Hey Hey! Só para pormenor quando não indico POV é porque é do Narrador.


O sol brilhava forte naquela manhã de Setembro. As ruas ressoavam os sons que há muito não ouviam e, os cidadãos mais idosos, sorriam indulgentes, abanado a cabeça ao som das conversas entusiastas, dos risos alegres e os gritos intermináveis de "Espera por mim" que os jovens, fardados, estudantes produzem perante o regresso às aulas. Era o típico 1º dia.

Na sala do 12A, os alunos juntavam-se nos seus grupos habituais. Grande parte dos rapazes, trocavam os seus cumprimentos ao redor de uma bola de futebol. Um grupo de raparigas, guinchavam entusiasmadas quando uma nova colega entrava na sala. Um grupo de duas raparigas, olhavam o grupo dos guinchos com desprezo enquanto se debruçavam sobre os livros de estudo.

A porta abre-se mais uma vez mais uma vez deixando passar um grupo de cinco raparigas. Grande parte da turma presente cumprimentou-as. A morena mais baixa acenou de volta corando levemente, enquanto tentava-se esconder atrás do cabelo mel. A mais alta de cabelo cortado á rapaz, completamente espetado, aproximou-se do quadro de avisos da sala, retirando um poster da mochila e prendendo-o com pins. Era um anúncio de um concerto no café mágico onde trabalhavam. Alguns colegas juntaram-se a ver, trocando algumas palavras com as raparigas.

Dá o toque de entrada e os alunos dirigem-se aos seus lugares. Todos estranharam a carteira a mais, no fundo da sala, no lado da janela. Para alguns era somente mais uma carteira, para outros, como o rapaz de cabelo espetado sentado à frente da carteira vazia, era uma recordação dolorosa.

Ele ainda conseguia ouvir os gritos de «Não, não!».

O professor entrou na sala, cumprimentado os alunos:

- Vá lá! A acalmar! – quando os últimos murmúrios acabaram, o professor de matemática continuou – Sejam bem vindos de volta! Todos prontos para as aulas? – os alunos sorriram amarelo – Pois… bem me parecia que não. Bem. – disse acenado para a porta entreaberta – Ponham um sorriso na cara e cumprimentem a nossa nova aluna.

A porta abre-se empurrada por uma mão fina e delicada. Uma madeixa de cabelo ruivo – cheio de nuances nos mais variados tons de cobre, provocadas pelo sol – dançava com o vento que a porta provocou. Uma figura pequena e delicada avançou.

O seu andar era como uma elaborada dança, e apesar de ainda só lhe terem visto o perfil, e a cara estar coberta pelo comprido cabelo, ela já era vista como uma deusa. O corpo curvilíneo da nova aluna, embora coberto pela mesma farda que todos utilizavam (saia de pregas preta, camisa branca, gravata vermelha e colete a combinar com a saia), fazia os alunos do sexo masculino endireitarem-se nas suas cadeiras, engolindo em seco enquanto fantasias povoavam as suas cabeças. O cabelo de aspecto sedoso e brilhante tecia inveja entre os elementos femininos.

Por fim ela parou quando alcançou a secretária do professor. Este dirigiu-lhe umas palavras em voz baixa fazendo-lhe um gesto com os dedos como se disse-se "vira-te para eles". Depois de entregar um papel a rapariga virou-se pela primeira vez para a turma.

O rosto parecia pintado para estar no tecto da capela sistina. O nariz delicado, a boca pequena mas generosa, o rosto oval comprido. Tudo nela parecia chamar, quase como um canto de sereia. Foi então que suspirando, ela abriu os olhos.

Metade da turma ofegou em silêncio, quando se depararam com olhos rosas de aspecto impenetrável. Muitos deles reconheciam esses olhos. Quatro raparigas espalhadas na penúltima e última fila, pareciam que a qualquer instante iriam saltar das cadeiras. Uma outra rapariga parecia que tinha acabado de ver um fantasma e alternava o olhar entre a aluna nova e a carteira vazia. O rapaz em frente à dita carteira respirava fundo, parecendo em choque. Um outro rapaz olhava interessando a pessoa na frente da sala, quase como admirado. As reacções eram diversas.

