CONHECENDO O INIMIGO
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Silenciosamente os dois seguem pelos corredores do castelo, Harry totalmente nervoso nem sequer aguardava o garoto se aproximar, que para acompanhá-lo, quase corria.
Ao entrar no quarto, Dobby já os aguardava e, em poucas palavras, apresentou o dormitório, lógico que antes de sair, lançou um olhar "raivoso" na direção daquele que havia feito seu amado mestre passar por esta terrível situação.
Draco ainda admirava o local, na verdade mais parecia uma casa do que um quarto, tinha um banheiro enorme, uma biblioteca maravilhosa e o quarto, com duas camas, afastadas uma da outra e com cores bem distintas, podia-se perceber qual era do sonserino e qual pertencia ao grifinório.
"Olha... eu posso estar com raiva do meu querido "titio" mas... este dormitório é um show... fala sério... tenho até uma biblioteca particular... um super banheiro... que dez! E o quarto então?... Duas camas...
Ops... duas camas no mesmo quarto?"
- Mas o que significa isso?
"Agora eu estou indignado... quem tinha que ter reclamado "primeiro" da situação era eu!"
- Eu odeio aquele seboso!
Em meio a uma demonstração tão grande de respeito ao professor, pela primeira vez na noite, Draco resolve dar um tempo e não fala nada... observa o jovem fechando os olhos, parecia estar meio chateado... enfim... o dia dele foi péssimo... e no fundo, começou a sentir um pouquinho de culpa pela situação.
- E então... como vamos fazer pra dormir? Não podemos ficar juntos assim...
- Você eu não sei – responde o mal humorado – mas eu vou ficar nesta cama aqui... e sozinho... boa noite seu louco!
Sem dar chance para retrucar... quer dizer dar uma resposta à altura, ele fecha o dossel e lança um feitiço...
"Que insuportável."
Ao perceber que não conversariam mais aquela noite, olha para o "ovo" do Dedo-duro... um semestre.. era muito tempo para um castigo.
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O dia passou de forma rápida e quase indolor. Draco não ficou com o Potter nem um minuto além do necessário... mas, na hora do almoço... todas os meninos da sonserina queriam saber onde ele tinha passado a noite... claro que teve que contar da detenção... mas omitiu a parte que dormiu com o insuportável... afinal seria humilhação demais!
Bom, o dia foi quase indolor porque... um gigante, metido a professor, resolveu mostrar algumas criaturas "adoráveis"... entre elas... um caranguejo-de-fogo... tudo ia bem até que Wesley... na opinião de Draco: um ruivinho burro... apronta uma!
Todos estavam a uma boa distância do bicho, quando o amável professor Hagrid escolhe um voluntário para retirar uma das pedras preciosas que estava incrustada em sua carapaça.
No meio da delicada operação... onde todos deveriam fazer o máximo de silêncio... o inútil solta o maior espirro de toda história de Hogwarts!
O caranguejo começou a lançar chamas pelo rabo... é... literalmente pelo rabo, para todo lado... era aluno correndo em todas as direções... Hagrid ficou desesperado ao observar que a maioria dos alunos não era rápido o suficiente para fugir das chamas... seu desespero aumentou quando observou que um jovem estava totalmente paralisado e na sua direção ia uma bola de fogo, não daria tempo para evitar a catástrofe!
Harry, ao observar a situação e já acostumado com emergências, verificava se todos os colegas estavam em segurança, Hermione lançava barreiras de proteção em todas as direções, fato que realmente estava ajudando naquele momento, então em meio ao caos, ele observa um garoto de costas totalmente parado, sem perceber que o caranguejo se preparava para atingi-lo.
- Mas o quê? Saia daí!
Harry podia ouvir Hagrid gritando e, quando o garoto se virou em direção da voz ficando de frente para o animal descontrolado, percebeu que não daria tempo para mais nada, pulou na sua frente, empurrando-o no chão, evitando que as chamas atingissem seu rosto.
"Céus... agora estou devendo minha vida, quer dizer... minha pele para ele! Cara... que ódio!"
Após alguns minutos de total descontrole o gigante dominar a criatura... mais da metade dos alunos estava com queimaduras pelo corpo... a enfermeira ficou possessa! Não tinha leito para todo mundo... e alguns tiveram que ser mandados para os dormitórios.
- Oh senhor Malfoy, que bom que veio... – "arhg essa voz nasalada da Minerva só por Merlin!"
- Sei que o senhor vai me deixar orgulhosa hoje... – "ih... lá vem!" - veja... essas são as pomadas que deve passar e, a poção é para tomar apenas de 4 em 4 horas...
- Heim? Poção? Mas eu nem me queimei!
