Innocence

No dia seguinte, o pequeno Julian acordou entusiasmado, pulando na cama do melhor amigo.

- Zee! Acorda Zee!

- O que foi?- respondeu Zeke, mal humorado, esfregando os olhos.

- Hoje temos o período livre das duas primeiras aulas! Podemos passear pela escola e fazer um monte de coisas legais!

- Claro... Er... Será que poderia me dar uma licençinha, por favor?

- Desculpe! – disse o loiro,saindo da cama.

Zeke corou violentamente ao constatar o que mais temia. Não sabia o motivo de seu colega ser tão espontâneo daquele jeito. E vê-lo pular apenas de cueca sobre a sua cama não era algo saudável para um menino com a idade dele.

Correu para o banheiro e voltou após alguns minutos, ainda muito corado.

- O... O que quer fazer hoje?

- Que houve com você? Saiu correndo pro banheiro de repente e me deixou falando sozinho aqui!

- Uhm... Não... Não foi nada... É que eu sempre vou ao banheiro depois de acordar. É rotina. É normal.

- Se você diz...

Os dois se trocam rapidamente e descem as escadas. Até que não era uma má idéia fazer um passeio pelos arredores de Hogwarts para conhecê-la melhor.

Andaram por todos os corredores, passaram por algumas salas abandonadas,foram até o banheiro dos monitores e se divertiram vendo Murta conversar com uma boneca de pano velho. A fantasma acabou simpatizando com os dois e os fez prometer que sempre que tivessem chance a visitassem.E é claro,os dois confirmaram e desceram as escadas.

Foram expulsos da biblioteca por Madam Pince, que já não agüentava mais ouvir as conversas animadas dos garotos.

Depois continuaram o passeio, indo até o lago e sentando-se sob a sombra de uma grande árvore para descansarem um pouco. Julian era muito ingênuo para perceber os olhares que Zeke lançava. Sempre que tinha chance, o menino de cabelos castanhos se aproximava. Ora brincava com os finos fios loiros, ora tocava nas pequenas mãos de leve, esperando uma reação. Mas nada acontecia

- Hey...

- Oi Zee?

- Alguma vez... Você já... Amou tanto uma pessoa... Que seria capaz de morrer por ela?Já amou tanto alguém... Que desejasse apenas ver um sorriso no rosto dela?

- Sim... Meu pai Draco... Eu amo muito meu pai Draco. Tudo o que eu queria era ver um sorriso dele... Ele nunca sorriu pra mim... Eu morreria por ele sem questionar.

- Puxa... O Draco é muito sortudo... Uma mor tão grande como esse... É difícil de encontrar...

- É... Às vezes eu queria que o meu pai... Sentisse um terço do que eu sinto por ele...

- Seu pai te ama. Pode ter certeza... Ele só não demonstra toda hora. É comum para nós Slytherins. Usamos máscaras.

- O que são máscaras?

- Você é muito inocente pra saber.

- Sabe Zee... Eu gosto muito de você... E eu desejo de todo o coração... Que você encontre um amor tão forte desse jeito,por alguém especial.

- Eu sinto... Mas a pessoa não sente o mesmo por mim.

- Sério? Isso é tão triste!

- Haha... Sim é muito triste. Mas eu sei que um dia eu vou conseguir o coração dessa pessoa...

- Eu sei que vai...

- Hey!- Um garoto alto do quinto ano, se aproximou dos dois e puxou o loiro pelo braço.

- Posso falar com você?

- Po-Pode... Eu já volto Zee!

- O.k! Não demore!

Julian não sabia para onde estava sendo levado, mas sabia muito bem quem era o garoto. Era Jack, um quintanista que no dia anterior pedira um encontro com o loiro, mas fora dispensado sem nenhum esforço. O garoto mais velho continuou o puxando pelo pulso até chegar num corredor vazio, jogando-o no chão.

- O que quer de mim, seu bruto?

- Nada de mais... Só quero o que você me negou ontem.

- Eu... Eu não quero beijar você! Você é nojento!

