"O AMOR... É CEGO?"
Autor(a): Lynsay Sands
Adaptação: Nessinha Cullen
Shipper: Edward/Bella
Gênero: Romance, muito humor e algumas cenas "picantes" (com avisos prévios para aqueles que não curtem esse tipo de leitura).
Censura: NC-13
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Inglaterra, 1720
Amor Perigoso!
Edward Cullen, o conde de Masen, sabia que a bela e estabanada lady Isabella Swan poderia ser perigosa. Ela era, na verdade, um desafio. Mas era exatamente o desafio que ele precisava...
Isabella, ou simplesmente Bella – como preferia ser chamada –, sempre desejou encontrar um noivo, mas sua madrasta queria mais ainda que a enteada encontrasse alguém disposto a se casar com ela. Bella concordava que os óculos escondiam a beleza de seu rosto, mas se ela seguisse o conselho da madrasta e não os usasse, como iria enxergar? Já causara confusão suficiente para merecer um apelido infame nos círculos sociais em função de sua deficiência visual. Todos os possíveis pretendentes pareciam sair correndo... Até que de repente apareceu um cavalheiro disposto a dançar com ela. Um homem elegante, atraente, misterioso...
E Bella se vê a tropeçar... no amor!
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CAPÍTULO II
Baile dos Newton...
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Bella observou o movimento turvo do salão de baile e suspirou. Transcorrera apenas uma semana do baile dos Morrisey, onde conhecera o conde de Masen. Pareciam meses. A vida voltara à rotina de sua semi-escuridão e da entediante atenção de lorde Newton.
Aparentemente, apesar do pequeno incidente, ele continuava a cortejá-la.
Naquele instante, Bella agradecia o fato de ele, como o anfitrião do baile, estar muitíssimo ocupado para lhe dedicar qualquer atenção, mas estava bastante entediada. Entediada às lágrimas. Na verdade, estava um pouco obcecada pela noite em que conhecera Masen. E, apesar da proibição da madrasta, ansiava por reencontrá-lo.
Observava então os vultos das pessoas que passavam, prestando atenção a suas vozes e risadas.
Como se atraída por seu pensamento, aquela voz grave, suave, repentinamente sussurrou em seu ouvido:
— Esses eventos são maçantes, não são?
Voltando-se sobressaltada, Bella viu o vulto escuro ao seu lado e piscou incrédula.
— Lorde Masen! — exclamou radiante, no mesmo minuto temendo ter se mostrado muito ansiosa. Perguntou então: — Maçantes por quê? Estou com cara de entediada?
Bella pôde perceber o riso na voz dele ao comentar:
— Não pude evitar vê-la bocejar quando me sentava.
— É... Talvez eu esteja mesmo um pouco entediada — Bella ficou rubra por ter sido pega bocejando. — Estou em Londres há quase cinco semanas e a noite em que o conheci foi a única coisa interessante que me aconteceu.
— Não achou interessante incendiar Newton? — Edward a provocou, fazendo-a corar mais ainda.
— Não me referia a esse tipo de coisa. Tão somente que eu me diverti em sua companhia.
— Você está me bajulando — comentou Edward, com a voz enrouquecida.
— De forma alguma — Bella assegurou, com sinceridade. — É a verdade. Fez-me muito bem dançar com você, sem pisões ou tropeços.
— Então vamos dançar novamente — ele sugeriu, pegando-lhe a mão para fazê-la levantar.
— Oh, não! — Bella exclamou, tirando a mão. Depois, desculpou-se com um sorriso. — Sinto muito, mas minha madrasta deve estar por perto e se nos vir juntos irá... Bem, ela não vai gostar. Espero que não se sinta ofendido com minhas palavras.
— Não, de forma alguma — disse Edward, em tom seco.
Bella mordeu os lábios, sentindo-se infeliz. Sabia que ele tinha razão de se sentir insultado, mas não sabia de que outra forma poderia ter lhe dito.
Edward deve ter entendido como se sentia, pois tomou sua mão e apertou-a com delicadeza.
