Hinata foi até as prateleiras e tentou encontrar algo para o café da manhã

Hinata foi até as prateleiras e tentou encontrar algo para o café da manhã. O garoto logo iria acordar e ela não queria parecer ridícula esbarrando nas coisas na frente dele. Mas ela logo percebeu que não havia muito com o que esbarrar na casa daquele cliente estranho.

O apartamento era de médio porte e composto de uma sala de estar, cozinha, banheiro e dois quartos. A sala de estar ficava logo na entrada, a cozinha a esquerda seguindo por uma porta dupla e os dois quartos à direita, divisados por portas simples de madeira envernizada. Na sala de estar havia apenas uma mesa comum de quatro cadeiras e um porta louças, enquanto a cozinha continha alguns armários, uma geladeira, um fogão e uma mesinha sem cadeiras no centro.

Os quartos eram bem diferentes um do outro. Um tinha uma cama de casal, um criado mudo, armários de roupas e sapatos e um quadro que, se Hinata pudesse ver melhor, identificaria como sendo os Alpes suíços. O acesso para o banheiro, que tinha uma banheira espaçosa e um chuveiro que realmente funcionava, ficava nesse quarto. O outro parecia mais um pequeno depósito, com vários armários trancados, caixas e ferramentas soltas. Além de um colchão velho em que ela arranjou o garoto. De maneira geral, o lugar era limpo e decente, exatamente o que se esperaria de uma família de classe média.

Nos armários da cozinha ela encontrou pouca coisa. Macarrão, arroz, uísque, conhaque e alguns pães. A geladeira tinha cerveja, água gelada, margarina, extrato de tomate e alguns vegetais, além de bastante carne vermelha. Improvisou alguns sanduíches com os pães os vegetais e a carne, que ela fritou.

Ontem no início da manhã, quando o senhor Kiba saiu para encontrar o pai do garotinho sem língua, ele havia pedido para Hinata levar o garoto para o seu apartamento e ficar lá até que ele voltasse. Obviamente, o pedido foi acompanhado de uma grande quantia em dinheiro, tanto para ela quanto para Chouji. Para "compensar os transtornos". Ele sempre tinha dinheiro. E era sempre tão gentil com ela... Mas era um homem da Cosa Nostra e ela sabia disto mesmo sem perguntar.

Quando havia terminado os sanduíches, um virar de chaves anunciou a chegada do senhor Kiba, ela notou um pano envolvendo a sua mão e conseguiu distinguir alguns pontos vermelhos nele também.

─ Bom dia, senhor Kiba, está com fome? Eu preparei alguns sanduíches. – disse Hinata.

─ Daqui a pouco, Hinata, eu vou tomar um banho primeiro. Onde está o garoto? – perguntou Kiba, destruído pelo cansaço após quase três dias sem dormir.

─ Ainda dormindo. Eu vou acordar e vestir ele enquanto o senhor toma banho. – respondeu Hinata já se retirando para o quarto-depósito.

Kiba sentia cada gota de água batendo contra o corpo. Era reconfortante estar vivo. Era ótimo ter mais um dia. Mais uma noite. Era apenas por isso que ele lutava. Não lhe importava realmente sua posição na máfia. Não lhe importava se servia a Sarutobi ou a qualquer outra Família. Ele só desejava poder sentir-se vivo por mais um dia. Todos os dias.

Terminou o banho e lembrou que havia se esquecido de trazer toalha e roupas. Normalmente ele apenas sairia pelado pela casa. Mas hoje Hinata estava ali e ela era apenas "meio cega" e saberia distinguir os documentos de um homem balançado através do quarto.

─ Hinata. Esqueci de pegar uma toalha e roupas, poderia trazer elas aqui para mim? – chamou Kiba.

─ Claro, só um instante, por favor. – respondeu – Elas estão aqui na porta. – disse depois de alguns minutos.

Kiba abriu um pouco e pegou o amontoado de roupas. Ela até que tinha bom gosto, pensou, tudo combinava perfeitamente. Assim que se vestiu teve a impressão que poderia passar mais alguns dias acordado desde que estivesse vestido com aquilo. O terno lhe caia bem, assim como a gravata e a calça, e os sapatos tinham sido rapidamente engraxados. Ele nem se lembrava de ter isso no guarda roupas. Embora fosse chamativo demais para ele. Não se importou em colocar o chapéu e saiu para a sala de estar.

O garotinho estava lá esperando com os olhos baixos e fixos nos sanduíches. Kiba pensou que ele apenas estava com fome. Assim que ele sentou Hinata pediu que todos fizessem uma oração silenciosa de agradecimento pela comida. Kiba assentiu, embora não planejasse realmente agradecer a Deus algum, e nem esperava que Ele aceitasse um agradecimento vindo de um assassino, de qualquer jeito.

Assim que terminaram a oração comeram os sanduíches, exceto o garotinho, que mantinha os olhos arregalados sobre os dois.

─ Qual é o problema? – perguntou Kiba ao estranhar a falta de apetite do garoto. – E por falar em problemas ainda temos outro. Qual é o seu nome? Deve ser um saco ser chamado de garotinho toda hora, certo? – enquanto falava ele reconheceu o caderno de anotações e a caneta que havia pego de Hinata na última noite sendo retirado de um dos bolsos do macacão do garoto.

─ Akamaru. – ele escreveu.

─ Ok, Akamaru, E com relação ao outro problema?

─ Sim. E com relação ao outro problema. – enfatizou Hinata um pouco ofendida por ter sua comida recusada.

Akamaru levantou-se e estendeu a mão para Kiba, que a segurou e se deixou levar para a cozinha. Lá Akamaru abriu a geladeira e apontou para algumas bolsas um pouco mexidas.

Kiba sentiu sua espinha gelar, mas seu estômago se manteve onde estava, quando notou o que tinha acontecido.

─ Ah, Hinata, parece que a carne que você usou estava estragada. Por que não vamos para o restaurante comer alguma coisa lá? – disse depois de um tempo pensando. Ele definitivamente não contaria para ela.

─ Hã! Não pode ser! Desculpe-me, senhor Kiba, eu realmente não notei. Espero que isso não crie problemas ao senhor. Realmente desculpe-me pelo inconveniente. – desculpava-se Hinata enquanto acompanhava Kiba e Akamaru para fora do apartamento.

─ Não precisa se preocupar Hinata. Ah! Eu estava quase esquecendo isso. A partir de agora você vai morar comigo, Akamaru, tudo bem? – disse Kiba. Akamaru concordou com um gesto de cabeça e Kiba pode notar um sorriso quase imperceptível passar pelo seu rosto. Crianças são realmente fáceis de contentar, ele pensou. E então notou que Hinata também sorria e ficou feliz.

Até nem lembrou mais que havia deixado de levar um corpo para Shizune. Realmente não são apenas os porcos que comem qualquer coisa.