GUERRA DOS MUNDOS

(War of the worlds)

Garota Inu

4. Se não agüenta mais, não faça como eu e corte logo os pulsos.

Eu só percebi o que estava acontecendo quando a enorme diferença de temperaturas me chocou. Mas eu não me importei, depois eu pensava nisso. Apertei-a mais contra meu peito nu e respirei fundo, sentindo o seu cheiro de lavanda. "Não dificulte mais as coisas para mim. Eu já estou ficando louco por querer, mas não poder saber o que está me fazendo abraçar meu inimigo mortal e fazendo com que eu queira que você fuja." Eu soltei tudo num fôlego enquanto abria o gancho que prendia seu punho.

Ofeguei quando ela me abraçou forte, machucando quando aquele corpo de pedra apertou o meu, me arrepiando com o incrível choque térmico. "Sem mim, Jake, você pode morrer!" Tão rápido que quase perdi o movimento, Bella voltou para o gancho, fechou um punho e, levantando a perna, ela chutou o outro gancho para a tranca, o fechando... se aquilo não fosse tão frustrante para mim, eu teria achado aquele movimento bem sexy...

Bella me olhou com o olhar firme, os dentes rilhados. "Se você se aproximar daqui, vou te empurrar." Ela disse. "E eu não vou me preocupar, afinal, você se cura rápido." A decisão nos olhos dela me surpreendeu e eu soube que ela estava irredutível.

Eu estava lá, de joelhos em frente a ela, uns dois metros entre nós, encarando-a irritado e frustrado. Não demorou para que, muito de repente, minhas mãos, meus braços, ombros, peito, pernas e até meus dedos começaram a tremer drasticamente, e eu sabia que eu já estava mais vibrando do que tremendo, eu devia estar parecendo um vulto, um borrão. Eu TINHA que sair dali AGORA... mas minhas pernas tremiam demais para se manterem firmes em pé.

Talvez... Uma idéia que poderia me acalmar me atingiu e eu sabia exatamente o que era e que, com certeza, funcionaria, apesar de que deveria ser o contrário, de acordo com a lei natural da coisa.

Precária, muito trêmula e miseravelmente, eu engatinhei até Bella, olhando em seus profundos olhos vermelhos. Eu deveria odiá-los, deveria querer tirar o brilho de vida deles... mas tudo o que eu podia sentir quando os olhava era uma incrível vontade arrebatadora de fazê-los brilhar felizes por mim, e me afogar naquelas suas piscinas de vermelho-sangue. Eu cheguei até ela, e ela ofegou quando eu, ainda como um quase-invisível-borrão, deitei minha cabeça em seu colo nu e frio como gelo.

E então, eu não estava mais tremendo.

Eu suspirei, tranqüilo e cheio de paz, enquanto sentia o alívio de não tremer mais. Eu estava em casa. Não, eu não falava de La Push... porque o sentimento que fluía em mim era como se eu tivesse passado cada segundo dos meus dezessete anos no meio do campo de batalha da Segunda Guerra Mundial e, agora, eu estava em casa, rodeado pelo sentimento de que a guerra finalmente acabara e jamais iria voltar... Ou, para ser menos dramático, Bella era como um banho fresco e relaxante em uma hidromassagem depois de um longo dia incrivelmente estressante e desgastante de trabalho pesado. Eu devia ter ficado ali, de olhos fechados e totalmente relaxado e pacífico, por tempo muito demorado, pois Bella suspirou.

"Jacob? Está acordado?" A voz dela apenas serviu para intensificar minha paz e sentimento de segurança e confiança, como se pudesse vir qualquer dificuldade e eu venceria. E, agora que ela falara, eu estava mesmo MORTO de sono, e eu bocejei. Respirei fundo e disse a ela, com uma voz arrastada e muito sonolenta. "Me chama de Jake?", eu pedi.

Eu ouvi Bella sorriu. "Então não vai mais me mandar embora?", ela perguntou, tão feliz que, se ela tivesse um coração vivo, ele estaria correndo.

Eu balancei minha cabeça, abrindo um pouco meus olhos para vê-la sorridente e adormecer com o rosto dela atrás de minhas pálpebras... tão linda. "Eu acho que nunca pretendi te mandar embora mesmo... nem mesmo se eu quisesse..." Eu murmurei, fechando os olhos e morrendo para me manter acordado. "Eu não queria te deixar... e eu não ia conseguir..." E era verdade. Enquanto eu a mandava fugir, me custava toda força, energia e qualquer outra coisa do tipo para cuspir a palavra 'fuja'. "Você tem um cheiro... muito bom..."

Eu pude sentir Bella se remexer de surpresa. "Mas – Na canoa você disse que detestava meu cheiro, Jake!"

Eu suspirei, sentindo o meu mais novo apelido servir como entorpecente e me empurrar para a inconsciência. "Eu estava... mentindo."

OoOoOoOoOoOoO

Em toda a minha vida, eu nunca fiquei tão confuso.

Sempre fui um menino levado, mas bastante centrado na escola. Sempre fui um bom filho, nunca reclamando e sempre obedecia meus pais, mesmo se fosse algo contra a minha vontade. Fui um garoto normal. Mas garotos normais namoravam, e eu nunca sequer tive interesse por nenhuma garota até hoje, tanto que nunca beijei garota alguma em minha vida. Ugh. Mas não era por falta de garotas, afinal, Quil e Embry sempre se irritavam por sempre que eles convidavam uma garota para sair, elas diziam: Jacob vai estar lá? E isso não era só uma menina ou outra. Eram todas mesmo.

Porém, anormalmente, eu nunca liguei para isso.

E não, eu não era gay.

Nunca liguei para Quil e Embry me chamando encalhado, Seth e Leah me chamando de gay, ou Paul e Jared me acusando de virgem... Ah, é, e meu pai e implorando por netos.

Bem, pelo menos, eu nunca liguei.

