N/A: Desculpa a demora outra vez, mas este capítulo foi meio complicado de fazer, porque só tem homem e eu não sei fazer diálogos convincentes entre homens. A idéia inicial era fazer uma coisa meio sexista/machista, mas quando vi que não ia dar certo, apaguei tudo e mudei para lago mais genérico. Não ficou tão ruim, já que o Armstrong está no meio e ele é bem sensível então serviu de contrapeso, mas ficou longe do que eu queria.

Mas pelo menos eu resisti a tentação de fazer algo muito OOC... mas não posso garantir nada para o próximo capítulo.

4 – Três solteirões e um bebê

- Eu ainda acho que interrompemos alguma coisa. – insistiu Hughes, ainda esperançoso de que Roy e Riza se acertassem de uma vez e se casassem logo.

- Quem me dera... Mas se eu fosse tentar algo com a Tenente Hawkeye, seria bem provável que ela me desse um tiro – lamentou Roy – E você sabe que ela não erra.

- Tem razão. Ainda bem que minha Gracia não é militar. – disse aliviado por ter se casado com uma mulher tão delicada, compreensiva, boa mãe e que ainda por cima cozinha bem. Ele tinha tirado a sorte grande.

- Descobriu alguma coisa sobre a Diana?

- Nada. – disse com uma expressão tão séria que fez o coronel duvidar de que o amigo tinha feito alguma coisa.

- Você pelo menos começou a investigar?

- Não deu tempo. – e coçou a cabeça sem graça - O dia foi muito cheio. Mas amanhã eu começo sem falta.

Roy nem deu muita confiança. Sabia que teria que ficar no pé do amigo para que ele fizesse algo naquele caso.

- Caramba... Não é que o pirralhinho gostou mesmo dele? – comentou Roy vendo que Andrew estava todo serelepe no colo de Armstrong. Não deixou de senti uma pontada de ciúme, pois a criança, que há pouco estava aos berros em seu colo, agora sorria contente no colo do major. Não conseguia ver nenhuma explicação para a diferença na reação do bebê que, mesmo desconsiderando o incidente com os dentes, sempre parecia incomodado em seu colo, o que era um tanto quanto frustrante para Roy.

- Eu acho é que está na hora de dormir. Já está tarde. – disse Hughes, o único com experiência real com crianças, pegando o bebê do colo de Louis.

- Mas não é nem meia noite! – protestou Roy.

-Tudo bem, Roy. Você pode ficar acordado. – troçou Maes frente à resistência do amigo, como se fosse ele quem tivesse sido mandado pra cama - Eu estou falando é do "Júnior".

- O nome dele é Andrew, não Júnior.

- Já deu um nome pra ele, é? – perguntou Maes – Mas você não disse que ele não era seu? Você não poder sair dando nome para os filhos dos outros.

- Por que não um nome composto como o meu? – comentou Alex Louis.

- Foi a Hawkeye que escolheu... É uma longa história.

- É ? – perguntou Maes querendo saber qual era a tal história.

- Ela estava com ele no colo e encontrou com o Führer e teve que inventar um nome. Nem era tão longa assim. – concluiu Roy depois de seu resumo.

- E você a deixou escolher o nome do seu primogênito sem nem dar opinião? – colocando em xeque sua autoridade como homem.

- Foi a Gracia quem escolheu o nome da Elysia, não? – jogando a bomba de volta para Maes.

- Sim... Mas se fosse um menino seria Maes Júnior. – desconversou - Se bem que o seu nome é muito feio. Roy! – disse o nome do colega só para ver como ele soava: curto e sem graça. Mal se começava a falar e o nome já tinha acabado. - Ainda bem que a Hawkeye pensou em um nome melhorzinho.

- Meu nome é mais popular que o seu! Mas isso não vem ao caso. – pronto para mudar de assunto - Não parece que ele está com muito sono.

- Bobagem. – disse Maes com a autoridade que lhe dava o status de pai quase veterano, pegando a criança de olhos arregalado do colo de Armstrong - É só colocá-lo no berço que daqui há pouco tempo ele já está dormindo.

- Só tem um problema... Eu não tenho um berço.

- Então vamos colocá-lo na sua cama. – sugeriu Maes.

- E eu vou dormir onde?

- Na cama também. – Roy não gostou muito da idéia e olhou feio para Maes – É só por uma noite. Depois você arruma um berço.

