.
FEITICEIROS
Por Kath Klein
Revisão: Rô Marques
Capítulo 04
Loucos de Amor
'O quê?!' Tomoyo olhava atordoada para a Sakura que flertava descaradamente com Makoto. A amiga tinha enlouquecido de vez? Será que a prova de anatomia tinha a deixado tão doida que resolveu voltar para o ex-namorado para pegar cola com ele?
Sakura ainda sorria para Makoto, sentiu-se mais tonta, era como se estivesse entorpecida de pura felicidade. Não sabia direito o que estava acontecendo com ela, mas também não queria achar muitas explicações. Puxou as mãos do rapaz, que finalmente soltou o rosto tão amado. Ela levantou-se e deu um beijo estalado na bochecha dele. O grupo de amigos parou de falar e observaram em silêncio.
'Vem, Sakura!' A morena de olhos violeta falou puxando a amiga pelo braço, Makoto estava indo atrás das primas, mas Tomoyo voltou-se para trás berrando para o rapaz e não se importando de chamar a atenção de todo o refeitório. 'Você fica longe dela!'
Makoto não gostou da intervenção da jovem, ela estava estragando todos os seus planos. Pegou o outro braço de Sakura puxando a jovem que agora parecia uma boneca de pano sendo puxada de um lado pelo ex-namorado e do outro pela amiga, mas por algum motivo surreal em vez de parar com aquela disputa infantil dos dois, Sakura apenas ria achando graça e se divertindo. 'Ohhhh...' falava quando estava sendo puxada por um. 'Uhhhh...' soltava quando estava sendo puxada pelo outro. Chiharu, Yamazaki e Naoko olhavam sem entender o que estava se passando com as amigas.
'Não se mete nisto, Daidouji. Deixa que eu cuido da minha namorada.' Makoto falou entre os dentes fitando a morena com raiva.
'EX-namorada, Makoto.' Retrucou a jovem, retribuindo o mesmo olhar raivoso. 'Que droga você deu para ela?'
'Eu?' Ele falou tentando se mostrar ofendido. 'Você está louca, Daidouji!'
O refeitório inteiro estava agora em silêncio, observando a confusão entre os dois que disputavam, quem puxava Sakura com mais força. 'Calma aí, pessoal! Tem Sakura para todo mundo!' A ruiva falou rindo mostrando claramente que não estava no seu juízo perfeito e assustando mais ainda a prima, enquanto o resto o grupo olhava perplexo para a situação.
Makoto puxou Sakura com força, fazendo a jovem cair por cima dele e Tomoyo cair no chão finalmente soltando a prima. A morena estava entrando em desespero não sabendo como proteger a querida prima.
'Que palhaçada está acontecendo aqui?' Tomoyo não acreditou quando ouviu a voz de Syaoran. O rapaz, como um verdadeiro cavalheiro, segurou o braço da jovem levantando-a do chão. Ela levantou o rosto, fitou o amigo e tentou sorrir sem ter muito sucesso.
Sakura estava ainda tonta, com uma das mãos na cabeça mostrando que não estava bem ainda. 'Você está bem, Tomoyo?' Li perguntou olhando rapidamente para a jovem, que com um gesto com a cabeça indicou para ele que ela estava bem, quem não estava bem era Sakura. 'Vou mandar só uma vez você soltá-la, Makoto.' Ele falou entre os dentes encarando o rapaz. Já deveria ter feito aquele desgraçado sumir da face da Terra.
'Não se meta nisto, Li!' Foi a resposta de Makoto.
Agora a confusão estava armada, Li deu dois passos e empurrou Makoto para ele soltar a jovem feiticeira, que caiu no chão ainda alheia ao que estava acontecendo ao seu redor, era como se tudo estivesse rodando e rodando e rodando. Makoto e Li estavam já brigando feio no meio do refeitório da Universidade Tomoeda. Ninguém se metia, muito pelo contrário, uma boa briga sempre era bem vinda como diversão para os estudantes. Ainda teve o pessoal do deixa disso, mas estes no final já estavam apostando em quem venceria.
Tomoyo correu até a prima segurando-a pelos ombros, percebendo que ela estava quente, deveria estar com febre, uma febre bem alta. Sakura levantou o rosto e a morena o viu vermelho, enquanto os olhos estavam incrivelmente brilhantes. Sakura deu um daqueles sorrisos maravilhosos que sempre dava quando era criança, mas que com o passar dos anos estavam cada vez mais raros. 'Eu te amo, Tomoyo. Você é demais!' A jovem falou para a amiga, sem ter ideia de como aquelas palavras atingiram o coração da morena. Foi ainda surpreendida pela ruiva que lhe deu um demorado beijo na bochecha esquerda e depois a fitou novamente sorrindo. 'O que seria da minha vida sem você?'
Tomoyo estava completamente atordoada, o que o cretino do Makoto tinha dado para Sakura? Será que ela tinha pirado ou seria uma magia que tinha atingido a amiga para agir daquela forma tão desinibida? Yamazaki foi até as jovens e ajudou as duas a se levantarem. Chiharu e Naoko perguntaram se estava tudo bem com elas e fitaram Sakura que ainda parecia alheia a verdadeira loucura que estava acontecendo no refeitório. Cadeiras voavam para todos os lados e mesas eram arrastadas, consequência da briga dos dois rapazes. Barulho de bandeja e pratos caindo no chão, faziam uma imensa anarquia misturada às exclamações dos jovens que acompanhavam a briga.
Syaoran se controlava para não invocar sua espada e cortar Makoto ao meio de uma vez. O idiota não tinha ideia de com quem estava se metendo. Sabia que tinha que maneirar nos ataques ou realmente mataria Makoto, mas estava já com ele entalado pela garganta, desde que o infeliz resolveu beijar a sua Sakura na frente dele, apenas para marcar território. Idiota! Acabou dando uma voadora, fazendo-o cair por cima de uma mesa e quebrando-a. O rapaz não levantou mais, estava desmaiado. Li relaxou finalmente os músculos, esperava pelo menos que não tivesse matado Makoto. Caminhou até ele e verificou que estava vivo, não soube se realmente ficou aliviado ou decepcionado ao constatar isso.
'Melhor levá-lo para um hospital.' Syaoran falou, e logo dois rapazes amigos de Makoto, se aproximaram para ajudar. Um grupo de seguranças do Campus apareceu e cercou Li que suspirou, pensando na confusão que tinha se metido novamente. O rapaz olhou para trás e fitou Tomoyo e Sakura, que estavam em pé olhando para ele intensamente. A morena fez um gesto com a cabeça agradecendo a intervenção do amigo chinês, enquanto Sakura o fitava com um sorriso maravilhoso nos lábios. Li arregalou os olhos se surpreendendo com aquele belíssimo sorriso. Há anos que não via aquele sorriso aberto e perfeito de Sakura. Sentiu o rosto esquentar constatando como ela era linda. Sorriu sem querer apreciando aquele momento. Desde que tinha voltado para o Japão apenas sonhava em vê-la sorrindo daquela forma extraordinária para ele.
