Capítulo 4

Smallville, 1941

Foi numa tarde quente e enfastiante que Zach/Clark, carregando seu trompete e uma discreta mala, atravessou as portas do Talon Cove sorridente e confiante a fim de responder a uma proposta de trabalho. As cadeiras do clube estavam sobrepostas nas mesas, e alguém fazia a limpeza no salão. No majestoso palco, a orquestra ensaiava embalada pelo som de uma voz feminina estonteante e bastante sensual que cantava "I Told Ya I Love Ya Now Get Out".

Enquanto se aproximava para assistir de perto, Zach/Clark viu Rita/Lois pela primeira vez. A visão dela o hipnotizou de imediato e ele largou a mala no chão ao lado de uma mesa e continuou a caminhar em direção ao palco. Ela estava ao lado do piano e cantava com denotado entusiasmo e com um grande e esfuziante sorriso nos lábios que o fez sentir algo que jamais experimentou antes, algo que fez seu coração queimar dentro do peito e suas pernas entrelaçarem enquanto caminhava entre as mesas do clube. E quando seus olhares se cruzaram, foi como a colisão de dois astros. E Zach/Clark não conseguia parar de olhar para ela até o final do ensaio.

Quando a música terminou, e os instrumentistas se dispersaram, o trompestista, que ainda não conseguia tirar os olhos da bela cantante, aproximou-se o bastante para ver mais de perto o fogo e o brilho daqueles grandes olhos castanhos que o fitavam de tal forma que era como se pudessem enxergá-lo como ele realmente era. Era como se não houvesse nada entre eles. Era como se ele pudesse entregar seu coração a ela sem qualquer medo ou receio e confiar-lhe todos os seus segredos. Ela era perfeita, como um sonho. Aquele momento era perfeito. E Zach/Clark desejou tomá-la nos braços ali mesmo e beijá-la nos lábios.

"E ai, garotão?" provocou ela, com as mãos na cintura e um sorriso sedutor enquanto via o trompete em suas mãos. "É o novo trompetista?"

"Espero que sim" respondeu, sorrindo, não conseguindo desviar os olhos dos dela, mesmo porque sequer pretendia esforçar-se o bastante para tal. Era como se não houvesse mais ninguém no clube. Apenas eles dois. E ele realmente não se importava com quem quer que fosse que estivesse ao seu redor.

"Pode apostar os centavos no seu bolso que vai" disse ela, arqueando as sobrancelhas e medindo-o de cima a baixo.

"Desculpe... eu não entendi" disse, como se ainda estivesse em transe com a visão da bela e sensual cantora.

"Estamos atrás de um substituto para o Sam desde o mês passado" explicou ela, encarando-o.

"Mesmo?" respondeu ele, enquanto ela andava ao seu redor, olhando-o de cima a baixo, como se o analisasse.

"Chegamos a um ponto em que contrataremos qualquer um" completou, com um sorriso cínico.

Zach/Clark sorriu.

"Puxa, isso foi... muito gentil" disse ele, um tanto debochado.

Rita/Lois sorriu enquanto parava novamente à sua frente.

"Nunca foi tão dificil encontrar um trompetista como nesse fim de mundo"

"Smallville?" indagou ele.

"E que outro fim de mundo você conhece?" devolveu ela, sorrindo com escárnio.

"Smallville não é tão ruim quanto parece" disse ele, enrugando a testa.

"Tem certeza?" indagou ela, com um sorriso. "Porque tirando essa parte da cidade, por onde quer que eu ande só vejo mais e mais campos de milho, sujeitos vestidos em camisas xadrez e garotas frequentando aulas de bordado"

Zach/Clark arqueou as sobrancelhas e riu do comentário.

"É tão... deprimente" completou ela, com um sorriso.

"Bom... eu não estou vestindo camisa xadrez" retrucou ele, não acreditando como ela parecia querer tirá-lo do sério, e como aquilo estranhamente não o incomodava.

"Mas ainda é um caipira" devolveu ela, arqueando as sobrancelhas.

"Talvez eu possa surpreendê-la" desafiou ele, enrugando a testa.

"Mesmo?" devolveu ela, fingindo desprezo.

"Mesmo" respondeu ele, seguro.

"Tenho minhas dúvidas" devolveu ela.

"Não devia" disse ele, à mesma altura.

Rita/Lois sorriu.

