Entre a Raposa e o Falcão
Escrita por BastetAzazis
Capítulo 4: Primavera
O Clã Hyuuga tem novidades. E quem diria que Sai teria alguma coisa para dizer sobre laços?
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Ino observava aborrecida, debruçada sobre o balcão, o movimento que começava a crescer na rua a frente da floricultura. Ela sempre ajudava os pais com a loja da família quando não estava em missão ou ocupada com algum caso mais grave no hospital de Konoha. Entretanto, naquele dia, com as sakuras em flor embelezando a vila, o movimento na floricultura parecia diminuir. Mesmo assim ela precisava continuar ali, desperdiçando o tempo que podia usar em seu treinamento para esperar algum freguês intencionando surpreender uma namorada ou apenas presentear um amigo aniversariante.
Felizmente ela não estaria sozinha por muito tempo. Os olhos azuis brilharam vivamente quando reconheceram o primeiro cliente da manhã. Sai acabara de entrar na loja, e dirigia-se imediatamente para ela. Ino endireitou-se atrás do balcão, arrumando os cabelos instintivamente antes de atendê-lo.
- Bom dia, Ino-san – ele a cumprimentou.
- Bom dia, Sai – Ino respondeu, sorrindo. – Mas nós somos amigos, você não precisa de tanta formalidade assim.
- Ah, me desculpe, bijin-san – ele replicou, devolvendo o sorriso, e deixando uma Ino completamente enrubescida. – É que eu vim aqui para pedir um conselho profissional.
- Pro... profissional? – Ino repetiu, depois que conseguiu se recuperar do elogio, embora ela já conhecesse Sai o suficiente para saber que ele não estava sendo totalmente sincero. Ele estava apenas testando seus conhecimentos sobre apelidos e laços de amizade.
- Sim – Sai explicou. – Eu quero mandar umas flores para a Sakura-san no aniversário dela, mas não sei o que seria mais conveniente.
- Por que você vai mandar flores para aquela testuda da Sakura? – Ino não conseguiu segurar a raiva quando ouviu o verdadeiro motivo daquela visita. – Ela vai casar com o Naruto! E ela nem sequer está em Konoha. Saiu em uma missão sem prazo para retornar.
Cruzando os braços e virando-se para o lado, Ino não percebeu o sorriso discreto que se formou no rosto do ANBU. Sem se importar com a revolta da Yamanaka, Sai ainda levantou dois arranjos diferentes que estavam no balcão e continuou:
- Eu gosto das rosas vermelhas – explicou, levantando o arranjo de rosas da mão esquerda e analisando a imagem a sua frente –, mas às vezes fico em dúvida se flores coloridas são mais adequadas – prosseguiu, levantando o outro arranjo, que estava na mão direita.
Ino simplesmente voltou a encará-lo com as sobrancelhas franzidas. Percebendo a ira da mulher atrás do balcão, Sai devolveu os dois arranjos e deu um passo para trás.
- Entendo... – disse. – Acho melhor pensar em outro presente para a Sakura-san então...
Sem esperar uma resposta, ele saiu, convencido que sua experiência fora um sucesso.
- Maldita Testuda... – Ino ainda resmungou depois que Sai deixou a floricultura. – Até mesmo longe de Konoha ela ainda fica no meu caminho...
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A bela manhã do início da primavera encontrou um Hokage preocupado demais para prestar atenção à beleza das flores que enfeitavam a vila naquela manhã. A única Sakura que lhe interessava não estava em Konoha. Ele calculava que ela já deveria estar no Som, e provavelmente já estava trabalhando num antídoto ou alguma outra forma de salvar o tal garoto. Em breve ela estaria de volta, ele dizia para si mesmo, embora a idéia de que ela estava tão perto do Sasuke trazia um temor em seu coração que o fazia duvidar de suas próprias palavras.
Ainda preocupado com sua vida pessoal, Naruto foi recebido no Distrito Hyuuga, onde era esperado pela líder do clã, uma vez que os assuntos que tinham que tratar no dia anterior foram interrompidos pela partida repentina da sua noiva. Ele passou pelas ruazinhas repletas de outros usuários do Byakugan sem o olhar vívido que lhe era característico, mas com a cabeça baixa, deixando que o conduzissem até a casa principal.
Suas preocupações foram interrompidas, entretanto, por um grito forte e raivoso, vindo do cômodo destinado ao escritório da líder do clã, Hinata Hyuuga.