'Vamos rapaz, para a reitoria para explicar o porquê desta confusão.' Ouviu um dos seguranças falando, enquanto segurava-o pelo braço, para que Li o acompanhasse. Syaoran teve vontade de socar aquele cara por fazê-lo parar de apreciar aquele momento com Sakura, mas se controlou. Empurrou o braço do segurança informando que não precisava de ajuda, que o acompanharia sem problema. Suspirou e caminhou escoltado pelos outros três homens em direção à reitoria, já prevendo problemas.
Tomoyo acompanhou Li ser levado pelos seguranças e depois olhou para a prima que estava ao seu lado sem tirar os olhos do chinês. 'Você está melhor, Sakura?' Perguntou rezando para que a jovem estivesse em seu juízo perfeito.
'Nunca estive melhor, Tomoyo. Nunca estive melhor.' Foi a resposta da jovem fechando o sorriso e pegando suas coisas, ela tinha muito o que fazer e não queria perder mais tempo.
Tomoyo estava nervosa andando de um lado para o outro. Yue e Kerberus estavam com ela no apartamento que dividia com a Feiticeira. Ela tinha contado o acontecera à tarde. Nenhum dos dois tinha entendido direito, o que a jovem já explicara mais de dez vezes.
'Então deixa eu ver se entendi.' Kerberus falou fitando a jovem morena. 'Sakura ficou diferente depois que tomou uma coca-cola que Makoto ofereceu a ela. Isso?'
'Isso!' A jovem exclamou olhando para os dois a sua frente. Por que eles simplesmente não saíam pela cidade atrás da mestra deles e a trazia em segurança para casa? Pareciam dois patetas olhando para ela sem fazer nada. 'Ela pode estar passando mal na rua, vocês precisam encontrá-la e trazê-la para casa para sabermos se ela realmente está bem e o que aconteceu com ela.'
Kerberus olhou para Yue que estava encostado na parede perto da janela com os braços cruzados. Na verdade, nenhum dos dois tinha entendido o porquê daquele desespero da morena a frente deles. Ela tinha ligado para a casa de Yukito e Touya deixando os dois guardiões da mestra das cartas em estado de alerta. Agora, depois de ouvirem mais de uma dezena de vezes a narrativa da jovem, ainda não conseguiam compreender o problema de Sakura ter sorrido. Yue fechou os olhos e se concentrou, foi fácil achar a presença da ruiva. A presença de Sakura estava cada dia mais forte e firme. Era fácil encontrá-la pela cidade. Pela distância, deduziu que logo ela estaria chegando em casa.
'A aura de Sakura está normal. Não consigo perceber nenhum problema com ela.' Yue falou tentando tranquilizar a morena.
'Realmente, não consigo perceber nenhum problema com Sakura, Tomoyo.' Kerberus afirmou tentando passar confiança para a amiga. 'Não está se preocupando à toa? Desde que aquele moleque chinês voltou, Sakura anda cada dia sorrindo mais.' Ele mencionou com um certo pesar, mas sabendo que era verdade.
'Vocês não entendem. Sakura tomou alguma coisa que a fez ficar estranha. Ela mudou.' Tomoyo insistiu não acreditando que aqueles dois bocós não poderiam ajudar sua amiga.
Yue deu um longo suspiro e se desencostou da parede, fitando a porta. 'Ela está chegando.'
'Como?' Indagou a morena.
Em poucos segundos ouviram o barulho da chave na porta e a mesma se abrindo. O rosto sorridente de Sakura apareceu. A jovem estava com algumas sacolas na mão esquerda. A prima correu até ela abraçando-a com carinho. 'Você está bem, Sakura?'
'Já falei, Tomoyo. Nunca estive melhor.' Ela desviou os olhos do rosto apreensivo da amiga e fitou seus dois guardiões. 'Olá, queridos! A que devo a honra da visita de vocês?' Falou em tom de brincadeira, mas logo fechou o sorriso e franziu a testa. 'Foi Touya que mandou vocês aqui para uma inspeção surpresa?' Quem escutasse poderia pensar que a jovem estaria brincando com seus amigos. Quem conhecia Touya saberia que ela não estava brincando.
'Não.' Yue lhe respondeu. 'Foi Daidouji quem nos chamou.'
Sakura levantou uma sobrancelha e virou-se para a amiga. 'Por quê?' A morena abriu a boca umas duas vezes até depois balançar a cabeça dando-se por vencida.
'Deixa para lá.' Ela falou por fim. 'Desculpem-me por preocupar vocês.' Falou com sinceridade observando as duas criaturas mágicas.
Sakura foi até a amiga e deu um beijo no rosto dela. 'Obrigada pela preocupação, mas como eu lhe falei nunca estive melhor.'
Tomoyo sabia que tinha algo errado com Sakura, ela estava leve demais, feliz demais. Mas isso não era doença, era? Observou a amiga conversar alegremente com seus dois guardiões e se despedir deles, ainda recomendando que afirmassem para Touya que estava tudo na mais perfeita ordem. Não queria encarar o irmão tendo uma crise de ciúmes e superproteção. Tinha planos muito, muito especiais para hoje à noite e não estava a fim que o irmão mais velho a atrapalhasse.
'Bem, vou tomar um banho.' Falou Sakura. 'Quero usar uma roupa bem bonita hoje.' Falou tirando um belo vestido de dentro de uma das sacolas. Tomoyo caminhou até a mesa de estudos da amiga e passou os olhos pelas sacolas de compras. Tinha algo muito estranho, Sakura não era de fazer compras, principalmente nos últimos tempos. Porém, uma sacola lhe chamou mais a atenção.
'Lingerie nova?' Indagou a morena. Sakura não respondeu, na verdade deu uma risadinha e pegou o conteúdo da sacola, muito bem embrulhado num papel rosa choque e fui para o banheiro tomar um demorado banho. Tomoyo sentou numa das cadeiras que faziam composição com a mesa de estudos do apartamento e esperou a amiga sair. Arrancaria de Sakura onde ela estava pensando em ir com aquela "alegria" toda. A ruiva demorou pelo menos umas duas horas dentro do banheiro. Cantarolou várias músicas enquanto se arrumava. Estava feliz demais. 'Será que eu é que estou enlouquecendo?' Indagou-se a morena sacudindo a cabeça e pensando que realmente, tirando aquela felicidade, Sakura parecia a mesma de sempre.
Sakura abriu finalmente a porta e o perfume agradável de cerejeiras invadiu todo o quarto. Tomoyo sorriu involuntariamente para a amiga, que estava linda vestida com um vestido negro e salto alto, era raro vê-la arrumada daquela maneira. Os cabelos estavam parcialmente presos, com alguns fios soltos, emoldurando o rosto delicado e para maior espanto da morena, maquiado. Sakura tinha se maquiado! Isso só poderia ser brincadeira. Como é que ninguém percebia que a amiga não estava bem? Sakura nunca se maquiava e muito menos usava salto alto como estava usando agora.
'Sakura... você vai sair assim, a esta hora?' A morena perguntou olhando para a janela e vendo o entardecer.
