Through Time
Capítulo 4
Conhecendo a Realeza
"-Meu Príncipe! Meu Príncipe!" – Gritava um rapaz correndo pela rua em direcção à ruiva.
Ela olhou para os dois lados da ruma mas não viu ninguém alem de Diego que continuava á sua frente esperando uma resposta ao seu pedido.
"-Meu Príncipe!" – Chamou o rapaz parando ao lado da ruiva – "O seu pai requer a sua presença no castelo."
Príncipe? Agora sim ela estava confusa.
"-Diz-lhe que estou a caminho." – Disse voltando-se para o rapaz.
Ao vê-lo desaparecer por onde tinha vindo o moreno voltou-se novamente para Ginevra.
"-Príncipe?" -Ele apenas sorriu em resposta – "Mas eu pensava que tu trabalhavas no castelo, não que vivesses nele, que o possuísses."
"-Será que agora é capaz de aceitar a minha proposta?"
"-Com uma condição…"
"-Que seria?"
"-Deixares de me tratar por você. É tão estranho."
"-Não é apropriado que eu trate uma dama de qualquer outra maneira."
"-Diego, eu insisto."
"-Como favor pessoal, e apenas no seu caso, eu vou quebrar esta regra. Vamos?" – Perguntou num sorriso.
Ela sorriu de volta e aceitando o braço que ele lhe estendia começaram a caminhar em direcção ao castelo. No meio do caminho Ginny parou de andar sem razão aparente.
"-O que foi? Passa-se algo?"
"-O Ma… meu primo…"
"-Não te preocupes, assim que chegarmos ao castelo eu mando um dos criados à procura dele. Está bem assim?" – Perguntou, sempre sorridente.
"-Claro."
"-Qual é a tua cor favorita?" – Perguntou ele enquanto atravessavam as cozinhas cheias de criados atarefados como elfos domésticos.
Travessas e mais travessas de comida estavam dispostas sobre as enormes mesas e bancadas que preenchiam a cozinha. Ginevra tentou imaginar quantas pessoas estariam ali para jantar.
"-Azul." – Respondeu depois duns segundos – "Porquê?"
"-Por nada."
Saíram das cozinhas por uma enorme porta de carvalho seguindo por um vestíbulo um pouco maior que o anterior. Um dos criados passava por ali e Diego deu-lhe instruções para encontrar Draco.
"-E diz a uma das criadas que me espere na Ala Norte."
"-Sim Sr." – E com uma vénia desapareceu da vista de Ginny.
"-Tudo arranjado agora. O teu primo deverá juntar-se a nós a tempo do jantar."
Ela apenas sorriu ao jovem. Não estava habituada a tanta cortesia vinda de uma só pessoa. Normalmente todos eram desconfiados e nem um pouco simpáticos. Ao saírem do vestíbulo Ginevra deparou-se com uma entrada digna de Hogwarts, excessivamente decorada. As paredes eram adornadas por largas tapeçarias e do tecto alto pendiam inúmeros lustres repletos de velas. A escadaria de mármore á sua frente estava coberta por uma passadeira luxuosa.
"-Vamos, vou levar-te ao teu quarto." - Ela acenou levemente ainda espantada com a opulência do local.
Subiram a escadaria e caminharam por um dos três corredores largos. O corredor era iluminado por várias tochas presas nas paredes, ocasionalmente ornadas por grandes quadros de pessoas com um porte elegante.
"-Membros da realeza." – Esclareceu Diego ao reparar na admiração da ruiva.
Mais à frente, sensivelmente a meio do corredor, encontraram uma jovem rapariga. Ela fez uma vénia à passagem do moreno e limitou-se a segui-los silenciosamente.
"-Chegámos." – Anunciou com um sorriso parando à frente de uma porta de madeira clara.
