Um Estudo em Fanfictions

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a Sherlock [BBC Series] fanfiction

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Capítulo 4 || The One That Got Away

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[Sinopse] Ao som do hit de Katy Perry, vamos dar uma chance para Mary lamentar o quanto ela, só por seu amado John, adoraria voltar no tempo e não ter atirado no Sherlock.

[Notas iniciais do capítulo] Obrigada, infinitamente obrigada, às leitoras (ou talvez leitores) que se identificaram como Molly, Mary e Janine, pelos seus reviews! Por favor, sintam-se à vontade para fazer contas aqui nesta mídia, assim vocês podem acompanhar histórias e receber respostas aos seus comentários (a.k.a. amor em caixinhas virtuais).
Oi...! Tem alguém aí...? [~eco infinito] Por favor, deixe-me pedir perdão pela demora em atualizar a fic, mas este semestre ainda está no comecinho e já está impossível!

Não consegui colocar a música no corpo da fic, mas aqui está o áudio e a tradução (é só tirar os espaços): letras. mus .br/ katy-perry/ 1725495 /traducao. html.

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Somos iguais, temos as mesmas cicatrizes do horror e da violência da guerra e andamos com posturas igualmente disciplinadas, disfarçando perfeitamente o peso de muitas vidas que tiramos. Não sei se acho fofo ou cômico o fato de você não ter notado, desde o começo, o quanto somos parecidos - principalmente nos piores, mais podres e ocultos hábitos e segredos de nossas vidas.

Mesmo assim, o que se destaca em você é a sua alma pura e inocente, a despeito de tudo que você passou, de todos os crimes que cometeu. O que salta aos olhos, da sua existência tão discreta e preciosa, feita especialmente para ser observada por olhos atentos e perversos, é a sua doçura ferida, que eu cobicei desde a primeira vez que pus os olhos em você.

Me tornei uma enfermeira para fugir dos Serviços Secretos e dos meus patrões anteriores. Tive que aprender a matar de todas as formas possíveis e imagináveis, das mais discretas às mais chamativas e teatrais, e com o meu conhecimento da anatomia humana, seria muito fácil forjar esta profissão, com todos os seus comprovantes e certificados necessários.

Você não precisa pensar que eu fugi para fazer alguma boa ação, ou porque, como uma boa samaritana, eu houvesse me arrependido e redimido de qualquer um dos meus erros. Eu fugi, apenas e tão-somente porque, depois de tirar tantas vidas, acabei me apegando, com tolice, egoísmo e horror, à minha própria. Queria vivê-la só para mim, por minha própria conta, experiência e esperança de bem-estar. Ao final, eu seria encontrada, velha, abandonada e podre, dentro de casa, vários dias depois de morta; ou assassinada por algum vingador inconformado - e, acredite, qualquer um poderia formar um exército com apenas um décimo das pessoas que desejariam minha cabeça numa bandeja.

O simples fato de que ninguém choraria ou se desesperaria com a minha morte já me parecia deliciosamente maduro, responsável. Quase confortável.

Até o dia desgraçado em que um mensageiro me levou até Magnussem, que sabia o tempo todo a minha maldita localização, e me deu a sua foto. Você seria meu novo alvo. Você, ou Sherlock Holmes - que o infernal cidadão Kane [1], o coronel Moran, seu antigo superior, e Moriarty, sabiam perfeitamente que estava vivo.

E uma foto, uma mísera imagem, bastou para que eu me apaixonasse por você. Tente imaginar o meu prazer e deslumbramento, quando tive o prazer de descobrir que ela não fazia justiça à sua deliciosa beleza madura, e ao seu jeito meigo, sob todos os traumas, cacos, ruínas de sua própria existência, que você tentava juntar, reconstruir, tão desesperadamente.

