Capítulo 3 – Estranho

Gina acordou-se com o barulho do chuveiro ligado no banheiro de seu quarto. Ela estava deitada de bruços e com o lençol cobrindo suas coxas e metade de suas costas. Já parecia estar tarde e estranhou o fato de o despertador não ter tocado, mas aí lembrou-se de que era domingo e que estava de folga. Este pensamento a fez sorrir e ela espreguiçou-se na cama quente e macia e sentiu um cheiro masculino que, definitivamente, não era seu.

Ela arregalou os olhos e sentou-se na cama abruptamente, lembrando de que havia dormido com Harry a noite inteira e, ao que parecia, ele estava tomando banho nesse exato momento em seu banheiro. Assim que assimilou bem os fatos e lembrou-se da noite passada, não pode deixar de sorrir e ficou abismada quando deu-se conta de que havia dormido logo depois da primeira transa e só havia despertado alguns poucos minutos atrás. No entanto, ela devia admitir que estava cansada devido aos preparativos do casamento de Luna. Afinal, que tipo de amiga ela seria se não tivesse ajudado nos preparativos?

Olhou ao redor e viu que a janela, aberta na noite passada, estava fechada agora, e que as roupas que os dois tinham espalhado pelo quarto, estavam todas penduradas em seu cabide. Admirou-se com aquilo. Não era comum o homem pegar a roupa do chão, já que eles só pegavam as próprias para vestir-se depois. Um outro sorriso involuntário tomou conta de si. O chuveiro ainda estava ligado. Arriscou dar uma olhada para a porta do banheiro e viu que estava completamente aberta com a fumaça da água invadindo o quarto.

Rebolou os lençóis para o lado e encaminhou-se até lá completamente nua. Parou na porta e olhou para o chuveiro. "Ahhhhhhhhh" Pensou ela. Não era todo o dia que um homem tão gostoso tomava banho tão á vontade no seu banheiro. Ele estava virado de costas para Gina e estava se ensaboando. Rapidamente ela foi até a pia, pôs a pasta de dente sobre a cerdas da escova e começou a escovar os dentes e depois de gargarejar e cuspir o enxaguante bucal de menta, virou-se e foi até ele.

Harry levou uma mão até os cabelos e Gina observou como os músculos dele se contraiam de uma maneira sensualmente masculina. Assim que sentiu a água quente começar a envolvê-la, ela o abraçou e ao contrário do que pensava, ele não retesou o corpo, nem pareceu surpreso, mas sim começou a sorrir e pôs as mãos sobre as dela que massageavam seu tórax e abdômen sedentamente.

Ele não falou nada, só aguardou quando ela começou a beijar suas costas, fazendo-o se arrepiar e suas respirações ficarem ofegantes. Ela continuou o beijando enquanto o rodeava e quando ficou de frente para ele, passou a mão em uma de suas nádegas, apertando-a levemente. Gina tinha um sorriso sapeca e a expressão séria dele, foi-se embora, dando lugar a um sorriso cafajeste.

— Bom dia. — A voz rouca dele ressoou pelas paredes do banheiro.

— Bom dia. — Gina respondeu de volta e depois o beijou. — Espero que não tenha estranhado o quarto ou a cama.

— Eu nem tive tempo pra isso. Você me deixou cansado na noite passada.

Depois que ele disse isso, Gina corou um pouco e baixou a cabeça desconcertada. Ele que percebeu o seu jeito meio esquivo, pegou na ponta de seu queixo e o ergueu para si, olhando-a atentamente e tentando entender o porquê de sua mudança repentina.

— Algum problema? — Ele perguntou.

— Eu dormi bem no meio de tudo. — Explicou envergonhada. — E não vou ficar dizendo que foi o cansaço dos preparativos do casamento.

— Ora. — Harry franziu o cenho e a olhou intensamente. — Do que é que você está falando?

— Ah Harry! — Gina o empurrou levemente e entrou debaixo do chuveiro, pegando o sabonete e passando no corpo. — Depois da primeira transa eu dormi. Achei que a noite ia render mais, mas...

