S01E04 - Preggers
Mais um ensaio do Glee Club acontecia. Sr. Schue distribuia as partituras de um número novo e todos os examinavam para saber o que fariam.
- Com licença, não é o tom certo - disse Rachel.
- É o tom certo sim - disse William.
- É a parte do contralto - continuou ela.
- Sim. Tina vai fazer o solo - disse, olhando para menina orgulhosa.
- Desculpe, houve uma confusão. Pensei que tinha deixado bem claro que qualquer coisa do "West Side" seria minha. Maria é meu papel. Natalie Wood era judia. Tenho uma ligação pessoal com esse papel desde 1 ano - ela tentava se justificar, lutando pelo solo.
- Do mesmo jeito que você tem com todos os papéis da Broadway, Rachel, deixa isso pra lá - tentou ajudar Ryan.
- Não, esse papel devia ser meu! - ela disse.
- Eu estou apenas tentando mudar um pouco, nos tirar da zona de conforto - disse o professor.
- Você está me punindo! - ela reclamou.
- E lá vamos nós de novo - disse Sophia, sentando-se enquanto esperava por mais um debate com ela acabar.
- Acho que você está sendo irracional...
- Acho que você está sendo injusto - os dois continuavam discutindo, enquanto Ryan ficava olhando para os dois, sem saber como remediar aquilo.
- Acho que você está sendo injusta com Tina, que deve estar feliz com seu 1o solo.
- Tina sabe o quanto a respeito e concorda que não está pronta para um papel icônico como Maria.
- E como você sabe o que ela está preparada para fazer ou não? - perguntou Sophia, indo em defesa da garota.
- Você pode, por favor, deixar isso pra lá - pedia Ryan.
- Espera. Eu sou um Jet? - perguntava Mercedes, apenas agora olhando o papel na sua mão.
Rachel olhou em volta e percebeu que todos estavam contra ela. Se sentiu tão oprimida que deixou a partitura no chão e apenas saiu.
- Quanto mais ela sai correndo dos ensaios, menos impacto tem - disse Artie.
- Eu cuido disso - disse Ryan a contragosto, indo atrás dela.
Do lado de fora, Ryan procurava sua prima, cada vez mais cansado com as atitudes infantis dela. Era apenas um solo e ela estava fazendo uma tempestade por causa daquilo. Não era justo com Sr. Schue, que tentava apenas dar uma oportunidade para todos, e muito menos com Tina, que já devia estar nervosa o suficiente com seu primeiro solo. Pelo menos ele estaria.
Quando passou pelo corredor onde ficava a sala do diretor, se surpreendeu com quem encontrou lá.
- Pai - ele disse, sem fôlego, ao ver o homem saindo de lá. - O que... O que você está fazendo aqui?
- Eu estou ficando preocupado. Você sempre chega tarde em casa, não têm se concentrado nos treinos do piano, queria saber o que estava acontecendo. E se a escola estiver te atrapalhando, quem sabe tentar algo diferente, como estudar em casa...
- Estudar em casa? O senhor está brincando, né? Apenas pessoas doentes ou super estranhos estudam em casa...
- Assim como atletas e outras pessoas que precisam se focar em sua carreira desde novo e não têm tempo para a experiencias juvenis normais. Você não é como todo aluno, Ryan, você sabe disso.
- Pai, quanto mais você fala assim, pior eu me sinto. Eu não sou um louco que tem que ficar trancado em casa, fala sério!
- Ryan, não é uma decisão sua. Eu cuido do seu futuro e você concordando ou não, a decisão é minha. E se a escola continuar te atrapalhando, você vai estudar em casa, não há discução sobre isso. Vamos pra casa agora!
- Mas pai, eu...
- O diretor Figgins me deu todos os seus horários e agora eu sei que horas você sai daqui. E você não tem mais aula hoje. Vamos...
Ele olhava para o corredor onde ficava a sala do coral e pensava em Rachel, que devia estar em algum lugar chorando por causa do solo.
- Merda!
x.x.x
Sophia chegava em casa, cansada. Teve muito trabalho no dia, já que Sue puxava-a cada vez mais no treino desde que soube que esta estava no Glee e todo aquele drama no ensaio tinha deixado as coisas ainda mais difíceis.