'Claro! É a noite que todos os gatos são pardos.' Brincou, enquanto caminhava até o seu armário, tirando uma caixinha onde guardava suas poucas joias, herança de sua mãe. Colocou um par de brincos de esmeralda e alguns anéis nos dedos. Também uma correntinha com um pingente em forma de flor de cerejeira, presente de seu pai aos quinze anos. 'Como estou?' Falou dando uma volta em si mesma para mostrar a amiga. 'Estou bonita?'
Tomoyo piscou algumas vezes observando a figura celeste a sua frente. 'Você está linda, Sakura.'
'Ótimo. Espero que ele também ache.' Falou voltando a guardar o porta joias e se preparando para sair. Tomoyo percebeu que ela deixou sua chave mágica dentro do porta joias. Ela não estava saindo para caçar zumbis coisa nenhuma. É claro! Só em filmes é que a heroína consegue combater o crime e as forças do mal, de salto alto. A realidade é um pouco menos glamorosa.
'Ele?' Tomoyo indagou e só ouviu as risadinhas de Sakura. 'Ele quem, Sakura? Makoto?' A jovem tinha certeza que o rapaz tinha dado alguma droga para a amiga naquela maldita coca-cola, como é que ninguém percebia.
Sakura suspirou mostrando que não estava a fim de falar nada. Tomoyo com certeza a censuraria e ela não estava a fim de ouvir sermão. Ela queria era se divertir, curtir a vida, sentir-se viva e sem preocupações.
'Tomoyo... sinceramente, não me censure. Vai arranjar um namorado. Acho que isso é que você está precisando.' Falou pegando sua bolsa pequena e colocando o batom vermelho dentro, que estava usando, para possíveis retoques mais tarde. 'Estou indo. Não me espere. Pretendo voltar só amanhã de manhã.' Falou, para não preocupar a amiga. Não ia gostar de chegar depois de fazer tudo que pretendia fazer aquela noite e dar de cara com seus guardiões novamente ou pior, com Touya. Só em pensar no irmão já sentiu um calafrio. 'Boa noite, Tomoyo.' Desejou sinceramente à amiga, já saindo e a deixando sozinha e perturbada.
Li estava caminhando em direção ao seu alojamento. Tinha perdido a tarde inteira na reitoria por conta da briga com Makoto. Aquele cara tinha esgotado toda a paciência que ainda tentava ter. O celular do rapaz tocou, na verdade tinha tocado quase a tarde inteira, mas não pudera atender. Era Tomoyo. Atendeu o telefone.
'Syaoran! Você tem que ajudar a Sakura, ela não está bem!' A voz da jovem era desesperada. 'Ela acabou de sair daqui, toda arrumada dizendo que ia se divertir. Se divertir à uma hora destas, quando ela deveria era estar se preparando para enfrentar estes mortos vivos ou ficando aqui em segurança.' O rapaz tentou falar mas a morena continuava a falar sem respirar, no outro lado da linha. 'O Makoto deu alguma droga para ela. Eu tenho certeza, Syaoran! A Sakura está drogada. Ela não está agindo de forma normal. Ela está drogada! Você tem que acreditar em mim!'
'Calma, Tomoyo... Respira!' Falou tentando ser ouvido.
A morena continuou a falar todas as suas suspeitas, enquanto o rapaz já se concentrava para tentar achar a presença da Feiticeira, franziu a testa identificando-a dentro do prédio a sua frente. Levantou o rosto e viu o letreiro da sua irmandade. Enquanto ainda tinha Tomoyo falando ao telefone, que a amiga estava mal e tentando convencer desesperadamente o chinês, e que não tinha conseguido convencer os dois guardiões da jovem.
O rapaz continuou a caminhar rapidamente em direção à presença de Sakura. Parou em frente à porta de seu apartamento e fechou os olhos sentindo bem de perto a aura morna da amada.
'Eu preciso desligar agora, Tomoyo.' Ele falou já desligando o telefone e abrindo a porta. O quarto estava parcialmente escuro mas o vulto de uma bela jovem perto da janela banhado pela lua, era fácil de identificar.
'Olá, Syaoran. Estava lhe esperando.' Ela falou sorrindo para ele. O rapaz engoliu em seco fitando aquela figura maravilhosa a sua frente, ele bateu a porta atrás de si sem desviar os olhos da jovem. O perfume dela era maravilhoso e completamente entorpecente.
If you're not the one for me
(Se você não é a pessoa certa para mim)
A jovem caminhou devagar até o rapaz e parou a sua frente com um sorriso nos lábios. 'Estou esperando você há muito... muito... tempo.' Ela sussurrou passando a mão pelo peito do rapaz e repousando suas mãos na nuca dele fazendo um leve carinho em seus cabelos. Reparou que ele estava suando de nervosismo, sorriu mais ainda se fosse possível, puxou-o para que finalmente alcançasse os lábios do seu guerreiro chinês.
Then I'll come back and bring you to your knees
(Então eu vou voltar e te deixar de joelhos)
Li estava estático, pego pelo susto ou talvez pela maravilhosa sensação de ter Sakura colada ao seu corpo. Largou a chave e o celular que tinha nas mãos, fazendo os objetos caírem no chão e abraçou o corpo da jovem.
Beijavam-se de forma profunda, cada um sentindo o gosto do outro.
If you're not the one for me
(Se você não é a pessoa certa para mim)
Sakura deslizou os braços e tocou o peito do rapaz por baixo da camiseta, logo estava puxando a peça de roupa e livrando-se dela.
Li brincava com o zíper do vestido da amada entre os seus dedos, não estava pensando direito, estava cansado de pensar direito em tudo, abriu devagar esperando pela reação de Sakura que agora tinha sua atenção no botão da sua calça, enquanto beijava seu pescoço, fazendo como que o jovem guerreiro deixasse um gemido de prazer sair de seus lábios.
Why do I hate the idea of being free?
(Por que eu odeio a ideia de ser livre?)
Afastaram-se apenas para que o vestido da jovem fosse ao chão e a visão que Li teve de sua amada vestida em trajes tão eróticos, fez como se agora, ele se sentisse drogado. Drogado de amor por àquela mulher.
'Você é Linda.'
Abraçou Sakura com desespero e a empurrou para sua cama, com uma mão fez com que a porta do quarto do dormitório fosse trancada e as cortinas do quarto fechassem como mágica, o que aconteceria ali não deveria ser interrompido por ninguém, seja humano ou não.
And if I'm not the one for you
(E se eu não sou a pessoa certa para você)
Sakura gemeu quando ele apertou seu seio já tirando seu sutiã, para finalmente acariciar a pele alva e macia dela. A feiticeira sentia com enorme prazer, as mãos ásperas do amado guerreiro percorreram seu corpo enquanto a boca dele beijava seu pescoço, descendo para o seu colo e logo alcançando seus seios, enquanto retirava devagar sua calcinha roçando os dedos por sua pernas. Estavam já nus na cama do rapaz, acariciando-se quando ele se posicionou entre as pernas da amada.
You've gotta stop holding me the way you do
(Você tem que parar de me segurar da maneira como você faz)
'Seja gentil, Syaoran.' Ela sussurrou ao ouvido dele com a respiração entrecortada. 'Será minha primeira vez.'
