Eu era Hermione Potter ...

Depois que a onda de choque, tontura e as inúmeras perguntas que que surgiram na minha cabeça passaram, senti uma sensação estranha se abater sobre mim, me sacudindo como um jato de ar quente. Harry era meu marido, vivemos nesta linda casa e temos estes dois filhos lindos. Era tão surreal ainda assim tão absolutamente certo e normal.

Eu não sabia como nem porquê, quando ou onde, mas eu tinha escolhido Harry, tinha escolhido meu coração sobre meu cérebro, opinião das pessoas, expectativas e o sonho de Molly para formar uma grande família Weasley. Eu tinha feito as minhas próprias decisões.

Mas o que aconteceu com o resto? Como eles tinham recebido a notícia? Onde eles estavam? Por que Harry tinha me deixado? Havia algo de errado entre nós? Era um domingo, ele não deveria estar a família dele? Nós brigamos? Eu precisava de respostas e rápido. Talvez um álbum de fotos ou, se eu perguntasse cuidadosamente para não assustá-los, meus filhos poderiam dar algumas respostas.

James espirrou e me olhou quase com culpa e eu não podia negar que meu primeiro pensamento foi que ele tivesse que ficar em casa mas eles estavam,obviamente, esperando por isso há muito tempo. Tentando deixar os pensamentos dos riscos que envolviam aquela pequena criança deitada em cima de uma cama doente, levantei-me, abri seu armário e tirei uma roupa quentinha para ele vestir. Enquanto isso meu menino já estava tirando o pijama, pulando na cama. Eu o ajudei com as roupas enquanto Lily escolhia os sapatos. Quando terminamos, fiquei maravilhada com o quão confortável estava me sentindo em torno de meus filhos, exatamente como eles estavam ao meu redor.

—Não corram nas escadas! Não quero ver machucados hoje! — Falei um pouco surpresa, seguindo-os, quando os dois saíram correndo do quarto, descendo as escadas. Pelo visto, meus instintos estavam de fato trabalhando mais rápido do que meu cérebro. Eu acho que toda mãe se sente super protetora em relação aos seus filhos, mesmo quando ela acabou de conhecer-los ...

Eu suspirei, desejando que Luna tivesse me dado mais informações como: onde diabos ela estava aqui no futuro para que eu pudesse encontra-lá e chutar sua bunda e, em seguida, perguntar sobre como é a minha vida. Deveria fazer uma ligação de flo para ela? Minha casa tem uma lareira ativada para a rede de flu? Ela ainda morava com seu pai? Ele ainda estava vivo? Eu seria capaz de ligar para sua casa? E se algo tivesse mudado na rede de flu ao longo dos últimos anos? Apenas o pensamento de fazer uma ligação de flu fez minha náusea voltar. Talvez eu não devesse arriscar, a última coisa que eu precisava era assustar meus filhos com restos do meu corpo por todo canto.

Talvez eu pudesse usar o telefone e ligar para os meus pais e torcer para que eles não tivessem se mudado... agora eu entendia completamente como eles devem ter se sentido depois de voltar da Austrália. Eu estava me sentindo tão diferente, como se fosse uma nova Hermione, e de certa forma, eu era, era uma mãe, uma esposa e quem sabe o que mais.

Ligar para meus pais parecia bom, mas o que eu iria dizer a eles? "Oi mãe, pai, vocês podem, por favor, me falar o que tem acontecido nos últimos dez anos?" Eu já tinha feito um monte de coisas estranhas como uma bruxa e isso seria a cereja no topo do bolo. Ligar não iria ajudar em nada. Suspirei descendo as escadas, seguindo o barulho dos armários sendo abertos e fechado, mas não antes de dar uma boa olhada no térreo da casa.

Mesmo que eu não tivesse percebido quem era meu marido, eu teria a resposta agora. Havia um armário sob as escadas, e estas conduziam diretamente a um hall, mais adiante tinha uma porta que provavelmente levava a uma biblioteca. O térreo também tinha uma grande sala com uma lareira e acima do parapeito, havia uma enorme foto minha com James ainda bebê nos braços acompanhada de Harry carregando Lily. Sorri um pouco ao notar como feliz eu parecia ao lado de Harry e como calorosamente ele olhava para mim.

