Saint Seiya é de autoria de Masami Kurumada, todos os seus direitos reservados.
Agradeço a Alana por ter betado e ter me incentivado tanto a escrever essa fanfic.
É odiável amar você
por Pisces Luna
Capítulo IV
Não era de se admirar que aquela visita à casa de Áries tivesse provocado tamanha revolução nos pensamentos de June que não conseguia parar de pensar naquilo um minuto sequer.
Agoniada, irritada, mortificada, preocupada e sem saber o que fazer. Afinal de contas não poderia falar com Milo, era orgulhosa demais para isso, mas se não via outra forma de conseguir informações sobre o estado de saúde de Shun então começou a relevar a possibilidade.
- E agora? O que eu faço, Marin? – perguntou a ruiva durante o intervalo de um treinamento e outro.
- Não faça nada! Você está muito preocupada com Shun, já está deixando até visível seus sentimentos por ele...
- Sentimentos de amizade! – completou claramente e de forma sincera.
Marin deu uma risada simples e depois deu de ombros, com ar de piada respondeu:
- Apesar de ser bem madura para a maioria das moças da sua idade, às vezes você consegue agir de forma bem insensata.
- Não é verdade! Eu me porto da mesma maneira todo o dia.
- June, você precisa parar de pensar em Shun e pensar em você mesma. Passou os últimos seis anos só vendo-o lutar e consolando-o?
Ela não respondeu, magoada e ao mesmo tempo refletindo sobre a questão.
- Não fale como se isso fosse um pecado.
- E não é, mas pare de se preocupar tanto com isso.
- Não consigo! – retrucou com violência socando uma pilastra próxima e machucando um pouco a mão – Eu só quero saber quando ele sai do coma, para que eu possa reestruturar a minha vida.
- Você não vai gostar do que eu vou dizer, mas eu vou falar assim mesmo... Ele nunca vai parar de lutar, vai continuar arriscando a vida em nome de Athena e isso ocorre porque para eles, cavaleiros, só existe uma mulher em quem eles realmente param e pensam todo dia: Athena. Por isso, não espere que ele se recupere, fique forte e depois volte para a ilha de Andrômeda para te ajudar a tocar aquilo tudo, pois não vai acontecer.
- Você é muito dura quando quer – respondeu sentando-se em uma pedra e deixando algumas lágrimas rolarem pela máscara branca, virando o rosto e abafando um soluço para impedir Marin de vê-la fazer aquilo.
- Eu sei, mas faço isso pelo seu bem. June, acorde! E não chore.
- Não estou chorando! – respondeu mal-criada – Eu vou dar uma volta.
- Você quem sabe – falou vendo-a se distanciar.
- Marin?
A ruiva virou-se e se deparou com um rosto amigo e uma voz firme.
- Você realmente acredita em tudo isso que acabou de disser a ela?
- Quando chegou aqui? E por que estava ouvindo minha conversa?
- Não estava ouvindo, apenas peguei o último trecho sem querer. Só não anunciei minha chegada por que a jovem parecia transtornada. É a namorada do Andrômeda, não é?
- Namorada?
- Bom, são rumores que eu ouvi pelo santuário. Mas, não mude de assunto. Quer dizer então que os cavaleiros são incapazes de amar outra mulher além de Athena?
- E estaria mentindo falando algo do gênero, Aiolia?
- Mentindo pela metade – respondeu com um sorriso nos lábios – Assim como tenho certeza de que vocês amazonas não tem um único propósito em mente, nós também não vivemos em função de uma única mulher.
- Me esqueci que alguns de vocês são poligâmicos.
Ele riu vendo-a proferir aquilo, mas a ruiva não fez nada e preferiu vê-lo executar um trajeto e ficar cada vez mais próximo dela.
- Quer ouvir um segredo?
- Se você me contar não será mais segredo.
- Claro que será, eu confio em você.
- Por quê?
- Porque sim – replicou segurando-a pelos ombros.
- E o segredo? – perguntou em um tom de voz tentando parecer firme.
Ele a fitou, suspirou fundo e depois se aproximou e disse:
- Eu te conto um dia...
Enquanto isso, June andava solitária por entre as construções e ruínas do santuário de Athena. Já fazia um tempo que estava ali e mesmo assim não tivera oportunidade de se aventurar e conhecer tudo. As palavras de Marin ecoavam em sua mente perturbada, tão insistentemente que iam acabar fazendo um furo em sua caixa craniana.
- Se Shun estivesse no meu lugar, falaria com Afrodite para descobrir um antídoto para mim? - Se abusasse muito ele faria um acordo para conseguir esse tipo de informação, pois era da personalidade do cavaleiro ser tão bondoso.
Ele definitivamente merecia um sacrifício de sua parte. Apenas falaria com Milo, pegaria as informações e nunca mais olharia na cara dele.
Ali estava ela, diante da casa de escorpião e acompanhada de seu pequeno guia particular, cedido especialmente para aquela missão.
- Obrigada, Kiki. – ela agradeceu dando um tapinha leve no ombro do garoto.
- Quer que eu entre com você?
