Título: Ironia do Destino
Autora: Mary Spn
Beta: Euzinha! Os erros são todos meus.
Gênero: Wincest / AU
Sinopse: Quando resolveu atender ao pedido do seu pai e ir à procura do seu meio-irmão, Dean não podia imaginar o que o destino lhe reservara...
Avisos: Trata-se de Universo Alternativo, Sam e Dean não são caçadores. É Wincest, portanto, contém cenas de relações sexuais entre dois irmãos.
Ironia do Destino
Capítulo 4
Ao voltarem da lan house, Sam parecia ter emudecido e Adam estava na maior empolgação, andando de um lado para o outro destro da pequena quitinete.
- O seu pai é um empresário cheio da grana, cara! Isso é fantástico! A sua vida vai mudar drasticamente... Pra melhor, é claro! E você merece isso mais do que ninguém, Sam... Sam? Você está me ouvindo?
- Sabe o que eu não consigo engolir? Se ele fosse um pobre coitado que não tivesse condições de me criar, eu até poderia entender, mas isso? Se ele é um empresário bem sucedido, então por quê...?
- Ele é dono de uma empresa, Sam! Ele é mais do que bem sucedido.
- Que seja! Mas então por que ele me deixou viver essa vida miserável e justamente agora resolveu me procurar?
- Pelo que o Dean falou, ele descobriu sobre você somente agora, não foi?
- Isso é tão absurdo...
- É por isso que você precisa ir até lá. Pra saber todas as respostas. Eu te conheço e sei que você não vai nem conseguir dormir enquanto não souber toda a verdade.
- Como será que ele ficou sabendo sobre mim? Será que a minha mãe ainda está viva?
- Como eu te falei...
- Eu vou ter que esperar pra falar com ele, eu sei! Mas... Não dá! Tem um monte de coisas que eu preciso saber. E depois, eu...
- O quê?
- Eu tenho medo, de... Sei lá, de ficar criando falsas esperanças, sabe? Nunca nada de bom aconteceu na minha vida. Por que é que vai acontecer logo agora?
- Cara, você não pode pensar desse jeito. Eu sei que muita coisa deu errado, mas não quer dizer que sua vida não possa melhorar. Você é um cara bacana, merece levar uma vida menos ferrada do que esta que está levando.
- Ainda assim, é muito estranho. Eu não consigo engolir essa história.
- Você vai ligar pra ele?
- Só amanhã de manhã. Agora eu preciso de uma cerveja. Pega pra mim, benhê? - Sam fez uma voz manhosa e sorriu de um jeito safado.
- Idiota! Só por que descobriu que tem um pai rico, não vai ficar achando que eu virei seu escravo!
- Você preparou o jantar pra mim, por que é que não pode pegar uma cerveja? – Sam provocou, tentando mudar de assunto.
- Hmmm... Tem água na geladeira, serve? – Adam deu risadas.
- x -
Na manhã seguinte, Sam ligou para Dean logo cedo e combinaram de se encontrar na lanchonete do hotel, onde Dean tomaria seu café.
Dean devorava um cheeseburguer com vontade, afinal não tinha nem conseguido jantar na noite anterior, enquanto Sam brincava com a colherinha dentro do seu café. O moreno estava tão ansioso que não conseguia sequer pensar em comer alguma coisa.
- Que bom que você resolveu ir comigo, Sam – Dean sentia-se aliviado, afinal a viagem e tudo o que tinha passado não tinha sido em vão.
- E por que eu tenho que ir com você? Por que o seu pai não vem pra cá? É muito mais fácil pra ele, não é?
- O meu pai dirige uma empresa, ele não pode largar tudo e vir pra cá - Dean sabia que Sam tinha razão, mas mesmo assim tentou justificar, afinal não queria que o moreno mudasse de ideia.
- Claro – Sam tinha um sorriso amargo no rosto.
- Sam...
- Isso tudo é... Olha, eu só vou com você porque eu não consigo ficar com todas essas dúvidas entaladas na minha garganta. Depois que tudo estiver esclarecido, eu volto.
- Mas o meu pai vai...
- Que fique bem claro... Eu tenho um emprego aqui e preciso dele, então em dois dias eu tenho que estar de volta, certo?
- Certo. Como você quiser. Eu já estou com as passagens, vou tentar conseguir um voo para hoje mesmo.
- Voo? Isso quer dizer que... Nós vamos de avião?
- Lógico!
- Mas eu não... Eu nunca...
- Nunca viajou de avião? - Dean deu risadas - Não se preocupe, as chances de você morrer em um acidente de carro são muito maiores do que as de um avião cair. Você está seguro.
- Eu não estou gostando nada disso – Sam resmungou, baixinho.