Se esparramou no sofá, apenas esperando seus músculos relaxarem, quando Puck chegou, jogando sua mochila em cima dela.
- Ai - ela reclamou, pegando e jogando de volta nele, acertando sua cabeça. - Um pouco mais de cuidado, por favor.
- Já está em casa? Pensei que estaria ensaiando com as mariquinhas nerds ou então com o John Doe.
- Pára com isso. Todo mundo sabe que você está doido para entrar, mas não é homem o suficiente. Eu vi como voce gostou do Acafellas. Você é um covarde.
- E você uma idiota por ter achado isso. Eu apenas entrei no Acafellas para poder pegar mais mulheres...
- Como Quinn Fabray, a namorada do Finn.
- Como você...
- Eu vi vocês dois. Parece que meu irmão tem mais segredos do que ele pensa.
- Não se mete nisso - disse ele, nervoso.
- Não vou. É só você não se meter comigo, ou com Ryan. Deixa ele em paz, ok?
- Não sei porque se preocupa tanto com ele. O garoto nem tentou nada contigo ainda. Ele é um idiota.
- Talvez porque você bateu em todos os garotos que tentaram ter algo comigo.
- Você é minha irmã, é meu trabalho.
- Não é, não - ela reclamou. - Mas não importa. O Ryan você não vai incomodar.
- Vamos ver... - disse ele, indo para seu quarto.
x.x.x
No outro dia, na escola, Ryan olhava para o treino de cheerleaders ao ar livre, pensando no que fazer quanto ao pai o perseguindo. Ele controlava todos os seus horários, todos os seus passos e aquilo o estava deixando louco. Foi quando algo lhe chamou a atenção. Kurt com uma roupa vermelha ridícula indo em direção aos jogadores de futebol americano.
- Oh, Deus - disse ele, correndo para alcançar o garoto. - Kurt - disse ele.
- O que você está fazendo aqui, Ryan?
- Eu... eu... O que você está fazendo aqui?
- Eu vou entrar pro time de futebol - disse ele, orgulhoso.
- Como é que é? - o garoto tinha a boca aberta, sem acreditar.
- Por favor, pareça um pouco mais surpreso, não me ofende nem um pouco...
- Não é ofensa, apenas não tem nada a ver com você.
- Não é o que meu pai pensa... - disse ele, olhando para baixo.
- Eu entendo... - disse Ryan. - Bem, vai lá que eu vou torcer por você.
- Valeu - o garoto continuou seu caminho e Ryan voltou para a arquibancada, pois não perderia aquilo por nada.
x.x.x
- Oh, meu Deus, você tinha que ver o Kurt - disse Ryan, rindo ao encontrar com Rachel. - Ele acabou de entrar para o time de futebol e...
- Ryan, eu vou ser a estela de um musical - disse ela, animada. - Peraí, o Kurt fez o que?
- Musical? - perguntou o garoto confuso. - Que musical?
- Produzido por Sandy...
- Aquele que você demitiu?
- Bem, parece que ele não se importa mais com isso.
- Isso é... Isso ainda é por causa do solo de ontem? Porque aquilo foi...
- Não é só um solo, Ryan, é sobre eu me sentindo importante e única, entende? Eu sei que todos pensam que é egoísmo, mas não é. Eu me esforço, eu treino, eu levo todos nas costas - percebeu a cara de raiva dele. - Ok, nem todos, mas o ponto é... Eu mereço isso. Eu mereço estar no centro das atenções e nunca consigo isso.
- Rachel...
- Você tem isso. Com seu pai, com os outros... Você nunca contou pro pessoal do Glee que foi escolhido o pianista mais promissor dos últimos 15 anos, não é? Sua vida inteira todos prestaram atenção em você e você nem ao menos aproveita isso aqui!
- Pra que, Rachel? Pra todo mundo me olhar com inveja que nem fazem em toda apresentação de piano que eu faço? Ou pra ficar sob essa pressão louca do mesmo jeito que meu pai faz? O melhor do Glee é que ninguém tem expectativas sobre mim, não há pressão, eu posso ser apenas mais um no meio de todo mundo. E eu amo isso! Você não entende. Quando entramos lá, somos todos iguais. Não importa se do lado de fora é um jogador de futebol ou um nerd, no glee todo mundo é igual. E quando você quer ser mais...
