"Behind the Shadows"

AUTORA: Larysam

BETA: Fabinho

FANDOM: J2, Padackles

NOTA: Os atores de Sobrenatural, ou quaisquer outros atores de quaisquer outros seriados, não me pertencem *sad face*. Sou apenas uma fã que gosta de brincar com as inúmeras possibilidades que se apresentam na relação dos mesmos. Meus textos não têm fins lucrativos.

ADVERTÊNCIA: Homofobia, bullying, preconceito e violência.

RESUMO: Jared tinha uma vida normal, mas sua mãe o abandonou, seu pai arranjou uma nova namorada, Sarah, e uma gangue da escola vive pegando no seu pé e nos de seus amigos. Já não bastasse a relação complicada com o pai, o sobrinho de Sarah, agora órfão, vai morar com eles. Jared quer distância de Jensen, um garoto estranho, calado e que parece ter medo da própria sombra. Na verdade, Jared só quer que sua vida volte a ser como antes. – Padackles AU

Capítulo 4

Quando Jensen finalmente chegou à rua da casa dos Padaleckis eram seis e meia da tarde. Já estava escuro e um pouco frio, mas ele estava aliviado de ter finalmente encontrado o lugar, pois tinha errado o caminho duas vezes, antes de achar o certo. As ruas eram todas parecidas.

– Jensen! – Chris chamou quando o viu passando. – O que aconteceu? Eu estava esperando você aparecer.

– Desculpa – Jensen sussurrou.

– Não, tudo bem. – Chris deu de ombros. – Você perdeu Steve por pouco, ele teve que ir embora mais cedo, mas você pode vir outro dia. Agora... por que você demorou tanto?

Jensen mordeu o lábio, receoso. – Me perdi.

– Você veio andando sozinho? – Chris esperou a confirmação e franziu o cenho. – Você devia pegar o ônibus até aprender o caminho.

– Jensen! – Jeffrey apareceu, gritando seu nome. – Graças a Deus! Sarah e eu estávamos preocupados. Onde está o Jared? – Jensen balançou a cabeça e Jeffrey suspirou. – Eu não acredito que ele lhe deixou sozinho. Vem, vamos entrar. Boa noite, Chris.

– Boa noite, senhor P, Jensen! – Chris piscou para Jensen.

Assim que eles passaram pela porta, Sarah estava lá, abraçando Jensen. Ela o soltou somente após verificar se estava tudo bem e ele estava inteiro.

– Deixe o garoto respirar, Sarah. – Jeffrey sorriu também aliviado. – Ele está bem. Já sobre o Jared eu não posso dizer o mesmo.

– Ele ainda não chegou? – Sarah perguntou preocupada.

Jeffrey respirou fundo e passou a mão pelos cabelos. – Está ficando pior.

– Jeffrey…

No mesmo instante, Jared entrou em casa correndo, só parando quando Jeffrey, que ainda se encontrava ao lado das escadas, o segurou pelo braço. – Jared, onde diabos você estava?

Jared manteve sua cabeça abaixada, evitando o olhar de seu pai. – Desculpa, pai, eu me distraí com os caras.

– Jared, olhe para mim! – Jeffrey ordenou e se espantou quando viu o olho arroxeado de Jared. – O que diabos aconteceu? Quem fez isso com você?

– Ninguém, ok? – Jared deu um passo para trás.

Sarah viu o olho de Jared e caminhou até sua direção. – Vamos cuidar disso, filho.

– Eu não sou seu filho! – Jared gritou para Sarah antes de correr escadas acima.

Sarah fechou os olhos e, depois, voltou um olhar culpado para Jeffrey. – Eu não quis…

– Eu sei, querida. – Jeffrey abraçou Sarah e se voltou para Jensen. – Jensen, suba e se lave, ok?

Jeffrey deixou Jared ter um tempo sozinho e não o chamou para o jantar, o qual foi mais uma vez comido em silêncio. Jensen, assim que terminou, pediu para ir até seu quarto, e Jeffrey ajudou Sarah com os pratos antes de ir verificar o filho. Quando entrou no quarto de Jared, após bater e não receber resposta, encontrou-o dormindo. Caminhou, então, até o adolescente, retirou-lhe a calça jeans e os tênis.

