Olá meus amores!
Venho trazendo um novo capítulo.
Espero que gostem.
Bjos e até mais.


"Não sei ao certo. Mas não posso deixar de tentar só porque não sei a resposta."

–A hora mais sombria- Meg Cabot

Shina se dirigia para o refeitório depois de passar a manhã praticamente toda cuidando de uma turma de aprendizes desastradas e com os hormônios a flor da pele. Marin sabia cuidar delas melhor, mas ela não ia deixar um bando de pirralhas impedisse de fazer um trabalho bem feito.

O caminho da arena até seu destino não era tão longo, mas Shina decidiu andar mais devagar, pois tinha a ligeira sensação de está sendo seguida. Como uma amazona bem treinada ela ocultou seu cosmo e rapidamente saiu da vista daquele que a seguia.

*~v~*

Milo jurava que aquela que tentava alcançar era a amazona de Ophiuchus, mas assim que conseguiu uma proximidade a mesma evaporou.

–Onde ela foi parar? –Perguntava coçando a cabeça e olhando para os lados. Não sentia nem mesmo seu cosmo.

Antes que ele pudesse divagar sobre algo, ele quase foi atingido por um ataque daquela que procurava.

–Milo!

–Shina!

–Mas porque diabos está me seguido? –Perguntou a amazona ao dourado. –Podia está nesse instante sendo carregado para a enfermaria se meu golpe tivesse te acertado.

–Sei. Queria saber sobre as novas aprendizes. –Perguntou o escorpiano a ariana.

Por mais que ela negasse Milo era capaz de desarranjar seus pensamentos do lugar. Ao contrario de alguns homens que forçavam isso, ele não fazia por querer, era apenas como uma energia que o envolvia e que tinha a capacidade de deixar as mulheres estáticas e ela não era exceção.

–E pra que quer saber aracnídeo?

–Quero saber o signo delas. –O dourado até pensou em rebater o insulto, mas preferiu não brigar com ela, por enquanto.

–Vai fazer um mapa astral pra cada uma ou simplesmente quer escolher a melhor para fisgar?

–Não quero fazer mapa nenhum e muito menos quero me envolver fisicamente com elas. –Milo disse a ultima parte dando um sorrisinho maroto de lado, mas que logo desapareceu e continuou:- Quero saber o signo, para saber se posso fazer de alguma delas uma possível pupila.

Do mesmo modo que Camus, Shina foi surpreendida pelo que ouviu. Conhecia muito bem o cavaleiro a sua frente para saber que aquilo que o mesmo disse era sério e de uma seriedade que ela só via dele nos treinos e nas batalhas. Ele havia mudado muito depois que voltou a vida, mas não imaginava que ao ponto de querer treinar outra pessoa e principalmente uma garota.

–Ainda não sei muito sobre elas. Sei apenas que começam amanhã. Assim que elas puserem os pés na arena eu farei o possível de descobrir o que quer. –Respondeu a amazona e por pensamento a mesma continuou:- "E também descobrir se é apenas isso mesmo".

Milo que achava que a ariana iria ri, fazer algo pior ou dizer que ele estava mentindo, mas foi surpreendente o que a mesma fez. Ficou feliz com aquilo.

–Muito obrigada Shina. Faça um bom treino. –Com essas palavras do dourado, ele se retirou deixando a amazona perdida em duvidas.

*~v~*

Na praia dois cavaleiros pareciam meditar. Ambos estavam de olhos fechados e em posição de lótus flutuando a poucos centímetros acima do solo, mas o que faziam não era uma simples meditação e sim uma varredura.

Com um gesto carregado de leveza o mais velho saiu da posição e abriu os olhos azuis que poucas vezes o mesmo deixa a vista. Seus longos cabelos loiros caiam lisos até um pouco abaixo do meio das costas. Sobre as feições delicadas e serena de seu rosto, uma franja cobria parcialmente os olhos cuja cor era mais clara que a agua do mar. Assim como o jovem que estava ao seu lado, sua pele era bem clara fazendo com que muitos notassem que ele não havia nascido naquelas terras. Escondido entre uma das mechas de cabelo podia ser visto uma marca vermelha no meio da testa, conhecido como tilak que demostrava a origem daquele homem. Índia.