- Eu odeio você!
Era a voz da irmã mais nova de Hinata, Hanabi. Ela saiu tempestivamente pela engawa onde o Hokage estava sem lhe dar atenção, e ainda parou mais uma vez, voltando-se para o escritório da irmã:
- Você não tem esse direito! Você arruinou a minha vida!
Naruto arregalou os olhos, assustado com as lágrimas e os berros de uma das mais jovens jounins da vila, mas apenas a observou passar por ele correndo, indiferente às pessoas que a repreendiam com o olhar.
- Hokage-sama, perdoe a Hanabi-san – o Hyuuga que o acompanhava lhe suplicou. – Sabe como a juventude é intempestiva.
Naruto apenas assentiu com a cabeça, com um sorriso discreto no rosto antes de entrar para a reunião com a líder dos Hyuuga.
- Na... Naruto-kun! – Hinata exclamou assim que os dois ficaram a sós. – Me desculpe pela confusão.
- Se você tiver algum problema para resolver no clã – Naruto começou, aproveitando o pequeno incidente para se livrar de uma reunião que ele não tinha a menor vontade de prosseguir – nós podemos remarcar para outra hora.
Hinata o fitou profundamente, os olhos perolados pareciam que liam a alma do Hokage quando ela respondeu:
- Os problemas do clã não devem atrapalhar as decisões da vila, Naruto-kun. Mas se você está preocupado com a Sakura-chan, eu entendo.
Naruto arregalou os olhos observando a mulher que o encarava por trás da mesa. Hinata parecia que tinha o poder de sempre entender o que lhe afligia. Aquela não seria a primeira vez, e ele a respondeu com um suspiro entre as palavras.
- Não deveria haver nada para eu me preocupar, mas...
- Naruto-kun... – ela o interrompeu com a voz macia e educada, levantando-se de onde estava e apontando para a porta que dava para o jardim interno da casa principal. – Talvez nós devêssemos começar nossa reunião num ambiente mais tranqüilo, eu sempre venho para estes jardins quando preciso refletir.
Os olhos de Naruto finalmente ganharam um pouco de brilho com a imagem dos belos jardins que enfeitavam a residência dos Hyuuga. Aceitando o convite, ele acompanhou Hinata pelos caminhos marcados com pedras delicadas, apreciando a calma trazida pelas fontes que escorriam e davam vida à paisagem. Por alguns silenciosos minutos, Sakura e Sasuke estavam longe das suas preocupações, e ele agradecia à Hinata por aquele pequeno momento de desprendimento.
- É normal que você esteja preocupado com a Sakura-chan – Hinata o fez voltar para suas dúvidas, mostrando-lhe que nem mesmo o título de Hokage o livrava de ser um humano como outro qualquer. – Mas todos em Konoha sabem o quanto vocês são um casal feliz, com certeza ela enxerga no Sasuke-san apenas o companheiro de time de vocês.
Naruto parou de caminhar com as palavras dela, refletindo no que Hinata acabara de lhe dizer. Para ele, Sasuke era um amigo querido, mas que o destino os separara. Eles sempre estariam ligados, embora se encontrassem apenas quando os deveres com suas vilas os permitiam. Mas a Sakura... Ele sabia que com a Sakura era diferente.
Naquele lugar tranqüilo, e para a pessoa que sempre pareceu entendê-lo, ele finalmente conseguiu coragem de expor o seu maior medo. Sentando num banco em frente a uma das fontes, deixou que as palavras simplesmente saíssem:
- Você nunca viu a Sakura-chan realmente feliz, Hinata-chan. Eu lembro como ela era antes do Sasuke partir, eu nunca mais vi os olhos dela brilharem daquele jeito...
- Naruto-kun... – Hinata arregalou os olhos perolados com a confissão tão inesperada. Sentando-se ao lado dele, ela sabia que a única coisa que poderia fazer pelo homem que sempre a guiou a ser uma pessoa melhor era continuar ali, ouvindo-o atentamente.
- Quando o Sasuke partiu de novo e ela não fez nada para impedi-lo, eu tentei fazer aquele brilho voltar aos olhos dela... – Ele suspirou, olhando para frente. – Mas por mais que eu tentasse, por mais que ela sorrisse, não era a mesma coisa...
