Capítulo 4- Desejo
Acordara sentindo-se mais cheia de energia do que nunca. Ao sentir os primeiros raios de sol entrando pelas frestas da pequena janela do quarto, Kagome levantou-se de um salto. Sabia que toda aquela empolgação matinal tinha um nome: InuYasha.
Ainda era surreal lembrar da maneira que ele havia a beijado, e principalmente a provocado. Sim. Ele sabia exatamente o que estava fazendo, não parecia em nada o InuYasha-cheio-de-dedos que até pouco tempo atrás parecia incapaz de beijá-la por mais de dez segundos. Ela suspirou e conteve uma risada- era realmente irônico pensar que havia se lamentado durante três anos devido aquele romance.
Lembrou-se das noites em que, mal humorada, deitava-se antes do resto de sua família. Muitas vezes, bufava impacientemente ao pensar no hanyou que roubara seu coração e que estava, naquele momento em que ela se lamentava, muitos anos no passado em algum lugar inatingível. Quantas vezes havia repassado mentalmente o primeiro beijo deles; sentia-se uma idiota sempre que lembrava daquele episódio.
Quando estivera sozinha em seu mundo, chegara à conclusão de que aquele beijo não contava como histórico romântico. InuYasha estava fora de si, seu lado youkai querendo dominá-lo a qualquer momento e ela, achando que estaria realizando algum ato corajoso e altruísta, fizera o caminho até seus lábios, cuidando para não ficar tão vulnerável as suas presas, naquele momento maiores que o normal. Então ele silenciara, e o corpo dela havia tremido naquele segundo. Depois, sentiu lábios gelados responderem ao seus, um toque suave, cuidadoso e cheio de receios. Mesmo sabendo que eles haviam feito uma promessa silenciosa de jamais comentar aquele episódio novamente, ela lembrava com carinho daquele segundo momento. Mas quando estivera sozinha em seu quarto, no dia após dia sem InuYasha, ela sentia-se uma idiota por lembrar daquilo e achar que significara para ele tanto quanto para ela.
E ela esperara durante longos dias...semanas...meses, que InuYasha pudesse realmente admitir o que sentia por ela. Porém, Kikyou estava quase sempre presente e ela viu sua auto-estima estatelar-se no chão, principalmente após admitir para si mesma que queria estar ao lado do hanyou, mesmo que ele amasse outra pessoa.
O segundo beijo que Inuyasha lhe dera fora quase perfeito. No momento em que ela sentira os braços dele a envolvendo, e no instante seguinte seus lábios unidos como se fossem um, suas pernas haviam fraquejado e sua respiração acelerado.
Ela riu, enquanto terminava de se vestir para aquele novo dia. Por que estava se lembrando de todos aqueles momentos justo agora? Principalmente, depois de ter passado um dia maravilhoso ao lado do hanyou.
Será que o dia anterior havia sido exatamente como ela lembrava, ou ela estava misturando imagens da realidade com o seu sonho? Sacudiu a cabeça e resolveu sair daquele lugar. Shippou ainda parecia disposto a dormir por horas a fio, e ela precisava de uma longa caminhada.
O sol brilhava preguiçoso enquanto algumas pessoas já estavam caminhando nos arredores da fila. Kaede mirou Kagome assim que a garota saiu pela porta.
- Bom dia!- a garota se dirigiu à senhora, prontamente a ajudando a carregar os baldes de água que tinha em mãos.
- Bom dia, Kagome!- a voz de Kaede parecia mais suave do que de costume.- Miroku comentou que você pretende começar a estudar comigo...
Kagome levou alguns segundos para que sua mente gritasse algo que não fazia sentido.
- Miroku?- ela sentiu as bochechas corarem ao saber que InuYasha e Miroku deveriam ter conversado na noite anterior. Ela não comentara formalmente com mais ninguém que pretendia estudar para tornar-se uma miko.
- Sim. Eu o encontrei hoje cedo. Ele disse que provavelmente InuYasha esquecera de mencionar algo ontem a noite, tamanha a euforia por você ter voltado.
O olhar que a senhora dirigiu à garota foi cheio de significados, mas ela tentou ignorar.
- Ahn...sinto muito não ter conversado com a senhora antes...- Kagome largou o balde de água próximo ao que Kaede acabara de ajeitar.- Achei que não haveria problema algum, considerando que a senhora foi muito gentil ao me abrigar aqui.
- Ah, claro que não há problema!- o rosto enrugado de Kaede curvara-se em um sorriso.- Começaremos amanhã mesmo se você quiser!
- Ah, muito obrigada!- Kagome fez uma breve reverência.- Quanto antes melhor, sei que tenho muito a aprender!
- Hum...- Kaede mirou a vila por breves segundos depois virou-se para Kagome novamente.- Na realidade, a lua que estamos atualmente é perfeita para colhermos a erva que usaremos nos próximos dias.
- Lua...?- Kagome calculou mentalmente. Lembrou-se que estavam na lua minguante.
- Sim...as ervas são colhidas em diferentes luas. A lua minguante- Kagome suspirou aliviada ao ver que pensara certo- é ótima para ervas que serão usadas para quebra de feitiços e magias negativos.
- Entendo.- Kagome acenou afirmativamente. – E as ervas devem ser colhidas durante a noite?
- Bom- Kaede mirou o céu azul, franzindo os olhos para a claridade- Hoje seria adequado se colhêssemos no momento em que a luz do sol começar a diminuir.
- Claro.- Kagome tentava registrar mentalmente tudo que ela falava. A ansiedade já estava voltando. Será que aquela primeira tarefa significava que ficaria o dia inteiro envolvida com estudos e não teria tempo para InuYasha?
(...)
Ele revirou-se em seu sono. Não parecia nem um pouco confortável dormindo daquele jeito, quase sentado. Seu corpo lentamente escorregou para o chão e sua boca entreabriu-se enquanto ele sussurrava algo sem sentido. Virou-se de barriga para baixo, a pequena esteira que servia de cama mostrando-se menor que o esperado.
Tentava abrir os olhos. Mas porque faria aquilo? O lugar em que estava era tão bonito. Estava sonhando? Ele mirou atentamente a árvore que passara anos selado, suas folhas sacudindo gentilmente com a doce brisa do verão.
- InuYasha...?- a voz de Kagome o sobressaltou.
Ele se virou em direção à voz, e encontrou a garota sorrindo.
- Ka-Kagome- não esperava encontrá-la tão rapidamente, sem ter assimilado perfeitamente bem o que fazer para se controlar na presença dela.
A mão da garota alcançou seu rosto e ela se colocou na ponta dos pés. Beijou-lhe os lábios brevemente e sorriu ao se afastar. Ele ouviu um lamento escapar de seu peito.
- Vamos?- ela segurou sua mão e começou a caminhar. Ele a seguiu, obediente.
Ela soltou sua mão e começou a correr. Ele sorriu, debochando. Ela jamais seria capaz de ser mais rápida do que ele. Ele deixou que ela tomasse distância, seu coração batendo forte no peito, suas narinas dilatando-se, já acostumadas a seguir seu cheiro. O cheiro estava tão vívido, tão convidativo. Ele ouviu a risada harmoniosa de Kagome e começou a correr, não precisava nem manter os olhos abertos para saber onde ela estava.
Ela corria de costas para ele- ele não queria sobressaltá-la. Pulou à sua frente, ouvindo uma breve exclamação de surpresa por parte da garota.
- Onde você pretende me levar?- ele sentiu que precisava fazer um esforço absurdo para conseguir falar.
- Um lugar só nosso...- ela sussurrou, enquanto abaixava o rosto levemente.
Ele não se importou em ser rude- a puxou pela cintura. Seus corpos se chocaram. Ela apenas sorria de um jeito maroto. Ele teve vontade de jogá-la de qualquer jeito e lançar-se para cima dela. Controlou o máximo que pôde seu instinto e beijou seus lábios. Kagome estava estranha, parecia ter um plano em mente. Agarrou InuYasha pela gola de suas vestes e o puxou mais para perto, beijando-o da mesma maneira.
InuYasha assistiu, apavorado, seu corpo agir sem controle- suas mãos buscando o corpo da garota sem respeito algum, sua voz agindo sem comando quase em forma de súplicas, enquanto ele sentia a garota mover-se sensualmente com o corpo colado ao dele.
"O que estou fazendo?"
Dessa vez a exclamação de surpresa foi alta, ele abriu os olhos, assustado.
A primeira visão que teve foi de sua sala, praticamente vazia. Suspirou aliviado- apenas um sonho.