POV Professor

- Esta é a Doremi Harukase. – disse quebrando o silêncio – Creio que alguns de vocês a conhecem, pois ela andou na primaria muitos de vós. Acho que não preciso de disser que quero que acolham a vossa colega da melhor maneira. Queres dizer alguma coisa sobre ti própria? – perguntou dirigindo-se à aluna. Quando esta, mesmo sem o olhar acenou que não disse – Então nesse caso podes ir-te sentar. É a ultima…

Não tive tempo de acabar a frase, pois a aluna a quem me dirigia, já se dirigia para a carteira ao fundo da sala, serpenteado entre as carteiras. O cheiro a jasmim que provinha do cabelo comprido que ondulava atrás dela atingiu com toda a força o rapaz de cabelo espetado quando ela se sentou atrás dele. Assim que se sentou ela dirigiu o olhar para a janela ignorando todos os olhares que recebia.

- Ok… Agora que este assunto está resolvido, vamos a um outro assunto também bastante divertido: Teste-surpresa! – os alunos imediatamente esqueceram a ruiva e começaram a reclamar – Vá lá! É diagnóstico! Ou vocês vão me dizer que umas feriazinhas os fizeram esquecer toda a matemática? – sorri. Alunos seriam sempre iguais. Enquanto distribuía as folhas de teste os alunos reclamavam a alto e a bom som. – Quietos! – gritei por fim – Têm até ao final da aula, quando acabarem podem sair. E o teste começa dentro de 3… 2… 1… Agora!

Sorri enquanto me sentava na minha mesa. O cenário quando em teste era sempre igual: Suspiros, batuques de lápis, olhos desesperados a tentar perceber a questão em mãos, grunhidos, lápis e unhas roídos sem qualquer hipótese de salvação. Ah! O cheiro a medo de testes era quase afrodisíaco.

Enquanto me deleitava com esse pensamento dirigia o olhar entre os alunos. Mas o que é que se passava com a miúda nova? Nem sequer tinha virado a folha.

- Sabes… – disse chamando a atenção de toda a gente menos a miúda em questão – Hei! Tu! – gritei à miúda que por fim desviou o olhar da janela olhando para mim – O teste há de te correr melhor se olhares de facto para ele!

A miúda olhou-me sem qualquer expressão por uns segundos, observando-me e perscrutando-me o rosto. Depois surpreendentemente a sua boca formou um sorriso torto e os seus olhos brilharam quase como em desafio. Endireitando-se virou a folha de teste e percorreu-a rapidamente com os olhos, extremamente concentrada. Assim que acabou a leitura pegou no lápis e começou a resolver todos os exercícios, sem parar para pensar ou raciocinar. Ao fim de uns minutos ela pousou o lápis e levantando-se, chamando a atenção de todos – entregando-me o teste.

- Tens a certeza? – perguntei espantado.

- Se quiser pode corrigir.

Era a primeira vez que ouvia a voz dela. Era melodiosa, quase como sussurrada com um pequeno indício de sarcasmo. Era algo intimidador para falar verdade. Abanei a cabeça para me livrar da minha contemplação, e peguei na caneta vermelha enquanto me sentava à secretária.

Passei os olhos pelos exercícios concentrando-me. Ok. Aquilo era impossível! Voltei a rever os exercícios todos. Impossível! Estava perfeitamente consciente que o resto da turma olhava para mim. Não pode ser! Ela fez o teste em minutos! Eu vi! Não podia estar tudo certo! Mas, de algum modo, estava! Olhei para cima vendo-a a olhar para mim como se espera-se ordens.

- Tens… tudo certo… Acho que… estás dispensada.

Um suspiro comum percorreu a sala. Ninguém conseguia acreditar.

A miúda olhou-me inexpressiva e virando-se saiu pela porta, deixando o cabelo comprido dançar atrás dela.

Quem raio era esta miúda?


Talvez vá demorar um pouco a publicar o próximo capitulo porque ainda não me enchi de coragem para o passar da cabeça para o pc... (vá lá sejam pacientes, até arranjar um novo estou a trabalhar num daqueles pequeninos e nem espaço para termos as duas mãos têm!)

Como sempre comentários são muito bem vindos!

BACCI Misa!