Pure- Petit Cat: Você voltoooouuu! Yeaaahhh! Awn Neko, brigadão viu? É bom ler esse tipo de coisa. Incentiva a gente a escrever mais ainda... xD A cena do Insanidade... Nossa, eu só vim ler mesmo, na íntegra, depois que eu postei. Até eu fiquei com medo dele. Pq na hora, só fui mandando o que eu achava que rolaria, baseado no que o Ikarus escreveu no capítulo... Mas tb achei mega tenso... UAUAHUAHA A particularidade dos demônios tb é algo que eu adoro. Mas agora que a maioria deles já tá domada, to doida pra ver o resultado!
Darkest Ikarus: A agonia dela era a minha agonia tb. As vezes me pegava tensa por ela! Era muita confusão pra duas cabeças! UHAIUAHUIA... Insanidade tinha de ser insano né? E psicótico. Como falei pra Neko ai em cima, só vi o resultado da cena no geralzão depois e putz... Que medo. Fazer a Charlie foi fácil e foi difícil. Foi fácil pq tipo, como já falei pra vc, gosto muito do jeito que vc a conduz em DN. Então foi tipo, só seguir esse mesmo caminho. Ela é clara, desbocada, debochada, não tá nem ai. O que eu fiz foi só mostrar o lado dela que não dá pra mostrar em DN, mas ela é a mesma de lá... xD O difícil foi não pesar tanto em determinadas passagens, como eu já tinha comentado com vc no chat. E eu deixo vc me desafiar mais vezes! Challenge Accepted!
Krika Haruno: Não sei se mais cruel que o Violência Krika, mas mais sádico, com certeza! X_x Ficar em dúvida se segue razão ou coração é tenso mesmo. Tadinha. Penou demais nesse sentido. Mas nem sempre seguir a razão rende frutos bons né? No caso dela, não renderia mesmo!
Capítulo 4: Sou sua. Pra sempre.
Quando acordei, estava num ambiente completamente diferente de qualquer outro onde já estivera desde que havia chegado à Grécia. Logo me dei conta de que estava num hospital. O barulho irritante do monitor cardíaco, o frio extremo do ar condicionado, as paredes brancas e entediantes, uma dor fina no peito e no abdômen e algo me incomodando na garganta. Havia coisas injetadas nos meus braços. Tentei me mexer, mas caralho, como doeu. Meu corpo inteiro. Como quando você passa muito tempo numa mesma posição, sabe?
Questão de pouco tempo a enfermeira entrou no quarto.
- Que bom que você acordou.
- O-on-de...? – comecei com dificuldades. Minha garganta doía e eu a sentia seca e com a sensação de que algo a machucara.
- Acalme-se. Eu sou Callie, enfermeira da UTI. Você está no Athens General Clinic, em Atenas.
Por um momento me assustei. Podia não lembrar muita coisa, mas sabia que não deveria estar em Atenas
- S-sede...
- Vou buscar lascas de gelo pra você molhar a garganta.
Ela saiu por um instante e eu fiquei tentando recobrar a consciência, me sentindo um pouco letárgica e sonolenta. Eu deveria estar em Santorini. Era a única coisa que eu conseguia lembrar. E me perguntava também porque aquela dor absurda por todo meu corpo e principalmente no peito e no abdômen.
A enfermeira voltou trazendo as lascas de gelo. Na segunda lasca já me sentia um pouco mais a vontade para tentar falar algo de forma mais clara, porém sem ousar tanto no volume.
- O que aconteceu comigo?
- Você não lembra de nada?
Respondi balançando a cabeça em negativa.
- Você foi trazida de Santorini. Sofreu um assalto e levou dois tiros no peito e uma facada no abdômen. Teve seus primeiros socorros no hospital de lá e quando foi estabilizada, conseguiram transferi-la para cá. Você estava com uma hemorragia intensa. Teve três paradas cardiorrespiratórias na mesa cirúrgica. Uma das balas lhe perfurou o pulmão e a outra se alojou perto do coração. Estávamos certos de que a perderíamos. Você sobreviveu por um milagre.
