Autor: Matthew Black Potter Malfoy

Beta: Amy Lupin

Shipper: Albus Potter/Scorpius Malfoy

Disclaimer: Que tipo de escritor consegue tornar algo que era pra ser fluffy em um draminha e ainda ganhar dinheiro com isso? ¬¬º


Eu adorava as visitas do meu avô. Minha mãe ficava visivelmente incomodada todas as vezes que Lucius Malfoy visitava Wiltshire, no entanto. Ao longo dos anos, a peguei discutindo com meu pai algumas vezes sobre como Lucius soltava alguns comentários preconceituosos como se isso fosse algo comum.

"Ele se tornou aquele tipo de velho que não se preocupa com o que diz e que acha que é dono da verdade." Minha mãe dizia, provavelmente revirando os olhos.

"Ele não se tornou assim, Astoria." Meu pai soou calmo, provavelmente sorrindo. "Ele sempre foi assim."

"Só tenho medo de como ele pode influenciar Scorpius."

"Não acho que seja necessário se preocupar, querida. Scorpius não é um garoto influenciável como eu fui." Eu notei como meu pai soava um tanto quanto triste com aquelas palavras.

Apesar de discordar de muitas coisas que meu avô pregava como verdade absoluta, eu nunca disse nada diretamente para ele, pois eu o respeitava muito.

Quando ele apareceu na plataforma naquele verão para me buscar, junto com meus pais, eu sabia que algo estava errado. No entanto, a notícia de que ele estava doente não me abalou. Eu achava que nada poderia derrubar Lucius Malfoy. Todavia, o fato de que ele e vovó Cissy voltaram para a mansão mostrou-me que as coisas eram piores do que imaginava. Apesar de ter pouco mais de 60 anos apenas, eu percebi que ele estava abatido e cansado.

"O que está acontecendo entre você e...Albus Potter?" Ele perguntou, uma tarde, enquanto eu estava lendo um livro ao lado de sua cama.

"Como assim? Nada."

"Ah! Tudo bem...eu me enganei!"

"Por que você pensou isso?"

"Por nada." Ele disse me encarando. "É que você fala nele o tempo inteiro."

"Eu falo?" Disse, tendo consciência de que estava corando.

Ele balançou a cabeça de maneira simples, me presenteando com um dos seus raros sorrisos.

"Eu não sei. Acho que são os olhos dele." Comecei sem me conter. "Pode ser o sorriso."

"Mas o que você realmente acha dele?" Ele me perguntou, arqueando uma sobrancelha.

Eu não entendi, então franzi o cenho.

"É como magia, Scorpius." Ele começou a dizer daquela maneira calma que usava apenas comigo. "Existe a magia branca e a negra. Muitas pessoas acham que só é necessário entender uma delas, mas sozinhas elas não são nada. Você só pode compreender a magia de verdade quando olha os dois lados com atenção. Aí sim é mágico!"

Eu não entendi o que ele queria dizer naquele dia. Nem durante os próximos meses. Foi só quando retornei a Hogwarts depois de seu funeral e encontrei Albus festejando com outras pessoas que eu compreendi.

Ele estava festejando a morte do meu avô.

E foi então que a realidade caiu sobre mim. Albus Potter não era a pessoa boa e gentil que eu imaginava. Ele era alguém egoísta, alguém que se alegrava com o sofrimento alheio.

Naquela tarde, eu me sentei no parapeito da janela de uma sala de aulas vazia, olhando como o por do sol tingia o céu de laranja, quando alguém tocou meu ombro.

"Tia Luna?" Minha voz soou rouca pela falta de uso quando vi aqueles grandes olhos me encarando.

"O que você está fazendo aqui sozinho, Scorpie?"

Ela era a única que me chamava daquela maneira. Malfoys não tinham o habito de colocar apelidos em ninguém e não é como se Rachel ou Parker fossem diferentes.

Eu apenas abaixei a cabeça, desviando meu olhar do dela. Eu não queria que ela notasse que eu andara chorando.

"Eu estava procurando companhia para um chá e Neville e Hannah estão ocupados, querido." Ela disse de maneira distraída. "Você estaria livre?"

Eu sabia que aquilo era mentira. Mas me senti grato pela intenção dela. Estava mesmo precisando de companhia.

Não sabia se o que venceu minha força de vontade em conter as lágrimas foi a forma doce que ela me tratou ou o forte cheiro do chá que impregnou minhas narinas. Só sei que em menos de dez minutos eu estava deitado no colo da Prof.ª Scamander, chorando de forma pouco digna.

Também não soube se foi o cansaço ou a tristeza que me levou a adormecer. Só soube que, quando ele acordei, pela primeira vez em muito tempo, não tive vontade de procurar por Albus Potter.

