-Olá, cara.
- Sesshoumaru? – ela sussurrou, sentindo o peso da mão em seu ombro.
- Em carne e osso.
- Mas... se é Sesshoumaru, então quem ...?
- Permita-me apresentá-la a meu irmão gêmeo, Inuyasha e sua esposa Kagome.
- Não obrigado. Prefiro ir me trancar no banheiro e sofrer minha humilhação com um mínimo de privacidade.
- Bobagem. – e segurou seu braço – Inuyasha, Kagome, esta é Rin Ozawa, proprietária da Crabbe Associados.
- Então estão noivos? – Kagome perguntou eufórica. – Seu pai vai ficar muito feliz!
- Ela não é minha noiva.
- Bem, não foi o que Rin disse.
- Já chega, amorata.- Inuyasha interferiu. – Vamos deixar que elesresolvam suas diferenças a sós. Mais tarde o torturaremos para que nos conte tudo. Talvez na próxima reunião de diretoria da Salvatore... assim não terá de repetir a historia varias vezes.
Furioso, Sesshoumaru fez um breve e eloqüente discurso em italiano. A julgar pela expressão de Kagome, Rin devia esta grata por não ter entendido uma única palavra. Assim que terminou, ele a arrastou para outro lado da sala. As pessoas se afastavam para abrir caminho, lançando olhares desconfiados e reprovadores na direção do italiano e outros surpresos e intrigados, para ela.
Que horror! Seria aquele tratamento que Sesshoumaru recebia regularmente? Como podia suportar a tortura e ainda comparecer a festas e eventos filantrópicos?
Passaram por uma porta e chegaram a uma varanda onde era possível ver a baia de San Fransisco. Luzes iluminavam o contorno de Golden Gate e Bay Bridges, amenizando a escuridão da água. Não fosse pela fúria do homem a seu lado, Rin teria considerado a vista tão relaxante quanto pitoresca.
-Pode soltar-me agora – disse
Sesshoumaru atendeu ao pedido. Ela esperava que a interrupção do contato fosse o bastante para desaparecer a aflição que pulsava em seu corpo, mas estava enganada, e a sensação inesperada a confundiu. Trabalhara cercada por homens durante toda a vida e nunca havia experimentado uma atração tão forte. Por que tinha que ser com Sesshoumaru?
- O que pensa que esta fazendo? – ele perguntou com voz abafada, como se fosse difícil conter a ira.
- Eu... estava fazendo uma ultima tentativa antes de aproximar-me de Narak.
- Atacando meu irmão? O que é isso Cara: qualquer Taishou serve inclusive os casados?
- Ora pare com issoSesshoumaru! Por que os homens sempre tiram as conclusões mais absurdas em um confronto com uma mulher?
- Estar aborrecido por saber que pediu meu irmão em casamento não tem nada de absurdo. É até bastante razoável.
- Razoável? – a raiva crescia. Quando havia perdido a calma pela ultima vez? Não conseguia se lembrar. – Não tem o direito de esta aborrecido. Para sua informação, e não pedi Inuyasha em casamento. Não exatamente.
- Ah, não? E como seria esse... exatamente?
- Esta se fazendo de estúpido! Sabe muito bem que eu pensei Inuyasha fosse você. Foi um erro natural e compreensível.
- O que significa que não conseguiu nos diferenciar. O que aconteceu com sua impressionante habilidade de ponderar, analisar e deduzir?
Ela serrou os punhos, dominada por uma fúria cega e destruidora. Como ele conseguia destruir anos de pratica e controle com meia dúzia de palavras bem escolhidas?
- Caso ainda não tenha sido informado, você e Inuyasha são gêmeos idênticos.
- Kagome sabe apontar as diferenças entre nos.
- Ela é casada com Inuyasha! É lógico que saiba reconhecer o marido!
- Ela sempre soube reconhecê-lo. Desde o inicio. Na primeira vez em que nos encontramos ela soube que eu não era Inuyasha.
- Muito bem, parabéns para ela! – os óculos escorregavam pelo nariz enquanto ela andava de um lado para o outro, tentando recuperar a calma. Irritada, empurrou-os para o alto da cabeça. A visão pobre fez com que Sesshoumaru parecesse nublado, como se não tivesse contornos definidos, mas naquele momento preferia não enxergá-lo nitidamente.
