Disclaimer: Nina, Ian, Paul e os outros personagens não são meus, se fossem eu não estaria escrevendo nada sobre eles. Com certeza meu tempo seria dedicado a mil coisas diferentes, menos escrever sobre a vida dos meus amigos, então. E como minha mãe me ensinou: Ninguém é propriedade de ninguém.
Beta: Já ouviram a famosa frase: Ninguém me ama, ninguém me quer? Eu estou dentro desses padrões.
Shipper: Ian Somerhalder e Nina Dobrev. Ian/OTP. Nina/OTP e afins.
Spoilers: Não que eu saiba.
Avisos: Palavrões e qualquer outra coisa que eu decida colocar. Caso seja importante eu aviso no início do capítulo.
Segundo: Essa fic vai ser uma experiência totalmente nova e diferente do que estou acostumada a escrever. Preparem-se pro angust e possíveis lágrimas por aqui, não vai ser tão fluffy como costumo ser. Quero testar meus limites.
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Capítulo IV: Capri.
Nina nunca fora mentirosa ou gostava de sustentar mentiras, mas nesse caso era para um bem maior. Ajeitou os óculos escuros em seu rosto e tentou parecer o mais normal possível, ignorando o medo inflamado em suas veias. Não era uma das tarefas mais absurdas já que no dia a dia a morena parecia apenas uma mulher normal, com suas roupas simples e dona de uma beleza calma.
Abriu uma porta de vidro onde tinha uma placa prateada escrito sala de espera. Sentou-se e resolveu ligar para o medico e dizer que estava aguardando.
Alguns minutos depois um homem por volta de seus trinta e cinco anos, bronzeado de sol e cabelos longos demais pra um médico cumprimentou Nina com um sorriso profissional:
- Boa tarde... – Ele disse como quem espera que você diga seu nome, não obtendo resposta prosseguiu. – Eu sou Christian Jones como deve saber.
- Você parece bem diferente da foto que vi. – Nina comentou sem saber exatamente o porquê.
Christian riu e indicou o caminho de seu consultório de atendimento.
- Cabelo grande demais pra um médico, não? A foto de propaganda foi tirada há alguns meses. – Assim que ambos se acomodaram em suas cadeiras: - Em que posso ajudá-la?
A atriz pensou por alguns instantes e não considerava aquilo uma total loucura, ela precisaria se consultar com alguém e de preferência um médico neutro fora do seu circuito de clinicas privadas super caras.
- Eu sou Nina. – Levantou os óculos do rosto. – Não sei se me conhece, mas preciso contar com o seu sigilo do paciente para o médico como lhe disse ao telefone. Ontem eu fiz um teste de farmácia que afirmou uma gravidez, da qual ninguém pode sonhar que seja verdade no momento.
O medico ficou um tempo calado, provavelmente tentando lembrar de seu rosto e associar à algum filme ou fofoca.
- Desculpe Nina, mas não estou me lembrando. Quer dizer seu rosto não me é estranho.
Ela sorriu:
- Nina Dobrev.
Uma lâmpada se acendeu na cabeça do médico.
- A garota do seriado sobre vampiros, certo? Minhas sobrinhas assistem. – Ela confirmou com um aceno de cabeça: - Voltando a consulta, você quer um exame de sangue pra ter a confirmação?
- Sim, mas é muito importante que ninguém saiba que estive aqui hoje. Se tivermos essa confirmação o pai do meu filho não deve saber. É por isso que tomei tanto cuidado ao vir aqui, sempre tem alguém que vê demais.
Christian deu mais um de seus sorrisos profissionais:
- Pode contar com meu sigilo. Vamos tirar seu sangue? – Nina fez uma careta de desgosto. Não era a maior de ser picada por uma agulha. – Prometo que no final te dou um docinho.
Infelizmente Nina não continuaria morando no Canadá para ser acompanhada por esse medico tão simpático. Adorou cada momento daquele exame que mudaria sua vida pra sempre, pois mesmo que fizesse o exame de sangue já havia a confirmação dentro de si.
She's got a baby inside
And holds her belly tight
All through the night
Just so she knows
She's sleeping so
Safely to keep
Her growing
O caminho até a locadora de carros fora tranqüila. Chegou em casa com uma ruga entre as sobrancelhas, pensando em alguma estratégia de convencer ao mundo de que aquele filho era de um desconhecido não era nada fácil. Estava vivendo há poucos anos em Hollywood, mas chegou a conclusão de que dissimular e fingir coisas sobre sua vida pessoal não era o forte.