Entrei na cozinha e me sentei perto de James e Lily que já tinham posto a geleia, manteiga, leite, suco e pão na mesa. Eu decidi beber um pouco de suco primeiro para a náusea não voltar. Olhei para o lugar ao meu redor e fiquei maravilhada pelo modo como aconchegante eu me sentia. A cozinha tinha tons quentes de creme, móveis de madeira escura e alguns detalhes em branco. A nossa casa ... quanto mais eu considerava este lugar como meu e de Harry, mais ela parecia quente e relaxante.

—Mamãe, você não vai comer? Você não está se sentindo bem? —Lily perguntou me tirando dos meus pensamentos. Eu sorri para ela, que, obviamente, a garota era uma pequena Lady com sua voz um pouco mandona, como a minha na sua idade, enquanto James irradiava malícia.

—Sim, querida, eu vou, claro que vou. —eu respondi, pegando uma fatia de pão e colocando um pouco de geleia.

—Então, nós vamos para a floresta, mamãe?— James perguntou.

—Sim, nós vamos. Você quer fazer um piquenique lá ou apenas brincar? — Eu perguntei e me lembei de um piquenique ocorrido anos atrás, quando meus pais me levaram lá. Espere um minuto... Harry e eu moramos aqui para cá por causa do que eu havia dito naquela época? Ficar lá e envelhecer com ele? Não consegui conter e meus olhos se encheram de lágrimas.

—Eu acho que nós poderíamos ir e jogar, em seguida, fazer um piquenique. — Lily respondeu e eu acenei com a cabeça. Levantei-me, ainda precisando de um momento para parar essa necessidade súbita de chorar e abri a geladeira, pronta para fazer alguns sanduíches e suco para o piquenique.

—OK, então, isto é o que vamos fazer — eu finalmente disse enquanto procurava nos armários algumas coisas para levar.

—Mamãe, papai vai ficar fora muito tempo dessa vez? — Lily perguntou e eu congelei colocando queijo dentro dos sanduíches, eu não sabia onde Harry estava, como eu poderia responder a isso? E o que ela quis dizer com "desta vez"?

—Hum...Eu não tenho certeza, querida, eu espero que não. —eu finalmente disse honestamente e Lily parecia triste, Harry ficava longe o tempo todo? Ele era um auror no meu tempo, então ele estaria em alguma uma missão?

—Eu espero que ele não demore muito. — Lily finalmente disse enquanto se movia para perto de mim, com seus olhinhos tristes. Suspirei e a abracei, sem saber outra forma de acalmá-la.

—Tenho certeza de que ele estará de volta em breve. —Eu disse, dando um beijo na sua testa. Ela me abraçou de volta, fazendo-me sentir preciosa.

—Espero que ele fique bem. — disse ela, e eu balancei a cabeça, meu coração parou com o pensamento de algo dando errado, para mim, ontem ele havia retornado do treinamento e eu sabia o quão perigoso as coisas poderiam ficar.

"Não, não se desespere, você tem mais coisas para descobrir, Harry pode cuidar de si mesmo, e uma vez que ele está vivo por dez anos desde a noite anterior ... ele vai ficar bem desta vez também."

Minha filha quebrou o abraço e só então eu percebi o quanto precisava dela, que sorriu para mim, me tranquilizando.

Continuei fazendo os sanduíches suficiente para nós três, o tempo todo querendo saber onde poderíamos ter um álbum de fotos para encontrar algumas respostas. Eu considerei olhar em uma penseira ou algum feitiço de lembrança, mas seria um terreno perigoso, Luna não queria que fosse assim, eu não deveria cavar esses últimos anos através da magia, poderia me enlouquecer. Então, o melhor seria algum álbum de fotos e algumas perguntas sutis para os meus filhos, eu já sabia seus nomes, seu pai, a localização de nossa casa e que Harry ainda era um auror... já era alguma coisa.

Agora eu precisava saber sobre todo o resto, pensei sarcasticamente, rolando meus olhos, eu estava me sentindo como um adulto recém-nascido.

Coloquei a comida e o suco em um saco que encontrei em um dos armários e acrescentei todas as outras coisas que, provavelmente, iriamos precisar. Meus filhos correram para pegar alguns brinquedos e sorri com a algazarra que eles estavam fazendo por causa do passeio. O nosso pequeno trio saiu da casa e algo clicou dentro de mim: estávamos em uma vila trouxa e eu estava prestes a sair de nossa casa mágica.