Corrigiu-se mentalmente. Apenas um sonho? Aquele não era um tipo de sonho saudável, que ele poderia sorrir animado com a idéia de ter. A situação era surreal- Kagome o procurando daquele jeito e implorando que ele acabasse com aquela agonia infernal que ele sentia agora. Será que a garota sentia-se do mesmo jeito?
Ela parecera muito corajosa no dia anterior. Mas ele tinha certeza que aquilo se apagaria com o tempo. Havia sido a primeira vez que tinham estado tão perto um do outro. Aquela euforia era normal. Não era?
Ele deveria respeitá-la, saber que as coisas não poderian acontecer tão rápido. Mas há quanto tempo estava esperando para tê-la em seus braços?
Rosnou impaciente. Passou a mão pelos seus cabelos, sentindo leves pingos de suor que haviam migrado de sua testa. Seu corpo inteiro estava contraído, sua boca seca.
Nunca havia tido um sonho tão real como aquele. E nunca havia desejado tanto que fosse verdade.
Mas e se...
Ele tentou afastar aquele pensamento, mas ele veio rapidamente, enchendo sua mente de cenas com uma Kagome idêntica a do sonho. E se ela também compartilhasse daquele tipo de pensamento? Será que ela já sonhara com ele daquele jeito?
Levantou-se, mal humorado, querendo bater na própria cabeça para não pensar mais naquilo.
Mirou a porta do quarto que ficara sempre fechado nos últimos anos. O quarto que falara para Kagome que estava desativado. Engoliu em seco. Tudo lembrava ela naquele lugar...ele não sabia se era pior ficar ali, dando asas à imaginação, ou estar próximo à Kagome, onde ela mesma poderia testá-lo a qualquer momento, até mesmo com um simples beijo.
Ele sabia que na história dele e de Kagome, não haviam simples beijos. Fechou os olhos e novamente precisou respirar fundo para se acalmar. De onde estava vindo toda aquela energia acumulada? Estivera ao lado dela durante todo o tempo que viajara em busca da Shikon no Tama. Desde quando não conseguia mais controlar seus pensamentos?
Antes mesmo de ter um contato maior com ela, ele se vira testado, dia após dia. Já havia se sentido envergonhado ao observá-la mais atentamente. Já havia imaginado como seria tê-la para sempre em seus braços. Mas no momento atual, ele parecia incapaz de se controlar.
Resolveu sair daquele lugar. Precisava encarar o dia de frente. Com uma última olhada para a porta fechada daquele quarto, ele saiu para o dia ensolarado. Estar fora de casa parecia acalmar seus pensamentos.
Ficou longos minutos sentado em frente à casa, respirando calmamente. Seu corpo aos poucos relaxou, ele pôde pensar com mais clareza. Porém, após apenas alguns instantes de calmaria, uma voz o roubou de seus devaneios.
- Inuyasha!
Era a segunda vez que pensara seriamente em matar aquele monge maldito, nas últimas 24 horas.
- Estou aqui.- ele gritou em resposta.
- Imaginei que estava!- Miroku finalmente apareceu, um sorriso bobo no rosto.- Acabei de passar pela vila, e vi que Kagome-sama estava bastante ocupada ajudando a senhora Kaede.
- Keh.- InuYasha continuou mirando o horizonte.
- Eu comentei com a senhora Kaede a vontade de Kagome de iniciar seus estudos...- ele olhou para onde Inuyasha olhava.
- Aparentemente ela estava com bastante pressa para começar.- Inuyasha rebateu.
- Ah, sim- Miroku respondeu ironicamente.- Mas a pressa é inimiga da perfeição, meu amigo.
- Não é para mim que você tem que falar isso, Miroku!- InuYasha debochou abertamente.- Eu não teria pressa nenhuma para começar a estudar algo com aquela velha.
Miroku não o censurou, apenas ficou em silêncio.
- Você fala de Kagome-sama como se desabafasse...está tudo bem com vocês?- Miroku o olhou atentamente, um sorriso irônico brincando em seu rosto.
- Isso interessa a você?- InuYasha desviou o olhar.
- Ah, InuYasha...seu bom-humor sempre me surpreende.- ele riu.
- Está tudo bem.- o hanyou respondeu prontamente, suspirando.
- Ah, sim.- Miroku riu.- Então nada mudou desde ontem à noite?
InuYasha o olhou prontamente, seus olhos arregalando-se de susto.
- O que poderia ter acontecido?- ele quase gritou.
Miroku riu abertamente, e começou a caminhar lentamente para longe de InuYasha.
- Você é quem deve me dizer, a última vez que conversei com você ontem, você estava voltando para cá e Kagome estava indo para a casa de Kaede...
- Então...- InuYasha já estava perdendo a paciência.
- Bom, achei que talvez vocês tivessem terminado a conversa que eu tive que interromper...
- Heh, Miroku!- InuYasha levantou-se de um salto.- Você está realmente querendo me tirar do sério?
- Não entendo porque tamanha irritação, Inuyasha...quando conversei com você ontem, você parecia bastante transtornado. Achei que poderia querer desabafar e...
- Eu estou indo.- InuYasha já estava preparando-se para correr.- Não quero mais um interrogatório como o de ontem!
Miroku tentou correr para acompanhar o hanyou, suas pernas pareciam incapazes de alcançar tamanha velocidade, mesmo que InuYasha estivesse apenas realizando pequenos saltos para ir até à vila.
- Eu não acredito que você enquadre aquelas simples perguntas como um interrogatório!- ele tentou gritar, para que sua voz alcançasse o amigo.
(...)
Kagome previra que aquilo iria acontecer. InuYasha aparecera fingindo-se interessado em ajudá-la em seus estudos, Kaede continuara suas explicações independente da presença do hanyou, e Kagome repentinamente desaprendera como respirar corretamente e manter sua coordenação motora.
As tarefas ditadas por Kaede pareciam um desafio maior quando tinha os olhos de InuYasha sobre si. Qualquer comentário ou crítica de Kaede parecia pior com o hanyou na presença delas.
- Você deveria realmente colocar seu quimono!- Kaede parecia cansada.
- Achei que poderia dispensá-lo no primeiro dia.- Kagome sorriu, sem graça, com a própria mentira. Desconfiara que as tarefas seriam fáceis e não tão cansativas, mas tinha receio que colocar aquele quimono poderia trazer memórias para InuYasha. As coisas estavam indo tão bem entre eles, que ela não se sentia capaz de pôr aquilo à prova.
Conforme o dia avançava, ela sentiu-se mais animada ao ver que Kaede não pretendia prolongar muito os ensinamentos. Quando a senhora dispensou-a para que Kagome descansasse antes de colher as ervas no final do dia, a garota não pensou duas vezes, e gastou quase uma hora em um demorado banho. Sorriu sozinha enquanto deixava que a espuma sumisse, feliz de poder usar os produtos que trouxera de sua Era. Sabia que aqueles minutos de meditação e filosofia na água quente não podiam ser demorados. Enquanto na sua casa, um banho quente era facilmente obtido apenas ligando-se a banheira, ali tudo exigia um grande esforço.
Ainda enrolada na toalha, aproveitou os minutos em que secava as últimas gotas e afastava qualquer resquício de bagunça do local, deixando-o pronto para que Shippou ou Kaede o utilizassem mais tarde, para deixar sua mente vagar. Optara por não pensar em InuYasha. Passara o dia ocupada, mesmo com ele tão próximo testando seu controle. Era tão estranho estar a poucos metros de distância e não poder abraçá-lo, beijá-lo. Talvez, fosse parte do treinamento de Kaede.
Trocar de roupa e deixar que seus cabelos, agora limpos, balançassem levemente com o vento de final de tarde, trouxeram um novo espírito de renovação. Kagome observou feliz, enquanto InuYasha e Kaede voltavam da pequena horta, carregados.
- Acho que eu também ganhei algumas tarefas em seu treinamento, Kagome.- o hanyou sorriu para ela. Ela sorriu de volta.
- Não se preocupe, Inuyasha. Rin pode me ajudar daqui para frente, obrigada.
Kagome sentiu um peso no estômago ao ver que demorara demais em seu banho. Uma das pequenas cestas nos braços de InuYasha, estava cheia de ervas.
- Essas são...?- ela apontou para a cesta.
- Sim- InuYasha respondeu prontamente, de um modo mais delicado do que ela esperara.- Não se preocupe, imaginei que você precisava de alguns minutos de descanso.
- O-obrigada, InuYasha...- ela falou baixinho, tentando evitar olhar para Kaede que já estava ocupada com o restante da colheita. As orelhas do hanyou deram sinais de que ele entendera perfeitamente bem o que ela dissera.