Porém, depois de acordar às 18h17min no colo de Bella, eu voltei para casa antes que notassem que sumi por muito tempo e, então, quando estava jantando com o bando na minha casa, eles começaram com aquilo de novo. E como sempre, Leah começou. "Então, onde esteve a tarde toda?" Droga, eles notaram. "Com uma mulher, eu espero."

Bingo, eu pensei. Continuei mastigando meu jantar, de olhos fechados para não ver a cara de deboche deles. "Com um homem é que não seria.", eu disse.

"Então já posso ir pensando nos nomes, filho?" Meu pai perguntou de boca cheia.

"Nomes do quê...?" Sinceramente, eu tinha medo da resposta...

Billy engoliu e abriu um enorme sorriso para mim. "Netos."

Eu engasguei com a comida, tossindo. Eu já estava acostumado com aquela conversa sobre netos do meu pai, mas ele nunca tinha falado disso na frente do bando. Agora, eu estava com a garganta doendo de tanto tossir e meus ouvidos doendo por causa das risadas altas de dez lobisomens. Enquanto minhas bochechas flamejavam, meus pulmões ofegavam por ar, e meus olhos arregalados encaravam a mesa, eu não consegui me impedir de imaginar-me com um filho, mas ainda não havia uma mãe...

Bella?

BASTA! Eu agarrei a borda da mesa para parar a tremedeira que se apoderou das minhas mãos, mas foi tão inútil quanto se eu não tivesse feito nada. Oh, na verdade, não tão inútil, afinal, a mesa estava pulando agora, e o todos pararam de rir e machucar os meus ouvidos para me encarar intrigados e chocados. Eu rapidamente larguei a mesa e voei para fora de casa sem uma palavra. Eu poderia ir para a garagem ou meu quarto, já que eram meus lugares para pensar... mas a garagem estava em uso e meu quarto estava muito perto de pessoas que teriam infarto se soubessem que a primeira pessoa que passou pela minha mente quando falaram sobre uma mãe para meus filhos era um vampiro.

Eu ouvi um galho quebrar atrás de mim e me virei para ver Seth se aproximando. "Hey, Jake... como vai?", ele perguntou amigavelmente.

Ele apenas estava sendo legal, então eu evitei rosnar, frustrado por meus planos de ficar sozinho não vingaram. "Vou bem, Seth. – O que faz aqui? Vai perder todo o pudim se não voltar."

"O que te perturba?", ele perguntou, me ignorando.

"Nada."

"É Bella, não é?"

Merda. Detesto gente observadora.

"Claro que não!"

"É sim."

Agora eu estava rosnando. "Eu não me interesso ou me importo, muito menos perco meu tempo me importando com aquela sanguessuga.", eu exasperei, enfatizando cada palavra... Enfatizando cada mentira.

Seth abriu um sorriso sádico enorme e começou a andar de volta para casa. "Ah, então, beleza. – Vou lá me divertir um pouquinho com ela, afinal, faz tempo que não alivio a tens –"

Eu agarrei Seth pelo pescoço e o pressionei brutalmente na árvore, urrando toda a minha raiva para fora de mim. Eu olhei direto para ele, tendo certeza que meus olhos eram fogo negro. "Toque um dedo nela e eu juro que você não tocará nem punheta pelo resto da sua vida miserável!!" Eu sussurrei perto do ouvido dele, transbordando veneno e ódio frio da minha voz. Seth abriu um sorriso conhecedor e a realidade me atingiu como uma tapa na cabeça. Larguei Seth imediatamente e encarei minhas mãos com horror crescente. Deus, eu tinha MESMO ameaçado Seth por Bella? Um irmão por um vampiro?!

Eu gemi angustiado, segurando minha cabeça entre minhas mãos. "Por tudo o que você mais considera sagrado, Seth, quer POR FAVOR, me dizer o que tá havendo comigo??", eu choraminguei, quase gritando, como se estivesse em dor, e eu já não agüentava mais. Eu podia estar sendo dramático, mas eu realmente estava desesperadamente aflito.

Seth pôs a mão no meu ombro, compreensivo. "Eu sei que você sabe, Jacob."

Eu sei? "Seth!!"

Ele suspirou e me olhou nos olhos. Talvez porque ele quisesse ver como meus olhos ficariam quando ele dissesse meu veredicto. "Imagine a seguinte situação: quando a luta com os recém-nascidos estiver acabada, eu sei que você quer libertá-la para ela ser livre, mas... você quer mesmo que ela vá embora?"

Meu coração se contorceu dolorosamente, me tirando o fôlego. "Não.", eu falei rapidamente.

Seth continuou. "Sim, mas, e se ela tivesse ou quisesse ir de qualquer maneira... você a deixaria ir?"

"Se ela tivesse que ir, eu não a deixaria ir."

"Mas e se ela quisesse ir?"

"Sim, já que a deixa feliz." Respondi, mas estava incerto se deixaria mesmo ela ir ou não.

O olhar de Seth se tornou sério. "Sabe que nunca mais a veria, certo?" Eu assenti, meu coração implorando para que aquela sessão de tortura se encerrasse. Seth sorriu. "O que seria a última coisa que diria a ela?"

Eu arregalei os olhos quando a 'coisa que eu diria' ocorreu na minha mente, mas eu bloqueei aquilo. Era absurdo, afinal.

Seth deu tapinhas amistosos no meu ombro e começou a caminhar de volta para a casa. "Agora você entendeu. – Não se preocupe, Jacob, não vou contar pra ninguém." Ele acenou para mim e entrou na casa gritando por pudim.

Assim que a porta se fechou, eu respirei fundo, pus as mãos nos bolsos da minha alça de cótton e comecei a fazer meu caminho para a garagem, afinal, mesmo estando ocupada, a garagem ainda era o lugar onde eu dormia quando tinha visita em casa. Eu não me importava muito, gostava de lá. Eu estava prestes a entrar na gargem quando um grunhido agoniado me fez parar e um rosnado ecoou quando inclinei minha cabeça para olhar para Bella.

"Saia daqui, Jacob!!", ela exasperou.