Oh, and if I'm not the one for you
(Oh, e se eu não sou a pessoa certa para você)
Ele se debruçou nos cotovelos observando o rosto tão amado. 'Então você me esperou?'
Sakura sorriu passando a mão pelo rosto do rapaz. 'Eu te falei que te esperei por muito tempo, Syaoran.'
Why have we been through what we have been through?
(Por que nós passamos pelo que nós passamos?)
Ele beijou os olhos da jovem com carinho. 'Prometo que serei, minha Flor.'
Voltou a beijá-la nos lábios enquanto suas mãos acariciavam o corpo da mulher que amava. Sentiu-se extasiado ao sentir os toques suaves dela em sua pele. Informando-o de desejo por ela. Porém alguma coisa lhe apertou o peito, incomodando-o naquela hora, e por mais que quisesse simplesmente sumir com aquela sensação de erro, não conseguia.
It's so cold out here in your wilderness
(É tão frio aqui no seu deserto)
Sakura percebeu a hesitação. Ela sabia que Li hesitaria em se amarem. Sabia que ele queria aquilo tanto quanto ela. Talvez fosse a primeira vez dele também, pensou para si satisfeita. Mordeu de leve o pescoço dele e roçou suas pernas nuas nas dele.
Syaoran tremeu de excitação. Sentindo a cabeça entorpecida, afundou o rosto nos cabelos ruivos e respirou fundo sentindo o perfume maravilhoso dele. Enquanto sentia os seios macios dela contra seu peito. As peles se tocando sem nenhuma barreira. Sentia as mãos dela tocando sem suas costas, em seu corpo.
'Syaoran…' Sakura sussurrou de suave ao seu ouvido. 'Quero você...'
I want you to be my keeper
(Eu quero que você seja meu guardião)
Ele engoliu em seco sem saber o que fazer. Inferno! Por que sentia-se assim? Ele desejava-a tanto. Ela o desejava! Droga!
"Syaoran! Você tem que ajudar a Sakura, ela não está bem!" A voz de Tomoyo ecoou na cabeça do rapaz que novamente hesitou. "O Makoto deu alguma droga para ela. Eu tenho certeza! A Sakura está drogada. Ela não está agindo de forma normal. Ela está drogada! Você tem que acreditar em mim!"
But not if you are so reckless
(Mas não se você for tão imprudente)
Li se afastou do corpo da jovem, preferia morrer do que fazer isso, mas aquela maldita sensação, aquela maldita dor no peito lhe informava que tinha realmente algo errado.
"Nunca mais encoste em mim!" Lembrou-se do que a jovem tinha lhe dito depois do primeiro beijo deles no Campus de Tomoeda.
If you're gonna let me down, let me down gently
(Se você vai me deixar triste, me deixe triste com cuidado)
Don't pretend that you don't want me
(Não finja que você não me quer)
Our love ain't water under the bridge
(Nosso amor não é águas passadas)
Ele afastou-se da jovem e a viu linda e nua a sua frente, pronta para ser dele. Tudo estava acontecendo como sempre sonhou, como sonhou por tantos e tantos anos. Já tinha transado com mulheres antes, mas havia desejado tanto aquela jovem e saber que aquela estava sendo a primeira vez dela, era mais do que havia sonhado. Ele a faria para sempre sua.
Sakura sorriu de lado fitando-o e como uma gata manhosa foi até ele, beijou todo o seu rosto com beijos de leve, depois beijou o pescoço enquanto suas mãos passeavam pelo corpo musculoso.
Li tinha as mãos repousadas em suas coxas pensando no que fazer. Pensando no que estava acontecendo, na verdade, desejando imensamente saber o que era o certo a se fazer.
Sentia sua virilidade pulsar de desejo por ela. Trincou os dentes, fechando forte os olhos e tentando entender. Tentando se controlar.
"A Sakura está drogada! Ou enfetiçada! Ou sei lá o que, Syaoran! Mas ela não está agindo por vontade própria!" Novamente as palavras de Tomoyo ecoaram na cabeça do rapaz.
Engoliu novamente em seco, sua cabeça nunca esteve tão confusa e tão entorpecida. Não conseguiu evitar de ser puxado pela jovem novamente e se acomodar entre as pernas dela enquanto voltavam a se beijar com paixão.
If you're gonna let me down, let me down gently
(Se você vai me deixar triste, me deixe triste com cuidado)
Don't pretend that you don't want me
(Não finja que você não me quer)
Our love ain't water under the bridge
(Nosso amor não é águas passadas)
Ele a abraçou forte, tão forte que Sakura teve a impressão que suas costelas estalaram.
'Deusa dos sonhos. Por favor, envolva-a em seu manto...' Ele invocou sua magia, e logo viu a jovem ser envolvida pela névoa e fechar os olhos, caindo assim em sono profundo.
Estava deitado sobre o corpo da jovem, ainda sentindo o perfume que emanava daquela pele macia. Fechou os olhos buscando forças para afastar-se dela. Queria passar a eternidade com aquele pequeno ser entre seus braços. Queria fazê-la sua para sempre, queria se juntar a ela formando um só ser. Queria e como a queria. Mas não enfeitiçada. Não daquela maneira.
Passou as mãos pelo cabelo, nervoso, percebendo que eles estavam suados, os dois corpos estavam suados. Conseguiu finalmente levantar-se, deixando o corpo da jovem que dormia de forma tranquila, em sua cama. Admirou-a algum tempo e sorriu de leve pensando que ele era louco de ter aberto mão do momento de maior felicidade da vida dele. Maldito senso de honra. Precisava de um banho frio, e rápido.
Woah, woah
(Woah, woah)
Say that our love ain't water under the bridge
(Diga que nosso amor não é águas passadas)
Tomoyo observava o corpo da amiga dormindo de forma calma, na cama ao lado da sua. Tinha vestido a amiga, conforme Syaoran tinha solicitado. Ela não pôde acreditar quando viu o rapaz flutuando na sua janela com a jovem nos braços, envolvida com uma colcha.
O chinês também não tinha lhe dado muitas informações do que tinha acontecido entre eles. Ela pensou que Sakura procuraria Makoto e não, Syaoran.
Ouviu baterem na porta e a abriu rápido. Viu Li com Makoto ao lado com um olho roxo e marcas vermelhas no pescoço, além do braço engessado. Pelo jeito o Chinês conseguiu arrancar do rapaz o que tinha realmente dado à jovem. 'Fique aqui.' Ordenou para o rapaz, sabendo que seria obedecido. Caminhou até o leito de Sakura e a pegou de forma delicada nos braços. Ela se acomodou no peito largo do rapaz.
'Syaoran...' ouviu a jovem feiticeira sussurrar seu nome e tremeu. Ela ainda estava envolvida pela sua magia. Caminhou com a jovem nos braços. 'Você vem, Tomoyo?' Ele perguntou sem desviar os olhos da ruiva.
'Claro.' Ela respondeu sem nem ao menos saber para onde realmente eles estavam indo, mas não se separaria de Sakura até saber que estava tudo completamente certo com a amiga.