- Keh- mas dessa vez, o resmungo dele não parecera irônico, e ela sorriu. Ele não corou quando respondeu ao sorriso dela.
Kaede já estava entrando na pequena casa, parecendo muito consciente de que ambos estavam trocando olhares.
- Lembre-se do que conversamos hoje, Kagome. Acho que você consegue identificá-las com o que aprendeu, não?
- S-sim...farei meu melhor- Kagome respondeu, prontamente.
- Jimenji estará esperando você amanhã. Ele começará a preparação das poções conforme o sol alcançar o ápice no céu. São estudos diferentes, ervas da noite...ervas do dia...
- Claro.- Kagome tentou registrar o que ela falava, mas InuYasha olhava-a de maneira curiosa.
- Um dos homens da vila já o avisou. Ele estará esperando por você. Desculpe não estar em condições de acompanhá-la...
- Ahn, tudo bem- ela interrompeu, educadamente.- Eu acharei um jeito. É minha tarefa, afinal de contas.
- Claro, claro- Kaede olhou Inuyasha como que o analisando.- Com licença, preciso descansar. Obrigada novamente, InuYasha.
Ele não respondeu. Ele olhou Kagome retirar de suas mãos a pequena cesta e analisar as ervas. Ele deixou que ambas suas mãos caíssem ao lado do corpo, talvez esperando por um toque que não veio. Kagome não prestou atenção quando Rin passou por eles, indo de encontro à Kaede dentro da casa.
- Pelo jeito Rin cozinhará apenas para Shippou esta noite...- a voz de Sango alcançou seus ouvidos.
- Kaede-sama parecia muito cansada...ela tem estado assim nos últimos dias...- Miroku segurava o filho mais novo.
Os olhos de Kagome fixaram-se nos amigos, e ela precisou se concentrar para falar.
- Será que eu estou causado problemas?
- Claro que não, Kagome...não se preocupe...- Sango aproximou-se da amiga.- como foi o restante do seu dia? Conseguiram tudo que era necessário?
- Sim...preciso apenas decifrar qual delas é qual...- ela apontou as ervas com o olhar.
- Ah, claro...- Miroku acenou com a cabeça. – Escolha um lugar calmo para estudá-las. Um lugar que também seja apropriado para suas meditações...
- Miroku...- a voz de Sango parecia cautelosa. Era estranho vê-la chamando-o daquele jeito. Kagome sorriu e ao mesmo tempo sentiu que estava invadindo algo pessoal, afinal, todos aqueles anos juntos havia dado intimidade suficiente para que ambos não tivessem mais formalidades um com o outro. – Certamente Kagome saberá onde é melhor...se quiser, Kagome, fique à vontade para usar nossa casa... se bem que, nos últimos tempos as crianças tem feito barulho suficiente para que nem o pai delas possa meditar com calma...
-Seria importante que orássemos também, sabe...- a voz de Miroku era irônica.- Devemos agradecer sempre aquilo que conquistamos, minha querida esposa.
- Ás vezes não entendo suas piadinhas.- Sango riu para ele, e dirigiu-se novamente à Kagome.- Você pensou em algum lugar para estudar, Kagome?
Ela teve a impressão de que aquilo não passava de uma piada interna. Parecia tudo bem arquitetado para que ela chegasse à conclusão que quase estava chegando. Surpreendeu-se ao ouvir aquela voz rouca que sempre fazia seu coração disparar.
- Você pode usar o espaço vazio lá de casa, Kagome...
Todos olharam para InuYasha. Miroku tinha uma expressão impossível de ser lida.
- Ahn...- ela parecia incapaz de responder.- Obrigada, InuYasha...e-eu...
- Ah, claro!- Sango bateu na própria testa.- Sempre esqueço que InuYasha adotou um modo mais humano de viver!
InuYasha não sorriu nem esboçou qualquer reação. Ainda olhava Kagome, esperando sua resposta.
- Eu vou precisar de bastante espaço para separar as ervas e os materiais...não quero incomodar...
- Há, você visitou a casa de InuYasha, não?- dessa vez, Miroku parecia disposto a tirá-los do sério.- Ele aparentemente esqueceu de acrescentar alguns objetos à decoração. Hum...decididamente havia uma esteira a última vez que eu fui lá, mas...
- Miroku!- a voz de InuYasha era impaciente.- Quem precisa de uma mesa de jantar?
Os dois trocaram um olhar cúmplice. Kagome fez um registro mental para questioná-lo sobre o que estavam falando mais tarde.
- Achei a idéia boa, Kagome- Sango sussurrou para que apenas Kagome ouvisse, mesmo sabendo que as orelhas sensíveis de InuYasha certamente ouviram.
Ela o olhou brevemente, enquanto apertava as laterais da cesta cheia de ervas. Seu coração parecia querer pular para fora do peito, enquanto eles trocaram um breve olhar, cheio de entendimento.
(...)
Já haviam percorridos distâncias maiores daquele jeito- Kagome em suas costas apertando fortemente seus ombros para sentir-se segura. Porém, daquela vez, Inuyasha tentava manter-se concentrado, as duas mãos entrelaçadas atrás de seu próprio corpo dando sustentação ao peso da garota pareciam estar pesando mais do que deveria.
Será que em nenhum momento anterior ele reparara o quanto ficavam próximos enquanto ele corria com ela em suas costas? Ele odiou-se por pensar aquele tipo de coisa, mas não conseguia controlar sua imaginação toda vez que algo no caminho arenoso o obrigava a pular mais alto ou acelerar repentinamente, e o corpo de Kagome batia bruscamente contra o seu. Ele já estava respirando com a boca, tentando não se lembrar do fato de que o peso que sentia fortemente pressionado contra as suas costas já havia estado anteriormente testando-o, apertados contra seu próprio peito. Ele precisou fechar os olhos por alguns instantes, mesmo temendo tropeçar em alguma raiz de árvore.
Kagome também parecia pouco a vontade com o contato, e ele ficou surpreso com o tempo em que permaneceram em silêncio. Quando ele finalmente avistou a pequena casa, apressou-se para encurtar a distância, e antes que começasse a pensar besteiras novamente, colocou-a com muita delicadeza no chão.
Não conseguiu olhar para o seu rosto no primeiro momento, ele certamente estaria corado. Não havia utilidade alguma em lembrar-se dos momentos que haviam compartilhado anteriormente, próximos daquele mesmo lugar...mas a imagem voltava à sua cabeça mesmo contra a sua vontade.
Kagome já estava arrastando a porta da casa, tirava a mochila das costas e procurava no interior as ervas que ela ajeitara cuidadosamente antes de partirem da vila.
- Obrigada por isso, InuYasha- a voz dela ainda era formal, e ele precisou respirar fundo duas vezes antes de também entrar na casa.
Nunca tivera um lugar fixo tão próximo à vila que fora responsável por todo o seu sofrimento no passado...pelo menos não um lugar que ele pretendesse manter intacto para sempre...para chamar de lar. Pelo menos tudo ainda estava organizado, ele fizera questão de ter tudo no lugar sabendo que Kagome poderia estar ali a qualquer momento. A idéia lhe ocorrera, mas o plano de Sango de mencionarem a casa de InuYasha durante uma conversa informal parecera melhor, por mais idiota que se sentisse fazendo algo tão ensaiado apenas para ter a garota perto de si.
Ver Kagome ali, procurando espaço em sua pequena cozinha, fez seu coração inflar no peito. Aquela visão era tudo que ele queria ter...e gostaria muito de conseguir falar em voz alta para ela tudo que planejara. Porém, a garota parecia muito concentrada em organizar as ervas em potes correspondentes.
- Kaede repetiu diversas vezes que nem ela nem você poderão me ajudar...- ela falou, ainda de costas para ele.- Eu sei que essa é apenas a primeira etapa, mas eu vou aprender qual delas é qual.
Ela se virou para ele, sorrindo. InuYasha já fizera o caminho até a esteira que costumava usar para dormir, posicionada no canto mais distante da pequena sala. Observou Kagome arrastar a porta da pequena cozinha e voltar ao aposento que ele se encontrava.
A garota olhou ao redor, intrigada.
- Você realmente não tem muitos móveis aqui...
- Keh- ele fechou os olhos, debochando- Essa história novamente! Tenho o necessário...
- Um lugar adequado para dormir é necessário...- ela sorriu torto para ele.
Ele cruzou os braços defensivamente.
- Você diz isso por que na sua casa as camas são feitas de várias camadas fofas...