Enquanto ela falava, as cenas do que realmente aconteceu começavam a povoar minha mente. Saga torturando e matando os caçadores que haviam invadido o quarto depois de eu ter lhe contado a verdade sobre quem era. E no final de tudo, se deitando ao meu lado, me falando coisas terríveis e me cravando a faca. Me lembrei da risada sádica e dos olhos chorosos em conflito. Insanidade.
- Como eu fui parar no hospital?
- Um homem alto, forte, de cabelos negros e encontrou e a levou até lá. A equipe de Santorini disse que ele ficou o tempo todo com você.
A descrição que ela me dera... Eu tinha certeza de que era meu Saga. Se ele ficou o tempo todo comigo em Santorini, então também poderia estar em Atenas, me esperando fora daquele maldito quarto.
- Onde ele está?
- Não sei. Talvez tenha voltado às ilhas. Quando saímos da cirurgia para falar com ele, não encontramos ninguém. E ele não apareceu mais.
Decepção. É claro que ele não voltaria. Eu sabia disso. Ele não tinha motivos para voltar. Não depois do que eu havia feito. Talvez tivesse me acompanhado até Atenas apenas para desencargo de consciência. Ou para manter alguma aparência da história inventada.
- Você ficou esses dias todos em observação.
- Há quanto tempo estou aqui?
- Nove dias. Sedamos você por um tempo e reduzimos a medicação sedativa anteontem e removemos o tubo por onde o respirador estava conectado. Você vem se recuperando rápido e muito bem pro estado em que chegou aqui. Mas não se preocupe Amanda. Você vai ficar bem.
Amanda? Eu estranhei aquele nome e ia corrigi-la, mas logo me dei conta do porquê. Saga havia me registrado com outro nome para me preservar do que pudesse acontecer como num último ato de gentileza, mesmo que eu não merecesse.
Passei ainda uns três dias lá na UTI até ser transferida pra um apartamento e receber alta dois dias depois. Até eu tenho de concordar que minha recuperação foi milagrosa. Mas apesar da alta, eu ainda não estava tão bem assim. Ainda me sentia fraca e zonza. Talvez pelos traumas, talvez pela medicação forte que eu ainda tinha que fazer. Mas eu tinha outra coisa para me preocupar. Precisava de um "esconderijo" novo.
Ainda que a organização não tenha tentado me assassinar durante minha estadia no hospital, o que era muito estranho, eu não queria arriscar. Voltei ao apartamento que ocupava e tentei o mais rápido possível, com a ajuda da filha do zelador, arrumar as coisas que eu tinha por ali.
Aluguei um quartinho confortável afastado do centro da cidade. Precisava me restabelecer. Precisava dos meus contatos fora da organização. E o mais importante. Precisava achá-lo. Mesmo sem a menor ideia do que esperar de um futuro encontro com ele, se ia terminar o que começou aquela noite, se me perdoaria, se me rechaçaria, eu tinha de achá-lo novamente.
Puta que pariu. Não foi fácil. E demandou tempo. Mas eu tinha conseguido. Meu próximo destino seria a Hungria. Ele e os outros Senhores estavam em Budapeste.
Passei um tempo fazendo o procedimento padrão "sozinha". Rastrear, seguir, estudar rotina, montar um plano. Mas eu tinha um problema. Como eu não tinha alguém me comandando nessa "nova missão", eu hesitava várias vezes em por o plano em prática. Sem alguém pra me dar uma comida de rabo por não entrar em ação, o tempo só passava. No entanto, eu precisava fazer aquilo. Pra acabar com toda aquela angústia e medo e me livrar logo daquilo. Independente do que fosse acontecer.
Me forcei a fazer aquilo aquela noite. Troquei de roupa, usando uma calça jeans desbotada e um pouco desfiada, uma blusa preta, uma sandália peep toe de meia pata e um casaco preto. Um pouco fora do que eu gostava de usar, mas eu só queria passar despercebida.
Respirei fundo antes de adentrar o ambiente do bar. Lá estava ele, sentado no balcão outra vez. Sensação de deja vu. E eu sabia o que vinha depois. Só me restava cruzar os dedos e torcer parar ser diferente.
- Posso sentar aqui?
- À vontade. – ele respondeu sem desviar seus olhos da tulipa de cerveja.
- Você me disse uma vez que não frequentava o mesmo ambiente por muito tempo. Mas parece que fugiu a regra dessa vez.
