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Memória III: Lupin(o) e Vance
Dono:
Remus Lupin
Música:
Anthrax – Safe Home


De repente, todas as luzes aumentam de intensidade, e cá estamos nos jardins de Hogwarts.


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- Maldita tarefa de poções! – praguejei contra a pobre e indefesa tarefa que não poderia se defender de meus protestos. Meu problema não era exatamente com ela, embora xingá-la servisse o suficiente para eu conseguir relaxar. Eu tinha de fazê-la, mas não queria pensar no professor Slughorn. Queria pensar em como faria com a minha vida de agora em diante. Olhei para cima, encarando a copa da árvore como se fosse a mais interessante das coisas. Perdia-me em meus tolos pensamentos.

Dei um longo suspiro e fechei o livro de poções. Não estava com cabeça para decorar nomes e quantidades de ingredientes. Não estava me importando com tudo aquilo, naquele momento, mesmo sabendo que talvez precisasse mais tarde. Pensei no meu mais recente caso de amor, um dos poucos que tive em Hogwarts. Três para ser mais exato. Emmeline Vance. Oh Merlin, ela mexia comigo de um jeito que nem eu sei explicar. Eu chegava a tremer só de ela me encarar em um corredor, ou de sua mão encostar ocasionalmente na minha. Ela deveria ter me enfeitiçado, porque, Merlin!, aquele ali com quem isso estava acontecendo não era eu!

Eu, Remus Lupin, já havia me apaixonado antes, mas... Nunca de forma tão intensa. E a doce Emme me provou que algo assim podia ser muito, muito bom mesmo. Eu estava com ela há pouco mais de um mês. Até tinha me esquecido do pacto que tinha feito comigo mesmo, aquele de não me apaixonar e coisas do tipo. Pelo menos até aquele momento.

Nós tínhamos uma relação muito, hm... Intensa, por assim dizer. Não é igual ao que o Padfoot chama de intenso, mas era, ao nosso jeito, intenso. Eu, veja só, cheguei a quebrar mais regras do que havia quebrado em todos os anos anteriores, por causa dela, para ficar com ela... Eu descobri porque o Sirius e o James chamavam o armário de vassouras de "Pequeno Luxo". O do sétimo andar é acolchoado por dentro, é até que confortável.

Mas, mesmo com toda essa felicidade, sempre tem um ponto negativo para foder com as suas esperanças e expectativas, certo?

Eu me preocupava com ela. Vocês devem saber que eu sou um lobisomem, certo? Pois é, isso é um perigo. Eu ouvi várias histórias de pessoas como eu que se descuidaram e acabaram atacando quem amavam... E eu não me perdoaria se eu fizesse algo desse tipo. Para mim, seria infinitamente pior que morrer. A última lua cheia, na semana anterior, foi o que me fez cair em mim. Eu estava um pouquinho violento, só faltou arrancar os membros do Sirius e do James.

E eu não quero que esse tipo de coisa aconteça à minha amada Emme. Nem que, para isso, eu precise fazê-la me odiar, mantê-la longe de mim. Eu não podia arriscar matá-la ficando com ela. Afinal ela não sabe dessa minha condição.

Suspirei. Era um impasse: ser feliz mantendo-a em perigo, ficar triste mantendo-a segura. Mais uma vez, suspirei. O auto-sacrifício sempre é muito dolorido, mas essa dor passa. Eu prefiro mantê-la viva a tê-la ao meu lado e matá-la sem querer, causando uma dor incurável. Eu cheguei a conversar sobre isso com James, Sirius e Peter, mas eles sempre falam que é bobagem minha, que nada vai acontecer. O homem que matou a esposa deve ter ouvido algo do tipo e aconteceu o que aconteceu.

Passei os dedos pelos cabelos, reflexo da companhia de James, nervoso. Eu sou um grifinório, mas tenho um toque lufano, a preocupação com quem eu gosto... Com quem eu amo. Acho que toda a Hogwarts, exceto a ala da Sonserina, claro, tem algo assim em seu ser. Até mesmo um lobisomem como eu consegue se preocupar com alguém desse jeito...

Olhei uma folha caída ao meu lado. As coisas teriam que acontecer daquela maneira. Eu não suportaria que a folha mais viva da árvore caísse em nome de um fruto podre. Com livro de poções embaixo do braço e uma idéia sobre a mente, fui para o Salão Comunal da Grifinória.

Mesmo sabendo que me arrependeria, mais tarde, Emmeline e eu deixamos de ser nós, para sermos apenas eu e ela. E isso doeu mais do que eu pudera prever... Mais do que eu era capaz de imaginar.


Quanto mais tempo se passava, mais a escuridão se formava, e cá estamos novamente ao redor da penseira.


Notas do Autor: Essa memória correu com certa facilidade. Nem precisei fazer muitas edições, só puxar uma coisa ou outra e deixar o pobre lobinho conversando consigo mesmo. Tentei me aproximar de como seria Remus Lupin aos dezessete anos, embora trabalhar em cima dele, um personagem quase oposto a mim, foi difícil. Nem tudo são flores e algumas pessoas podem não gostar.

Explicações: A música Safe Home é quase o oposto desse capítulo. Iron(ia), okay?

Próxima memória: De Licantropia a Animagia


Resposta às Reviews:

Kitty Pride Malfoy # O Prongs e o Padfoot vivam dentro desse armário. Se é pra pegar alguém, peguemos com conforto! Essa história do homem que matou a esposa me veio a cabeça, mas eu penso ter lido em algum lugar... Mas é um dos motivos para o Remus ter medo de ficar com Emme: os instintos assassinos superarem os instintos protetores... Próximo capítulo já está pronto, só editando uma coisa ou outra.

See ya!