"Acho que está perdendo seu tempo, farmboy. A menos que diga que mora no andar de cima de um celeiro ou que guarda o maior de todos os segredos do mundo por trás desse olhar de cãozinho abandonado nada em você me surpreenderá" desafiou ela.

"Talvez eu possa levá-la a um lugar interessante... e que não tenha nada a ver com creme de milho ou flanela, e depois que me conhecer melhor, vai ver que não tem nada a perder..."

Rita/Lois sorriu, como se a insolência do jovem desconhecido lhe agradasse quando na verdade ele parecia ser o primeiro a devolver suas investidas, mas atendo-se apenas à primeira parte da oferta do trompetista, rebateu:

"E um lugar como esse existe em Smallville?" provocou, arqueando uma sobrancelha.

"Você se surpreenderia se eu dissesse que existe?"

"Pretende mesmo esgotar toda a artilharia que tem e surpreender uma garota duas vezes seguidas?" devolveu ela, com um sorriso sedutor, e que fazia o coração de Zach/Clark bater mais forte.

"Talvez a munição nunca acabe, principalmente porque não se trata de uma garota qualquer" respondeu ele, com um sorriso.

Rita/Lois o encarou de cima a baixo.

"Parece tentador, garotão" disse.

"Então o quê acha de sairmos para tomar alguma coisa?" convidou ele, esquecendo-se completamente do que fazia ali no clube, e que era responder a um anúncio de trabalho.

"Eu, você e meu marido?" perguntou ela.

Nesse momento, Zach/Clark empalideceu.

"É casada?" indagou ele, estarrecido, arqueando as sobrancelhas.

Ele não podia acreditar no que ouvia. Todo aquele flerte, e ela era casada?

"E isso importa?" devolveu ela, com um sorriso malicioso.

Surpreso, Zach/Clark não sabia o que dizer.

"Para ele, sim" respondeu.

Rita/Lois sorriu. E Zach/Clark também. Não era como se ele tivesse esquecido completamente a surpreendente revelação de que ela era casada. Mas o sorriso dela era como luz e acalentava a confusão que se instalara em seu coração arrebatado. E não era nenhum mistério que tanto quanto ele estava atraído por ela, a recíproca era verdadeira. Havia desejo no olhar de Rita/Lois, mais do que ele jamais poderia negar sentir por ela. E por mais que soubesse que talvez os dois jamais pudessem cruzar aquela linha que os separaria a partir de então, era como se isso realmente não importasse.

"Tem certeza que sabe tocar isso?" desconversou ela, desviando os olhos dos dele para apontar para o trompete em sua mão, enquanto cruzava os braços como se o desafiasse.

"Não estaria aqui se não soubesse" respondeu ele.

"Finalmente me surpreendeu, farmboy"

"Como assim?"

"Alguém nessa cidade que sabe fazer outra coisa que não seja comer milho e ordenhar vacas" respondeu ela.

Zach/Clark riu. Ela era mesmo incrível. E enquanto seus olhos não desviavam dos dela, o fascínio por aquela mulher que falava de forma rápida e incessantemente e que parecia pretender tirá-lo completamente do sério, por mais que já o tivesse, consumia-o ainda mais.

"Ainda posso surpreendê-la de outra forma" sugeriu ele, não conseguindo evitar o que o seu coração sentia, por mais que soubesse que não era certo continuar aquele jogo.

"Sério? Vai dizer agora que sabe voar?" provocou ela.

"Sabe o quê dizem das pessoas sarcásticas?" perguntou ele, sorrindo.

"Que elas tocam trompete?" respondeu ela, sorrindo.

"Não" disse ele, sorrindo. "Elas..."

"Você é o McCoy?" perguntou um sujeito de forma rude e que segurava um charuto, enquanto se aproximava, interrompendo-os.

"Sim" respondeu Zach/Clark, prontamente.

"Sou Jerry Adams, dono do Talon Cove" apresentou-se, estendendo-lhe a mão, enquanto Zach/Clark retribuiu o gesto. "Ouvi dizer que é o melhor trompetista da região" disse, momento em que o músico se virou para Rita/Lois a fim de conferir sua reação àquele comentário e ela arqueou as sobrancelhas com um sorriso, como se demonstrasse surpresa, já que o havia pré-julgado como músico.

