- Caramba, Harry! Como você fez aquilo?! – Rony exclamou enquanto três deixava a aula de defesa e faziam seu caminho em direção a Grande Escadaria. Era terça-feira e finalmente havia terminado as aulas do dia.

- Fazer quê? – Harry respondeu um pouco confuso a respeito do "aquilo" ao qual Rony estava se reverendo. Ele estava com a impressão de que Rony tinha ficado distraído a maior parte da última hora.

- Aquela… aquela… coisa que você fez! O que foi aquilo?

- Rony, eu sinceramente não tenho ideia do que você está falando. – Harry mal conseguia disfarçar o ar de irritação em sua voz.

- Harry, eu acho que Rony está se referindo ao feitiço não-verbal que você usou para desintegrar o boneco de treinamento. – Disse Hermione lhe dando um olhar bastante cauteloso.

- Ah… Isso? – Harry respondeu. Dificilmente esse havia sido o feitiço de mais alto nível que ele havia usado na aula de Defesa naquele dia, embora ele tinha certeza de que ninguém havia notado os mais interessantes.

Eles tinham sido colocados em frente a um boneco encantado e lançava feitiços aleatórios. Moody lhes disse para desativarem o boneco o mais rápido e eficientemente possível, e fazê-lo sem ser enfeitiçado. Harry cuidou dele de uma forma que ele sentia ter sido bastante eficaz. Seu feitiço havia atingindo-o primeiro e o tinha desintegrado completamente. Definitivamente eficaz.

Foi depois disse que ele começou a ficar mais criativo e começou a usar algumas magias mais… sutil ao redor da sala.

Harry havia ficado entediado, já que ele havia sido o primeiro a concluir sua tarefa. Ele estava encostado na parede ao fundo da sala, observando como o resto de seus colegas eram repetidamente atingido pelos menores feitiços disparados pelo boneco, e não eram capazes de obter sucesso em um único feitiço escudo. Era patético, realmente. Então, ele começou a brincar com as pessoas – apenas enviou algumas maldições e feitiços menores aqui e ali, para se divertir. Eles tinham sido complexos e sutis, e o fato de que ele feito isso nem que ninguém soubesse enviou ondas exuberantes de emoções por sua espinha.

Mas Rony não estava animado com os resultados da sutileza de Harry. Rony não teria notado qualquer um deles, mesmo que Harry houvesse feito isso com sua varinha diretamente apontada para o nariz do gengibre. Não. Rony nunca apreciou a sutileza. Ele estava ficando todo animado sobre um feitiço estúpido que ele usou no início da aula. Harry mal conseguia se impedir de revirar os olhos.

- Sim, ele. – Disse Hermione, com um tom bastante acusatório. – O que foi aquilo, Harry? Onde diabos você aprendeu algo como aquilo?

- Erm… li em algum livro. Não me lembro qual exatamente. – Harry disse, dando de ombros desdenhoso. A verdade era que seu companheiro havia sussurrado em seu ouvido uma semana atrás, quando ele estava tentando encontrar diferentes tipos de maldições e feitiços para se preparar para o torneio. Ele ainda não sabia o que a próxima tarefa seria, mas ele não viu nenhum mal em praticar algumas magias. Parecia ser um uso descente para o seu tempo livre.

- Eu não ouvi você dizer nada então o lançava. – Disse Rony, sua voz cheia de um pequeno temor. – Será que você o lançou sem dizer nada mesmo?!

Hermione bufou.

- Merlin, Rony! Harry tem feito quase que todas as aulas usando magia não-verbal há mais de um mês! Como pode não ter notado?

- Sério?! – Rony exclamou e se virou embasbacado para Harry.

- Uh… sim, Rony. Eu tenho.

Idiota, desatento, nojento. Harry pensou revirando os olhos. Seu companheiro explodiu em gargalhadas, o que tornou ainda mais difícil para Harry manter a expressão séria.

- Como você aprendeu isso? – Rony exclamou.

- Aprendi quando eu estava estudando por conta própria, você sabe, para o dragão. – Disse Harry em um tom um pouco irritado.

As orelhas de Rony ficaram rosa e ele olhou para seus pés.

- Então, que feitiço era? – Hermione perguntou, virando-se para Harry e lhe lançando um olhar um pouco expectante. – Quer dizer, o que você usou na aula hoje.

Harry apertou a mandíbula em irritação, tentando suprimir a vontade de manda-la cuidar da própria maldita vida. Em vez disso, ele respirou lentamente e ajeitando sua máscara de desinteresse.

- É chamado Distraxi. – Respondeu uma vez que tinha certeza de que ele poderia manter a raiva longe de sua voz.

Hermione franziu a testa.

- Eu nunca ouvi falar dele.

Harry foi incapaz de impedir-se de revirar os olhos.

- Obviamente. – Comentou sarcasticamente.

Eles chegaram ao patamar do primeiro andar e começaram seu caminho em direção ao hall de entrada.

- Qual é o feitiço exatamente? – Hermione insistiu. – Quero dizer, o que ele faz?

A mão de Harry apertou com tanta força a barra da manga de seu uniforme, que seus dedos ficaram brancos, mas ele conseguiu manter a calma exterior.

- É um feitiço desintegrador, Hermione. Significa literalmente: fazer em pedaços. – A verdade era que não era um feitiço em todo. Era uma maldição. Mas ele sabia que Hermione nunca mais o deixaria em paz se ele admitisse isso.

- Sim, mas quais são os limites? Certamente, você não seria capaz de usar o feitiço contra… contra uma pessoa não é mesmo? Nós estávamos praticando uma forma de impedir alguém de nos atacar com feitiços, Harry. Certamente, que você não seria capaz de usar aquilo contra uma pessoa, não é?

Harry parou e virou-se para olhá-los. Seu rosto estava quase em branco, mas a irritação estava descaradamente evidente. Suas pálpebras ficaram levemente abaixadas e suas sobrancelhas estavam planas.

- A tarefa era fazer com que o boneco de treino parasse de atacar. O desafio era passar pelo feitiço escudo do manequim e desativá-lo. E foi o que eu fiz.

