Pra quem está acompanhando – se é que alguém está acompanhando, hihihi – ME PERDOEM. Tô com um milhão de matérias da faculdade e não tá fácil. Hahaha. Mas taí. XOXO :*
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ROUGE ET GRIS
Miss BlueBird
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IV. A Penseira de Draco Malfoy
Acordei com o ruído de passos. Abri os olhos para encontrar uma moça com um sorriso simpático, e um chapeuzinho ridículo, branco, com uma cruz vermelha. Ele contratou uma enfermeira? Ele contratou uma ENFERMEIRA? Como se a situação não pudesse ficar mais patética.
- Que bom que acordou, Srta. Weasley. – Ela disse, e sua voz era extremamente aguda e igualmente irritante. – Como se sente?
Ergui o corpo na cama. – Melhor. Obrigada. Por quanto tempo eu dormi?
- Já está anoitecendo.
- O quê? Onde está Malfoy? – perguntei, quase por reflexo. Ela abriu um sorrisinho, e eu corei. Maldito sangue Weasley.
- Ele teve que sair. Mas me pediu para tranquilizá-la, ele estará de volta a tempo para levá-la para seu apartamento. – ela conferiu o relógio. – Na realidade, ele já deve estar chegando...
Ótimo. Eu não aguentava mais aquela situação. Não aguentava mais a presença perturbante de Draco Malfoy. Precisava ir pra casa, precisava esquecer aquela merda toda – muito embora eu não conseguisse tirar da cabeça a cena de uma mulher ruiva jogada na neve, com as roupas sujas e rasgadas, e quem diabos era aquele garoto? Tentei não pensar no que poderia ter acontecido caso Malfoy não tivesse me encontrado. Eu deveria me sentir grata a ele? Eu não sabia o que sentir, mas não conseguia evitar sentir raiva. De Malfoy, do garoto, daquele apartamento ridiculamente fora da minha realidade de pobreza absoluta, e da enfermeira idiota. Principalmente da enfermeira idiota. Senti vontade de mandá-la parar de sorrir.
E era natal. E eu não tinha ninguém.
Estava completamente só.
Caí no choro, para desespero da enfermeira, que arregalou os olhos e segurou meu ombro com uma das mãos, numa tentativa desesperada de me consolar. Na verdade, o que me consolou foi finalmente ver que o sorrisinho tinha desaparecido da cara dela. Comecei a rir disso e ela arregalou os olhos mais ainda. Ótimo, agora ela pensa que você é louca.
- Srta. Weasley...?
- Por favor, me deixe sozinha.
Ela obedeceu, muito prontamente, e provavelmente muito aliviada. Quando saiu porta afora, eu me vi sozinha novamente com as paredes do quarto. Limpei as lágrimas com violência e me levantei da cama. Entrei no banheiro. O reflexo que me encarou, dessa vez, não parecia tão moribundo. Muito embora meus olhos estivessem bem vermelhos, meu rosto estava menos pálido. Ergui meu cardigan com cuidado. Todos os hematomas haviam desaparecido. Malfoy provavelmente fizera algum feitiço pra curá-los. Não pude evitar sentir gratidão. O que mais ele teria feito por você?
Afastei Malfoy dos meus pensamentos, saí do banheiro e atravessei o quarto, rumo ao corredor. Estava prestes a ir embora daquele apartamento e me esquecer daquele dia para sempre, mas algo me impediu.
Olhei para trás, e no final do corredor havia uma luz azulada brilhando abaixo da porta. Estreitei os olhos e, antes que eu pudesse evitar, já estava dentro do cômodo, encarando uma penseira de pedra.
A penseira de Draco Malfoy.
Não pensei nem meia vez antes de enfiar minha cabeça lá dentro.
- Pare de chorar, Draco. – ordenou a voz de Lucius Malfoy, repentinamente, em meio ao cenário esfumaçado que ainda se formava ao meu redor. Eu podia ouvi-lo respirar, mas eu não via seu rosto, porque ele estava de costas para mim, ajoelhado. Os soluços de uma criança enchiam o ar. – Pare de chorar, agora!
O silêncio que se seguiu era tão pesado que eu quase poderia cortá-lo com uma faca. Rodeei o patriarca Malfoy, para ter uma visão maior da cena, e o que eu vi quase me fez perder o equilíbrio. Levei ambas as mãos até a boca, horrorizada – Draco estava dentro de uma banheira, mergulhado até o pescoço na água, que estava cheia de pedras de gelo. Ele tremia descontroladamente, e seus lábios estavam roxos, mas ele não chorava mais.
Ele não parecia ter mais que cinco anos de idade.
A memória se dissolveu, e de repente eu estava em um campo. Estava escuro, e a única coisa que eu enxerguei foi um feixe de luz verde, a alguns metros de distância. Senti meu estômago despencar quando um segundo feixe de luz apareceu. Corri até o local, enquanto um berro de dor e desespero cortava o ar. Quando cheguei, alguém aparatou, e Malfoy estava agachado entre os corpos sem vida dos próprios pais.
O campo escureceu, e lentamente me vi rodeada por paredes de pedra. Uma respiração próxima me chamou a atenção. Virei o corpo, para dar de cara com um Draco Malfoy de uns treze anos, pendurado pelos pulsos por correntes de ferro. Ele estava completamente nu, desacordado, e um filete de sangue escorria de seu nariz, contornava os lábios e seguia queixo abaixo por seu pescoço, rumo ao tronco.
Depois dessa cena, não consegui mais ficar dentro das memórias de Draco Malfoy. Forcei meu corpo pra fora, absolutamente horrorizada. Sequei minha bochecha coberta de lágrimas que eu nem percebera que tinham caído, tentando acalmar meu coração que batia com muita força. Ao lado da penseira, estava um porta-retratos que eu, obviamente, apanhei para ver de perto. Era uma foto de família. Lucius e Narcissa seguravam cada um num ombro de um Draco Malfoy de uns quinze anos. O ar pomposo era exatamente igual o do pai.