Ele soltou o braço da ruiva e abriu a porta dando-lhe passagem. Ao entrar no quarto ficou espantada no que viu. Era uma divisão ampla decorada dos mais variados tons de azul e madeiras escuras. Uma cama de dossel ocupava o centro do quarto, coberta com as melhores colchas. Grandes janelas de vidro que davam passagem para uma imensa varanda. Uma escrivaninha e uma cómoda ocupavam os cantos do quarto. Sobre a escrivaninha empilhavam-se os mais variados livros, penas, pergaminhos e tinteiros. Sobre a cómoda estava um belo espelho de rebordo trabalhado que luzia como ouro.
Enquanto Ginevra olhava o quarto impressionada Diego dava instruções à jovem criada.
"-Quero que ela seja tratada com o melhor que temos e nada do que peça lhe será negado. Ajuda-a no que for preciso e faz com que ela se sinta em casa. Vais dirigir-te a ela como Milady e trata-la como tua senhora."
"-Sim Sr. Mais alguma coisa Sr.?"
"-Não por enquanto. Ah! Prepara-a para o jantar. Há vestidos apropriados no roupeiro e tudo o que ela necessitar terás de o providenciar."
"-Sim Sr."
"-Ginevra?" – Chamou suavemente tirando-a dos seus devaneios – "Gostas dos aposentos? Posso mandar providenciar outros se desejares."
"-Não. Estes são maravilhosos."
"-Ainda bem que gostastes. Agora vou ter de descer, tenho assuntos a tratar. Ela vai providenciar tudo o que precisares." – Disse referindo-se à criada – " Espero-te para jantar." – E com um sorriso saiu do quarto deixando a ruiva para trás.
Ginny entreteve-se a observar o aposento durante alguns minutos surpreendida por tanta beleza num só quarto. Caminhou até à cama onde se sentou, o colchão era suave e abateu-se levemente sob o seu peso. Passou a mão sobre as colchas, de tecido maravilhoso, azul muito escuro, delicadamente debruadas a ouro.
"-Milady, devemos apressar-nos." – Disse a jovem a medo.
Ginny olhou-a, devia ter no máximo a sua idade e no entanto parecia conhecer muito bem todos os serviços do castelo.
"-Como te chamas?" – Perguntou a ruiva simpaticamente.
"-Perdão Milady?"
"-O teu nome?"
"-Katrina, Milady." – Respondeu atrapalhada.
Era óbvio que não estava habituada a que se lhe dirigissem daquela forma, tão pessoal e interessada.
"-Não tens de me tratar por Milady."
"-Mas o Sr. ordenou que assim o fizesse."
"-O meu nome é Ginevra, ou Ginny e enquanto estivermos a sós gostaria de ser tratada assim."
"-Como desejar Milady."
"-Ginny."
"-Como desejar."
A jovem moça seguiu até um grande armário e abriu as portas deste de par em par dando a Ginny a visão de inúmeros vestidos.
"-Que cor deseja usar?"
"-Qual será a apropriada?"
"-Verde escuro ou mesmo o azul."
"-Como achares melhor Katrina."
A rapariga retirou do armário um vestido verde-escuro e depositou-o em cima da grande cama.
"-Precisa de retirar esse vestido para que eu possa ajuda-la com este."
A ruiva ficou desconfortável com a situação, não queria ter de se despir em frente de uma desconhecida. Ao fim de alguns segundos de reflexão decidiu faze-lo, não queria chegar atrasada para o jantar. Em primeiro viu-se livre das sandálias que apertavam os seus pés e depois do longo vestido negro. Reparou que a jovem ficou um tanto perturbada quando ela se viu livre do vestido.
"-Passa-se algo?"
"-Não Milady…Ginny… É só que, se me permite a indiscrição, a sua roupa intima é tão estranha."
Claro… Tem 500 anos de diferença daquelas que estás habituada a ver…
"-É costume do local de onde venho." – Respondeu simplesmente.
A rapariga ajudou a ruiva a vestir o longo vestido verde-escuro. Com um largo decote redondo e mangas largas e compridas, um corpete justo e um tanto desconfortável e uma saia tão volumosa e comprida que a impedia de ver os próprios pé, Ginny duvidava conseguir manter-se dentro daquele vestido por mais de vinte minutos sem ter uma qualquer espécie de ataque claustrofobico.