- Bem, sim, mas não deveríamos encontrar uma maneira de fazer isso de uma forma que pudéssemos usar em um cenário real? Você pode usar essa magia em um manequim, mas você não seria capaz de fazer isso se fosse uma pessoa real… certo? O teria acontecido se usasse o feitiço contra uma pessoa de verdade?

- O que exatamente você está sugerindo? – Ele perguntou sem rodeios.

- Bem, é que ele pareceu um pouco… destrutivo, isso é tudo. Você tem certeza de que é apenas um feitiço? Parecia mais uma maldição, Harry. Especialmente desde que ele conseguiu passar o feitiço escudo do boneco de treino tão facilmente.

- E Diffindo não é destrutivo? Bombarda não é destrutivo? Que tal Confringo?

- Qual é o seu ponto? – Hermione perguntou, assumindo uma postura defensiva.

- Meu ponto é que todas essas magias são todas magias neutras que são ensinadas como parte do currículo padrão de defesa de Hogwarts, e todos eles são bem destrutivos. Merda, Bombarda é ensinado nas aulas, eu não vejo como o feitiço que usei seja pior.

- Bombarda não é ensinado até o sexto ano, Harry!

- Você usou no ano passo! – Ressaltou.

- Bem, sim, mas eu li antes! E você não respondeu a minha pergunta. O que o feitiço faria se fosse lançado em uma pessoa viva?

Os olhos de Harry se estreitaram e ele olhou friamente para a garota de cabeços espessos.

- Aconteceria a mesma coisa que aconteceu com o boneco. – Ele cuspiu em um sussurro áspero.

Os olhos de Hermione se arregalaram em horror e Harry se virou para continuar seu caminho pelo corredor. Hermione ficou atordoado ao lado de Rony, que parecia estar tonto demais para reagir, até que ela começou a correr para alcançar Harry novamente.

- Você está brincando, né, cara? – Rony disse assim que ele alcançou Harry com passos rápidos. – Quer dizer… ele rasgou o manequim em pedaços e o transformou em pó! Em que…? Cinco segundos? Ele realmente não faria isso com uma pessoa não é?

Harry resmungou em frustração quando ele parou e se virou para olhar seus 'amigos'.

- Você sabe porque a maldição da morte é chamada de maldição da morte?

Rony empalideceu, mas balançou a cabeça negativamente.

- Porque isso é tudo o que ela pode fazer. Ela te mata. É rápido, indolor e, honestamente, deve ser a maneira mais humana que você pode fazer isso. Sabe quantas outras magias podem matar uma pessoa? Centenas, provavelmente, milhares se você for criativo o suficiente. Você pode matar uma pessoa, se você cortar sua garganta com um bem direcionado Diffindo. Você pode matar alguém com um Bombarda se você explodi-lo para fora de uma janela, ou se você usá-lo muito perto, explodindo para fora um pedaço da pessoa. Se você colocar magia o suficiente poderia explodir uma pessoa que está longe com um Confringo! Caramba gente! Você pode matar uma pessoa é mesmo usando um lápis, se você está realmente dedicado a isso! Só porque eu usei um feitiço que poderia ser usando para matar alguém, não significa que seja apenas para isso que ele é usado. Você quer proibir o uso de penas também, só por que elas podem ser usadas para furar seu olho?

- Sim, mas parecia ser um feitiço muito escuro, Harry. – Hermione sussurrou. – Eu apenas… senti que era escuro.

- Bem, não é. É uma magia neutra como as outras, porque tem usos que não tem nada a ver com mutilação ou matar pessoas. – Harry gritou com ela. Claro, é apenas um pouco mais do que um pequeno feitiço neutro… ele silenciosamente admitiu para si mesmo. – Além disso, você honestamente acha que eu seria estupido o suficiente para usar um feitiço escuro na escola? Me uma aula?

- Você está dizendo que sabe de algum?! – Hermione engasgou.

Harry rosnou com raiva.

- Não! Claro que não!

Bem… talvez alguns… mas não é como se eu fosse te dizer isso. Ele pesou mentalmente, e seu companheiro riu.

- Bem, eu certamente espero que não! É Defesa Contra as Artes das Trevas e não Artes das Trevas!

- Merlin, pessoal! Eu aprendo algumas magias que estão fora do currículo padrão, e de repente vocês pulam na onda de "Harry Potter é das Trevas"?!

- Eu não vejo o porquê de você ter de aprender um feitiço que rasga as coisas daquele jeito! – Hermione argumento defensivamente.

- Um… Deixe me ver… Torneio Tribruxo te lembra de alguma coisa, Hermione? Sabe, eu realmente prefiro não acabar morto esse anos! Vou aprender a merda que eu precisar para sobreviver essa coisa!

Hermione abriu a boca, mas a fechou e olhou para baixo.

- Sinto muito, Harry. Você está certo.

- Obrigado! – Harry disse, exasperado e com raiva, jogando as mãos para o alto.

Hermione suspirou e os três voltaram a percorrer o caminho até o Grande Salão.

- Você tem sido realmente incrível durante as aulas. – Hermione sussurrou em um tom de voz muito calmo, depois de alguns minutos de silêncio desconfortável.

Harry estreitou os olhos e a olhou com desconfiança por um momento, antes de colocar a máscara de timidez contra a sua vontade.

- Er, obrigada.

- Você… você acha que poderia me ensinar um pouco dessa magia não-verbal? Talvez me apontar um livro qualquer, onde você tenha aprendido?

Harry piscou surpreso para ela.

- Uh… Eu… Eu realmente não sei Hermione. Quer dizer, eu não aprendi isso em um livro, exatamente.

Hermione parou e o olhou com o cenho franzido em confusão.

- Como você o aprendeu, então?

- Eu meio que… comecei a fazer. No início do semestre, quando eu estava pensando sozinho, eu meio que o fiz. Eu realmente não posso explicar, mas eu meio que descobri como usar a minha magia de uma maneira que eu nunca havia pensado. Eu só… consigo agora. Eu realmente não tenho ideia de como ensinar alguém.