Senti uma pontada de dor no coração. Malfoy perdera toda sua família, assim como eu. Mas sua família era... Não era como a minha. Fechei os olhos, tentando segurar as lágrimas. As lembranças vieram com violência. Os gritos de mamãe ainda ecoavam em meus pensamentos, em noites frias demais.
- O que está fazendo aqui? – perguntou Malfoy, com raiva, e eu me sobressaltei, soltando o porta-retratos, que se espatifou no chão. Olhei a foto coberta por cacos, antes de me virar para observar a figura lívida de Malfoy, que se aproximava a passos largos. – Em que você mexeu?
- E-eu...
- EM QUE VOCÊ MEXEU? – ele gritou, agarrando meu braço com muita força. Observei seu rosto pálido, contraído pela fúria. Cada centímetro do meu corpo estava paralisado pelo medo.
- Malfoy... Em nada! Não mexi em nada! – exclamei, horrorizada. Ele ficou me encarando por alguns segundos, e parecia prestes a me jogar na parede oposta, mas simplesmente me largou, a expressão se suavizando.
Ele passou as duas mãos pelos cabelos, e virou de costas para mim. Depois de alguns segundos, apanhou a varinha. Eu deixei escapar um grito, mas ele simplesmente refez o porta-retratos e o enfiou dentro de uma gaveta. – Que merda, Weasley! – guinchou, virando-se novamente. A raiva parecia ter voltado. Levei ambas as mãos à boca, e uma lágrima escapou. – O que você viu? – Ele perguntou, e ficou parado, me olhando, o rosto lívido, a varinha apertada com tanta força que os nódulos de seus dedos começavam a ficar brancos. Foi nesse momento que eu tive certeza. Ele vai me matar.
- M-Malfoy... – supliquei, e não pude mais controlar o choro. – V-Vi você numa banheira... De gelo... E seus pais... E o c-calabouço... M-Malfoy... Sinto muito... – Ele fechou os olhos, e respirou muito fundo. Três vezes, quase como uma maldição. Quando voltou a abrir os olhos, sua expressão era diferente. Ele se aproximou de mim e me beijou, com força. Todas as moléculas do meu corpo gritaram para que eu o empurrasse e saísse correndo dali, mas eu simplesmente o beijei de volta, debulhando-me em lágrimas.
O beijo se intensificou, muito rápido. Malfoy me empurrou contra a mesa, sem cerimônias. Eu deixei escapar um gemido quando ele passou a beijar meu pescoço. Seus lábios eram frios, mas os beijos eram quentes. Senti uma fisgada no baixo-ventre quando ele agarrou minhas coxas com firmeza e as envolveu em seu quadril. Ele gemeu, a voz rouca e uns tons mais grave, interrompendo os beijos por alguns segundos. Seus olhos gelados estavam cheios de fogo, e parecia querer dizer alguma coisa. Eu sabia perfeitamente que aquilo ali não terminaria bem, mas me senti cheia de coragem.
- Cale a boca, Malfoy. – ordenei, e voltei a beijá-lo. Ele arqueou as sobrancelhas e soltou um gemido rouco quando eu agarrei seus quadris com as duas mãos, forçando o corpo dele contra o meu. Eu sentia arrepios muito intensos percorrendo meu corpo, e a excitação de Malfoy começava a ficar muito nítida.
Ele baixou as calças enquanto eu retirava as minhas, com certa dificuldade, entre beijos e carícias desesperadas. Com um movimento brusco, ele arrancou minha calcinha. Soltei um gemido alto quando ele me penetrou ali mesmo, em cima da mesa. Após algumas estocadas violentas, gozamos juntos, e nossos berros provavelmente acordaram o Plaza inteiro. Ele relaxou o corpo em cima do meu. Senti seu peso sobre mim, e num repente a absorvi a realidade do que acabara de acontecer.
Pensei na enfermeira. E naquele sorrisinho dela.
Que merda.
Que merda, que merda, que merda.
Que grande merda.
Você acabou de transar com Draco Malfoy.
Encarei as paredes, tentando não pensar no corpo de Malfoy em cima do meu. Estávamos ambos bastante ofegantes, e não pude evitar me entorpecer no cheio que vinha do corpo dele. Senti um puxão no estômago quando ele ergueu a cabeça e me encarou com aqueles dois olhos gelados e cheios de malícia, os cabelos bagunçados e as bochechas coradas. – Aposto que por essa você não esperava, Weasley. – ele zombou, se levantando com agilidade. Seu corpo era perfeito.
Um Deus nórdico.
Ele notou que eu o observava e abriu um sorrisinho meio de lado. Apanhou suas roupas no chão e as vestiu, com destreza, enquanto eu ainda erguia meu corpo com dificuldade da mesa. Sentia-me cansada, como se tivesse corrido uma maratona, e repentinamente muito, muito envergonhada. Abracei meu próprio corpo, numa tentativa inútil de tampar alguma coisa. Ele pareceu perceber isso, e apanhou minhas roupas. Estendeu-as, com uma expressão impassível.
- Você não está com raiva de mim? – perguntei, a voz falhando, apanhando as roupas estendidas. Vesti-me, o mais rápido que pude, enquanto ele tentava ajeitar os cabelos.
- Você não comeu nada o dia inteiro. – ele afirmou, simplesmente. Pisquei os olhos, algumas vezes. Como ele conseguia? – Vou pedir alguma coisa para comermos.
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Yessssssssss! Finalmente, um pouco de ação. *desmaia*