Katrina passou-lhe uns estranhos sapatos que ficaram ocultos por debaixo das saias do vestido.
Pelo menos são mais confortáveis que os meus.
"-Vou ajuda-la com o cabelo."
Ginny foi conduzida até à cómoda onde se sentou num pequeno banquinho à frente desta. Katrina desfez o coque que a ruiva usava e pôs-se a pentear os longos cabelos com uma escova grande e suave. Ao fim de cinco minutos daquele processo de escovagem a moça dividiu a massa de cabelos ruivos em três partes entrelaçando-as rapidamente, prendendo-as na ponta com uma tira de seda da mesma cor do vestido.
"-Pronta." – Disse satisfeita ajudando a ruiva a erguer-se do banquinho.
Aquele vestido incomodava-a ainda mais do que supunha que faria no princípio.
É só por hoje… e depois tudo estará acabado e eu e o Malfoy estaremos de volta a Hogwarts.
"-Vamos." – Disse a jovem fazendo com que Ginny a seguisse.
Andaram pelo corredor descendo através da grande escadaria de mármore. Entraram por uma grande porta do lado direito que dava para um vestíbulo com outras três portas. Katrina abriu a porta da direita e por ela entraram. Era uma sala ampla estava decorada em tons de vermelho e dourado fazendo lembrar a sala comum dos Gryffindor em Hogwarts. Várias poltronas de aspecto confortável e convidativo rodeavam uma enorme lareira embutida na parede.
"-Virei chama-la assim que o jantar for servido." – E com uma vénia saiu da sala.
Ginny entreteve-se a observar a lareira de mármore trabalhado. A toda a volta estavam esculpidas pequenas folhas, anjos e outros adornos que tornavam o mármore numa espectacular obra de arte.
Cansada de observar a lareira olhou em volta deparando-se com uma grande janela de vidro ladeada por dois reposteiros vermelhos escuro. Caminhou até lá dando com a vista maravilhosa do castelo sobre a vila. Ao fundo da colina alinhavam-se inúmeras casas formando um círculo em torno do castelo. Rodeando toda a vila estava uma alta muralha iluminada de quando em quando por grandes tochas que brilhavam ao longe. Via o mercado e as ruas largas ligando-se umas às outras formando quase um labirinto.
Assustou-se ao sentir uma presença atrás de si. Voltou-se para ver Diego a sorrir-lhe.
"-Linda…" – Disse suavemente.
"-Sim, a vista é maravilhosa…"
"-Não estava a referir-me à vista estava a referir-me a ti."
Ela corou, sempre corava com as palavras dele, corava mais vezes ao dia do que julgava ser humanamente impossível.
"-Finalmente um bom uso para os vestidos! Ficas absolutamente maravilhosa!" - E lá estava ela a corar outra vez.
"-Sr., Milady, o jantar foi servido." – Disse uma das criadas na entrada da sala.
"-Vamos?" – Perguntou estendendo-lhe a mão.
Ela colocou a mão sobre a dele e seguiu até ao vestíbulo, onde entraram na porta do meio.
Um enorme salão estava em frente dos olhos de Ginny, enorme e maravilhoso. Amplo e totalmente forrado a mármore branco, largas janelas no fundo do salão estavam cobertas com grandes reposteiros dourados. Diego caminhou com ela até à grande mesa e puxou uma cadeira para que ela se sentasse.
Segundos depois as portas do salão abriram-se dando entrada a um casal com um ar altivo. De imediato Diego se levantou do lugar e Ginevra tentou fazer o mesmo mas foi impedida pelo volumoso vestido.
"-Não se preocupe minha querida." – Disse a mulher num tom melodioso ao aproximar-se da ruiva – "Sei como esses vestidos podem ser incómodos."