- Desculpe, o q... – a surpresa em seus olhos era quase palpável.
- Como no dia em nos conhecemos, hã?
- Charlie. Você... está...
- Viva. Surpreso?
- Aliviado. – ele lançou um sorriso triste.
- Não é o que parece.
- Está me caçando de novo?
- Estou. Mas dessa vez é por minha conta. Acho que precisamos conversar.
- Eu não tenho nada pra falar com você. – ele disse deixando uma nota no balcão e saindo do bar logo em seguida.
Meu coração se apertou, mas era uma reação que eu já esperava. Eu fui atrás dele.
- Saga!
Ele seguia pela calçada com a mão no bolso do casaco. Parecia não se importar que eu estivesse atrás dele.
- Saga!
- O que você quer Charlie? O que quer que eu te diga? Quer que eu te peça desculpas pelo que aconteceu? Tudo bem, eu peço. Me desculpa. Eu não quis fazer aquilo. Durante esse tempo todo eu fiquei me culpando, achando que você tivesse morrido, mas você ta aqui, na minha frente, viva. E eu me sinto feliz por isso...
- Feliz? Aliviado? Saga, você me deixou sozinha. Eu entendo quando você diz que não queria ter feito aquilo. Entendo mesmo. Eu vi nos seus olhos. Mas... Eu corri risco de morte. Morri três vezes na mesa cirúrgica e estava sozinha! Estou viva por um milagre! Depois de tudo que passamos eu achei que...
- VOCÊ MENTIU PRA MIM! O tempo todo! Quer vir me cobrar consideração, mas qual consideração você teve por mim?
- Eu me aproximei de você por uma mentira. Confesso. Mas tudo o que eu falei, tudo o que vivi com você foi verdade! E eu te contei tudo no fina! Estava disposta a me sacrificar por você. Eis a minha consideração!
- Por que Charlie? Por que me procurar de novo depois de tudo o que aconteceu? Depois que eu quase matei você.
- Não foi você...
- FUI EU! Você não entendeu ainda? Insanidade e eu somos diferentes, mas somos um só. O que ele faz, eu faço. Então, por que você está aqui?
- Porque eu to fodida! Eu... eu não consigo... Eu me apaixonei.
- Você é louca. Devia se internar, sabia? Se apaixonar por um monstro como eu?
- Insanidade é o monstro e não você.
- De novo...
- Não me venha com essa de que são um só! Podem dividir o mesmo corpo, mas não são um só. Eu olhei nos olhos dele da mesma forma que estou olhando nos seus agora. E o que eu vi...
- Eu não quero saber o que você viu. Desculpe.
- Eu entendo que se sinta culpado, mas...
- Não. Você não entende. Você não sabe como é se sentir assim. O que você espera de mim, Charlotte? O que você quer afinal de contas?
- Eu só queria uma conversa normal pra tentarmos resolver algo, não uma troca de gritos e ofensas no meio da rua.
- Resolver? Já falei que não temos nada pra resolver. Você devia voltar pra casa.
- Talvez você tenha razão. Talvez eu deva mesmo voltar pra casa. Não sei onde eu estava com a cabeça quando achei que podia fazer isso. Quando achei que nós podíamos tentar recomeçar. Porque é claro que você tá pouco se fodendo pra mim. E eu devia ter me dado conta disso quando acordei sozinha naquela porra de hospital. Meu Deus, como eu fui estúpida! Enquanto eu dizia a verdade, você mentia pra mim. Eu nunca signifiquei nada pra você. Eu fui como uma puta de luxo né? Que você paga um hotel caro, fode quantas vezes quiser e enche de presentes caros. Eu nunca precisei de nada disso. – eu não queria chorar, mas não conseguia mais conter as lágrimas que escorriam pelo meu rosto. Lágrimas de raiva, de frustração, de arrependimento, de decepção.
- Não. Você não foi isso pra mim. Ao menos isso eu posso lhe garantir.
- Não quero garantias.
- E você quer o que? Uma casa com cachorros, filhos e um casamento estável e feliz? Sinto muito, mas isso eu não posso lhe dar.
- Não. Eu... – respirei fundo - Nada. Eu não quero nada. Eu quis muitas coisas com você, mas...
- Mas...?