- Eu não me encaixo. Por isso não está dando certo. Eu preciso de mais, Ryan, eu preciso...
- Você precisa trabalhar nisso e aprender a se encaixar, ou vai perder a única coisa boa que tem agora.
x.x.x
Sophia chegou em casa pronta para se jogar novamente no sofá, como todos os dias, mas se surpreendeu ao ver que seu irmão estava lá.
- Noah? - perguntou ela. - O que você está fazendo?
- Vendo se funciona - disse ele. - Mas estou apenas me sentindo estúpido.
- Bem, a essa altura já devia ter se acostumado com o sentimento... - brincou ela, mas viu que o irmão estava sério. - O que houve?
- Nada - ele se levantou, pronto para sair.
- Noah, qual é? Você pode me chamar do que for, menos de burra. O que está acontecendo?
- Quinn está grávida.
- O que? Isso é... É seu? - perguntou ela, assustada.
- Sim, mas ela disse ao Finn que era dele. E ele acreditou...
- Por que?
- Porque ela disse que eu sou um perdedor e que nunca daria um futuro para eles...
- Sério? E ela já conheceu o Finn? Ele mal consegue amarrar os sapatos sozinho... Ela está errada! Você sabe disso, não é?
- Sei? - ele perguntou incerto, recebendo um abraço da irmã.
- Com certeza.
x.x.x
Na sexta feira, Ryan se arrumava para o jogo quando seu pai parou a porta.
- O que você está fazendo?
- Eu vou sair...
- Não, Ryan, nós combinamos que você ficaria hoje para ensaiar mais e...
- Não, pai, você combinou. Hoje é o jogo de futebol e eu tenho um amigo que precisa mesmo de apoio. Então, eu tenho que ir.
- Ryan, eu já...
- Pai! - ele gritou. - Eu estou cansado! Não aguento mais você me perseguindo e monitorando cada minuto do meu dia. Eu sei que tenho que ensaiar e ensaio. Tem um piano na escola e eu o uso em todo tempo livre que eu tenho. Mas não vou parar de viver por causa disso. Pela primeira vez desde que mamãe morreu eu tenho amigos e até mesmo uma garota que eu gosto. E não vou perder isso por um piano. Não vou. Então você tem duas opções: ou me deixar ter os dois, ou nunca mais toco em um piano na minha vida.
- Olha, você não tem ideia de como é especial. Eu vejo meu irmão com Rachel, ela sempre com aquela história de cantar e dançar e nunca chegando a lugar nenhum. E você é tão bom com o piano, é o melhor que eu já ouvi. Não quero que você perca o foco.
- Eu não vou perder, pai. Mas eu tenho que ir para escola, eu tenho que... - ele pensou se falava ou não sobre o Glee, mas o medo não deixou. - Eu tenho que viver, ok? Você pode... Pode me deixar...
- Não precisa de tanto drama - disse o homem. - Eu não gosto disso.
- Tudo bem, quem tem que gostar sou eu - disse o garoto, saindo correndo para não ouvir a resposta do pai.
x.x.x
Depois do jogo, todos comemoravam a vitória do time, inclusive Ryan, que fora cumprimentar os amigos. Apesar de ter estranhado Puck não ter dito nada, continuou andando a procura de Sophia. Encontrou-a na porta do vestiário, saindo já arrumada para ir embora.
- Sophia - disse Ryan a chamando. - Não foi comemorar com o pessoal? - Ele percebeu o olhar triste dela. - O que... O que foi? Aconteceu algumas coisa com você?
- Você tem irmãos?
- Não. Mas tenho a Rachel, que vale por uns 3. Por quê?
- Eu estou cansada de perder tempo. Sabe, apenas uma coisa pode mudar tudo e eu não quero esperar por isso. Não quero que as coisas aconteçam fora do meu controle e mude tudo o que eu tenho.
- Sophia, do que você...
Ela não o deixou terminar, apenas puxou seu rosto e o beijou. O beijo que estava a espera há tanto tempo. O beijo guardado tanto tempo dentro de cada um deles.
Quando se separaram, se olharam.
- Nós devíamos mesmo fazer isso mais vezes - disse ele, recuperando o fôlego. E ela riu.