— Não se preocupe. Sou forte. Além disso, não é a primeira vez que ouço esse tipo de comentário nesta temporada.
As palavras dele foram ditas de maneira meio casual e, até onde sua pouca visão conseguia perceber, ele parecia estar olhando ao redor agora. Talvez estivesse procurando uma desculpa para deixá-la, pensou, quando se voltou de maneira inesperada e apressou-a a levantar-se.
— Creio que não vejo sua madrasta e nenhuma das amigas dela por aqui neste momento. Se nos apressarmos, acho que podemos escapar para o terraço sem sermos notados.
— Ao terraço? — Bella repetiu confusa, acompanhando-o pela mão. As portas do terraço ficavam bem ao lado do lugar onde estava sentada. — Não me parece prudente.
— Quero dançar com você.
— Dançar? — surpreendeu-se, ao perceber que ele fechava as portas do salão após passarem, cortando todo o burburinho dos convidados, o som da música e da conversação. — Mas, e se minha madrasta voltar e não me encontrar? Ela certamente virá me procurar aqui.
— É verdade — Edward murmurou. — É melhor sairmos daqui então. Venha. Vamos ao jardim onde ela não poderá nos encontrar. Assim poderemos dançar.
Edward, ao mesmo tempo em que falava, conduzia Bella aos tropeços para poder acompanhar o passo dele. Nervosa, ela tentou lhe explicar:
— Não, milorde, creio que você não entendeu o que eu disse. Se ela der pela minha falta, vou estar em apuros quando voltar.
— Isso é fácil de resolver, basta dizer que necessidades urgentes a obrigaram a procurar um toalete.
— Milorde! — Espantou-se, não acreditando que ele ousasse mencionar uma coisa daquelas de forma tão crua. Isso não se fazia.
— Desculpe, eu só estava tentando... — Interrompendo o que ia dizer, exclamou: — Diacho, alguém está se aproximando!
Bella esqueceu no mesmo instante a falta de boas maneiras dele; seu coração disparou de ansiedade.
— Será Irina?
— Não sei, não dá para ver, mas ouço passos. Venha.
Puxando-a para um dos lados da trilha do jardim em que havia um pequeno bosque, os dois infiltraram-se entre os arbustos. Instintivamente, ficaram em silêncio, mantendo-se à espreita.
Um minuto depois, puderam visualizar duas figuras caminhando na direção em que estavam. Pura falta de sorte, em vez de seguir adiante, as duas pessoas pararam exatamente em frente ao local onde estavam escondidos e se abraçaram.
— Oh, Mike! — a mulher sussurrou.
— Lauren, querida — fez-se ouvir uma voz trêmula.
Bella franziu o cenho, reconhecendo de imediato a voz de Newton.
— Diga-me que não é verdade que você tem intenção de se casar com aquela bobinha desastrada? — choramingou a voz feminina. — O que será de nós? Como irá ficar nossa grande paixão?
— Eu amo você, Lauren — assegurou Newton. — E meu amor será seu até que eu morra, mas preciso ter um herdeiro. Minha mãe insiste nesse ponto.
Bella riu internamente. Era Newton, tinha mesmo certeza, e a única Lauren que conhecia era lady Crowley!
— Sim, mas...
— Quietinha, meu amor — Newton procurou acalmá-la. — Deixe-me apenas abraçá-la e fingir que meus sonhos de todas as noites estão se realizando. Que você é minha e que não precisamos ficar nos ocultando.
Houve então um ruge-ruge de seda e um breve silêncio. Bella sabia que estavam se abraçando, mas pouco depois ouviu o som de beijos estalados. Curiosa, procurou ficar na ponta dos pés para tentar ver alguma coisa entre os arbustos, mas tudo o que conseguia enxergar eram imagens nebulosas do colorido traje de lady Crowley e o vulto mais escuro e esguio de seu acompanhante.
Estavam tão colados um no outro que seus rostos pareciam um grande borrão sob uma única peruca branca.