Foi a primeira vez que desejei que minhas mãos, tão argutas na arte de matar, fossem capazes, ao menos por um pouco de tempo, de curar e oferecer conforto. A experiência da Morte, repetida além da exaustão na minha vida inútil e egoísta, me criava nojo de qualquer companhia - inclusive a minha própria. No entanto, nunca consegui impedir meu corpo de fantasiar com os seus músculos graciosos e disciplinados, com os seus olhos tão grandes, escuros e profundos, com os seus lábios finos e apetitosos, com a sua voz quente e doce. E meu coração, que sempre me pareceu sufocado em meio ao nojo, medo e vazio, me fazia ter sonhos tolos e românticos, com a sua doçura irresistível. Eu jamais acreditei que encontraria alguém tão verdadeiro, meigo e gentil. Nunca imaginei que este alguém seria você, tão parecido comigo, tão acessível e vulnerável ao alcance das minhas mãos e à mira das minhas armas.

Ele confiou em mim, quando eu tentei reaproximar vocês, como duas crianças adoravelmente tolas e amuadas. Ele confiou em mim, e me jogou nos braços da pessoa que mais amei, em toda a minha mísera existência, mais que a vida que cresce dentro do meu corpo neste momento. Ele criou um cenário perfeito, uma festa digna de contos de fadas, para ostentarmos nosso amor e felicidade para o mundo todo ver. Ele fez votos adoráveis no nosso casamento. Ele confiou em mim para ajudá-lo a resolver um caso insolúvel.

Ele confiou em mim porque eu o ajudei com tudo o que ele mais ama, com tudo que o vicia - o trabalho que ele tanto adora, e John Watson, o homem que ele tanto ama.

Ele estendeu a mim a confiança que tinha em você. No entanto, eu seria capaz de tirar minha própria vida milhares de vezes, antes de atirar em você. Aqueles três demônios haviam me prometido que um de vocês teria que ser meu último alvo.

Tudo que eu podia fazer, naquele momento, era atirar nele.

E o seu pavor em perdê-lo, pela segunda, última, verdadeira e definitiva experiência, o terror com que você gritava, lutava pela vida dele, doeu no meu coração como se eu houvesse sido atingida por aquele tiro.

Foi a primeira vez em que me arrependi por meu trabalho de assassina.

Tenho certeza de que, quando você descobrir, irá embora da minha vida; de uma forma mais horrível e inexorável que se um de nós houvesse morrido. Porém, você não vai me matar, meu egoísmo é patético demais, tanto para o seu ódio, quanto para os seus fortes, antiquados, nobres e inúteis valores morais. Nunca mais terei o prazer de te ver, porque mesmo que você não peça, o Governo Britânico te providenciará a guarda da nossa filha, antes que você tenha tempo de me desprezar e odiar pela primeira e última vez.

O que eu poderia fazer para que isto não acontecesse?

O que eu poderia fazer para não ter atirado em Sherlock Holmes?

O que você faria se, antes de caírem as cortinas sobre esta tragédia, eu te contasse toda a verdade?

Não importa que o momento em que serei expulsa da sua vida, apagada da sua memória, destruída como um inseto desagradável, esteja tão próximo. Por você eu fui capaz de me arrepender. Por você eu desejei voltar no tempo, ser outra pessoa, ser a mulher normal com quem você almejou se casar, ao invés de uma psicopata que ganha a vida matando. Você me faz infinitamente melhor, mesmo quando estou prestes a te perder.

Vou te perder, porque eu falhei miseravelmente, na tentativa de enganar a nós dois.

E já que sou tão boa em me envolver no impossível e no ilusório, o que posso tentar para fazer você me perdoar?

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[Notas finais do capítulo]

1. Cidadão Kane é um filme do cineasta americano Orson Welles, tido como um clássico da sétima arte. Conta, com recursos narrativos inusitados para a época, como efeitos especiais e flashback, a biografia de um magnata dos veículos de comunicação nos Estados Unidos nos anos 1920-30. Pensando em como o Magnussem adora brincar com a opinião pública, a política e o sofrimento das pessoas usando o seu império de veículos de mídia, meu tolo subconsciente sempre o chamou, com aquela sensação de nojo, medo e revolta que todos os Sherlockians sentem contra ele, de cidadão Kane do capeta. Por favor, não me apedreje.

2. Chega logo, quarta temporada! O fandom não aguenta mais sofrer com tanto hiatus! :'( Vamos debater o que você acha que vai acontecer com a Mary... tá bom, é só uma desculpa fajuta pra te fazer comentar. kkk xD. Funcionou?