- Só o vi uma vez, e acha que isso teria de ser suficiente para que o distinguisse de seu irmão?
- Viu as fotos no meu escritório. Sabia que eu tinha um irmão gêmeo. É uma mulher astuta, quase um gênio de lógica e de analise dedutiva. Devia ter usado seu talento natural para descobrir seu erro.
- Eu descobrir meu erro!
- Sim, no momento em que tropeçou em mim. Tarde demais, considerando que já havia mencionado aquela ridícula proposta de casamento.
- Oh, por isso esta tão zangado! Por que agora eles sabem que o pedi em casamento!
- Exatamente.
Agora que conseguia compreender a situação, sentia-se um pouco mais calma. Era um grande alivio poder controlar-se como estava acostumada a fazer. Odiava perder o domínio sobre si mesma.
- Bem, diga a eles que foi uma proposta comercial e que você recusou. É simples, não?
- Não conhece minha família. Esqueceu que tenho cinco irmãos? E todos terão um palpite ou sugestão a oferecer.
- Entendo. Vai ter de suportar algumas provocações e brincadeiras. Nunca tive irmãos, mas imagino que todos sejam iguais, não?
- Tem razão. E já estou acostumado com as piadas e provocações. Elas não me incomodam. O que me preocupa é saber que mais cedo ou mais tarde um deles vai querer saber por que você me propôs casamento. Logo seu tio será informado sobre seus planos, e então...
- Oh, céus! Acha que sua família seria capaz...
- Todos teriam um grande prazer em discutir o assunto. E esse tipo de conversa é sempre ouvida por uma secretaria indiscreta, um visitante na sala de espera... minha família não espalharia a noticia de maneira deliberada, mas certas questões têm um jeito próprio de chegarem ao conhecimento do publico.
- Tio Jenine ficaria magoado se soubesse sobre meus planos.
- Magoado? Ele ficaria furioso! E faria tudo para detê-la.
Era uma possibilidade. Jenine estava no comando da corporação há mais de uma década. Estava habituado ao poder, gostava dele e planejava mantê-lo por muito tempo. E seria um prazer deixá-lo onde estava se...
- Você não entende Sesshoumaru. Assim que me casar...
Ele a interrompeu.
- Quando se casar terá o controle sobre uma diretoria enfurecida. Duvido que entendam ou apóiem sua necessidade de assumir o comando. E como essa disputa pelo poder afetará os negócios? Já pensou nisso? Ou não se importa?
- É claro que me importo. Estamos falando sobre minha companhia.
- Então sugiro que deixe tudo como esta. Disse que seu tio é competente. Deixe-o trabalhar em paz.
- você não entende.
- Não. Não posso fingir que entendo o relacionamento que tem com seu tio, mas na minha família existe algo chamado lealdade. Não fazemos nada sem que todos saibam e nunca tomamos atitudes que possam contrariar os interesses coletivos.
- Não conhece todos os fatos.
- E acha que esses fatos me fariam mudar de opinião?
- Sim.
- Mas não pretende revelá-los
- Não. Como você também se negou a revelar todos os fatos relativos a Narak Kyoshiro.
- Ainda esta disposta a ir procurá-lo?
- Não tenho escolha.
- Vou lhe dar uma sugestão, cara. Não diga a ele qual é o propósito da reunião. Não o peça em casamento no primeiro contato, como fez comigo.
- Por que não?
- Por que assim terá mais tempo para tentar conhecê-lo, mesmo que de maneira superficial.
- E se meu tio souber sobre minha reunião com Narak. Como poderei explicá-la?
- e se ele souber sobre a nossa reunião? Vai ter mais problemas para explicá-la, considerando-se minha reputação.
- Sua reputação não me preocupa.
- Pois deveria reconsiderar a questão.
- Como já disse, não acredito que seja culpado. Portanto, sua reputação não interfere em minhas decisões. O que preciso saber é...pode convencer Inuyasha e Kagome a guardarem segredo?
- Por pouco tempo.
