Capítulo 4 – O bom das brigas é a reconciliação

Droga! Por que será que Rony sempre tinha que agir assim! Por que ele era tão cabeça dura! Por Mérlim...

Me olhei no espelho do banheiro do meu quarto. Estava vermelha de raiva, meu rosto ainda estava marcado pelas lágrimas. Lágrimas de raiva. Rony não entendia... era sempre assim... era sempre os motivos das nossas brigas...

Não. Não era raiva... Rony tinha razão, eu estava muito ausente. Era raiva de mim mesmo. Raiva pelo o que eu estava fazendo comigo, com a gente...

Abri a ducha, joguei minhas roupas no chão e entrei. Talvez aquela água quente me ajudasse a entender tudo que estava acontecendo...

Eu e Rony já estávamos casados a três anos. Esse último ano tinha sido confuso, conturbado... até pensei que meu casamento não iria sobreviver... Crise dos três anos. Será?

Mas sei que a culpa foi mais minha do que dele. O fato de não ter conseguido engravidar, o fato de todos os médicos trouxas e curandeiros dizerem que não havia nada comigo ou com Rony que impedisse de termos um bebê ajudou muito. Como era possível eu não ter nenhum problema se estava a quase um ano tentando engravidar e nada! Todo mês aquela angustia, aquele decepção...

Sei que fiquei muito chata por causa disso... Ok! Fiquei obcecada... Quase coloquei meu casamento em risco por causa disso... Mas agora me conformei... A quem eu quero enganar... eu não me conformei, só estou pensando em outras coisas...

A proposta de escrever um livro para ser usado em Hogwarts me deu um novo animo. Precisava de um novo desafio profissional, precisa pensar em outras coisas que não fosse ter um filho.

Só não imaginei que isso iria me envolver tanto... Essa semana era o terceiro dia que chegava em casa depois da meia noite... Rony estava furioso... Ele tinha razão, fico possessa quando ele não avisa que vai se atrasar para o jantar...

Foi por isso que brigamos...

Nem bem sai da lareira vi Rony sentando no sofá no escuro. Emburrado.

- Oi amor! Desculpe não deu para avisar. – Falei indo em sua direção para dar-lhe um beijo. Rony retribuiu o beijo de forma fria. Problemas. – Rony, o livro já sendo finalizado, é a parte mais chata, preciso revisar tudo... Rony!

- Hermione... comprei aquela torta de limão que você gosta... Ontem! – Rony foi seco. – Tá lá na cozinha...

- Obrigada! Eu como amanhã... no jantar, prometo!

- Você falou isso, ontem! – Rony se levantou. – Hermione porque, só me diz porque... eu não ganho o suficiente para você, porque você precisa trabalhar tanto... a gente ganhou muito ouro... Sabe quantos dias a gente não se vê direito? Quantos dias eu vou dormir e você fica trabalhando? Quantos almoços na Toca você perdeu? Sua mãe apareceu mais cedo... quantos tempo faz que você não vai na casa dos seus pais... Gina e Harry perguntaram de você, você não aparece mais para ver o Tiago...

- Rony... não começa... você sabe que não por dinheiro que eu to trabalhando... Rony eu preciso me envolver com outra coisa...

- É por causa que a gente não consegue ter um bebê? Mas quando a gente fica junto Hermione? Como a gente vai ter um filho assim? Por telepatia?

- Não seja irônico Ronald... Eu não quero discutir com você... - Passei na frente dele e ele segurou meu braço, olhei bem no fundo daquele olhos azuis que eu amo tanto.

- Porque isso tá acontecendo com a gente Mi... parece que você tá fugindo de mim?

- Rony... eu te amo tanto... eu não to fugindo de você... eu, eu só preciso ... – comecei a chorar, Rony me abraçou. – Tem um pouco de paciência comigo...

- Eu tenho muita Hermione... – Rony estava sério. Sério demais. – Mas um dia ela acaba.

Ele voltou para sofá. Me deixou ali parada, muda, chocada. O que ele queria dizer com isso? Sei que as vezes sou chata. Sei que a história do bebê que tirou dos trilhos. Mas eu sei que tenho muito medo dele me deixar.

Nem sei quanto tempo fiquei em baixo daquela ducha. E se Rony me deixasse? Não sei o que faria. Sai do boxe, me enrolei na toalha. Rony ainda não havia subido. Será que ele dormiria no outro quarto? Odeio quando ele faz isso. Odeio dormir brigada com ele.

Vou até o closet e escolho uma lingerie bem provocante. Se é para apelar vou apelar. Passo o perfume que ele adora. Deixo os cabelos soltos como ele gosta.

- RONY!

Ouço seus passos pelo corredor.

- O que foi Hermione?

Me aproximo e beijo o seu pescoço.

- Não quero dormir brigada! – Falo com a voz manhosa. – Me perdoa... Sei que estou em falta com você, com meus pais, com seus pais, com o Harry, Gina e o Tiago. Só mais um pouquinho...