Como se beijavam! Bella ficou consternada, pensando em lorde Crowley. Não tinha dúvida de que era Lauren Crowley. Ela fazia parte do círculo de amigas da madrasta. Com frequência suas atitudes em relação à Bella eram bastante críticas e frias. Agora entendia a razão. Era ciúme pela corte que Newton lhe fazia.
— Oh, Mike, vamos fazer amor — sugeriu Lauren, arfando.
— Mas acabamos de fazer, meu bem — Newton protestou. — Sou apenas um. Não consigo ter um novo desempenho tão rápido. Preciso me recuperar do fogo que você acende em mim.
— Ah! — Houve um longo suspiro de desapontamento, e então: — Se fôssemos casados...
— Se fôssemos casados, poderia tê-la em meus braços, como a tenho agora, todas as noites — Newton proclamou baixinho e depois praguejou: — Dane-se seu marido por ter tão boa saúde!
— Sim, que se dane — Lauren concordou. — Queria que ele...
— Shhh! — Newton interrompeu-a.
— O que foi? — perguntou, soando ansiosa.
— Acho que ouço alguém se aproximando.
O casal se separou imediatamente; pouco depois surgiu outra mulher e parou aparentemente surpresa ao vê-los.
— Ora, lorde Newton. Lady Crowley.
Reconhecendo a voz de Jessica Stanley, outra amiga da madrasta, Bella se encolheu ainda mais entre os arbustos.
— Lady Stanley! — o casal exclamou em uníssono, como se não estivessem em fervoroso idílio uns minutos antes.
— Tomando um pouco de ar fresco, Jessica? — Lauren perguntou meio desconfiada.
— Estou, sim. Está bastante quente lá dentro — lady Stanley confirmou, acrescentando com uma certa ironia: — De fato, foi o que acabei de comentar com lorde Crowley um minuto atrás.
— Tyler está aqui? — não passou despercebido o tom de alarme na voz de Lauren. — Mas ele disse que não estava com disposição de vir hoje.
— Hum, acho que ele mudou de ideia — murmurou lady Stanley satisfeita. — A propósito, ele me perguntou se eu sabia onde você estava e eu lhe disse que achava que você tivesse se dirigido à mesa para jantar.
— Oh! — Houve certa hesitação e depois o vulto de Lauren voltou-se para Newton. — Muito obrigada, milorde. Foi muita gentileza sua dispor de seu tempo para me mostrar o jardim. Devo entrar agora — ela hesitou por um momento, depois perguntou com muita astúcia: — Acompanha-me, lady Stanley?
— Não, acho que gostaria de ver a nova fonte de lorde Newton. Isso se você não se importar de me mostrar, Mike?
— Sim, sim, vamos — respondeu Newton imediatamente. — Será um prazer.
— Então vou indo — disse Lauren, obviamente relutante, e seu vulto se afastou.
Bella esperava que Newton e lady Stanley saíssem logo dali e então ela e Edward poderiam livrar-se do esconderijo e voltar à festa. Quase suspirou de alívio. Mas estava enganada.
Assim que Lauren se foi, lady Stanley voltou-se para Newton e, com a voz embargada de ciúme, perguntou:
— O que ela queria?
— Lauren disse que precisava de um pouco de ar fresco e me pediu que lhe mostrasse as novidades do jardim, o que eu não poderia recusar — explicou Newton em tom inocente, fazendo Bella revirar os olhos de indignação.
Deus meu, o homem é um mentiroso compulsivo.
— Ah! — exclamou lady Stanley parecendo aliviada, resmungando depois: — Quando os vi saindo, pensei...
— Quietinha, meu amor — Newton tomou-a nos braços. — Saiba que não há mais ninguém para mim. Eu a amo, Jessica, e amarei até morrer.
— Verdade, Mike? — ela suspirou ao ser beijada ao longo do pescoço. — É que ando tão enciumada ultimamente.
— Não há razão alguma para que você tenha ciúme, meu bem.
