Capítulo
4: "Ainda não acabou até Ana cantar"
(É
uma expressão)
O nascer do dia trouxe com ele várias mudanças na ilha, agora que a maioria dos homens se fôra. O plano de Ana Lucia de transformar o lugar numa Ilha das Lésbicas, embora totalmente ignorada, já estava sendo implementado. Sem surpresa, ela e Libby eram as que estavam dando andamento a tudo. E Charlie, desejando ser aceito e se manter em dia com a mudança dos tempos, também fez uma importante decisão em sua vida e se tornou lésbica.
Kate, determinada a se manter forte frente a ausência de Sawyer, se declarou uma mãe solteira ferozmente independente e estava no momento, tentando convencer Sun a se unir à luta contra a discriminação à mãe solteira.
"Que
discriminação?" perguntou Sun.
"Eu vejo
como as pessoas me olham, agora que Sawyer se foi."
"Acho
que eles estão tentando lhe dizer para você impedir que
Gunner corra por aí nu, tentando colocar fogo nas coisas...
Especificamente, na cabana de Locke?"
"Ele está
passando por um mau momento agora," foi tudo que Kate teve para
dizer.
É, a ilha, definitivamente, havia mudado nas
poucas horas em qeu os homens haviam desaparecido. De fato, a
evidência foi clara até para os próprios homens,
assim que voltaram do angustiante ordálio com os Outros, bem a
tempo de assistir a um jogo de hóquei regado a muita
testosterona, na qual Ana Lucia e Libby estavam tomando parte.
Poucas
horas havia se passado desde sua captura, mas, todos os rapazes que
tinham sido levados estavam de volta. Todos, menos Jack. Ana e Libby
foram as primeiras a notar a volta. Ambas pareceram desapontadas.
Despois disso, entretanto, mais pessoas começaram a notar e
correr em direção a eles, felizes por vê-los
vivos.
Mas, Ana não iria aceitar isso tão
facilmente. A primeira coisa que ela fez como a nova líder da
ilha (além do lesbianismo) foi colocar todos os homens num
tipo de quarentena. Eles haviam ido por poucas horas, mas, ainda
assim, podiam ter sido "comprometidos" afinal de contas.
Felizmente, ela já tinha cavado uma cova para colocá-los
dentro. Era, originalmente, uma cova para seu próximo
"acidente" (na verdade, vítimas, já que era
uma cova bem grande), mas, podia ser usada para isso, também.
Então,
antes que qualquer um pudesse se reunir propriamente com seus entes
queridos, os caras foram colocados numa cova de 4 metros de
profundidade, numa parte separada da praia. Ir vê-los era como
visitar alguém numa prisão.
Ou pelo menos foi como
Kate explicou a situação a seu pequeno filho.
Ela e
Gunner se ajoelharam em frente a grade de bambú que cobria o
profundo buraco e olhou para Sawyer.
"Pensei que nunca
veria você de novo," disse Kate. Ela estendeu sua mão
através do bambú e Sawyer a alcançou,
agarrando-a como se ele tivesse pensado o mesmo. Graças a Jin,
em cujas costas ele estava em pé no momento, para poder
segurar a mão dela.
"Você sabe que eu nunca te
deixaria, Freckles."
"Kate," disse Sayid, vindo de
trás de Sawyer. "Todos nós sabemos que você
deseja estar ao lado de Sawyer novamente. E o resto de nós
gostaria de ir para casa. Então, se você
puder-"
"Shhhh," disse Gunner, estendendo o dedo
indicador verticalmente sobre a boca. "Mamãe e Papai
falando."
Sayid olhou para o garoto sem achar graça.
Decerto, todo mundo no acampamento achava Gunner adorável,
mas, não Sayid. Ele o achava um garotinho mal-criado, com um
nome idiota tipicamente americano. O que não estava muito
longe da verdade.
Mas, não era apenas Gunner de quem ele não gostava, era de todas as crianças. Haviam muitas crianças na ilha por algum tempo, mas, quanto mais velhas elas ficavam, menos Sayid gostava delas. Ele nunca entendia sua lógica. E elas nunca falavam nada relevante, também. Ele esperava que Jacka Sayida fôsse diferente.