- Deixa pra lá. Não tem mais importância. E talvez nunca tenha tido.
- Charlie, eu...
- Desculpa por tudo isso. Eu não queria tomar seu tempo nem... – tive de fazer uma pausa pra engolir o choro pesado que embargava a garganta – Nem te causar problemas. Eu devia ter ficado na minha e nunca ter reaparecido na sua vida. Sério. Desculpa. Você... Eu... Eu vou sumir. Vou sumir e você nunca mais vai ter problemas quanto a isso. Não se preocupe. Eu prometo que você nunca mais vai me ver. Adeus... Saga.
- Charlie, espera...
Dei as costas a ele e sai correndo, entrando no primeiro taxi que passou. Eu tentava controlar o pranto, mas era bem difícil. O motorista me sugeriu uma volta pela cidade, mas eu preferi voltar pra casa. Foi ai que meu problema com a bebida se tornou mais presente na minha vida. Assim que passei pela porta fui direto procurar a garrafa de rum que eu sabia ter na cozinha.
Me joguei no sofá e sorvi a primeira golada, que desceu amarga pela garganta. Eu me sentia um verdadeiro lixo. A criatura mais estúpida do mundo. Como eu pude ter pensado que depois de tudo o que havia acontecido ele ia aceitar minha proposta de recomeçar? Me sentia imunda, usada. Abandonada. Decepcionada. Parece que eu conseguia ver o velho, na minha frente, condenando minha atitude, minha decisão. Me dei conta que aquela era a primeira vez que eu pensava nele depois daquela noite.
Ele que sempre dizia que eu era impulsiva, inconsequente. Dizia que aquilo um dia ia me prejudicar. E ele tava certo porque eu tinha me fodido. Não tinha mais o "chão" da organização, não tinha Saga, não tinha amigos, não tinha família, não tinha nada. Eu só tinha a sorte de ser rica e continuar viva. Assim eu poderia comprar quantas garrafas de bebida quisesse e fugiria dessa merda de realidade que eu estava vivendo quando quisesse.
Talvez os Caçadores tenham me deixado viva até hoje por isso. Por saber que eu teria uma vida miserável, apesar de tudo. Sim, porque, eu não represento nenhum tipo de interesse e nem ameaça pra eles. Estou viva até hoje e eles sabem que eu estou com ele e com os Senhores. Tanto faz.
Eu sabia muito bem que Saga jamais poderia ser meu em sua totalidade. Sabia das suas limitações, dos seus problemas. Mas eu só queria uma chance pra tentar mudar tudo isso. No entanto, ver e ouvir que ele não queria só me fez ficar mais miserável ainda.
A garrafa de rum havia acabado e eu passei então pra vodca. Pura. E eu passei a noite assim. Bebendo, chorando, me lamentando, me autodestruindo. Rum, vodca, uísque. Adormeci ali mesmo, no sofá.
Acordei quase no fim da tarde do outro dia. Estava péssima. O mundo girava ao meu redor quando levantei, mas eu sabia que era questão de tempo até que eu me acostumasse. Um banho frio e eu já estaria melhor. Ao menos as coisas rodariam menos ao meu redor.
Me joguei no chão do banheiro e deixei a água fria escorrer pela minha cabeça, na esperança dela levar além da ressaca, aquela sensação de derrota que eu sentia e me doía o coração. Tentei não chorar de novo, mas foi difícil.
Troquei de roupa. Um moletom e uma camiseta. Assim que sai do quarto, alguém tocou a campainha. Por um instante eu senti medo. Ninguém além dos meus contatos sabia que eu estava em Budapeste. E sempre que eu entrava em contato com eles, era de um número e de um lugar diferente. Mesmo que eu confiasse neles. Então só me restava pensar que era alguém da organização. Eu não tinha mais nada a perder, então, abri a porta assim mesmo. Pra minha surpresa não era nenhuma das minhas opções.
- Saga?
- Como vai, Charlie?
- O que... Como...?
- Será que a gente pode conversar?
Conversar? Depois de toda a putaria da noite anterior ele queria conversar? Aquilo me irritou.
- O que você quer aqui? Me lembro muito bem de você ter dito que não tínhamos nada para conversar, por que agora você quer fazer isso?
- Charlie, por favor. Não torne as coisas mais difíceis.
