Passou-se mais uma semana, e apesar de Harry estar um pouco mais acostumado com a ausência de Draco, as palavras de Scorpius ainda martelavam em sua cabeça. Sabia que não devia preocupar-se, que ele não merecia sua preocupação. Magoava-se até hoje quando ele se lembrava do descaso do loiro quando Harry quase morrera em uma busca por um estuprador em série. Matava todas as vítimas. Agiu por meses sem ser descoberto, até cometer um deslize. Deixou de certificar-se de que a vítima estava realmente morta. Acharam-na pouco tempo depois, muito mal, mas ainda com vida. Depois de recuperada, ela descreveu o sujeito, e depois de alguns dias acharam o infeliz. Ele era perspicaz e terrivelmente bom em feitiços, conseguiu despistá-los por duas vezes. Na terceira o encontraram em uma praia no interior da Irlanda. Desapareceu da beira da praia, e em segundos apareceu atrás de Harry, esfaqueando-o seguidamente. Ron apareceu rapidamente devido a seus gritos, mas o bruxo já havia fugido. Ron lançou alguns feitiços em Harry, o que lhe possibilitou chegar ao hospital ainda vivo. Os médicos trouxas disseram que ele não ter morrido foi um milagre devido ao número de facadas que levara, alguns o olhavam como se ele fosse o Wolverine, um personagem de uma série de quadrinhos trouxa, que tinha o poder de se regenerar. Na verdade Harry devia a vida a seu melhor amigo, que até hoje detestava qualquer menção ao episódio. Por mais estranho que parecesse, o tal bruxo fora encontrado morto um mês depois, naquela mesma praia onde quase o matara. Nunca descobriram o assassino, e Harry duvidava que alguém tivesse feito muito esforço para isso. Ele não fizera. E em todo o tempo de recuperação Draco não o procurara, nem se comunicara, nem sequer se dera ao trabalho de mostrar de que de algum modo ele se preocupava. Essa fora uma das vezes que Harry decidira colocar um ponto final na história deles, em vão. Duas semanas depois de estar completamente recuperado já estava na cama com o maldito novamente. Fazia quatro anos desde que isso ocorrera e o ressentimento ainda era palpável. Mas independente disso, do modo como o loiro o tratava, ele não conseguia ser indiferente. Já se resignara com o fato de Draco estar cravado em si, como uma doença sanguínea sem cura.
O que devia estar acontecendo para ele estar bebendo tanto? Não podia ser por estar sentindo sua falta... Não poderia ter esperanças tolas, já sofrera demais esperando pelo que nunca viria.
- Papai, acorde pra vida, estou falando com você ! – Lily exclamou, tirando-o de seu devaneio.
- Oi?
- Você nem sequer se arrumou pra ir á festa, papai ! – ela reclamou, referindo-se ao aniversário de Hugo.
- Mas eu já estou pronto faz meia hora, só estou esperando você e sua mãe...
- O quê? – ela exclamou indignada – Você vai com essa coisa horrorosa?
Harry analisou sua calça jeans, que era de um tom bege que Ginny descrevia como 'cor de burro quando foge', sua camisa branca e seu terno cinza. Não viu nada de errado.
- Eu acho que estou muito bem... – murmurou entediado.
- Pelo amor de Deus, esse terno deve ser uns três números maiores que você, papai ! E mamãe já deveria ter queimado essa calça faz tempo, é um atentado ao bom gosto !
- Lily... – resmungou impaciente.
- Vá se trocar, por favor ! – ordenou já o puxando pela mão, fazendo com que se levantasse – Peça ajuda a mamãe... – e foi empurrando-o até a escada – Devia pedir ajuda todas as vezes que fosse sair de casa... – ela resmungou baixinho, e Harry sorriu.
Suspirou e subiu até o quarto, onde Ginny ainda olhava indecisa para três vestidos que estavam em cima da cama.
- Não sei qual usar, talvez você possa me ajudar, querido... – ela disse, com um sorriso leve.
Harry analisou-os. Um era vermelho e batia até um pouco acima dos joelhos, e tinha uma manga só. Outro era preto e simples, mas um pouco curto demais para a festa de aniversário de um sobrinho. O terceiro era dourado e tinha tanto brilho que era de doer às vistas.
- Definitivamente o vermelho. Prenda os cabelos... – sussurrou com carinho e aproximou-se da esposa, beijando-lhe o rosto com suavidade.
- Será?
- Veja... – ele murmurou, e postou-se atrás dela, levantando-lhe os cabelos – Veja como sua pele faz um belo contraste com o vestido... Se seus cabelos estivessem soltos, não haveria o contraste.
E dizendo isso, passou os dedos lentamente pela curva graciosa de seu pescoço, e desceu os lábios, raspando os lábios e a língua com suavidade. Sentiu-a estremecer, e interiormente estremeceu também. Tocou-a espontaneamente, sem pensar em fazê-lo. Estava com vontade de senti-la, e somente ela, como há tempos não sentia vontade.