—Quais são as regras?— Eu perguntei um pouco brincalhona, eu tinha certeza que Harry e eu, ou, mais possivelmente, eu teria definido algumas regras para os pequenos quando a gente saia. Lily sorriu.

—Nenhuma brincadeira engraçada com sua varinha, nenhuma menção de magia, e se sentimos que algo de errado vamos diretamente para você, e não ver o que é.— Lily disse claramente, obviamente, estas regras eram padrão. Eu sorri, orgulhosa.

—Muito bom, podemos ir agora. — eu disse e abri a portas. Meus filhos correram para fora e por um momento eu congelei e então suspirei resignada, é claro que eles não iriam seguir as regras.

—Sejam cuidadosos!— Gritei, olhando para a rua e, em seguida, selei a casa com um feitiço que logo vi ser desnecessário. A casa tinha feitiços extremamente fortes de proteção, imaginei que Harry ficasse com medo de algo acontecesse à sua família.

A pequena aldeia parecia perfeita, como se tivesse saído de uma pintura de paisagem rural, as pequenas casas ordenadamente construídas nas estradas principais e uma delas levava para a floresta. Não precisei me preocupar com o caminho já que James e Lily corriam na minha frente, mas graças a Merlin eles sempre paravar para certificar que estavam sendo vistos por mim.

Um casal de pessoas acenaram para mim e mesmo não os reconhecendo acenei de volta. James parou e esperou por mim, estendendo sua mão para que eu a pegasse enquanto a outra segurava sua bola de futebol.

—Você vai jogar comigo, mamãe? Já que o papai não está aqui. —ele perguntou e eu sorri, balançando a cabeça como que manteve, na sequência de Lily, que estava a poucos pés à frente.

—Vamos jogar, mas tenha cuidado, não quero que vocês se machuquem ou algo assim. —Eu respondi e ele acenou com a cabeça rapidamente.

—Eu vou ter cuidado, eu prometo.—Ele me disse.

—Lily, por favor, venha aqui, querida, eu não quero te perder na floresta. —Gritei quando finalmente chegamos perto da floresta.

—Nós não vamos nos perder mamãe! Papai nos ensinou o caminho para a clareira que vocês acamparam quando eram mais jovem. —Lily me contou e eu engasguei, falamos aos nossos filhos sobre a caça Horcrux? Não era muito cedo para isso?

—Quando nós éramos jovens…? — Eu perguntei e Lily assentiu.

—Sim ... quando você e papai estavam ajudando o mundo, lutando contra as pessoas más. — Lily disse casualmente e eu suspirei, então eles sabiam, mas não a versão detalhada.

—Oh, mesmo assim, fique perto de mim, meu bem. —Eu murmurei enquanto continuamos andando pela floresta, as crianças principalmente levando-me até certo ponto.

A floresta em torno de nós parecia o próprio paraíso, toda verde com flores e frutos da primavera. Logo chegamos a clareira que eu conhecia tão bem e conjurei um cobertor, colocando para fora toda a comida que tinha dentro do saco, enquanto as crianças corriam ao redor, escolhendo um lugar para brincar. Quando tinha tudo pronto, fiquei assistindo-os jogar por um momento. Era evidente que James seria jogador de algum esporte no futuro, provavelmente Quadribol enquanto Lily jogava apenas para satisfazer seu irmão mais novo.

Logo a bola foi chutada para os meus pés e desajeitadamente, chutei para James, que a jogou entre as duas árvores e mesmo que Lily tivesse tentado impei-lo, o gol tinha sido marcado; o que fez meu mais novo começou a gritar e a correr em círculos, colocando a bainha de sua camisa sobre a cabeça como um jogador profissional. Cheguei mais perto e segurei ele

—Ponha a sua camisa de volta por causa do frio ou você pode tropeçar em uma árvore. — eu disse suavemente, puxando sua camisa de volta, revelando um par de olhos verdes esmeraldas sorridentes e um tufo de cabelos mais confuso do que nunca, meu pobre filho tinha herdado a natureza do cabelo de Harry.

—Eu ganhei, mamãe! —James me disse e eu sorri, dando um beijo em sua testa.

—Você chutou a bola muito forte, tive medo que ela batesse na minha cara! — Lily reclamou, trazendo a bola com ela.

—Você é uma boba, tem medo até de uma bola! Se bater em você, mamãe usa a varinha, sua bobona! — James respondeu em sua voz infantil e eu sabia que deveria colocar um fim nisso.