- Ou o que? Vai me enfiar uma faca de novo? Foi pra isso que você veio? Pra terminar o serviço daquela noite? Pois vai em frente. – abri os braços e o encarei desafiadoramente – Pode fazer. Eu não tenho mais nada a perder mesmo. Eu já fodi tudo o que tinha. Só por favor, dessa vez seja direto.
Aquelas palavras o atingiram. Bem fundo. A expressão dolorida o denunciou.
- Para com isso. Não vim aqui te esfaquear. Eu só quero... – ele respirou fundo – Eu te falei coisas ontem que não devia ter dito. Ao menos não daquela forma. Eu só queria que você entendesse...
- Eu não quero entender nada. Você já me disse tudo o que tinha pra dizer. Já me fez entender tudo. Da forma certa ou não. Pra que...
- Mas que porra Charlie! Para de ser teimosa! Me deixa ao menos entrar pra que a gente possa se entender. Eu sei que você também quer isso.
Ele tava certo. Eu queria mesmo. Então eu dei passagem a ele.
- O que você andou fazendo aqui? – Saga se referia às garrafas vazias e a de uísque, pela metade, jogadas ao chão – Bebeu tudo isso sozinha?
- Não é da sua conta.
- Charlie, o que vivemos esse tempo todo foi real pra mim também. Foi tão verdadeiro quanto foi pra você. Tudo o que eu disse, tudo o que eu senti. Esse tempo todo fiquei me culpando e me martirizando pelo que aconteceu a você, sem saber o que tinha acontecido, se estava viva ou não.
- Então por que me deixou sozinha?
- Porque se eu ficasse com você seríamos alvo novamente. E dessa vez, não acho que você sobreviveria. Charlie, eu tenho muitas, muitas mortes nas minhas costas, mas a sua, seria a pior de todas. Acredite. Eu não aguentaria te perder assim.
- Você não procurou sequer saber com eu estava!
- Pela sua segurança, porra! Eu preferi me distanciar, me afastar totalmente de você. Será que não entende? Ainda não fui claro o suficiente pra fazer você entender que se continuasse comigo você estaria morta? Se eu não te procurei, foi pra te proteger. Mas isso não significa que eu não tenha sofrido esse tempo todo. Saber que você está viva me deixa aliviado sim. E muito. Mas não me tira a culpa de ter te machucado. E se você quer saber, eu não me perdoo por isso. E nunca vou me perdoar.
- Eu não ligo.
- O que?
- Me chame de louca, mas eu não ligo. Fale o que quiser, eu sei que não foi você. Foi ele. Me doeu muito mais saber que você tinha me abandonado, saber que não signifiquei nada pra você. Saber que, literalmente, não foi nada além de uma mentira. Eu me sacrifiquei por você. Te entreguei tudo no fim das contas.
- Eu sei. Eu reconheço isso. Reconheço seu sacrifício. E sou extremamente grato por ele.
- Eu não quero sua gratidão!
- Eu não posso te dar o que você quer Charlie! Não posso. Eu queria muito, muito mesmo, mas não posso.
- Queria mesmo? Não é o que parece.
- Não parece, mas é. Você me cobra tudo isso, mas não percebe o quanto está sendo injusta comigo.
- Injusta? Ah, vai se foder Saga!
- Vai se foder você!
Ele explodiu e por um instante eu tive medo. Apesar de saber que Insanidade só era desperto pelo cheiro de sangue, eu tive muito medo do que poderia acontecer.
- Só eu sei o quanto me dói estar fazendo isso! Só eu sei o quanto eu não queria abrir mão de você! Da sua companhia, do som do seu riso, do seu cheiro, da sua voz. Abrir mão da forma como você transformou minha vida em tão pouco tempo. Não é só você que ta sofrendo nessa porra toda! Mas você não percebe não é? Você não é a primeira coisa que Insanidade tenta me tirar. E nem vai ser a última. Eu só quero poupá-la. Jamais quis fazer você sofrer.
A tristeza em seus olhos era quase palpável. Por um instante, achei que ele chorava. Mas Saga nunca chorou. Ao menos nunca que eu tenha visto. Então resolvi baixar a guarda. Eu só queria atacá-lo, feri-lo de alguma forma. Fazê-lo sofrer como eu havia sofrido na noite anterior e estava sofrendo naquele momento. Mas eu realmente não havia pensado que a dor que ele sentia podia ser pior que a minha.