"Bom... talvez tenha sido um pouco exagerado, Sr Adams" disse Zach/Clark.

"Ótimo. Continue assim. Detesto sujeitos arrogantes. De arrogante por aqui basta eu" devolveu Jerry, apontando com um sorriso no canto dos lábios, e virando-se para a cantora, completou em tom áspero: "O quê ainda está fazendo aqui, Rita?" perguntou, ao que ela lhe lançou um olhar de indignação com a invertida e depois de olhar para Zach/Clark e sorrir um sorriso gentil, afastou-se, sob os olhares atentos dos dois homens, não sem antes se virar mais uma vez para ver o trompetista.

Jerry se virou então novamente para encarar o músico e completou:

"Hoje à noite. Dez horas. Não se atrase" disse, em tom autoritário, apontando-lhe o dedo da mão que segurava o charuto, e depois se afastando.

"Espere..." chamou Zach/Clark, enquanto Jerry se virou para ver o que ele queria. "Não vai fazer um teste... ou algo do gênero?" perguntou.

"Não precisa. Já o vi tocando em Granville" respondeu ele.

"Também estou procurando um lugar para ficar, Sr Adams. Conhece um bom hotel aqui por perto?"

"Achei que fosse da cidade" devolveu o dono do clube.

"Estive fora por algum tempo" explicou o trompetista. "Voltei hoje"

"Nesse caso, tem um apartamento vazio no andar de cima do clube" respondeu Jerry apontando para as escadas que ficavam atrás do bar, e olhando para o barman, chamou-o: "Bob!" e o barman se virou para vê-los. "Mostre ao Sr McCoy o apartamento"

"Pode deixar, Sr Adams!" respondeu o jovem funcionário, com um sorriso.

"Obrigado" disse Zach/Clark ao dono do clube, que nada mais disse e lhe deu as costas, enquanto o barman se aproximava.

Enquanto via Jerry se afastar, Zach/Clark notou que Rita/Lois os observava de longe, com um sorriso insinuante que logo desapareceu quando o dono do clube se aproximou dela e a encarou com firmeza, segurando-a abruptamente pelo braço e empurrando-a por um corredor que dava acesso à saída pelos fundos.

"Eles por acaso...?"

"São casados" completou o barman.

Zach/Clark não sabia o que pensar. Sabia, no entanto, o que seu coração sentia, e era a mais sublime das emoções. Sim, ele gostava dela. E mais do que isso. Ele a amou desde o primeiro momento em que a viu e faria qualquer coisa por ela...


Quando as cortinas do palco do Talon Cove se abriram naquela noite, Rita/Lois estava atraentemente deitada sobre o piano de onde deslizou de forma sensual vestida num longo preto com decote insinuante e luvas também pretas enquanto começava a cantar "I Told Ya I Love Ya Now Get Out" em frente ao microfone. A orquestra tocava entusiasmada, mas a atenção do público estava totalmente voltada à jovem e esfuziante cantora que caminhava sensualmente pelo palco trazendo consigo o suporte do microfone sob o contagiante som do jazz. Aos fundos, ao alto da orquestra, Zach/Clark, que assim como todos os frequentadores do clube não conseguia desvencilhar o olhar de Rita/Lois, começou a tocar seu trompete de forma adiantada, de modo a fazer com que ela se virasse para também vê-lo.

Porém, nem um pouco intimidada com a ousadia do novo trompetista, a graciosa cantora continuou a cantar a música, sorrindo e lançando-lhe um olhar sedutor e repleto de desejo a cada movimento seu no palco.

Tão logo a apresentação acabou e as cortinas se fecharam, Zach/Clark estava feliz e realizado, e cumprimentava cada um dos seus novos colegas na orquestra, orgulhoso pelo trabalho feito. Mas na medida em que todos se dispersavam, ele se sentia cada vez mais só, até que viu Rita/Lois e Jerry num canto. Ele gritava com ela de forma bastante rude. E Zach/Clark não podia acreditar o que uma mulher como ela fazia com um sujeito como aquele. Jerry definitivamente não a merecia.

"Já disse que não tenho horário para voltar!" gritou Jerry, apontando-lhe o dedo. "Tenho muito trabalho a fazer pelo clube e atenção a dar aos meus convidados. Não é você que vai me impedir de fazer meu trabalho! Pouco me importa se está se sentindo só. Volto para casa a hora que eu quiser, e se eu quiser, como sempre foi!" e ele finalmente lhe deu as costas e foi embora, deixando-a sozinha.

