Saudações a todos. Esse é o quarto capítulo da nossa série. Nesse capítulo, Paloma terá que fazer uma escolha muito importante e muito delicada, que envolve coisas da sua vida. Espero que gostem desse capítulo. Obrigada e boa leitura.

Entre a vida e o dever

Por Soul Hunter

Tales, Yamazaki e Shaoran se assustaram a ouvir o que Paloma confessou.

- Seu, o quê?- perguntaram, ainda não acreditando.

- Meu irmão.- responde Paloma.- Nossos pais se divorciaram há muito tempo. Eu tinha apenas 5 anos e Sylvan, apenas 2. Eu fiquei com minha mãe e Sylvan ficou com meu pai. Minha mãe, Amanda, fez questão de trocar o meu sobrenome para Liqueur, nome da família dela. Meu pai, Sebastian, partiu com Sylvan para outra cidade, mas, duas vezes por ano, nos meses de dezembro e janeiro, nós nos encontrávamos. Foi uma idéia do meu avô materno, para me aproximar de Sylvan.

- E isso era sempre assim?- pergunta Yamazaki.

- Até eu completar 7 anos, sim. Mas, naquele ano, meu pai e minha mãe foram mortos, e cada um das nossas famílias acusou o outro lado de ser mandante do assassinato e decidiram me separar definitivamente de Sylvan. Mas, meu avô não deixou. Ele disse que a perda era difícil e por isso, convenceu as duas partes a deixar eu e Sylvan com ele, até as coisas esfriarem. Ficamos seis meses juntos, e eles foram os melhores e os piores seis meses de nossas vidas. Felizes, pois estávamos juntos. Tristes, pela morte de nossos pais. Depois disso, só encontrei Sylvan duas vezes, uma quando aos 16 anos e uma aos 19. O primeiro foi um encontro rápido, e amargo, pois foi no enterro do meu avô materno. Já no segundo, ficamos quase uma semana juntos.

Os três jovens olharam o rosto de Paloma se anuviar com uma forte sombra de pesar.

- Sentimos muito pelo o que aconteceu com você.- diz Tales.- Você realmente não merecia sofrer desse jeito.

- Mas isso já aconteceu, e eu não posso mudar o que já aconteceu.

- Realmente. Não se tem poder contra o passado.

Paloma fitou Tales com suavidade. Ele estava inquieto, estranhando o local. Ela rapidamente percebeu, que Tales era dos Dragões Azuis e estranhava estar no quartel general da Fênix Negra.

- Tales, eu sei que você é dos Dragões Azuis.- diz Paloma, indo direto ao ponto.

Tales estremeceu quando ouviu as palavras de Paloma.

- Como você sabe disso?

- Eu tenho minhas fontes, Tales.

- Eu não sei como você ainda não conseguiu capturar Mikael.

- Eu ainda não o capturei porque nunca tive chance de fazer isso. E peço a você que Mikael ainda não fique sabendo do que houve aqui.

- Mas eu tenho que contar.

- Por favor Tales, não conte. Eu preciso que você me prometa isso, pois vocês três são as pessoas em quem eu mais confio para guardar esse segredo.

- Tudo bem, eu não conto. Mas não sei por que você tem medo de confessar isso para os outros. Há muitas pessoas que sofreram o que você sofreu.

- Acho que ainda não está na hora de outras pessoas além de vocês saberem sobre esse assunto. Eu sei que muitos já sofreram isso, mas, eu prefiro fazer as coisas do meu jeito.

- Tudo bem. Há mais alguma coisa que podemos fazer por você?

- Tirando o que vocês já estão fazendo, ainda não, mas quando eu tiver algo que precise da ajuda de vocês, eu direi. Agora, acho que é melhor nós sairmos daqui.

Todos se levantaram e saíram da sala. Quando estavam fora do casarão, Paloma diz para Tales:

- Tales, eu vou te dar um conselho de amiga, convide a Tomoyo para sair antes que alguém o faça.

- Pode deixar.

Paloma sorriu e tomou o caminho para sua casa.

Duas horas depois...

Paloma estava em casa, sentada em sua cama observando um dos vários álbuns de fotografia que tinha, quando uma foto caiu no seu colo. Paloma observou a foto.

- Há quanto tempo eu não vejo essa foto.- exclama Paloma.- E eu pensei que havia perdido.

A foto era dela, ela devia ter uns 14 anos na foto. Paloma estava sentada do lado de um rapaz da sua idade, de olhos cinza, como duas luas. Paloma diz, como se conversasse com a foto:

- Leonardo, como será que você estar? Já faz 10 anos que não o vejo.