O som da água escorrendo pelos caminhos de bambu era o único em todo jardim. Hinata considerou o Hokage por algum tempo antes de escolher bem suas próximas palavras. Ela sempre pensou que Naruto estava feliz ao lado da menina que ele sempre afirmara gostar, jamais imaginara que ouviria uma confissão daquelas. Ela sempre achou que fazia o certo ao sofrer calada vendo-o feliz ao lado da mulher que amava. Mas agora, sentia que ele sofria por não fazer a Sakura feliz, o que a deixava ainda mais confusa quanto aos seus sentimentos e à resolução que tomara para sua vida.
- Naruto-kun... – ela finalmente o chamou, fazendo-o virar-se para ela. – A Sakura-chan sempre se preocupou muito com você. Tenho certeza que ela jamais aceitaria essa missão se soubesse que isso o incomodava.
- Talvez... – ele respondeu, baixando os olhos tristes. – Mas se o Sasuke ainda for capaz de trazer aquele brilho de volta, quem sou eu para impedir a Sakura de ser feliz?
- Você quer dizer... – Hinata começou, admirando ainda mais o homem que ela conhecera como um garotinho hiperativo, odiado por todos da vila, mas que conseguira realizar seu maior sonho, ensinando-a a nunca desistir também. – Você quer dizer que jamais seria totalmente feliz se não conseguisse fazer a Sakura-chan feliz também, não é mesmo?
O garotinho que agora já era um homem apenas assentiu com a cabeça. Hinata sentiu uma pontada em seu peito e lutou corajosamente para que uma lágrima não rolasse em seu rosto. Como ela gostaria que aquelas palavras fossem sobre ela mesma.
- Sabe, Naruto-kun... – Hinata continuou na sua voz doce – eu ainda era muito nova quando minha mãe morreu, mas ela sempre dizia uma coisa que eu nunca esqueci.
Naruto voltou a encará-la, mostrando-se interessado.
- O que, Hinata-chan?
- Ela sempre dizia que devemos deixar as pessoas que amamos seguirem seus próprios caminhos. Se elas nos amam também, elas sempre voltarão.
Naruto continuou observando-a sem falar nada, refletindo nas palavras que acabara de ouvir. Mais uma vez ele se surpreendera aquela manhã com a capacidade que a líder dos Hyuuga tinha para dizer sempre o que ele precisava ouvir. Com o sorriso que lhe era característico voltando ao rosto, ele respondeu:
- Talvez você esteja certa, Hinata-chan. Por isso que eu sempre gostei de conversar com você!
Apesar de ter se tornado uma mulher capaz de liderar o clã mais influente de Konoha, Hinata não foi capaz de conter o rubor que cresceu em seu rosto, virando a cabeça para o lado rapidamente, antes que Naruto percebesse alguma coisa. Entretanto, o Hokage não era mais aquele garoto desligado.
- O que foi, Hinata-chan? Aconteceu alguma coisa?– ele perguntou assim que percebeu a reação dela. – Ah, já sei! Você está preocupada com a sua irmã, não é mesmo? Por que vocês estavam brigando?
Mas mesmo sendo o Hokage, ele ainda era o Naruto...
- Não é nada, Naruto-kun. Problemas com o clã, nada que mereça o aborrecimento do Hokage – Hinata mentiu.
- Oras, Hinata-chan! Você sabe que pode contar comigo – Naruto insistiu. – Nós somos amigos, não somos?
Vendo que Naruto não desistiria até que ela lhe contasse alguma coisa, Hinata resolveu revelar o motivo da revolta de Hanabi naquela manhã:
- Você sabe que o Neji-niisan vem treinando a Hanabi-chan desde antes dela se tornar jounin – ela começou. – Acho que ela se apegou demais aos treinamentos e... esta manhã... eu tive que avisá-la que eles deveram terminar. Não será mais apropriado que o Neji-niisan a treine depois que nós nos casarmos.
- Mas qual o problema do Neji... – Naruto ia perguntar, distraído, quando se tocou das últimas palavras. – O quê?! Casar?! Você e... e o...
Naruto havia dado um pulo do banco onde estavam sentados e agora encarava Hinata com olhos esbugalhados.
- É para o bem do clã – Hinata respondeu baixinho. – O Neji-niisan é muito respeitado entre os demais membros da família, e assim minha liderança dificilmente será contestada.
- Mas... mas... – Naruto ainda continuava sem palavras com a notícia. – Você não precisa disso, Hinata! Eu tenho certeza que seu pai estaria orgulhoso com a maneira com você ocupou o lugar dele até agora.