— Pare com isso, Gina. — O tom de voz dele saiu severo e por alguns segundos ela parou o que estava fazendo e o olhou. — Você foi maravilhosa na noite passada.

— Mas você teria feito mais se eu não tivesse dormido...

— Pra mim não importa o tanto de vezes e sim se pelo menos a única vez é satisfatória para os dois. Se você cansou depois da primeira então eu me sinto lisonjeado, pois agora eu sei que eu fiz bem feito.

— O quê? — Gina soltou uma risada alta e sem humor. — Eu me senti muito mais do que satisfeita. Mas e você? Ficou?

— Mas é claro. — Harry pôs a mão sobre a face de Gina e a acariciou. — Você não deve se preocupar com isso. Por acaso eu estou reclamando de alguma coisa?

— Não. — Respondeu ela, simplesmente e voltou a ensaboar-se. — É complicado.

— Então explique. — Ele respondeu e pegou uma toalha e começou a se enxugar.

— Me deixa terminar de tomar banho que eu digo. — Ela o olhou por alguns instantes de lhe deu um sorriso.

— Vou esperar.

Ela observou-o sair do banheiro e logo depois enxaguou-se e pegou o seu roupão que estava pendurado na porta e saiu para quarto. Quando entrou no cômodo espaçoso, arrumado e claro, viu que ele usava apenas a sua cueca boxe branca e olhava para o céu além da janela distraidamente.

— A noite de ontem foi incrível. — Ele falou repentinamente e sem encara-la. — Não duvide disso.

— Esquece isso. — Respondeu enquanto enxugava os cabelos na toalha. — É que eu... É complicado.

— O que é complicado? — Dessa vez ele olhou-a e sentou-se. — Explique.

Gina não respondeu de imediato. Primeiro ela jogou o roupão sobre a porta do banheiro e trocou-se enquanto Harry a observava atentamente, vestindo apenas uma calçinha e um sutiã pretos, depois, olhando para ele, sentou-se ao seu lado e suspirou fundo.

— Eu não ficava com um homem a mais de um ano. — Ela falou tudo de uma vez, fazendo-o encara-la surpreso. — É isso mesmo.

— Mas por quê?

— Eu estava noiva do Draco. — Ela começou sem encará-lo. — Eu o amava muito.

Nós namoramos por quase quatro anos e estávamos noivos á três meses quando ele desmanchou tudo.

— Desmanchou? — Harry repetiu com estranheza, virando-se para ela.

— Ele terminou tudo. — Ela encarou-a. — E eu ainda não sei por quê. Ele me pediu em casamento, ele pediu para que morássemos juntos. Se ele tinha uma amante eu nunca percebi nem ninguém veio comentar nada. Também não sei se ele estava arrependido, pois eu nunca notei nenhuma hesitação por parte dele. Sempre quando estávamos juntos á noite ele ficava planejando e planejando. — Neste ponto Harry a olhava com certa solidariedade. — Um mês antes da data do casamento ele terminou comigo. Disse que não daria certo, eu não entendi nada. Ele me deixou com o apartamento e as coisas que havíamos comprado.

— Quem é esse idiota? — Harry pegou na ponta do queixo de Gina e a fez encara-lo. — Só mesmo um grande idiota pra fazer uma coisa dessas.

— Pelo menos ele me deixou o apartamento já que ele me fez sair da casa dos meus pais. Era o mínimo que ele podia fazer.

— Uma mulher como você não pode ser tratada assim.

— Infelizmente nem todos pensam como você.

— Já passei por isso. — Confessou Harry. — Ela não confiava em mim.

— Mesmo?

— Sim.

— Você já namorou sério com alguém? — Gina perguntou com estranheza.

— Claro que sim. — Harry franziu o cenho. — Por que está estranhando?

— Me desculpe Harry, mas... Você é um gogo boy, que mulher sentiria confiança em um homem que passa a noite toda tirando a roupa para tantas outras?

— Mas eu não sou gogo boy. — Harry sorriu e respondeu, seus olhos zombeteiros.