- Vai dar tudo certo, Sam – Dean largou o seu lanche e encarou o moreno por alguns instantes. Sabia que isso tudo tinha sido um choque, que ele devia estar se sentindo perdido, mas precisava levá-lo, como seu pai pedira. O que aconteceria depois, entre Sam e o seu pai, não poderia prever. Só sabia que Sam estava certo, seu pai é quem deveria estar ali, mas depois de anos de convivência, Dean já tinha desistido de tentar entender John Winchester.
- Como ele é? – Sam de repente perguntou, tirando Dean dos seus devaneios.
- Quem?
- O seu pai.
- Ele é... Bom, eu acho melhor você tirar suas próprias conclusões, mas... Ele é um pouco complicado.
- Complicado?
- Eu não sei se esta é a palavra certa, mas ele é extremamente racional, às vezes chega a me dar raiva. Tem vezes que eu o amo, e outras vezes eu o odeio.
- Ele sabe tudo sobre mim? Quero dizer, ele sabe que eu... – Sam deu de ombros, parecia constrangido por Dean saber o que ele fazia para viver.
- Eu acho que não. Ele teria dito se soubesse, e eu tive que correr um bocado por esta cidade até te encontrar, então... Não, com certeza ele não sabe de nada.
- E você... Pretende contar?
- Ele só vai saber se você contar. Eu só acho que...
- Que?
- Ele não deveria saber o que aconteceu entre nós. Ele... Ele não entenderia – Dean sentiu-se envergonhado por estar pedindo isso, mas não via outro jeito, teria que confiar em Sam - O meu pai também não sabe que eu saio com homens. Quero dizer, não é algo que eu faço sempre, mas... Bom, você entendeu o que eu quis dizer. Eu estava em Chicago, longe de casa, jamais poderia imaginar que... Eu pensei que estava seguro, que não iria ver você nunca mais e então...
- Então você descobre que eu sou o irmão que você estava procurando. Deve ter sido... Decepcionante, não?
- Foi um choque pra mim, eu não posso negar. Foi uma puta de uma sacanagem a gente ter se conhecido... Daquele jeito, e... E logo em seguida eu ficar sabendo que você era meu irmão.
- Com certeza você não esperava que o seu irmão fosse... Você sabe.
- Qual é a diferença de quem paga pra fazer sexo e de quem é pago para isso? Quero dizer... Você acha que eu estou em posição de te julgar? Você deve ter os seus motivos pra fazer o que faz, assim como eu tenho os meus.
- Ainda parece tudo muito surreal pra mim.
- Sam, eu posso te perguntar uma coisa? – Na verdade Dean tinha muitas perguntas a fazer, mas não queria assustar o moreno, decidiu começar com o que mais o intrigava.
- Claro.
- Quem é o Thomas?
- Ninguém importante – Sam tentou disfarçar o quanto ficara incomodado com a pergunta.
- Você ficou desesperado, achando que ele tinha me mandado atrás de você. Deve ter um bom motivo pra isso. Ele era o quê? Seu namorado?
- É uma longa história.
- Nós temos o dia todo...
- Eu não quero falar sobre isso – Sam desviou o olhar, realmente não estava disposto a estragar o seu dia falando sobre aquele sujeito.
- Então, por que você não me fala um pouco sobre a sua vida?
- O que você sabe sobre mim?
- Só o que diz no relatório do detetive que o meu pai contratou – Dean parou para beber um gole do seu café - Você viveu com a sua mãe até os quatro anos, depois disso com a sua avó até os sete, e então foi levado para um orfanato. Por que isso? Por que tiraram você da casa da sua avó?
- Ela tinha alzheimer. Eles acharam que ela não tinha capacidade de cuidar de mim.
- E ela tinha capacidade?
- Algumas noites eu tinha que dormir fora de casa por que ela me expulsava, não lembrava quem eu era. E quando eu fui levado, ela tinha me trancado no porão e simplesmente me esqueceu lá por dois dias. Sentiram minha falta na escola e a assistente social foi me procurar, então...
- Você foi levado para um orfanato.
- Sim.
- Você saiu de lá com treze anos... Foi adotado?
- Não, eu fugi. Eu era o mais velho de lá e chega uma hora em que você cansa de ver outras crianças sendo escolhidas e você não.
- Oh – Dean não conseguiu dizer nada. Sentiu um nó na garganta ao se deparar com a realidade que o seu irmão tinha enfrentado, enquanto ele vivera uma vida de conforto junto de seus pais.
- Depois disso eu fiquei de um lado pro outro, até que... Com quinze anos eu fui pego roubando e fui levado para um reformatório. Foi lá que eu conheci o Thomas. E foi com ele que eu fugi de lá, um ano depois.