- Oh sim, graças ao jovem senhor Potter... que por sorte estava presente e é seu companheiro de quarto... então... podem ir... e não se preocupe... a poção vai deixá-lo um pouco desnorteado, mas é um efeito normal, com sua ajuda, ele chegará bem ao dormitório... boa noite meu querido.
"Bom... agora serei enfermeira e babá... por que é só comigo que essas coisas acontecem heim? Enfim... não adianta discutir mesmo."
Apoiando o "peste" foram para o dormitório.
Seguiram pelos corredores, desta vez não estavam em silêncio, Harry parecia que estava bêbado...totalmente grogue... a voz mole... era até difícil entender o que falava... o garoto só conseguia porque andavam abraçados.
- Ei... eu tô cansado, falta muito?
- Não.
- Meu braço tá doendo Draco.
- Quando foi que permiti você me chamar assim heim?
- Há,há, há... seu nome é lindo, como você.
- Nossa, essa poção é mais forte do que eu pensava... quero ver repetir isso amanhã.
- Você é lindo... mesmo sendo tão maluquinho.
- O que?!
Sem perceber, ao falar estas palavras, ele deixa de dar apoio ao moreno que despenca no chão.
- Ai!
"Que droga... por que tenho que ser tão impulsivo?"
- Vem cá moleque... vamos logo para o quarto.
- Ei... eu tô cansado, falta muito?
- Você já perguntou isso.
- Meu braço tá doendo Draco.
- Você já disse isso também... vem, chegamos.
Caminhando por mais alguns segundos chegam inteiros ao quarto... com certa dificuldade tira o roupão que ele usava, pois já tinha se trocado na enfermaria, estava apenas com uma calça, a parte de suas costas e o braço estavam com bandagens...pensa que se tivesse sido mais rápido isso não teria acontecido... até ser interrompido por uma voz manhosa.
- Meu braço tá doendo Draco.
- Eu sei... e se você falar isso mais uma vez, vai ficar sem ele!
Ao olhar para expressão de dor que ele tinha, se arrepende na hora.
- Ei calma, agora vai ficar tudo bem, feche os olhos... eu... eu vou cuidar de você... confie em mim.
- Mas... você só apronta... e me odeia.
- Eu não te odeio.
- Ah... eu nunca odiei ninguém...você é tão maluqui...
Ele nem termina de falar e já está adormecido... sua aparência não era a das melhores, lentamente ele tira as faixas que cobrem seus ferimentos.
"Nossa... essas queimaduras devem estar doendo muito mesmo..."
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Já estava anoitecendo... Draco estava observando os últimos raios do sol pela janela pensando no dia que tivera, era hora de tomar a poção. Na primeira vez pode sentir que Harry tinha acordado levemente, estava sonolento mas percebeu o que estava fazendo, mas agora, nem se o teto caísse sob sua cabeça ele abriria os olhos.
Depois de ministra-la com extremo cuidado, observa as queimaduras que demoram a cicatrizar, mesmo com a utilização da pomada. Dá um suspiro e percebe que, mesmo cansado, não conseguiria dormir.
"Mais um dia calmo vivido por Draco Snape Malfoy! O que vai acontecer amanhã? Vou destruir um castelo centenário?!"
Levantou-se com um sentimento de frustração... como podia ter tanto azar? Ele estava ali há apenas dois dias! Dois dias!
Deu uma olhada geral na "parte" do quarto que pertencia ao moreno, seus materiais tinham sido enviados e estavam em uma mesa, o baú, algumas roupas por cima da cama e um estranho objeto com botões e alguns fios. Mesmo sendo puro-sangue, tinha certa curiosidade por objetos trouxas, e com certeza este era um!
Na antiga escola teve a oportunidade de conhecer alguns na aula de "estudos e hábitos trouxas" e não resistiu à curiosidade com aquele objeto que estava à sua frente desafiando-o! Sim, um desafio para descobrir sua utilidade. Sem perder tempo começou a apertar alguns botões e, com um sorriso de vitória, percebeu que era um reprodutor de som... bom ele não sabia o nome certo, mas achou este bastante adequado.
Não sabia qual era o instrumento que começou a ouvir, mas o som era realmente envolvente e sem perceber, acabou caindo no sono.
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Harry estava sentindo um calor gostoso envolvendo seu corpo... tenta se movimentar mas o calor é tão convidativo que reluta em despertar completamente.
Nesse estado de sonolência, sente uma fragrância suave envolvendo-o, despertando um sentimento que até então desconhecia: aconchego, proteção.
"O que está acontecendo?"
A única coisa que percebe é um leve peso no seu peito... a sonolência continua tomando conta da sua mente... entorpecendo seus pensamentos mas, ele não queria dormir.
Depois de alguns minutos, lutando para encontrar forças, finalmente seus olhos lhe obedecem.