Eu arqueei um supercílio em surpresa ao vê-la daquele jeito tão descontrolado. Ela estava inquieta, se remexia de um lado para o outro – tanto quanto podia estando com os punhos presos –, as pernas nuas e extremamente brancas se dobravam e se esticavam, parecendo querer correr dali, ou simplesmente não ficar paradas. O maxilar dela estava fortemente trincado, os dentes à mostra. Porém, o que mais me impressionou foi que, os olhos intensamente vermelhos dos quais eu tinha aprendido a gostar, aquele vermelho escarlate das íris dela não era mais tão vermelho assim. Agora estavam de uma cor estranha, como se fosse um marrom claro sujo de vermelho. Eles não estavam vermelho-sangue até hoje à tarde??

"Bella, o que foi?" Eu entrei na garagem, mas decidi ficar à porta quando ela olhou feroz para mim e tentou me alcançar, mesmo estando sentada e presa à parede. "O que raios entrou em você???" eu exasperei, mas na verdade, eu estava apenas ficando preocupado.

"Já disse para sair! Por favor, Jacob, VAI EMBORA!" Ela berrou, grunhindo e ganindo angustiada.

Os olhos dela estavam focados em mim, eles se moviam selvagemente, fora de controle. Bella jogou a cabeça para trás e reclamou ruidosamente, suas unhas se enterrando na própria palma, e ela começou a balançar a cabeça de um lado para o outro, agonizante. "Bella, o que está havendo? – Eu quero ajudar você!!" Os lábios dela se curvaram para cima quando ela ouviu minha voz, a expressão perturbada e os olhos meio loucos.

Ela começou a respirar fundo em pesados haustos, de olhos fechados, parecendo se concentrar. A cada inspiração, ela grunhia em desespero. Eu pulei de susto quando ela abriu os olhos subitamente e seus olhos estavam negros como piches, olhando furiosos e muito famintos para mim. "Então venha aqui perto de mim, corte a própria garganta e deixe jorrar para dentro da minha maldita boca!!!" Ela urrou pra mim.

Eu estaquei. Então, ela estava com sede. "O meu sangue é tentador para você?", eu perguntei. Sentindo o meu lado Jacob Black empurrar meu lado Jake para longe e assumir o controle de mim.

Ela gemeu o que pareceu ser de dor. "Imagine que seu sangue é o mais poderosamente tentador e delicioso do mundo todo e de outros também para qualquer vampiro. – Imaginou?" Eu assenti e ela soltou uma risada baixa, que saiu meio distorcida já que ela ganiu, fazendo força para não me dilacerar. "Bem, você ainda não chegou nem à um terço do que ele realmente é para mim." Bella jogou a cabeça para trás, suspirando e gemendo ao mesmo tempo, mas desta vê, o gemido não era nem um pouco de dor. "Deus, eu o ouço correndo por suas adoráveis veias... dá até pra imaginar o gosto..." Ela murmurou sedutoramente para mim, enquanto lambia os lábios e me comia com os olhos... literalmente.

Bem, sobre aquele assunto de sangue, pescoço, vida e coisa e tal, eu não poderia ser redutível só porque me preocupava com ela. Eu não mataria ninguém por ninguém, nunca. Nem mesmo por ela. "Desculpe, mas eu não tenho como te ajudar." E eu realmente sentia muito.

Bella suspirou, deixando a cabeça cair, encolhendo uma perna e esticando a outra em óbvio sinal de fraqueza e desistência. Eu poderia a se adaptar. Existia um grupo de vampiros – por sinal não longe daqui –, que se alimentavam apenas de animais e eram saudáveis, mas Bella não conseguia de jeito nenhum. O que mais eu poderia fazer a não ser impor isso a ela, fazendo-a se acostumar com o meu cheiro? Afinal... eu não queria que ela ficasse assim toda vez que me visse quando estivesse com sede... e eu confiava nela, ela nunca me machucaria, nem faria nada para isso.

"Eu vou te ajudar a superar isso. Vou caçar para você e você vai se acostumar com os cheiros.", eu disse a ela, ainda encostado no batente do portão da garagem.

Bella não se mexeu, apenas ficou a abrir e fechar as mãos, flexionando os dedos, como se estivesse fazendo o sangue inexistente correr por ali. "Eu já falei para você... que o veneno que me transformou... me faz incapaz de sobreviver com menos que sangue humano..." Era evidente a agonia na voz dela e que ela tentava esconder. Eu queria ajudá-la, queria afastar a dor para longe... mas não podia agir como Jake agora, eu tinha que ser Jacob Black. "E como pretende me acostumar...?"

Eu dei de ombros. "Fácil." Eu comecei a andar para ela e, quando Bella percebeu isso, ela disparou a cabeça para me olhar, horror e negação queimando em seus olhos.

"O que está fazendo?? – Não, Jacob! Pare, não vem aqui! Fica longe, por favor!" Ela começou a se empurrar para trás com as pernas, mesmo havendo uma parede para impedi-la de fugir de mim. "Jacob, por favor, eu não vou conseguir! – o que está querendo fazer, se matar?!" Ela brigou comigo enquanto eu me sentava ao lado dela, bem pertinho, e ela se inclinava inutilmente para longe de mim.

"Eu sei que você consegue. – Se meu sangue é tão bom quanto diz, se você vencer esta noite sem me atacar, você poderá negar qualquer outro sangue que você possa querer, e poderá começar a viver de animais." Eu dei de ombros, fingindo que aquele plano era um plano simples e fácil.

Bella rilhou os dentes enquanto ainda se empenhava em se inclinar para longe de mim. "Ok. Só não se esqueça de assinar na minha lápide depois." Eu bufei e ela se irritou ainda mais. "É tão difícil entender? Eu já tentei evitar, eu juro que tentei! Fiquei três semanas ou mais me alimentando de animais, mas eu quase mor-ri!" Ela soletrou a última palavra para mim e suspirou, deixando a cabeça cair novamente e dando uma risada curta. "Pelo menos você tem sorte de eu estar pregada nestes grilhões. Isso me deixa mais tranqüila."