- Você não entende, Naruto-kun... – Hinata insistiu, mas sua voz se perdeu com as palavras, uma vez que nem ela ainda havia se acostumado com aquela novidade.
- Hinata-chan – Naruto a interrompeu, encarando-a seriamente. – Você gosta do Neji?
- Não é questão de gostar, Naruto-kun – ela lhe respondeu, desanimada. – É o meu dever para o clã.
- Não! – Naruto replicou. – Você pode ser a líder dos Hyuuga, mas o clã não tem o direito de te condenar a uma vida que você não quer. Você tem que se casar com alguém que você goste de verdade!
Ela o considerou com um sorriso triste.
- Obrigada, Naruto-kun. Mas é só assim que vamos conseguir acabar de uma vez por todas com a divisão entre Souke e Bouke no clã. Não era você quem sempre dizia que iria proibir isso quando se tornasse Hokage?
Foi a vez do Naruto desviar do olhar dela, com as bochechas enrubescidas. Ele era muito jovem quando havia dito aquilo, mal sabia de todas as responsabilidades de um Hokage, e da importância política dos clãs principais da vila. Não era tão simples assim acabar com uma tradição, principalmente se isso ia contra um clã tão poderoso quanto os Hyuuga.
Felizmente, uma Hyuuga apareceu no jardim para quebrar aquele momento de total embaraço.
- Hinata-sama, é uma urgência.
Hinata virou-se para a mulher mais velha com o semblante preocupado. De alguma forma, ela já imaginava que aquele seria um longo dia.
- É a Hanabi-san... Ela... bem... ela se trancou no quarto e...
- Eu vou falar com ela – Hinata interrompeu, numa resolução que espantou Naruto.
Ele sabia que ela havia amadurecido muito com a morte do pai, mas era a primeira vez que presenciava uma atitude tão decidida, diferente da menina tímida que vivia se escondendo pelos cantos. Sem perceber, ele se viu sorrindo, feliz com aquela constatação.
- Naruto-kun... – Hinata começou, virando-se para ele. – Acho que aquela reunião terá que ser adiada mais uma vez...
- Tudo bem, Hinata-chan – ele respondeu. – Acho que nenhum de nós está com cabeça para assuntos da vila, mesmo.
Ordenando para que a mulher que viera lhe chamar acompanhasse Naruto até os limites do Distrito Hyuuga, Hinata respirou fundo e seguiu até o quarto da irmã mais nova. Como esperado, sua irmã se recusou a recebê-la, e só depois que Hinata fez com que alguns Hyuuga arrobassem a porta do quarto é que todos descobriram que a menina havia fugido.
"Isso não faz sentido", Hinata pensou. "A imoto-chan já é uma jounin, ela não iria se revoltar tanto só por causa do Neji-niisan..."
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Alheia à confusão que se sucedeu no Distrito Hyuuga ou à preocupação do Hokage com sua noiva, Ino passou o dia espumando de raiva. Se Sakura não estivesse no Som, provavelmente os dias de rivalidade das duas voltaria ao auge do passado. Na ausência da principal médica-nin no hospital, enfermeiros e pacientes é que foram obrigados a ouvi-la praguejando a tarde inteira, até ela decidir que estava na hora de ter uma conversa séria com o ANBU que não saía dos seus pensamentos.
Ela esperou até a noite, quando teria certeza que o encontraria em casa e, sem se preocupar com o que alguém poderia dizer ao ver a filha dos Yamanaka dirigindo-se sozinha à casa de um rapaz solteiro no meio da noite, bateu na porta do Sai.
- Bijin-san! – ele exclamou enquanto fazia sinal para que ela entrasse. – Eu estava mesmo esperando por você! – acrescentou com um sorrizinho no rosto que ninguém jamais entendia se era sincero ou apenas um deboche.
- Hunf! – Ino entrou num passo largo, com os braços cruzados e bufando. – Nós precisamos conversar – continuou, virando-se para ele. – Da próxima vez que você quiser dar flores para aquela Testa de Marquise, lembre-se...
Mas ela foi impedida de continuar sua ameaça quando Sai invadiu sua boca com uma língua extremamente atrevida. Não era a primeira vez que eles se beijavam daquele jeito, escondidos das vistas dos habitantes da vila, e Ino já estava ficando cansada de desculpar Sai pela sua dificuldade de expressar sentimentos para justificar a enrolação no relacionamento dos dois.