Zach/Clark, que assistia a tudo de longe, aproximou-se:

"Ele sempre a trata desse jeito?" perguntou, indignado.

Rita/Lois se virou para vê-lo, e sorriu um sorriso amargo.

"Ele é assim com todo mundo" respondeu ela, tentando não demonstrar o quanto aquilo a incomodava.

Zach/Clark também sorriu na medida em que seu coração batia mais forte, e Rita/Lois imediatamente desconversou, olhando fixamente nos seus olhos, fazendo-o ter a certeza de que ela poderia até mesmo enxergar sua alma e seus segredos mais íntimos:

"Você tem um belo fôlego, garotão" disse, sorrindo de forma gentil e insinuante, e também se aproximando dele, de modo a faze-lo novamente sentir o perfume que exalava de suas madeixas, da mesma forma como naquela tarde quando a viu pela primeira vez e quando esteve tão próximo dela que desejou puxá-la para um beijo.

Naquele momento, o sentimento era o mesmo.

Tão linda.

Tão contagiante.

E ele desejou tocar suas faces e sentir suas mãos ao redor do seu corpo, por mais que soubesse que assim como Jerry, talvez nem mesmo alguém como ele merecia ou poderia ser forte o bastante para segurar uma mulher impetuosa como ela.

"Você também" devolveu ele, contendo-se para não tomá-la nos braços e mergulhar seus lábios nos dela e sentir o verdadeiro sabor do amor e da paixão contida.

"O quê vai fazer agora?" perguntou ela.

Tomado pela surpresa da indagação por demais de inesperada, Zach/Clark não sabia o que dizer.

"Não que seja do meu interesse, claro" completou ela, sarcástica.

Zach/Clark sorriu. Ela não perdia mesmo a oportunidade, pensou ele.

"Bom... pensei que poderíamos dar aquela volta para tomar alguma coisa" sugeriu ele.

"Hum. Nem um pouco original, não é mesmo?" devolveu ela. "Achei que pretendia me surpreender"

"Ainda pretendo" disse ele.

"Mas sair para tomar alguma coisa?" indagou ela, enrugando a testa.

"Tem uma idéia melhor?" sugeriu ele.

Rita/Lois sorriu e o encarou de cima a baixo com um olhar insinuante.

"Várias..." disse ela, com um sorriso malicioso.

"Como?" indagou Zach/Clark, que não podia acreditar no que ouvia, na medida em que sentia seu rosto corar.

"Achou mesmo que eu insinuei isso que você acabou de pensar?" perguntou ela, sorrindo.

"Bom, eu não achei nada... a menos que você realmente tenha insinuado algo" devolveu ele, confuso.

"Eu não insinuei coisa alguma, garotão" disse ela. "Somos como água e vinho"

Zach/Clark sorriu e arqueou as sobrancelhas, surpreso.

"Não combinamos nem um pouco" completou ela. "Ponha isso na sua cabeça"

Zach/Clark sorriu e concordou.

"Tem razão" disse ele.

"Claro que tenho" devolveu ela, sorrindo.

"Nesse caso..." disse ele, oferecendo o braço. "Sair apenas para tomar um drinque não nos fará mal"

Rita/Lois sorriu e ganchou seu braço no dele, e os dois caminharam para a saída nos fundos.

"Só não crie esperanças, farmboy" advertiu ela.


Algumas noites depois, Zach/Clark estava em seu apartamento que ficava no segundo piso do Talon Cove, vestido numa camisa sem mangas, enquanto tocava seu trompete sentado à janela sob a luz do neon que piscava do lado de fora. Seus pensamentos estavam unicamente voltados em Rita/Lois e no quanto ele sentia sua falta, por mais que a tivesse visto há poucas horas quando da última apresentação. Seu coração apertava no peito na medida em que tocava a bela e triste canção.

Depois da primeira noite que tocou no clube e os dois saíram para tomar alguma coisa, todas as demais noites foram a mesma coisa. Sempre iam ao bar que ficava a poucas quadras do Talon Cove após as apresentações. Conversavam quase a noite toda, basicamente sobre música, trabalho, mas também sobre o futuro e o destino de cada um, quando então ele a levava para casa antes de Jerry voltar.