- Você não tem ideia de como é pra nós perder algo valioso. Todos já sofremos com isso. Nossos demônios sempre estragam tudo e eu não quero que você seja vítima do Insanidade outra vez. Nunca mais.
- Desculpa.
- Pelo que?
- Por ter sido tão egoísta.
- Eu entendo você. Está chateada, furiosa comigo. E com razão. Mas eu só precisava que você entendesse isso. Não fiz porque quis. Fiz porque precisei fazer.
- Eu entendo. Não havia pensado em nada disso. Em como você poderia estar sofrendo tanto quanto eu. Apenas por egoísmo. Entenda, eu sempre fui acostumada a ter tudo o que eu quisesse. Sem contar muitos esforços. Mas na atualidade, eu percebo que não tenho nada. Nunca tive. – procurei a garrafa de uísque, que ainda estava no chão, pela metade.
- Desculpa ter feito você sofrer. Ter te machucado dessa forma. Eu nunca quis fazer isso.
- Tudo bem. Uma hora precisamos aprender né?
- O que você pretende fazer agora?
- Ir embora. Voltar pra casa. Ainda há lugares em Londres onde eu posso me esconder. Caso contrário, a Inglaterra é grande. Eu me viro. Mas também pensei em voltar a Santorini. Não sei. É uma decisão difícil. Preciso recomeçar algo ou talvez eu me afogue de uma vez na bebida. Uma coisa é certa. Vou sumir. Você não vai mais me ver e nem saber mais nada de mim, como eu havia dito ontem. Não quero mais te causar problemas. Não sei como vou conseguir ficar sem você, mas vou tentar. Eu preciso tentar.
Enquanto eu dizia aquilo as lágrimas corriam pelo meu rosto. Eu lutava contra o choro forte, embargando a garganta tomando goles de uísque um atrás do outro. Saga permaneceu parado onde estava, calado. Sua expressão mudava o tempo todo. Provavelmente estava ponderando algo ou discutia mentalmente com Insanidade. Havia uma expressão dolorida em seu rosto.
Eu continuava com a garrafa, numa cega tentativa de tirar aquela dor e tristeza de mim. Precisava reagir, mas me sentia tão sem forças, sem estímulos. Só o que eu queria era que ele fosse embora pra poder tomar um outro porre e cair em coma alcoólico outra vez. Mentira. Não era nada daquilo que eu queria, mas ele já tinha me dito com todas as letras que não poderia me dar aquilo, então eu só queria ficar na minha.
Mas o Saga sempre me surpreende. Ele veio na minha direção, arrancou a garrafa da minha mão e me beijou, com urgência. Sofregamente. Correspondi àquele beijo com vontade, mas cheia de dúvidas. Talvez fosse nosso último. Quando nos separamos, ele colou o rosto ao meu e permaneceu calado. Depois olhou em meus olhos, secou minhas lágrimas e finalmente falou.
- Fica.
- O que? – perguntei sem entender aquele pedido.
- Sei que o que eu te peço agora vai contra tudo o que eu já falei hoje, mas... Por favor Charlie, fica. Fica comigo.
Me soltei de seus braços e me afastei.
- Ficar com você? Saga, você... Não brinque comigo, por favor, Saga. Não brinque comigo. Você disse a tarde toda que não podia e agora quer me convencer do contrário?
- Não estou brincando. Eu realmente não posso te dar o que você espera que eu te dê. Relacionamento estável, casamento, filhos, sei lá, isso eu não posso te dar. Você conhece os riscos. Sentiu isso na pele. – um tom triste em sua voz – Mas... Eu não consigo. Não dá. Não quero ficar sem você. Não quero perder o controle.
- Quer ficar comigo só pra não perder o controle? É só por isso?
- Não! Quero ficar porque você é especial. Porque não consigo não pensar em você. Porque eu gosto do som da sua voz. Porque o azul dos seus olhos me fascina. Porque eu gosto do quanto seus cabelos são macios e de quando eles se enroscam nos meus dedos quando eu te beijo. Gosto da sua língua na minha. Gosto do seu cheiro. – ele se aproximou e colocou uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha – Gosto de você Charlie. Mais do que deveria.