Desceu as mãos pelos ombros delicados e pousou-as nos seios, apertando-os sem força. Ela soltou um gemido baixo e virou-se para ele, envolveu seu pescoço com os braços e o beijou com sofreguidão.
Harry esfregou-se contra ela, e apertou-a fortemente, sentindo os seios macios em seu peito.
Caíram sobre a cama, e Ginny se deitou sobre ele, tirando- lhe o paletó e a camisa com urgência. Ele abriu o roupão que ela estava usando e jogou-o para longe. A esposa voltou a beijá-lo com volúpia, ao mesmo tempo em que o tocava com uma mão.
Harry fechou os olhos e permitiu-se sentir. E esse foi o problema. Draco lhe veio á mente, e os carinhos delicados não faziam jus á brutalidade do outro, que sempre o fazia chegar a orgasmos espetaculares. Gemeu, talvez da dor que o subjugou ao constatar que até seu corpo estava viciado naquilo. Era como um sado masoquista, que precisava da dor acompanhada do prazer. Sentindo-se horrível, virou-se junto a ela e colocou-a de costas para ele.
Chupou-a para mostrar para si mesmo que aquela era sua mulher, que o amava. Mas acima de tudo para esquecer. Ela gemia e ele se perguntava se ia ser assim sempre, se o fantasma do desgraçado sempre apareceria para assombrá-lo quando estivesse com Ginny. Abriu a calça e baixou-a apenas o suficiente para que o pênis ficasse completamente para fora. Penetrou a esposa com brutalidade e passou a entrar e sair dela com força, sentindo-se um canalha. Tinha que esquecê-lo, tinha que esquecê-lo, tinha que esquecê-lo.
- Harry... Harry... HARRY ! – Ginny gritou com a voz falhada e Harry olhou como se houvesse despertado de um sonho. Ou pesadelo – Você... Você está me machucando... – ela sussurrou, olhando-o um pouco assustada.
Harry passou as mãos pelos cabelos e afastou-se da mulher, arfando.
- Me desculpe, eu...
- Você estava pensando em quem, Harry? – A ruiva olhou-o com frieza e o moreno tremeu.
- Ginny...
- Eu não sou burra, Harry... – ela suspirou e levantou-se, pegando o roupão amarrotado no chão - Vou voltar a me arrumar, se você puder me dar licença...
Harry engoliu em seco, vestiu a camisa e o paletó e saiu do quarto, fechando a porta suavemente. Então Ginny suspeitava que ele a traía? Nunca sequer lhe passara pela cabeça que ela pudesse desconfiar de algo... Mas como? Talvez por seu comportamento depressivo? Ou pelo fato de não transarem mais com tanta freqüência? De qualquer maneira, a conhecia o suficiente para saber que ela não deixaria aquela história barata. Era bom que deixassem essa conversa para depois, porque teria tempo para ensaiar o que dizer. Harry era um péssimo mentiroso, mal conseguia acreditar que Ginny engolia certas desculpas que dava quando ia se encontrar com Draco.
- Pai, e mamãe? Ainda não está pronta? – Lily bufou.
- Ela está tendo um pequeno problema com o vestido, e eu não fui de muita ajuda... Vá lá dar uma mãozinha... – e já foi descendo a escada antes que a filha dissesse algo mais.
A festa estava agitada e Hugo estava bêbado. Hermione quase tivera um ataque, mas não tivera sucesso em sua busca pelo culpado, ao contrário de Harry que pescara a zombaria no rosto de George, enquanto Angelina ralhava com ele.
Hugo estava bêbado, mas feliz. Não podia dizer o mesmo de Albus, que estava com o humor mais para um funeral do que para uma festa de aniversário. Não conversava com ninguém, e se alguém tentava puxar algum assunto, saía com a cara mais feia do que a de Albus antes do começo da conversa. Continuava bebendo e Ginny parecia tão distante que nem se lembrara de chamar a atenção do filho. Harry não saberia dizer o porquê de ter agido daquele jeito, como se quisesse machucá-la em vez de fazê-la sentir prazer. Não era assim, não com ela. Pegou um das vodcas de George, franzindo as sobrancelhas ante o olhar crítico de Hermione, e bebendo rapidamente.
- Pelo amor de Deus, meu filho está fazendo dezesseis anos, e quase todo mundo está bêbado ! Dentro da minha casa ! – Hermione se aproximou e exclamou, os olhos semicerrados encarando os convidados com desagrado.
- Hermione, quando nós tínhamos essa idade estávamos ocupados demais lidando com Voldemort e suas loucuras sádicas... Hoje em dia tudo é tão mais... Tranquilo... Não é de se estranhar que eles só pensem em beber... – Harry resmungou com certa indiferença.
- O quê? – a amiga soou indignada – Então você acha bonito? Pois me deixe lhe dizer uma coisa, você deveria ir conversar com o seu filho, pois além de ficar enchendo a cara, eu o vi fumando uma substância mais conhecida como canabbis junto com o filho do Malfoy ! – e saiu pisando duro, bufando.
