Disclaimer: Rurouni Kenshin não é meu porque não tenho dinheiro para comprar… (Espera só até ganhar a loteria!)

MutsumiSama – Obrigada pelo seu review, espero que continue seguindo e me fale o que está pensando, beijo

BelleRKX – Estou amando que você está amando, rs

Guest – Ahhh, peço perdão mas Donna vai continuar, ela vai ter um papel muito importante, não posso acabar já com a danadinha… Fica pra ver, Obrigada

IV

Kaoru acordou com uma fenda de luz que interrompeu o estore. A sua cabeça estava a latejar e os olhos estavam com dificuldade em abrir. O seu corpo estava confortavelmente deitado sobre uma superfície fofa com algumas almofadas.

"Que horas são?"- Pensou enquanto um dos braços a empurrou para se conseguir sentar. Expirou lentamente ar dos pulmões, esfregou os olhos e os abriu, para encontrar alguém sentado na sua frente

- Como se sente?

Kaoru abriu os olhos, um pouco mais, assustada olhou em volta, os seus pés descalços e voltou a olhar o homem na sua frente

- Você desmaiou. Já passou quase uma hora, como se sente?

A moça fixou o chão e voltou a fechar por segundos os olhos "Agora me lembro…"

Tentou levantar-se mas o desequilíbrio apoderou-se de si novamente e Kenshin, num impulso rápido, pegou seu braço e ajudou-a a sentar novamente

- Por favor, permaneça sentada enquanto alguém esta chegando

Pavor assumiu os seus olhos – Eu peço desculpa pelo incómodo, mas, não chamou nenhum médico certo?

Kenshin cruzou os braços permanecendo em pé, na sua frente – Não, por pouco… mas, haveria algum problema com isso?

Kaoru tinha e impressão que Kenshin percebera errado a sua pergunta. A sua cara estudava-a e expressava um misto de interrogação e insatisfação.

- Peço desculpa, mas eu tenho mesmo de ir…

Antes de tentar se levantar de novo, viu Kenshin aproximar-se um paço num movimento que a trancaria ali

- Tenha paciência menina, por agora vai esperar que ele chegue. Está em minha casa e se algo acontecer depois de sair daqui não quero qualquer responsabilidade.

Kaoru fechou os olhos novamente. Além de estar a fazer perder o tempo precioso de seu patrão estava também a causar-lhe transtorno.

A campainha do apartamento não demorou a tocar, Kaoru deu graças por quebrar aquele silêncio constrangedor. Kenshin dirigiu-se para a entrada e Kaoru fixou os olhos na esquina do corredor para saber quem viria

A porta bateu com força e os passos vinham acelerados

- Kaoru! Porra, o que foi isso?

Kaoru aliviou por fim, Sanosuke

- Eu estou bem, não é nada…

- Como não é nada? Aahhh, mas a culpa é minha mesmo. Porque ter-te indicado, eu já sabia …

- Tu já sabia o que Sano? – Perguntou Kenshin que os olhava encostada a uma parede, de longe

- Nada! Eu estou bem! – Kaoru reagiu

- Claro que sim, é por isso que eu estou aqui… Vamos, vou levar-te para casa – Sano deu o braço a Kaoru que nele se apoiou.

Dirigiram-se para a porta e Kaoru encarou Kenshin antes de sair

- Peço desculpa pelo transtorno. – As suas palavras estavam cheias de embaraço, mais nada lhe saia da boca

Kenshin assentiu e voltou o seu olhar para ela, desta vez mais simpático – Fique bem menina Kaoru, trate da sua saúde! É muito nova para ter esse tipo de vida stressante…

Será que Kenshin sabia da vida que ela levava? Ou estaria ele pensando em outras coisas? Ela agradeceu com uma leve inclinação, Sano fez sinal ao amigo e agradeceu igualmente. Os dois saíram e deixaram o condomínio.

Kaoru sentiu-se envergonhada todo o caminho com a situação anterior

Sanosuke pegou o carro de Kaoru e seguiram para casa da moça, Kaoru sentou no pendura, a cabeça encostada ao vidro, sentia-se sonolenta

- A culpa é minha, andas novamente a trabalhar que nem uma louca… Se achas que estás sobrecarregada porque não disseste não a esta proposta?