–Shun. –O loiro chamou o jovem de cabelos verdes ao seu lado.

–Sim mestre Shaka. –O mais novo respondeu ao chamado do outro desfazendo sua posição e abrindo seus olhos.

–Não há mais nada que possamos fazer aqui. –Shun confirmou com a cabeça a afirmação do outro. –Volte para o treino, mais tarde passe em virgem para a meditação no Jardim das Arvores Salas Gêmeas.

–Sim. –Com um gesto de cabeça, o jovem se retirou deixando o outro sozinho.

–Tenho que notificar Atena sobre o que descobrir. –Com essas palavras o virginiano desapareceu.

*~v~*

No décimo terceiro templo naquela hora estava apenas Shion. Atena havia se retirado para descansar um pouco depois do almoço. Ele por sua vez tentava terminar de arrumar alguns papeis que haviam se acumulado desde que Saga tinha se matado. Depois daquele dia ninguém se importou de colocar tudo em ordem, depois veio às guerras contra Poseidon e Hades, e agora essa era uma das missões incumbidas a ele.

Ao mexer em uma pilha de papel, sua mente vagou até a nova aprendiz. Solidão. Ele podia sentir aquilo naquele momento, um sacrifício talvez pelo bem de outros, mas e quanto a si mesmo?

–Gostaria que por um momento ninguém se sentisse sozinho. –O grande mestre se deixou pronunciar um de seus pensamentos, não percebendo a presença de um dos cavaleiros de ouro no salão.

–É um pequeno preço para a construção de algo melhor. –Disse o virginiano tirando Shion de seus devaneios.

–Shaka! Como foi sua investigação? –O lemuriano perguntou depois do pequeno susto que levou.

–Não pude identificar de que era o cosmo, mas era de um deus sem duvidas.

–Shun contou a você o que aconteceu?

–Sim. Se me permitir gostaria de observar as aprendizes.

–Claro. Atena acredita que ambas não tem nada a ver com esse deus desconhecido, mas mesmo assim quero que as observe. –O grande mestre naquele momento parou em frente da janela do salão. Daquele local dava para se ver toda extensão do santuário. –Assim como nossa deusa acredito que seja quem for que as trouxe até aqui está interessado em ambas.

Com um balançar de cabeça o virginiano concordou com o grande mestre e vendo que o mesmo estava com seus pensamentos distantes, se retirou.

*~v~*

A manhã chegou banhando o santuário com luz, anunciando mais um dia de treinos puxados para aqueles que lá viviam.

Quando Katrina acordou pode notar que a cama da amiga estava vazia e as outras companheiras dormiam, o que a deixou preocupada. Se lavando rapidamente no banheiro e vestindo o conjunto que as companheiras de quarto indicaram na noite anterior, desceu as escadas como se não existissem degraus. A casa ainda estava escura, indicando que ainda era cedo, por tanto se dirigiu ao lado de fora.

Ao encontrar Cassandra no refeitório se acalmou, mas ainda assim não gostou de ver as marcas de uma noite mal dormida em seu olhar.

–Insônia? –Não era apenas uma simples pergunta, mas também um jeito de perguntar como ia o tratamento da depressão.

–De fato. Não consegui dormir direito, mas não pelos motivos que você acredita ser e sim por ansiedade. –A resposta saiu clara e verdadeira, pelo que a escorpiana conseguiu notar. –Você não está? –O sorriso da ariana a pegou desprevenida.

–Não sei, eu nem sei o que iremos fazer a partir de hoje. Sei lá. Prefiro nem pensar. –Respondeu Kat roubando uma rosquinha de leite do prato da amiga. –Sabe que gosto de surpresas.

Depois daquelas palavras cheias de duplo sentido da escorpiana, a mesma se levantou para pegar seu café da manhã. Podia se dizer que não era apenas na personalidade que ambas se distinguiam, mas também ao se alimenta. Enquanto Cassandra levou quase meia hora para conseguir comer suas rosquinhas, Katrina levou metade e ainda ajudou a amiga a terminar com as dela, arrancando risadas por parte de ambas.