"Estou na minha cama... isso é bom...
Estou acompanhado... isso é mal! Não me lembro de ter "convidado" ninguém...
O que pode ter acontecido?"
Ainda em quase estado de choque, o jovem percebe alguém dormindo em seus braços.
"Meu Merlin... o que eu bebi? Não me lembro de nada... será que... NÃO... eu tenho certeza de que não faria uma coisa dessas sem me "lembrar" depois... ou faria?"
Movimentando-se lentamente, procura localizar os óculos... mas não tem sucesso. Sente a cabeça pesada e, a cada movimento parece que seu cérebro iria lhe abandonar... se é que isto era humanamente possível.
Embora seus movimentos estivessem limitados, ele percebe que a pessoa começa a despertar, ergue a cabeça de seu peito e o olha diretamente nos olhos... olhos prata que por instantes se perdem naquela imensidão esmeralda.
Olhos prata... meigos... profundos.
Mesmo sem poder articular uma palavra... ele ainda se pergunta como era possível aquilo ser realidade... Como Harry Potter, o-garoto-eternamente-solteiro-que-sobreviveu, estaria dormindo com alguém?
Tenta falar, perguntar o que aconteceu mas seus pensamentos estão embaralhados... não consegue formular nenhuma frase então, em meio a tanta confusão, uma voz suave o acalma.
- Oi Potter... não tente falar nada.
"Como se isso fosse possível... eu nem me lembro do meu nome neste momento... não... é exagero... eu sei quem sou... mas, quem é ele?"
- Tome esta poção... assim você vai melhorar logo.
Sem ter a chance de retrucar, sente em seus lábios uma poção, para variar de gosto horrível... e novamente mergulha na inconsciência.
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Após sentir o compasso suave da respiração do garoto, pelo qual era responsável... Draco percebe que são apenas 23 horas... a noite ia ser longa. Bancar o enfermeiro não estava sendo fácil!
Olha na direção da sua cama... estava tão longe... fecha os olhos e se deita ali mesmo... só por alguns minutos... ele só precisava de alguns minutos. Afinal, já estava ali mesmo, mais alguns minutos não fariam diferença... apenas prometeu a si mesmo, desta vez acordar antes do moreno!
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Quente... frio... quente... frio...
O loiro começa a despertar de um sono agradável... estava sentindo-se leve e confortável.
"Como é bom acordar sendo abraçado ...
OPA! Eu disse abraçado !?"
Já percebendo a situação em que se encontrava, abre os olhos lentamente e sente um ar quente na sua nuca...agora frio... era sinal de uma respiração compassada, tranquila.
Um braço o segurava possessivamente pela cintura, podia sentir um "encaixe" perfeito com o corpo que estava as suas costas.
"Mas... o que?
Eu dormi na cama dele! Por que não levantei naquela hora!
Burro! Burro!"
Ainda pensando no absurdo da situação... Draco quase dá um pulo quando "ouve" uma voz em sua cabeça.
"Draco Snape! Abra esta porta agora ou eu vou derrubá-la!"
Hã? Tio Snape? Como o senhor...
"Eu posso invadir a SUA mente a hora em que você não está concentrado... Abra esta porta garoto!"
Eu já vou... já vou...
Procurando levantar todas as barreiras mentais que conhecia, o jovem ainda pensava na possibilidade de abrir a porta apenas com um feitiço e deixar seu amado "tio" observar a cena no mínimo inusitada em que se encontrava.
Não pode deixar de sorrir ao imaginar a cena... "Será que colocariam em sua lápide: AQUI JAZ UM LOIRO-QUE-NÃO-SOBREVIVEU?"
Como pode abaixar a guarda tão facilmente? Movimentando-se lentamente, procura uma forma de levantar sem acordar o belo adormecido ao seu lado.
Tenta mover-se vagarosamente... mas ao sentir o leve toque em seu braço, o garoto aconchega ainda mais, diminuindo o espaço entre os corpos por apenas um simples lençol. Consegue ouvir, enquanto ele se aconchegava, um suspiro... quase um gemido que faz sua imaginação ir a mil por hora.
"Seu ridículo... o garoto tá dormindo... sedado com uma poção sabe-se lá de que e você aqui... pensando essas... essas coisas ... coisas deliciosas...
Argh... devo estar ficando doente... pensando isso com o insuportavelzinho? Fala sério...enquanto isso meu tio ameaça derrubar a porta...Ninguém merece!"
Juntando muita força de vontade, consegue tirar o braço que o aqueceu durante uma boa parte da madrugada. Ao levantar, dá uma geral no uniforme... olha para a cama e vê que o grifinório continua totalmente adormecido. Agora abraçando um travesseiro.
Reunindo muita, muita coragem, vai até a porta.
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