Eu dei de ombros, e só movi meu braço para soltar os grilhões. Bella gritou e se encolheu para longe de mim o máximo que pode com uma parede atrás e ao lado dela impedindo. Ela chiava, gania e mordia os punhos, rosnando e de olhos fortemente fechados para poder se controlar. Ela parecia estar pedindo por algo. Meu melhor chute era que eu fosse embora dali antes que ela bebesse o néctar da minha garganta dilacerada. Mas eu não iria. Eu lutei para parecer indiferente. "Eu sei que você pode."

Assim que eu falei aquelas palavras, Bella gemeu prazerosamente e depois disso, tudo aconteceu rápido demais.

Bella agora estava sentada em cima de mim, suas pernas apertando meu quadril, uma de suas mãos estava prendendo meus pulsos na parede acima da minha cabeça e, com a outra, ela segurou meu pescoço para o lado. Então fiquei com medo. Não, não medo dela. Mas medo porque eu sabia que ela não ia perdoar a si mesma se ela me matasse mesmo, de algum jeito estranho, eu sabia disso. Eu planejei começar a gritar com ela, mas minha mente subitamente perdeu a linha de raciocínio quando Bella roçou seu nariz do meu ombro até a minha orelha. Todos os pêlos do meu corpo – e até meus cabelos – se eriçaram e eu estremeci quando seus lábios gélidos beijaram meu ponto de pressão no pescoço. Seus lábios ficaram ali por um tempo, me fazendo sentir minha pulsação bater rápido contra os lábios dela.

Ela suspirou e respirou fundo. "A eternidade seria bem mais suportável se o seu cheiro fosse meu constante oxigênio." Ela beijou ali de novo, e eu gelei quando ela arranhou seus caninos em mim.

Eu engoli em seco. "Você não precisa de oxigênio." O que?? Tinha uma vampira em cima de mim, me imobilizando, roçando os caninos no meu pescoço e tudo o que eu faço é manter a conversa pra ver onde isso tudo vai dar?? Deus me ajude. "Não precisa mais."

"Mas eu preciso do seu cheiro..." ela sussurrou, sua voz ainda demonstrando toda a força que fazia para não cravar suas presas em mim.

"É como uma droga?" Eu perguntei, esperando que ela dissesse 'sim'.

Bella soltou uma pequena risada sem humor algum. "Não." Meu coração afundou um pouco, mas o que ela disse depois foi algo totalmente inesperado, que puxou meu coração de volta a bater. "É como um remédio, uma cura. – Drogas fazem mal. E sua presença já me faz tão bem." Bella gemeu baixinho, ligeiramente agoniada por querer, mas não querer me matar. Ela me beijou novamente, um beijo de lábios abertos. Algo pulsou na região do meu quadril.

"Bella, se controle, você não quer fazer isso. – Se o bando descobre, não há dom que você tenha que te salve do que eles farão com você!" Eu tentei me soltar do aperto dela, mas não consegui, o aperto estava forte demais.

"Então me distraia." Ela pediu, finalmente olhando nos meus olhos com um olhar firme e implorativo. Eu estaquei e alguma coisa deve ter passado pelos meus olhos para Bella ter dito o que disse depois. "Isso, é exatamente isso o que você está pensando. – Faça."

Estranhamente, eu sabia o que era. E foi o que eu fiz.

Eu puxei minhas mãos facilmente do aperto dela e puxei-a pelo pescoço, beijando os lábios dela, faminto, como se eu já estivesse querendo esse beijo há séculos. Foi fácil demais tirar meus pulsos daquela prisão, mas o aperto do qual me libertei era o mesmo aperto do qual eu não consegui me livrar antes... isso me fez descobrir que eu só não consegui me libertar antes, porque eu não queria que ela me soltasse.

Bella enroscou seus braços no meu pescoço e apertou mais suas pernas ao redor do meu quadril, que pulsou novamente, só que duas vezes mais forte. Eu gemi baixo e erraticamente sobre o beijo dela. Ela lambeu meu lábio inferior e eu gostei daquilo.

Bella suspirou. "Deixe-me entrar, Jacob." Ela disse, sem quebrar o contato dos nossos lábios.

Minha mente estava turva e hipnotizada, ela não podia exigir muito de mim. "Huh?" Foi a única coisa que consegui formar.

O próximo pedido dela soou mais como um comando, uma ordem. "Abra a boca."

Eu obedeci e logo senti a língua dela invadir minha boca, fazendo movimentos experientes que faziam minha respiração falhar. Droga, eu parecia uma menininha com seu primeiro namorado! Bella com certeza sabia mais coisas que eu, então, eu não podia fazer feio. Eu arrisquei e respondi ao beijo, beijando-a com todo o fogo que eu tinha, imitando os movimentos dela. Eu já tinha visto as lembranças de beijos e pegações de cada macho do bando para não saber nada, ou como agir. Eu podia ser criativo.

Eu puxei as pernas de Bella para cruzá-las na minha cintura e me levantei do chão, esmagando Bella na parede. Ela correu suas mãos marmóreas pelas minhas costas e eu tremi violentamente com a temperatura. Isso estava me deixando louco. Nossas línguas lutavam entre si por dominação sobre o adversário, mas esta era uma luta que eu não queria vencer, eu era inexperiente demais nisso e eu queria que ela me ensinasse tudo o que ela sabia. Em melhores palavras, eu queria que Bella me fizesse ser só dela e eu prometeria que não seria de mais ninguém.

Com a pressão que eu fazia a ela na parede, e com suas pernas se sustentando no lugar, eu não precisava ocupar minhas mãos em segurá-la. Eu enterrei minhas mãos nos cabelos dela e gemi quando ela gemeu. Meu prazer era o prazer dela; se ela gemia, eu gemeria; se ela estremecia, eu estremeceria junto com ela. Eu a trouxe para mais perto de mim, moldando nossos corpos como um só. Quando meu quadril pulsou mais uma vez, eu sabia que minha virilidade estava rígida, e que estava me deixando sem controle algum.