Seguindo o caminho indicado no dia anterior por Marin, ambas conseguiram chegar sem problemas a arena, que ainda estava praticamente vazia a não ser por uma mulher de cabelos verdes que utilizava uma mascara parecida com a da amazona de águia, só que com marcas ao redor dos olhos, com alguns papeis nas mãos. Ao ver as garotas, ela sorriu internamente. Aquelas eram as novatas.

Cassandra engoliu em seco ao ver que a amazona observava ambas como se fosse uma cobra antes de dar o bote.

–Ora ora se não são as novatas. –Com o porte altivo Shina se pôs a observar as duas. Sentia o cosmo fluir delas ainda de maneira descontrolada como se fosse uma enchente. Demoraria a domar aquela força, mas sem duvidas conseguiriam se sair bem. Notou também a oscilação no cosmo da mais baixa das duas, conversaria em particular com ela depois. –Como se chamam, idade, signo e de onde vieram?

–Eu sou Cassandra, tenho 21 anos, sou ariana e vim do Brasil. - Respondeu Cas.

–E eu sou Katrina, tenho a mesma idade de Cassandra, 21 e também vim do Brasil e sou escorpiana. - Completou Kat.

–"Não é que aquele escorpião tem um faro excelente?" - Pensou a amazona. –Tenho que saber qual o desempenho físico de ambas, portanto se alonguem e corram em torno da arena até não conseguirem ficar de pé.

As garotas se entreolharam instantaneamente e antes que Shina completasse com algum insulto, ambas partiram da frente dela como foguetes.

–Não acha que foi dura demais com elas?-Perguntou Marin que acabara de chegar na arena se juntando a companheira.

–Não mesmo. Elas têm que aprender que o treinamento é duro e não a base de pão com ovo e leite Ovomaltine.

–Acho que está andando muito com Aldebaran. Kkkkk

–Um pouco. Mas me diga, notou a oscilação no cosmo da tal de Cassandra? –Perguntou a ariana sabendo que a resposta seria um sim.

–Notei e já me informei sobre. Ela sofre de depressão. –Ao dizer aquelas palavras a amazona de Ophiuchus se virou para fitar a companheira.

–Isso é muito sério Marin. Não podemos simplesmente jogar tamanha carga emocional em cima daquela garota. Podemos agravar o estado dela.

–Katrina me explicou tudo. Cassandra parou a dois meses de tomar o medicamento e segundo o medico não precisa deles, mas tem que sempre tomar cuidado com novos episódios da doença.

–Mas então porque o cosmo dela oscila tanto? –Perguntou Shina sem entender. Se ela estava curada porque alguns sintomas persistiam.

–Acredito que ela está ou teve recentemente alguma crise e não contou a Katrina. Irei conversar com ela para entender o que se passa.

–Está certo então. Qualquer coisa me avise. –Marin afirmou positivamente com a cabeça e então a ariana decidiu mudar de assunto. –Advinha quem me procurou ontem?

–Seiya? –A ruiva pronunciou o primeiro nome que lhe veio a cabeça.

–Não. Milo. Ele estava querendo saber sobre as aprendizes que chegaram ontem. Me preguntou se eu sabia qual era o signo de ambas, pois queria uma pupila.

–Pupila?

–Sim. Também fiquei pasma com isso, mas não posso simplesmente mentir para ele sobre elas. Conheço aquele aracnídeo o suficiente para saber que ele falava seriamente.

–O que vai fazer?-Perguntou Marin ainda atônica.

–Irei conversar seriamente com ele e levar o pedido ao grande mestre.

Do outro lado da arena, terminando a segunda volta, uma dupla estava pedindo arreio. Ambas estavam suando como chaleiras, mas mesmo assim queriam continuar e terminar nem que seja uma terceira volta.

–Acho... que... não... iremos durar muito... aqui. –Dizia Katrina sem consegui completar direito a frase, a amiga que estava em situação igual ao dela.

–São duas então.

E assim a dupla continuou a correr tentando não desmaiar antes de terminar a próxima volta.