—Cuidado com a língua, criança, Lily apenas disse para jogar com maior cuidado e assim não vai ter acidentes. Eu tenho certeza que você não quer que ela jogue a bola para você com força. — Argumentei com o meu filho e pareceu funcionar, já que ele balançou a cabeça. Eu era boa com meus filhos! pensei que com um sorriso de triunfo.

—Desculpe, Lily. —James finalmente disse e eu acenei para minha filha que olhou para mim antes de jogar a bola mais perto de James. Não pude evitar de sorrir quando meu filho se animou e eles retomaram o jogo, enquanto eu continuava assistindo-os, tentando pensar em um plano.

Eu precisava saber se eu continuava trabalhando e se, sim, aonde. Precisava encontrar Luna e alguns dos Weasleys, talvez Ron, eu me senti desconfortável com a ideia de falar com ele, para mim, terminamos ontem e agora eu estava indo para falar com ele casada e com dois filhos.

Como estava as coisas entre nós três? Como Ron tinha agido quando descobriu sobre Harry e eu? Quando isso aconteceu? Como é que eu reagi a isso? Como nós ficamos juntos? Droga, Luna, você não poderia ter me dado mais detalhes no maldito maldito?

E quanto ao resto: Meus filhos pareciam tão ansiosos para este piquenique, provavelmente, queriam passar mais tempo com a gente, o que significava que Harry e eu trabalhávamos muito. Suspirei e tentei pensar em uma maneira segura de tentar descobrir isso. E se eu trabalhava, com quem eles ficavam? Com os Weasleys? Meus pais? Alguns amigos? Provavelmente,eu trabalhava no ministério, era isto o que eu queria, tentar melhorar a sociedade, duas guerras eram o suficiente por um bom bom tempo...

Um álbum de fotos ajudaria, pensei resoluta. Luna me enviou aqui para ver como minha vida iria ser, como eu tinha pedido. Então era isso o que precisava saber: como as pessoas estavam ao meu redor, quais eram as pessoas que estavam ao meu redor e como minha vida era. Isso me assustou, talvez as coisas não foram tão boas como pareciam agora, na proteção da floresta e no aconchego dos meus filhos. Meus filhos. Ainda pareciam uma loucura que esses anjinhos fossem meus.

Enquanto olhava para eles, percebi que não tinha ideia sobre o que eles gostavam ou quais eram as suas cores favoritas, ou do que eles tinham medo e se eles sabiam de Hogwarts. Qual era a datas dos seus aniversários? Minha curiosidade sobre a mais simples das coisas era enorme.

—Crianças ... por que vocês não fazem uma pausa para comer um sanduíche? — Perguntei a eles depois de algum tempo e ambos correram para perto de mim. Eles caíram sobre o cobertor e depois de lançar um feitiço de limpeza, entreguei um sanduíche para cada e peguei um para mim.—Ok, eu estava pensando em fazer uma lista de nossas coisas favoritas para que sei pai e eu possamos ter uma idéias melhor do que comprar na próxima vez que formos no mercado...— Logo depois que eu disse, percebi como era uma desculpa horrível, mas tinha sido a única coisa que tinha conseguido pensar para tentar aprender algo mais e pareceu funcionar já que eles abriram sorrisos enormes, obviamente compras era uma atividade agradável para nós. —Cores favoritas. — eu comecei e eles filhos respondeu imediatamente.

—Azul e verde. — James disse.

—Pink e roxo e vermelho. — Lily falou e eu assentiu com um sorriso.

—Animal favorito.

— Coruja. — James gritou animado.

—Amasso! — respondeu minha filha e senti meu sorriso desaparecendo, onde estava bichento?

—Eu tinha um gato, uma vez também ...— Eu disse lentamente para ver o que eles iam falar, tentando ocultar o pânico, ao ver as caras confusas.

—Você ainda tem, mamãe, Bichento está em casa, provavelmente se escondendo de nós na biblioteca. — James disse com sua voz infantil e eu respirei de alívio pelo meu, ainda vivo e aparentemente atormentado, gato.

—Certo, uhmm ... flor favorita. — acrescentei e Lily sorriu.

—Lírios e rosas e aquelas que floresce de noite, jasmim! — Ela disse animada e eu sorri para ela suavemente.

