Nota: Depois de anoooos parada, e não estou exagerando o suficiente, finalmente peguei essa fanfic pra continuar. Não gosto de deixar trabalhos inacabados, então sempre tento retomar, mesmo que demore muito. Sem falar que essa história é um presente, por isso não vale entregar só uma parte dele! Noil-chan, espero que goste!
Capítulo 3 – Leão entre cobras
O primeiro dia foi emocionante... a primeira aula foi incrível... mas com o passar dos dias, notou que o primeiro mês não foi nada do que imaginou.
Lílian queria estudar, aprender magia, fazer amigos e se divertir. Estava indo bem na parte que se referia aos estudos, mas sua vida social era praticamente nula. A única pessoa que conversava consigo, além dos irmãos e dos primos, era Scorpio.
Não que fizesse muita diferença, afinal não tinham aulas juntos e só se encontravam à noite no salão comunal. Mas como sempre retornava completamente cansada, e parando para pensar nos colegas de casa que com certeza continuariam a falar de sua vida pelas costas, não tinha muito ânimo para permanecer ali muito tempo.
Tentou a todo custo se concentrar apenas nas aulas e aprender tudo que pudesse para mostrar que era uma boa bruxa, mas o fato de não ter nenhum amigo a desanimava cada dia mais. Não gostava de se sentir sozinha...
Até comentou com Alvo sobre o que a incomodava e ele lhe confessou em segredo que foi um dos motivos que o fez desistir de tentar ir pra outra casa. Ele gostava muito da Grifinória, mas pensando em tudo que a irmã passava, ele não conseguia deixar de imaginar como seria se fosse com ele.
Falar com Tiago era perda de tempo. Ele iria ouvi-la, é claro, mas não conseguiria o apoio que precisava. No pior dos casos, ele iria abraçá-la e diria que tudo ia ficar bem, depois de criticar e brigar por ela ter parado na Sonserina.
Até para os pais ela comentou como as coisas andavam na escola, mas não contou todos os detalhes, ela não tinha coragem de falar pra ninguém tudo que sentia. Sempre comentava apenas por cima, dizendo que estava difícil, mas que iria superar. O problema é que ela mesma não estava acreditando muito em suas palavras.
E foi nesse misto de desespero e solidão que Lílian conseguiu levar os primeiros meses adiante. Engolia tudo de ruim que ouvia sobre si, ignorava os olhares enviesados, fingia que seus tropeços não eram azarações e que o sumiço de alguns livros era culpa de sua distração. Mas ela sabia que ninguém ali gostava dela. Na verdade tinha certeza!
Pelo que diziam nos corredores, em particular os alunos da Sonserina, ela era vista como o antigo fugitivo de Azkaban, Sirius Black, uma traidora da família e do sangue. Viera de uma família de bruxos poderosa, mas não foi pra mesma casa que eles e depois sujou o nome que levava, se unindo a trouxas e sangues-ruins.
E mesmo que a maioria dos alunos soubesse que Black não era o vilão que pintavam, aquilo a afetava.
Mas, por outro lado, a comparação que alguns outros estudantes fazia era bem pior. Diziam que ela era como Pettigrew, uma cobra entre os leões, mas ao contrário. Ela devia ser um leão, imponente e corajoso, mas havia pegado o caminho para se tornar uma cobra fria e rastejante.
A aula de poções não estava nem na metade, mas a paciência da garota já estava praticamente no fim. Um grupinho de garotas da Lufa-Lufa havia sentado atrás dela e não pararam de cochichar um segundo sequer. Estava tudo indo bem enquanto elas só reclamavam por não entenderem nada que o professor Slughorn falava, mas quando o assunto mudou e começaram a falar dela, aí sua calma foi para o ralo.
Lilían contou até dez, respirou fundo, contou de novo, tentou se concentrar no livro a sua frente, mas nada parecia trazer sua calma de volta. Depois o pessoal da Lufa-Lufa não gostava de levar o papel de babacas, mas olha o exemplo que eles tinham ali? Duas garotas falando mal dela, que estava ali, a menos de meio metro de distância, ouvindo tudo que diziam!
Apertou as mãos em punho, sentindo seu sangue esquentar. Ela sabia que não devia dar ouvidos àquilo, devia ignorar e mostrar que era melhor, mas já estava cheia desse burburinho ao seu respeito, de ser tratada como uma traidora e virar motivo de comparações idiotas.
Erguendo-se de um pulo, a ruivinha virou-se para encarar as garotas de frente, lançando um olhar cheio de desprezo, ódio e nojo. Tinha tanta raiva acumulada dentro de si! E agora precisava colocar tudo pra fora.
Pela primeira vez, a dupla pareceu notar a garota à sua frente, levando às mãos à boca e encarando-a com o olhar arregalado. Ah, elas sabiam que tinham feito merda, mas não sabiam as consequências de seus atos.
_ Por que não continuam a conversa?! – Lilían gritou a plenos pulmões, espalmando as mãos sobre a mesa – Vamos, voltem a falar de mim! Não estava divertido falar da traidora do sangue? A traidora que decidiu ir contra toda a família que lutou contra Voldemort para se juntar aos filhos dos Comensais da Morte!
A essa altura, vários vidros com poções começaram a explodir nas prateleiras, arrancando gritos dos alunos que eram atingidos. Bolhas, queimaduras e horríveis verrugas começaram a brotar na pele de todos que eram atingidos.
_ Senhorita Potter! Pare! Pare, agora! – e não importava o quanto o professor gritava o seu nome, ela parecia alheia a tudo a sua volta.