Os quatro caminhavam de forma apressada pelas ruas desertas de Tomoeda. Makoto estava calado com a cabeça cabisbaixa. Tomoyo tentava acompanhar os passos decididos de Li. Caminharam por cerca de vinte minutos, em ritmo intenso.
'É na próxima rua à direita.' Makoto dava as instruções para Li que tinha a jovem em seus braços. 'É a única casa com jardim na frente.' Novamente o ex-namorado da jovem deu as instruções para onde eles estavam indo. Tomoyo reconheceu a rua, como sendo do Templo Tsukimini.
A morena adoraria perguntar o que estava acontecendo e para ondem iam, mas o clima era tenso demais. Syaoran estava com o rosto fechado e ela não precisava ser dotada de mágica para saber que isso tinha a ver como o que aconteceu com a amiga e o chinês.
'É aquela ali.' Makoto falou apontando para a esquerda. Finalmente pararam. A morena levantou os olhos para a simpática casa branca a sua frente. Na varanda, havia inúmeros vasos com ervas plantadas, e pássaros encolhidos dormindo na cobertura das telhas. Ela abriu o portão de ferro para Li passar com a amiga nos braços.
'Anda logo, idiota.' Li falou para Makoto que subiu os degraus da casa, tropeçando e quase caindo da pequena escada. Estava tremendo quando tocou a campainha. Virou para trás e encarou Syaoran, Tomoyo pôde ver pânico nos olhos do rapaz. O que quer que Li tenha feito com ele, foi merecido.
Uma senhora muito bonita atendeu-lhes, estava vestindo um quimono tradicional e os cabelos presos em um coque. O rosto dela era sereno, apesar de terem tocado a campainha àquela hora da noite. Não parecia nem um pouco assustada ou surpresa.
Li percebeu isso e não gostou, até porque quando concentrou-se na senhora, identificou uma aura mágica, inclusive teve a impressão de que já lhe era ou conhecida ou muito parecida com alguém que já tivesse encontrado antes. Ele reparou que ela o fitou primeiro assim que abriu a porta, mesmo com Makoto a sua frente.
'Olá, meu rapaz! O que o traz novamente a minha casa?' Perguntou de forma alegre fitando finalmente Makoto, mas logo seu olhar voltou para Li, que estava com expressão séria e a moça que ele carregava nos braços. 'Por que não entram e me explicam o que realmente está acontecendo?' Falou abrindo mais a porta e dando passagem a todos, para sua casa.
Makoto entrou rapidamente, logo depois Tomoyo subiu os três degraus e cumprimentou a senhora polidamente. Li finalmente aproximou-se como Sakura nos braços e parou em frente a senhora encarando-a .
'Fico muito feliz em vê-lo, senhor Li.'
Li franziu a testa, estranhou ela saber seu nome, mas estava preocupado demais para se importar com isso.
'Infelizmente não posso dizer o mesmo. Uma de suas poções causou-me muitos problemas, Senhora.' Falou de uma vez e sem rodeios.
Entrou na casa e observou o local rapidamente, tudo emanava magia naquele lugar. A senhora fechou a porta e voltou-se para o grupo de jovens. Fitou Makoto que estava num dos cantos, percebeu que o rapaz estava machucado.
'O que aconteceu meu rapaz?' Perguntou com a voz suave. 'Não fez como eu lhe expliquei?'
Makoto estava sem graça e apavorado com a presença de Li que mal conseguia falar direito. O chinês rodou os olhos impaciente. 'Desembucha, Makoto. Ou vou ter que lhe dar outra surra?'
'Não!' Gritou em pânico. 'Eu só usei tudo de uma vez, achei que o efeito seria mais rápido.' Finalmente falou.
'Grande besteira, Rapaz! Grande besteira!' A senhora falou balançando a cabeça de leve. 'Poderia intoxicar a moça!'
'Alguém pode me explicar o que está acontecendo?' Tomoyo perguntou ansiosa. Tinha se mantido calada para não atrapalhar, mas agora não era só questão de curiosidade, ela realmente precisava saber o que aconteceu como sua adorada prima.
'Preciso de um antídoto agora.' Ordenou Li, ignorando a pergunta da amiga. Queria resolver aquilo de uma vez. Queria ver os olhos glaucos de Sakura abertos e saber que a jovem estava bem. Tê-la sem os sentidos em seus braços, dava-lhe uma sensação de agonia imensa.
'Claro.' A senhora falou caminhando em direção a uma estante cheia de potinhos coloridos. 'Dois dias atrás este rapaz veio me procurar para lhe ajudar a resolver uma questão com sua amada.' Ela começou a explicar para Tomoyo enquanto procurava um dos potinhos. 'Ele falou que ela o amava muito, mas estava confusa por causa de um namoradinho de infância.' A senhora voltou-se para Syaoran e Sakura e depois encarou o rapaz. 'Deduzo que a jovem por quem é apaixonado é a senhorita Kinomoto, não é?' Makoto respondeu que sim com a cabeça. 'Desculpe-me rapaz, se eu soubesse teria lhe dito que nem o maior dos feitiços poderia lhe ajudar.'
'Como assim, senhora?' Tomoyo perguntou, aproximando-se dela. Sabia que não poderia ajudar em nada, mas todas as células do seu corpo gritavam que aquela mulher sabia de muita coisa.
A senhora sorriu e pegou um potinho de cor vermelha, aproximou-se dos olhos para ler com cuidado o rótulo, apenas para ter certeza que tinha pego o vidro correto. 'Pronto, achei. Acho que isso resolverá seus problemas por hora, Senhor Li. Não é bem um antídoto, mas colocará juízo na cabeça da Senhorita Kinomoto.'
'É... ela está precisando de um pouco disto mesmo.' Li falou depositando sua preciosa carga no sofá da sala da senhora. Acomodou Sakura da maneira que achou mais confortável possível e estendeu o braço para que senhora lhe desse aquele maldito vidro. 'Qual a dosagem correta?' Perguntou.
'Se ela bebeu todo o frasco que dei para o rapaz...'
'Ela bebeu tudo, Makoto?' Li perguntou, não admitiria erros com Sakura.
'Sim... eu despejei todo o conteúdo do vidrinho que a senhora meu deu na garrafa de coca-cola que ofereci para ela.' Clarificou o rapaz. 'Ela bebeu o refrigerante inteiro.'
'Eu sabia! Você é mesmo um cretino, Makoto! Você drogou a Sakura!' Tomoyo gritou revoltada, na cara do rapaz. 'Se o Li não lhe desse uma surra, pode ter certeza que eu mesma lhe dava uma. Você é um idiota, sabia?! Um idiota!'
'Eu só queria tê-la de volta, Daidouji! Ela era minha namorada antes deste cara aparecer na vida dela. Se ele não tivesse vindo para o Japão, Sakura e eu estaríamos namorando em paz!' O jovem respondeu fitando a morena.
'Meu rapaz, e você acha que eu poderia fazer com que ela lhe amasse?' A boa senhora indagou para ele.