Ela franziu a testa e suspirou.

- Ah… tudo bem.

O trio entrou no Grande Salão e fez seu caminho para a mesa de Gryffindor. Harry conseguiu evitar a maior parte da conversa durante a refeição. Rony e Seamus, que estavam sentados em frente a Harry e Rony, entraram em uma acalorada discussão sobre alguma partida de Quadribol entre os Ballycastle Bats e os Chudley Cannons. Hermione acabou comendo enquanto lia, e Harry estava grato pela oportunidade de ser deixado sozinho por algum tempo. Ele sabia que teria de aproveitá-la enquanto era possível, já que seus amigos esperavam que eles fossem ficar juntos na Sala Comum para fazer o dever de casa.

Harry tinha acabado de comer quando escutou o som de Rony se asfixiar de susto. Ele olhou para cima e viu a mandíbula de Rony pendurada até quase encostar na mesa. Um olhar para o lado e ele viu o rosto de Seamus idêntico ao do seu amigo gengibre.

Harry estava prestes a perguntar o que eles estava olhando com uma expressão tão estupida, quando sentiu um toque leve sobre seu ombro. Harry virou-se e viu ninguém menos do que Fleur Delacour.

Ele arregalou os olhos e seus lábios se entreabriram de surpresa por apenas alguns segundos, antes que ele fosse capaz de sorrir com confiança e acenar com a cabeça.

- Mademoiselle Delacour, que prazer vê-la nesta bela noite. – Harry disse com uma seriedade fingida e uma inclinação boba com a cabeça. Ela riu e revirou os olhos para ele. Harry ouviu um barulho de um gemido estrangulado de algum lugar na garganta de Rony, mas ignorou.

- Por favor, Arry. Me chame de Fleur. – Disse ela sorrindo.

- Será uma honra, minha senhorita. – Harry disse ainda sorriso confiante. – Então, para o que devo esse prazer? Você já tomou sua decisão?

- Sim, eu já decidi. – Disse ela sorrindo ainda mais.

- Você vai me manter no suspense? Estou absolutamente desesperado com a antecipação.

Ela riu.

- Você é mesmo muito divertido, Arry. Eu espero que você vai me manter tão entretida assim no baile.

As sobrancelhas de Harry se ergueram em questionamento.

- Isso significa que você aceitou o meu convite?

Ela revirou os olhos e riu levemente.

- Sim, Arry. Eu aceito.

Harry sorriu para ela.

- Excelente.

- Eu vou lhe dizer onde e que horas me pegar, quando a data do baile estiver mais próxima.

- Eu estarei esperando.

- Eu também. – Disse ela com um sorriso quando começou a se virar. – Vejo você mais tarde, Arry.

- Tchau Fleur.

Harry se virou para a mesa, rindo levemente e com uma sensação de presunção realizada. Ele olhou para cima e viu que toda a mesa de Gryffindor… e todos que estavam nas outras mesas, estavam olhando para ele.

O rosto de Rony era quase tão vermelho quanto o seu cabelo e ele estava fazendo barulho com sua garganta.

- Você está bem Rony? – Perguntou Harry com preocupação fingida.

- Isso foi, o que eu penso que foi? – Seamus perguntou em um suspiro sufocado.

- O que você pensa que foi? – Perguntou Harry sorrindo.

- Será que… você convidou Fleur Delacour para ir ao baile com você?! – Exclamou Seamus.

- Sim. – Harry respondeu dando de ombros.

- Quando?!

- Hum… na semana passada. Na manhã após McGonagall anunciar o baile.

- De verdade?!

- Sim.

- E ela aceitou?! – Seamus continuou, sua voz cada vez mais aguda.

Harry riu e balançou a cabeça.

- Sim, Seamus. Convidei ela e ela disse que sim. – Harry disse lentamente, como se estivesse falando com uma criança pequena.

O queixo de Rony estava se movendo para cima e para baixo e seus olhos estava estranhamente dilatados. Harry estendeu a mão sobre a mesa e acenou-a na frente do rosto de Rony.

- Você está bem, Rony?

- F-ff-fleu… - Ele começou a gaguejar.

Harry revirou os olhos e voltou-se para Seamus.

- Então, você convidou alguém?

- Oh, sim. Convidei Lavander. Ela disse que sim.

- Parabéns cara.

Seamus tossiu uma risada.

- Nah, Harry. Se alguém deve ser parabenizado, então eu deveria estar te parabenizando. Eu não acredito que você teve coragem de convidar a Fleur! Ainda mais… eu não posso acreditar que ela disse sim!

Harry riu.

- É tão difícil assim de acreditar que eu poderia conseguir um encontro?

- Não é isso, Harry. Só que ela é Fleur Delacour! E você está apenas no quarto ano!

- FF-fl-fl… - Rony continuou a gaguejar, em silêncio.

Harry riu.

- Sim, eu sei. Acho que o fato de que eu sou capaz de falar sem gaguejar, e não ficar babando como um palhaço deve ter melhorado as minhas chances.

O queixo de Rony se fechou e seu rosto ficou vermelho de novo.

- Eu não sei como você consegui! – Disse Seamus com tom de admiração. – Quer dizer… você estava tão falando com ela com tanta facilidade! Como você consegue não agir como um idiota?

Harry encolheu de ombros e pegou sua mochila.

- Eu não sei, apenas não o faço. – Ele se virou para Hermione, que estava lhe dando um pequeno sorriso de cumplicidade e ele revirou os olhos para ela. – Eu vou voltar para a Sala Comum. Vejo vocês mais tarde, certo?

- Tudo bem. Vejo você mais tarde, Harry. – Disse Hermione.

[HarryPotterAndTheDescentIntoDarkness]

Na manhã seguinte, no café da manhã uma coruja cinzenta desceu através do Grande Salão, junto com outras tantas corujas com o correio, e estabeleceu-se em cima da mesa em frente a Harry. O entusiasmo de Harry cresceu e ele rapidamente pegou o pergaminho enrolado em volta de sua perna. Ele lhe deu um pedaço de toucinho de seu prato e rapidamente desenrolou a carta.