- Não sei não... Eu tenho o sono muito leve. Não gosto de dormir na mesma cama que outra pessoa.

- Do que você está falando? Você dorme com uma mulher diferente por semana!

- Você está confundindo as ações. Ir para a cama com uma pessoa é completamente diferente de dormir com ela. E dormir é uma coisa que eu gosto de fazer sozinho. Não gosto de ter outra pessoa se mexendo ou se virando ao meu lado.

- Não é a toa que você está solteiro – olhando para Roy com uma expressão de reprimenda quanto à promiscuidade do amigo.

- Ele pode ficar na cestinha. – sugeriu Roy sem nem dar atenção para o que Maes havia falado. Já tinha se com os sermões do amigo e o melhor a fazer era ignorá-los. Caso contrário o assunto "casamento" continuaria a assombrá-lo por mais tempo ainda. Aquela era mais basicamente a mesma técnica usada por Riza para se livrar do ultimado da Senhora Wilson, mas com um aditivo: jogar a isca de um outro assunto.

- Tenha dó. É só uma criancinha. Ele não pode atrapalhar seu sono de beleza tanto assim.

- Não? Repara bem no meu olho! – apontando para a lesão.

- Como ele fez isso?

- Com a porta da geladeira.

- O danadinho é forte. Será que ele é seu mesmo? – chamando Mustang de fracote pelas entrelinhas e lançando um olhar para o major Armstrong, que era a figura masculina mais forte na sala – Será que sua amiga não era intima do major também? – insinuando que além de fracote, Roy ainda era corno.

- A Elysia também não se parece muito com você. Será que ela não é mais parecida com o padeiro?

- Mais respeito com a minha esposa!

- Foi você quem começou!

Enquanto os dois discutiam feito crianças, Armstrong trabalhava. Ele juntou duas cadeiras com uma caixa de jornais, a cestinha em que Andrew tinha sido encontrado e outras coisas que encontrou pelo caminho e julgou que não tinham grande valor para Mustang.

Depois riscou um círculo de transmutação numa folha de jornal, amontoou tudo mais ou menos encima e, um flash de luz depois, toda aquela tranqueira teve suas moléculas reorganizadas para formar um bercinho e já veio com um brinquedo com vários patinhos coloridos presos nas grades (1).

- Pronto! Não chega nem perto de um berço entalhado a mão, mas deve servir... – disse Louis, erguendo o berço – Onde eu coloco?

- Muito bem, major. – riu Roy satisfeito – Enquanto ele for meu filho, pode ficar com o cargo de padrinho! Coloca no meu quarto. Primeira porta a esquerda. – apontando a direção.

- Isso não é justo! – protestou Maes.

- A vida não é justa... – repetiu a lição cretina que tentam empurrar goela a baixo das pessoas - Meu melhor amigo está zombando de mim ao invés de me ajudar.– disse Roy com seu sarcasmo característico.

- Você é baixo, Mustang.

- Eu?! Era você quem estava tentando fazer chantagem comigo hoje pelo telefone.

- Eu só estava tentando persuadir você a fazer o que era certo. Você estava querendo mandar o Júnior para um abrigo! – disse o tenente coronel agarrando a criancinha como que querendo escondê-la de um destino ruim.

- Você sabe que eu não seria capaz de fazer isso. – respondeu Mustang em um tom agressivo que Hughes tomou como sendo indignação – E me dá ele aqui! – pegando a criança de volta.

- É muito fácil, não é? – perguntou Hughes meio enigmático, observando a reação do amigo.

- O que "é muito fácil"? – repetiu de forma autônoma enquanto prestava atenção no bebê.

- Começar a se preocupar com eles. – se referindo a afeição instantânea que os pais sentem pelos filhos e ao instinto que os leva a protegê-los.

- Não seja estúpido, Maes. Eu não estou preocupado com ele.

- Não? – insistiu.

- Não. – repetiu - Estou preocupado comigo se não me livrar dele bem rápido.

- Pois não é isso que parece.

- E o que parece então?

- Que você está pegando gosto pela coisa e que logo vai tomar jeito e abandonar essa vida vazia e mesquinha que você tem. Que está apaixonado com a idéia de ter uma pessoinha completamente dependente, que vai aprender tudo com você e para quem você vai ser o maior referencial. – foi dizendo enquanto pensava em sua filhinha que já deveria estar dormindo há muito tempo - Uma vidinha preciosa que vai obrigar você a ser uma pessoa melhor e a querer fazer do mundo um lugar melhor também e... – percebeu que seu discurso estava ficando muito piegas e parou por ali mesmo.