- Eu já me acostumei com essas esteiras- ela apontou para onde ele estava sentado. Ele não soube explicar por que corou.- Mas não seria má idéia trazer alguns sacos de dormir mais decentes...ou quem sabe uma cama de armar.
- Você dormiu no chão na casa da velha Kaede?- ele abriu o olho direito e sorriu ironicamente para ela.
- Não estou reclamando.- ela riu, e recostou-se no vão entre a cozinha e a sala, os braços apoiados na porta atrás de si.- Dormi no chão...da mesma forma que fiz durante todo o tempo que passamos viajando...
Inuyasha brincou com um fio solto da esteira, evitando contato visual com a garota.
Arrependeu-se ao ver com o canto do olho, ela apoiando a mochila nos ombros para ir embora. Gastara todo aquele tempo com a conversa mais trivial que pudera imaginar.
- Você já vai?
- Já anoiteceu...é melhor eu ir antes que fique tarde...Kaede parecia prestes a cair no sono...não quero perturbar a rotina que ela e Shippou estabeleceram...- os olhos dela percorreram o céu lá fora, embora ela parecesse muito triste em partir.
- Posso levar você para a casa de Jimenji amanhã- ele tentou controlar seu tom de voz, que já estava rouco sem que percebesse. Precisava falar aquilo rapidamente, antes que perdesse a coragem.
- Obrigada, não quero causar incômodo...
- Se você vai dormir no chão na casa da velha Kaede...- ele não continuou a frase. A parte "então pode dormir no chão aqui" ficou muito implícita no modo como ele falara, enquanto seus olhos fixavam-se no rosto de Kagome, encarando-a seriamente. A garota pareceu entender o que ele queria dizer.
Deliciou-se ao observar as bochechas de Kagome tingirem-se de vermelho em questão de segundos.
- O q-que...?
- Hunf- ele virou o rosto- viajamos juntos durante todo esse tempo e agora você está cheia de frescuras?
- F-frescuras?- o rosto dela parecia estar coberto por uma nuvem escura.
- Você pode ficar naquele quarto- ele apontou com a cabeça, sem desgrudar os braços que estavam cruzados sobre seu peito.- Eu sempre durmo por aqui mesmo...
Kagome pareceu ponderar por alguns minutos. InuYasha tentou manter a respiração. Sabia que agora era diferente dormirem sob o mesmo teto, mas queria que ela se sentisse à vontade.
Ela olhou o que carregava na sua mochila e pareceu se dar por vencida.
- Posso aproveitar para estudar um pouco sobre essas ervas hoje à noite...- ela pensou alto.
- E podemos jantar uma daquelas coisas boas que você sempre traz na sua sacola de mantimentos- ele sorriu abertamente para ela.
Kagome não largara a mochila. Permaneceu parada, mordendo o lábio inferior.
- Se você acha que não tem problema...- ela sussurrou.
Ele não respondeu, ficou parado em seu canto, tentando disfarçar a ansiedade.
Kagome finalmente repousou a mochila no chão da sala. InuYasha abriu um de seus olhos e a observou cautelosamente, enquanto ela organizava algumas coisas, e puxava outras para fora.
- Você não precisa agir assim, sabe...- ele tomou coragem e disse, antes que pudesse pensar melhor.
- Agir assim...como?- ela o olhou.
InuYasha inclinou o corpo para frente, mesmo que aquilo não fizesse diferença alguma- a distância entre eles ainda era absurda.
- Eu não pensei que ficaria essa situação estranha entre nós...- ele sussurrou, sem olhá-la nos olhos.
- Não há situação estranha alguma...- ela continuou vasculhando a mochila.
- Hum...certo...
Kagome se levantou de um salto e já tinha uma caixa de fósforos nas mãos. Riscou-os energicamente, alcançando as velas ajustadas em pequenos pilares.
Inuyasha manteve os dois olhos abertos enquanto ela fazia aquilo. Quando ela se moveu para a segunda vela ele arriscou um olhar para o que ela havia tirado da mochila. O quimono que ela usaria no dia seguinte estava cuidadosamente dobrado no chão. Ele engoliu em seco- em que momento aquela veste havia parado em sua mochila? Será que ela previra que ele a convidaria para se hospedar em sua casa? Tentou afastar aquele pensamento- como ele mesmo falara, antigamente era rotineiro dormirem sob o mesmo teto.
Kagome não parou de querer organizar as pequenas coisas ao seu jeito e depois de algum tempo, InuYasha levantou-se para ajudá-la, contente com a idéia de que se ela estava mudando as coisas, provavelmente planejara ficar mais que uma noite. Seu peito inflara-se com a idéia. Kagome parecia tão decidia, sem receios. Será que tudo poderia ser como ele sonhara?
- Será que Kaede vai adivinhar que eu estou aqui?
- Provavelmente vai deduzir que eu seqüestrei você...- Inuyasha falou antes de pensar bem no que aquilo significaria, sua voz soando rouca de repente. Ele encou o rosto de Kagome apenas para deliciar-se ao vê-la corando.
Ao mesmo tempo, imaginou a conversa que Miroku e Sango deveriam estar tendo naquele momento, os rostos maliciosos e muitas risadas maldosas. Sacudiu a cabeça para afastar aquilo da sua mente.
Quando ele a viu indo em direção ao quarto que ocuparia, sentiu o sangue gelar- naquele momento ela descobriria os seus planos. Mas era melhor daquele jeito... ele não teria coragem de pedir para ela...
Ela tinha o quimono e o resto de suas coisas seguras em seus braços, e caminhou a passos largos até a porta que InuYasha apontara anteriormente. Ela arrastou a porta energicamente e entrou no quarto sem pensar duas vezes.
InuYasha sentiu seu corpo inteiro contraído, enquanto escutava os passos dela ecoarem pelo quarto.
- Hum...você estava escondendo todos os móveis da casa aqui?- ela perguntou despreocupadamente. Ele caminhou até a porta do quarto e observou de longe, o corpo tenso.
Ela largara o quimono em cima da pequena mesa que ele colocara de propósito perto da janela.
Kagome parou e se virou para observar o restante do quarto. Estava mobiliado de maneira simples, porém harmônica. Ela olhou novamente a mesa que acabara de repousar suas coisas, depois olhou novamente para o centro do quarto.
- Casal...?- ela sussurrou, enquanto apontava sem graça para o que InuYasha tentara exaustivamente transformar em algo parecido com uma cama. Apenas alguns centímetros mais larga do que as esteiras comuns, não era um padrão de imagem do conforto, mas Kagome pareceu entender a idéia.
- Está desocupado...mas montado há algum tempo...para caso você voltasse...
Ela se virou bruscamente para ele. Passaram-se longos segundos sem que nenhum dos dois falasse nada. Ele observou que além do vermelho em seus olhos, haviam lágrimas tímidas no cantos
- V-você- a voz dela era fraca.
- Eu não pretendo nunca mais me separar de você, Kagome...- ele encurtou a distância que ainda havia entre eles, falando do jeito mais suave que pôde, torcendo para que seu jeito grosso habitual pudesse ficar adormecido, e ele fosse capaz de criar um momento romântico.
Ela respirava rapidamente, parecendo querer absorver cada detalhe.
- Você realmente me esperou nesses anos todos...- ela falou com um fio de voz, porém foi muito claro para sua audição privilegiada.
- Keh- ele debochou, nervoso- Você ainda tinha alguma dúvida?
Ele não conseguia acreditar em como o momento de constrangimento anterior, se transformara naquilo.
Ela se virou para ele. Ele observou um leve tremor tomar o corpo da garota. Ela virou-se lentamente para ele, um sorriso iluminando seu rosto. Ele sentiu seu corpo congelar no momento em que uma das mãos de Kagome deslizou pelo seu braço, subindo pelo seu ombro. A outra, ela descansou em seu peito.
- Então...- a voz dela era estranhamente convidativa- eu não preciso ficar na casa da velha Kaede...- ela sussurrou, um sorriso tímido em seus lábios. Seus braços moveram-se para enlaçar o pescoço do hanyou, que sentiu-se repentinamente sem ação.
Ele sentiu seu estômago despencar com a naturalidade dela, não acreditando que aquela já era sua resposta. Ela não esperou que ele falasse nada, já havia colado seus lábios bruscamente, buscando beijá-lo da maneira mais entregue possível.
Inuyasha voltou a si rapidamente, e já abraçara o corpo da garota fortemente contra o seu. O beijo dessa vez era mais experiente, e Kagome deixou que todo o peso de seu corpo caísse sobre Inuyasha, enquanto ele tentava manter suas mãos o mais imóveis possível, prendendo o corpo da garota contra o dele.