'Claro! Foi para isso que eu lhe procurei. Foi por isso que eu lhe pedi uma poção do amor' Makoto falou ressentido.
'Criança, o amor não pode ser criado Não existe uma poção do amor, ou uma magia que faça com que alguém o ame. O amor é o sentimento que sustenta a vida e as pessoas, que brota nelas independente delas quererem ou não. O que eu lhe dei foi uma poção que a tornasse livre de inibições. O que minha poção, fez foi ajudar a tirar os obstáculos psicológicos que impedem alguém de fazer algo por repressões impostas pela sociedade, ressentimentos ou medos. Minha poção apenas retira este véu da pessoa.' A senhora falou com calma e de forma pausada tentando fazer com que o rapaz conseguisse compreender que não tinha como ele ter a menor esperança que Kinomoto o amasse algum dia.
Li franziu a testa prestando atenção no que a senhora falava. Olhou para Sakura e pensou que depois do que quase aconteceu entre eles, talvez a jovem numa mais quisesse olhar para ele. Não poderia pensar nisso agora, precisava saber apenas que ela estava bem. 'Qual a dosagem?' Perguntou novamente para a senhora.
Ela desviou os olhos de Makoto e fitou o guerreiro chinês. 'Três gotas já será suficiente.' Ela respondeu e observou o rapaz abaixando até a altura do rosto da jovem que dormia placidamente no sofá de sua sala, envolvida ainda pela magia dele. Syaoran abriu a boca da jovem e pingou o líquido. Ele fez um leve carinho no rosto dela e sorriu, pensando em como as coisas ficariam quando ela acordasse. Ficou tentado a perguntar para a senhora se ela por acaso teria uma poção de esquecimento.
'Quanto tempo até fazer efeito?' Ele perguntou sem desviar os olhos do rosto da amada.
'Imediato.' Foi a resposta da senhora. O rapaz beijou a testa da jovem de forma demorada, afastou-se, cancelando a magia que a mantinha ainda dormindo.
Sakura abriu os olhos devagar e piscou algumas vezes tentando entender o que tinha acontecido e reconhecer onde estava. 'Syaoran...' O nome do rapaz saiu novamente dos lábios da jovem sem que ela quisesse. Sentia-se confusa, como uma sensação de ressaca.
'Estou aqui.' Ele falou. A jovem sentou no sofá devagar e fitou o rosto dele. Ela franziu a testa tentando entender o que tinha acontecido. Desviou os olhos, e reparou que não conhecia o lugar que estavam. 'Onde estamos?' Perguntou observando a aconchegante sala de estar.
'Está em minha casa, senhorita Kinomoto.' A Senhora falou e finalmente Sakura a fitou. Teve a impressão de que a conhecia de algum lugar, mas tudo era ainda tão confuso na sua mente. 'A senhorita se sente bem?'
Ela levou uma das mãos na cabeça e fechou os olhos. 'Está tudo confuso.'
'É normal.' A senhora falou. 'Logo tudo ficará mais claro.'
Li observava a jovem, não sabia exatamente o que se passava na cabeça dela. 'Hã... eu acho que vou esperar vocês lá fora.' Falou desviando os olhos da jovem, no fundo sentia-se imensamente envergonhado do que tinha feito, deveria ter parado antes deles irem tão longe. Rezava internamente para que a jovem não conseguisse lembrar. Caminhou em direção à saída, retendo-se apenas na frente da senhora. Fitou-a por alguns segundos ainda intrigado da onde a conhecia, achou melhor deixar isso para outro dia. 'Boa noite e obrigado.' Cumprimentou antes de sair pela porta.
Sakura observou o rapaz se afastando em silêncio. Tomoyo se sentou ao seu lado. 'Você está bem mesmo?' A morena perguntou.
A ruiva balançou a cabeça de leve informando que sim. Abaixou os olhos tentando clarear melhor as imagens que vinham aos poucos na sua mente. Lembrava-se de uma briga. Syaoran e Makoto brigando feio no refeitório da faculdade.
'Sakura...' a prima a chamou. 'Do que você se lembra?'
A jovem abriu a boca uma ou duas vezes tentando conseguir formular uma frase completa, que fizesse sentido. Lembrava-se de estar num shopping gastando o que não deveria, tremeu internamente pensando que o irmão a mataria quando recebesse a fatura do cartão de crédito.
O pai havia lhe deixado um dinheiro para finalizar os estudos e também para comprar uma casa quando terminasse a faculdade. Era um dinheiro guardado para o futuro não para futilidades. Mordeu o lábio inferior com força pensando que teria problemas com Touya mais tarde.
'O que... o que realmente aconteceu, Tomoyo?' Ela achou melhor perguntar para a prima, do que tentar entender o que tinha acontecido com ela. Se estavam naquela casa estranha, algum motivo deve ter tido.
Tomoyo pigarreou, pensando em como falar para a prima. 'O Makoto...'
'O que tem o Makoto?!' Sakura interrompeu assustada. 'Syaoram matou ele?!' Deduziu considerando sua primeira lembrança da briga dos rapazes.
'Não, não... eu tô vivo!' O rapaz falou e finalmente Sakura se deu conta da presença dele na sala. Franziu a testa observando as escoriações no rosto e o braço engessado dele. 'Está preocupada comigo?' Perguntou com um fio de esperança que a poção tivesse ajudado a jovem perceber que o amava.
Sakura se levantou ainda tentando entender o que tinha se passado. Lembrava-se de chegar em casa, encontrar os seus guardiões preocupados por ela, mas não sabia direito. Ponderou que deveria ter sido alguma inspeção surpresa de Touya.
'Estou com sede.' Ela falou sentindo a boca seca.
'Já buscarei água para a senhorita.' A senhora falou se direcionando a cozinha. 'Tenha calma com suas lembranças. Elas estão um pouco desordenadas e confusas. Demorará um tempo até tudo ficar claro como água.'
Tomoyo observava a jovem caminhando devagar pela casa como se estivesse juntando cacos de sua mente. Deveria estar desorientada e o pior é que ela se sentia uma inútil em não poder ajudá-la.
Tinha uma curiosidade enorme para perguntar o que tinha acontecido entre ela e o amigo chinês, mas se segurou. Sakura precisava de um tempo agora. Olhou em direção a porta pensando que Syaoran deveria estar bem nervoso no jardim.
A senhora logo voltou com um copo de água fresca para a jovem que o pegou e agradeceu. Bebeu devagar o líquido, pensando ou melhor tentando montar o quebra cabeça de sua própria mente e lembranças. Olhou pela janela e lembrava-se de estar caminhando pela faculdade. Quando bateu na porta do alojamento de Li. Encontrou Kurogane e pediu para o amigo dormir em outro lugar. Sentiu o rosto começar a esquentar. O que ela tinha feito?!
'Eu estou confusa... acho que eu tive um pesadelo.' Ela falou com a esperança de que o que começava a se lembrar era apenas lembranças de um sonho.
A senhora se aproximou dela com um bondoso sorriso. 'Você bebeu uma poção que a tornou livre de inibições. Tomou uma dose um tanto quanto exagerada e por isso o impacto foi tão intenso e está sentindo-se desnorteada agora.'