- É o suficiente. – era hora de encerrar a conversa. Se ficasse mais tempo com ele, acabaria cometendo uma estupidez. Como implorar para que se casasse com ela. – Espero que me desculpe Sesshoumaru. Criei uma situação delicada e o constrangi perante sua família.
- Eu sobreviverei.
- E... também apreciei suas sugestões.
- Não vou cobrar nada por elas.
- Bem... – ela estendeu a mão e sorriu. – Obrigada mais uma vez.
Os dedos envolveram os dela.
- Para sua informação Cara, há algo em toda essa historia que não se encaixa. Eu sei disso. você sabe... Narak também saberá.
Rin o encarou aturdida. Em que momento havia traído seu segredo? Sabia que a situação era estranha o bastante para despertar suspeitas, mas...
Respirando fundo, manteve a calma.
- Não sei do que esta falando.
- Sabe. Mas não quer explicar. – Sesshoumaru sorriu. – Não importa cara, por que vou acabar descobrindo tudo.
- Não terá tempo para isso. Irei conversar com Narak amanha.
- É o que diz...
- Já tomou sua decisão. Tenho o direito de levar minha proposta a quem eu quiser.
- Este é um país livre, cara. Não precisa da minha permissão para decidir sua vida.
- É claro que não! – E olhou para o salão iluminado. – Agora devo ir.
Rin deu um único passo na direção da porta antes de ser detida. Pousando uma das mãos em sua cintura, ele a girou para que caísse em seus braços.
- Quando for levar sua proposta para Narak, não esqueça de considerar um ponto importante.
Podia ler a determinação nos olhos dele. Sabia qual era sua intenção.
- Ia me beija, não?
- Admito que a idéia passou por minha cabeça.
A resposta foi imediata. Jamais havia se sentido tão viva, com todos os sentidos em estado de alerta.
- E o que esse beijo poderia provar? Espera que o considere mais atraente do que Narak? Acha que devo permitir que ele me beije de forma a poder compará-los?
- Prefiro que não faça isso.
-Por quê?você não me quer.
- eu nunca disse tal coisa. Só afirmei que não pretendia me casar a fim de adquirira Janus Corporation.
Rin desfrutava da sensação proibida. Passara toda a vida perseguindo o apropriado, o necessário, e nunca tivera oportunidade de sentir e experimentar, de descobrir a própria feminilidade e os aspectos mais profundos de sua natureza. E nesse momento, nada era mais importante do que as sensações.
- Tudo bem Sesshoumaru. Beije-me se quiser. Mas não vai provar nada com isso.
- Não? – e aproximou os lábios dos dela sem tocá-la. – Pois acho que provarei algo muito importante.
Os dedos deslizaram por suas costas suavemente, despertando todo o corpo com uma intensidade assustadora. Rin estremeceu. Como era possível? Como ele conseguia provocar uma reação tão forte se nem a tocava de verdade?
Contendo o impulso de agarrá-lo e beijá-lo de uma vez por todas, murmurou.
- O que espera provar afinal?
- Rin, cara mia. É tão simples! O que esta sentindo? Em que esta pensando?
- Quer uma resposta franca? Sinto-me desesperada, e estou pesando seriamente em tomar a iniciativa, caso não faça alguma coisa para sufocar esse desespero. Esta esperando que lhe mostre como se faz?
A paixão estava estampada no rosto másculo de traços marcantes. Os olhos brilhavam, mas Sesshoumaru não se moveu.
- Quer que eu a beije, não é?
- Sim, eu quero. E depressa.
- Então já deve ter percebido que esta procurando algo além de uma simples aliança comercial. Aposta que nem esta pensando nos negócios.
- Tem razão, não estou.
- Entende agora? você esta interessada em algo mais. Precisa de mais. Não se contente com menos do que um relacionamento pleno.
- Como o que você tinha com sua ex-noiva, por exemplo? É esse o objetivo desta demonstração?
- Mas que droga! Hoje você esta mesmo disposta a me irritar!
- Não é deliberado. Tio Jenine vive dizendo que esse é mais um de meus talentos naturais.
- Não ouviu uma palavra do que eu disse?
- Ouvi todas elas. Até você dizer que ia me beijar. Então passei a esperar a ação no lugar das palavras. – E suspirou desapontada. – Mas imagino que tenha mudado de idéia.