Apenas alguns minutos sozinhos, fizeram com que a sensação de que ficara algo estranho entre eles se dissipasse completamente,
- Então...- ele se afastou, querendo recuperar o fôlego.- Isso é um sim? V-você, quer mesmo...ficar aqui?
- Você já sabe a minha resposta há muito tempo...
- Mas é bom ouvir, mesmo assim...- ele perdeu o fio da meada, quando a mão de Kagome alcançou o topo de sua cabeça. Ele achou que aquilo o aborreceria, mas quando sentiu os dedos ágeis de Kagome massageando suas orelhas, não conseguiu pensar em mais nada.
Ele fechou os olhos e descansou as duas mãos na cintura da garota. Não conseguiu conter um leve tremor, enquanto um som contido, que lembrava muito um rosnar, escapou de seus lábios. Kagome deslizou a mão pelos seus cabelos, sentindo toda a extensão. Ele ficou surpreso como aquele simples toque conseguia lhe transmitir tanto carinho.
- Eu amo você, InuYasha...- ela sussurrou. Ele abriu os olhos, assustado. Não precisou buscar os olhos da garota, o rosto dela estava a apenas milímetros de distância. Ele se perdeu no escuro de suas pupilas, enquanto precisava reaprender a respirar. Era impressão dele, ou as pupilas dela estava dilatando-se enquanto ela o olhava?
- Ka-Kagome...- ele já sabia dos sentimentos dela, obviamente. Ficara muito claro depois de tanto tempo juntos. Mas ouvir da boca dela era completamente diferente. Tornava o momento único...era impossível explicar.
Como ele responderia à altura? Será que seria capaz de traduzir em palavras tudo que estava sentindo? Tudo que havia sentido até então?
Haviam sido longos meses em que pensar sobre tudo que havia vivido...muitas coisas estavam bastante claras para ele. Mas conseguiria falar?
- Sua tola- ele a abraçou fortemente, sabendo que a machucaria se ficassem muito tempo naquela posição. Não conseguiria encará-la.- Se apaixonou por alguém que poderia a matar com alguns poucos movimentos de mãos...inclusive...alguém que tentou isso realmente...quando nos conhecemos- sua voz foi morrendo, ao lembrar de como haviam se odiado no primeiro momento. Ele certamente. Kagome sempre fora doce e gentil.
- Elas não machucam tanto assim...- Kagome falou, quase rindo, passando os dedos delicadamente pelas garras na mão direita de Inuyasha, que agarravam suas costas firmemente.
Ele queria a chamar de idiota, como fizera diversas vezes...mas não parecia mais capaz de querer ofendê-la.
- Ainda existem outros modos...- ele sorriu, entrando na brincadeira da garota.
- Eu não tenho medo...- antes que ele percebesse, a mão dela alcançara a bainha de sua espada, e num movimento mais rápido do que ele pudera imaginar, ela conseguira tirar Tessaiga de sua cintura. O baque foi surdo quando a espada atingiu o chão.
Ele se afastou brevemente dela, e olhou para a espada que o acompanhara durante todo aquele tempo. A espada que garantira que Kagome ficasse viva...que garantira que todos eles estivessem vivos. Não soube explicar porque aquela atitude por parte de Kagome fizera seu coração bater fortemente contra o peito, ansioso- ele precisou reaprender a respirar.
- Você está muito corajosa hoje...- sua voz foi quase como um lamento. Aquele movimento por parte de Kagome fora extremamente convidativo de alguma maneira. Ele não sabia explicar, mas era como se algum tipo de decisão silenciosa tivesse sido tomada pelos dois.
- Não tem nada a ver com coragem- porém o tom dela era destemido, quando ela o fez olhá-la nos olhos.- Apenas vem da confiança que tenho em você...
- Gostaria que você pudesse entender o que significa para mim ouvir isso de você...- ele sussurrou.
- Você pode tentar explicar...- a mão dela alcançou seu rosto. Ele fechou os olhos, incapaz de se conter, quando a ponta dos dedos da garota deslizaram pela pele de suas bochechas, nariz...brincando ao redor de seus lábios.
Ele adorou poder saborear todas aquelas sensações. Apenas saber que InuYasha sentia algo especial por ela, fizera com que Kagome pudesse se sentir mais segura, mais decidida.
A outra mão de Kagome subia pelo seu braço, apalpando seus músculos de tempos em tempos- ele precisou se concentrar para poder arquitetar as palavras, enquanto sua respiração acelerava sem que ele percebesse.
- Você está comigo há tanto tempo...que parece quase repetitivo falar...- sua voz falhou, a mão de Kagome não mais em seu braço, mas sim em seu ombro, massageando-o, parecia decidida à tirá-lo do sério.
- Eu acabei de admitir que amo você...- ela riu, fazendo um som engraçado escapar de seu nariz.
- Como se eu não soubesse disso...- ele manteve os olhos fechados, um sorriso brincando em seus lábios.
- Poderia ter me feito esperar menos...- ela sussurrou, e beijou sua bochecha delicadamente.
A mão dela continuava apalpando os músculos tensos no corpo do hanyou.
- Pretendo... me redimir... dia após dia...- sua voz realmente falhava agora.
Ela beijou o canto de seus lábios. InuYasha tentou buscar a boca da garota, mas ela se afastou rapidamente. Ele manteve os lábios entreabertos durante alguns segundos, depois os curvou em um sorriso travesso. Ela iria o forçar a falar...
- Eu posso afirmar que só descobri o que é esse sentimento com você...- ele suspirou, colando o rosto com o dela, para que não precisasse a olhar. Sentia a própria pele ardendo, e sabia que ela podia perceber.- Não sabia que era possível sentir tanto...tantas coisas ao mesmo tempo...
As mãos de Kagome estavam finalmente paradas, ela escutava atentamente.
- Eu acordei hoje aqui...sozinho...sabendo que eu deveria ter tido essa conversa que estamos tendo agora, no momento em que vi você saindo daquele poço...
A respiração da garota acompanhava os batimentos cardíacos dele.
-Eu amo você, Kagome...mais do que posso imaginar...mais do que achei que fosse possível sentir...- ele suspirou, enquanto afundava o rosto em seus cabelos cheirosos, aspirando aquele perfume que parecia tatuado em sua mente.- Não posso suportar a idéia de estar longe de você...
Ele sabia que ela deveria estar pensando no sentimento que ele compartilhara com Kikyou...mas o que ambos tinham agora não se comparava ao que ele havia vivido com a sacerdotisa. Tinham uma história, era verdade...mas com Kagome tudo era tão diferente...tão certo...tão intenso...
Ele sabia que se dera conta daquilo muito tarde...mas tinha consciência de que seu pensamento não era em vão...ela nascera para ele, e ele nascera para ela...
Ele segurou firmemente o rosto da garota e buscou seus lábios, agora com sucesso, beijou-a de uma maneira eufórica, querendo que ela entendesse realmente o que se passava dentro dele.
Kagome correspondeu ao beijo à altura, suas línguas já estavam perdidas uma na outra, e ela acariciava a de InuYasha de uma maneira ao mesmo tempo delicada e voraz.
Ele entendia aqueles sinais agora- tentara ignorá-los da primeira vez...mas por que fugir de tudo aquilo? Aquelas sensações eram maravilhosas, e ele queria estar verdadeiramente ao lado dela...inteiramente ao lado dela...
Kagome implorava silenciosamente para que ele não parasse. InuYasha arriscava passear as mãos pelo corpo da garota, testando novos caminhos. Percebeu que Kagome não o afastava nem parou sua mão quando ele acidentalmente tocara a pele por debaixo da blusa que vestia.
Saber que estavam ali sozinhos e que nada os atrapalharia, fez InuYasha ser tomado por uma euforia sem tamanho. Sabia que ela pensava o mesmo. Em nenhum momento houve uma voz que gritou para ele que aquilo era errado. Seus corpos reagiam um ao outro, e parecia muito certo não parar.
Ele percebeu que as mãos de Kagome estavam trêmulas quando ela agarrou a parte de cima de sua veste. Era quase como um pedido. Em resposta, ele segurou as mãos dela, concentrando-se por um momento. Aquilo era exatamente como em seu sonho.
Sua Tessaiga já estava jogada aos seus pés, o que era uma peça de roupa? Kagome observou enquanto ele retirava a peça, os olhos da garota pareciam hipnotizados com o vermelho do tecido. Ele deixou que escorregasse pelos seus dedos, enquanto a encarava seriamente, querendo que ela entendesse que ele estava submisso a ela naquele momento...Kagome tinha um olhar completamente diferente enquanto o olhava, observando o peito do hanyou subir e descer com sua respiração descompassada. Os olhos dela tinham um brilho diferente...ele sentiu-se como se tivesse tirado mais peças de roupa de uma só vez...ela parecia devorá-lo com os olhos.