- Sabes bem que preciso de dinheiro, não são três horas de trabalho como limpeza que me deram esse abalo

- São o suficiente!

Sanosuke estava obviamente chateado, preocupado com a sua situação e preocupado com o estado da amiga.

- Não te preocupes, essas três horas já acabaram, já estamos de fim-de-semana. Vou repousar como merecido

Sano deixou o carro junto ao apartamento de Kaoru, ambos saíram

- E agora, como vais para casa?

- Não te preocupes, vou apanhar um táxi para a empresa

Kaoru deu-lhe um leve sorriso – Obrigada

A cara de Sano não curvou nenhum sorriso permanecendo sério

- Os amigos servem para isso. Faz-me o favor de olhar por ti!

Kaoru agradeceu e entrou, já mais bem-disposta, um banho quente e de seguida o sofá seriam o programa para hoje. Ponderou e bem, provavelmente hoje não teria disposição para treinar e trabalhar na noite.

A cara de Kenshin ficou marcada na sua mente. Os simpáticos olhos que conheceu pela primeira vez não eram os mesmo que vira hoje. O seu olhar interrogativo e aparentemente desconfiado deixaram-na envergonhada. Lembrou-se de seguida que acabaram por não fazer contas. Provavelmente o homem estava a ponderar fazer-lhe o pagamento. Kaoru sentiu-se desarmada em pedir o seu dinheiro. Afinal aquele tempo que o fez perder valeria com certeza um monte de dinheiro.

Amanha pensaria nisso tudo melhor. Hoje não, hoje não conseguia pensar em muita coisa.

OooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooO

O celular de Sano tocou na tarde do mesmo dia. Não tinha tido qualquer tempo,

Kenshin parecia impacientado

- És capaz de me explicar o que se passou ontem com a moça?

- Kenshin, cara, desculpa antes de mais mas realmente ainda não tive tempo pra falar contigo.

- Então, sou todo ouvidos… O que te passa pela cabeça em por em minha casa uma garota assim? Se ela não está sob o efeito de drogas será álcool? O cheiro denunciava isso mesmo… O marido dela está a par?

- Hei! Calma, drogas? Marido?

- Ai, não enrola, ela usa aliança, você é amigo e não sabe?

- Kenshin vamos jantar? Acho melhor falar em privado!

- Combinado, as 19 horas no High Restaurant

- Lá estarei, até logo.

Kenshin desligou o telefone e reconfortou-se novamente no sofá de sua casa. A manha do dia anterior deixou-o pensativo. Aquela moça deixou-o intrigado. Primeiro pela maneira que se vestia, o que fazia durante a noite? Depois o colapso que teve obrigou-o por instinto a pegar em peso antes de cair estatelada no chão. O seu peso não denunciava o que era visível. Os poucos metros que fez com ela ao colo até ao seu sofá conseguiu avaliar que apesar de se aparentar magra Kaoru era pesada, o seu corpo era tonificado, linhas suaves mostravam alguns músculos e era também… quente. Avaliou-a durante uma hora, enquanto ela dormia e enquanto ele decidia se ligava a Sano ou para o médico.

Um sentimento estranho tinha-o invadido na primeira vez que a viu. O espanto da moça quando o encontrou na sala escura e a curiosidade quando a conheceu na cozinha, aquele vulto escuro denunciou uns olhos azuis tão escuros como a noite.

OooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooO

Sentado na mesa de um famoso restaurante da cidade, Kenshin olhava a bela paisagem que as vidraças mostravam. O último piso era sem dúvida o seu preferido. A cidade iluminada criava uma bela paisagem com o por do sol. Sanosuke estava atrasado, como de costume.

Chegou entretanto, folgando a gravata e tirando o blaser

- Trabalhando ao sábado Sano?

O rapaz entregou o casaco ao mordomo e sentou-se confortável na cadeira na sua frente – Pois então, sou um escravo do trabalho – comentou sorrindo

Fizeram o pedido, martini branco era uma boa escolha para relaxar antes do jantar

- Então, a minha curiosidade está a crescer!