– Não me afaste, filho – Jeffrey sussurrou para Jared.

Jeffrey alisou os cabelos do garoto e verificou o olho roxo, contente em ver que não estava tão ruim quanto parecia. Então, cobriu Jared e saiu.

J2~J2~J2

Na manhã seguinte, Sarah estava preparando o café da manhã como sempre. Ela cantarolava baixinho enquanto mexia os ovos com queijo quando Jeffrey entrou com uma expressão preocupada. Ele caminhou até a mesa e se sentou, pegando sua caneca e se servindo de café, mas parou quando a levava até a boca.

– Jeff… – Sarah sobressaltou Jeffrey quando lhe tocou o braço. – Quem estava ligando tão cedo?

Jeffrey abaixou a caneca e suspirou. – Misha. Você sabe que além de professor do Jared, ele é um amigo.

– Jared está com algum problema na escola? – Sarah se sentou na cadeira em frente a Jeffrey. – Você parece

preocupado.

– Misha disse que alguns garotos, Milo especialmente, picharam o armário de Jared com a palavra "bicha".

Sarah levou uma mão aos lábios. – Oh meu Deus! Por que eles fariam isso?

Jeffrey coçou sua barba em frustração. – [i][i]bullying[/i][/i]. Meu filho vem sofrendo [i][i]bullying[/i][/i] esse tempo todo e eu não fazia a menor ideia.

– Querido, como você poderia saber? – Ela levantou-se e se acomodou em seu colo.

– Eu deveria ter visto, Sarah. – Jeffrey balançou a cabeça. – Eu pensei que toda essa rebeldia era só o jeito de Jared se manifestar contra tudo o que vem acontecendo em casa. E, agora, eu vejo que há mais.

– O que você quer fazer? Como posso ajudar? – A última pergunta trouxe um sorriso no rosto do homem.

– Eu não sei. – Jeffrey respirou fundo. – Eu não posso simplesmente esquecer tudo que Jared vem aprontando, mas eu não posso não fazer nada também. Eu acho que vou falar com Jim Beaver.

Sarah tomou a mão de Jeffrey nas suas. – Você quer que eu vá junto?

Jeffrey concordou e a olhou intensamente nos olhos. – Eu te amo.

– Eu também te amo.

Mas antes que eles pudessem se beijar, Jared entrou na cozinha.

– Ops! Me desculpem. – Só que o rolar de olhos dizia o contrário.

– Jared, nós precisamos conversar. – Jared grunhiu, mas se sentou. – Eu quero que me diga quem lhe deu esse olho roxo.

– Eu falei que não foi nada. – Jared tentou manter a expressão calma. – Eu fui fazer uma manobra com o skate e caí de mau jeito.

Jensen entrou na cozinha com um sussurrado "bom dia". Ele parecia bem, exceto pelas olheiras, as quais apontavam para uma noite mal ou nada dormida.

– Bom dia, querido. – Sarah o cumprimentou e Jared fez uma careta. – Como você dormiu?

– Bem, obrigado. – Jensen se serviu com o suco e abaixou a cabeça.

Jeffrey trocou olhares com Sarah e suspirou. Um problema por vez. – Jared, Misha me disse o que Milo fez no seu armário.

– Eu não quero falar sobre isso. – Jared se levantou e saiu, mas logo estava de volta à cozinha. – Onde está o meu skate?

– Confiscado. – Jeffrey respondeu calmamente, tomando um gole do seu café.

– Você não pode fazer isso! – Jared gritou.

Jeffrey arqueou uma sobrancelha. – Claro que eu posso. Eu sou seu pai. – Então, indicou a cadeira em que Jared estava sentado. – Agora, sente-se e maneire o tom. Este mês eu vou levar você e Jensen até a escola e pegá-los quando largarem.

– Você só pode estar brincando. – Jared olhou para o pai sem acreditar no que estava ouvindo. – Os outros garotos vão fazer piada sobre mim, pai.

– E de quem é a culpa? Eu falei que você estava de castigo e para vir direto pra casa, mas você me desobedeceu. Eu não vejo outra solução – Jeffrey terminou, dando o assunto como encerrado.