"Jacob?" A voz de Sam vindo do lado de fora da casa me assustou e eu parei o beijo.

"O que é–" Bella me puxou de volta para o beijo, mas começou a espalhar beijos pelo meu maxilar e pescoço. Eu mordi meu lábio.

"Ouvimos um baque na parede – Está tudo bem aí?"

Quando eu comecei a responder, Bella se apertou em mim e mordiscou minha orelha. Pai do céu. "Ai... Sim, sim! Eu só tropecei e esba –" eu gemi quando uma perna dela passou a roçar na minha. "– rrei na parede. – Ta tudo bem, Sam!"

"Ok." Ele respondeu e o som da porta se fechando me fez suspirar de alívio.

Agora eu podia dar atenção à Bella.

'Não deveria. Ela é uma leach (sanguessuga), você sabe.'

Uma voz dentro da minha cabeça me alertou, e ela não me era familiar. Eu sabia que não deveria estar beijando-a, afinal, boa pessoa ou não, ela era uma vampira e eu era um lobisomem. Espécies extremamente distintas que NÃO podiam/conseguiam coexistir em paz. Mas não é como se sentíssemos algo um pelo outro. Claro, havia aquela coisinha estranha em relação a ela que eu tenho, mas aquilo podia ser qualquer coisa. Eu só a estava ajudando a não me cortar a garganta fora.

Enquanto Bella começou a arranhar minhas costas, fazendo meu corpo inteiro se arrepiar, a voz na minha cabeça voltou. 'Faz sentido o seu pensamento. Mas eu ainda acho que você deveria parar.'

Eu não reconhecia a voz. Mas, subitamente, eu sabia quem era que tinha invadido minha mente.

'Ponto feito, mongol. Não pensei que fosse descobrir.'

Eu não sou burro.

Minha mente falhou e gemi quando Bella lambeu meu lábio inferior e o sugou, mas aquilo, de alguma forma estranha, pareceu ser um tipo de agradecimento por um serviço prestado.

Como se lesse meus pensamentos, ela desceu graciosamente do meu quadril para o chão, ajeitou o cabelo, olhou para mim e sorriu. "Obrigada."

Eu ainda estava agindo como uma estátua desde que ela desceu de cima de mim, olhando para a parede onde ela estava prensada há poucos segundos. Eu esperava, muito sinceramente, que ela visse o absurdo que estava brotando das minhas calças. Respirei fundo, me controlando, e me virei para olhar Bella, que já estava trancada pelos pulsos novamente. Enruguei minha testa e torci meu nariz em um sinal de puro desgosto. "Você é esquisita. – Com certeza masoquista."

Ela sorriu largamente para mim. "Quase."

Eu segurei um sorriso. "Sinistro. O que é?"

Bella deu de ombros. "De vez em quando eu me comporto como uma perfeita sádica." Ela alargou mais o sorriso, o transformando em uma sádica exposição dentária.

"Sádico é quem gosta de ferir os outros. Masoquistas são os que prendem a si mesmo em grilhões na parede de uma casa de lobisomens." Ela riu. "E que também gostam de se machucar. – Você é masoquista."

Ela assentiu. "Você está certo. Mas o que eu estou fazendo não é um ato masoquista." Ela me olhou com um olhar intenso e disse "é um ato para provar que podem confiar em mim, Jake, pois não vou atacar nenhum de vocês. – Por céus, eu nem sei lutar! – E eu realmente gostei de você e daquele enorme, mas ainda o mais baixo de vocês."

Eu estaquei. "Fala de Seth?"

"Sim, esse é o nome. – Ouvi um dos que me seguravam na areia mandá-lo apertar mais a minha perna, mas ele não o fez. Ele me olhava com tanto pesar... acho que ele gostou de mim também." O sorriso dela apareceu de novo...

E o meu sumiu.

Que diabos, ela gostava de Seth?! Eu mato aquele filhote de condor australiano!! "Estranho...", eu murmurei. Quando ela me olhou confusa, eu fiz questão em explicar. "Geralmente a gente gosta mais das pessoas com as quais já conversamos." Será que estava óbvio demais que eu estava jogando um verde?

Os olhos negros de Bella brilharam por um momento e ela sorriu esperta. "Atos valem muito mais que palavras. – Palavras é fácil dizer." Ela piscou pra mim.

Estava claro que ela estava relaxada e confortável na minha presença e, conseqüentemente, eu relaxei também. Minhas inibições indo ralo abaixo. "E o que me diz do ato de agora a pouco, então?" Eu sorri largamente, um sorriso indicativo.

Bella espelhou minha expressão, pronta para responder. "Posso dizer que você é um tremendo virgem."

Eu e Bella explodimos em risadas altas. Sorte não ter ninguém em casa. Eu me sentei à frente dela desta vez, então nossos pés estavam se tocando. "Sem chance! – Eu me empenhei demais nisso para receber esta droga de veredicto."

Bella fingiu estar pensando profundamente por um momento. Eu esperei ansiosamente. "Ok, ok... eu admito que você é um beijador. Se não fosse, eu não estaria distraída da minha sede, agora."

Eu fiz minha melhor cara de sexy, lutando para ficar sério, flexionei meu bíceps e cantei "I'm too sexy for shirt."

Bella riu tanto que ela lacrimejaria se pudesse.

O resto da noite se passou assim. Ela me contou tudo sobre ela e eu contei tudo sobre mim, fazendo piadas para fazê-la rir. Eu tinha viciado na risada dela. Era engraçado – não do jeito divertido, mas estranho – como tudo aquilo era tão certo, tão natural quanto respirar. Era como se nos conhecêssemos há anos e eu soubesse de tudo sobre ela, e vice- versa. Eu era eu mesmo quando estava com ela, eu não precisava fingir estra ouvindo e ser responsável, lembrando sempre que eu devia agir como o robótico Jacob Black.