*~v~*

No alto da arena um rapaz que naquele dia resolveu se levantar mais cedo para ver se conseguia ver nem que fosse parte do treino das amazonas. Ao ver duas figuras se arrastando juntas ao completarem mais uma volta, não pode deixar de sorrir. Milo lembrou-se da época que era aprendiz e que muitas vezes Camus o ajudava. Seriam aquelas as novatas? Mesmo que não fossem, ele se pôs a observa-las.

Na arena Shina e Marin notaram olhar do dourado sobre as moças.

–Parece que ele está disposto mesmo à treina uma delas. –Disse Marin a amiga.

Antes que a amazona pudesse responder, Cassandra e Katrina praticamente caíram aos pés da mesma. Sob a mascara, a pisciana deu um sorriso contido, ambas se saíram até bem, se comparado a muitos outros novatos que caiam exaustos entre a segunda e terceira volta.

–Parece que se saíram melhor que o esperado. –Disse Shina desdenham um pouco das duas garotas que ainda estavam no chão. –Conseguiram completar três voltas sem pedi clemencia, o que para mim é algo surpreendente. Levantem-se!- A voz da ariana saiu tão fria e imperativa, que tanto Kat como Cas, simplesmente não souberam de onde tiraram forças para se levantar. -Acompanhem-me.

Dando de ombros, ambas seguiram a mestra para uma parte mais distante da arena onde duas rochas em proporção tamanho família estavam. Katrina engoliu em seco, aquilo não era um bom sinal.

–Quero que transformem essas rochas em pó.

–Mas isso é impossível e inumano. - A escorpiana começou a reclamar, mas foi cortada por Marin que disse:

–Se conseguirem dominar seus cosmos não será.

–Ambas tem até o almoço para conseguirem algum progresso. Na parte da tarde começarei a ensina-las a arte da defesa pessoal. –Completou Ophiuchus. –Qualquer problema ou duvida estaremos ali um pouco mais adiante, é só nos chamar.

Lá no alto, um escorpião trocou de posição sentando-se embaixo de uma arvore uns metros adiante para observar melhor as garotas. Aquilo renderia um entretenimento por muitas horas. E foi exatamente o que ocorreu.

Katrina passou a manhã distribuindo socos e pontapés em sua pedra, sem sucesso. Em vários momentos pensou em desistir, mas não o fez por mais que sua paciência parecesse se esvairá a cada segundo. Cassandra ao contrario da amiga, procurou manter a calma e encontrar um ponto fraco na pedra que comparada ao seu tamanho era quase uma muralha. Deu pelo menos umas dez voltas ao redor do rochedo aplicando golpes nos locais que acreditava poder fazer alguma diferença. Conforme o tempo escorria, ela começou a não ver mais sentido naquilo e passou a usar o que ela chamava de plano B, a brutalidade. O resultado em ambas foi o mesmo, mãos em frangalhos.

Milo sorria de ponta a ponta de orelha, ambas não puderam notar mais em pequenos intervalos de tempo o cosmo de ambas subiam e desciam e quase alcançavam o ponto de explosão, mas quando isso acontecia voltam a baixar, o que deixava o escorpiano eufórico com a possibilidade de ver a cara de surpresa de ambas ao destruírem os rochedos.

A manhã finalizou-se como diria Kat a uma Cas bem mal humorada, dez a zero para as rochas. Marin veio ao encontro de ambas para avisarem do almoço fazendo com que ambas esquecessem momentaneamente a decepção.

Shina antes de ir em direção ao refeitório, resolveu ficar um pouco para trás, olhar o avanço das garotas e conversar com certo loiro que não tinha deixado de assistir nem um minuto do treino de ambas aprendizes.

–Então, aquelas eram as novatas? –Perguntou o dourado se colocando ao lado da amazona que vistoriava as rochas.

–Eram sim. Tem um bom faro, uma delas é escorpiana.

–Aposto que é a de cabelo mais escuro. A outra parecia muito paciente quase como o Mu e o Shaka.