Jared cruzou seus braços e manteve a expressão fechada durante todo o café da manhã. – Eu não acredito nisso.

– Pare de choramingar, Jared. – Jeffrey se levantou, levando seu prato e a caneca até a pia. – E eu sei que a causa do seu olho roxo foi um murro. Eu aposto que foi Milo, não foi?

– Ele também teve o que merecia – Jared murmurou.

Jeffrey colocou uma mão no ombro do filho. – Jared, não vai resolver nada sair por aí arranjando briga.

– Eu não vou ficar parado e deixar ele infernizar a minha vida, pai. – Ninguém percebeu que Jensen observava a cena curioso e preocupado.

– Mas sair aos murros também não é a resposta, filho – Jeffrey tentou confortar, mas Jared retirou a mão do pai de seu ombro antes de se levantar.

– Eu estarei esperando lá fora. – Jared levantou-se e logo os outros puderam ouvir a porta fechando.

Sarah suspirou. – Bem, foi um passeio no parque. – Então, virou-se para Jensen. – Querido, vá pegar suas coisas que já está na hora de irmos.

Jensen foi até seu quarto, pegou sua mochila e seguiu o exemplo de Jared, indo até a varanda. O outro garoto estava sentado nos degraus. Mordendo os lábios, Jensen se sentou ao lado de Jared e olhou de lado para o moreno.

– O que você quer? – O tom calmo pegou mais Jensen de surpresa do que a pergunta em si e ele deu de ombros. – Pare de ficar me encarando! Isso me dá nos nervos.

Jensen desviou o olhar. – Desculpe.

Jared fechou os olhos. – Também não precisa se desculpar, eu só quero ficar sozinho. – E se levantou, indo até a caminhonete do pai.

Jeffrey e Sarah saíram quando Jared se encostou ao veículo e este fechou a cara quando percebeu que Sarah iria com eles também.

– Deus! Irá todo o esquadrão – Jared murmurou consigo mesmo.

Jeffrey aproximou-se, destravou o carro e se virou para Jared. – Eu escutei isso. – Mas Jared ignorou o pai e entrou no carro. – Ok. Pode entrar, filho.

Jared virou a cabeça e fechou as mãos em punhos quando percebeu que Jeffrey tinha falado para Jensen. Logo, todos estavam dentro do carro e seguindo em direção à escola. Durante todo caminho, Jared permaneceu calado, lançado olhares de lado para Jensen, que, por sua vez, manteve-se encolhido do lado oposto do carro. Assim que Jeffrey estacionou a caminhonete, Jared saiu sem dizer uma palavra.

– O que foi agora? – Jeffrey observou o filho desaparecer, mas Sarah só balançou a cabeça sem saber responder. – Bem, vamos.

Os três entraram juntos na escola, mas Jensen os acompanhou até alcançar seu armário, enquanto Sarah e Jeffrey seguiram em direção à sala do Diretor Jim Beaver.

– Alona? – Jeffrey parou em frente à jovem secretária. – Você pode, por favor, avisar ao Senhor Beaver que Jeffrey Padalecki e Sarah Ackles querem falar com ele?

– Claro. – Imediatamente, Alona seguiu até a sala do diretor, logo retornando. – Podem entrar.

– Obrigado.

Assim que entraram na sala, Jim Beaver se levantou para cumprimentá-los e, em seguida, indicou as cadeiras em frente à sua mesa antes de seguir para a sua própria poltrona.

– Ok. – Beaver sentou-se e colocou as mãos sobre a mesa. – Eu posso imaginar que essa conversa tem a ver com o incidente de ontem.

– Eu prefiro chamar de [i]bullying[/i] – Jeffrey replicou.

– Sr. Padalecki, eu sinto muito pelo ocorrido e eu lhe garanto que estou tomando todas as ações apropriadas. – Beaver lhes deu um pequeno sorriso.

Sarah se apoiou na mesa. – E que ações são essas? Me desculpe, Sr. Beaver, mas o que aconteceu com Jared nos preocupa. Tanto Jensen como ele estão passando por uma fase complicada no momento.