— Como não? — Gina o olhou desentendida. — E por que estava dançando no bar naquela noite?

— Aquilo? — Harry perguntou com graça. — Eu pensei que Parvati tivesse lhe contado.

— Contando o quê?

— Eu não sou gogo boy. — Harry acariciou a face dela. — Foi só uma aposta.

— Aposta?

— Meus amigos e eu apostamos. Eu apostei que o time do fulham perderia. Mas os malditos ganharam, e a minha prenda foi dançar no clube por uma noite como um gogo boy.

— Sério? — Perguntou sorrindo. — Só mesmo homens para fazer uma aposta dessas.

— Pois é. Mas diz aí. — Ele chegou perto dela e a abraçou. — Eu levo jeito ou não?

— Com certeza. — Gina também o abraçou e o beijou. — Por isso que estamos aqui agora.

— Foi a coincidência mais maravilhosa que eu já tive. — Ele voltou a beija-la mais fortemente.

— Você é assim com todas as mulheres que conhece?

— Só com aquelas que mais me intrigam.

Ele respondeu com seu jeito sedutor e acariciou sua face, beijando-a ardentemente em seguida e deitando-a na cama. Gina sorria sob os lábios quentes de Harry e estava com ainda mais desejo agora do que na noite passada, sentindo seu membro pulsando contra sua feminilidade, os cabelos da perna dele pinicando nas suas, o peito arfante prensando-a firmemente enquanto suas mãos passeavam sobre o seu corpo, incendiando-a.

Gina apertou as pernas ao redor de sua cintura fazendo com que suas partes íntimas se tocassem ainda mais forte. Em questão de segundos Harry tirou sua cueca e Gina só reparou que ele tirava a sua calçinha quando ele parou de beijá-la por um breve momento, dando-a tempo para pensar. Ele caiu por cima dela novamente, beijou-a e rolou os corpos pela cama, deixando-a por cima. Gina sorriu com isso.

— Não é assim que você gosta hein? — A voz saiu ofegante e rouca. — Ficar por cima.

— É exatamente como eu gosto. — Ela respondeu lânguida e em seguida começou a espalhar beijos molhados e mordidas leves pelo seu corpo, fazendo-o gemer de prazer.

Eles passaram mais algum tempo se acariciando e Gina começou a tocar seu membro com a mão, deixando-o com a ereção ainda mais firme.

— A camisinha... — Ele tentou dizer e abriu o fecho do sutiã dela, beijando os seus seios e lambendo-os. — Eu não agüento mais...

— Ah é? — Ela perguntou com um sorriso maroto nos lábios. — Quero brincar mais um pouco.

— Você quer me matar? — Ele falou com certo desespero e voltou a pôr o rosto entre seus seios, fungando-os. — Preciso de você, agora.

Gina sorriu deliciada com que ele acabara de dizer. Era maravilhoso para uma mulher sentir-se tão desejada a ponto de deixar um homem louco...

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Gina estava deitada em seu sofá bege, totalmente saciada, e assistindo a filmes antigos que estavam passando em alguns canais. Já fazia algum tempo que Harry fora embora, mas antes os dois haviam trocado os números de telefone, e a solidão de sempre já a tinha tomado completamente. Eram quatro da tarde quando o telefone fixo tocou despertando-a de sua oscilação entre um canal e outro. Preguiçosamente levantou-se e foi em direção ao telefone na mesinha de vidro no canto da sala espaçosa. A sala estava completamente iluminada devido a grande janela de vidro, as cortinas vermelhas estavam abertas.

— Alô? — Saudou Gina pacientemente.

— Gina? — Uma voz feminina muito conhecida saudou do outro lado.

— Sou eu. — Respondeu já sorrindo.

— Você ta em casa? — Houve uma breve pausa. — Oh meu Deus, é claro que está já que atendeu ao telefone.

— Eu sabia que toda a sua inteligência servia para alguma coisa Mi. — Respondeu Gina zombeteira.

— E você está sozinha?

— Ele já foi Mione. — Gina disse, revirando os olhos, já sabia o que a amiga queria.