_ Qual o problema de todos vocês? Por que me odeiam tanto? – agora suas palavras eram direcionadas para todos na classe – A única coisa que tenho feito desde que cheguei aqui é tentar fazer amigos e estudar, mas todos ficam me criticando e falando mal de mim! – seus olhos lacrimejaram e logo seu rosto estava banhado em lágrimas, mas isso não foi suficiente para detê-la – Eu nunca traí minha família! Eu amo eles demais e não quero ser seguidora de um bruxo das trevas que meu pai derrotou! Eu só quero ser uma adolescente comum!
Assim que ela gritou as últimas palavras, todas as paredes da masmorra tremeram. E, se ainda tinha alguma prateleira intacta, ela fora para o chão... em chamas.
No dia seguinte, as fofocas não diminuíram, ao contrário, elas aumentaram. Porém, seu conteúdo mudou completamente.
Se antes falavam que Lilían era uma traidora do sangue, agora comentavam o quanto ela era poderosa. Realmente era uma Potter. Temperamental e forte como o pai, inteligente e ágil como a mãe.
_ Ela mandou a classe inteira pra enfermaria! – comentou um aluno a caminho da sala de aula – Até o professor estava com alguns curativos nas mãos!
_ A mesa que ela tocou ficou com as marcas de suas mãos! – disse outra garota, muito surpresa com o boato.
_ Parece que ninguém contou pra diretora McGonagall ainda, senão ela já teria levado um sermão e tanto. – disse outro aluno se juntando à conversa.
_ Claro que ninguém contou! Quer ser azarado? – o rapaz olhou ao redor ressabiado, antes de contar o que ouvira – Você ficou sabendo o que aconteceu com as garotas que falaram mal dela? Ouvi dizer que foram parar no Hospital St. Mungus!
Suas tentativas de fazer as fofocas pararem não tinha surtido muito efeito, mas por outro lado, agora não era mais vista com maldade e sim com respeito. Todos que viam a ruiva se aproximar no corredor, afastavam para deixar seu caminho livre. O melhor lugar perto da lareira era deixado livre exclusivamente para ela. Não era mais azarada pelas costas e nem seu material desaparecia do seu baú.
Claro que ninguém tinha coragem de se aproximar dela pra conversar e tentar fazer amizade, mas pelo menos agora não a tratavam tão mal quanto antes.
Se ela soubesse que só precisava extravasar a raiva para conseguir um pouco de respeito, teria feito aquilo bem antes. Não a parte de explodir toda a sala de aula, mas a parte de brigar pelos seus direitos.
_ Olha só, se não é a pequena delinquente! – Malfoy aproximou-se com um sorriso zombeteiro, entregando-lhe uma tortinha de chocolate – Mamãe enviou pra mim essa manhã. Ela não cozinha muito bem, mas até que são gostosas.
_ Obrigada, Scorpio. – desviou o olhar do lago a sua frente, sorrindo para seu único amigo.
Sentaram lado a lado, até que a garota terminou o doce, suspirando longamente.
_ Ainda chateada? – ele questionou no tom mais frio que conseguiu. Eles podiam ser amigos, mas ele ainda era um Malfoy e orgulhoso era quase um sobrenome. Queria parecer desinteressado.
_ Um pouco... – suspirou novamente, olhando as pequenas ondas na água – As brincadeiras idiotas pararam, mas todo mundo continua me evitando.
_ Não vejo como isso pode ser ruim. – encarou-a com um olhar curioso – Você preferia ter todo mundo em cima de você, perguntando como explodiu a sala e se podia fazer isso de novo durante alguma prova difícil? Porque, se quer saber, é isso que ouvi por aí.
_ Eles estão pensando no que? Em me provocar durante uma prova pra que eu repita aquilo? – voltou seu olhar para o loiro, encarando-o com descrença – Pensei que eles estivessem com mais medo de serem azarados.
_ E estão, mas se isso os livrar de provas, trabalhos ou qualquer outra lição, parece que não se incomodam.
_ Idiotas... – resmungou contrariada, escondendo o rosto com as mãos.
_ Mas... se te faz sentir melhor, também ouvi alguns elogios. O pessoal da Grifinória ficou feliz em saber que você defendeu o nome da sua família.
_ Não muda o fato que continuam me ignorando.
_ É porque você está abordando a situação do jeito errado.
_ Estou? – virou-o rosto nos braços, encarando-o de soslaio – O que sugere que eu faça?
_ Seus irmãos são da Grifinória. Comece a andar mais com eles, faça amizade com os amigos deles... com o tempo eles vão notar que você é legal.
_ Mas eu já faço as refeições com eles. – não entendia como aquilo podia resolver seus problemas.
_ Sim, mas você só conversa com eles! Já pensou em puxar conversa com os outros que estiverem por perto?
_ E se me ignorarem? – ergueu o rosto, um pequeno brilho de esperança em seus olhos.
_ Pra correrem o risco de serem azarados por você e mais dois Potters? – Scorpio negou com um aceno, suspirando dramaticamente – Seus irmãos gostam de você, então vão te defender de qualquer má resposta que vier. E depois, por mais que eu odeie assumir isso, eles são populares. Demais pro meu gosto. Se alguém quiser chegar neles, pode usar o fato de você querer um amigo pra se aproximar.
_ Mas eu estaria sendo usada como um caminho até eles... – armou um bico, não gostando da ideia.
_ Sim, verdade. Mas olhe por outro lado. Pra chegar até seus irmãos, terão que te agradar. Use isso a seu favor. Ninguém consegue bajular por muito tempo se não notar nenhum tipo retorno. Quando perceberem que você não vai falar bem deles para seus irmãos, os que continuarem ao seu lado são os que notaram que você é legal.
_ Sabe, Scorpio... você é que é legal! – e surpreendendo o loirinho, a garota se jogou em seus braços, envolvendo-o num abraço carinhoso – Obrigada por tudo.
Continua...