– Eu entendo, Sra. Ackles – Beaver concordou. – Eu já agendei uma reunião com os professores. O Professor Collins e eu conversamos e decidimos ministrar uma palestra contra [i]bullying[/i] e deixar claro que essa atitude não será aceita na escola.

– Eu realmente acho que essa é uma boa ideia. – Sarah concordou e voltou-se para Jeffrey. – Você não acha?

– E sobre Milo? – Jeffrey falou num tom áspero.

Sr. Beaver respirou fundo e respondeu a pergunta. – Ele pegou duas semanas de suspensão e eu falei com o pai dele, explicando uma repetição do ocorrido terá uma sanção mais severa, desde expulsão do time de futebol ou até da escola.

– Você tem certeza de que isso será o suficiente? – Jeffrey ainda estava preocupado. – Eu conheço a fama de valentões de Milo Ventimiglia e sua turma.

– Eu entendo sua preocupação, Sr. Padalecki. Mas, no momento, tudo que podemos fazer é observar e tentar evitar que algo assim se repita.

Jeffrey concordou e suspirou. Não era o que ele queria ouvir, mas era melhor do que nada. – Ok. Obrigado, Sr. Beaver.

– Disponham. – Beaver apertou a mão de ambos e os acompanhou até a porta. – E se vocês perceberem alguma coisa errada podem vir falar comigo.

– Bom dia. – Jeffrey e Sarah despediram-se do diretor, bem como de Alona, antes de seguirem até a caminhonete.

Jeffrey ligou o motor e seguiu de volta para casa. Ele estava calado e perdido em seus pensamentos quando sentiu Sarah tocar-lhe o braço.

– O que foi agora? – Sarah acariciou seu braço.

– Eu ainda estou preocupado. Quero dizer... – Jeffrey hesitou por um segundo. – Todas aquelas coisas que a gente vê no noticiário...

Sarah mordeu o lábio e olhou rapidamente pela janela antes de virar-se para Jeffrey com um sorriso. – Eu sei, Jeff, mas tenho fé de que vamos passa por isso.

– Eu espero que esteja certa, Sarah. – Jeffrey estacionou o carro na entrada da garagem e lhe deu um beijo antes dela sair e ele seguir para o trabalho.

J2~J2~J2

Era hora do almoço e Jared estava brincando com sua comida, enquanto os amigos conversavam animados. Tom era o mais calmo e lançava olhares preocupados para Jared. Chad tinha o lábio superior cortado da briga com Milo e sua turma, enquanto Tom e Mike tinham o queixo machucado.

– Eu ainda não acredito que vocês deram ouvidos para as provocações do idiota do Milo. – Katie encarava os meninos com reprovação.

– Katie, dá um tempo. – Mike afastou a mão que a garota levava ao seu rosto. – Não somos de ferro e já aturamos muita merda do Milo.

– Cara, eu daria qualquer coisa para ver a cara do Milo agora. – Chad se virou para Jared, empurrando seu ombro. – Jay, meu amigo, você realmente fez uma obra de arte no rosto dele. Ai! O que foi que eu fiz? – Reclamou assim que Sandy lhe deu um leve murro no ombro.

– Isso é por você ser um idiota, como sempre. – Sandy virou-se séria para Mike quando esse começou a rir. – Vocês todos na verdade! Jared ganhou um olho roxo!

Mike ainda sorria e deu de ombros. – Milo também saiu com o dele e estava bem pior.

– Olhem para eles. – Chad apontou para a turma de Milo algumas mesas distantes. – Não tão valentes agora, hein?

Jared suspirou e retirou os olhos do prato pela primeira vez para empurrar o amigo. – Cala a boca, Chad.

Tom franziu as sobrancelhas. – O que aconteceu?

Jared rolou os olhos e desejou que os amigos não o conhecessem tão bem. – Nada.

– Jay. – Sandy tinha se levantado e ido para perto do moreno. – Tom está certo, você esteve calado o tempo todo.

– É, cara, e nós sabemos como normalmente ninguém consegue te calar – Mike concordou, tentando ajudar, mas terminou levando um tapa de Katie. – O que foi dessa vez, garota? – Mas a loira só balançou a cabeça.