- Pra ter fugido junto, você deve ter confiado nele. O que aconteceu?
- Esse sempre foi o meu maior erro, Dean. Confiar nas pessoas erradas. Eu só espero não estar fazendo o mesmo agora.
- x -
Quando chegaram ao aeroporto, Dean sentiu vontade de rir. Sam parecia assustado e andava tão próximo a ele, como uma criança com medo de se perder da mãe.
Depois de passarem pelo check in, Dean de repente percebeu que Sam não estava mais do seu lado.
- Eu não posso fazer isso, Dean.
- O quê? - O loiro voltou alguns passos, vendo que Sam tinha parado no caminho.
- Eu me sinto mal em lugares fechados e eu nunca entrei num avião antes... E se eu ficar enjoado e vomitar, ou... E se eu sentir falta de ar? Eu já senti isso uma vez quando eu fiquei preso no elevador. E se o avião cair? Do jeito que eu atraio coisas ruins, com certeza ele vai cair, ou então ele pode...
- Hey! Para com isso! - Dean sacudiu o moreno pelos ombros - É só um avião e ele não vai cair, eu garanto! Você só está ansioso, respire fundo... Você precisa se controlar!
- Mas se eu...
- Sam, você precisa parar de pensar nisso, ok? Sente aqui - Dean indicou um dos bancos para que o moreno se sentasse - Eu vou pegar água pra você.
Sam obedeceu e esperou que Dean voltasse, mas ainda não estava mais calmo. Suas mãos estavam suadas e ele não conseguia pensar em outra coisa, a não ser em voltar para casa.
- Eu não vou, Dean - Sam falou assim que Dean voltou com a garrafinha de água.
- Você vai sim, nem que eu tenha que te carregar até aquele avião. Tarefa que não vai ser nada fácil, por sinal.
- Você não pode me obrigar! - Sam parecia mais uma criança marrenta e Dean teve que rir da situação. Nunca tivera um irmão antes, mas Sam estava se portando como um típico irmão mais novo irritante. E a ideia não lhe parecia mais tão ruim.
- Espera, eu tenho algo aqui que pode ajudar - Dean abriu o zíper da sua maleta e retirou dela um frasco de comprimidos.
- Que merda é essa? Você não está pensando em me dopar, está?- Sam o olhava desconfiado.
- É um calmante leve. Vai te ajudar a relaxar e diminuir essa ansiedade. Toma - Dean estendeu a mão com uma cápsula branca sobre a palma. Sam ainda hesitou um pouco, mas acabou tomando.
Quando entraram no avião, Sam pensou que o remédio devia mesmo estar fazendo efeito, sentia-se levemente sonolento e sem aquele desespero de antes.
Se sentou na poltrona ao lado de Dean e respirou fundo, tentando não entrar em pânico novamente.
- Hey! Está tudo bem? - Dean segurou seu braço de leve - Como você está se sentindo?
- Eu me sinto meio... É como se eu estivesse chapado.
- E você já ficou chapado alguma vez? - Dean perguntou em um tom sério.
- Você está brincando, né? - Sam deu risadas.
Quando o avião começou a decolar, Dean achou que teria problemas, mas quando olhou para o lado, viu que Sam estava dormindo. De repente ficou preocupado, pensando que talvez a dose tivesse sido forte demais para ele. Mas chegou à conclusão de que não seria nada mal se ele dormisse até chegarem a Nova Iorque.
Depois de quase uma hora de vôo, o avião pegou um pouco de turbulência e Sam acordou, se dando conta de onde estava e entrando em desespero.
- O que é isso, Dean? Nós vamos cair?- Sam arregalou os olhos e agarrou a mão do mais velho.
- Foi só uma turbulência, Sam. Já acabou, está tudo bem - Dean tentou acalmá-lo, segurando sua mão com firmeza.
O moreno logo voltou a dormir e Dean teve que acordá-lo quando chegaram ao aeroporto John F. Kennedy onde Bobby, ou melhor, Robert Singer, seu motorista, os estava esperando.
- Hey Bobby! – Dean abraçou o homem mais velho, que encarava Sam de um jeito sério demais.
- Dean! Como foi de viagem? – Bobby pegou as malas do loiro e colocou-as no porta malas do carro.
Dean olhou para Sam antes de responder – Nada mal, Bobby. Nada mal. A propósito, este aqui é o Sam. Sam este é o Bobby, nosso motorista e amigo da família.
- Muito prazer – Sam estendeu a mão que Bobby apertou com força, o encarando mais uma vez de um jeito sério, para então abrir um sorriso.
- É, você parece mesmo um Winchester – O homem comentou e deu um tapinha em seu ombro, deixando Sam mais relaxado.