- De quem é, companheiro? – Rony perguntou com a boca cheia de ovos. Harry mal conseguiu impedir do desprezo que queria se espalhar em seu rosto, quando alguns pedaços de comida caíram da boca de Rony em cima da mesa.

Cachorro nojento

Ele balançou a cabeça e voltou a olhar para a carta. Era do Boticário do Sr. Mulpepper na Travessa do Tranco.

Harry leu rapidamente e seus lábios se curvaram em um sorriso diabólico.

- O que é isso Harry? – Hermione perguntou se inclinado um pouco sobre o seu ombro. Ele fez uma careta, dobrando rapidamente e guardando-a antes que ela pudesse lê-la. Ele mascarou sua irritação e assumiu uma expressão inocente.

- Eu encomendei algumas coisas do boticário de Hogsmead, mas eles não tinham todos os ingredientes que eu precisava, por isso me recomendaram um boticário no Beco Diagonal. Esses são os ingredientes que eu precisava.

- Que tipo de ingredientes? – Hermione perguntou, franzindo a testa ligeiramente em confusão.

- Eu precisava de um pouco de sangue de Re'em.

Hermione empalideceu.

- Para o que, na Terra, você precisava disso?

Harry revirou os olhos.

- Para uma poção.

Hermione fez uma careta um pouco aborrecida.

- Sim, Harry, eu percebi isso. Que tipo de poção você está tentando amadurecer?

- Uma para me ajudar a melhorar meu desempenho na próxima tarefa. – Harry mentiu com facilidade.

- Você tem permissão para usar uma poção na próxima tarefa? – Ela perguntou surpreso.

- Claro. Esse é o objetivo para recebermos pistas. Quanto mais rápido você descobre, mais tempo você tem para se preparar.

- Ah. Isso faz sentido. Então você descobriu a pista.

- Aham. – Harry murmurou de uma forma bastante evasiva enquanto pegava um pouco de comida. – Assim que eu tiver todos os meus ingredientes, eu vou ter de passar algum tempo nos laboratórios de poções nas masmorras.

- Nós podemos ajuda-lo a fazê-la. – Disse Rony. Harry quase bufou. Como se eu fosse gostar da sua ajuda com poções.

- Não. – Harry disse facilmente. – É para a tarefa. Que eu tenho que fazer isso sozinho.

- Ah… certo.

Harry sorriu. Muito fácil.

Agora ele tinha uma ótima desculpa para ficar longe deles e fazer sua poção sem ter de dar nenhuma desculpa extra. E ele sempre pode alegar que as poções que ele estava fazendo levaria várias dias para preparar e ficar longe deles por mais tempo.

[HarryPotterAndTheDescentIntoDarkness]

Na manhã seguinte, um pequeno pacote de Hogsmead chegou, carregado por duas corujas marrons. Dois dias depois, a caixa contendo os ovos de Runespore e o sangue de Re'em chegou da Travessa do Tranco. Era o último dia do semestre, e Harry tinha um exame de poções daquele dia sobre antídotos.

Harry sabia que ele teria de mais facilidade se ele pudesse fazer sua poção, se ele tivesse permissão para usar os laboratórios de poções durante as férias, em vez de tentar fazer a poção em um lugar com equipamentos ruins, então ele decidiu pedir a Snape depois da aula.

[HarryPotterAndTheDescentIntoDarkness]

O teste foi surpreendentemente foi. Harry tinha certeza de que a maioria das perguntas escritas estavam corretas, e, uma vez que a sua poção prática foi fabricada sozinho em fez com um parceiro, ele foi capaz de concluí-la sem nada explodir. Ele terminou com seu teste em quarto ligar, atrás de Malfoy, Daphne Greengrass e Hermione, mas sua poção parecia melhor do que aa que Greengrass havia feito, ele nunca esperava fazer algo melhor do que Malfoy ou Hermione.

Infelizmente, uma vez que era uma vez que era uma aula de teste, isso significava que uma vez que Harry havia terminado, ele não tinha o que fazer até que todos houvessem acabado. Todo mundo saiu conforme terminavam, e Rony olhou para Harry com ligeira confusão, quando ele viu Harry se sentar novamente depois de entregar sua poção e o pergaminho de teste.

Não demorou muito para que Harry ficasse entediado, então ele enfiou a mão dentro de sua mochila e retirou de lá o livro de poções da seção restrita.

As duas poções 'não-restritas' que Harry planejava fazer, era uma poção nutricional avançada restauradora de ossos e uma poção reestruturação muscular.

Ambas as poções, no entanto, exigiriam que Harry as tomasse todos os dias por vários anos, para conseguir atingir o nível de correção que desejava. Elas corrigiram lenta e gradualmente os danos causados em décadas de desnutrição.

A terceira poção – a que ele havia pego no livro da seção restrita – era uma poção aceleradora e que tinha sido inventada por um feiticeiro que insistiu que as outras poções de restauração demoravam demais para ficarem prontas. Ela iria acelerar e aumentar os efeitos das outras poções, bem como um certo número de benefícios menores.

Ele ainda precisaria amadurecer bastante as duas primeiras poções para tomar uma dose todos os dias, mas apenas por dois meses, em vez de vários anos. A poção aceleradora seria bebida oito vezes. Uma vez por semana e ele iria precisar tomar uma dose do mesmo, e, idealmente, permanecer na cama por 12 horas sem ser perturbado, porque seria doloroso e o deixaria totalmente acamado.

Assim, seu plano era fazer isso a cada sexta-feira ou sábado à noite, e inventar a alguma desculpa sobre o treinamento ou qualquer coisa assim, para manter seus amigos longe. É claro que ele ainda precisava descobrir onde ele estava indo ficar enquanto suportava essas sessões. Ele ainda estava trabalhando nessa parte.