Ela deitou na cama e começou a relembrar sua vida.

Linha do tempo: 13 anos atrás

Paloma estava debruçada na escrivaninha do seu quarto. Ao seu lado, a foto de seu irmão Sylvan, que lhe fazia companhia enquanto estavam separados. Ela ainda não entendia direito a separação e a morte dos pais. Foi tudo tão rápido para ela, que a deixou profundamente abalada. Cresceu reclusa e calada, tendo no desenho e na escrita, a maneira de exprimir os seus sentimentos, e ela era muito boa nisso. Ela estava a desenhar em seu grande caderno, quando ouviu a campainha tocar. Paloma se levantou e foi atender. 

- Oi Leonardo.- cumprimentou Paloma, quando abriu a porta.

- Olá Paloma. Posso entrar?

- Claro.

Leonardo entrou na casa. Paloma estava estranhamente irrequieta, o que era anormal para qualquer um que a conhecia bem, levando em consideração que ela nunca havia ficado desse jeito. Mas, quando ela estava sentada, Leonardo viu Paloma num momento abaixar violentamente a cabeça, quase quebrando o pescoço. Leonardo ficou preocupado e perguntou a ela:

- O que foi Paloma? O que você tem?

- Eu não agüento mais Leonardo. Eu não tenho mais ninguém nesse mundo, e as pessoas que tenho geralmente são tiradas ou afastadas de mim.

Leonardo olhou para Paloma e perguntou:

- O que está te deixando assim?

- Eu não sei se devo contar.

- Pode contar para mim o que está acontecendo. Eu prometo que não conto isso pra ninguém.

- Ninguém mesmo?

- Só nós e Deus ficarão sabendo o que houve aqui.

- Está bem, eu vou contar, mas é melhor que você se sente, pois é uma história muito longa e confusa.

Leonardo seguiu as recomendações de Paloma e se sentou do lado dela. Depois disso, Paloma começou a narrar toda a sua história. Leonardo ouvia atentamente a narração de Paloma, fazendo perguntas quando tinha dúvidas e deixando que ela desabafasse. Quando ela terminou de contar tudo o que aconteceu, Paloma suspirou tristemente.

- E é isso que acontece.- disse Paloma.

- Eu sinceramente não sei o que dizer para te consolar Paloma. Você sofreu um baque muito forte. Mas, se você está nervosa, escreva um pouco, talvez isso ajude a te acalmar.- disse Leonardo.

- Tem razão.- concordou Paloma.

Ela abriu o caderno e começou a escrever. Versos começavam a aparecer na cabeça de Paloma, transparecendo no papel os sentimentos de dúvida que ela tinha. Quando ela terminou, começou a ler os versos, para ela e para Leonardo.

Na frente vejo dois espelhos

Que refletem as minhas escolhas,

de um lado a vida,

do outro, o dever.

Qual deles deverei eu escolher?

Meus pensamento me confundem,

Meus instintos me induzem,

a fazer escolhas que me levam a lugar nenhum.

Tenho medo de fazer a escolha errada

E tornar algo amargo pelo erro que cometi?

Qual das alternativas irei escolher?

O dever e a vida, a vida e o dever

Certas horas eu me perco,

e tenho esquecer.

Tola sou eu, achando que isso iria passar.

Estou perdendo o controle,

não sei o que fazer.

Qual dos medos, terei que vencer?

Te observo de longe, e queria saber

como descansas em paz,

enquanto a minha alma está em guerra?

Meus olhos se tornaram opacos,

não consigo olhar ao meu redor.

Cinjo as minhas dores

E espero que a fumaça me faça desaparecer.

Qual dos dois destinos, terei que transparecer?

A hora é agora,

é tempo de sonhar e decidir

em qual dos caminhos

eu deverei seguir.

- E aí, como estão?- perguntou Paloma.- Eles estão ruins?

- Eles não estão Paloma.- respondeu Leonardo.- Estão bons, muito bons na verdade.  

- Obrigada.

- Não precisa agradecer, eu apenas disse a verdade. Bem, eu tenho que ir. Preciso fazer uma coisa.

- Mas o que você vai fazer.

- Eu ainda não posso contar, senão estrago a surpresa. Até amanhã.

- Até.

Ele saiu apressado e deixou Paloma muito curiosa. "O que você vai aprontar, Leonardo?" Pensou Paloma.

No dia seguinte...