– É o meu pai. – Jared suspirou e se encostou à cadeira. – Eu ainda estou de castigo pelo resto do mês, mas ele decidiu que vai me trazer e buscar na escola todo dia.

– Droga! – Chad xingou ao lado de Jared. – Cara, Milo vai pegar no seu pé por isso.

– Cala a boca, Chad! – Sandy e Katie falaram ao mesmo tempo.

– Ele está certo. – Jared fechou os olhos e levou a mão aos cabelos.

Katie estendeu o braço para pegar a mão de Jared. – Jay, só ignore o Milo.

– Mais fácil falar do que fazer. – Jared olhou para a amiga e tentou sorrir.

Tom encarou Chad que o respondeu com um silencioso "o quê?" antes de voltar a atenção para Jared. – Jared, tem mais alguma coisa te incomodando?

– Não, nada – negou com a cabeça.

– Ok, turma, dêem um tempo a ele – Chad interrompeu antes que Tom ou Sandy insistisse no assunto. – Além do mais, ele vai ter o resto do dia para sentir pena de si mesmo, porque eu vou acabar com a raça dele hoje no videogame.

Mike caiu na gargalhada. – Até parece, Chad.

Jared, por sua vez, tinha virado o rosto tão rápido em direção ao amigo que seu pescoço estalou. – Você vai lá pra casa?

Chad rolou os olhos. – Dã! Até parece que vou te deixar sozinho com o caipira que nem sabe o que é videogame.

– Chad, deixa de ser idiota! – Sandy jogou um biscoito no loiro.

– Mas quem hoje em dia não sabe o que é um videogame? – Mike perguntou, apoiando o loiro.

Tom respirou cansado e levantou as mãos. – Isso não quer dizer que ele não seja um cara legal.

Jared sorriu agradecido ao amigo por se oferecer a lhe fazer companhia pelo resto do dia, mas sentiu o sorriso diminuir quando Chad chamou Jensen de caipira. Se fosse qualquer outra pessoa, Jared teria mandado Chad calar a boca, mas Jared não sabia o que fazer em relação ao outro loiro. Ele sentia-se ameaçado por Jensen, mas, ao mesmo tempo, curioso. Sentindo como se estivesse sendo observado, Jared olhou ao redor, mas não viu ninguém olhando em sua direção. Engraçado, ele também não tinha visto Jensen no refeitório.

J2~J2~J2

Jensen estava sentado atrás de uma árvore na hora do almoço. Ele sempre foi bom em ficar invisível, não importava onde estivesse. Bem, talvez ele não fosse muito bom em casa, mas ele tentava. E, agora, ele já estava vivendo com os Padaleckis há três dias e nada tinha acontecido. Mas antes que pudesse se sentir muito esperançoso, Jensen tentava se lembrar que ainda era cedo.

Olhando para Jared e seus amigos, Jensen se lembrou que nem tudo estava perfeito. Ele não sabia por que Jared parecia odiá-lo tanto. Jensen até pensou em perguntar a ele naquela manhã, mas Jared tinha se afastado antes que pudesse reunir coragem. O fato é que ele sabia que estava falhando novamente.

Quando percebeu Jared olhando ao redor, Jensen se encostou bem na árvore, mesmo sabendo que o garoto não podia vê-lo. Levando a mão ao colar, Jensen pensou, por um momento, que Jared o tinha vista, mas o mais novo voltou sua atenção para a mesa e seus amigos.

– Eu vou ser bom – sussurrou para si mesmo. – Eu vou ser bom.

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Quando o sinal indicando o fim do almoço tocou, Jared aproveitou que seus amigos estavam se levantando para irem para suas aulas e chamou Chad ao canto.

– O que foi, Pé Grande? – Chad perguntou com um sorriso no rosto e mascando seu chiclete.

– Só queria agradecer por ir lá pra casa depois da aula. – Jared deu um leve murro no ombro do amigo. – Não precisava faz...

Chad ergueu a mão interrompendo o moreno. – Corta essa, Jay, você é o meu parceiro. Agora, que tal ao invés de me agradecer você me contar o que mais está te incomodando? – Jared abriu a boca para dizer "nada", mas foi interrompido. – E nem vem com essa que não é nada, porque a mim você não engana.