Sam ainda sentia-se sonolento durante a viagem de carro, ficou em silêncio o tempo todo, sentado no banco de trás, olhando a cidade e ouvindo Dean e Bobby conversarem trivialidades.
Quando chegaram, apesar de estar quase surtando devido à ansiedade, Sam ficou deslumbrado com a mansão, mesmo antes de entrar. O jardim tinha muito verde, com poucas flores, e a casa, em um tom ocre, era enorme, com um estilo moderno. Parecia que o seu pai - se é que era mesmo seu pai - tinha bom gosto, o lugar demonstrava praticidade.
Dean abriu a porta e Sam o seguiu, sabiam que John não estaria em casa àquela hora, mas mesmo assim o coração de Sam estava disparado, não conseguia controlar a ansiedade.
Parou na enorme sala, enquanto Dean foi ao encontro de uma mulher de cabelos castanhos, que o recebeu com um enorme sorriso.
- Hey Ellen!
- Dean! Meu menino, que saudades! - Ellen o abraçou com carinho, sob o olhar atento de Sam - Como você está? Tem se alimentado direito? E por que essas olheiras? Você não tem dormido direito? – A mulher parecia mesmo preocupada com ele.
- Ellen, eu estou bem! - Dean segurou as mãos dela, tentando fazer com que o largasse.
Sam riu, vendo que Dean ficara constrangido com tantos mimos.
- E você está rindo do quê? - Ellen de repente se dirigiu a Sam, assustando o moreno - Você deve ser o Sam, não é? Seja bem vindo a esta casa, garoto! - A mulher o puxou para um abraço apertado - Nossa! Você é muito bonito - Ela apertou suas bochechas - Deve ser mesmo filho do John.
- Sam, esta é a Ellen, ela é a governanta da casa. Qualquer coisa que você precisar, pode pedir a ela.
Sam apenas concordou com a cabeça, ainda não tinha conseguido pronunciar uma palavra sequer.
- Você fala? - Ellen perguntou de um jeito engraçado - Ele fala? - Ela perguntou a Dean, já que Sam não respondeu de imediato.
- Ele só está um pouco assustado, Ellen. Eu vou descansar um pouco, será que você pode mostrar a ele o quarto em que vai ficar e ajudá-lo a se acomodar?
- Claro, meu querido. Vá descansar que eu cuido de tudo. Depois desça para comer alguma coisa, sim?
Dean subiu em direção ao seu quarto e Ellen se voltou para Sam - Onde estão suas malas?
- Ah, eu... Eu não tenho malas, eu só trouxe isso - Sam se referiu à mochila que tinha pendurada no braço.
- Oh, claro. Então venha comigo, eu vou lhe mostrar o seu quarto.
Sam sentia como se estivesse em um mundo ao qual não pertencia. O quarto era enorme, e parecia muito aconchegante, mas não conseguia parar de pensar que sua vontade mesmo era de estar em Chicago, na pequena quitinete que dividia com Adam. Lá sim, podia se sentir à vontade, mas não ali, aquela casa enorme não tinha nada que pudesse considerar como um lar.
- O ar condicionado está na temperatura ambiente, tem um controle ali no criado mudo, se você preferir mais quente ou mais frio...
- Obrigado, mas... Será que eu posso abrir as janelas? – Sam perguntou, sem graça - Eu tenho problemas com... Lugares fechados.
- Claro! Sinta-se à vontade para fazer o que quiser – Ellen sorriu de uma maneira carinhosa – Telefone, televisão, computador... Acho que tem tudo o que você pode precisar aqui. Tem toalhas limpas no banheiro, e qualquer outra coisa que precisar, é só me chamar. Ah, e sinta-se à vontade para perambular pela casa, quando quiser. Eu vou servir o jantar às oito horas, mas na cozinha tem sempre alguma coisa pra beliscar, caso sinta fome fora de hora. Você não fala muito mesmo, não é?
- Eu... Eu só...
- Tudo bem. Eu é que falo feito uma matraca, o Dean vive pegando no meu pé por isso. Vou deixar você descansar um pouco, a viagem deve ter sido cansativa.
- Dona Ellen, será que eu posso usar o telefone? Eu preciso ligar para o meu amigo em Chicago e... O meu celular está sem créditos – Sam se sentiu constrangido em pedir, mas precisava mesmo falar com Adam.
- Você não precisa pedir, meu docinho, tudo que está aqui é pra você usar – Ellen tinha um jeito quase maternal ao falar.
- Ah, certo. Obrigado!
Depois que Ellen saiu do quarto, Sam discou o número do celular de Adam, ansioso para contar a ele sobre tudo. Estava sentindo-se perdido ali, como um peixe fora d'água. O que precisava mesmo era ouvir uma voz amiga para tranquilizar-se.
Continua...