Com Bella eu era apenas o Jake.

Eu pensei mais sobre a nossa conversa de mais cedo e descobri que EU era o masoquista. EU que insistia com aquela amizade absurda e proibida que se construiu de repente entre mim e Bella, mesmo a voz dentro da cabeça, a voz do meu lobo interno me alertando para que eu parasse antes que fosse tarde. Eu não queria parar. Eu queria fazer o que tinha feito: conversei a noite inteira com Bella sobre tudo e sobre nada, sobre todos e ninguém, jogamos fora conversas sobre nós mesmos por horas e horas até eu cair desacordado no colo dela e dormir um sonho livre de sonhos para me perturbar. E eu amei cada segundo daquilo.

Agradando aos outros ou não, eu lamentava informar que Jacob Black havia morrido.

Agora era só Jake.

OoOoOoOoOoOoO

Eu cheguei em casa, chequei se Billy estava bem e descobri que ele nem estava em casa, ele estava com Harry Clearwater. Ótimo, eu não queria que soubessem da minha amizade com Bella, eles não entenderiam. Corri para a garagem e senti os sete veados que eu carregava nas costas escorregarem para o chão atrás de mim quando vi o estado de Bella. Droga... eu falhei de novo! Odiava vê-la daquele jeito.

Como uma leoa enlouquecida e debatente, presa a parede.

"Oh, Bella, me perdoe – Eu sinto muito!" Eu me apressei e abri os grilhões... Teria aberto se ela não tivesse me chutado.

Eu voei todo o caminho de volta para a entrada da garagem, atravessando a parede de madeira. Eu caí no chão com um baque forte, mas não perdi tempo reclamando de dor. Me levantei e corri de volta, mas parei no meio da garagem quando ouvi ela chorar um ganido vampírico tão alto que eu parei a corrida e tapei as orelhas. Ela me dirigiu um olhar dolorido que eu pensei que ela tivesse se machucado com algo.

"Perdão, Jake! Eu não queria, por favor, eu não queria – não era intenção!"

Eu sacudi a cabeça e já ia andar para ela de novo quando ela mudou repentinamente de humor e rugiu para mi de novo. "Nem pense em vir aqui!!" Ela berrou. "Se você se aproximar, eu te taco mais longe!!!"

Eu rosnei. "Ah, é, gênio? E como pretende se alimentar? Poder da mente?!" Eu gritei de volta, mas eu só estava preocupado.

"Chute um para mim."

Eu fiz o que ela mandou e um veado caiu em cima do colo dela. Ela o terminou em menos de trinta segundos. Depois de chutar o terceiro, eu assumi que era seguro livrá-la dos grilhões. Me aproximei devagar – só por conta dela querer mesmo me tacar longe – enquanto ela bebia e a soltei, no mesmo instante que ela terminava o terceiro animal. Bella saltou para a pilha dos quatro veados restantes e os terminou nem muita demora, enquanto eu assistia os olhos dela mudarem de cor a cada gole que ela tomava. Ficavam de uma linda cor marrom, parecida com a cor dos pêlos do monstro que vive em mim.

Bella jogou a cabeça para trás e respirou fundo, então eu soube que ela pediria o copo d'água, o qual já estava nas minhas mãos, que eu tinha pego ali do meu frigobar. Ela basicamente me tinha treinado, eu já tinha me acostumado a esse ritual que passo há duas semanas. Ela estava se saindo, graças a minha ajuda.

"Mais um pouco e você teria que me ajudar com a distração de novo." Ela falou para mim enquanto tomava o copo da minha mão e gargarejava com a água para tirar o gosto de sangue da boca.

Eu estalei a língua. "Droga, se eu me atrasasse só mais um pouco..." Eu fingi decepção, mas Bella não riu desta vez. Ela sempre sorria quando eu fazia piadas. "O que foi?"

Bella levantou a cabeça e me olhou com aqueles olhos de topázio leitoso. "Me desculpe, Jacob. Eu estava errada.", ela murmurou.

"Como assim?" Eu perguntei, me sentando ao lado dela, que estava sentada no chão e encostada no Rabbit.

Suspiro. "Você não pode confiar em mim, eu sou perigosa. – Eu te atravessei pela parede da garagem com um chute quando você estava só tentando me ajudar."

"Oh, Bella..." Eu a puxei para um abraço, que ela respondeu imediatamente. Comecei a afagar as costas gélidas dela, suspirando com a sensação de gelo nas minhas mãos febris. "Você se preocupa com coisas tão sem importância. – Eu já acostumei, minha clavícula já se curou desde semana passada e, na verdade, nem dói mais." Eu menti na última parte. Doía como o inferno, mas valia a pena ajudá-la a se adaptar a dieta de animais de animais. Era como se ela dependesse de mim e eu gostava disso. "Você está se saindo bem. – Se você soubesse a cor que seus olhos estão, você se esforçaria mais só para mantê-los assim. Estão fantásticos." Eu sorri pra ela.

Bella sorriu um pouco, mas não pareceu muito convencida. Garota estúpida, eu pensei enquanto beijava a testa marmórea dela. Não se comparava a um corpo quente e macio de um humano, mas eu estava começando a simpatizar com a dureza e a frieza do corpo de Bella. Tinha uma sensação legal e gostosa de Lua e Sol. Lua, um lugar extremamente frio, gelado. Sol, um lugar insuportavelmente quente, ardente. Bella, uma vampira. Eu, um lobisomem Sol, Lua; Fogo, Gelo; Vampira e Lobisomem: oposto, inverso... inimigos.

Embora fossemos inimigos, eu gostava dela e não ficava satisfeito em vê-la passar por tudo aquilo. Ela era uma pessoa boa, já provara que estava mais do que disposta a me ajudar mesmo nem me conhecendo direito. Eu não queria que ela se machucasse por isso. Ela já havia me dito que não tinha experiência nenhuma em luta, então, COMO ela iria para lá?

Meu corpo enrijeceu e se arrepiou quando o pensamento me ocrreu.