Suspirando, Jared colocou as mãos nos bolsos e derrotado e sem jeito. – Hoje de manhã, eu escutei meu pai chamando Jensen de filho.

– E daí? – Chad arqueou uma sobrancelha, confuso. – Ele me chama assim de vez em quando.

Jared balançou a cabeça. – Não, isso é diferente. Você não mora conosco.

– Jared, você está procurando confusão onde não tem. – Chad levou uma mão ao ombro de Jared. – E você nem o conhece. Ele pode ser um cara legal.

– Pensei que você tinha dito que ele é um caipira – Jared replicou sorrindo.

Chad rolou os olhos. – E ele é, mas eu não disse que ele não pode ser legal.

– Quem é você e o que fez com o idiota do meu amigo? – Jared optou pela piada e sabia que Chad tinha entendido o que ele estava fazendo e agradeceu com um sorriso quando o outro não insistiu no assunto.

– Cale a boca e vamos para aula senão chegaremos atrasados. – Chad jogou o braço sobre os ombros de Jared. – E não vamos falar mais nisso, que não quero estragar minha imagem com as garotas.

Jared riu e jogou a cabeça para trás. – Chad, que imagem?

E, trocando farpas, os dois seguiram para sala de aula.

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Quando as aulas terminaram, Chad e Jared dirigiram-se até o estacionamento, onde Jeffrey já esperava ao lado de sua caminhonete, mas pararam no caminho para esperar Tom e Mike. Por isso, ao alcançarem o estacionamento, não era surpresa Jensen já estar lá, escutando alguma coisa que Jeffrey estava falando com um pequeno sorriso no rosto, sorriso que desapareceu quando percebeu Jared e seus amigos se aproximarem.

– Ei, senhor P. – Chad parou ao lado de Jared. – Eu vou com vocês. Quer dizer, não tem nenhum problema, não é? Jared e eu temos um trabalho para fazer.

Jeffrey sorriu e balançou a cabeça. – É, você pode, mesmo eu sabendo muito bem que o trabalho de você é videogame. E você precisa avisar sua mãe. – Jeffrey virou-se para Tom e Mike. – Vocês também vêm?

– Não – Mike sorriu em resposta. – Tom e eu temos treino agora. Talvez amanhã?

– Tudo bem, Jared só está proibido de sair. – A resposta fez Jared soltar um suspiro desanimado. – Tenham um ótimo dia, rapazes.

– Obrigado, senhor P – Tom despediu-se, mas, antes de se afastar, puxou Jared à parte: – Você está bem mesmo?

Jared olhou de volta para a caminhonete e viu Jensen sentar no banco da frente. – Eu estou bem. – Tentou sorrir, sem sucesso.

– Qual é, Jay? Eu vi como você olhou para o Jensen agora – Tom insistiu.

Jared começou a voltar para caminhonete, parando apenas para falar sobre o ombro. – Eu estou bem, mãe.

Jeffrey observou com atenção Jared e Tom, mas não falou nada quando o filho voltou e sentou no banco de trás com Chad. Porém, enquanto dirigia, continuou olhando para Jared pelo retrovisor.

– Então, rapazes, como foi o dia de vocês? – resolveu perguntar somente para quebrar o silêncio. – Jensen?

– Oh, é, Jensen, como foi seu dia? – Jared interveio antes que Jensen conseguisse responder.

Com um olhar discreto em direção a Jared, Jensen viu o garoto com a cara fechada olhando pela janela e suspirou desanimado. Jared parecia o oposto de momentos antes e Jensen se perguntou mais uma vez o que tinha feito de errado, afinal ele até tinha sentado na frente para que Jared fosse sozinho atrás com Chad.

– Jared. – O tom de voz de Jeffrey deixava bem clara a repreensão.

– Foi tranqüilo, obrigado. – Jensen tentou tirar a atenção de Jeffrey sobre Jared e se surpreendeu com a própria atitude.

– O meu foi ótimo, Sr. P – Chad se intrometeu na conversa, animado. – Acredita que o Professor Collins estava usando uma saia hoje? Cara, eu estou falando que aquele cara é maluco. Legal, mas maluco.