- Mas e ele?
- Que ele se foda. Eu luto. Dou um jeito de controlá-lo. Me sinto forte ao seu lado. E com você, sei que posso fazer isso.
- Eu não penso num relacionamento estável, não penso em casamento, não penso em filhos. Não penso em nada isso agora. Eu só quero viver isso que eu sinto. Eu quero você. O que tiver de ser, vai ser.
Ele assentiu.
- O que tiver de ser, vai ser.
Ele me beijou de novo, dessa vez de uma maneira lenta e cálida. Me carregou sem separar seus lábios dos meus e como se já conhecesse o apartamento, me conduziu até o quarto. Deitamos juntos na cama, sem interromper o beijo. Ele estava extremamente carinhoso, como se soubesse que aquilo me acalmaria, mas também sabia que aquilo não duraria muito. Suas mãos começaram a subir por dentro da minha blusa e quando sentiu que eu estava sem sutiã, sorriu entre meus lábios. Então ele se levantou e começou a tirar a roupa. A camisa preta, a calça jeans, os coturnos. Ficou só de cueca. Uma boxer branca. Comecei a tirar as minhas também. Mas ele me impediu.
- Não.
- Mas...
- Não. Eu faço isso. Fui um grande filho da puta com você ontem. Sei que isso não vai amenizar, mas já é um bom começo.
Não havia sacanagem naquela declaração, mas sim romantismo. Saga e eu não somos o casal perfeito. Brigamos, e às vezes brigamos feio, nos chateamos um com o outro, temos desentendimentos como um casal normal, apesar de fugirmos da regra da normalidade. Resolvemos as coisas na conversa, mas também resolvemos na cama. E às vezes é impressionante como nesses momentos, nossa sintonia aumenta mais ainda e sabemos quase que exatamente o que o outro precisa. Como foi o caso. Naquele momento eu não tava querendo putaria e nem provocações. Não tava carente, mas tava sensível. Quem me vê pode até pensar que eu sou durona, escrota. Sou mesmo. Mas também sou mulher, porra! Sofro por amor como qualquer outra. E eu tava querendo carinho, tava querendo atenção, tava querendo exatamente o que ele tava me dando.
Saga se reaproximou e começou a tirar minha blusa, expondo meus seios.
- Linda.
- Linda? Eu to horrível Saga. Descabelada, cheia de olheiras.
- E daí? Continua sendo você. Linda do mesmo jeito. A Charlie que eu tanto gosto.
Ele começou um caminho de beijos que tiveram inicio na curva do meu pescoço e foram descendo pelo colo, enquanto eu voltava a deitar na cama. Seus lábios alcançaram o vale entre meus seios e logo eu senti o toque quente e úmido da sua língua em meus seios, me fazendo suspirar. Depois ele continuou o caminho de antes, mas se refreou num instante. Seu olhar estava fixo num ponto e mostrava tristeza e medo. A cicatriz. O lugar onde a faca havia perfurado meu abdômen. Senti que ele ia se afastar, mas o puxei pelo braço e olhei em seus olhos.
- Ta tudo bem, ouviu? Ta tudo bem. Eu to aqui, não to? Aqui com você. Tá tudo bem.
Então o beijei e o puxei para mim, apertando-o contra meu corpo. Logo ele recobrou o ânimo. Seu rosto roçava no meu de forma carinhosa quando separamos o beijo.
- Senti tanto a sua falta. – eu disse passando as mãos pelo cabelo dele.
- Eu também. Falta do seu beijo. Da sua pele. Do seu corpo.
Ele retomou as carícias, tirando o resto da minha roupa logo em seguida, evitando olhar para a cicatriz. Então deitou por cima de mim, entre minhas pernas, se esfregando e lançando suspiros enquanto me beijava. Eu sentia o volume extremamente duro dentro da cueca.
- Eu quero você. Agora.
Ele prontamente atendeu meu pedido, tirando a boxer e entrando em mim, devagar. Arfei num misto de dor, prazer, desejo. Saga se movimentava dentro de mim e eu gemia de leve. Sem exageros, sem gritos, o prazer que eu sentia naquele momento não precisava daquilo. Não que quando eu faço isso estou fingindo. Longe de mim. Uma coisa que nunca precisei com ele, nesse sentido, foi fingir. O tesão e o prazer são completamente reais. E ali, ele me dava exatamente o que eu queria.