Bella iria morrer.

Eu a apertei mais no abraço inconscientemente enquanto sentia meus braços tremerem como se eu estivesse levando choque. Eu não podia deixá-la morrer, ela não era má. Eu sabia que se algum recém-nascido mirasse o ataque físico dela, ninguém do bando ligaria para defendê-la e ela morreria. Esquartejariam seu corpo e tacariam tudo numa pilha de fogo para que ela não se regenerasse. Eu não queria ver aquilo, eu não PODIA ver aquilo. De certa forma, eu preferiria que fosse eu no lugar dela.

"Bella, eu falo sério. – Você não pode ficar aqui.", eu disse, passando a respirar pesadamente.

Ela enrijeceu dentro do meu apertado abraço e tentou se soltar para olhar para mim, mas eu não deixei. Se eu a olhasse nos olhos... eu não a deixaria ir. "Não começa." Ela mandou, literalmente.

"Não começa você. Se você não for por bem, pro vontade própria, eu vou te levar à força, você sabe."

Usei da minha força bruta e tirei os braços dela do meu pescoço. Rasguei um pouco da minha bermuda e vendei os olhos dela, assim ela nunca saberia voltar para minha casa. Peguei-a no colo e comecei a correr para a estrada, apertando-a com a força que eu podia, mas eu não sabia se era para imobilizá-la ou se porque eu sabia que estava prestes a deixá-la e nunca mais vê-la em minha longa, e talvez sem fim, vida. Ouvindo as súplicas dela, eu corri pela estrada ziguezagueando e vez ou outra serpenteava os dois lados da floresta que era dividida pela rua da estrada, para que ela não conseguisse farejar o caminho para a minha casa.

Eu corria com o vento, mas sabia que ela era mais rápida que eu por um segundo. De fato, na minha forma de lobo, eu era tão veloz quanto ela. As coisas que poderíamos fazer, corridas que apostaríamos e ver quem era mais rápido... a amizade que poderíamos ter tido se toda essa merda mitológica não existisse, se o mundo fosse o mundo que deveria ser... Seria tão perfeito.

"Jacob..." A voz dela estava embargada. "Por favor... não faz isso."

Minha garganta entalou com o bolo que se formou lá enquanto eu tentava ignorá-la, pensando em outra coisa. Eu não podia cruzar a linha do pacto, então eu só poderia deixá-la em Forks. Minhas cordas vocais e boca criaram vida própria e meu me peguei respondendo às súplicas dela. "É a única forma de você não morrer...", eu murmurei. O estado da minha voz era deplorável.

"Droga, Jacob, eu já estou morta! Se me transpassassem o coração, eu continuaria existindo; e se me despedaçassem o corpo e não queimassem, em dois dias eu voltaria! – Então quer parar com essa palhaçada?!" Ela gritou, meio que soluçando. Parecia mais que ela estava tentando lembrar-se a si mesma de que não era mais humana...

E daí que ela era difícil de morrer ou matar? Eu é que não ia arriscar ver um daqueles malditos sanguessugas recém-nascidos tendo sucesso em uma luta com ela. Eu não podia vê-la morrer.

"Vou voltar. Você sabe disso." Bella falou, a voz séria.

Eu rosnei. "Se você voltar, então terá que lutar comigo. Eu não vou deixar você passar."

Bella estreitou os olhos, a paciência chegando ao fim. "Minha vez: por que se importa?"

Eu não ia mentir. Ela queria a verdade? Então ela teria. "Eu gosto de você. – Desde que vi você empurrando a canoa para a Ilha, eu não mais a detestava. Mas depois de deixá-la no quarto e ir para o meu, isso meio que ficou extremo." Eu falei, decidido. "Eu NÃO POSSO te ter e perigo."

Eu a vi sorrir. E eu gostava quando ela fazia isso.

As primeiras casas de Forks já começaram a aparecer lá longe. Não demoraria muito agora para que eu jamais a visse de novo, para que o nosso fim se concretizasse. Eu ri de escárnio internamente, meu humor negro se manifestando. Como poderia existir um fim para algo que não tinha um começo? – Talvez, se eu soubesse que ela não me perceberia... talvez eu pudesse olhá-la de longe, ao menos de vez em quando. Velar por seu sono em algumas noi... ah é... ela não era humana. Era tão fácil esquecer essas merdas mitológicas com ela... Subitamente, minhas narinas queimaram, arderam e eu cheirei vampiro. Mas, tão logo eu farejei isso, Bella saltou para longe de mim, me empurrando com toda a força, e eu deixei um rastro de destruição no asfalto por onde meu corpo se arrastou.

O fato de Bella ter sido capaz de me atacar doera em mim mais do que minhas costas terem sido escalpeladas no asfalto.

"NÃO!"

Meu olhar voou como um raio quando Bella gritou e, quando vi o que estava acontecendo, o meu grito foi mais alto que o dela. "SOLTA ELA!!", eu urrei.

Eu saltei de pé em um segundo e corri para onde um homem baixinho tentava agarrar Bella, que ainda estava vendada, pois ela estava mais preocupada em não deixá-lo tocar nela. Agarrei Bella pela cintura protetoramente, já correndo de volta para La Push. Mas Bella começou a me dar murrinhos nas costas. "Pare, não há perigo!"

Hah! Vai sonhando.

"Pare com isso agora, Edward!" Bella gritou e eu senti como se estivesse dentro de uma caixa de aço de novo. Era o campo invisível de Bella.

Então ele era aquele tal Edward por quem ela gritava? Saber disso apenas me fez correr mais rápido. Porém, Bella sussurrou no meu ouvido. "Tudo bem, Jake, ele não vai nos machucar."

"Diga isso para alguém que acredite." Eu despejei para ela.

"Você não disse que acreditava em mim?"

Minha voz estava tremendo, meu corpo todo estava tremendo. Eu detestava vampiros, odiava! Eles eram a razão para meu lobo dentro de mim existir, atrapalhando minha possível amizade com Bella, tornando-a impossível. Eu os odiava. "Isso é diferente."