Harry começou a folhear alguns dos capítulos do livro de poções. Infusões e Rituais de Aperfeiçoamento Permanente por Scaliea Vanity. Era um livro fascinante. Tudo relatado no livro seria… bem, permanente. Rituais de melhoria da memória, poções de fortalecimento físico, infusões que aumentavam drasticamente a clareza mental e o pensamento cognitivo.

Harry teve de admitir que alguns eram bem tentador. No entanto, eles tinham efeitos colaterais que seriam visivelmente óbvios para ele correr o risco de fazer muitos deles, enquanto estava na escola. Possivelmente, depois de que ele se formasse ele poderia fazer várias delas.

Claro, as poções que ele estava pensando em tomar causariam uma mudança visível e perceptível também. Esperemos que ele poderia alegar um surto de crescimento mágico, e que tinha se exercitado para entrar em forma para o torneio.

Ele olhou novamente para o livro. Havia definitivamente um bom número delas que ele gostaria de tentar mais tarde. Ele desejou que ele pudesse ter apenas uma cópia, mas os feitiços de direitos autorais sobre o livro o impedia. Ele considerou apenas mantê-lo. Ele não tinha realmente "verificado", para saber se alguém sabia que ele o tinha. Mas ele suspeitava que havia encantos em todos os livros da biblioteca que os impediam de serem removidos da escola.

Escreva ao… editor…

Harry piscou e depois revirou os olhos para si mesmo, por não ter pensado nisso sozinho. Ele olhou para a capa e procurou por qualquer informação sobre o editor. Ele o encontrou imediatamente e tirou um pedaço de pergaminho para copiá-lo.

Jasper Beech; Crespus Publishing.

Ele iria escrever uma carta para eles, perguntando se ele poderia comprar uma cópia do livro diretamente com eles, assim que ele falasse com Snape.

Falando nisso… Harry olhou ao seu redor e viu que Goyle e Lilá Brown foram os únicos que ainda estavam na sala. Nenhuma de suas poções parecia muito promissor, e Harry duvidou que Snape teria realmente paciência para esperar que os dois terminassem.

Decidindo fazer uso de seu tempo, Harry começou a escrever uma carta ao editor. Foi muito simples. Só perguntando sobre o livro especifico e se ele poderia comprar uma cópia diretamente do editor, perguntando se havia um revendedor que ele pudesse entrar em contato em seu lugar. Ele assinou a carta com o mesmo pseudônimo, Notechus Noir, que tinha usado com o boticário, e dobrou a carta e a colocou dentro do livro.

Ele olhou para cima, assim como Snape caminhou furiosamente, olhando para os caldeirões de Lavander e Goyle. Ele rosnou para eles apenas engarrafando o que tinham e entregarem seus testes. Harry arrumou suas coisas e se recostou na cadeira, esperando até que os outros dois houvessem saído.

Assim que a porta se fechou atrás de Goyle, Snape se virou e olhou para Harry.

- Potter – ele sussurrou em um tom calmo e ameaçador. – O que você ainda está fazendo aqui?

- Eu preciso preparar algumas poções, para a próxima tarefa. Eu estava planejando fazê-lo durante o feriado de Natal e estava esperando que eu poderia fazer isso em um dos laboratórios nas masmorras. – Harry disse rapidamente, indo direto ao ponto. Ele sabia que enrolar só deixaria Snape mais irritado.

O mestre de poções estreitando os olhos e olhando para Harry especulativo.

- E você realmente precisa fazer uso de uma das minhas salas, para essa sua pequena tarefa? – Snape zombou com um ar de ceticismo.

- Sim, eu estou esperando poder fazer uso sim. Eu preciso de um lugar tranquilo, onde eu posso me concentrar e onde eu não vou ter qualquer um dos meus colegas de casa respirando no meu pescoço. Eu também prefiro fazer isso em um laboratório de poções devidamente equipado, do que fazê-lo em alguma sala aleatória vazia. Eu queria ter a sua permissão primeiro, e apesar de ter certeza de que eu estaria causando qualquer inconveniente, quando estivesse usando um dos seus laboratórios.

Os lábios de Snape se crispou em desdém.

- Tão ao contrário de você, Potter. Tomando distâncias das pessoas, e tendo consideração com as regras antes de considerar seus interesses.

Internamente, Harry revirou os olhos. Exatamente, Harry estava mantendo uma expressão perfeitamente em branco.

- Estaria tudo bem, senhor?

Os olhos de Snape se estreitaram e encararam Harry como se estivesse tentando perfurá-lo com seu olhar. Depois de longos minutos, ele lhe deu um aceno de cabeça.

- Você pode usar o laboratório de poções B. ele não vai estar sendo usando nesse período.

O canto da boca de Harry se curvou um pouco.

- Obrigado, senhor. – Ele disse ansioso. – Eu realmente aprecio isso.

Snape olhou enojado e rapidamente enxotou Harry para fora de sua sala de aula.

Harry não demorou e rapidamente deixou as masmorras e começou a fazer o seu caminho em direção ao corujal. Se tivesse sorte, ele poderia enviar a carta antes de Rony ou Hermione encontrá-lo de novo, então ele não teria que inventar alguma mentira sobre para quem ele estava escrevendo, ou para o quê.

[HarryPotterAndTheDescentIntoDarkness]

O dia seguinte era sábado e uma vez que o almoço acabou, ele se despediu de Rony e Hermione, dizendo que iria começar a preparar suas poções e estaria indisponível o resto do dia.

Ele havia colocado todos os ingredientes em uma única caixa, e levou-a, juntamente com os suprimentos necessários para o laboratório B e, rapidamente, arrumar tudo.

Ele levou toda a tarde e à noite para preparar a primeira poção. Ele tinha um enorme tanque do material quando ele havia terminado, e conjurou uma caixa de madeira e separando-a em quatro dezenas de frascos de vidro pequeno. Ele cuidadosamente medindo a quantidade para dois meses e colocando cada dose em um frasco.

Guardou todos seus materiais em sua nova caixa de poções. Ele fez um feitiço de encolhimento rápido na caixa de madeira, em seguida, uma barreira de amortecimento em torno dela antes de colocá-la dentro de sua bolsa e fazer seu caminho para fora das masmorras.