'Poção...' ela repetiu devagar tentando assimilar. Desviou os olhos da senhora e fitou a porta por onde Syaoran tinha saído. Arregalou os olhos lembrando deles se beijando. Abriu os lábios sentindo a respiração ofegante. Tinha os olhos inquietos lembrando-se deles se despindo e logo depois se acariciando sem roupa alguma no corpo. Soltou o copo fazendo-o espatifar no chão e agora era claro como água, tinha transado com Syaoran. Tudo era confuso ainda, mas lembrava-se do suficiente para deduzir como havia terminado aquilo.
'Sakura... você está bem?' Tomoyo perguntou aproximando-se rapidamente da amiga e a segurando pelos braços. 'Você está pálida...'
'Eu... eu e Syaoran...' começou a falar sem saber direito o que dizer para prima. Fechou os olhos e respirou fundo, tentando manter a calma. 'A tal poção... porque eu a tomei?'
'Foi Makoto.' A prima lhe respondeu.
O rapaz se aproximou de Sakura e a viu abrir os olhos devagar. 'Eu sei que você no fundo me ama, Sakura. A chegada daquele cara apenas confundiu você.' Ele falava de forma nervosa. 'Eu estava desesperado. Não consigo viver sem você.'
'E então você me drogou?' Ela falou em tom de sarcasmo.
'Não era uma droga! Você não disse que era Feiticeira? Então eu procurei uma para me ajudar!' Makoto falava de forma nervosa, tentou pegar as mãos de Sakura, mas ela deu um passo para trás. A jovem fitou rapidamente a senhora e realmente percebeu que ela tinha uma presença mágica. A casa inteira transmitia magia. 'Eu te amo demais Sakura.' Ele se declarou novamente.
'Você me drogou...' Ela repetiu não acreditando que o rapaz fora capaz de fazer isso. 'Você tem ideia do que me aconteceu por causa disto?'
O rapaz engoliu seco fitando os olhos glaucos inflamados de raiva. 'Eu... eu pensei que a poção ajudaria você a entender os seus verdadeiros sentimentos. Foi isso que a senhora me falou.'
'Você é um idiota.' Ela falou virando-se para se afastar do rapaz que segurou seu braço. Sem pensar direito, ela voltou-se para ele e lhe deu um soco no rosto fazendo ele a soltar e seu nariz sangrar pelo punho potente da moça. 'Não toca mais em mim!'
Tomoyo arregalou os olhos, assustada pela explosão de Sakura, mas verdade seja dita que ele tinha merecido mais este soco. A senhora foi até o rapaz com um sorriso zombeteiro nos lábios. Não podia negar que gostou da reação da jovem em aplicar ela mesma um corretivo ao rapaz. Realmente ele poderia tê-la intoxicado pela superdosagem da poção. Se Sakura não fosse uma poderosa feiticeira e sim uma simples mortal, a poção poderia ter efeitos terríveis. Estendeu uma pedaço de pano para ele que aceitou, enquanto gemia e choramingava pelo nariz provavelmente quebrado.
'Você me fez fazer coisas que eu não poderia ter feito!' Ela gritou para ele. 'Deus! Como é que eu vou encarar o Syaoran novamente?' Ela finalmente soltou caindo no sofá com as mãos no rosto. Sentia um bolo enorme na garganta e percebeu que seus olhos ardiam, queria chorar, mas precisava se manter firme. Chorar não adiantaria nada naquela situação. Tinha que manter a cabeça fria agora, depois de literalmente ter perdido a cabeça.
'Preciso ir a um hospital...' Makoto gemia.
A senhora suspirou fundo e pensou que em parte a culpa era dela também. 'Vamos rapaz... vou levar você ao hospital.' Ela falou segurando o braço dele e o puxando para a saída. Voltou-se para as duas jovens. 'Por favor... fiquem o tempo que precisarem. Vou levar este rapazinho apaixonado para o hospital. Fechem a porta quando saírem.' Ela parou apenas para vestir o casaco e pegar a bolsa.
Caminhou com Makoto, mas voltou-se rapidamente para dentro da casa antes de cruzar a porta. 'Senhorita Kinomoto.' Chamou-a e observou a jovem levantar o rosto fitando-a. 'Tem um outro rapaz aqui no jardim, apaixonado e esperando pela senhorita. E eu acho que ele deve estar tão ou mais confuso que você.'
Sakura arregalou os olhos. Ela tinha razão. Syaoran deveria estar bem confuso com o que ela tinha feito. Se suas memórias não estivessem agora lhe pregando uma peça, fora ela que tinha provocado o rapaz e muito. Não era assim que gostaria que tivesse sido a primeira vez dos dois, ou melhor a primeira vez dela. Principalmente porque suas memórias de repente eram interrompidas de forma brusca. Lembrava-se claramente de sentir o peso do corpo do rapaz sobre si e ele entre suas pernas. Lembrava-se deles de beijando, dele tocando o corpo dela, assim como ela tocara o dele. Tremeu.
A senhora finalmente deixou as duas primas sozinha na sala. Sakura ainda procurava coragem para se levantar e encarar Syaoran. O que mais queria era simplesmente acordar e se ver deitada na sua cama, constatando que tudo não tinha passado de um sonho, como tantos que já teve com Syaoran.
'O que aconteceu, Sakura?' Tomoyo perguntou. 'O que aconteceu entre você e Syaoran?'
Sakura balançou a cabeça. 'Eu nem sei se o que eu lembro é realmente o que aconteceu.'
'Ele chegou no nosso dormitório com você nos braços desacordada.' Tomoyo falou devagar e observou a prima levantar novamente o rosto para encará-la. 'Você estava sem roupas, Sakura.'
Sakura fechou os olhos. Bem, então a parte de estar nua na cama com Syaoran, realmente acontecera. 'Eu acho que a gente transou, Tomoyo.' Ela sussurrou. 'Eu não lembro de tudo.'
'Então está na hora de você conversar com ele, não é?'
'Como é que eu vou encará-lo agora?'
'Da mesma maneira que encara todos os dias. Tá na cara que você e ele ainda se amam. Não sei porque ainda ficam nesta lenga lenga sem fim. Vai lá e tira tudo a limpo de uma vez, Sakura. Para de ser covarde. Você não é mais uma menina de 10 anos!' Tomoyo falou de forma clara o que queria dizer há tempos para a prima.
Sakura respirou fundo. Fechou os olhos por alguns segundo e os abriu de forma decidida. 'Você tem razão, Tomoyo. Não sou mais uma menina.' Falou levantando-se e caminhando em direção ao jardim para encontrar com Syaoran.
What are you waiting for?
(O que você está esperando?)
You never seem to make it through the door
(Você nunca parece conseguir ir embora)
And who are you hiding from?
(E de quem você está se escondendo?)
It ain't no life to live like you're on the run
(Não há vida para viver como se estivesse em fuga)
O rapaz estava esperando-a debruçado no muro do jardim. Ele e Sakura se fitaram por alguns segundos.