E na medida em que os dias se passavam, e Zach/Clark conhecia cada vez mais Rita/Lois, mais tinha a certeza de que amava aquela mulher inquieta, arrebatadora, às vezes rude, e ao mesmo tempo excelente ouviente e conselheira, a qual praticamente tirava o chão sob seus pés e o fazia perder completamente a noção de que aquilo que faziam era errado, pois ela o completava, e ele já não sabia mais o que era viver sem ela.

Naquela noite, porém, por conta de um jantar de negócios que Rita/Lois e Jerry tinham na casa de algum político da região, Zach/Clark não poderia vê-la, e ele não conseguia preencher aquele vazio que se instalava em seu peito e que o consumia desde a primeira vez que a viu. Passar horas conversando com ela, olhando nos seus olhos, desejando abraçá-la e beijá-la e apenas poder se contentar em vê-la cantar e dançar já não era mais o bastante. Ele a desejava, e sentia queimar no seu íntimo o desejo de tomá-la nos braços e amá-la como jamais amou nenhuma outra.

Foi então que, enquanto se permitia mergulhar na tristeza e na solidão que o envolvia e que era apenas combalida pelo som do seu trompete, Zach/Clark foi surpreendido por algo totalmente inesperado...

Rita/Lois abriu a porta do apartamento de forma abrupta, fazendo-o imediatamente parar de tocar, sem no entanto se mover de onde estava. Parada a poucos passos de distância de Zach/Clark, Rita/Lois lhe lançou um olhar repleto de desejo. Ela estava linda usando um belo vestido escuro e decotado. Seu perfume exalou pelo apartamento. Sua presença iluminou e aqueceu o coração de Zach/Clark, que abaixou o trompete e permaneceu imóvel. E ele não podia acreditar no que estava prestes a acontecer. Tudo o que ele sentia por ela era agora visivelmente recíproco. E na medida em que apreciava a visão daquela que era a mais bela e contagiante das mulheres parada diante de si, a poucos passos de distãncia, Zach/Clark sentiu seu coração bater aceleradamente no seu peito.

Ela sorriu, e lenta e insinuantemente se aproximou dele. Quando estava próxima o bastante de Zach/Clark, a ponto dele poder sentir o calor e o perfume do seu corpo, bem como sua respiração e praticamente as batidas do seu coração, Rita/Lois o fitou com firmeza nos olhos. Havia fogo no seu olhar. Era desejo e paixão. Zach/Clark mal podia se conter, pois a mulher da sua vida estava diante de si, e tanto quanto ele, ela também o desejava.

Foi então que Rita/Lois aconchegou seu corpo contra o dele, e mergulhou seus lábios nos de Zach/Clark num beijo quente, molhado e apaixonado, abraçando-o e fazendo-o entregar-se completamente àquele sentimento contido, abraçando-a do mesmo modo, puxando-a para si, e não conseguindo controlar suas mãos que deslizavam freneticamente por todo o seu corpo, e procuravam desesperadamente nunca mais deixá-la ir. Pois era isso o que ele queria. Nunca mais ficar longe dela. Amá-la, protegê-la e fazê-la feliz. Rita/Lois no entanto se desvencilhou gentilmente dele e o fitou nos olhos. O convite era claro. Zach/Clark se levantou e tomou-a novamente nos braços e a beijou apaixonadamente, enquanto caminhavam lentamente em direção à cama...


Zach/Clark estava sentado do outro lado do quarto observando uma adormecida Rita/Lois deitada à cama. Suspirou e sorriu. Semanas atrás, jamais imaginaria um momento como aquele, por mais que o desejasse. Ela definitivamente era a melhor coisa que acontecera em sua vida. Olhando para Rita/Lois, Zach/Clark tinha cada vez mais a certeza de que ela era aquela que o fazia sentir que seu destino era muito maior do que ele jamais imaginou um dia ser. Era como se ela tivesse se tornado a sua força, e ao mesmo tempo sua maior fraqueza. E ele tinha a certeza de que finalmente havia encontrado a pessoa com quem poderia compartilhar seus sonhos e segredos sem qualquer hesitação, pois somente Rita/Lois era a mulher forte o bastante para estar ao seu lado nos momentos mais sombrios e difíceis.