É claro que eu continuei indo às aulas e fazendo o melhor que pude, mas eu não era mais o primeiro aluno da turma. E não me importava nenhum pouco que Rose Weasley estivesse despontando na minha frente. De alguma forma, feitiços, poções e animais fantásticos já não pareciam mais tão importantes quanto antes.

Eu evitava os locais em que sabia que as pessoas estariam agrupadas. Nem mesmo aos jogos de quidditch eu ia mais. Não era como se alguém houvesse me dado alguma chance de mostrar meu talento em cima de uma vassoura, de qualquer forma.

Não, claro que não! Quando o brilhante Albus Potter conseguira uma vaga de artilheiro no time, no nosso segundo ano, o restante de nossa casa achou que ter um Potter no time fosse suficiente para qualquer equipe.

Eu estava jantando no grande salão - nas últimas semanas estava chegando ali o mais tarde possível e era uma das poucas pessoas naquele horário, pois sabia que não seria incomodado - quando Flavius, minha coruja, chegou com uma carta. Eu a abri, me preparando para ser mais uma das infinitas cartas de minha mãe, perguntando sobre como fora meu dia. Entretanto, essa era do meu pai.

Querido Scorpius,

Recebi uma carta hoje que, confesso, não tenha me agradado. Luna Scamander me disse que você está cabisbaixo e desatento. Que não passa o tempo livre com seus amigos ou com qualquer outra pessoa.

Eu sei que você está triste, meu filho. Saiba que sei exatamente como você se sente. Mas uma coisa você tem que entender. Seu avô não gostaria de te ver assim. E nem eu gosto de imaginar que você está sofrendo.

Quero que saiba também que você era a pessoa que ele mais amava no mundo. Depois de sua avó, é claro. Então não fique assim.

Se você precisar de alguém para conversar e Luna não estiver disponível, saiba que pode procurar uma velha amiga minha no banheiro feminino do primeiro andar (não, isso não é uma piada!), caso encontre com ela, diga que mandei lembranças.

Se mesmo assim você não se sentir bem, volte para casa. Eu e sua mãe cuidaremos de você aqui. Não cometa o mesmo erro que eu tendo vergonha de assumir que o peso é demais para carregar sozinho.

Do pai que te ama muito.

PS: Se nada disso funcionar, estou anexando uma foto que tenho certeza que te mostrará o quanto merece sorrir.

Sequei uma lágrima que estava pendurada em meu cílio direito antes de pigarrear, desobstruindo as vias aéreas que haviam ficado embargadas pelo choro contido.

Quando puxei o envelope novamente, uma foto que eu ainda não tinha percebido que estava ali caiu sobre a mesa.

Na foto, mamãe estava recostada em alguns travesseiros, segurando um bebê no colo - que supus ser eu mesmo. Ao lado, meu pai, sorria bobamente, seu olhar grudado no pequeno embrulho de cobertas no colo de minha mãe.

Mas o que chamou minha atenção na foto não foi o casal.

Meus avós e tia Daphne estavam ao redor da cama e, enquanto os Greengrass apresentavam sorrisos de orelha a orelha, Lucius e Narcissa postavam-se rigidamente para a foto.

E aquilo me alegrou de uma maneira tão grande que achei que fosse transbordar.

Muitos podiam achar que meus avós paternos eram frios e distantes, mas eu conseguia ver por trás daquele ar formal e introspectivo todo o amor contido em seus pequenos movimentos. Fosse o modo como vovó Cissy levava a mão ao ombro do papai acariciando vez ou outra ou no leve franzir dos lábios do vovô Lucius, eu sabia que aquilo era amor.

Não precisei procurar a tal amiga que meu pai falara, e não pude atribuir sentido àquilo, pensando que, se não se tratava mesmo de uma piada, eu poderia perguntar na próxima carta quem era a amiga em questão.

Naquela noite, subi cedo para o dormitório. Estava tendo treino de quidditch e provavelmente meus colegas demorariam a voltar. Retirei a foto dos meus pais, que antes ocupava o porta-retratos em minha cômoda, para substituí-la pela nova foto.

Estava distraído em lembranças vagas sobre meu avô, quando Albus entrou pela porta, já sem a parte de cima do uniforme sujo de lama. Ele estacou a caminho do banheiro quando notou meu olhar.

Os olhos verdes vagaram do meu rosto para o porta-retratos e de volta para mim. Eu rapidamente agarrei meu pequeno tesouro abraçando-o contra o peito, antes de cerrar as cortinas.

Meu pequeno porta-retratos era a primeira coisa que eu via pela manhã e a última que via antes de dormir. E quando pude olhar para ele sem chorar é que pude ver mais do que minha família, eu vi o dia em que meu olhar sobre as coisas começou a mudar. E pensei: será que meus sentimentos sobre Albus ainda eram os mesmos?