Estava ficando cansada do isolamento e sua casa vazia, apenas com os animais de estimação lhe fazendo companhia. Resolveu ligar para seu irmão e pedir companhia para o cinema. O dia estava com poucas nuvens e um sol aconchegante.
Nicholas atendeu o telefone animado e umas duas horas depois o som do interfone a despertou de seus devaneios.
- Oi irmã! – Ele a abraçou apertado, quase a esmagando. – Estava fazendo retiro espiritual? – Nina era uma pessoa bem ligada em assuntos como yoga e tudo mais. Não seria surpresa.
Ela sorriu verdadeiramente feliz por ver alguém, já estava ficando depressivo demais passar tanto tempo sozinha.
- Precisava de um tempo sozinha. Recuperar as energias.
Nicholas a olhou por um breve segundo. Sabia exatamente a que Nina se referia, só não gostaria de perguntar e fazer a irmã sofrer com lembranças ruins.
- Você está bem? – O ótimo de uma pessoa te conhecer é que quando pergunta se está tudo okay, ela realmente se interessa pela verdade.
A morena sorriu:
- Não muito, mas vai ficar. Em breve!
- Então vamos ver que filme? Estava pensando em ver aquele: Feras do asfalto – O início.
- Não, eu quero ver o novo filme do Johnny Depp. E sem reclamações Nick. Quer conhecer a casa ou fazemos isso na volta? – O irmão fez um sinal negativo com a cabeça. – Então vamos porque quero comer uma pipoca gigante e tomar milk shake.
- E sua dieta, pra onde vai? – Ele perguntou enquanto abria a porta de seu carro, que estava estacionado em frente a casa de Nina.
- Para a pipoca e o milk shake. Tem falado com a mamãe?
- Sabe como é difícil encontrá-la com o celular ligado, mas essa semana eu consegui. Falou que a Austrália é incrível e que vai incluir no tour da empresa. Legal né?
- Ela me deixou um reply no twitter. Estou morrendo de saudades dela, preciso encontrá-la – A atriz entrou no carro respirando o perfume vagamente familiar, estava quase esquecendo como era estar em casa.
Nicholas a encarou assim que subira no carro. Conhecia a irmã melhor do que qualquer outra pessoa, talvez só não ganhasse da mãe. Achou que elas estivessem precisando de uma conversa só de mulheres.
Não que a irmã tivesse algum problema de contar coisas para ele. Nunca tiveram esse tipo de impedimento. Bons amigos e confidentes. Só escondiam os detalhes sórdidos porque ambos não teriam estômago para ouvir tais coisas.
- Você quer conversar? – O irmão perguntou engrenando o carro, fingindo não dar muita importância ao assunto. Nina definitivamente não funcionava sob pressão.
- Daqui uns dias. – Então ela começou a remexer nas músicas de seu carro.
Nicholas agora sim estava feliz de vê-la tendo um tempo para si e cuidando de alguém muito importante. Ela mesma. E não desperdiçando seus dias com alguém que vivia tão alto que poderia alcançar o céu. Literalmente falando.
Ian a princípio era um cara legal, fazia sua irmã feliz, foram morar juntos e o relacionamento fluía. Era bem sério e como um bom irmão precaveu sua irmã para tomar cuidado com sentimentos muito fortes. Com a mesma intensidade que pode te fazer feliz, eles podem simplesmente te destruir. Não que ele tenha usado essas palavras.
Nina era uma garota bem tranqüila, teve seus romances no colégio e conheceu alguns caras pelas estradas da vida, lembrava-se bem de que o primeiro relacionamento sério mesmo era com seu colega de série em Degrassi.
Antes mesmo da série terminar, os caminhos se desencontraram e preferiram ficar só na amizade. Mas com Ian era muito diferente. A diferença de idade. A diferença de mundo sempre fora uma de suas preocupações.
Ian era um cara bonito e vivia no mundo do entretenimento bem mais tempo que sua irmã. O problema? A quantidade de mulheres que se curvam aos seus pés por isso, os 'amigos' que fariam de tudo pra te desencaminhar.
No fim todas as suas preocupações estavam mais do que corretas e sua irmã sofreu um inferno pelo cara. Sua vontade imediata era partir a cara dele ou arrancar-lhe uns dois dentes, mas quem disse que Nina deixou?