Harry suspirou e pensou que não se importava. Já fumara tanta maconha com Draco, e nunca saíra fazendo loucura alguma por aí. Pelo menos nenhuma grande loucura.
E mesmo se achasse isso completamente errado, o filho já iria fazer dezoito anos, não havia nada que pudesse fazer.
Seu corpo todo doía como se estivesse sob o efeito de um Crucio ou algo pior. Queria se levantar, mas mal podia se mexer que tudo a sua volta girava e um terrível enjoo o acometia.
Maldito Potter.
Desejava que seu pai tivesse mandado-o para Durmstrang, desejava nunca ter conhecido o imbecil. Esse infeliz que só lhe dava dores de cabeça ! O desgraçado persistente conseguira o que queria... Tirar-lhe a paz, a saúde, a paciência, a razão.
Já fazia algum tempo que sabia o que sentia, mas não gostava de assumir nem para si mesmo. Já desprezara tanto o grifinório pelo ato ordinário do apego, e agora era ele quem se apegava... Apegava-se a lembranças, míseras lembranças. E por isso, passara a desprezar a si mesmo. O que fizera? Por ele? Como pudera ser tão fraco? Por que estava sendo tão fraco agora? Não conseguia entender o que o atraía tanto em Potter... Antes era um tesão doentio, longe de qualquer sentimento. E agora, longe da escuridão outrora tão acolhedora, o moreno trouxera a luz, e essa luz machucava, não estava preparado para isso, não queria isso.
Não conseguia ao menos olhar para a esposa, mal podia acreditar... Era como se estivesse sentindo novamente, e isso não era certo, não para ele. Depois da maldita guerra, na qual sua família perdeu todo o prestígio, Draco se proibiu de sentir. Sentimentos não serviam para nada, apenas atrapalhavam as pessoas a pensarem com discernimento, a fazerem o que era melhor, mais razoável, mais racional.
Já se culpara demais pela maior bobagem que fizera na vida, pelo modo como se rebaixara ao nível de um completo selvagem por ele.
E se culpava por agora, estar nessa situação patética, por ele.
Astória entrou em seu escritório, os olhos frios e altivos como sempre. Isso era perfeito, isso era digno. Não aquele verde em brasa, que só mostrava uma terrível falta de compostura. Os olhos de Astória eram um poço vazio, os de Potter eram tão cheios de vida que tinha medo de afogar-se neles.
- Não se cansa de beber? – ela questionou, totalmente controlada.
- Astória...
- Você nem teve a decência de voltar para o quarto. Então vai ser assim? O seu casinho acaba e você fica nesse estado? Que vergonha, Draco, logo você... – ela balançou a cabeça em desgosto.
Ninguém tinha o poder de atirar-lhe a verdade crua e fria tão bem como a mulher. Admirava-a tanto. Tão calma, tão segura, tão divinamente altiva e perfeita.
Sua esposa, mãe de seu tesouro, Scorpius. Aquela que lhe segurava no mundo real, no racional, no certo. Que aceitara seu caso podre com Potter, sem ao menos se interessar pelo assunto. Sem cenas, sem ciúmes. Tanta classe o inundava de orgulho.
- Eu estou farta disso... Recomponha-se, Draco, e faça o que precisa ser feito ! Talvez pedir desculpas a ele? – sugeriu, tirando uma mexa de cabelo delicadamente da frente dos olhos.
Draco sorriu pela primeira vez em dias.
- Como sabe que a culpa foi minha?
- A culpa sempre é sua... – ela bufou – Eu só... – ela suspirou e aproximou-se dele, tocando nos cabelos loiros – Eu não aguento vê-lo assim... E outra, você mal olha para mim...
- Me desculpe... – Draco sussurou e ergueu-se para beijá-la levemente na testa.
- Eu só quero que você seja feliz... Não me oponho aos seus caprichos... Só quero que...
- Acabou, Astória, para sempre.
E dito isso, saiu do escritório, indo tomar um banho que, com a graça de Merlin, lhe limparia o corpo e a alma, lhe tiraria esse sentimentalismo barato e mundano. Lhe tiraria Potter.
Galeraaaa, como eu posso me desculpar? Nem tem jeito né? kkkkkk Eu estava sem tempo, sem pique, sem ânimo pra escrever... Tudo tava meio esquisito pra mim... Mas um dia, quando eu resolvi abrir isso aqui novamente, e vi as estórias, as reviews, eu decidi continuar... Por vocês, e por mim. Agradeço a cada uma das reviews, e a vocês, tjmartianxx , Belac I, Meel Jacques, Mila B, 2Dobbys, themarilyn, AB Feta, e a todos que leem. Um beijo, e mais uma vez mil perdões. Aaah, não tenho mais ctz se essa fic terá só 5 capitulos, provavelmente não. Sinceramente, eu não faço idéia se vai ser mto longa ou pequena, depende das minhas idéias loucas haha Um beijão, e mil perdões, novamente ! ;)