"Sim, Gunner," disse ele, "mas, há outros assuntos urgentes no momento. Kate, parece que tem um grande objeto fazendo peso no no bambú nesta parte coberta. Uma pedra, talvez. Se você apenas-" Suas palavras ficaram presas na garganta quando ele tossiu, subitamente engasgando com um punhado de areia.
"Poderia, por favor, dizer a seu filho para parar
de jogar areia em mim?"
"Estou fazendo um grande jantar
de boas-vindas para você, quando sair daqui," disse Kate a
Sawyer. Sawyer sorriu. "Que tal um café da manhã
de boas-vindas? Estou morrendo de fome."
"Mas, vocês
não vão sair daqui até a hora do jantar."
disse ela.
"Como é que é?"
"Kate,
Ana não está aqui, agora," disse Sayid. "Você
pode facilmente levantar-"
"Mamãe, quer fazer
xixi!" exclamou Gunner.
"Ok, Gun, vai em frente,"
disse ela. "Ana diz que vocês todos, provavelmente,
ficaram comprometidos e que é melhor que fiquem aqui por um
tempo para esquecer tudo que os Outros fizeram com vocês."
Sawyer
riu. "Você não acredita nela, acredita?" E
depois, mais seriamente ele disse, "acredita?"
Ela
sacudiu os ombros "É só uma precaução."
"Seu
filho está urinando na minha cabeça!" berrou
Sayid.
"Papai, tô fazendo xixi!"
"Muito
bem, Gun." Sawyer voltou sua atenção para Kate.
"Nós não estamos comprometidos!"
"Ok,
com certeza, Pookie. Você me conta tudo no jantar, que
tal?"
Ela se levantou e limpou a areia dos joelhos. E assim que Gunner acabou de mijar na cabeça de Sayid, chutou mais areia nos olhos do homem.
"Aonde vai, Freckles?"
perguntou Sawyer enquanto ela ia embora, ao passo qeu Sayid gritava
alguma coisa sobre suas córneas queimando.
"Vejo você
em aproximadamente 14 horas, Sawyer!'
Gunner abanou a mãozinha.
"Volte aqui!" gritou Sawyer. "Locke
precisa ir ao banheiro!"
"Preciso mesmo," concordou
Locke. "E não é o Número 1." E sorriu
jovialmente.
Sawyer começou a pular, vendo apenas as figuras de Kate e Gunner desaparecendo e consequentemente causando um grande dano nas costas de Jin. Ele também viu, entretanto, uma nova pessoa se aproximando da cova. Eram na verdade, duas pessoas.
Ana se curvou sobre a cova e escarneceu de seus novos
habitantes.
"Estão gostando da cova?" Perguntou
ela a eles.
"É meio, sabe...quente aqui embaixo,"
disse Hurley.
"Parece uma coisa que os Outros mandariam
você falar," Respondeu Ana. "Só por
curiosidade, Jack está morto?"
Eko respondeu. "Não,
ele não está. Ele foi o único de nós
disposto a fazer o que os Outros pediram dele. Ele é um bravo
e estúpido homem."
Ana franziu a testa. "Ele vai
voltar?"
"Pode levar meses, talvez anos antes que
possamos vê-lo outra vez."
Ana considerou. "É
uma promessa?"
"Você quer alguma coisa ou sua
presença é apenas uma punição adicional?"
rosnou Sawyer.
Ana sorriu e enfiou um longo galho através
do bambú. Ela futucou todos os homens lá dentro, até
chamar sua total atenção.
"Escutem," disse
ela, "Vocês todos vão ficar aí por mais
algumas horas. Mas, sei que todos devem estar sentindo falta de uma
companhia feminina. Então, lhes trouxe Charlie."
Ela
abriu a grade de bambú e deixou Charlie pular lá
dentro.
Ele se pôs de pé e sorriu afetuosamente ao ver seus amigos de novo. "Ei, rapazes. Eu sou lésbica, agora."
