Vítima do Acaso - capítulo 4
Fandon: Supernatural
Personagens principais: Sam / Dean / John
Sinopse: Com a mesma rapidez com que se apaixonara, Dean agora estava com o coração partido. E sem poder acreditar que aquele garoto de sorriso meigo e olhos pidões, pudesse ser mesmo um assassino cruel.
Nota: Sam e Dean não são irmãos, e também não são caçadores.
Durante a noite, enquanto Dean dormia profundamente, Sam resolveu ir até a cozinha pegar um copo dágua, e acabou ouvindo John conversando com outro policial na porta...
- Você disse que acharam a faca? Mas onde? – John parecia nervoso, e Sam sentiu seu coração querer sair pela boca ao perceber sobre o que estavam falando.
- Estava jogada no mato, a uns cem metros da casa – Respondeu o policial que Sam não pode reconhecer.
- Mas tem certeza que era mesmo a arma do crime?
- Sim, o perito confirmou, não resta nenhuma dúvida.
- E o que deu na análise? Alguma pista?
- É por isso que eu vim pessoalmente até aqui, John. Acho que encontramos o assassino.
- Encontraram? Então...
- John, a faca continha as impressões digitais do garoto. Do Samuel. E eu achei que... como você o está abrigando, deveria ser o primeiro a saber.
Sam ficou branco e petrificado ao ouvir isso... Não podia acreditar... não, isso não podia ser verdade...
- Você... tem certeza disso? – John perguntou apreensivo.
- Sim, John. Certeza absoluta. Teremos que interrogá-lo novamente pela manhã. E como agora ele é o principal suspeito, você sabe que muda tudo...
- Ok, é... Isso é realmente uma surpresa pra mim. Bom eu... eu o levarei para depor logo pela manhã.
- Ok John, até mais. Aguardamos vocês pela manhã, e tome cuidado!
Sam correu de volta para o quarto e se enfiou debaixo das cobertas, fingindo dormir.
John se encostou na porta, incrédulo. Como podia ter se enganado tanto? Foi até a sala, se serviu de uma dose de uísque e foi até o quarto dos garotos. Abriu a porta e os observou, pensando se daria a notícia neste momento, ou somente pela manhã. Achou que seria melhor deixar para o outro dia, assim Sam poderia ter uma última noite de sono tranquilo.
Quando Sam percebeu que John voltou para o seu quarto, levantou da cama e se trancou no banheiro, chorando em desespero. Não sabia o que fazer, que atitude tomar... Se permanecesse ali, com certeza seria preso, e se fugisse... Mas fugir como? Sem dinheiro? Sem ter para onde ir...
Saiu do banheiro e ficou observando enquanto Dean dormia... Como viveria sem o amor da sua vida?
- Dean? – Sam chamou baixinho.
- Dean! Acorda! – Chamou novamente, o sacudindo.
- Sam? Que horas são? Aconteceu alguma coisa? – Dean perguntou preocupado, vendo que Sam estava chorando.
- Sim, eles... encontraram a faca, Dean. Eu... eu matei o meu pai! – Sam disse se agarrando ao pescoço de Dean, e o abraçando forte.
- Que merda você está falando, Sam? – Dean ainda não estava entendendo nada.
- A faca, Dean... tinha as minhas digitais. Eu ouvi o policial falando pro seu pai!
- Sam, espera... se acalma! Eu vou até lá falar com ele.
- Não! Dean... eu preciso da sua ajuda... por favor?
- Sam, o meu pai é experiente, ele vai saber o que fazer.
- Não, eu vou ser preso! Eu não quero ser preso, Dean! Por favor? - Sam implorava desesperado.
- Sammy... calma! Calma! O que você quer fazer então?
- Eu tenho que fugir, Dean. Eles vão querer me interrogar pela manhã, eu tenho que fugir agora!
- Não, por favor, nós não podemos fugir assim!
- Nós não, Dean! Eu vou sozinho. Se você sair com o seu carro, o seu pai vai perceber. Eu só preciso de algum dinheiro. Por favor Dean, me ajude?
- Mas isso é loucura, você nem tem pra onde ir!