A ariana não deixou de reparar o quanto o cavaleiro estava bonito naquela manhã. Utilizava uma túnica azul-marinho presa a cintura por um cinturão de couro marrom, usava uma calça branca e nos pés uma sandália gladiador marrom. Entorno dos pulsos utilizava faixas protetoras e os longos cabelos loiros estavam soltos.

–Sim. Katrina é o seu nome.

–Vou levar o pedido ao grande mestre, quero começar a treina-la logo.

–Acho difícil. –Aquelas palavras chamaram a atenção do dourado que já ia começar a discutir com Shina. –Ela ainda não conseguiu fazer explodir seu cosmo. Precisa treinar mais. Acredito que em um mês ela esteja pronta para iniciar os treinamentos com você.

O escorpiano que prestava a atenção nas palavras da ariana acabou por fim assentindo, afinal ela tinha bem mais experiência em treina outra pessoa que ele. Milo também achou que aquele prazo seria bom, ele podia fazer pesquisas e convencer Camus a ajuda-lo no treinamento.

–Ótimo! –Respondeu o dourado para surpresa da amazona. –Irei conversar com Shion sobre o assunto.

Com aquelas palavras, ele se despediu e foi em direção às doze casas. Shina deu um longo suspiro. Sem dúvidas ela iria ser chamada em breve para ver o Papa.

*~v~*

O almoço passou mais rápido que brisa por entre as garotas. Logo elas estavam de volta a arena. Mal pisaram e receberam vários olhares curiosos e alguns nada amistosos. Uma loira alta de olhos vermelhos, que Katrina acreditou ser de farmácia, encarrava ela e Cassandra como uma cobra observam as presas.

–Agacia!-Chamou baixinho a escorpiana. –Quem é essa que não para de olhar para mim e para a Cas?

–Ela é a "protegida" de Shina. –Respondeu a canceriana fazendo aspas com os dedos. –Seu nome é Salin, vamos dizer que ela se acha por seu irmão ser um cavaleiro de prata.

Ao ver que Kat não tinha entendido o motivo da outra se achar Tara, resolveu se intrometer.

–Aqui existem suas divisões como no exercito. No topo temos os cavaleiros de ouro, depois os de prata, bronze e aqueles sem patente. É raro alguém acender, mas não impossível.

–Foi o que aconteceu com o irmão dela. –Agacia tomou novamente a palavra. –Ele era da patente de bronze, mas pelo bom trabalho na época que o santuário estava em guerra, lhe foi dado uma oportunidade de ascender. Desde então ela se acha a ultima bolacha do pacote.

–Mas não é só por isso. –A leonina retomou a palavra da amiga. –Ela se acha por ter saído com alguns dos dourados.

–Cara eu não ouvi tanta infantilidade na minha vida. –Respondeu Katrina, fazendo ambas companheira de quarto darem risadinhas discretas e Cassandra sorri de lado. –Nem quando eu namorei por duas semanas o filho do dono da padaria da esquina lá de casa eu fiquei me achando.

–Não é simples assim Kat. Ela é bem forte e muitos acreditam que logo ela irá ganhar sua armadura, principalmente Shina. –Tara falou fechando o semblante. –Ela usa o fato de ser protegida da mestra para nos amedrontar. Salin vai atormentar vocês duas enquanto estiverem aqui.

–Não fizemos nada contra ela. Até onde eu saiba não vamos destronar a rainha de vocês. –Disse Cassandra pela primeira vez desde que chegou a arena, surpreendendo a amiga por seu tom de voz cheio de sarcasmo.

Antes que mais alguém pudesse falar mais alguma coisa, Shina e Marin chegaram dividindo a turma em duplas. Agacia fez par com Katrina, enquanto Cassandra fez com Salin. Quem olhava para a segunda dupla podia ver que ambas não foram com a cara da outra. Marin deu as instruções para as novatas e com um sinal deu inicio aos treinos da tarde.

Enquanto a canceriana ajudava a companheira de treino a entender e aprender os golpes de forma correta, na outra dupla Salin fazia com que a ariana comesse o pão de que o diabo amassou.

A loira levava vantagem por ser mais alta e mais forte que a outra. Cassandra levou maior parte dos golpes da oponente que em nenhum momento se importou em ajuda-la a compreender o que acontecia.