Empurrando-o para trás, Ino lamentou internamente de interromper aquele beijo, mas o encarou com o cenho franzido e decidida.
- Eu estou farta dessas suas brincadeiras, Sai! O que você queria com essa história de mandar flores para a Sakura, hein? Me deixar com ciúmes? Pois eu acho que se você gostasse realmente de mim...
Enquanto Ino disparava sua ira contra Sai, o ANBU simplesmente caminhava para trás, até chegar no cavalete que apoiava sua mais nova ele retirou a tela e a mostrou para a mulher histérica a sua frente, as palavras de Ino morreram no ar.
- Eu queria apenas ter certeza se as rosas vermelhas combinavam com você – ele respondeu calmamente, para uma Ino sem palavras.
A loira observou sua imagem pintada na tela, rodeada por um arranjo de rosas vermelhas parecido com o que ele lhe mostrara de manhã. Embora ainda não estivesse totalmente finalizado, o retrato era lindo, fazendo com que Ino perdesse toda sua resolução contra Sai.
- Era para ser uma surpresa – ele continuou, mas Ino saiu correndo em sua direção, impedindo-o de continuar com um abraço apertado seguido de um longo beijo.
- Nunca mais faça isso de novo! – ela disse assim que o soltou. – Você me fez amaldiçoar a Sakura o dia inteiro. A sorte dela é que ela não está em Konoha!
- É uma pena – Sai respondeu, com o mesmo risinho característico dele. – Eu adoraria ver vocês duas brigando por minha causa no meio da rua...
Pá!!!
A mão pesada da Ino ficou marcada no rosto pálido do ANBU, que ao invés de fazer cara feia, continuou sorrindo.
- Continue sorrindo desse jeito, e eu... – Ino o ameaçou, mas não continuou quando ele a puxou pela cintura.
- Ora, vamos, Bijin-san – ele sussurrou no ouvido dela. – Nós podíamos aproveitar que você está aqui para fazermos coisas muito mais interessantes...
Ino arregalou os olhos. Era a primeira vez que ele lhe fazia uma proposta daquelas. Até então, seus encontros se resumiam a alguns beijos e amassos um pouco mais ousados, atrás da floricultura quando seus pais não estavam por perto ou em algum campo de treinamento vazio. Entretanto, já estava claro que os dois não viam a hora se encontrar num lugar mais reservado, onde não corriam o risco de serem interrompidos, exatamente como o pequeno apartamento do Sai lhes proporcionara naquele momento.
Antes mesmo que Ino pudesse responder alguma coisa, seus lábios foram tomados, e uma mão do Sai deslizava ousadamente para baixo, enquanto a outra avançava por baixo da blusa. Ele a empurrava com o corpo, fazendo-a caminhar para trás em direção ao quarto. Quando suas pernas encostaram no pé da cama, Ino deixou que seu corpo caísse, esfregando-se como uma gata manhosa nos lençóis impecavelmente esticados, exibindo-se para o olhar ávido de um Sai que lutava para esconder seu desejo e, assim, prolongar o jogo de sedução entre os dois.
Mas nem mesmo todo o seu tortuoso treinamento na antiga ANBU raiz era capaz de suportar as provocações da kunoichi que ele sempre considerara a mais sexy de toda Konoha. Ajoelhando-se na cama, ele se curvou aos encantos dela, devorando os seios que se forçavam para fora do top curtíssimo enquanto suas mãos buscavam por baixo da saia pela calcinha, que ele arrancou sem nenhuma cerimônia, provocando um ofego assustado que logo foi calado por seus lábios.
Ino estava admirada com a avidez com que o sempre retraído Sai mostrava na cama. Mas ela não o deixaria domá-la tão facilmente. Suas mãos também deslizaram pelo corpo dele, arrancando primeiro a blusa, depois seguindo para baixo e abrindo a calça, trazendo nas mãos o membro enrijecido, provocando um leve gemido entre os lábios que a beijavam. Foi divertido ver o ANBU sem emoções derreter-se com o seu toque, gemendo com as leves investidas dela. Em contra partida, os dedos dele a incitavam, penetrando-a levemente, fazendo-a gemer igualmente.
Os dois continuaram na guerra de carícias, um provocando mais que o outro, medindo quem conseguiria incitar mais gemidos, mais súplicas, até que finalmente seus corpos se encaixaram e os movimentos tornaram-se harmoniosos, como se eles tivessem nascido para aquilo. Os gemidos e sussurros aumentaram a freqüência conforme eles exploravam um o outro, e um êxtase que eles jamais haviam conhecido os atingiu simultaneamente, trazendo espasmos por todos os músculos e deixando as respirações ainda mais ofegantes.