—Eu não tenho uma. — James respondeu parecendo que seu orgulho masculino tinha sido insultado

— Comida favorita. — eu disse e eles olharam um para o outro.

— Macarrão.— Eles disseram ao mesmo tempo e eu ri, ok, eles têm algo em comum.

— Time favorito. — Eu tentei ver se Harry já tinha estragado as nossas crianças com Quadribol.

— Eu não tenho um.— Lily respondeu, mas James abriu um grande sorriso.

— O primeiro e único: Puddlemere United. —disse James e eu estava hipnotizada pelo entusiamo da criança de, aparentemente, três anos. Harry já tinha conseguido conquistar um deles...

— Doce favorito— Eu fui e eles sorriram.

—Sapos de chocolate.

—O açúcar cobriu Quills.

Então eles sabem sobre Hogsmeade.

—Vamos ver ... vocês lembram quando é seu aniversário? —Eu perguntei, tentando soar como uma provocação.

—7 de julho de 2007 — disse James depois de uma pausa para se certificar. Uau, ele nasceu no sétimo dia do sétimo mês do sétimo ano do seculo XVI, parecia poderoso, fiquei impressionada.

— O meu é 9 de setembro de 2004. —minha filha respondeu e eu sorri. Harry e eu tivemos uma criança perto de nossos aniversários, um agradável presente.

—Muito bem. — Elogiei, esperando que eles não tivessem enganados.

Nós ficamos sentado lá por mais algum tempo, falando sobre coisas aleatórias até que James decidiu ir e continuar brincando de futebol, mas Lily preferiu ficar aconchegada nos meus braços.

—Então, mamãe...—ela começou depois de se sentar entre minhas pernas, e apoiar as suas nas minhas coxas ficando de lado. —Você vai ter que voltar para o ministério amanhã de manhã? —Ela perguntou, fazendo me perguntar em qual parte do departamento eu ainda estava.

—Uhm ... Sim, querida, mamãe precisa voltar a trabalhar. —eu disse baixinho e ela balançou a cabeça enquanto ela brincava com minha manga.

—Eu gostei dos seus dias de folga, eu espero que esteja se sentindo melhor agora. —Lily me disse e eu fiquei rígida, dias de folga? Era por isso que minha magia estava mais fraca? A náusea? Eu estava doente? Tinha algo de errado comigo? Harry foi encontrar algum remédio para mim? O que havia de errado? Apenas o pensamento de deixar meus filhos para trás fez o meu coração bater inquieto no peito. Não, eu não podia entrar em pânico, talvez fosse apenas um resfriado ou alguma doença normal, eu estava me sentindo muito bem além do que a náusea que tinha ido embora.

—Eu sei, querida. Mas eu preciso voltar a trabalhar. — Eu disse com uma voz um pouco quebrada pelo medo, Luna tinha me mandado para ver algo tão horrível? Eu ia deixar Harry? Doce Merlin, eu precisava me acalmar. —Mas eu tenho certeza que você vai se divertir, não se preocupe. — eu tentei acalmar minha filha.

—Ficar com o vovô e nana é sempre bom.— Minha filha respondeu um pouco mais feliz e eu tentei afastar os pensamentos da minha saúde e se concentrar em onde meus filhos passaram quando estava trabalhando, eu precisava saber aonde eu tinha que deixá-los amanhã mesmo sabendo que, provavelmente, a resposta era a Toca.

—Está vendo? Nana e vovô amam você e James, além do que tenho certeza que a Toca tem um monte de gente para cuidar de você. — eu disse com um sorriso e Lily olhou para mim com dúvida em seus olhos.

— O que é toca? —Ela perguntou e fiquei surpresa. Ela não sabia onde os Weasley estavam vivendo? Ou ela não conhecia o clã Weasley?

—Hum... o lugar aonde os Weasleys mora? — Eu tentei suavemente e Lily olhou para mim ainda confusa.

—Os únicos Weasleys que conhecemos é Ginny e que o irmão dela, George... oh e seu outro irmão, Bill, e sua esposa bonita que tem um sotaque engraçado. O que é o Toca? —Lily perguntou novamente e eu fiquei olhando surpresa para ela, com um aperto no coração.

—Hum... é um lugar aonde Ginny morou uma vez. —eu disse com toda a honestidade possível... onde estaria o resto? Algo aconteceu com eles e meus filhos nunca tinham conhecido o resto? Apenas Ginny, George, Bill e Fleur sobreviveram? Não, isso não podia estar certo.

