Saga e Camus andavam lentamente pelas ruas do pequeno vilarejo chamado Rodório. Por onde passavam recebiam olhares, tanto de homens quanto de mulheres. E isso incomodava muito o ruivinho, que à certa altura, já estava extremamente irritado com os olhares indiscretos da pessoas sobre o seu Saga. Como Rodório era o maior vilarejo e ficava no centro da região, recebia muitos mercadores trazendo mercadorias de vários outros vilarejos, transformando o mercado local em uma imensa feira lotada. Camus e Saga passavam cuidadosamente por esse monte de pessoas quando o ruivo teve uma ideia. Camus lentamente se aproximou de Saga e conectou sua mão direita com a mão esquerda do homem de cabelos azuis.
-O que está fazendo, Camus? - Saga indagou com a sobrancelha arqueada.
-Apenas garantindo que não vamos nos perder - O aquariano respondeu rapidamente.
-Hum... Entendo - Saga desviou o olhar, envergonhado.
Camus apenas deu um sorriso vitorioso, afinal, ele estava andando de mãos dadas com seu querido Saga no meio de uma feira lotada e com vária garotas muito bonitas o encarando com o olhar invejoso. Como em Rodório tudo era mais atrasado, homens e mulheres não eram tratados da mesma forma. O casal homossexual não era discriminado pela sociedade, era considerado tão normal quanto um casal hétero. Mas já em relação à crianças gêmeas... Ou eram mortos ao nascer, ou eram discriminados pela sociedade. Saga tinha medo de seus filhos terem passado por tudo que ele e Kanon passaram quando ainda eram apenas crianças inocentes. Sua mente viajava enquanto andavam pelas ruas em direção à pequena cabana em que os meninos moravam quando Saga percebeu uma coisa. Ele não havia comprado nada para os meninos. Nada. Ele, o pai das crianças, não havia lembrado de comprar um presente se quer para os próprios filhos! Ele simplesmente parou no meio da rua, com os olhos arregalados.
-Camus! Eu esqueci de comprar presentes para os meninos! - Saga disse levando sua mão livre à cabeça.
-Calma, Saga! - Camus coloca a mão livre nos ombros do "amigo" - Simples, vamos comprar agora.
-Você é um gênio, Camus! - Saga sorri abertamente - Mas vamos comprar o que?
-Brinquedos! Crianças adoram brinquedos! - Camus faz aquele olhar animado que só ele sabe fazer.
-Isso! Vamos lá! - Saga sai puxando Camus por todas as lojas de brinquedos que encontrara.
Depois de muito andar pelas ruas de Rodório, entrando e saindo de várias lojas de brinquedos, Saga e Camus finalmente escolhem dois presentes para os meninos. Os dois cavaleiros de ouro acabaram por comprar dois bonecos de si mesmos de pelúcia. Sim, compraram um Saga de pelúcia para o Aspros e um Camus de pelúcia para o Defteros, era a maior novidade da cidade, e só conseguiram um facilmente por serem eles os retratados naquelas pelúcias.
Já passava das quatro horas da tarde quando Saga e Camus chegaram à pequena cabana dos gêmeos. Saga ficou cerca de cinco minutos encarando a porta sem ter coragem de abri-la quando sentiu a mão de Camus repousar sobre seu ombro direito.
-O que foi, Saga? - Camus perguntou preocupado.
-E se eles não gostarem de mim? - Saga o encarou com um olhar assustado que Camus nunca havia visto.
-É claro que eles vão gostar de você, Saga! Você é um cara incrível, gentil, carinhoso, atencioso, inteligente, intelectual... bonito e muito especial - Camus ficou completamente rubro - Não tem como eles não gostarem de alguém tão... perfeito.
-O-Obrigado, Camus - Saga ficou extremamente envergonhado com a fala de Camus.
Juntando toda a coragem que conseguira adquirir com a ajuda do aquariano, Saga lentamente dá duas firmes batidas na velha porta de madeira da pequena cabana em que os gêmeos moravam. Não demorou muito a ouvir vozes cochichando dentro da casa, logo suspeitou que fossem eles, seus filhos. O coração de Saga batia cada vez mais rápido a medida que os segundos passavam.
-Quem é? - Escutou uma voz infantil, porém firme vindo de dentro da casa.
-Saga de Gêmeos e Camus de Aquário - Saga respondeu firme e Camus pensou "Adoro quando ele fala o meu nome...Fica tão mais... bonito!", acabou por ficar vermelho novamente.
Segundos após dizer isso a porta se abriu revelando dois pequenos garotos de fartos cabelos azulados na altura dos ombros completamente bagunçados. Os meninos encaravam o homem de cabelos azuis com um olhar assustado e admirado ao mesmo tempo, sem saber se deveriam chorar ou rir por aquele momento. Um dos garotos, o que era um pouco menor que outro, se escondia atrás do irmão. Saga supôs que aquele fosse o mais novo, Defteros. Sem saber como reagir, Saga colou um dos joelhos no chão, abaixando até o nível dos pequenos. Aspros aproximou-se dele lentamente e olhou fundo em seus olhos. Depois de alguns minutos passados, algumas lágrimas brotam dos olhos do pequeno e ele abraça o grego mais velho, seguido pelo garoto que se escondia atrás dele. O menor chorava loucamente abraçado ao peito de Saga, enquanto o outro soluçava em seus em ombros. Saga os abraçava de volta, retribuindo o amor que depositavam no mais velho. Camus assistia à aquela cena com os olhos cheios de lágrimas, pensando em tudo que os pequenos já tiveram que passar sem a proteção de um pai. Saga afastou os meninos de si para poder olhar em seus olhos. Eles eram idênticos à ele.
-Aspros - Saga olhou para o menino um pouco mais alto, causando um olhar de surpresa no mesmo - E Defteros - O menino mais novo simplesmente sorriu e balançou a cabeça em um sinal positivo.
-Pai? - Aspros perguntou olhando diretamente nos olhos de Saga - É você, não é?
-Sim, sou eu - Saga sorriu pra eles - Eu estou aqui pra vocês agora!
-Eu sabia! Mamãe sempre disse que você voltaria pra gente! - Aspros falou.
-Estarei aqui com vocês pra sempre! - Saga os abraçou - Por que não fala comigo, pequeno Defteros? - Isso o estava incomodando muito.
-Pa... pai - Defteros falou sorridente - Papai! - O pequeno o abraçou.
-Defteros não fala muito - Aspros se aproximou da orelha do pai - Principalmente depois que a mamãe se foi... E... Papai, quem é esse homem encostado no corrimão atrás do senhor?
-Ma... Mamãeeeeee - O pequeno Defteros correu em direção ao ruivo pulando em seu colo, deixando o mesmo sem reação.