Ao longe, a dupla era observada pelas amazonas. Marin queria impedir que aquela briga tomasse proporções maiores, mas foi impedida por Shina.

–Não vai fazer nada que não seja ser acertada novata. –Salin falou entre os dentes como uma cobra que destila veneno. Cassandra que entendeu aquilo como um insulto, resolveu não responder, o que deixou a outra ainda mais brava. –Se acha melhor que eu aprendiz. Você é apenas uma criança encurralada no canto que só sabe chorar... –Os golpes a cada minuto que passavam ficavam mais rápidos. Chutes e socos eram distribuídos principalmente na região entre o rosto e barriga fazendo com que a boca ariana se enchesse com seu próprio sangue. -... Não vai durar muito aqui garota, sabe por quê? Por ser fraca.

Aquela palavra fez com que Cassandra baixasse sua guarda, dando margem para que a adversaria a atingisse em cheio a jogando alguns metros a diante. Salin se aproximou da oponente cuspiu no chão ao se lado e se abaixando na altura da ariana falou de modo que apenas ela escutasse:

–Não temos lugar para inúteis como você. Pegue suas coisas e de o fora, fará um bem a todos. - Voltando à posição anterior, a loira abriu um sorriso maligno e deu as costas a Cas se dirigindo em direção a Shina.

Katrina ia em direção a amiga, mas foi impedida por Agacia que segurou seu braço e com um movimento de cabeça pediu para não ir. Lançando mais um olhar para a ariana e voltou a treinar.

Se sentindo humilhada, Cassandra se levantou. Cuspindo os últimos resquícios de sangue e se afastou da turma indo em direção as rochas que tentava quebrar naquela manhã. As palavras de Salin tamboriavam em sua cabeça.

Ao longe Marin se segurava para não ir até a aprendiz. Ela sabia que aquela seria uma lição que a jovem deveria entender sozinha. Nem sempre é possível vencer e muitas vezes a perda vinha com humilhação.

*~v~*

O resto da tarde passou lentamente para todos. Desde que Cassandra havia se retirado Kat não teve vislumbre da amiga. Ela estava se remoendo de preocupação e para piorar sua mente fazia questão de gritar a palavra "crise" a fazendo ficar pior.

Do outro lado, uma ariana tentava colocar seus sentimentos e pensamentos no lugar distribuindo socos sobre uma pedra. Estava tão dispersa que não notou que era observada por um par de olhos claros.

No primeiro momento pensou em ir embora e completar sua missão , mas ao ver que a garota não estava prestando atenção decidiu ficar. Os longos cabelos azuis violetas do rapaz desciam lisos até o meio das pernas, seu rosto passava uma grande seriedade e sua pele era de branco pálido apesar do sol. Não trajava a armadura, apenas a roupa simples de treino, uma túnica azul claro e uma calça preta. Mesmo distante ele podia sentir como ondas os sentimentos conturbados da garota. Os entendia perfeitamente, pois um dia os dele já foram os mesmos.

–Vai se machucar se continuar assim. –Ele a alertou do local onde estava, mas a mesma não escutou, estava fechada em um mundo próprio incapaz de ouvir alguém.

Com agilidade e graça, ele desceu para perto da jovem, que o mesmo pode notar ser pequenina. Sem pedi permissão segurou o punho da menor, que naquele momento pareceu acordar.

Cassandra não pode deixar de fitar surpresa o rosto do homem que a impediu de dar mais um golpe em seu alvo. Ele não era seu cavaleiro favorito e nunca tinha dado muita importância àquela figura altiva, mas naquele momento pode entender porque muitos o admiravam.

–Vai se machucar se continuar distribuindo socos com tanta força. –O homem sorriu docilmente, achando graça internamente pela reação da jovem ao vê-lo.

Cassandra não soube como e nem o que responder. Nem em seus sonhos tão fantasiosos poderia imaginar alguém com tamanha beleza. Nem mesmo o anime pode retratar com precisão aquele homem. Sua mente parecia uma engrenagem imperada que naquele instante só pode processar apenas o nome daquele que estava a sua frente:

–"Saga".