- Eu vou começar a gravar em duas semanas. Aquele filme que eu comentei, tive de adiantar o processo e vou assinar o contrato essa semana.
- Quanto tempo vai durar as gravações? – Nick perguntou enquanto percorria as ruas tranqüilas de Toronto, olhando vez ou outra para o GPS ao lado do painel.
- Acho que três meses serão o suficiente. – Nina parecia alheia de fato à conversa. Estava pensando em algum assunto importante? – Eu espero.
O irmão ficou calado por um tempo refletindo se perguntava ou não.
Decidiu que seria bom esperar mais um tempo.
O restante da noite foi uma digna diversão entre irmãos indo ao cinema, Nina comendo como alguém que passou fome vários dias e até pararam numa sala de jogos.
Nina perdeu no basquete umas duas vezes e reclamou da injustiça de ser mais baixa e ganhou no jogo de acertar o maior numero de argolas.
Não lhe rendeu um bom brinde da loja de trocas, mas foi divertido ter um tempo com sua irmã sendo uma mulher normal. Algumas pessoas provavelmente a reconheceram e até acenaram, mas no Canadá os fãs não costumam se aproximar.
Ficou feliz por ser assim.
Nick levou a irmã pra casa e resolveu ir embora. Sua noiva tinha ligado pedindo pra que voltasse logo para acertarem algumas coisas para o casamento. Estava previsto para o final do ano se tudo corresse bem.
Prometeu que voltaria no dia seguinte visitar Nina.
Nina ficou imensamente feliz de sair da bolha onde se enfiara por conta de tantos problemas e sentou-se em seu sofá. Não estava com fome ou com vontade de subir para dormir.
Resolveu ligar para Michael que havia deixado uma mensagem na caixa postal pedindo pra retornar assim que pudesse e dizer como estava. Ela estava enrolando porque toda vez que falava com Michael era como ter os segredos fugindo de sua boca sem esforço.
Ele não precisava de nada para fazê-la falar.
Quando Nina estava preste a desistir após três toques, ele atendera com a voz animada.
- Oi pequena, achei que estivesse fugindo do mundo. Como está?
Bem que ela queria, morar numa cabana perto de uma estação de esqui que ninguém a conhecesse.
- Você me disse que mesmo indo para os Alpes Suíços não resolveria meus problemas. Talvez esteja certo. E você como está? Trabalhando muito?
Michael riu:
- Eu estou sempre certo. Agora parei porque estão filmando outra cena. O pessoal é legal e a Amanda é uma ótima atriz. – Nina poderia escutar ao fundo a gritaria comum de um set de gravações.
- Amanda é sua co-star, certo? – Mike murmurou algo em concordância. – Estou sentindo cheiro de romance no ar?
- Não, mas ela parece ser uma boa amiga. Você sabe que sei muito bem separar minhas amizades de algo mais. A paz está reinando em seu castelo?
Infelizmente a lembrava de Ian visitando sua casa a atingiu em cheio.
- Agora sim, mas o vilão reapareceu no castelo e meus soldados o colocaram pra fora.
- Ele é um idiota e não merece você. Quando volta pra Nova Iorque já que decidiu parar de fugir. – Mike era sempre agradável com ela independente se estivessem há quilômetros de distância.
- Eu aceitei fazer aquele suspense, mas não sei onde exatamente começam as gravações. Acho que vão começar um pouco antes ou depois da convenção. Estou com saudades de você cookie monster.
- Também estou. Preciso ir, vou trocar de roupa. Tchau.
Nina desligou o telefone e pensou na cara que Michael faria quando contasse a novidade e qual seu grande plano. Com certeza ele não aprovaria.
Seu celular apitou e pensou ser outra mensagem da operadora avisando algum numero havia ligado enquanto estava no cinema. Enganou-se era Sara com suas frases filosóficas.
Há males que acontecem em nossa vida como uma bomba, mas na intenção de escavar valiosos tesouros.
Com amor, Sara.
Sara tinha o dom da clarividência?
N¹: A música desse capítulo é Capri da Colbie – alguém já deve ter notado minha fascinação por ela. Achei que encaixa perfeitamente com o momento e nunca pensei que fosse encontrar algo assim. A música é muito linda e especial.
N²: Esse capítulo foi mais voltado na Nina que se encontra em um ponto importante da fic. Sabemos que ela e o Ian não estão juntos, mas nem por isso excluirei ele da fic. Teremos Ian's Pov também.