Kagome mordeu o lábio inferior enquanto pousava as mãos delicadamente sobre o peito dele, agora apenas coberto pela roupa branca que ele mantinha por baixo. Ela observou a respiração dele, ainda levemente alterada, parecendo desconcentrada ao ter os olhos famintos de InuYasha diante se si.
InuYasha já estava ficando impaciente, mas Kagome parecia ter todo o tempo do mundo e deslizou lentamente as mãos pelo peito do hanyou, encarando seus olhos.
Ele inclinou-se para frente lentamente, sem quebrar o contato visual. A magia do momento parecia incapaz de ser quebrada...
Ele fechou os olhos apenas quando seus lábios se tocaram novamente...ele a beijou uma, duas vezes...não permitindo que ela tivesse mais do que o simples contato superficial...ela tentou segurar a nuca de InuYasha, que estava preparado, apoiando toda a sua força para que ela não pudesse tomar o controle da situação. Ela iria pensar que dominava a cena...ele iria provocá-la até o ponto em que poderia finalmente conhecer a Kagome sem receios...
Ele lambeu os doces lábios de Kagome, deslizando a língua de um lado ao outro. Kagome mexeu-se em protesto, tentando fazer com que ele a beijasse novamente, pressionando o corpo firmemente de encontro ao dele. Ele lentamente entreabriu os lábios, e com o máximo de cuidado que pôde reunir, mordeu levemente o lábio inferior da garota.
Ele sentiu a respiração acelerada de Kagome batendo em seu rosto, pontuada por leves gemidos. A mão da garota perdeu-se nos cabelos do hanyou, seus dedos entrelaçados firmemente nos fios teriam causado dor se ele estivesse em sua forma humana. Mas enquanto ele estivesse naquela forma, aquele tipo de atitude só serviria para provocar mais ainda a alma selvagem que existia dentro de si.
Ele finalmente cedeu às tentativas da garota, e cobriu os lábios dela com os seus, e com movimentos rápidos de sua língua explorando todos os cantos da boca de Kagome, conseguiu arrancar mais gemidos tímidos, porém quase constantes, enquanto ele apertava pequenos espaços de pele exposta que a roupa da garota deixava à mostra.
Ele moveu a cintura mais para perto dela, incapaz de se conter. Ela gemeu alto ao sentir a excitação de InuYasha contra sua barriga, parecendo incapaz de voltar a beijá-lo durante poucos milésimos. Não se sentiu envergonhado como pensou que se sentiria ao demonstrar o quanto a desejava- pelo contrário. Ele enlaçou a mão nos cabelos dela, aproveitando a distração da garota, expondo seu pescoço liso e delicado. Moveu rapidamente sua boca depositando diversos beijos, arriscando passear a língua pela pele macia.
Kagome jogou a cabeça para trás, enquanto firmava sua cintura mais para a frente. Ele sorriu internamente com a resposta corporal dela- ela estava sentindo tudo aquilo que ele sentia? Sua respiração era alta, e ela não parecia se importar de sussurrar palavras desconexas, que mais pareciam pedidos. Ele percebeu duas tentativas de Kagome de tomar alguma iniciativa- mas ela parecia muito tímida para isso. Sentiu a mão dela em sua barriga, demorando-se ali algum tempo. Depois, ela arriscou um toque delicado que desceu pelo seu peito. Mas ela parava por ali- ele sabia que a experiência da garota era nula.
InuYasha forçou o corpo de Kagome para trás, usando uma mão de apoio para que ela se sentisse segura até estar deitada. Ele ajeitou-se sobre ela para poder olhá-la nos olhos. Deslizou a mão pelo rosto delicado da garota, enquanto observava deslumbrado, o peito dela movendo-se muito rapidamente, a boca entreaberta implorando por ar. Admirou a cena durante alguns segundos, imaginando quando poderia ter visto algo tão maravilhoso em sua vida quanto aqueles olhos escuros encarando-o, convidativos.
A mão de Kagome alcançou a sua cintura, ele tentou focar seus pensamentos para que aquilo não o fizesse estragar tudo. Ela tentou o puxar para perto, mas ele simplesmente tocou seus lábios por breves momentos. Kagome inspirou profundamente, e jogou a cintura para cima, buscando contato com o corpo de InuYasha.
Ele lentamente deslizou a ponta do nariz pelo rosto da garota, depositando beijos em cada espaço que podia alcançar, fazendo o caminho pelo seu pescoço, alcançando a clavícula. A respiração de Kagome parecia mais acelerada do que nunca, e a mão que ela mantinha na cintura de InuYasha manteve-se em um aperto que estava tornando-se doloroso, mesmo para alguém tão forte quanto ele.
Nem ele saberia responder por que estava mantendo toda aquela calma...porém, havia um medo constante de atravessar aquela linha e nunca mais poder voltar...não queria que aquilo estragasse tudo que tinham até então...
Mas por que eles estavam com aquela urgência? Por que seus corpos pareciam gritar quando entravam em contato um com o outro? Se ambos queriam aquilo, não havia por que temer.
A mente de Kagome não funcionava como devia funcionar. Ela não sabia mais onde estava, nem onde estaria no próximo momento. Desde que se dera conta do que aquele quarto significava, saíra de si. Ela queria estar próxima dele o máximo que pudesse, e por mais absurda que aquela idéia pudesse parecer, até seus corpos exerciam um efeito de barreira para o que ela estava sentindo.
Kagome não parecia mais estar agindo com a razão- aquela era a Kagome decidida que ele sabia que existira o tempo todo, por mais que na maioria das vezes ele a enxergasse como alguém frágil que necessita proteção.
Ele mordeu seu pescoço, mais forte dessa vez, querendo provocar mais descontrole ainda na garota. Uma de suas mãos estava na lateral do corpo de Kagome, explorando cada pedaço- de vez em quando, ele deslizava a ponta de suas garras sobre a pele da garota, deliciando-se ao perceber que ela se arrepiava. Ele beijou a parte do pescoço que acabara de morder e deslizou a língua delicadamente, exercendo pressão.
Ela precisava senti-lo mais perto de si. Seu corpo gritava- a distância era quase dolorosa. Kagome gemeu mais alto e parecendo incapaz de se conter, em um movimento rápido que ele jamais imaginara, escorregou as mãos para as nádegas de InuYasha e o puxou fortemente contra si.
Foi uma espécie de choque quando os corpos se bateram. InuYasha deixou escapar um gemido mais alto do que gostaria, seguido de um rosnado involuntário, quando Kagome mexeu-se debaixo dele, a mão firmemente ainda o apertando contra si- ela afastou as coxas e enlaçou ambas as pernas ao redor de sua cintura.
Um zumbido ensurdecedor tomou seus ouvidos. Sua mão apertou dolorosamente o corpo de Kagome, ele sentiu as garras atingindo a pele macia. Ela quase gritou, mas o puxou mais ainda para perto. Ele sentiu o quanto Kagome estava excitada, quando seus corpos se grudaram inteiramente, a garota fazendo questão de que não houvesse espaço algum entre eles.
- Ka-Kagome- ele achou forças para falar.
Ela já tentava beijar seus lábios novamente. O cérebro do hanyou trabalhava tão rápido que ele achou que fosse desmaiar.
- P-por favor...- ela sussurrou. Ele ouviu um rosnado subir do próprio peito. Por que ela fazia aquilo com ele? Ela estava realmente querendo levá-lo até o limite?
- Kagome...eu...não...- ele manteve-se apoiado sobre ela, seus longos cabelos prateados formando uma espécie de véu de proteção, seus rostos encarando-se.
- InuYasha...- a voz dela parecia uma espécie de choro.
Ele respirou fundo, seu coração martelando fortemente contra seu peito como se fosse parar.
- Se você...se continuarmos...se...- ele fechou os olhos, xingando-se mentalmente. Sua boca estava agora a centímetros da orelha dela- Droga, Kagome...eu não vou conseguir parar...- sua mão deslizou pela bochecha macia dela.
- Eu quero você- ela sussurrou, puxando seu rosto para encará-la, sua boca quase não se movendo. Algo dentro dele pareceu explodir. Sua mão deslizou para o pescoço da garota.
Droga! Ela sabe realmente o que fazer para me deixar louco!
Ele respondeu à súplica da garota, beijando-a de maneira voraz. Sua língua parecia tão fora de controle quanto seu corpo. Ele perdera completamente a calma que mantivera até então, enquanto Kagome o puxava para que ele permanecesse completamente encaixado entre suas pernas.