- Repete se tiver coragem.

- Você é nojento! Seu Mud-blood nojento! Pessoas como você deviam ser banidas da face da Terra!

- Como soube que eu era trouxa?

- Zeke me falou! Ele conhece todos os alunos do quinto ano!

- Você me paga! Ninguém me chama assim e sai impune!

- O-O que vai fazer? Não toque em mim!

- Não se preocupe. Não vai doer nadinha... Em mim.

- Não... Não... Não toque em mim! NÃO TOQUE EM MIM SEU...!

Julian é calado por um soco na boca do estômago e outro no rosto. Incapaz de respirar, se encolhe no chão, contorcendo-se de dor. O quintanista chutava o garoto no chão com força, machucando-o cada vez mais, sem se importar com as súplicas do pequeno, que chorava desesperado. Desferiu alguns tapas no rosto do menor e mais alguns socos.

Quando achou que as pancadas já eram suficientes se aproximou do garoto e sussurrou:

- Agora vamos ao que interessa. - diz o mais velho, retirando o cinto das calças.

Após muitas súplicas, Julian se calou, incapaz de reagir ou de falar. Apenas continuou lá até o maior terminar.

- Não doeu nadinha em mim.

Dizendo isso, o garoto se postou a correr, fugindo do corredor antes que alguém chegasse. O loiro se arrastou no chão, tentando se apoiar nas paredes, estava muito fraco e machucado. Não sabia o que tinha acontecido exatamente e não percebera a real gravidade do que acontecera.

Por milagre, ou apenas coincidência, um garoto ruivo passava pelo corredor e chegou aflito perto do loiro, pegando-o no colo.

- Por Merlin! O que houve Julian?

O garoto machucado se acalmou ao reconhecer a voz. Era Andrew Weasley. Filho de sua tia Hermione com seu tio Rony.

- And... - Julian tentou falar. Mas a voz não saía.

Andrew parou para analisar os ferimentos, vendo vários roxos pelo corpo. O pequeno respirava com dificuldade e alguns filetes de sangue estavam espalhados pelo rosto fino e delicado.

- Vou te levar até a Madam Pomfrey! Agüente firme!

O ruivo correu com o loiro nos braços sem pestanejar e irrompeu na Ala hospitalar, gritando a plenos pulmões:

- MADAM POMFREY! SOCORRO! ELE ESTÁ FERIDO!

- Oh não! Pobrezinho!

A medibruxa pegou o garoto no colo e o ajeitou numa cama. Julian era muito magrinho e pequeno, o que fez parecer que era ainda mais frágil. Estava encolhido nas cobertas, seu pequeno corpo tremia.

- Madam Pomfrey! Eu não sei o que aconteceu! Eu estava passando no corredor e o encontrei assim todo machucado e chorando!

- Quem faria uma coisa dessas?

- Eu não sei...

- Por Merlin... Que crueldade... Oh céus...

Suspirou a mulher ao perceber que um pouco de sangue escorria pelas coxas finas do loiro.

- O que ele tem?

- Alguém o maltratou! Ele está profundamente ferido. Espere aqui! Vou preparar uma poção para cicatrizar machucados internos.

- Certo. Enquanto isso vou tentar chamar os pais dele!

- Faça isso, senhor Weasley!

O ruivo assovia e sua coruja aparece. Conjura um pergaminho, tinta e pena para escrever e prende o recado rapidamente nas pernas da ave.

- Leve isso depressa! Para a casa do Harry!

A coruja pia e sai veloz pela janela. Andrew aperta a delicada mão de Julian sobre o peito e a acaricia.

- Vai ficar tudo bem.

Por sorte, Harry e Draco ainda tomavam café e se assustaram com a com a coruja. Nunca viram uma coruja voar tão rápido. Ela pousou desajeitada e estendeu a perna.

O moreno de olhos verdes pegou o pergaminho e o leu com calma.

- Oh não! Por Merlin! Vamos para Hogwarts agora!

- Que houve?

- Nosso bebê está ferido!