- Mulher esperta – e devolveu os óculos ao nariz dela, indicando que o interlúdio chegava ao fim.
Um ruído chamou a atenção de Rin para porta da varanda , virando-se ela viu Jakotsu, o organizador do evento, olhando para eles.
- Olá Jak – cumprimentou-o. – Procurando por alguém?
Ele hesitou por um segundo, antes de assentir.
- Sim, eu... gostaria de conversar com o Sr.Taishou.
- Escute o que vou dizer Rin – Sesshoumaru murmurou. – Quero que vá embora. Agora.
- Por quê?
- Não quero que seja envolvida nisso.
- Envolvida... – confusa, olhou para o Sr.Marks com ar desconfiado. – o que esta acontecendo, Jak?
- Srta.Ozawa, por favor. Prefiro conversar com o Sr.Taishou em particular.
- Eu já havia percebido. – e colocou-se diante de Sesshoumaru, cruzando os braços num gesto de desafio. – Mas não vou sair daqui. Portanto, se tem algo a dizer, vai ter de falar para mim também.
Sesshoumaru pousou as mãos sobre seus ombros.
- Não interfira. Este é um problema meu. Posso cuidar dele sozinho.
- Mas...
- Ele veio me pedir pra deixar a festa, como deve saber. – e tirou-a do caminho. – Não tenho o habito de esconder-me atrás de uma mulher, Rin. Nem permito que se coloquem na linha de fogo quando alguém tenta atingir-me.
Rin, ele a chamara de Rin. A dor provocada pela palavra seca e autoritária era tão grande, que ela preferiu dar atenção à revolta causada pela situação. Assim teria tempo para pensar na dor.
- O Sr. Taishou esta certo? Veio sugerir que ele vá embora, Jak?
O pobre homem parecia prestes a ter um colapso.
- Receio que sim. Como organizador do evento, fui pressionado para resolver essa... Lamentável situação. Se fosse por mim... - e encolheu os ombros. – Mas não é minha opinião que importa. E como o evento é filantrópico, não posso permitir que se instale um clima de ...
Rin sorriu com doçura.
- Impropriedade?
- Sim.
- Refere-se a todos os Taishou, ou a este em particular?
A hesitação momentânea traiu Jak Marks. Sesshoumaru ficou tenso, e ela pode praticamente sentir a resposta agressiva diante da possibilidade de agressão a sua família.
- Quem esta por trás disso?
- Ninguém! Ou melhor, todos! Não posso citar nomes, Sr.Taishou. Recebi a incumbência de resolver a situação, e é o que estou tentando fazer.
- Quem lhe deu essa incumbência? Quero nome!
- Não posso dizer nada. Lamento muito, mas não quero perder meu emprego.
Rin decidiu interferi novamente. Sesshoumaru ficaria furioso, mas não havia outra saída.
- Estou decepcionada com sua atitude, Sr.Marks. a Crabbe Associados, bem como os Taishou, sempre apoiaram com prazer todos os seus eventos. A partir de agora teremos que rever nossa posição.
- Por favor, Srta.Ozawa, tente compreender. Sempre foi tão generosa!
- Minha empresa já esteve envolvida em algum incidente que pudesse criar um clima de... impropriedade?
- Nunca!
- E se eu me colocar a favor dos Taishou?
- Já disse para não se meter nisso, cara!
Rin mantinha os olhos fixo no rosto de Jak.
- Este é um bom momento para você compreender que não sei seguir instruções. Estou habituada a comandar. – De repente teve uma idéia. – Sabe de uma coisa? Vamos dançar.
- O que disse?
- Vamos dançar. – E encarou-o com um sorriso largo e satisfeito. – Depois dançarei com todos os seus irmãos, e tio Jenine dançara com suas cunhadas. E riremos muito. Conversaremos com algumas pessoas cuja influencia é suficiente para por um ponto final nos comentários, pelo menos por essa noite, e elas terão que cooperar, ou não farão mais negócios com minha empresa.
- Não se meta. Vai acabar descobrindo que não é tão poderosa quanto pensa.
O sorriso desapareceu de seus lábios.
- Lembra-se de quando me pediu para confiar em seu julgamento sobre um assunto de interesse mútuo?