Ela desceu os degraus devagar parando em frente ao rapaz e engoliu seco. Abriu a boca duas vezes para falar, mas não conseguia achar as palavras certas para começar o diálogo.
'Foi você quem quebrou o nariz do idiota do Makoto?' Ele perguntou com a voz ligeramente surpresa.
Sakura franziu a testa. 'Claro! Ele me drogou! Tenho vontade de quebrar todos os ossos dele!'
Ela viu ele sorrir de leve e balançar a cabeça. 'Ele bem que merecia.'
Ficaram em silêncio, não se encarando.
Have I ever asked for much?
(Eu já pedi demais pra você?)
The only thing that I want is your love
(A única coisa que eu quero é seu amor)
'Nós... bem... nós...' Finalmente falou, ela palpável seu nervosismo.
'Não.' Ele respondeu voltando a fitá-la. 'Não fomos até o final.' Esclareceu a ela.
'Não?' Perguntou confusa.
Desviou os olhos dele, estava louca para perguntar, mas sentia-se incrivelmente tímida, como quando tinha dez anos e não conseguisse simplesmente dizer para ele que também o amava.
Arregalou os olhos constatando que Tomoyo tinha razão. Não era mais uma menina. Voltou a encará-lo.
'O que aconteceu?'
'Eu invoquei uma magia para fazer você dormir até entender o que estava acontecendo.' Ele esclareceu. 'Tomoyo me contou sobre suas suspeitas e eu posso dizer que arranquei a verdade de Makoto.'
'Hum...' Ela murmurou lembrando-se do olho roxo do rapaz. Respirou fundo novamente. 'Então a gente não...'
'Não.' Confirmou mais uma vez. Desviou os olhos dela. 'E foi bem difícil para mim parar.'
'Fomos muito longe...' Ela sussurrou desviando os olhos do rapaz.
'Fomos. Não posso me desculpar porque... era o que eu queria. Há muito tempo.' Syaoran falou com sinceridade.
'E por que parou?'
'Porque não era o certo. Não era o que você queria. Você estava enfeitiçada.' Ele falou e depois respirou fundo. Estava cansado, mais emocionalmente do que fisicamente.
If you're gonna let me down, let me down gently
(Se você vai me deixar triste, me deixe triste com cuidado)
Don't pretend that you don't want me
(Não finja que você não me quer)
Our love ain't water under the bridge
(Nosso amor não é águas passadas)
Sakura mordeu o lábio inferior, agora próxima ao rapaz, sentindo-se envolvida pela aura morna e aconchegante dele, percebeu que no fundo não gostaria que ele tivesse parado, queria ser dele. Tinha o esperado durante anos, esquivado de Makoto de todas as formas, pois sabia no fundo que Syaoran era quem queria. E depois de apenas experimentar parte das sensações de fazer amor com ele, sabia que não tinha mais como ignorar aquele sentimento.
Sakura percebeu que não tinha mais volta, que tinha caído definitivamente no abismo. Estava ainda, completamente apaixonada pelo chinês, amava aquele rapaz com todo o seu coração, queria que ele ficasse com ela para sempre no Japão, mas se ele não pudesse, isso não tinha mais importância, ela finalmente decidiu naquele momento que queria cair no paraíso, mesmo que daqui a um tempo fosse para o inferno. Queria Syaoran Li.
If you're gonna let me down, let me down gently
(Se você vai me deixar triste, me deixe triste com cuidado)
Don't pretend that you don't want me
(Não finja que você não me quer)
Our love ain't water under the bridge
(Nosso amor não é águas passadas)
'Acho melhor a gente ir para casa... estamos cansados.' Ele falou desencostando-se da mureta e pronto para ir embora, mas ela o segurou forte pelo braço impedindo que se afastasse. Ele virou-se para a jovem sem entender.
'Eu não queria que você tivesse parado.' Ela falou de forma sincera.
Woah, woah
(Woah, woah)
'Como?' Ele não entendeu.
Ela o fitou intensamente. 'Eu também queria a muito tempo... na verdade, eu quero você.'
Say that our love ain't water under the bridge
(Diga que nosso amor não é águas passadas)
'Você ainda deve estar sob efeito de magia, Sakura.' Ele falou pensando se a porcaria do antídoto da velha tinha funcionado mesmo.
'Não! Não estou sob efeito de nenhuma magia, de nenhuma droga, de nada. Eu apenas cansei deste jogo. Se você vai ficar apenas três anos aqui e depois vai voltar para a China ou para qualquer outra parte do mundo, eu não me importo. Eu quero você agora, até quando eu puder.'
It's so cold in your wilderness
(É tão frio no seu deserto)
I want you to be my keeper
(Eu quero que você seja meu guardião)
But not if you are so reckless
(Mas não se você for tão imprudente)
Syaoran piscou algumas vezes surpreso com a atitude da jovem. Aquela era realmente Sakura? Ele observou o semblante decidido da jovem. Ela tinha mudado. Ela tinha amadurecido. Não estava mais à frente da menininha que caçava as cartas Clow por pura intuição, estava à frente de uma feiticeira poderosa. Estava à frente de uma mulher.
If you're gonna let me down, let me down gently
(Se você vai me deixar triste, me deixe triste com cuidado)
Don't pretend that you don't want me
(Não finja que você não me quer)
Our love ain't water under the bridge
(Nosso amor não é águas passadas)
Fez a única coisa que poderia fazer e queria desde que a jovem acordou, envolveu-a em seus braços apertando o corpo frágil entre eles. Sentiu o perfume gostoso que emanava dos cabelos cor de mel da mulher que amava.
If you're gonna let me down, let me down gently
(Se você vai me deixar triste, me deixe triste com cuidado)
Don't pretend that you don't want me
(Não finja que você não me quer)
Our love ain't water under the bridge
(Nosso amor não é águas passadas)
'Eu te amo, Syaoran Li.' Falou o que estava entalado na garganta.
'Eu nunca deixei de te amar, Sakura Kinomoto.' Foi a resposta dele apertando mais a jovem nos seus braços. Ela conseguia ouvir as batidas aceleradas do coração do rapaz e sorriu. Os dois finalmente sorriram aliviados por se declararem.
Woah, woah (say it ain't so, say it ain't so)
(Woah, woah (diga que não é assim, diga que não é assim))
(Say it ain't so, say it ain't so)
(Diga que não é assim, diga que não é assim)
Say that our love ain't water under the bridge
(Diga que nosso amor não é águas passadas)
(Say it ain't so, say it ain't so)
((Diga que não é assim, diga que não é assim))
Woah, woah (say it ain't so, say it ain't so)
(Woah, woah (diga que não é assim, diga que não é assim))
(Say it ain't so, say it ain't so)
((Diga que não é assim, diga que não é assim))
Say that our love ain't water under the bridge
(Diga que nosso amor não é águas passadas)
(Say it ain't so, say it ain't so)
((Diga que não é assim, diga que não é assim))
Say that our love ain't water under the bridge
(Diga que nosso amor não é águas passadas)
Continua.
Música do Capítulo: Water Under The Bridge (Águas Passadas) by Adele