Não parecia real- ela implorava para que ele não parasse. Suas mãos já estavam por debaixo da blusa dela, um de seus dedos passou quase despercebido notando um arranhão que ele deixara ali momentos antes.
Com um movimento brusco, ele arrancou a blusa que a garota vestia por cima de sua cabeça. Ela não se importou, e empurrou o corpo rapidamente para permanecer sentada, e ainda usando a força de suas pernas, o obrigou a inclinar o próprio corpo para trás.
Ele aproveitou a falsa sensação de domínio da garota para usar as mãos livres na missão de explorar seu corpo. Ele passeou desde sua barriga até quase alcançar seus seios. Como não houve protesto por parte dela, ele arriscou passar as costas da mão esquerda sobre a pequena peça de roupa que ainda os cobria.
Kagome respirava em arquejos, e em resposta ao toque de Inuyasha, imitou o que ele fizera anteriormente, e mais violentamente do que ele achou que ela poderia, a garota beijou seu pescoço, deixando marcas vermelhas em quase toda a sua extensão. Inuyasha ouviu um rosnar escapar de seu próprio peito, quando a garota começou a mexer a cintura, encaixando-se perfeitamente ao corpo dele. Seu corpo pulsava violentamente, ele não parecia capaz de se conter. Ela era tão maravilhosa...cada instante que se passava fazia ele sentir mais e mais a necessidade de tê-la para si.
As mãos pequenas da garota já tiravam a última peça de roupa que cobria o peito do hanyou. Ele não protestou, e apenas com a parte de baixo de sua roupa, aproveitou para retirar a saia que ela usava- apenas por que permanecera ali, pois não estava impedindo em nada que ele sentisse o quanto Kagome o desejava. A naturalidade com que aquilo acontecera fora tamanha, que ele sentiu-se imensamente exposto ao sentir os olhos famintos de Kagome novamente sobre si. Ela demorou-se em seu peito, suas mãos passeando pelos braços musculosos do hanyou, depois trilhando um caminho exploratório pelos seus músculos. Seus olhos pareciam incapazes de olhar para o lado, ela parecia prestes a pular em cima dele, enquanto sentia-se hipnotizada com sua beleza. A mão dela brincou na musculatura bem definida de sua barriga, ela deixou escapar um gemido enquanto seus olhos percorriam o restante do corpo de InuYasha, talvez imaginando o que ainda estava escondido sob sua veste vermelha.
Ele estava pronto para deixá-la em pé de igualdade com ele- ela ainda estava muito vestida para alguém que estava o testando a cada segundo. Porém, no instante seguinte, Kagome moveu-se para cima e para baixo algumas vezes, sem desfazer o enlace em sua cintura, parecia decidida à tirá-lo do sério. Inuyasha sentia a inexperiência da garota, aos poucos ser substituída pelo instinto e pelo desejo- ela sabia o que fazer para o deixar louco. Ele fechou os olhos, praticamente delirando ao sentir seus corpos se chocando, e uma pergunta martelava em sua mente: porque ainda haviam aqueles pedaços de tecidos estúpidos no meio do caminho?
Toda vez que ela sentava novamente no colo dele, parecia se dar por satisfeita ao sentir a excitação do hanyou pulsar contra a sua intimidade. Repetia o gesto, beijando-lhe os lábios, enquanto InuYasha lutava para conter os gemidos que escapavam de sua boca.
Ele não era capaz de disfarçar tudo que estava sentindo. Ela permanecia abraçada nele, naquela posição que ele esperou que nunca precisasse ser quebrada. Porém, novas idéias surgiram, e ele empurrou o corpo dela, dessa vez sentindo que lhe era permitido tocá-la inteiramente. Ele apertou ambas as nádegas da garota, sentindo o corpo ficar mais dolorido ainda ao sentir a pele macia dela, enquanto a empurrava para que se deitasse novamente.
Kagome parecia não se cansar de sentir a pele exposta de seu peito, seus braços...sua barriga...ela raspava as unhas, e apalpava a musculatura. Ele pressionou fortemente o corpo dela, suas cinturas se chocando com violência. Foi quase como um pedido de desculpas para o movimento seguinte- ele se afastou bruscamente dela, ficando de quatro por sobre a garota.
Beijou entre seus seios, controlando todo o seu corpo, enquanto Kagome segurava sua cabeça. Ele desceu e passeou pela sua barriga, entreabrindo os lábios e deixando que sua língua provasse todos os sabores. Kagome mexia-se debaixo dele, seus gemidos eram quase ritmados e já haviam virado música para os ouvidos do hanyou.
Ela o puxou para que voltasse aos seus seios, e ele livrou-se rapidamente da última peça de roupa que os cobria, sabendo que provavelmente rasgara alguma parte da extensão do delicado tecido. Sem pensar duas vezes, beijou seus seios como se estivesse beijando os lábios da garota. Precisou parar de respirar por um momento para conter seu instinto de acabar logo com aquilo. O cheiro dela, misturado com o sabor de sua pele, que exalava desejo, excitação, era quase como um método de tortura para ele.
Um grito agudo e ao mesmo tempo nervoso escapou dos lábios de Kagome, quando ele arriscou morder lentamente seu seio. Ela levou uma das mãos para as costas de InuYasha, e arranhou fortemente do seu pescoço até seu quadril, descendo pelas nádegas e o puxando para si. Era a segunda vez que ela o tocava daquele jeito, implorando para que ele continuasse. Era extremamente provocante.
Ele desceu distribuindo beijos, arrancando gemidos e suspiros. Seu corpo já estava dolorido, seu membro pulsando implorando para que aquilo fosse até o fim. Sem receio dessa vez, ele afundou o rosto por sobre a última peça de roupa que cobria o corpo da garota, ansioso para poder provar realmente o sabor de Kagome. Ela se curvou para cima, mas segurou seus cabelos- sinalizando que ele continuasse.
Ele beijou delicadamente por cima do tecido, segurando a cintura de Kagome. A garota tremia quase violentamente agora, e ele precisou controlar todos os seus instintos para lentamente livrá-la daquele último pedaço de roupa.
Ele não imaginou que poderia fazer Kagome sentir tanto prazer. Sua língua, curiosa, buscava todos os cantos...queria provocar todas as sensações...ele ensaiou um beijo exatamente como aqueles que haviam trocado até então...Kagome pareceu aprovar completamente os movimentos que ele realizava, e mantinha uma das mãos entrelaçada em seus cabelos prateados. Ele demorou-se ali, sabia que ela estava gostando- a garota movia o quadril lentamente em direção a ele, enquanto ele continuava naquela missão exploratória. Os gemidos dela o incitavam a continuar.
Ele buscou os olhos dela- estavam completamente fechados. A boca entreaberta completava a cena com os pequenos pingos de suor que pontuavam seu corpo. Ele a observou durante alguns segundos.
Acidentalmente, já a vira sem roupa mais do que uma vez. Mas jamais imaginou que pudesse haver tantos outros detalhes que ele perdera. Ele gastou alguns minutos deslizando as mãos por cada canto de seu corpo, enquanto Kagome tentava controlar a respiração.
- In-Inuyasha- foi a vez do corpo dele tremer, a mão dela o puxou novamente para que o quadril dele encontrasse o dela. Kagome parecia estar tentando se concentrar seriamente para tirar a roupa que restava em InuYasha.
Seu rosto era levemente assustado, mas InuYasha acompanhou o movimento de sua mão para que ela soubesse que estava tudo bem. Dando-se por vencido, ajoelhou-se sobre ela, sem perder o contato visual, livrou-se da última peça de roupa que ainda os separava. Ele não planejara fazer aquilo daquela maneira, mas Kagome pareceu achar seus movimentos bastante sensuais.
Ele a beijou novamente, deixando-a a vontade para que descobrisse como tocá-lo. A garota pareceu tímida de repente, mas InuYasha guiou sua mão durante alguns segundos, incapaz de conter vários gemidos quando Kagome livrou-se do último suspiro de timidez, tocando-o enquanto seguia seus instintos.
Ele não conseguia mais- a sensação da mão dela o provocando era mais do que ele poderia agüentar. Ela realizava movimentos ritmados e ele sabia, que se ela não parasse, ele não conseguiria segurar a explosão que estava por vir.
Ele colocou o corpo sobre o dela e segurou delicadamente sua cintura, posicionando seu corpo de uma maneira que ela pudesse sentir calmamente, até saber que estava pronta. Porém, quando Kagome sentiu o contato tão próximo do corpo do hanyou, puxou sua cintura, mais delicadamente dessa vez, permitindo que ele fizesse o caminho que seu corpo implorava.