– Misha? – Jeffrey não sabia por que estava tão surpreso por escutar aquilo sobre o amigo.

– Na verdade, era um saiote escocês. – Jensen prendeu a respiração, assim que fechou a boca, e sentiu os olhos de todos em si. Ele não sabia o que tinha lhe dado e mentalmente se recriminou por não ter ficado de boca fechada.

Jeffrey foi o primeiro a quebrar o silêncio com uma gostosa gargalhada. – Oh, Chad.

Chad piscou algumas vezes e deu de ombros. – Eu não sabia que aquilo tinha outro nome. Mas, sério, senhor P, só faltou ele dizer que gosta de sentir o vento nos "países baixos".

– Chad! – Jeffrey repreendeu e balançou a cabeça, apesar de continuar sorrindo.

Jensen soltou a respiração e relaxou um pouco, sussurrando. – Harry Potter¹.

Jared manteve o olhar curioso preso em Jensen, enquanto escutava seu pai e Chad rirem das maluquices de Misha, por isso percebeu quando o outro sussurrou o nome do bruxinho, pegando a referência ao livro e não conseguindo evitar um sorriso. Mordendo os lábios, Jared desviou o olhar para a janela.

O resto do caminho passou com Chad falando sobre o Professor Collins e a Professora Gamble, os dois mais malucos da escola. Mas Jeffrey ainda lançava um olhar ou outro para Jared e Jensen, os quais, apesar de mais à vontade, continuavam calados. Quando chegaram, Jared e Chad saíram primeiro.

– Vamos logo, Chad. – Jared gritou já alcançando a varanda.

– Não corram… pela casa. – Mas Chad e Jared já haviam desaparecido. – Você não vai se juntar a eles, Jensen?

Jensen, aparentemente nervoso, olhou em direção à casa de Chris quando um jovem grande e de cabelo loiro e longo saiu da garagem, seguindo até uma motocicleta estacionada na entrada do domicílio.

– Oi, Sr. P! – O estranho acenou.

– Olá, Steve! – Jeffrey se aproximou. – Bom lhe ver. Como estão as coisas?

Steve deu de ombros. – Estamos trabalhando nisso. Chris e eu vamos nos apresentar na próxima sexta.

– Eu fico feliz por vocês. – Jeffrey sorriu e, então, se virou para Jensen como se lembrasse do garoto. – Oh! Steve, este é Jensen, o sobrinho da Sarah. Ele está morando conosco agora.

– Você é o famoso Jensen! – Steve ofereceu a mão em cumprimento. – Chris falou sobre você ontem. Você vem hoje?

Jensen cumprimentou a mão estendida e lançou um olhar para Jeffrey quanto à pergunta, mas este sorriu.

– Você pode ir, mas esteja em casa às seis, ok? – Jeffrey bagunçou os cabelos de Jensen com um cafuné. – Não se atrase para o jantar.

Logo Jeffrey estava se virando e seguindo em direção à casa. Jensen abaixou a cabeça, sentindo-se sem jeito sozinho com Steve, mas este sorriu e o puxou em direção à garagem, parando somente para pegar uma camisa no bagageiro da moto.

– Ei, Chris! Olha o que eu achei no jardim! – Steve puxou Jensen para frente.

Desviando o olhar do violão em seu colo, Chris viu Jensen e um sorriso apareceu em seu rosto. – Jensen! Eu 'tou feliz por ter vindo. Estamos trabalhando em uma música nova e você vai nos dar o [i]feedback[/i].

– Nós realmente precisamos da sua opinião antes da apresentação. – Steve tinha caminhado até Chris, pegando o baixo.

Chris arqueou uma sobrancelha. – O baixo?

– É, eu estava pensando que podíamos tentar aquela música que eu escrevi. – Steve sentou-se e começou a tocar algumas notas. – O que você acha? Você pode tocar a guitarra e ser a primeira voz.

– Mas é a sua música, Steve. – Chris virou-se para Jensen. – Diga a ele que ele deve cantar a própria música.

Jensen olhou assustado de Chris para Steve sem saber o que fazer.

– Você está assustando ele. – Steve riu e parou de tocar. – Chris, é só uma música, e esta é melhor para seu timbre. A próxima eu canto, ok?