Sai caiu na cama ao lado de Ino, trazendo-a junto ao peito, o coração batendo acelerado depois da enxurrada de emoções que tomara conta do seu corpo. Agora ele podia entender o que era tudo aquilo que os livros sempre descreviam com tanto entusiasmo, ou que as pessoas cochichavam pelos cantos. Mas o que mais o surpreendeu foi como a presença da Ino ali tornava tudo ainda melhor. Era prazeroso estar dentro dela, mover-se para frente e para trás naquele corpo que ele admirava silenciosamente todos os dias enquanto a observava pela vila sem ela perceber. Mas abraçá-la e trazê-la para junto do seu peito enquanto seu coração ainda se acalmava depois de todo aquele furor... aquele pequeno prazer nenhum livro havia descrito.
Aninhada nos braços de Sai, Ino deixou que o corpo amolecido com o êxtase de instantes atrás adormecesse sentido o calor dele a protegendo. Quando a claridade da manhã invadiu o quarto, sua consciência despertou, embora ela ainda continuasse de olhos fechados, aproveitando a sensação de estar nua, enrolada nos lençóis que não eram seus, mas do homem que agora ela sabia que amava.
Aproveitando a serenidade da manhã, Ino se pegou lembrando do dia em que o conhecera. A semelhança com o Sasuke era incrível, e a antiga rivalidade com a Sakura, esquecida depois dos anos que o Uchiha estava desaparecido de Konoha, voltara no mesmo instante. Entretanto, logo ficou claro que Sakura jamais esqueceria seu antigo companheiro de time, enquanto ela se encantava cada vez mais com aquele cara misterioso, que parecia não ter emoção nenhuma, mas que no fundo tinha uma sensibilidade que deixava poucos conhecerem. Ela era uma destas felizardas, e jamais lamentaria ter deixado a paixonite pelo Sasuke no passado para se dedicar a um sentimento muito mais nobre.
A lembrança da amiga fez seu coração se apertar por um momento. Como Sakura reagira ao encontro com o Sasuke? Ela já estava no Som, os dois provavelmente já haviam se encontrado, e ela se perguntava se a repulsa que Sakura dizia ter pelo líder do Som se sustentaria depois de vê-lo pessoalmente.
Aqueles pensamentos fizeram com que ela soltasse um suspiro pela amiga, e seus olhos se abriram para encontrar os do Sai, encarando-a sentado ao lado da cama, com um cavalete a sua frente.
- O que foi, Bijin-san? – ele perguntou. – Você estava sorrindo e, depois, pareceu séria...
Ino se sentou na cama, puxando o lençol até o colo. Com um sorriso, respondeu:
- Não foi nada. Eu lembrei da Sakura. Você não achou estranho o Sasuke pedir ajuda justamente para ela, depois de tantos anos sem nunca dar notícia?
Sai voltou seus olhos para a pintura em sua tela e respondeu sem dar muita importância ao assunto.
- Eles sempre foram amigos, não foram? Treinaram no mesmo time... Não vejo por que ele pediria ajuda a outra pessoa, se a Sakura, além de tudo, é a médica-nin mais famosa depois de Tsunade-hime.
- Talvez, mas é estranho – Ino insistiu. – O Sasuke partiu de Konoha e nunca mais deu notícias. Agora, de repente, ele escreve para o Naruto como se eles ainda fossem amigos íntimos.
- Bem – Sai ponderou, ainda com os olhos voltados para o seu desenho –, não é que o Sasuke-san tenha desaparecido. Ele e o Naruto sempre se encontram nos Chuunin Shiken ou nas reuniões que fazem com os líderes da vila.
- O quê? – Ino perguntou assombrada. – Como assim, sempre se encontram? A Sakura me disse que eles nunca mais tiveram notícias do Sasuke depois da segunda vez que ele deixou Konoha!
Sai finalmente levantou os olhos para encará-la sentada na cama. Com um leve sorriso no rosto, ele ponderou:
- Bijin-san... Se eu fosse o Naruto, também não ficaria muito a vontade dando notícias do Sasuke para a Sakura.
- O que você quer dizer com isso? – Ino replicou, franzindo o cenho.