Ela pareceu contrair o corpo, sua face contorcendo-se de dor. Ele queria falar com ela, mas sua voz já não lhe obedecia. Ele beijou seus lábios lenta e delicadamente, suas línguas encontrando-se novamente, o gosto dela ainda marcante misturando na dança incansável das bocas.
Kagome pareceu relaxar, e InuYasha conseguiu se sentir plenamente envolto pela intimidade da garota. Achou que não iria conseguir suportar o momento, seu corpo inteiro contraiu, sua boca não conteve o gemido brusco que precedeu um rosnado incontrolável. Kagome gemeu em resposta, o puxou novamente, e ele obedeceu.
Dessa vez, ela gemeu baixinho, e ele realizou movimentos ritmados, cada vez mais profundos, observando o corpo da garota movendo-se juntamente ao seu. Kagome estava apenas respondendo aos seus movimentos, suas duas mãos trêmulas agarradas no antebraço de InuYasha.
Conforme a velocidade aumentava, a garota acelerava mais a respiração. Ele havia perdido a noção do tempo. Nada mais importava- apenas senti-la o envolvendo completamente.
Kagome abraçou o corpo de InuYasha, suas mãos alcançando as costas do hanyou, encontrando as mechas de fios de cabelo prateados grudadas em suas costas. As mãos de Kagome agarravam-se a ele como se sua vida dependesse disso. InuYasha sentiu a contração de prazer que o envolveu inteiramente, e soube que Kagome estava sentindo algo inimaginável naquele momento- a garota parecia incapaz de abrir os olhos. Minutos depois, ele sentiu que não poderia mais conter a explosão que estava por vir.
Beijou seus lábios, incapaz de fazer algo mais que aquilo, e concentrou-se no barulho de seus corpos chocando-se um com o outro, os gemidos de Kagome, que no momento mais pareciam gritos, sincronizados com seus movimentos. Aquilo parecia um sonho...porém, ele jamais sonharia que seria tão perfeito estar com ela daquele jeito...
-Ka-Kagome- ele gemeu, sabendo que parecia mais um rosnado do que qualquer outra coisa. Não controlava mais seu corpo. A sensação foi mais do que maravilhosa, ele sentiu uma corrente elétrica que percorreu seu corpo diversas vezes, fazendo com que ele sentisse que todos os seus músculos estavam se derretendo.
Ele caiu sobre a garota, mais bruscamente do que planejara. Só então percebeu que em algum momento, Kagome havia entrelaçado novamente as pernas na sua cintura, auxiliando-o no movimento. Ele não tinha forças para sorrir, mas teria o feito se pudesse.
Ela deslizou as mãos pelas costas de InuYasha, enquanto ele inclinava o rosto para o lado, buscando encarar seu rosto. Os olhos da garota ainda estavam fechados- ela tinha um sorriso iluminado no rosto, parecia não entender completamente o que tinha acontecido.
Ele beijou sua bochecha e a puxou para si, sem desfazer o enlace perfeito de seus corpos. O contato do seio nu de Kagome com seu peito pareceu querer reacender nele o fogo que queimara até então, mas ele tentou controlar toda aquela confusão e explosão de situações que aconteciam ao mesmo tempo. Kagome deslizava as mãos pelos cabelos de InuYasha, mais despenteados do que nunca, esparramados em suas costas ainda grudados em alguns pedaços de seu corpo.
Ele massageou a nuca de Kagome, depositando um breve beijo na ponta de seu nariz. A garota suspirou e descansou a cabeça no braço dele, aquele sorriso parecia permanentemente marcado em seu rosto.
- Kagome...- ele sussurrou.
- InuYasha...- seu nome foi quase um suspiro. Ela abraçou-se a ele mais fortemente.
Permaneceram longos minutos daquele jeito. Nenhum dos dois pareceu se importar em se levantar ou falar algo. Inuyasha sentia o suor correndo em seu corpo, mas não se importou- e nem iria se importar, enquanto Kagome ainda estivesse em seus braços.
- Eu sempre soube que pertencia a você...- ela sussurrou.
Ele sentiu-se estranho ao ouvir aquilo.
- Em nenhum momento me pareceu errado...eu...eu- a garota continuava.
- Kagome...- ele tentou achar forças para falar. Queria deixar claro que não a julgava pelo que tinha acontecido. Ambos sabiam que o desejo havia falado mais alto do que qualquer tipo de cautela. Ele tremeu ao pensar nas conseqüências que aquilo teria. Em como seria acordar no outro dia pela manhã e pensar sobre o que havia acontecido.
Ela ergueu o rosto para olhá-lo.
- Eu nunca estive com ninguém assim...- ele precisava deixar claro. Talvez, em alguma parte da mente de Kagome, Inuyasha e Kikyou tivessem levado seu relacionamento ao próximo passo.
Ela descansou o rosto no peito dele, sentindo a respiração aos poucos se acalmar.
- Então...isso é mais uma prova de que pertencemos um ao outro...- ela fechou os olhos e deixou que a felicidade a invadisse.
- Kagome...- ele sussurrou, suas mãos perdendo-se nos cabelos da garota. Ele tomou cuidado para que o sono que o tomava, não causasse algum descontrole de suas garras.- Eu também sentia que não era errado..mas...eu...mas...
Ela esperou pacientemente.
- Estou com medo do que isso possa significar.- ele finalizou.
Ela ergueu o rosto prontamente para ele.
- Não precisamos falar disso agora...- a voz dela era doce.
- Mas...
- Você se arrepende..?- a voz dela o fez acordar, de certa forma. Agora que a tensão inicial havia passado, ele podia pensar com mais calma.
A resposta estava pronta em sua garganta.
- Eu jamais me arrependeria.- ele falou, firmemente.- Eu amo você...e sonhei com esse momento várias vezes...
Ela corou levemente, parecendo gostar de escutar aquilo.
- Eu nunca pensei que você falaria sobre sentimentos com essa naturalidade...- ela massageou o braço dele, olhando-o nos olhos. Era estranho como no momento anterior ele guiara-se apenas pelo instinto e agora, parecia um perfeito romântico.
- Você mudou muita coisa em mim...- ele fechou os olhos, deliciando-se com a sensação, incapaz de pensar em mais nada enquanto tinha Kagome em seus braços.
Ela segurou brevemente o colar no pescoço de InuYasha, parecendo hipnotizada.
- Eu nunca mais usei a palavra mágica desse colar...
- Hum?- ele resmungou, sonolento.
Ela soltou o colar, e deitou-se novamente sobre ele.
- Você sabe que eu faria...- ele falava lentamente, tomado pelo sono- qualquer coisa se você pedisse...você não precisa de um colar e palavras mágicas...
- Certo- ela sussurrou, acariciando suas orelhas daquele jeito delicado. InuYasha deixou que um rosnar escapasse de seu peito.- Vou me lembrar disso...
- Lembre-se mesmo...- ele sussurrou.
- InuYasha...- ela falou docemente. Ele abriu um olho apenas para encará-la. Os olhos dela estavam convidativos novamente.- Você está realmente com sono, não está?
- Não- ele brincou, abrindo o outro olho.- Você passou três anos longe de mim...- ele já passara a mão pela coxa dela, e puxara sua perna para enlaçar novamente sua cintura.- E eu ainda preciso me redimir pelos outros anos perdidos...não esqueça...
Ela sorriu, enquanto ele novamente trilhava caminhos infinitos de beijos pelo seu pescoço, rosto, finalizando em seus lábios. Ela agarrou-se em seus cabelos, mais violentamente dessa vez. InuYasha não parecia querer deixar que sua parte humana o dominasse, e sua face youkai aparecera novamente em questão de segundos. Kagome separara seus lábios novamente apenas para tomar ar, seus olhos completamente fechados, sua mente novamente perdida em meio a sensações compartilhadas com o hanyou.
Continua...
N/A: Espero que tenham gostado do M dando as caras xD Ás vezes eu lia e relia e adaptava aqui e ali alguma coisa, já que a frieza é meio característica da cultura deles...mas cá entre nós, não existe nada frio entre o nosso amado Inu e Kagome-chan =D Ah! Muitas surpresas ainda estão por vir (pausa dramática p/ uma risada maléfica)
Muito obrigada por todas as reviews, e um agradecimento especial p/ aqueles que tem me ajudado a divulgar a fic (já que meu bloqueio literário sempre me faz pensar que o que eu escrevo é porcaria e por isso ninguém quer ler xD )