A ruiva sorriu embaraçada e tornou a sentar-se desajeitadamente na cadeira. Só então se deu conta, aqueles deveriam ser o rei e a rainha, pais de Diego.
A rainha, uma mulher bem parecida, não devia ter mais do que 37 anos. Tinha uns belos cabelos castanhos, presos num coque trabalhoso e adornados por uma bela tiara de brilhantes.
O rei era tão belo como o filho, os cabelos castanhos-claros e os olhos verdes e intensos idênticos aos de Diego. A única diferença entre os dois residia no semblante, o do rei muito mais severo e preocupado que o do seu filho.
A sua divagação foi interrompida pelo som das portas a abrir. A ruiva olhou para a entrada vislumbrando Draco, o que lhe deu uma imensa vontade de rir. Não fora a única a ter de mudar de roupa, Draco também tivera de o fazer e não parecia nada contente com isso. Mas não era para menos, até a ruiva teve vontade de rir ao ver o traje de Draco. Ele vestia umas calças justas negras e uma camisa cinzenta escura com umas mangas absurdamente largas no entanto presas nos punhos, formando uma espécie de balão. A vestimenta contava ainda com um colete negro, justo ao tronco, com inúmeros botões dourados dispostos lateralmente.
Draco lançou-lhe um olhar irritado enquanto se sentava á mesa, a seu lado.
A refeição, servida por um rol de criados, foi feita em silêncio. Depois de terminada Diego ajudou Ginny a erguer-se e caminhou com ela até ao vestíbulo.
"-Já é tarde…Penso que gostarias de te recolher aos teus aposentos."
"-Se não fosse muita desfeita. O dia foi cansativo."
"-De maneira alguma. Eu faço questão de te acompanhar."
Diego deu instruções a um dos criados para mostrar os aposentos a Draco e caminhou com Ginny pela escadaria.
"-Eu queria agradecer por toda a hospitalidade."
"-Não foi nada." – Respondeu suavemente.
"-Se houver algo que eu possa fazer para retribuir a gentileza."
"-Passa o dia comigo, amanhã. Posso mostrar-te a vila e um sem número de outras coisas."
Ginny pensou por um instante, era suposto ela procurar com Draco uma maneira de sair daquele lugar.
"-Com o maior dos prazeres." – Respondeu sorridente.
Não é um dia que vai atrapalhar as coisas.
"-Chegámos." – Disse o rapaz parando em frente da porta dos aposentos destinados à ruiva – "Tens a certeza que estes aposentos estão adequados?"
"-Claro." – Respondeu.
"-Sendo assim até amanhã. Espero-te para o pequeno-almoço." – Acrescentou com um sorriso que fez a ruiva derreter.
Ela apenas sorriu de volta entrando no quarto em seguida. Katrina esperava-a para a ajudar com o vestido. Quando a ruiva se viu, finalmente, livre do vestido incómodo, Katrina passou-lhe uma comprida camisa de noite que ela vestiu de boa vontade. Era uma óptima sensação sentir o leve tecido sobre a pele. Novamente com a ajuda de Katrina deitou-se na cama, sob as grossas cobertas azuis.
Não demorou muito para que o cansaço tomasse totalmente conta do seu corpo fazendo-a adormecer num sono tranquilo.
Ö – T.T – Ö Fim do 4º Capitulo Ö – T.T - Ö
N/A: Cá estou eu de volta… um pouco fora de tempo, mas a verdade é que tenho andado meio desanimada com a falta de reviews … enfim… Espero que tenham gostado do capítulo!
Obrigado aos que leram e um obrigado muito especial à Jamelia Millian (sim, o Draco está realmente rude neste universo paralelo, mas com o tempo ele há de se acostumar!) e à Helena Malfoy (ainda bem que o último capítulo de deixou ansiosa! Aqui ficou o capítulo 4 e espero que também tenhas gostado!).
Beijos grandes e até à próxima semana!
Kika Felton87
24/09/08
PS – Se tiverem tempo dêem uma passadinha pela minha nova fic "Não eras capaz de…" também ela uma DG!