- Oh não... Por Mordred!

Deixaram o café pela metade e pegaram a primeira carruagem para Hogwarts. Chegaram á Ala hospitalar aflito. Harry não sabia o quão grave era, mas já chorava desesperado, abraçando o corpo mole e frágil do "filho".

- Meu filho! O que houve? Por Merlin!

- . É um prazer revê-lo aqui. Mas sinto informar. Seu filho fora agredido brutalmente por alguém. Não sabemos quem foi... Mas sabemos que foi no corredor da Ala leste.

- Se eu encontrar esse desgraçado, eu mato. - disse Draco, friamente.

- Não, Sr. Malfoy. O aluno é responsabilidade do colégio. O diretor irá puni-lo devidamente.

- Me diz Madam Pomfrey... Os ferimentos são muito graves?

A medibruxa fica ainda mais séria e puxa os dois pais para o lado.

- Tenho algo muito grave a dizer para vocês. Seu filho além de ter sido agredido...

Sofreu abuso... Foi horrível. A pequena entrada dele foi rompida bruscamente e sem nenhum cuidado. Está com uma intensa hemorragia interna.

- Não... Não... NÃO!

Harry se desespera, socando a parede com força e voltando a abraçar o corpo pequeno do loiro, que sente a presença do pai, aconchegando- se nos braços protetores do adulto.

Draco tentou se manter o mais frio possível. Mas não podia. Correu para o outro lado da cama e também abraçou o filho.

- Meu... - Meu filho... Você sabe o que aconteceu?

- E-Eu... Não sei... Papai... Ele me bateu muito... E depois... E depois... Me machucou ali... Ali embaixo... Papai... Está doendo muito!- soluçava o menor.

- Céus... Eu sinto muito! Muito... Oh meu filho...

- Ele não faz idéia da gravidade do que aconteceu?- perguntou a medibruxa.

- Ele nem sabe o que é isso, Madam Pomfrey! Nunca falamos disso pra ele.

- Pa...Papai... Acho que ele me machucou por que... Eu fui mal com ele... Eu chamei...

Ele de Mud-blood...

- O que? Mas o que o papai disse sobre isso, filho?

- Mas Papai... Ontem ele... Queria me beijar! Foi nojento! Me beijar que nem você faz com o Pai!

- Isso é verdade?

- Sim! Mas a culpa foi minha... Eu fui mal com ele... Eu mereci papai...

Ele não fez por mal...

- Julian. O que aconteceu foi algo muito grave! A culpa NÃO é sua. Você fez bem em não obedecer a esse imbecil.

- Papai... O que ele fez comigo papai? Está doendo muito aqui embaixo...

- Meu filho... Não fala assim... Oh Merlin... Pobrezinho... Olha... Quando for a hora certa,o papai explica pra você... Tente descansar agora.

- Pa...Papai... Não me deixa sozinho...

- Eu não vou sair daqui. Só quero que descanse.

- Ta-Tá bem...

O loirinho se encolhe nas cobertas e cai no sono finalmente. Harry engole a seco, passando as mãos no cabelo. Draco ainda chorava baixinho e era abraçado pelo marido.

- Harry... Ele é só uma criança... Uma criança!

- Eu sei amor... Eu sei...

- Como alguém teve coragem? Ele é a coisa mais inocente que eu já conheci na vida. Como alguém teve coragem de maculá-lo desse jeito? COMO?

- Shhh... Calma, meu amor... Ele vai melhorar e se tudo der certo, o garoto que fez isso vai ter o que merece.

- Se o meu filho não voltar a sorrir nunca mais por causa desse imbecil... Se ele perder toda essa inocência... Eu juro que o mato com as minhas próprias mãos! Eu juro!

CONTINUA...


By Vicky

Oh não! Tadinho do nosso pequeno;.;

Foi difícil escrever essa cena com ele

Mas era algo que ele tinha que passar...

ain...

Aguardem o próximo capt!

Thanks pelo review J.P Malfoy S2

waaaa

jyaaaaaaaaaaaaaaaaa