Capítulo 4
Assim que os Tupper se retiraram, Lana deu vazão à dor no pé. Virou-se para Kim.
- Por que você fez isto? Meu pé está latejando até agora!
- Pois eu não pisei nos dois, porque senão caía. Mas que você merecia, merecia! O que te deu para convidar Denise? – Retrucou Kim.
- Bem, fiquei com pena dela! A pergunta dela ficou solta no espaço... Ninguém parecia querer responder... Foi me dando uma angústia...
- Bem, já está feito! Agora não adianta reclamar... – Disse Louise, querendo conciliar as duas.
Então Louise se lembrou que nos tempos da Faculdade, sempre ela ou Sara, punham panos quentes, nas discussões intermináveis daquelas duas. Se gostavam muito, mas tinham opiniões contrárias, sobre quase tudo.
Mais tarde, já em seu quarto, Grissom e Sara conversavam.
- Gostei muito de conhecer suas amigas, Sara. Embora, Kim pareça não gostar muito de mim, já que me queria morto!
- Claro que não! Que idéia! Ela é desembestada para falar, mas é excelente pessoa. – Riu Sara.
- E o que foi aquilo com Denise, afinal? Ela não é sua amiga?
- Não, propriamente! Estudamos juntas, mas ela não fazia parte do meu círculo de amigas. Denise é... Como posso explicar? Ela tem uma incrível necessidade de estar na frente em tudo! Você viu o que aconteceu com os anéis de noivado? Ela era assim com tudo; notas, namorados, coisas... Ela sempre tinha que ter mais, maior ou melhor que nós. Isso acaba sendo muito cansativo...
- Às vezes, uma competitividade exagerada demonstra um grande grau de carência. E apesar do enorme esforço que fez, não me pareceu a pessoa mais feliz da face da terra, como queria que todos pensassem... – ponderou Grissom.
- Pode ser... – disse Sara pensativa. – De qualquer modo era uma criatura irritante, e pelo visto, ainda é.
- Isso demonstra sua carência... Ela faz força, mas não é feliz. – e acentuando o tom de voz, Grissom segurou os pulsos dela, obrigando-a a olhar em seus olhos. - E quanto a você Sara; você é feliz?
Ela gaguejou, desviou o olhar e soltou-se dele.
- Mas que pergunta? Por que não seria?
- Não sei!Responda-me você, mas olhando nos meus olhos!
- Que bobagem. De onde você tirou isso?
- De sua atitude. Esta tarde, você fez questão de me ignorar! E quando não pôde fazer isto, parecia que minha presença a embaraçava...
- Já reparou em quanta bobagem está dizendo? – Perguntou Sara se afastando dele.
- E já reparou que você continua não me encarando?
Ela pegou um casaquinho, parou na sua frente e arregalou os olhos.
- Está bem assim?
- Isto não é brincadeira, Sara! O que há com você?
Sem saber direito o que estava acontecendo, ela começou de repente, a sufocar, como se estivesse sem ar para respirar. Sentia, como se o piso falhasse e, ela não pudesse apoiar seus pés. Enfiou o casaquinho e dirigiu-se para a porta.
- Aonde você vai?
- Não sei...vou dar uma volta.. o ar aqui dentro está irrespirável... – falava aos soquinhos. Como se cada palavra doesse em seu peito.
- Você está bem? Quer que eu vá com você?
- Não!Estou bem, verdade! E se você não se incomoda, quero ficar sozinha!
Ela percebeu que ele estava aborrecido e preocupado. Deu-lhe um beijo de leve e saiu. Grissom ficou arrasado, no meio do quarto. Levou as mãos aos lábios, onde aquele beijo sem graça assemelhava-se a uma bofetada.
Fazia algum tempo que ela não se mostrava receptiva às carícias dele. Desde que ele voltara do Peru, não recebera mais aqueles beijos tórridos, aquelas ousadas carícias íntimas, que acendiam sua imaginação. O que estaria se passando? Será que ela tinha se enjoado dele?
Descendo abruptamente, a escada, quase trombou em Louise.
- Ei, onde é o incêndio?
A amiga tentou fazer uma graça, contudo o rosto de Sara continuava crispado.
- Eu nem vi você, desculpe!
-Oh, não tem importância! Você está bem? Aonde está indo?
- Não sei, ao certo! Só sei que preciso caminhar um pouco; tomar um ar!
-Ok, mas não demore muito, que as sete, o jantar é servido!
- Estarei aqui! - Pareceu pensar um pouco e disse já da porta – Caso eu não esteja, você e Grissom jantem, por favor!
E saiu, deixando a amiga intrigada. Pelo comportamento estranho da tarde, ela adivinhava que alguma coisa não ia muito bem, entre Sara e Grissom. Era divorciada; sabia quando alguma coisa não andava bem num casamento.
Na rua, o tempo estava fresco, uma brisa suave, mas acentuada, soprava para aliviar o enorme calor, que havia feito naquele dia. Sara sorriu levemente: "Ou ando muito desmemoriada, ou naquela época, os verões não eram tão quentes aqui", pensou. Puxou mais o casaquinho ao seu corpo. Acertara ao trazê-lo.
De repente seu semblante anuviou-se: o que estava acontecendo, entre ela e Grissom? Nem ela sabia. Era algo estranho, que ela não havia sentido antes. Será que aquele enorme amor havia acabado?
Não! Com certeza não era isso, embora à tarde, muitas vezes ela tinha pensado ao olhar para Grissom, que talvez fosse melhor não tê-lo trazido. Ele parecia deslocado entre seus colegas; ele não pertencia àquele cenário. Parecia mais um professor que um marido.
A crise eclodira lá, mas estava latente, antes de Harvard. Desde que ele chegara, estava sendo um pouco difícil. Na aparência tudo parecia igual: eram atenciosos um com o outro,, chamavam-se por nomes carinhosos. Na intimidade, o sexo continuava bom, só que ao terminarem, não tinham o que dizer, viravam cada um para o seu lado e dormiam.
Enquanto pensava andava a esmo, indo parar no campus, que não ficava a,uma distância muito grande da casa de Louise; mais precisamente o ginásio. A porta lateral, onde os alunos entravam, estava aberta. Ela estranhou e entrou: dentro estava pouco iluminado, mas um barulho característico, a levou a se aprofundar mais e mais...
Percebeu alguém de costas para ela, em trajes esportivos, encestando uma bola de basquete.
O coração de Sara disparou emocionado. Mesmo de costas, mesmo após tanto tempo ela reconhecia aquela silhueta em qualquer lugar...Era ELE...
- Josh! – Gritou.