—Então, amanhã vamos ficar com nana Jane? — Lily finalmente perguntou, provavelmente não prestando atenção.

—Sim, querida, é claro. — eu finalmente disse, dando um sorriso para ela. Pelo menos, eu sabia que iria ver meus pais amanhã.

Logo estávamos deixando a floresta quando James começou a espirrar novamente e voltamos para casa. Eu ajudei-os a tomar um banho e, em seguida, passamos algumas horas brincando no quarto de James até que deixei-os sozinhos e fui para biblioteca, onde encontrei, Bichento, que depois de olhar para mim por um longo momento com seus olhos penetrantes, ronronou e se esperanças de encontrar um álbum sem varinha morreu quando encontrei enormes estantes nas paredes, todos eles cheios de livros.

—Accio álbum de fotos. —Eu tentei e deu certo, um livro pesado de uma das prateleiras e eu peguei. Me sentei em uma poltrona que tinha perto de uma mesa de madeira e coloquei o álbum pesado lá, meus olhos percorreram os porta-retrados que tinham lá e me peguei sorrindo para as fotos que tinham lá. Uma era das crianças vestidas de abóbora, provavelmente no último Halloween, outra era de Harry e eu em um sofá, abraçados com enormes sorrisos nos rostos e uma dos pais de Harry, dançando alegremente juntos a uma fonte, enquanto folhas de outono voavam. Suspirei e abri o álbum, sob a capa de couro, havia uma linha na primeira página com escrita elegante.

"Álbum dos Potter's"

Sorri um pouco e virei a página. Havia fotos minhas e de Harry nos anos da escola, algumas da época de nossos treinamentos. Avançando mais, encontrei um par de fotos que me fizeram engasgar, Harry e eu, de frente a uma capela muito familiar. No oco de Godric, ele estava em um conjunto de vestes elegante e eu, em um vestido de noiva simples, com uma pequena protuberância sinalizando a chegada da nossa filha. O casamento deve ter ocorrido em 2005, provavelmente na primavera já que minha barriga não era nem muito grande nem muito pequena. Havia mais algumas fotos do casamento, que, provavelmente, tinha sido uma pequena cerimônia entre amigos, por escolha ou por circunstâncias, eu não sabia.

Encontrei imagens dos primeiros dias de Lily, quando ela era apenas um bebê, Harry segurando-a, eu a segurando. Era tão surreal ver fotos de si mesmo segurando uma criança que você não tinha lembrança de ter dado à luz.

E então havia fotos minhas grávida de James, outras de Harry segurando ele e Lily, como se fossem a coisa mais preciosa do mundo, e eu sabia que, para ele, seus filhos eram sim, a coisa mais preciosa do seu mundo.

No entanto, eu não podia deixar despercebido o fato de que Ron e o resto dos Wesley estava longe de ser encontrado. Tinha muitas fotos de Gina, Luna, George, Gui, Fleur, meus pais, alguns amigos que eu ainda não tinha conhecido, talvez do ministério, Andromeda e Teddy, até mesmo Kingsley e McGonagall além de Hagrid, mas nenhum outro Weasley.

Saí da biblioteca horas depois, ao sentir meu estômago rosnar. Fiz um jantar rápido e chamei meus filhos para comer, felizmente, eles não eram uns pequenos pestinhas nas refeições o que me fazia grata já que estava esgotada mentalmente com aquele louco dia. Depois da janta, os levei para cima e os ajudei a se preparar para dormir, James me abraçou com força depois de eu colocar a camisa do pijama sobre sua cabeça.

—Podemos dormir com você, mamãe? Já que o papai está longe. — ele perguntou baixinho e eu simplesmente balancei a cabeça, e levei os dois para meu quarto. Precisava de companhia naquela cama desconhecida e amanhã seria um longo dia, precisava do conforto dos meus filhos.

Eu deveria encontrar Ginny ou Luna, e tentar ver o que está acontecendo. Respirei fundo e alisei o cabelo longo e espesso de Lily, que já estava dormindo, com a minha mão; meus olhos caíram sobre os dois anéis em meu dedo, um anel de diamante bonito e outro, com uma esmeralda, ambos presos em platina.

Foram estes dois anéis a razão pela qual a maioria dos Weasleys eram desconhecido para os meus filhos e não participaram das nossas vidas nos últimos dez anos?