- Você está praticando para escrever cartões melosos? – troçou Roy.

- Você pegou o espírito da coisa. Agora pode confessar que você está adorando.

- Nem um pouco.

Maes riu. Sabia que o amigo aparentava não dar a mínima, mas que no fundo era o mais sentimental de todos.

- Pronto. O berço já está no lugar. – disse o major voltando para a sala – Mas afilhado meu não pode dormir em um berço transmutado!

- Isso é só provisório, major. – justificou Roy, que não via nada de errado no berço. Desde que servisse pra colocar o bebê dentro, não importava do que ele fosse feito.

- Se é só provisório... – repetiu Armstrong, vendo a abertura de que precisava para providenciar o berço digno que imaginava.

- Bom... – disse olhando para o relógio – Está na hora de eu ficar olhando a Elysia enquanto ela dorme.

- E o que eu faço pra ele dormir?

- Só balança um pouco e canta alguma coisa. – Hughes deu a dica – Ele deve dormir logo.

- Não acredito em você. – agarrando a camisa do colega que tentava ir embora – Já escutei histórias assustadoras de pais tentando fazer crianças dormirem a noite. A criança sempre vence!

- Eu posso fazer isso! – ofereceu-se Armstrong – Minha família tem uma canção de ninar que...

- Pode pegar. – disse Roy empurrando o bebê para o major, sem lhe dar chance de demonstrar como sua família era antiga, nobre e respeitável.

- E eu vou embora. Eu nem sou o padrinho mesmo... – resmungou Maes, fingindo estar magoado com a brincadeira de Mustang.

- Você pode ser a madrinha se faz tanta questão. Agora dê meia volta.

- Não são necessárias três pessoas pra fazer uma criancinha dormir.

- Você pode ficar dando apoio moral.

- Tem medo de ficar sozinho, é?

- É que eu acredito em trabalho de equipe.

- Você gosta é que as pessoas façam seu trabalho por você.

- Se elas quiserem ajudar, eu não me oponho.

- Você até incentiva, não é?

Os dois voltaram a discutir como gostavam de fazer sempre que tinham a oportunidade.

Armstrong nem se incomodou. Deixou os dois resolvendo suas diferenças e foi para o quarto com o bebê, cantarolando sua canção.

Foi um dia bastante cheio. Passar pelo colo de tantas pessoas diferentes esgotou o pequeno, que só resistiu um pouco mais antes de se entregar ao sono porque ainda estranhava o lugar, mas foi aos pouquinhos se envolvendo com a melodia e estava sonhando com pôneis e nuvens cor de rosa antes que pudesse perceber.

O major estava terminando de colocar o bebê no berço quando os outros dois apontaram na porta:

- Ele já dormiu? – perguntou Mustang.

- Já.

- Não disse que ia ser moleza? – disse Maes com tom zombador – Da próxima vez você já pode fazer sozinho.

- Ou posso requisitar a ajuda do meu compadre. – dando um tapinha nas costas de Armstrong para implicar com Maes mais uma vez por causa da coisa do "padrinho".

Maes resmungou alguma coisa e cruzou os braços, ainda inconformado por não ser o padrinho do filho de Roy. Mesmo que de brincadeira.

- Não sabia que o coronel me tinha em tão alto conceito. – disse Armstrong com os olhos brilhando, sem entender o sentido camuflado na fala de Roy e acreditando ser uma declaração com confiabilidade o que o coronel havia falado – Vai ser uma grande honra fazer o pequeno Andy dormir todos os dias...

- Mas isso não vai ser necessário – adiantou-se Roy, saindo pela tangente quando percebeu que o major havia entendido pelo ângulo errado sua afirmação. É claro que ele também não falaria a verdade, pois isso magoaria o emotivo major e poderia ter conseqüências ainda mais sérias, mas também era certo que Mustang não queria Armstrong sempre pelas redondezas.

- O Maes tem razão. Foi tão fácil fazer o pirralhinho dormir hoje que acho que até eu consigo fazer isso da próxima vez.

Foi o que Mustang pensou quando Maes e Luis foram embora, mas logo mudou de idéia da primeira vez que Andrew acordou no meio da noite.

...continua...

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(1) Minha irmã tinha um brinquedinho assim. Acho que eram quatro patinho: um vermelho, um azul, um verde e um amarelo.