Gozamos juntos. Como na maioria das vezes. Olhando um nos olhos do outro.
- Você é minha.
- Sua.
- Pra sempre.
- Pra sempre.
Me aconcheguei mais entre seus braços e rapidamente peguei no sono. Estava exausta. Todo o stress que eu havia passado aquele tempo todo, a noite anterior, a bebedeira... Acordei no dia seguinte e já devia ter passado do meio dia. Estava sozinha na cama. Me assustei por um momento. Mas havia um recado ao meu lado.
"Precisei ir. Meu irmão me ligou. Não se preocupe. O que aconteceu não foi delírio. Eu volto pra você a noite. Vamos jantar juntos e recomeçar como se deve. Me surpreenda. Saga".
Ele não sabe, mas eu guardo esse bilhete até hoje.
Às vezes paro para refletir e fazer uma comparação da minha vida de antes e a de agora. Quando eu pensava ter tudo, na verdade, não tinha nada. E quando pensei não ter nada, eu tinha tudo. Saga é meu tudo. É a única coisa que eu realmente tenho. Não importa o que aconteça. O amor que sinto por ele é maior do que eu poderia imaginar. E eu percebi isso quando tive de me afastar dele por causa do maldito Cronos. Por ele, me submeti a coisas que com certeza não teria feito por nenhum outro. Passei pela morte, sofri de verdade, tive receios, me rendi a um relacionamento complicado, bastante sexual algumas vezes, sentindo falta de romantismo em algumas delas, me afogo na bebida quando não o tenho por perto. Mas eu estava com ele e era o que importava. E eu sabia o tempo todo o preço disso.
Sempre tive receio em dizer a ele que o amo. Não por medo de assustá-lo ou por medo da sua reação, mas pelo simples fato de não saber o que esperar em resposta. Ele havia sido claro comigo. "Não posso lhe dar o que você quer". Eu queria muito ouvir um "Eu te amo, Charlie", mas sei que isso é pedir demais.
Me levantei da janela. Aquela posição estava começando a me incomodar. Ainda mais depois do dia que eu tive. Ainda sentia meu pescoço doer quando mexia a cabeça ou quando engolia algo. Só por causa disso eu larguei a garrafa de lado. Saga ainda estava completamente apagado, na mesma posição em que Mask e Aiolia o haviam posto. Me sentei ao seu lado e lhe afaguei novamente os cabelos.
- Eu te amo. Te amo demais. E tive tanto medo de te perder. Ninguém vai tirar você de mim. Ninguém. Você mudou minha vida. Hoje sou mais forte por sua causa, mas não sou nada sem você. Nada. Por favor, seja o meu Saga quando acordar. Por favor.
Cansada de tudo, me deitei ao seu lado. Precisava do calor do seu corpo. Aos poucos o sono e o cansaço iam tomando conta de mim e eu adormeci ali, abraçada a ele.
FIM.
Ai gente, é o fim do Gaiden da Charlie. E já to morrendo de saudades dele. xD Mas não acaba por aqui. Resolvi fazer um gaiden do Saga tb... xD Tudo o que aconteceu pelo ponto de vista dele (e do Insanidade).
Mas enfim. Gostei MUITO desse desafio. A priori fiquei meio temerosa em escrevê-lo. Descrever 7 dias se sexo? Complicado. E fazer isso sem ficar apelativo? Mais complicado ainda. Tanto que levei um tempo pra desenvolver a história toda. Daí resolvi mudar o foco. A Charlotte é uma personagem interessante e com uma história ao interessante quanto, pq de todas as personagens de Darkest Night a diferença é que ela já tinha um relacionamento de sentimentos com o Saga. Então por que não focar nela e nessa história toda? Eu curti o resultado. E curti mais ainda tê-lo feito em primeira pessoa. Coisa que eu considero difícil de usar, mas que na ocasião veio muito a calhar (e tb foi um desafio pra mim mesma. Não é fácil escrever cenas de sexo assim gente. Creiam-me).
Mas enfim. Espero que tenham curtido o resultado tanto quanto eu.