- Ora, está interessado na menina – Sorriu maliciosamente

- Sano, me poupa. Estou interessado em saber quem é que você meteu em minha casa. Sabes que com o que faço todo o sigilo é pouco.

- Não te preocupes com isso. Ela não sabe quem tu és e não me parece que esteja interessada. Ela precisa de dinheiro. Tanto faz se és o papa ou o presidente do Brasil…

- Então, o que se passou?

- Ela é minha amiga, desde pequena, os pais dela trabalharam para os meus, Mundos diferentes mas a nossa amizade ficou.

Sano bebeu o seu copo de uma só vez – Como eu estava a precisar disso – Kenshin sorriu e levantou o seu em sinal de brinde

- Peço desculpa por ter transtornado a sua manha, sei que seu tempo é precioso.

- Em relação a isso não há problema, um dia não são dias. Na verdade preciso que você entregue o dinheiro dos serviços prestados. Ontem acabei por esquecer quando vocês os dois saíram.

- Ok, eu entrego. Falo com ela amanha!

- Outra coisa, ela não é casada?

Sano sorriu, ela não era exactamente uma mulher comum. – Não, ela usa uma aliança porque se torna mais fácil no local onde trabalha…

- Que local?

- É um lugar da noite, foi a maneira que ela arranjou para não ser tão abordada.

Kenshin ficou olhando-o. O que faria ela? Usava uma aliança porque provavelmente estava em um relacionamento. Essa desculpa não lhe parecia ter logica

A refeição veio entretanto e a curiosidade de Kenshin passou para outro patamar. No entanto a conversa desenrolou-se na área profissional de cada um. Ambos falaram dos seus negócios, de compras e vendas, de casos de tribunal e da bolsa. A noite acabou com os dois já bastante bem dispostos.

- Como é, vamos sair? Amanhã é domingo, tens tempo para dormir

- Não, vou para casa. Donna provavelmente passará por casa

- Hum, como estás a ficar velho, podes ficar com ela sempre que queres, sair com um amigo não ora!

- Sano, hoje não. Amanha quero resolver outra situação.

- Sendo assim vou eu, Tsukioka está por aí. É muito cedo pra ir pra casa.

Os dois apertaram a mão em despedida.

- Então e o envelope que queres que entregue a Kaoru?

Kenshin ficou olhando-o por um momento. Baixou o olhar pensativo e depois encontrou novamente os olhos do amigo que esperava.

- Eu mesmo tratarei disso.

OoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooO

O domingo acalorado invadiu a sala do pequeno apartamento de Kaoru. Espreguiçou-se e mudou de posição, tipo gata esticada no sofá. A lei da moleza permitiu esticar somente o braço pra chegar ao controlo da tv. Ligou e apareceu o show que antecipa o noticiário. Kaoru não lembrava da ultima vez que assistia tv. As suas únicas folgas, sábado e domingo, eram normalmente preenchidas a dormir pra repor as horas perdidas das agitadas semanas.

A campainha tocou "oh não…" pensou enquanto o seu corpo permanecia inerte.

- Talvez se eu ficar quietinha pensem que não está ninguém em casa…

Toca novamente – Trimmm – Silencio

- EU SEI QUE ESTÁS AÍ! – Kaoru ouve a algazarra do outro lado

- Ok, não vale a pena, arrrr! – Levantou-se e foi deambulando até a porta

Assim que a abriu não houve qualquer reacção depois de umas mãos se agarrarem aos seus ombros, uma cara irritada em cima da sua

- Sano contou-me, estás maluca? EU AVISEI-TE!

- Bom dia Misao, podes largar-me por favor?

Misao retirou as mãos em segundos, olhou-a de alto a baixo e fechou a porta que fez um baque enorme.

Kaoru encolheu os ombros com o barulho, girou o tronco e voltou a deitar-se no sofá

- Misao, eu estou bem, por favor, deixa-me apreciar o meu domingo sem stress!

Misao sentou-se na sua frente, em cima da mesinha

- Quando é que vais perceber que nada disto faz sentido quando a tua saúde está em causa?

- Estou quase a saldar as minhas dividas logo é uma corrida contra o relógio. Está quase e eu estou ansiosa por esse quase, percebes?