Ele estava completamente cansado quando finalmente terminou, indo direto para sua cama.

No dia seguinte foi a mesma coisa. Ele fabricou a restaurados muscular e óssea naquele dia, o que levou muito tempo. Mais uma vez, ele conjurou outra caixa de madeira e outro grande conjunto de frascos de cristal – que eram maior dessa vez, já que as doses dessa poção eram cerca de três vezes maiores do que a outra.

Segunda-feira chegou e Harry tomou sua primeira dose de cada uma das poções 'não-restritas'. Não tinham um gosto bom, mas elas não eram tão ruins quanto algumas outras poções que ele já havia sido forçado a beber sobre os cuidados de Madame Pomfrey ao longo daqueles anos.

Sexta-feira seria o Baile de Inverno, por isso Harry estava planejando fazer a primeira dose da poção acelerados sábado à noite, até domingo pela manhã. Mas primeiro ele tinha que prepará-la. Como ele que isso lhe tomaria muito tempo, ele planejava deixar Rony e Hermione logo após o café da manhã. No meio da refeição, uma coruja chegou com o que parecia ser um catálogo de vendas por correspondência, jogando-o em suas pernas. Harry olhou para ele com confusão leve por um momento, antes de dar algumas salsichas ao pássaro.

Após um exame mais atento, Harry percebeu que era da editora Crespus Publishing, da qual ele havia pedido o livro de poções. Ele sorriu enquanto lia a pequena nota junto ao catálogo do Sr. Jasper Beech; proprietário e operador, dizendo que o livro que ele havia pedido possuía uma edição mais recente disponível e que ele poderia encomendá-lo diretamente com eles por meio do serviço de catálogo via coruja. Os detalhes haviam sido incluídos no catálogo.

Harry colocou-o em sua mochila e disse a Rony e Hermione que ele estava indo trabalhar em sua poção. Rony gemeu sobre Harry estar desperdiçando suas férias com poções, e Hermione disse a ele para ter certeza de que ainda teria tempo para se dedicar a sua lição de casa de férias.

Harry conseguiu ir embora sem dizer nada sarcástico para ele, e fez seu caminho para as masmorras.

[HarryPotterAndTheDescentIntoDarkness]

Harry não conseguiu descrever o quão grato ele estava por ter a presença de seu companheiro, quando ele fabricou a última poção. Era um assunto extremamente delicado e era, muito sinceramente, acima do nível de Harry. Mas seu companheiro foi surpreendentemente paciente e sua orientação foi indispensável.

Durante as pausas entre os ingredientes, ou entre os momento em que ele tinha que mexer várias vezes nos sentindo anti-horário e adicionar um volta no sentido horário, Harry havia sentado-se e folheado o catálogo.

Ficou evidente de imediato que Crespus Publishing era especializada em livros questionáveis sobre assuntos questionais. No entanto, muito poucos desses assuntos "questionáveis" provocaram ondas de curiosidade em Harry.

Ele mordeu a ponta de sua pena, travando uma batalha interna. Um sorriso malicioso se espalhando em seus lábios e ele riu, dando de ombros para si mesmo, enquanto colocava a pena sobre o pergaminho e marcava os livros que ele queria.

Haviam poucos.

[HarryPotterAndTheDescentIntoDarkness]

No momento em que o jantar tinha começado, Harry finalmente havia terminado. Sua poção era uma lama prateada semi-translúcida. Ele encheu oito frascos e as guardou. Ele não imaginava que fosse gostar de engolir aquilo, mas ele ficou surpreso que ela realmente possuía um cheiro bastante agradável.

Harry limpou a sua sala de trabalho, embalando seus suprimentos e fez seu caminho para a torre de Gryffindor. Ele arrumou suas coisas, antes de pegar o formulário de pedido de sua mochila e correr em direção ao corujal.

[HarryPotterAndTheDescentIntoDarkness]

O resto da semana passou de forma tranquila. Todas as manhãs ele tomava uma dose das duas poções 'não-restritas', e, em seguida, passar o dia ou na Sala Comum lendo, ou relaxando em sua cama, em sua paisagem mental com seu companheiro.

As manchas cinzentas se espalharam por quase todo o espaço de sua paisagem mental. A névoa negra também ocupava quase todo um quarto do espaço, dando ao seu companheiro mais espaço para se mover. Harry descobriu que ele poderia mudar a grande massa escura uma vez que estivesse relaxado, em um momento especifico, se ele desejava, então ela se transformava em um sofá de couro preto estofado.

A coisa toda era apenas em sua cabeça, e ter um sofá para descansar não chegou a afetar o tempo que passava com seu companheiro, mas era um luxo que ele gostava de dar a si mesmo, por isso o sofá permaneceu lá.

Além disso, ele gostava da imagem dos dois enrolados juntos no grande sofá de couro. O couro estava frio e luxuoso contra sua pele, embora ele soubesse que era apenas uma imagem de sua cabeça.

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Harry não estava presente no incidente, mas Rony aparentemente tinha conseguido ofender Hermione no início da semana. Ele havia finalmente sido atingido pela súbita revelação de que Hermione era uma garota, e convidou-a para ir ao baile com ele, em um acesso desesperado, ao mesmo tempo insinuando, que ela não poderia ir ao baile sozinha. O pobre idiota também tinha sido estupido o suficiente para apontar que, embora fosse ruim para um cara aparecer sem uma companhia, era absolutamente humilhante para uma garota.

Hermione havia se recusado a falar com ele depois disso.

Em algum momento mais tarde naquele dia, Rony tinha finalmente ficado tão horrorizado com a perspectiva de ir sozinho ao baile, que acabou gritando em pânico um 'convite' para a primeira garoto com quem ele havia cruzado no momento – que, aparentemente, havia sido Parvati Patil. Pobre garota.

