N/A: Lembrando que uso os nomes originais e não os da versão americana. 161 palavras.

Silêncio

Nunca me vi como alguém diferente. Mesmo naquele primeiro momento; naquela troca de olhares inconveniente, eu não... não julguei que fosse algo errado. Encarei tudo como uma troca, um desafio. Nós enquanto beybladers somos expostos a, acostumados a, obrigados a ver tudo como um desafio. Por que eu imaginaria algo diferente?

Até porque era tão poético. A forma como os nossos corpos colidiam-se; cerrados e violentos tais fera-bits confrontando-se. O jogo começava na cuia, acabava ali. No armário, na neve, na cama – ninguém se importava. Naqueles momentos tudo se resumia em calor, em fúria. Crianças se descobrindo, inconscientes do certo ou errado, moral ou imoral.

Como eu podia saber que teria um fim? Eu não queria um. Seria eu e você, meu querido, doce menino e eu seria o teu sádico, mas fiel companheiro.

— Se aquele jornalista não tivesse...

Silêncio do outro lado da linha. Você respira. Eu ouço.

— Boris, não. Se não tivesse, mas houve.

Silêncio. Abismo.