Bella apertou mais os olhos e se esgueirou um pouco ao perceber que Newton dera um passo para trás.
Santo Deus! O homem acabava de despir os seios de lady Stanley ali mesmo no jardim, Bella concluiu chocada ao perceber a movimentação das manchas e o ruidoso estalo de beijos.
Lady Stanley arfou, depois encheu as mãos com a cabeça emperucada de Newton, levantando-a do peito.
— E quanto àquela menina?
— Isabella? — a voz de Newton soou cheia de desprezo ao pronunciar o nome. — É apenas uma criança. O que sabe ela de uma paixão como a nossa?
— Então é amor mesmo o que sente por mim? — ela insistiu.
— Claro! — ele a tranquilizou.
Seus vultos se juntaram novamente e pôde se ouvir a reafirmação dele:
— À noite sonho com você, que você é minha e não precisamos mais de encontros furtivos, e acordo com seu nome em meus lábios.
Como sonha esse homem, pensou Bella, e como encontrará tempo para enganar as duas damas?
— Oh, Mike — lady Stanley não se conteve —, já pensou se eu fosse sua e pudéssemos nos abraçar assim todas as noites?
— Nem fale — concordou Newton, em tom apaixonado. — Dane-se seu marido por ter tão boa saúde.
Bella precisou se controlar para não soltar uma exclamação ao ouvir o mesmo refrão.
— Agora deixe-me aproveitar esses poucos momentos que a tenho — Newton, ajoelhou-se subitamente, desaparecendo sob a saia esverdeada de lady Stanley.
Sem enxergar direito, mas percebendo pelos vultos o que havia acontecido, Bella começou a perguntar, meio sem pensar:
— Que diabo ele...
Masen tapou-lhe a boca com a mão e, já tendo conseguido se localizar, imediatamente puxou-a com delicadeza, conduzindo-a entre os arbustos, para que cruzassem o pequeno bosque.
Agarrando-se no braço dele para não perder o equilíbrio, Bella se voltou para olhar mais uma vez para os vultos de Newton e lady Stanley. Como queria estar de óculos! Embora não tivesse ideia do que ele estava fazendo sob a saia dela, os gemidos que a mulher emitia eram muito sugestivos.
Eles finalmente conseguiram chegar ao outro lado do jardim e Edward apressou-a a afastar-se dali.
— Céus o que eles estavam fazendo? — ela perguntou curiosa e arfante quando Edward a fez parar em outra pequena clareira.
Masen ficou um tanto desconcertado e fitou-a enternecido.
— Vou lhe explicar um dia, milady. Não é hora ainda.
— Por quê? — ela insistiu.
— Porque você é ainda inocente demais para entender certas coisas. Ficaria muito constrangida. E porque acho que devemos voltar para o baile — concluiu Edward, soando aliviado por encontrar outra desculpa.
— Nem tivemos uma chance de dançar — Bella protestou, refletindo que, se era para se meter em apuros, poderia pelo menos ter dançado um pouco.
— Fica para uma outra vez — Edward gentilmente prometeu, sorrindo.
— Temo que não haverá uma outra vez, milorde. Irina tem evitado estar onde você possa aparecer. Só estamos aqui porque ela pensou que você não aceitaria o convite de Newton.
— Então é por isso que não consegui encontrá-la em nenhum outro baile esta semana — Edward disse baixinho, completando secamente: — Sua madrasta estava certa, normalmente eu não viria a este baile.
— Então por que veio? — Bella sustou a respiração depois de fazer a pergunta.
— Porque sei que Newton é seu pretendente e imaginei que você viria.
— De verdade? — ela perguntou com um sorriso.
— Sim, de verdade.
Bella sentiu que Edward sorria também. Ele então passou delicadamente os dedos sobre seus olhos, para que parasse de apertá-los e disse:
— Eu também gostei muito de nossa conversa no baile de Morrisey e, desde então, estava ansioso por reencontrá-la.