Paloma e Leonardo estavam caminhando no pátio da escola, quando ele propõe que se sentem.

- Paloma, lembra-se que eu te disse ontem que eu precisava fazer uma coisa.- disse Leonardo.

- Claro que me lembro.- respondeu Paloma.- E eu estou muito curiosa desde ontem.

- Mas não vai ficar por muito mais tempo.- falou Leonardo, lhe entregando um pacote.- Tome, é isso que eu tinha que fazer.

- É pra mim?

- Sim, é. Abra, eu garanto que você irá gostar.

Paloma abriu o pacote com cuidado e viu dentro do pacote um diário com a capa toda em relevo dourado, junto com uma rosa branca. Paloma sorriu. Leonardo era o único que sabia que ela gostava de rosas brancas.

- E ai, o que você achou?- perguntou Leonardo.

- É lindo Leonardo. Mas você não precisava se incomodar.

- Que isso, não foi nada. Afinal, nós somos amigos ou não somos?

- É claro que somos.- respondeu Paloma, sorrindo.

Leonardo se levantou e saiu. Paloma ficou a ver o diário, e quando ela abriu na primeira folha do diário, teve uma grande surpresa. Escrita com tinta verde, estava uma mensagem para ela.

"O passado já se foi

e o futuro pode nunca vir,

então viva a sua vida para o presente,

 com alegria e esperança que um dia

 você irá vê-lo de novo,

e nesse dia, vocês serão muito felizes.

Pode ter certeza".

Do seu amigo,

Leonardo.

- Você realmente não precisava se importar comigo.- disse Paloma quando guardou o diário e se levantou do banco e saiu andando.

Três anos depois...

Paloma estava com Leonardo no aeroporto. Leonardo estava esperando o vôo que o levaria para Londres, onde conseguira uma bolsa de estudos numa das mais conceituadas universidades da Inglaterra.

- Chegamos cedo.- disse Paloma.

- É verdade. Eu estou tão ansioso em pegar esse vôo. Quem diria que eu iria ganhar uma bolsa de estudos para fazer o curso Medicina na Inglaterra? Era mais fácil você ter conseguido vaga para estudar no exterior.

- Mas eu vou estudar no exterior. Vou fazer a pós-graduação do meu curso em Livorno, na Itália. Fui convidada por um dos reitores da universidade de Livorno, que me disse que assim que eu terminar o meu curso aqui em Tóquio, eu já tenho vaga garantida para fazer a pós-graduação lá.

- Pra você ver, não é?

- Ver o que? Como conseguimos essas vagas?

Leonardo soltou um risada. Paloma perguntou:

- Você vai voltar para Tóquio algum dia?

Ele ficou quieto por alguns instantes. Parecia refletir na pergunta que Paloma fez, quando o alto-falante chamou todos que iriam pegar o vôo da 10:00h com destino a Londres. Leonardo pegou a mochila e se dirigia ao portão de embarque. Mas, no meio do caminho, ele se virou e respondeu para ela:

- Eu vou voltar com certeza, Paloma. Pode esperar.

Leonardo ia se afastando até desaparecer da vista de Paloma.

- Até algum dia, Leonardo.- disse Paloma, se afastando dali.

Linha do tempo: tempo atual

Paloma se levantou da cama com álbum de fotos no seu colo. "Será que um eu irei te ver de novo, Leonardo." Pensou Paloma. Ela guardou os álbuns de fotografia, e foi para a sala pegar a maleta onde estavam as pistas sobre o caso do assassino anônimo, ou seja que não? Ela já sabia quem era o assassino, só não sabia ainda como pegá-lo. Ela estava pensando como o faria, quando o telefone tocou. Paloma atende:

- Alô?

- Paloma sou eu, Tomoyo.

- Olá Tomoyo. O que foi para me ligar tão cedo?

- Eu queria te avisar que o Tales me convidou para sair.

- Quer dizer que ele finalmente reuniu coragem para convidá-la para sair?- pergunta Paloma.

- Ele reuniu sim. Eu vou passar a noite na casa do Tales e volto amanhã por volta das quatro das tarde.

- Tudo bem. Tenha um bom divertimento. 

- Obrigado. Até amanhã.

- Até.

Paloma desligou o telefone. "Ele seguiu o meu conselho." Pensou Paloma. Ela voltou a pensar como pegaria o assassino, até que depois de duas horas, ela acabou adormecendo ali mesmo no sofá.

No dia seguinte...