- Não precisa, meu assunto será rápido e você tem arrumar suas coisas para poder voltar ao Japão amanhã de manhã. Vá tranqüilo.
- Será que Milo não quer que eu fique aqui também?
- Não se preocupe, não tentarei um atentado contra a vida dele.
- Ah! Eu não me preocupo com isso. Você não daria nem para o começo, ainda mais para um cavaleiro de ouro.
- COMO É? – ela falou ofendida.
- Bem, mas pensando melhor, acho que eu também não tenho condição de arrumar confusão com você. Hehe... Tchau mesmo!
Adentrou o lugar devagar, chamou pelo dono da casa, mas não foi correspondida então continuou seu percurso. Com alguns poucos detalhes, a casa de escorpião não era muito diferente se comparada a de Áries, com a diferença de ao invés de um corredor lateral, tinha uma frondosa escada de mármore branco.
- Deve ser tão solitário morar aqui... – falou para si mesma.
- Nesse caso, a convido para aparecer por aqui sempre que quiser.
Ela virou-se prontamente e se deparou com o dono da casa zodiacal descendo as escadas, cheio de pompa, mesmo não trajando a sua armadura e usando roupas comuns.
- Fico emocionado com sua preocupação, amazona de camaleão.
- Acredite, não é esse tipo de sentimento que eu nutro por você.
- Espero que não sejam de caráter amoroso, eu sou um homem comprometido com minha querida deusa. Afinal, vivo para ela.
- Não se preocupe você não corre esse risco.
- Estou mais tranqüilo – disse descendo o último degrau, caminhando pelo saguão e parando diante da garota, obrigando-a erguer um pouco o queixo para poder fita-lo – O que quer aqui?
- Conversar.
- Por mim tudo bem, sou todo ouvidos – sorriu sarcástico – Quer beber alguma coisa?
- Serei breve.
- Pode falar.
- Eu estou querendo pegar informações com os curandeiros sobre o estado de saúde dos cavaleiros de bronze...
Ele riu sarcástico e de forma discreta.
- Qual é a graça?
- Não fale como se compartilhasse do mesmo sentimento por todos os cavaleiros, o seu objetivo é saber apenas como Shun está. Tipicamente egoísta.
- Considerando que não conheço os demais, eu não julgo egoísmo. Posso prosseguir?
- Á vontade.
- A questão é que eles não informam nada a ninguém e de acordo com Mu, você, por ter um conhecimento mais amplo de tipos de veneno e uma boa lábia poderia ou falar com eles por mim ou fazer uma estimativa do coma por você mesmo.
- Hum... Ele está certo. Posso fazer isso. Mas, porque eu faria?
- Por que tem uma dívida comigo.
- Não devo nada a você e nem a Albion – falou ríspido – Esse argumento pouco me convence.
- Por gentileza, poderia fazer isso para mim?
- Não. Não poderia.
Ela bufou irritada, cruzando os braços diante do peito e parecendo se conter para não soca-lo.
- Por que eu deveria ajudar a namoradinha do Andrômeda?
- Eu não sou namorada dele!
- E não gostaria de ser? – ele aproximou-se dela e encarou-a com curiosidade, esperando uma resposta.
- Não é da sua conta.
- Tsc, tsc, tsc... Não fale assim comigo, senão não te ajudo.
- QUER SABER DE UMA COISA? NÃO AJUDE SE NÃO QUISER!
- Certo então tudo bem. Pode ir embora.
- Ótimo. Passar mal, seu cavaleiro estúpido.
- Estúpido? Você está dando patadas em mim desde quando entrou nesta casa. Deveria se olhar no espelho antes de falar dos outros.
- E você? Consegue se olhar no espelho depois de tudo o que fez com meu mestre? – ela foi com agilidade na direção da porta e se preparava para ir embora, mas foi barrada quando o portal se fechou bruscamente por Milo que agora estava parado diante dela e impedindo de prosseguir.
- Sai da minha frente.
- Não saio.
- Sai por bem ou sai por mal.
- Nervosa por quê?
- Não me agrada ser presa em uma casa com um homem que eu mal conheço.
- Não se preocupe, eu nunca faria nada com... Você. – ergueu uma sobrancelha e olhou-a com escárnio, com um jeito quase esnobe.
- Menos mal. Agora saia da minha frente. Você tem o dom de me tirar do sério!
- Escute!
- Não quero mais falar com você.
- Eu estava ganhando de seu mestre em uma luta justa entre cavaleiros. Tudo o que fiz foi em nome do que eu acreditava e por que na minha cabeça aquilo era o correto; até então vocês eram traidores e os cavaleiros de bronze vieram lutar para nos apontar justamente que estávamos errados e nos trouxeram Athena de volta.
Ele se deslocou, abaixou o rosto passando bem rente ao dela e falou próximo ao seu ouvido:
- Acho que você passou tanto tempo acumulando ódio de mim que não parou para refletir sobre os acontecimentos como eles realmente aconteceram.
Ele voltou a erguer a cabeça, colocou os ombros para trás e ficou com a postura ereta.
- Pode ir!
Ela nada respondeu e a passos rápidos desceu as doze casas, sem olhar para trás.
continua...
