"Como foi a viagem querida?"

"Óptima mãe, adorei a cidade. Eu e a Spencer divertimo-nos muito." Diz a Aria colocando a roupa que tinha comprado para lavar juntamente com a roupa usada.

"Estou a ver que foi animado. Eu e o John vamos sair, ficas bem sozinha?" A mãe pergunta.

Domingo à noite sozinha era algo que ela não se importava nem um pouco. "Tudo bem, vou ver um filme e pedir uma pizza."

"Sim tudo bem, até logo ou até amanhã querida." Ela diz saindo.

"Até amanhã." Ela disse. Quando ouviu a porta da frente bater entrou no duche e saiu cerca de 15 minutos depois, para se vestir e pedir a pizza. Ela ainda estava a ponderar a noite de cinema ou a noite de escrita. Ela sentia-se inspirada para escrever depois de uma viagem tão incrível. Por qualquer razão enquanto ela arrumava novamente a maquilhagem na gaveta pensou no rapaz solitário e na forma como ela o abordou. Um sentimento de arrependimento cresceu nela, se fosse naquele momento ela nunca o teria chamado tarado. Tinha sido uma coincidência vê-lo uma segunda vez, mas ele pareceu tão confuso como ela.

Em Rosewood

"Estou a ver que te divertiste em Nova Iorque." O pai sorri para o Ezra.

"Foi incrível!" O Ezra sorri. Ele passou muito tempo sozinho pela cidade, o Hardy acabou bêbedo e com uma menina.

O pai dele entra mais no quarto. O Ezra estava a separar a roupa usada para lavar e a arrumar a restante.

"Existe algo que eu te quero dizer." O Ezra olhou para o pai. Ele sentou-se na cadeira da secretária e olhou para o filho. "É algo que eu devia ter dito há mais tempo."

"O que é?"

"Sobre a tua irmã e a tua mãe."

O coração do Ezra palpitou, mas voltou ao normal novamente. "O que tem?" O Ezra perguntou com cuidado. "Elas estiveram aqui quando estive fora? Diz-me que não foi isso…"

"Não… não foi isso." O pai dele disse antes de tirar um papel do bolso da camisa. "A tua mãe mandou-me o endereço e o contacto cada vez que se mudaram. A Ella dizia que não voltaria, mas que não nos devíamos perder porque fomos uma família e tu sempre podias querer ir vê-la algum dia."

"E só me estás a dizer isso agora?" O Ezra não podia acreditar.

"Eu tive medo que… fugisses à procura delas e que fosse uma desilusão."

"Tu sabias que eu queria ver pelo menos a Aria outra vez… a mãe não teve desculpa para trair, mas a Aria não fez nada." O Ezra estava triste.

"Eu sei… eu acho que deves ir." Diz o pai dele dando-lhe o papel.

O Ezra olhou para ele. "Califórnia?"

O pai dele concordou. "Aproveita esta pausa de férias de Páscoa e vai. Eu ofereço a viagem."

"Não posso… eu apenas tirei o fim de semana… tenho de estudar…"

O pai parou-o. "Podes estudar noutra altura, podes repetir os exames mais tarde. Está na hora de pensares em ti, o que o teu coração quer? Ficares para os exames ou ver a tua mãe e a tua irmã outra vez? Ainda podes voltar mais cedo e estudar ou estudar na viagem." O pai dele diz.

Para o Ezra a escolha era clara. "Isto é a sério?"

O pai dele concordou. "Está na hora de viveres Ezra… se preferires ficar com elas tudo bem."

"Eu não te vou deixar pai, mas eu sinto falta dela."

O pai dele concordou. "Faz as malas novamente, tens um voo amanhã."


O taxista deixou-o à porta de uma casa agradável, a relva estava perfeitamente aparada e um carro na entrada para a garagem... isso devia querer dizer que alguém estava em casa. O Ezra olhou em volta para analisar a vizinhança, mas na verdade ele estava nervoso para avançar. O táxi já ia no final da rua larga e tranquila.

Ele avançou pela rampa de acesso e tentou ficar calmo. Era provável que pelo menos a irmã estivesse em casa, já que também seria o período de férias dela. Antes que ele mesmo comandasse o som da campainha foi ouvido de dentro e quase fez com que o Ezra desatasse a correr para não ser visto, mas os pés estavam presos ao chão.

A Aria ouviu a campainha e foi até à porta, o padrasto estava a trabalhar e a mãe tinha saído para compras. Ela olhou para o relógio… parecia cedo para ser a mãe, a Ella sempre gostou de analisar meticulosamente todos os produtos do supermercado como se nunca os tivesse visto antes. Mesmo assim ela avançou e abriu a porta, ela olhou para o rapaz do outro lado da porta reconhecendo-o quase imediatamente. Era o rapaz de Nova Iorque. Ela sentiu-se em perigo e fechou imediatamente a porta trancando-a. Ela correu pela sala fechando as janelas e cortinas, pensando que só podia ser um sonho. Um estranho estava atrás dela… o mesmo estranho que ela viu noutra cidade… o mesmo estranho que ela sentiu pena… o mesmo estranho que de certeza era um tarado perigoso nesse momento. Ela tentou não hiperventilar e espreitou sorrateiramente pela cortina ao lado da porta. Ele ainda estava lá.

O Ezra só podia estar a imaginar coisas… ele viu… não podia ser… era impossível. Ele ficou parado na porta atordoado. Ele cerrou a mão e bateu na porta. "Vai embora ou vou chamar a polícia!" Ele ouviu a sua voz do interior. Ela estava sozinha… mas ele tinha uma ideia.

A Aria pegou o telemóvel e começou a digitar o número da emergência. "Aria és tu?" Ela ouviu o rapaz do exterior.

Ela parou os seus actos e olhou para a porta com se o conseguisse ver para lá dela. "Como sabes o meu nome?" Ela perguntou. A cabeça dela chamou-a estúpida. Claro que ele sabia o nome dela… provavelmente descobriu as suas redes sociais… mas onde ele conseguiu a morada? Ela não o viu no mesmo avião que ela… nem sentiu ser seguida e ele podia simplesmente ter invadido a casa ontem à noite… ela ficou sozinha.

Ela viu algo passar por baixo da porta, ela aproximou-se devagar e pegou a foto. Ela reconhecia a foto, havia uma igual num álbum de fotos da mãe… era ela, a mãe, o pai e o irmão. Todos com um sorriso. Ela sorriu quando se vê ser abraçada pelo irmão. Ezra… ela olhou para a chave na porta e destrancou, mas não abriu. Ela tinha medo que não fosse real… que se abrisse ninguém estivesse lá. Ela tomou um fôlego e abriu lentamente a porta.

O par de olhos azuis estavam nos dela. "Ezra?" Ela diz num sussurro. Ela precisava da confirmação.

Ele concordou. Ela estava tão chocada e feliz ao mesmo tempo. "Meu Deus…" Ela diz no mesmo momento em que abriu a porta e o abraçou com força. Não tardou para os braços dele a envolverem, ela sentiu-se em casa e segura. Ela sentiu que podia chorar a qualquer momento, mas tentou esconder esse sentimento.

Ela afastou-se então e olhou para ele. Era tão estranho ver o irmão ao final de tanto tempo. Ela sempre desejou estar perto dele… mas agora que ele estava ali pareceu estranho… ele era um estranho. Um estranho que ela já tinha um amor incondicional sem conhecer.


Espero que estejam a gostar. Beijos e até ao próximo capítulo!