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Na terça-feira Harry estava sentado em sua paisagem mental com seu companheiro, tentando encontrar um lugar privado no qual ele poderia tomar sua poção. Ele precisava de um lugar onde ninguém seria capaz de incomodá-lo. Ele poderia lançar feitiços silenciadores, por isso não precisava ser especialmente a prova de som, mas isso não faria mal.

Ele estava frustração com a falta de ideias, quando finalmente caiu no sono, sem ainda ter uma resposta.

Harry acordou na manhã seguinte com uma inspiração. Por alguns minutos, ele tinha certeza de que ela seria o lugar perfeito, onde só ele poderia ir e ninguém poderia incomodá-lo. Então a realidade caiu sobre ele como um balde de água gelada.

A Câmara… que era o lugar que ele estava pensando. Ele poderia se esconder dentro da Câmara e não teria que se preocupar com ninguém interrompendo-o. mas depois lembrou-se do estado em que a Câmara estava e como havia sido um lugar nojento quando ele havia ido lá.

Além disso, havia também um gigantesco basilisco apodrecendo lá embaixo. O lugar já não cheirava bem, agora não haveria nenhum benefício a adição de um cadáver de uma cobra gigante com dois anos de decomposição.

Harry fez uma careta.

No entanto, ele podia sentir a nítida presença de seu companheiro em sua mente, lhe dizendo de que ele deveria conferir a ideia primeiro, antes de descartá-la completamente.

Depois do almoço, disse a Rony e Hermione que precisava verificar uma poção que havia deixado fervendo em fogo lento e que ele não sabia quanto tempo ele estaria fora. Ele correu até a torre de Gryffindor, pegando sua capa de invisibilidade e o mapa do Maroto. Ele entrou em uma sala de aula vazia no terceiro antes e cobriu-se com o manto e tirou o mata ativando-o. Uma vez que ele tinha certeza de que seu caminho estava livre e ninguém lhe veria indo para o banheiro da Murta, ele foi para o segundo andar e entrou no banheiro.

Felizmente, a fantasma parecia não estar e por isso ele direto para a pia que não funcionava e assoviou um §abra § para a torneira. A pia se moveu e se afastou, revelando a grande abertura do túnel profundo e escuro.

Os lábios de Harry se curvaram em um sorriso de escarnio enjoado com a visão do túnel. Ele não queria ter de pular para dentro, como havia feito no segundo ano. Se perguntou se ele deveria ter trazido sua vassoura junto, quando ele sentiu a presença de seu companheiro crescer em sua mente.

Escadas…

- Hun?

Chame as escadas.

Harry franziu a testa por um momento em confusão, mas ele ajoelhou-se na borda do buraco e sibilou §escadas §.

As bordas lisas do túnel começaram a mudar de forma de repente, estreitos e íngremes degraus surgiram. A primeira parte era realmente íngreme, mas era melhor do que a opção de se jogar dentro do buraco. Harry sorriu.

Ele começou a descer um degrau de cada vez, até que estava completamente envolvido pela escuridão do túnel. Ele puxou a varinha e lançou um lumos para iluminar seu caminho. Não demorou muito para que descesse, e os túnel apertado fosse se alargando gradualmente, até que ele pudesse caminhar sem manter o corpo curvado.

Harry terminou de descer e entrou no túnel maior, onde o chão era coberto por ossos de pequenas criaturas. Bem… pelo menos eram pequenas, se comparadas a coisa que as tinha devorado. Continuando seu caminho, ele finalmente chegou no lugar onde havia acontecido o desabamento de dois atrás. Harry sibilou alguns feitiços e as pilhas de pedras se moveram e saíram de seu caminho, voltando para sua posição original. Ele se deleitou com a forma como a magia girava ao seu redor. As deliciosas vibrações que percorriam seu corpo em ondas, mas ele se lamentou por não ser capaz de fazer nada maior do que aquilo. Infelizmente, ele raramente tinha a oportunidade de fazer algo assim.

Uma ideia passou por sua cabeça, mesmo que ele não usasse a Câmara para tomar a poção, ele ainda poderia ir ali para praticar sua magia em particular. Esse pensamento o animou e um grande sorriso surgiu em seus lábios.

Finalmente, ele se deparou com a entrada para a antecâmara, ordenando que ela se abrisse com um assovio. Ele já estava preparado para sentir uma onda de cheiro horrível, mas foi surpreendido ao descobrir que tal onda não aconteceu.

Ele entrou na Câmara e caminhou até o cadáver do basilisco. Ele tinha quase se esquecido como era malditamente enorme aquela coisa.

Como ele tinha conseguido lugar contra aquele monstro sozinho, quando ele tinha apenas doze anos?

Ele balançou a cabeça e foi preenchido com uma onda de raiva, por ter sido colocado em tal situação. Por que diabos ele teve de lidar com aquela coisa? Era verdade que os professores não eram capazes de falar a língua das cobras, por isso eles não poderiam entrar na câmara, mas não havia realmente nenhuma magia para que eles conseguissem encontrar o lugar?

Além do mais… a escola não possuía proteções para detectar artefatos de magia negra? Por que não havia detectado o diário? Todos afirmaram que as proteções de Hogwarts deveriam ser uma das mais poderosas do mundo, e que a escola era o lugar mais seguro da Grã-Bretanha.

Harry bufou.

Sim, certo.

Eram tudo palavras vazias. As proteções não detectavam nada. E se o fizessem, Dumbledore não sabia como lê-las, ou simplesmente as havia ignorado propositalmente.

Maldição! Voldemort havia estava na escola durante um ano inteiro, escondido na parte de trás da cabeça de Quirrell! O que as malditas proteções faziam se não conseguiram detectar a presença de Voldemort andando pela escola escondido atrás da cabeça de um professor, ou um artefato escuro como aquele diário? Claramente, elas não faziam nada.

Harry balançou a cabeça.

Ele estava sempre por contra própria. Ninguém nunca o protegeu. Ninguém nunca este lá para ele. Ele sempre tinha de se cuidar sozinho. Ele teve de se cuidar nos Dursley, e isso não havia mudado nenhum pouco quando chegara ao mundo dos bruxos. Tudo o que mudou, foi que agora havia mais pessoas que estava tentando matá-lo.