- Eu me arranjo! Eu só tenho que sair daqui agora! - Sam insistia chorando.
- Mas Sam, você promete que me liga assim que estiver em um lugar seguro? Eu vou ver como vão ficar as coisas por aqui, e depois vou atrás de você. Promete que vai me ligar?
- Eu prometo, Dean! Eu prometo!
- Então arrume suas coisas que eu vou pegar algum dinheiro.
Sam colocou o que podia em sua mochila, e Dean lhe entregou algum dinheiro que tinha em casa, o que daria para ele se virar por alguns dias.
- Eu preciso ir agora, antes que o seu pai perceba alguma coisa.
- Sammy eu... eu acho que nós estamos fazendo merda, nós devíamos falar com ele primeiro.
- Não dá, Dean. Não dá, eu tenho que ir. Me desculpe!
- Eu te amo, Sam! Não esqueça disso! Só por favor, se cuide e se mantenha em algum lugar seguro. E me ligue dando notícias, não esqueça... Não me deixe nesta aflição!
- Eu vou ligar Dean, e eu também amo você!
Se beijaram, quase sem forças para se soltarem, mas finalmente Sam se foi... Dean sabia que estava errado, mas como poderia se negar a ajudá-lo?
Dean ficou por algum tempo parado no portão, apenas olhando para a escuridão, sentindo um pedaço de si se partindo...
John levantou cedo pela manhã, e encontrou Dean na cozinha, sentado, pensativo, com uma xícara de café já fria em sua frente.
- Aconteceu alguma coisa, Dean? Você parece abatido...
- Ele foi embora, pai!
- O que?
- O Sam, ele... ouviu você falando com o outro policial ontem a noite, e foi embora.
- Dean, mas... como? Você não podia ter deixado ele ir! Onde você estava com a cabeça?
- Eu sei que não, mas... ele me pediu, estava desesperado, pai. Eu não consegui segurá-lo. Eu dei dinheiro a ele, o pouco que eu tinha em casa, e ele se foi.
- Que merda Dean! Que merda! Eles querem interrogá-lo, o que eu vou fazer agora? - John bateu o punho na mesa, nervoso.
- Dizer a verdade. Desculpe, pai... Eu não queria te colocar nesta situação, mas...
- Dean, eu sei que a sua intenção foi boa, mas você já pensou no tamanho da besteira que vocês fizeram?
- Acho que sim.
- Fugir é o mesmo que se declarar culpado. Se ele tinha alguma chance, ela foi pro espaço agora. Você ao menos sabe para onde ele foi?
- Não, nem ele mesmo sabe. Mas vai me ligar assim que estiver em um lugar seguro.
- Ele tem um celular? Existe alguma forma de você falar com ele?
- Não, eu não pensei nisso antes. Não tem outro jeito, vamos ter que esperar ele ligar.
- Droga! O que ele vai fazer sozinho por aí, sem ter pra onde ir, e ainda agora sendo procurado pela polícia? Porque é isso o que vai acontecer, Dean. Ele não vai conseguir, e as coisas vão piorar muito pro lado dele depois disso.
Quando John olhou, percebeu que Dean estava chorando...
- Dean, eu sinto muito, mas as digitais dele estavam na arma do crime. E você sabe o que isto significa...
- Eu não consigo acreditar nisso, pai! – Dean dizia entre as lágrimas – Ele não pode ser um assassino! Não o Sam...
- Eu lido com isso o tempo todo, filho... Você não faz idéia do quanto podemos nos enganar com as pessoas.
- Eu só... preciso ficar sozinho agora, por favor...
- Ok, eu estou indo para a delegacia. Vou ter que enfrentar, seja lá o que for.
Dean voltou para o quarto e jogou-se na cama, desesperado e arrependido por não ter seguido seus instintos, e procurado seu pai antes.
Não podia ter deixado Sam ir embora daquele jeito. Onde ele estaria agora? Sozinho, talvez correndo perigo. Mas também como poderia dizer não a ele? Como poderia negar ajuda, com ele lhe implorando daquele jeito?
Agora também não adiantava de nada arrepender-se. Só podia rezar para que Sam estivesse bem, e aguardar sua ligação...
Continua...