"Jacob, ele é meu ex-namorado. Não fará mau a mim nem a você."

Ex namorado? Engraçado, eu ainda não queria parar.

Mas eu parei. Na verdade, me pararam. Eu bati contra uma parede de mármore e cambaleei tonto para trás, nunca soltando Bella. Eu a coloquei no chão e não a soltei, que logo tirou a venda dos olhos. Não iria soltar, não pra ele. Meu olhar era fixo nele, se ele movesse um centímetro em falso, aquele lixo morto e branquelo era meu.

"Devolva-a." O Vampiro rosnou para mim. "Agora." Os lábios subiram em uma careta para mostrar os dentes brilhantes e afiados.

Eu torci os lábios. Assustador, mas eu era marrento e orgulhoso demais para me submeter. Eu fingi surpresa. "Ela é sua?" Ele assentiu. Então eu girei a Bella fingindo procurar algo nela. "Perdão, mas não vejo seu nome escrito nela, sanguessuga."

Bella bufou, se desvencilhando de mim e ficando entre eu e o maldito. Ela abriu a boca para dizer algo, mas o vampiro a interrompeu. "Jacob Black, você quebrou o pacto. Seqüestrou uma de nós."

Eu queria puxar Bella de volta para mim, para poder respirar melhor. Mas a frase daquele bloodsucker (sugador de sangue) me fez parar. Eu ofeguei, arqueando o supercílio. "Do que está falando? – Você é um Cullen? – Edward Cullen?" Ele assentiu e apontou com a cabeça para Bella, e sorriu presunçoso.

Meus olhos horrorizados vagarosamente se moveram para Bella, enquanto sentia o sangue abandonar meu rosto e meus braços tremerem freneticamente com o sentimento de traição que invadia cada fibra do meu corpo. Por que eu me sentia traído se, na verdade, ninguém me devia nenhuma explicação naquele momento? Meus lábios tremeram e se abriram e nem me importei se gaguejaria ou não. "Você... você é uma Cullen, Bella? –"

"Isabella." Edward rispidamente me corrigiu. E eu o ignorei.

Bella assentiu para mim, os olhos cor âmbares nunca encontrando os meus. Ela mordeu o lábio inferior e assentiu mais uma vez. "Mas eu não sabia de pacto algum, eu juro. – Eu estava no Rio de Janeiro, morei lá por dois anos e só voltei no dia em que você me achou." Ela acrescentou rapidamente, dando uma olhada rápida para a coisa ao lado dela, um olhar acusador. "Ninguém se incomodou em me avisar que haviam lobisomens em La Push." Ela suspirou e voltou seu olhar dolorido para mim, suplicante. "Por favor, acredite em mim, Jacob."

Por que ela não me chamou de Jake?

Céus, o que eu estava pensando?! Dois vampiros comigo aqui, sozinho, e eu me importando com o porquê de Bella não ter me chamado pelo apelido carinhoso que ela me deu?? Essa foi ótima.

Eu acreditava nela. Mas eu precisava vê-la lutando por mim. Eu PRECISAVA disso. "Você armou tudo isso para descobrir coisas sobre nós, não é? Agora, eu caí na sua emboscada."

Ela me olhou chocada e sacudiu a cabeça. "Não, por Deus, Jacob!" Ela começou a andar para mim, mas Edward a segurou pela cintura, a puxando de volta. "Edward, ta tudo bem, ele não vai me machucar." Ela pediu, mas o maldito não se moveu.

"Nós vamos para casa, Bella. – Tudo vai ficar bem." Ele disse dando alguns passos para trás.

Isso me fez dar para frente a mesma quantidade de passos que ele deu para trás, como se existisse um magnetismo que me prendia a ela. Como se ela também sentisse isso, ela esticou uma mão para mim. Aquela imagem cortou meu coração em dor. "Hey, leech (sanguessuga). Ela não quer ir com você. Largue-a." Eu mantive minha voz firme.

Edward sorriu de escárnio para mim. "Boa piada, mongol." Ele de outro passo para trás, fazendo o magnetismo ficar quase insuportável. Quando Bella se esticou mais para mim, se torcendo dentro do aperto do imbecil para poder chegar o mais perto de mim possível, eu senti o magnetismo aliviar um pouco. "Para quê? O bando quer fazer uma fogueira e estão sem lenha?"

Eu deixei um rosnado feroz correr solto pelo meu peito e rilhei os dentes. "Ela está se adaptando à animais – graças a mim – Se você levá-la, ela vai voltar ao sangue humano! Deixe-a aqui!" Na verdade, eu não sabia se ela não iria mesmo conseguir se não estivesse comigo, mas era uma desculpa esfarrapada válida para que ela permanecesse comigo. Eu poderia pensar em outros meios de impedi-la de lutar mais tarde.

"Edward, faça o que ele diz. Me solte!"

"Acha mesmo que ele fala sério, Isabella?? – Não passou por sua cabeça de que ele te mantém porque você é Defensora e poderia ser útil como escudo contra nós?? Ele não obtém nenhuma afeição por você, acredite em mim." Ele sorriu, olhando para mim. "Eu posso ler pensamentos, lembra, Isabella?"

Eu vi o corpo de Bella enrijecer e seu olhar vir vagarosamente para o meu, tornando-se dolorido. Ela não podia realmente estar acreditando nele, podia? Ela endureceu seu olhar sem desviar do meu e respirou fundo. "Não diga bobagens, Edward. ME LARGA! Eu quero ir com Jake!"

Eu vi Edward sorrir e apertar mais o corpo de Bella contra si. "Não, não quer."

De repente, Bella se curvou e tirou o tênis do pé esquerdo e o tacou na minha direção. Rápido demais para meus olhos enxergarem, o tênis atingiu o meu pescoço. Então, a última coisa que vi antes de desmaiar pra escuridão foi Bella gritando algo pra mim até as lágrimas turvarem minha visão escura.