Um largo sorriso iluminou o rosto de Bella, expressando todo o prazer que sentia diante de tais palavras.
— Só queria...
— Diga-me, o que você quer? — Edward apressou-se a perguntar ao vê-la hesitar.
Bella encolheu os ombros, entristecida.
— Queria que Irina não antipatizasse tanto com você.
Ambos aproximaram-se do salão, pensativos e calados. Edward parou e fez com que ela se voltasse para ele.
— Talvez haja uma maneira de contornarmos isso.
— Que maneira? — indagou Bella, em um misto de curiosidade e esperança.
Edward fitou-a em silêncio, meneando depois a cabeça em assentimento, como se concordasse com a ideia que tivera. Ele apertou a mão que segurava o braço dela e disse:
— Isabella, se meu primo for procurá-la nos próximos dias e se oferecer para levá-la a um passeio, tente envolver sua madrasta na conversação.
— Seu primo? — ela perguntou, indecisa.
— Emmett McCarty — Edward esclareceu. — Vou pedir a ele que a pegue. Sua madrasta vai aprovar. Ele sairá com você e eu os encontrarei no parque.
Bella franziu o cenho, reconhecendo o nome.
— Acho que já nos conhecemos e é pouco provável que ele concorde em me buscar, milorde.
— Ele me contou sobre o encontro de vocês.
— Contou? — ela perguntou, ficando sem-graça.
— Contou sim, mas não se preocupe, conversei com Emmett a respeito de sua visão. Ele terá prazer em nos ajudar.
— Talvez tenha — murmurou Bella em dúvida. Depois, mordendo o lábio e olhando para o rosto borrado dele, perguntou em tom ansioso: — Ele não é um mundano, é?
Ao sentir a hesitação de Edward, ela se apressou em explicar:
— Pois essa é a razão de Irina se opor a você. Apesar de que, no seu caso, tenho certeza de que ela está enganada, mas se Emmett for um...
— Vai dar tudo certo.
Bella sentiu o coração acelerar, desejando acreditar nele, ao mesmo tempo não acreditando que algo tão maravilhoso pudesse acontecer em sua vida.
Tivera muito poucas alegrias nos dez últimos anos. Primeiro a doença da mãe e o terrível caso com o capitão Volturi... Depois a mãe morreu e enquanto ela ainda vivenciava o luto, o pai casou-se com a horrível Irina. Desde então a vida no campo havia sido um verdadeiro martírio, com Irina fazendo questão de lembrá-la de sua vergonhosa experiência sempre que podia. Era frequente acusá-la de ter precipitado a morte da mãe com o escândalo que impusera a toda a família.
Bella sabia do ressentimento que Irina sentia por ela e que a culpava pelo pai evitar ir a Londres. Infelizmente, tinha de concordar que Irina tinha razão. A madrasta a detestava por isso, pois havia perdido várias temporadas em Londres e não fazia segredo de que não via a hora de livrar-se dela.
Bella também sabia que, no que dependesse de Irina, ela tudo faria para que estivesse amarrada ao odioso Newton pelo resto da vida. E devia saber muito bem que horror o homenzinho era. Desconfiava que por algum tempo os dois tivessem sido mais do que amigos como as atuais circunstâncias mostravam. Ela se perguntava se Newton eventualmente não teria também jurado amor eterno a Irina e praguejado contra a boa saúde de seu pai. Não iria surpreendê-la nem um pouco.
— Isabella!... Isabella!
A voz de Irina cortando a noite quase a fez gritar de susto. Embora próximos do salão, ainda estavam na trilha que circundava o bosque e puderam uma vez mais infiltrar-se entre os arbustos.
— Psiu... — Edward sussurrou baixinho quando ela abriu a boca para despedir-se dele enquanto ainda dava tempo. — Vá! Ela não me viu. Não mencione meu nome. Diga simplesmente que você saiu para tomar um pouco de ar fresco.
— Está bem — Bella sussurrou.
— E não se esqueça do acordo com meu primo. Emmett McCarty vai procurá-la amanhã.