Misao percebia, bastante bem. A sua amiga era uma mulher cheia de força e no fim desta etapa ficaria livre de uma divida que sempre lhe pareceu duvidosa.

- Onde vais almoçar? – Kaoru perguntou com um sorriso

- Em casa, os meus tios estão cá… só me quis certificar que estavas bem… Mas posso passar a tarde contigo se quiseres.

- Óptimo, podemos ver um filme – Kaoru tentou mostrar algum ânimo para desviar a preocupação da amiga

As duas ficaram alguns minutos falando do que aconteceu, Kaoru tranquilizou a amiga que insistia no repouso redobrado. As duas se despediram e Misao saiu.

Kaoru sentou novamente e encostou costas e cabeça no sofá. Fechou os olhos e deu total razão à preocupação de seus amigos. De nada lhe valeria toda essa correria para abater a sua divida se a sua saúde estava em causa. Uma mistura de raiva e emoção possuía o seu coração. Raiva por não entender totalmente a divida que lhe tinha sido atribuída, uma divida que parecia interminável e que nunca lhe foi provada completamente. Por outro lado a emoção de estar quase paga lhe dava alento para entrar nessa corrida desenfreada de agarrar todo o trabalho que lhe surgia. O seu estômago deu um ronco pedindo por um almoço.

- Não tenho vontade de fazer nada… - Pensou em voz alta - Vou encomendar alguma coisa. - Pegou o celular e digitou o número da sua pizzeria preferida.

A campainha voltou a tocar, Kaoru rolou os olhos, desligou e abriu a porta

- O que é que tu te esqueceste? – Perguntou enquanto abria a boca sonolentamente

O homem na sua frente arqueou as sobrancelhas, olhou-a e esboçou um sorriso simpático

Depois de pedir a Sano o endereço da amiga Kenshin dirigiu até ao subúrbio. Era uma zona que não conhecia, pelo menos não tinha qualquer memoria de ali passar. Assim que encontrou o prédio observou atentamente. Velhinho, de três pisos, as varandas eram decoradas alegremente com plantas em flor.

Subiu através da escada exterior e tocou a campainha. Sano tinha-lhe dito que provavelmente Kaoru estaria em casa. O que não esperava era encontrar a moça que conhecia com uma aparência tão diferente. Uma t-shirt XL que lhe chegava perto dos joelhos, debotada e larga, os pés descalços e o cabelo arrumado num totó desgrenhado no cimo da cabeça.

Obviamente que ele era a ultima pessoa que Kaoru estava à espera

Kaoru tapou a boca instintivamente e endireitou o corpo

- Senhor Kenshin? O que está aqui a fazer?

Kenshin sorriu e estendeu a mão – Respondendo à sua pergunta, eu me esqueci disto – Kaoru olhou para o envelope que ele segurava

Kaoru olhou de novo para o homem na sua frente. Ok, aquele devia ser o seu pagamento. Alcançou o envelope e olhou-a, ainda acelerada

As mãos de Kenshin encaixaram nos bolsos dos seus jeans adoptando uma posição relaxada

Kaoru embaraçada fixou os olhos no envelope nas suas mãos - Obrigada mas não precisava de vir até aqui. Eu teria passado no porteiro de sua casa.

- Tudo bem, na verdade queria falar consigo, se tiver disponibilidade!

Kaoru lançou novamente os olhos sobre ele, que obviamente nunca quebrou o olhar sobre ela. Um flash quebrou o silêncio

- Claro, quer entrar? – A pergunta de Kaoru era uma retórica, ela não esperava que ele quisesse e declinasse educadamente o convite, podiam combinar e conversar em outro local. O apartamento de Kaoru era pequeno e velho…

Mas Kenshin tinha outra ideia, a sua curiosidade moveu-o na direcção do interior – Obrigada – Kaoru fechou a porta atrás de si e suspirou pesadamente. Ela não estava em condições de receber ninguém. E Kenshin não era a visita que estava a imaginar…

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Nota: Caso vc tenha gostado me avisa, caso você não tenha gostado me avisa assim mesmo, caso você leia e não lhe apeteça deixar review pense que eles são o combustível do escritor! beijo