Paloma despertou com alguém batendo a sua porta. Ela olhou o relógio e viu que era 7:30 da manhã. "Quem é o louco que está batendo na porta a essa hora da manhã?" Pensou Paloma. Ela foi até a porta e abriu. Sakura estava parada na porta, com a expressão sóbria.

- O que você tem para me acordar tão cedo num sábado?- perguntou Paloma.

- Eu tenho que resolver algo com você Paloma e eu vou resolver aqui e agora.

Paloma observou Sakura e diz, com uma voz séria:

- Eu já sei o que você quer resolver comigo, mas, prefiro que você mesma conte pra mim.

- Não preciso contar se você já sabe o que eu quero te dizer.

- Você está com ciúmes de mim, Sakura?- pergunta Paloma, indo direto ao ponto.

- Eu, ciúmes de você? Imagina.

- Você está com ciúmes. E minha amiga, seus ciúmes são sem fundamentos.

- Você diz isso porque não sabe a dor de ver a pessoa que se ama junto com outra pessoa.

- Quer dizer que você acha que o Shaoran gosta de mim e não de você, minha cara amiga? Como você está enganada.- diz Paloma calmamente.- Por acaso você não vê o rosto dele quando o seu nome é pronunciado? Ele fica profundamente emocionado. Ele te ama assim como você o ama. E, se quer saber a minha opinião sincera, você devia falar o que sente.

- Como eu vou saber que você não está dizendo isso para me animar?

- Pois eu estou falando sério, e muito sério.

Sakura se virou e saiu correndo. Paloma sorriu e a seguiu por todo o caminho que ela fez até parar no parque. Ali, Paloma deixou o carro estacionado e seguiu Sakura a pé. Sakura começou a correr até que tropeçou numa pedra e caiu com tudo no chão.

- Você está bem Sakura?- pergunta uma voz.

Sakura levantou o olhar e viu que Shaoran estava estendendo a mão para ajudá-la a levantar. Ele diz:

- Foi um tombo e tanto.

- É, foi mesmo.

- Por que você estava correndo?

- Eu tive a sensação de ser seguida.

Realmente Sakura estava certa, Paloma estava a seguindo.

- Isso não é de surpreender.- diz ela, com um sorriso.- Afinal de contas, eu sou membro da Fênix Negra.

- Sakura, eu posso te dizer uma coisa?

- Claro que pode Shaoran.

- Na verdade, não é dizer, é fazer. Mas, espero que não se ofenda.

- O que quer dizer com isso?

- Você entenderá.

Ele a puxou ao encontro de seu corpo e a beijou, firme e suavemente, e com muito amor. Ela no começo estranhou, mas enquanto o beijo se desenrolava, começava a retribuir com o mesmo amor. Quando eles se separaram, ofegantes e mais apaixonados do que antes disso tudo acontecer. Ela pergunta:

- Era isso que você queria fazer?

- Sim era, e não me arrependo de ter feito o que fiz.

- E nem eu me arrependo de deixar isso acontecer.

- Você quer dizer que...

- Eu te amo desde que eu te conheci. E sabe de uma coisa, eu quase arranjei um briga feia com a Paloma, por que eu tinha ciúmes dela.

- Sakura, você quer saber de uma coisa? Eu também te amo desde o dia que a conheci, na faculdade, quando tentaram matar você e a Tomoyo. Desde daquele dia eu não consigo te esquecer. E outra coisa, Paloma é apenas uma aliada.

- Ela é bonita e pode inflamar qualquer homem que ela quiser.

- Só que Paloma não chega nem próximo de você. Mas chega de falar do outros, aqui estão apenas nós dois. Dê um tempo para eles.

Ela sorriu e eles se beijaram novamente. Paloma observava tudo escondida atrás de uma das árvores do parque. "Que bom que eles dois se declaram. A vida deles será mais feliz a partir de agora." Pensou Paloma. Ela sorriu e foi embora.

Às quatro horas da tarde...

Quando Tomoyo chegou no prédio, ela viu Paloma consertar uma moto que ela tinha desde do final da adolescência.

- Se divertido?- pergunta Tomoyo, se aproximando de Paloma.

- Muito.- responde Paloma.- Faz tempo que não mexo nessa moto, que acho que tenho dar uma checada antes de subir. Vai lá que eu tento subir na moto e ela explode?

- Vira essa boca pra lá.

- Calma, eu estou apenas brincando.- disse Paloma, sorrindo.- Pronto, ela já pode voltar à ativa.

- Você tem documento?

- Se quer dizer habilitação de moto, tenho. Renovo todo ano. Como foi o encontro?