Ele suspirou.
- Quer que eu retribua o favor agora?
- Faremos um acordo. Seguirei sua sugestão. Não abordarei a questão com a objetividade dessa manha.
- E em troca?
O sorriso retornou ainda mais radiante que antes.
- Vamos dançar. – e olhou para Marks. – Jak, sugiro que passe algum tempo aqui fora. Aprecie a paisagem, respire ar fresco e não se preocupe mais com o tal clima de impropriedade.
- Obrigado Srta.Ozawa. Suponho que esteja certa.
- Eu sempre estou certa. – tocando o braço de Sesshoumaru, começou a caminhar de volta ao salão..- Muito bem Sr.Taishou... Onde estávamos antes de sermos interrompidos?
- Eu estava indo embora, e você ia marcar uma reunião com Narak.
- Não. De acordo com minha percepção, você ia me beijar.
- Não ia. Pela primeira vez na vida decidi optar pela segurança em vez de correr riscos.
- Que pena.
- Concordo com você.
- Acha que dançar será seguro?
- Com você? Duvido.
Também duvidava. No entanto... não seria tão excitante quanto beija-l. droga! Seria bom entregar-se a atividades satisfatórias antes de se casar e abrir mão de todo o prazer.
Sesshoumaru olhou para a mulher apoiada em seu braço. Havia desejado beijá-la. Tomara seu corpo nos braços e quase fora dominado pela urgência de provar o sabor de seus lábios. Ela não teria resistido. Vira o desejo brilhando em seus olhos. Então, o que o fizer recuar?
A resposta era simples. Ficara chocado com a força das próprias emoções. E com o medo que havia se estampado no rosto de Rin. Por um momento conseguira desviá-la do objetivo forçando-a a reconhecê-lo como homem, não como uma solução para seus problemas. O fato devia deixá-lo satisfeito.
Mas ficara assustado.
Rin tinha um ar intocado que o apavorava. Era como a Bela Adormecida esperando pelo beijo do verdadeiro amor. E não queria ser o príncipe que a despertaria. Não enquanto sua reputação estivesse em ruínas. Não seria justo. De fato não fosse por aquela ultima ameaça aos negócios de sua família, não teria permitido que ela pusesse em pratica o plano mirabolante. Teria ido embora e encerrado a questão.
Mas alguém estava tentando destruir os negócios dos Taishou, e não permitiria que isso acontecesse. Suportaria todos os ataques pessoais sem esbravejar, mas quem quer que houvesse tentado expulsa-lo da festa, cometera um erro fatal atacando também sua família.
Era capaz de tudo para defendê-los.
Determinado, olhou para Rin.
- Prometo que não vai ser prejudicada por minha causa, cara. Se alguém tentar...
- Já sei. – Abraçou-o e colou o corpo ao dele com graça e feminilidade, despertando tudo que havia de mais elementar no homem que a conduzia pela pista de dança. – você o fará pagar caro. Como o fará também pagar pelo que esta tentando fazer com sua família.
- Então me conhece bem...?
- Não é o bastante.
Mas poderia conhecê-lo melhor se o beijasse. Desejara aquele beijo com um desespero que era estranho a sua natureza. No instante em que sentira o toque das mãos de Sesshoumaru, fora consumida por um único pensamento. Beijá-lo.
Por que ele havia recusado?
Podia imaginar.
Sesshoumaru não a queria. Invadira seu escritório com uma proposta de casamento, tentando obter um acordo comercial, e ele temia que um beijo o obrigasse a aceitar a oferta. Ou seria apenas desinteresse?
Não tinha importância. Pensando bem, era melhor assim. Por um momento chegara a perder de vista o objetivo, algo que jamais havia acontecido antes. Nunca Sesshoumaru Taishou era um homem perigoso, e seria um erro grave envolver-se com ele na tentativa de obter o comando da Crabbe e Associados. Não podia correr o risco de distrair-se. Não, se esperava alcançar sucesso.
Suspirando, aninhou-se nos braços de Sesshoumaru. Era uma pena realmente. Jamais conhecera um homem capaz de distraí-la ou desviá-la da meta traçada para realização de um propósito. Teria sido interessante descobrir até onde poderia chegar essa distração.