Rony estava imóvel, sei que ele queria parecer indiferente aos meus carinhos. Mas era uma questão de tempo. Passei as mãos pelos seu cabelo e comecei a dar pequenas mordidas na sua orelha. Rony se controlava para não reagir.

- Me perdoa vai... – Sussurrei no seu ouvido.

- Hermione... isso não vale... – Rony falou com a voz rouca.

Olhei direto nos seus olhos e sorri.

- Não me olha assim Mione... Você sabe que eu não resisto... – Rony alcançou meus lábios de forma selvagem, urgente...

Fazia tempo que não nos beijamos assim. Com essa urgência. Era um daqueles beijos de tirar o fôlego, de deixar a gente sem ar...

Ainda nos beijando, fui puxando ele para a cama. Acho que tropeçamos, pois perdi o equilíbrio e caímos.

- Você tá bem? – Ele perguntou.

- Hum... – Puxei ele para mais um beijo.

Rony começou a beijar meus olhos, meu cabelo...

- Eu te amo tanto Mi...

Comecei a desabotoar a camisa que ele usava e beijava seu peito. Fui descendo para a sua barriga... minhas mãos rapidamente desafivelaram o cinto da calça que ele usava... continuei beijando. Sabia que estava em uma área perigosa. Mas queria ser boazinha com meu marido. Amenizar o minha ausência...

Rony reagia aos meus carinhos. Deixou-se levar por seus instintos...

- Hoje eu vou ser boazinha com você... – Falei beijando suas coxas enquanto puxava suas calças. O estava torturando, mas eu também me torturava.

Quando terminei com a calça, fiz sinal para que ele ficasse deitado. Fiquei de joelho na cama e comecei a tirar bem devagar minha camisola... fiquei só de calcinha e sutiã... sabia que ele gostava de tira-los...

Delicadamente, sentei em suas pernas e coloquei suas mãos nos meus seios. Rony me empurrou com carinho para poder sentar e eu continuar no seu colo... começou a beijar meus ombros enquanto suas mãos passeavam pelos meus cabelos e tentava se livrar do sutiã.

- Esse tem um fecho diferente! – Falei soltando o fecho do sutiã que ele jogou no meio do quarto...

Rony agora beijava meus seios enquanto minhas unhas deixavam marcas em suas costa. Em um movimento rápido Rony me deitou na cama e ficou em cima de mim. Nossas pernas estavam entrelaçadas. Aproveitei para puxar ele para mais perto. Queria ele bem perto de mim... queria sentir ele por inteiro... cada centímetro da sua pele colada a minha...

Rony começou a beijar a minha barriga... Sabia onde ele iria chegar... suas mãos começaram a puxar delicadamente a minha calcinha... ele imitou meu gesto ao tirar suas calças e foi beijado minhas pernas de forma torturante. Eu gemia alto...

Depois que se livrou da calcinha... começou a beijar os dedos dos meus pés e foi subindo... Me agarrei ao lençol, era como fosse flutuar de tanto desejo... Rony sabia o que me provocava... Continuou beijando meu corpo até que sua boca encontrou a minha...

- Rony... eu... agora!

Rony entendeu me pedido e se livrou a última peça de roupa... Nossos olhos se encontraram... Eu sorri...

- Me perdoa?

Ele também sorri.

- Sempre!

O beijo foi tranqüilo, suave, profundo... Rony me possuiu lentamente, mesmo sabendo que eu necessitava dele com urgência... Eu me agarrei a ele, como se ele fosse fugir de mim... Meus movimentos se intensificaram, obrigando ele a me acompanhar... nessa hora vi estrelas... Alcancei o céu e ele estava comigo. Meu Rony estava comigo... Nossos movimentos alcançaram a mesma intensidade. Juntos. Sempre.

Aos poucos fui recobrando a consciência... Agora estava mais calma. Rony também.

- Se toda vez que a gente brigar for assim... – Ele falou com a voz cansada. – Eu acho que a gente devia brigar mais...

Eu riu alto.

- Mais do que a gente briga! – Acariciava os seus cabelos.

- É, mais nem sempre acaba assim... na maioria das vezes, a gente vai dormir brigado e eu, no outro quarto... – Ele também acariciava os meus cabelos.

- Então vamos combinar... toda vez que a gente brigar... a gente faz as pazes assim... – dei um sorriso maroto. – Na cama...

- Não vou me esquecer!

Nos beijamos mais uma vez. Rony rolou para o lado, puxou o lençol e me abraçou. Eu desejei mais uma vez que tivesse sido dessa vez que o nosso bebê tivesse sido concebido quando nos amamos...

- Mi... – Rony colocou a mão na minha barriga como se lesse meus pensamentos. – Talvez...

- Talvez... Amanhã vamos jantar com Harry e Gina... Estou com saudades do Tiago!

- Tudo bem! Eu amo você sabia?

- Sabia! Eu também amo muito você!

Ficamos abraçados até pegarmos no sono.