- Eu vou te contar, mas não aqui fora.

Paloma guardou a moto na garagem e as duas entraram no apartamento. Lá ambas ficaram a conversar até as nove e meia da noite, quando Tomoyo foi dormir. Paloma esperou Tomoyo adormecer totalmente, quando ela voltou para a sala e ficou ouvindo música.

Por volta das onze da noite...

Paloma saiu de casa com sua moto. Percorreu um longo trajeto, quase voando na moto. Ela chegou na fonte do parque, que fica no centro lado da cidade.

- Espero que me perdoem, meus amigos. Sylvan, você me vai me pagar muito caro por isso, mesmo sendo meu irmão. Acho que vou fazer uma coisa que nunca pensei que iria fazer, chamar Mikael e fazer uma aliança com ele.

"Talvez ele me ouça, talvez não, mas eu tenho ao menos que tentar. Mikael é mais vingativo do que eu, e com certeza se souber disso, vai querer acabar com ele pessoalmente." Pensou Paloma, num aceno de frieza. "Mas, ele é um traidor da Fênix Negra, e eu tenciono matá-lo eu mesma por isso. Não, o mataremos juntos, como matamos aquele cretino que matou Caio e Alexsia, isto é, se ele aceitar a proposta. Não, como eu posso pensar em matar o meu próprio irmão." Ela pegou o celular e discou um número. Uma voz masculina atende o telefone, perguntando:

- Alô, quem fala?

Paloma riu e acabou falando em um tom de seriedade:

- Não vai me dizer que não se lembra de mim Mikael.

Paloma ouviu voz de Mikael falar, tremendo de susto:

- Essa voz... não... não pode ser. Mia Jaelish, é você?

- Que bom que me reconhece.

- Você não está morta?

- Quem te disse essa besteira? Sou tão difícil de tombar quanto você.

- O que você quer?

- Eu apenas quero conversar com você. Eu já te digo que a partir desse momento, é melhor você ficar de olhos bem abertos, pois eu espalharei mensagens por todos os lugares que você passar.

- O que você quer dizer com isso?

- Você vai entender, pode ter certeza disso. Até logo.

Paloma desligou o celular.

- Sua resposta é desnecessária, por enquanto.- diz Paloma, olhando para o céu.- E você vai me entender quando eu terminar de fazer o que tenho em mente.

Paloma se virou e foi até a moto. Subiu na garupa e voltou novamente para casa.

Segunda-feira de manhã...

Paloma entrou na delegacia e foi até a sala onde trabalhava. Ela estava totalmente distante do mundo real. Tales entrou na sala e viu Paloma sentada num canto, pensativa. Seu rosto estava encoberto pelos seus cabelos, seu ar era intuitivo e melancólico, denotando uma profunda dúvida. 

- O que foi Paloma?

- Tales, eu tenho que fazer uma escolha muito difícil. Tenho que escolher entre a vida do meu irmão ou o meu dever como policial.

- Eu não posso te ajudar Paloma?

- Infelizmente não, Tales. Essa escolha é minha e de ninguém mais.

- Mas você terá que escolher entre o seu dever como policial ou a vida do seu irmão. Você sabe que isso é a mais difícil das escolhas que você fará.

- Eu acho que essa não será a mais difícil das escolhas que fiz, faço e farei na minha vida, Tales. Haverão muitas outras, tão ou mais difíceis do que esta, só que esta mexe com as duas das coisas que eu mais prezo nessa vida, que o meu irmão e o meu dever.- responde Paloma.- Realmente, eu sei que iria fazer escolhas difíceis, mas, eu nunca pensei que um dia eu iria ter que decidir entre a vida e o dever.

Tales ficou quieto, e se sentou do lado de Paloma. Ele viu Paloma se interiorizar em pensamentos, e a sala ficou silenciosa por vinte minutos, até que Paloma diz:

- Eu já fiz a minha escolha, Tales.

Fim do 4º capítulo

Qual será que foi a opção que Paloma escolheu? Vocês devem estar se perguntando, por isso digo espere o próximo capítulo. Bruninha, aí está o romance que você me pediu. Desculpe se demorei para colocá-lo, pois eu estava sem idéia de como colocar, tá bem? Eu queria avisar a todos que o poema que a Paloma escreveu e a mensagem que Leonardo deixou no diário dela são de minha autoria, portanto, se quiser usar eles em algum fic, peçam pra mim antes. Bem, digam o que acharam e não tenham medo de criticar se não gostaram, pois as opiniões são suas, então devo respeitar.