguintes palavras...

- Agora já sabe onde moro, quando mudar de idéia me liga...

- eu disse que não irei fazer isso

- Veremos! Tchau obrigada por tudo!

ela se vira e ele some nas ruas escuras do bairro