Sussurrando um boa-noite para Edward, ela reapareceu na trilha e começou a dar alguns passos hesitantes em direção à voz da madrasta.
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Edward aguardou até que Irina e Bella entrassem na casa para sair do bosque. Não quis mais voltar ao salão. Seguiu pela lateral da casa até chegar ao pátio da frente e solicitou sua carruagem.
Já no veículo, instruiu o motorista para levá-lo a uma das casas de jogatina de pior reputação na cidade, na certeza de que encontraria Emmett por lá.
Como esperado, Edward encontrou o primo jogando e achou graça do choque que ele levou ao vê-lo.
— Edward! — reagiu Emmett surpreso, ao sentir um tapinha no ombro e se voltar para ver quem era. — Pensei que nunca mais o veria por aqui. Desde que você voltou da guerra, parece que abdicou desse tipo de divertimento. Junte-se a nós, sente-se aqui — ele propôs, visivelmente contente de ter o antigo parceiro de volta.
Edward hesitou, depois sentou-se, pouco à vontade para falar sobre a razão de estar ali na frente de todos. Sabia, porém, que se ousasse tirar Emmett do jogo, dificilmente teria a ajuda pretendida. Conformado em passar algumas horas naquele ambiente enfumaçado e vicioso, teve ainda de ignorar os olhares curiosos para sua cicatriz e ficou repassando mentalmente os argumentos que usaria para convencer o primo tão logo saíssem dali.
— Você deve estar louco! — Emmett exclamou.
À saída daquele antro infernal, Edward havia convidado o primo para um drinque e, finalmente, fez o pedido ao levá-lo em sua carruagem para casa duas horas mais tarde.
Edward estranhou a reação de Emmett. Não era a que esperava. Após ter explicado suas razões, estava certo de que ele entenderia e seria mais colaborador.
— Por que louco?
— Porque é uma loucura achar que eu de bom grado me exporia a esse perigo — Emmett disse rindo, ao entrarem na casa e dirigir-se à biblioteca. — O que será de meus herdeiros, se é que vou tê-los, caso a desastrada provoque novamente um acidente?
Edward balançou a cabeça em desaprovação enquanto Emmett jogava-se em uma das poltronas de couro ao lado da lareira. Edward encaminhou-se para uma mesinha giratória onde havia copos e uma garrafa de uísque.
— Estamos falando de uma moça frágil, não de uma batalha do exército francês.
— Na verdade Isabella consegue fazer mais estragos do que todo o exército francês junto — Emmett retorquiu.
Edward apertou os lábios e permaneceu calado, refletindo sobre um argumento mais convincente enquanto servia um copo de uísque para cada um. Ao terminar, recolocou a tampa na garrafa, pegou os copos e cruzou a sala, dizendo antes de servir o primo:
— Eu só queria que você a buscasse e a levasse de volta. Você ficaria muito pouco tempo com ela, Emm.
— Eu sei, mas...
— Eu agradeceria muito — Edward acrescentou, entregando o copo para ele.
Depois de alguns minutos de silêncio, em que ficaram se olhando, Emmett pegou seu drinque e deu um suspiro.
— Está bem — resmungou, caçoando do primo: — Tudo em nome do amor e do romance... Mas espero que você se lembre disso quando eu precisar de ajuda.
— Lembrarei — Edward assegurou aliviado e sentou-se na poltrona oposta à do primo.
— Bravo, meu velho. Então pego lady Isabella amanhã e a levo para onde?
Edward hesitou para responder, sabendo que essa seria a parte mais delicada.
— Podemos pensar a respeito em um minuto, mas antes preciso lhe falar sobre um pequeno detalhe.
De sobreaviso pelo tom de voz do primo, Emmett arqueou a sobrancelha.
— E qual é ele?
— É difícil abordar o assunto, mas a madrasta de Isabella não gosta de... homens mundanos. — Observando a reação do primo, Edward extravasou seu desconforto mexendo-se na poltrona. — Pensei que talvez você possa usar com lady Swan a mesma tática de abordagem que usou com lady Strummond para convencê-la a deixar que saísse com a filha.