Foi então que, lentamente, ela acordou e abriu os olhos. Ao vê-lo, ajeitou-se na cama enrolada nos lençóis, com um sorriso sedutor nos lábios. Zach/Clark também sorriu e pegando o copo com um drinque que havia preparado para ela e que estava sobre a mesa, caminhou em sua direção, entregando-lhe. Rita/Lois pegou o copo e o colocou na mesinha ao lado sem tomar qualquer gole, e sem desviar os olhos dos dele. Seu olhar denunciava fogo e paixão. Zach/Clark nada disse ou fez, e ela se levantou, fitando-o nos olhos, enquanto deslizava sua mão pelo seu peitoral coberto pela camisa sem mangas enquanto a outra segurava o lençol envolto do seu corpo.

Ele então se inclinou para beijá-la, e Rita/Lois retribuiu o gesto, com um beijo terno, envolvente e demorado, que o fez desejar tomá-la nos braços para amá-la novamente. Mas Rita/Lois desvencilhou-se gentilmente e sorriu um sorriso enigmático.

"Eu definitivamente o subestimei, garotão" revelou ela.

Zach/Clark sorriu e arqueou as sobrancelhas, enquanto Rita/Lois pegava o copo ao lado sem desviar os olhos dos dele e se afastava para caminhar pelo quarto em direção à janela, tomando a bebida.

"Por quanto tempo esteve me observando?" perguntou ela, olhando pela janela a lua cheia que brilhava alto ao céu.

"O tempo que esteve dormindo" respondeu ele.

"E o quanto foi isso?" devolveu ela.

"Uma hora mais ou menos" disse ele, imaginando se ela estaria preocupada com Jerry.

Rita/Lois nada disse e terminou a bebida de uma só vez, quando então estendeu a mão com o copo vazio para ele.

"Por que não me prepara um outro drinque?" pediu ela, sorrindo.

Zach/Clark sorriu e balançou a cabeça, enquanto se aproximava para pegar o copo, fitando-a nos olhos.

Nunca sabia o que esperar dela, embora soubesse exatamente o que queria com ela. Uma vez apaixonado por ela, pretendia viver uma vida inteira ao seu lado. Um futuro. Pois ela o havia arrebatado de tal forma que não podia mais imaginar viver sem ela, uma mulher determinada, que sempre o surpreenderia e o contagiaria com seu fogo e vivacidade, de modo a jamais permitir que ele esmorecesse com os fracassos e derrotas que a vida lhe proporcionaria nos seus embates.

Era como se sua vida tivesse sido repleta de sombras e dúvidas até o momento em que a viu pela primeira vez. Mas apesar de todas as certezas e os desejos que o consumiam, algo ainda o incomodava, e era justamente o fato de que aquilo que faziam era errado...

"E quanto a Jerry?" perguntou ele, enquanto caminhava calmamente até a cozinha.

Houve um silêncio, e Rita/Lois surgiu logo atrás dele, apenas enrolada nos lençóis.

"O quê tem ele?" perguntou ela, indiferente.

"O quê acha que seu marido vai fazer se descobrir?" devolveu Zach/Clark, entregando-lhe o copo com a bebida.

"Por quê pergunta isso?" perguntou ela.

"Como assim?"

"Pretende contar a ele?"

"O quê a faz pensar que eu faria uma coisa dessas?" devolveu ele, certo de que Rita/Lois estava novamente desviando o assunto, o que ela geralmente fazia quando o mesmo não era do seu agrado, algo que não o aborrecia, mas que o intrigava, e que só o fazia ter mais certeza de que ela era uma mulher fascinante.

"Não sei. Foi você que perguntou primeiro, garotão" disse ela, sorrindo.

"Bom, eu apenas imaginei o que poderia acontecer caso ele descobrisse" comentou ele.

"Nada. Ele não se importa" respondeu ela, olhando-o por cima do copo, enquanto se preparada para tomar um gole do drinque.

"Talvez ele não se importe porque não sabe" disse ele.

"Talvez. Não sei" disse ela, dando de ombros. "O fato dele ser trocado por um trompetista pode deixá-lo louco"

"Você quer dizer que... nós dois... é para valer?" perguntou Zach/Clark, não conseguindo evitar um pequeno sorriso no canto dos lábios.

"Eu não disse isso, farmboy" disse ela, sorrindo.