— Então abre a porta que eu to aqui fora. — Declarou a amiga com a voz meio culpada.

— Sei não.

Gina desligou o telefone, atravessou a sala ampla e com um sorriso no rosto desceu os três degraus até a porta, abrindo-a e encontrando uma Hermione com uma expressão muito diferente da que imaginava que ela poderia ter naquele momento. Ela parecia estar ansiosa e receosa ao mesmo tempo o que fez o humor passar repentinamente.

— Oi. — Falou Hermione sem ânimo e entrou no apartamento sem ser convidada.

— Oi. — Gina fechou a porta e observou-a sentar no sofá com cara de poucos amigos. — Aconteceu alguma coisa com você?

— Não comigo. — Hermione olhou-a nos olhos.

— E foi com quem? — Gina sentou-se ao seu lado, preocupada.

— É o Vítor. — Disse Hermione pesadamente.

— O que aconteceu?

— Ele morreu. — Nesse ponto os olhos de Hermione já estava cheios de lágrimas.

— O quê? — Gina ficou em choque com a notícia. — Mas como?

— Eu não sei bem. — Hermione tirou os sapatos que usava e cruzou as pernas, olhando para as próprias mãos, sua voz chorosa. — Eu não tive mais nenhuma notícia dele desde que eu comecei a namorar com o Rony. Então...

— Então o quê? — Gina passou a mão pelos cabelos da amiga, consolando-a.

— A mãe dele me ligou essa manhã. — Hermione secou as lágrimas que escorriam pelo seu rosto e fungou levemente. — E me disse que ele já estava internado no hospital á algum tempo...

— No hospital? — Perguntou agoniada. — Mas o que ele tinha?

— Ela me disse que ele estava com câncer...

Hermione começou a soluçar fortemente e o choro tomou conta, Gina abraçou-a e continuou em silêncio, tentando digerir toda aquela história. Vítor fora o primeiro namorado de Hermione desde que ela tinha quinze anos. Os dois se amavam de verdade quando ele teve de mudar-se para a Bulgária com os pais. Depois disso, eles passaram a se comunicar pelo telefone e por duas vezes ele veio visitá-la. Passou um bom tempo desde que ele havia partido e Hermione terminou tudo de vez com ele. Os dois haviam namorado por três anos e mesmo depois de quase quatro anos separados a amiga quase não dava uma chance para seu irmão, Rony.

— Ele foi enterrado há três dias. — Hermione falou com dificuldade. — A Sra. Krum disse que nem pensou em nada e me pediu desculpas por ter ligado só agora...

— Eu sinto muito amiga.

Gina estava chocada. Não sabia que a notícia poderia afetar tanto a amiga, não depois de tanto tempo. Os dois eram muito apegados um com o outro e Hermione era amiga de toda a família. Se não fosse por Rony, Gina poderia dizer que o amor da vida de sua amiga havia sido ele. O fato é que realmente não era fácil, afinal, Vítor era uma cara legal e marcara a vida da amiga.

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Gina achou melhor a amiga dormisse no seu apartamento. Ligou para Rony e os dois concordaram de que ela não estava em condições de sair tão tarde e sozinha de volta para casa. As duas tomaram chá para acalmar os ânimos e Gina torceu que amanhã ainda era domingo e não precisavam ir trabalhar, assim a amiga poderia suportar tudo melhor e descansar a mente.

Hermione dormiu na cama de armar que havia no quarto de Gina. Já era quase doze da noite quando conseguiu pregar o olho e seu último pensamento foram as imagens dela e Harry em sua cama, naquela manhã, depois na sala e na cozinha... Não sabia se ainda iam encontrar-se. Combinaram de que havia sido apenas uma transa, ocasional e sem compromisso. No entanto, não via a hora de poder ficar com ele outra vez. O homem era um verdadeiro espetáculo.


N/A:Sei que foi pesado essa morte no final, mas enfim, espero que gostem do capítulo. Ele não está grande, eu sei, mas no próximo terá mais coisas. Gostaria de agradecer a todos que estão lendo.

BJS!