— Que é isso, Masen, com efeito!
Edward esmoreceu diante da expressão do primo:
— Bem, funcionou com lady Strummond.
— Sim, funcionou, mas...
— Poderá funcionar novamente — insistiu. — Tenho certeza. Só você tem talento para isso.
— Primo — disse Emmett de cara amarrada —, uma coisa é bancar o almofadinha para se conquistar alguém para si mesmo, e outra bem diferente é para...
— Por favor — Edward interrompeu.
Emmett arregalou os olhos, incrédulo. Edward Cullen, conde de Masen, nunca dizia "por favor". Jamais. Sentindo-se sem saída, voltou os olhos, com ar pensativo, para as cinzas da lareira e suspirou resignado.
— Está bem.
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N/A:
Voltei com a continuação para vocês! Desculpem-me pela demora, afinal eu deveria ter postado na semana passada, mas eu fiquei enrolada com minha vida pessoal e não tive tempo suficiente para ajeitar o segundo capítulo. Sou meio perfeccionista e não queria postar para vocês um capoítulo cheio de erros =)
Agora, o que acharam dessa parte da história? Não dá nem para acreditar que o emperucado Newton seja tão galinha, né? Imagina se a Bella for obrigada a assumir um compromisso com ele? Seria uma vida horrível.
E o que acontecerá agora? Exatamente como o primeiro capítulo, eu também dividi esse em duas partes só para tornar as coisas mais interessantes, afinal na continuação nós veremos qual foi a solução que Edward encontrou para ver Bella novamente. Algum de vocês tem uma ideia de qual personagem Emmett interpretará para convencer Irina a permitir que a nossa Bellinha saia com ele? Gente, garanto a vocês que é engraçado imaginar Emmett vestindo... hã... Bom, chega de spoilar ;D
Sobre os reviews que recebi, está na hora de responder:
* Lu Silva, obrigada pela atenção que você está dedicando não só a mim, mas a história também. Ela agradece ;D E sobre a Bellinha ser feliz, ela será - isso eu garanto -, mas ainda tem muita história para rolar. Espero contar com a sua aparição nesse capítulo, não esquecça de comentar. Bjss.
* G, que bom que está gostando da fic. E você tem razão, essa história foge do padrão Edward-lindo-e-maravilhoso, símbolo da perfeição (não que eu tenha algo contra, afinal o Ed é sempre um Deus grego). Sempre é bom explorar novos caminhos. E esse Edward inseguro sobre si mesmo é bem menos recorrente. Espero que continue acompanhando. xoxo.
* Liiz, que bom encontrar você por aqui e não, a Irina nunca levou um fora do Edward. Seria divertido se isso tivesse acontecido, mas acho que se as coisas fosse assim, eu teria adaptado a personagem da madrastra de Bella para a Tanya, só porque ela foi ignorada pelo Edward na história original. Agora sobre como eles vão conseguir se ver... você terá que comparecer no próximo capítulo para descobrir. Kisses.
* Marisa, que bom que você está gostando e, bom, eu não escrevo essa história, só faço a adaptação, mas vou me agarrar a esse elogio só para inflamar meu ego murchinho rsrs. Se tiver que dr os parabéns a alguém, essa deveria ser a autora da história: Lyndsay Sands (já percebeu o quanto eu faço a propaganda dela? Eu com certeza sou uma fã de seu trabalho). Você pediu pela nova postagem e aí está ela. Espero por um comentário, hein. Besos.
Acho que é só por hoje. Espero encontrá-los novamente na semana que vem.
Bjss e au revoir.
E para meus leitores fantasmas, um recadinho direto para o plano espiritual:
Não se acanhem, meus queridos, acreditem quando digo que adoro receber comentários. Então, mexam-se e procurem um computador
aí do outro mundo para me mandarem um review. Vou ficar esperando. Bjss e au revoir.
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