"Claro" devolveu ele, certo de que aquela era mais uma tentativa de Rita/Lois esconder seus sentimentos.

"Mas isso não quer dizer que ele é capaz de fazer coisa alguma" continuou ela, referindo-se a Jerry.

"Por que acha isso?"

"Ele é bom para levantar a mão contra pessoas mais fracas que ele" Rita/Lois então o fitou de cima a baixo com um olhar malicioso.

Foi então que Zach/Clark enrugou a testa, surpreso com a revelação.

"E você definitivamente não tem o que temer, pois poderia derrubá-lo com um único golpe" completou ela.

"O quê quer dizer com isso?" perguntou ele.

"Ora, com bíceps como esses, quem poderia com você?" comentou ela, sorrindo, enquanto deslizava a mão por seus músculos.

"Não foi isso que eu quis dizer..." disse Zach/Clark.

Sua preocupação de fato era outra. Sabia que Jerry era estúpido com Rita/Lois pelo que o viu fazer com ela após cada apresentação, e seu sangue ferveu ao imaginar a possibilidade de que ela poderia ser vítima de agressão após seu comentário de que Jerry somente levantaria a mão contra alguém mais fraco que ele. Tal pensamento o afligiu de tal forma que ele mal pode se conter:

"Ele alguma vez a machucou?" inquiriu.

Rita/Lois levantou os olhos para vê-lo, e sorriu um sorriso enigmático.

"Preocupado, farmboy?" indagou ela.

"Você acabou de dizer que ele é agressivo e não quer que eu fique preocupado?" devolveu ele.

"Esquece o que eu disse" pediu ela, dando-lhe as costas e voltando para o quarto. "Além do mais, não sou esse tipo de mulher"

"Como assim?" indagou ele, indo atrás dela.

"Sei perfeitamente me defender" disse ela, subitamente, virando-se para vê-lo nos olhos.

"Bom, disso eu não tenho dúvidas, mas..."

"Não preciso de um herói" interrompeu ela.

Zach/Clark balançou a cabeça, confuso, como se tudo aquilo não fizesse muito sentido. E embora acreditasse que Rita/Lois sabia exatamente como se defender, ainda preocupado, não conseguia imaginar o que alguém como ela fazia com um sujeito como Jerry, quando então, intrigado, decidiu arriscar:

"Por que casou com ele?"

Rita/Lois sorriu, enquanto se aproximava novamente da cama para depositar o copo com a bebida ao lado.

"O quê o faz pensar que pode explorar esse terreno, garotão?"

"Só acho que você merece coisa melhor" comentou ele, com firmeza.

Rita/Lois sorriu.

"Como você?"

Zach/Cark sorriu e nada disse. Não era necessário. Aquilo era exatamente o que ele queria dizer.

"Meu pai é um sujeito muito rígido e autoritário..." revelou ela, e virando-se para vê-lo, continuou: "Mesmo com a morte da minha mãe, nunca nos demos muito bem. Ao longo dos anos, sempre fiz coisas para irritá-lo" disse, e com um pequeno sorriso triste, completou: "Casar com Jerry definitivamente foi uma delas"

Zach/Clark suspirou.

"Isso não significa que não possa deixá-lo para começar uma vida nova" disse ele, imaginando que poderia fazer parte disso.

"Não pode estar falando sério" disse ela, enrugando a testa como se ele tivesse dito um absurdo. "Talvez não conheça Jerry tão bem como pensa. Sua fama o precede. Ele jamais permitiria ser deixado, enganado ou traído. Ele simplesmente viria atrás de mim e nunca me deixaria em paz, a menos que estivesse morto"

Zach/Clark arqueou as sobrancelhas, surpreso com o comentário. Certo, no entanto, de que ela apenas exagerava, sorriu um sorriso amargo e Rita/Lois se aproximou dele.

Gentilmente, ela levantou os braços e o abraçou, beijando-o nas faces e depois dos lábios. Zach/Clark retribuiu o gesto, abraçando-a pela cintura enquanto sentia novamente o sabor dos lábios quentes e macios de Rita/Lois contra os seus. Ela o desvencilhou com um sorriso e disse, maliciosamente:

"É cedo. Por que não nos deitamos mais um pouco?"

Zach/Clark sorriu, e sem desviar os olhos dos dela, tomou-a nos braços e a levou novamente para a cama, cobrindo-a de beijos.

Continua...