– Você é um pé no saco, Steve. – Chris foi se sentar ao lado do outro, ajeitando o microfone e lançando um olhar para Jensen, satisfeito de vê-lo sorrindo, mas ainda em pé. – O que você está esperando? Venha e se sente. Espero que goste de [i]country rock[/i].

– Quem não gosta? – Steve brincou.

Jensen balançou a cabeça ainda rindo. Ele tinha gostado daqueles dois, faziam-no se sentir à vontade, e ele gostava de música.

Uma hora depois, Jensen estava voltando para casa, sentindo-se mais leve. Ele realmente tinha se divertido com Chris e Steve e tinha gostado da companhia. Chris o tinha feito falar exatamente o que tinha achado das músicas e, após receber um entusiasmado balançar de cabeça, prometeu ensiná-lo a tocar violão, apesar de não ter tido o mesmo sucesso quando pediu para que Jensen cantasse. Porém, o sorriso desapareceu quando subiu as escadas e escutou Jared e Chad rindo e jogando. Ele não sabia por que, mas não conseguia evitar querer que Jared fosse receptivo e amigável com ele também.

J2~J2~J2

Era tarde da noite quando Jared acordou desorientado, pensando ter escutado algo. No início, ele pensou que era Chad, que tinha o costume de falar dormindo, e até mandou o amigo calar a boca quando se lembrou que este não tinha ficado por amanhã ser dia de escola e ele não ter levado roupa.

Sentado na cama, Jared acendeu o abajur sobre o criado-mudo ao lado e olhou para o relógio, que marcava três da manhã. Balançando a cabeça e rindo de si mesmo, Jared se levantou, decidindo ir ao banheiro já que estava acordado mesmo.

Foi quando estava saindo do banheiro para voltar para o quarto que Jared escutou novamente o que lhe tinha acordado. Era um choramingar e, agora, ele sabia que estava vindo do quarto de Jensen. Num primeiro instinto, Jared caminhou a pequena distância entre a porta do banheiro e o quarto do loiro, parando em frente à porta.

– O que eu estou fazendo? – Jared balançou a cabeça e murmurou para si mesmo. – Eu provavelmente só vou ganhar outro empurrão se eu entrar aí.

Mas, mesmo pensando assim, Jared continuou parado em frente à porta escutando com atenção qualquer barulho. Ele podia sentir o coração bater apressado em preocupação e ansiedade e, após cinco minutos sem escutar nada, Jared riu e se forçou a voltar para o seu quarto. Provavelmente não tinha sido nada.

– O que me deu? Eu nem quero ser amigo dele, não devia estar me preocupando. – Jared pensava em voz alta, deitado e olhando para o teto. E apesar da decisão ter sido fácil, o sono não voltou logo e Jared ficou pensando em Jensen até finalmente conseguir dormir.

Mal sabia ele que não era o único que estava enfrentando dificuldade para voltar a dormir naquela noite.

Continua...

N/A: Atendendo pedidos, estou postando o capítulo sem está revisado, mas já vou pedindo desculpas da mesma forma. Vou tentar pegar manter um ritmo nas atualizações, porém essa não é uma promessa. Espero o comentário de vocês sobre o que estão achando.

¹ A referência a Harry Potter é feita pelo bruxo Arquibaldo, no livro 4, se recusar a retirar sua camisola e vestir roupas masculina, alegando que gosta de sentir a brisa nas partes baixas.

* Lene, eu tou judiando dos dois nessa fic, não é? Mas, Jared não é com o Milo, o problema dele é simplesmente com o Jensen e o medo de ser substituído. Afinal a mãe já o deixou, ele teme perder o pai também. Agora, você não achou que eu ia deixar o Jensen sem amigos até ele se entender com o Jared, não é? E aos poucos o Jensen vai começar a se mostrar mais. Obrigada, beijos.

* Caio, bom saber que você não se preocupa com a ortografia. Vou tentar atualizar o mais rápido que eu conseguir, ok? Espero que a história continue boa pra você ignorar minhas "caças" kkk. Obrigada, beijos.

* Cleia, obrigada. Espero que tenha gostado desse também. xD