E por quê? Ele percebeu que nem ao menos sabia. Ele só lutou contra eles para se defender. Apenas tentando permanecer vivo. Ele havia obtido mais da metade de seus dias sentindo a estranha necessidade de tentar salvar as pessoas, mas ele não entendia como poderia chegar ao ponto de quase morrer para fazer isso.

Ele suspirou profundamente e tentou sacudir os pensamentos incômodos de sua mente. Ele começou a passar pela enorme serpente e foi surpreendido como o corpo dela estava… intacto.

Ela não tinha apodrecido!

Magicamente preservada… a voz de seu companheiro lhe explicou em um sussurro ofegante, enviando arrepios por sua espinha.

Harry acenou com a cabeça e olhou para o animal monstruoso em aprovação. Era realmente uma pena que tivesse tido de matá-lo. Bem… era isso ou ser comido.

Vá até a estátua

Harry fez uma pausa e se virou para olhar a grande estátua de Salazar Slytherin de onde o basilisco havia surgido dois anos atrás. Ela ainda estava aberta e ele rapidamente entrou. Parou quando seus olhos foram envolvido por uma grande escuridão. Girando o pulso, ele conjurou uma série de pequenas esferas brilhantes que iluminou todo o túnel. Quando desceu cerca de um metro e meio, o chegou em um túnel maior e iluminado.

Parecia surpreendentemente longo e ele começou a atravessar esse caminho.

Cerca de vinte metros depois ele sentiu o desejo de parar preenchê-lo. Ele tinha a sensação de que isso estava vindo de seu companheiro, mas a outra presença havia se mantido em silêncio. Harry olhou ao redor do grande túnel em que estava, e sentiu o pulso de magia vindo da parede. Ele estendeu a mão e acariciou a superfície lisa e rochosa. Havia algo lá e ele trouxe sua varinha para mais perto.

Havia uma pequena serpente desenhada na rocha. Curioso, ele se inclinou e cochichou um §abra § só para ver se funcionava.

Um segundo depois, uma fenda apareceu na rocha lisa, como se formasse uma forma. A pedra afundou para trás e deslizou para o lado, revelando uma entrada.

Curioso, Harry entrou e ficou chocado com o que encontrou.

Era um quarto. Estava coberto por uma camada espeça de poeira. O quarto era aproximadamente do mesmo tamanho do escritório de Dumbledore. Havia algum tipo de espreguiçadeira luxuosa, uma grande mesa de madeira esculpida, e uma cadeira de madeira esculpida com desenhos de serpente se enrolando nas pernas, até o apoio. As paredes estavam cobertas, do chão ao teto, de estantes de livros, aos quais estavam preenchidas com livros.

Harry se aproximou e começou a examinar tudo com expectativa ansiosa.

Ele lançou um lumos máxima e mandou a luz brilhante para o teto, para poder iluminar todo o espaço, enquanto explorava. Embora fosse verdade que o lugar estava coberto de poeira, não havia o suficiente para equivaler milhares de anos sem uma limpeza. Riddle deveria ter encontrado aquele lugar também, raciocinou. Provavelmente, o havia limpado em algum momento de seu tempo em Hogwarts.

Harry foi até a espreguiçadeira e com um movimento rápido de varinha, e um redemoinho de magia controlada, toda a poeira desapareceu.

Parecia algo similar a veludo. Era de um profundo verde esmeralda, e possuía pequenos botões pretos brilhantes em forma de caveiras costuradas na parte traseira e nas laterais, segurando o tecido de veludo a cada quinze centímetros, mais ou menos.

Ele passou a mão sobre o tecido e sentiu sua suavidade e macies. Era perfeito.

Ele poderia vir aqui uma vez por semana para tomar sua poção e garantir total privacidade. E ele poderia praticar sus feitiços na câmara do basilisco. Ele sabia que as proteções da escola não detectavam nada ali em baixo, então não precisava se preocupar…

Ele parou e sentiu uma sensação de animação e antecipação crescendo dentro de seu peito. Ele finalmente poderia experimentar algumas… magias escuras… Ele não havia se sentido seguro de verdade, para lança-los antes, já que não havia qualquer maneira de garantir que ele não seria detectado quando o fizesse. Além disso, ele realmente não havia tido nenhum lugar privado o suficiente para fazer isso. Mas agora ele tinha.

Ele só tinha o menor dos receios sobre a pratica de magia negra. Sua opinião sobre os ramos da magia haviam mudado drasticamente ao longos dos últimos dois meses, embora ele não conseguia entender o porquê.

Era tudo magia. Luz, trevas e neutro. Era tudo conhecimento, e limitar-se a apenas um ou dois ramos, ele só estava prejudicando a si mesmo. Cada novo feitiço que aprendeu – cada nova teoria que ele entendia – mais animado ele ficava. Foi emocionante exercer tal poder.

Por que ele não deveria aprender a usar todos os ramos da magia que despertassem seu interesse?

Harry passou duas horas explorando o quarto e vendo os livros que haviam ali. Ele estava, literalmente, vibrando de empolgação. Ele colocou dois em sua mochila e saiu do quarto. Ele continuou a caminhar pelo longo túnel onde o basilisco havia vivido. Ele estava cheio de ossos e sujeira e Harry rapidamente se virou para retornar à câmara de entrada, e depois voltar para as escadas.

Ele verificou seu mapa, para garantir que o caminho estava livre antes de mandar a pia se abrir, para que pudesse sair. Retornando a torre de Gryffindor, ele rapidamente colou um glamour sobre a capada de um dos livros, para que ele parecesse um livro de transfiguração e sentou-se em uma das cadeiras da Sala Comum.

Rony tentou convencer Harry de parar lhe acompanhar em uma partida de xadrez, mas Harry disse que estava ocupado e não poderia. Hermione sorriu em aparente aprovação de sua nova atitude estudiosa. Harry riu internamente. Ela dificilmente iria aprová-lo se soubesse que ele estava lendo sobre a teoria fundamental da magia negra.