Sai deu de ombros.
- Todo mundo acha que o Naruto é cego de amor pela Sakura. Mas ele não teria se tornado Hokage se fosse um completo idiota, não é mesmo?
Ino estava prestes a gritar para Sai lhe explicar direito aquela história, mas pensando bem, concluiu que ele tinha razão de levar aquilo tão naturalmente. Ela era a melhor amiga da Sakura, sabia que o namoro dela com o Naruto começou simplesmente porque ela estava cansada de sofrer pelo Sasuke, e também porque o Sasuke lhe dissera ou fizera alguma coisa – que Sakura jamais lhe confessara o que foi – que a magoou muito quando ele voltou para Konoha. Mas Ino sabia muito bem que a chance que a amiga resolveu dar ao Naruto jamais se transformara num amor verdadeiro. Ela jamais a culpara, entretanto; Naruto sempre fora tão carinhoso com ela, qual mulher não ficaria confusa depois de sofrer por um cara que nem sabia que ela existia?
Sai podia não conhecer a Sakura tão bem, mas eles foram do mesmo time uma vez; ele também presenciara a força dos sentimentos dela pelo Sasuke. E agora, como chefe da guarda pessoal do Hokage, ele passava tempo suficiente com o Naruto para também entender que aquele casamento deles estaria fadado ao fracasso se um dia se concretizasse.
- Desde quando o Naruto tem se encontrado com o Sasuke sem a Sakura saber? – Ino perguntou então.
O sorriso do Sai aumentou, quase se transformando numa rara gargalhada.
- Do jeito que você está falando, parece que eles têm um caso...
Ino não riu da piada e continuou encarando-o seriamente.
- Não é que eles estejam se encontrando em segredo – Sai respondeu, então. – Mas desde que comecei acompanhar o Naruto nos seus compromissos fora da vila, o Sasuke sempre está lá, representando o Som. E eles me parecem bem amigos quando se encontram.
Ino baixou a cabeça em silêncio, pensando na amiga. Mentalmente, desejou que ela encontrasse o melhor para ela no Som, embora fosse difícil decidir o que era realmente certo naquelas circunstâncias.
- Você está dificultando meu trabalho com esta cara de preocupada. – A voz de Sai a despertou de suas inquietações. – Nem mesmo o Naruto está tão apreensivo com esta missão da Sakura, passou a tarde inteira reclamando do clã Hyuuga ontem...
Com um suspiro, Ino pareceu resignada com os problemas da amiga. Levantando os olhos para o Sai, percebeu que ele estava mergulhado em sua pintura novamente. Curiosa, ela deixou os lençóis e caminhou até ele para ver o que Sai tanto desenhava, e encontrou um esboço dela deitada na cama, nua. Ele não se moveu enquanto ela se levantou e se colocou atrás dele, admirando o desenho. Então, para chamar sua atenção, Ino escorregou até colo dele, puxando o rosto pelo maxilar pra lhe dar um beijo.
- Você não precisa de uma pintura – ela disse quando terminou de beijá-lo. – Eu sou inteira sua, em carne e osso.
Sai a considerou seriamente, antes de respondê-la:
- Você é linda... Eu só queria guardar essa beleza para sempre, comigo.
Ino sentiu seu coração bater acelerado, e sua única reação foi abraçá-lo fortemente. Devolvendo o abraço e o beijo de antes, Sai logo não conseguia mais esconder como a kunoichi mexia com suas emoções a ponto de não conseguir ignorá-las. Percebendo o volume na calça frouxa que ele vestia. Ino o provocou ainda mais, rebolando por cima dele, e os dois experimentaram mais uma vez o mesmo prazer da noite anterior, entregando-se um ao outro sem pensar no mundo exterior.
Continua...
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N.A.: Mais um cap publicado! Espero não ter desapontado vocês com a ausência de Sasuke e Sakura nesse capítulo, mas os acontecimentos em Konoha também precisavam ser narrados!
Para quem achou estranho a conversa entre Naruto e Hinata, recomendo relerem o capítulo 98 do mangá. Hinata sempre foi a única pessoa capaz de entender o Naruto e de fazê-lo confessar seus temores, ao contrário da Sakura...
Ah, sim... E este também foi um presente a todos os fãs de SaiIno. É a primeira vez que escrevo uma cena hentai com eles, e devo confessar que adorei! :P
Obrigada a todos que têm deixado reviews. Vocês são muito bonzinhos!
